Notas iniciais
•E se ocorrer erros, reescreverei.• {Provavelmente ocorrerá.} ~Enjoy~♥

O que se podia ver da janela do quarto, eram as cinzas entrando pela varanda, eram tão grandes quando a palma de uma mão, o que era mais assustador, era que as cinzas eram de outro Reino, William sentia o vento vindo do Norte, ou seja, não era de Saphiral; ele respirou fundo esmigalhando as cinzas entre os dedos; só podia ser de Ruphira, tinha certeza que sim. Estela estava deitada na cama, com o pescoço doendo, assim como uma dor intensa no quadril, Sísifo estava agitado, mas, quando Perseu havia a soltado e ela caiu, a dor não melhorou.

-Parece que a destruição aqui parou... – William disse com um tom carregado de tristeza e agonia. – Ou reforços devem ter chegado; guerreiros ou os deuses?

-Atena deve estar sorrindo aos quatro ventos agora. – Estela respondeu com uma voz cansada e um pouco atordoada.

-Se sente melhor? – Nielle estava usando fios de linho com ervas nas articulações da Rainha para diminuir as dores e o estresse. Estela olhou para William negando com os olhos, não parecia que a garota sabia o que estava fazendo, ela parecia bem assustada na verdade.

-Nielle... – Estela a chamou depois de um momento, a garota demorou um pouco para olhar para ela. – Eu estou bem, não precisa fazer mais.. Nada. – A garota se afastou fechando as mãos devagar.

-Está incomodando? Precisa de mais linho? – Estela negou educadamente.

-Não, eu já estou me sentindo melhor... – Nielle assentiu e se sentou no chão sentindo tremores vindos do subsolo. Era leve, mas, podia sentir, como se fossem passos pesados e profundos, ou criaturas animalescas.

-(...) Ele está ficando perigoso... E isso deixa você e o bebê em risco. – William disse segurando a mão de Estela dando apoio, confortando. A garota inclinou a cabeça e observou a proximidade dos dois.

-Você não devia... Estar do lado da sua Rainha? – Ele apertou levemente a mão de Estela. – Não que seja da minha conta mais... Se ela estava furiosa, não deveria estar do lado dela? – William travou a mandíbula e mudou a mão para o ombro de Estela.

-Porque eu ficaria em um Reino que se tornou um cemitério fumegante e a minha esposa é a coveira? – Nielle sentiu um arrepio quando William falou com a voz amarga. – Fico feliz que pelo menos, as crianças não estão por perto.

Estela concordou com o cunhado, não saberia como Artemisa iria reagir com a fúria do próprio pai e se ele a machucasse? E Elia? Iria ferir a caçula de Estevão por ciúmes e ira? Para William o perigo era Rigel, Auterpe sem nenhum senso de racionar poderia redirecionar sua fúria para o filho surdo?Revendo que ele seria inferior perante Ethan e nisso iria machucar Orion? Eram pensamentos perturbadores e assustadores, eles não sabiam o que deveriam ou poderiam fazer; não estavam mais em Calasir, estavam em Pardóx, mágica e tenebrosa Pardóx.

O leve tremor retornou um pouco mais fraco, mais ainda estava ali.

-(...) Não foi o Rei... – Nielle sussurrou se levantando do chão e tocando nas paredes com calma deixando ambos em silêncio. – (...) – Ela arregalou os olhos e tampou a boca saindo do quarto de imediato, deixando tanto William como Estela em alerta.

-Aquela garota é... – Falava palavras.

-Eu sei; ás vezes eu não entendo o que ela fala também. – Estela admitiu retirando tudo o que a garota colocou nela e se recostando na cama. – Se não foi Perseu... – Ela olhou assustada para William que negou.

-Não, Auterpe não viria aqui, ouviríamos trovões, raios, eu estaria queimado, Sísifo teria nascido... – Ele começou a citar olhando pela janela e tentando ouvir algo do outro lado da porta.

-Se não foi Auterpe, porque a garota correu? (...) Artemisa teria voltado?! – Ela se colocou em pé e tentou correr até a porta, mas, a barriga pesou, realmente, parecia que aqueles linhos estavam fazendo efeitos calmantes ou tranquilizantes, nunca que sentiu a barriga tão pesada quanto sentiu quando estava grávida dos gêmeos.

William a segurou no colo quando a viu se desequilibrar e quase cair, ele respirou fundo e deu uma risada abafada.

-Tem certeza que só tem um aí dentro? – Estela ficou vermelha e riu sem jeito, tudo estava uma bagunça, Reinos em cinzas e ele falando essas coisas. – Como você ficou tão pesada?

-Sinto como se ele fosse nascer, e junto com ele um vulcão. – Ela confessou enquanto se apoiava na poltrona acolchoada perto da janela.

-Eu nos coloquei nessa posição... – William falou se encostando ao chaise perto da varanda e Estela ergueu a sobrancelha. – Meus instintos falaram tão alto para que eu pudesse ter Auterpe nos braços que acabei com um filho... – Ele ficou uminstante em silêncio. – Eu disse isso para ela.

-O que exatamente? – Ele se recostou mais, ainda se mantendo alerta.

-Que teria sido melhor se ela não tivesse filhos envolvidos. Seria melhor se ela não tivesse ficado grávida. – Estela soltou um longo suspiro pesado, era ruim ouvir o que Perseu falou para ela, mas, para Auterpe deve ter sido devastador ouvir aquilo do marido. William realmente estava chateado, tudo o que ele pensava foi que não teve medo da esposa, era estranho, doía e ele não conseguia imaginar qual teria sido o catalisador de toda aquela destruição dos gêmeos. Ele estralou os dedos. – Ainda bem que Artemisa e Eilon não têm o mesmo sangue mágico. Imagine o quão longe aqueles dois poderiam ir e o estrago que fariam...

-Que horror... – Estela soltou uma risada nervosa repensando na imagem dos filhos, dando um suspiro de frustração. – O que eu fiz de errado? Porque eu fiz aquilo? Porque me sacrifiquei tanto?

William revirou os olhos com um olhar um pouco sarcástico, porém debochado.

-Me deixa levar a culpa de ter engravidado a Auterpe... Não é tudo sobre você... – Estela deu um pequeno sorriso negando, estava cansada demais para falar, com dores e machucada o suficiente para dizer alguma coisa.

Ela queria dormir, precisava descansar. Mas, também mesmo difícil de admitir para si mesma, estava se sentindo infeliz, sozinha, inútil. Qual qualidade e habilidade ela tinha naquele universo, do outro lado? Seus filhos ficaram chateados, desamparados, sozinhos com responsabilidades demais para a idade deles e sem um apoio.

As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto escondido pela escuridão do quarto. Se tivesse deixado Artemisa com Perseu, ainda teria Estevão, seus filhos, com certeza mais outros.

Mas, também foi sua culpa, sua ruína, se deixou levar pela gentileza, pelo olhar, por algo mágico e aos poucos destruiu confianças, família, se perdeu, e agora estava sozinha, com a mão sobre o peito pensando em como Estevão estaria acariciando sua barriga, já imaginando coisas fantásticas para o bebê, seus filhos estariam ao seu redor e não em um Refúgio onde ela não fazia ideia de onde era ou como estavam.

Enquanto pensava em todas as coisas que poderia ter feito e não fez, o que deveria ter evitado, uma sombra na varanda tampando os feches da luz da lua fez Estela se assustar.

-Rainha... – A voz quase inaudível de Aya sobre a varanda fez um sinal para ela se aproximar. Com uma certeza dificuldade, ela se levantou e caminhou até perto da varanda surpresa.

-Aya. – A garota estava com queimaduras nos braços, mas, mantinha o sorriso inabalável. – Como...

-Me pediram para te tirarem daqui quando as coisas melhorarem. – A Guardiã inclinou levemente a cabeça, notando William sentado sobre a poltrona, mas também tinha feito uma armadilha sobre a porta impedindo qualquer um de entrar; ela apontou devagar para ele. – Como o Rei de Ruphira chegou aqui?

-Eu não sou Rei de Ruphira... – William disse se levantando, verificando que a porta estava trancada e se aproximou das duas. – Sou apenas o marido da Rainha Auterpe. – Sua voz soava pesada e incomodada.

-Certo... – Aya concordou sem saber o que dizer, retomando a olhar para Estela. – Rigel disse que você estaria no quarto protegido... Bem, depois que o Rei derrubou as pilastras, ficamos com receio de você estar em perigo, de você ter se machucado.

-E onde vocês estavam no meio dessa bagunça toda? – William perguntou sério cruzando os braços. – Se escondendo? Deixando a Rainha indefesa? Onde os Guardiões estavam?! – Sua voz soou irritada e alta, Estela mexeu o braço para ele se acalmar, Aya recuou um pouco com uma expressão de choque.

-(...) Estávamos fazendo o possível para...

-Vocês não fizeram nada! – Ele berrou a interrompendo com a voz estridente. A guardiã recuou surpresa. – Estamos aqui á muito tempo! A Rainha está grávida, com fome, com dor, quase foi machucada pelo Rei perturbado de vocês, o que teria acontecido se ela tivesse morrido? Onde vocês estavam?!

-William... – Estela falou tentando acalma-lo, pois, pela expressão de Aya ela estava muito mais assustada do que eles, além de ferida.

-Não Estela! Eles deveriam te proteger! Ao menos os guardiões de Auterpe socorreram tanto a mim quanto ás esposas de Orion quando as coisas ficaram ruins... – Ele torceu o nariz com uma expressão enfurecida. – Ao menos, eles tiveram uma consideração, o que eles fizeram além de correr?

A Guardiã olhou para o chão e respirou fundo deixou os ombros caírem.

-(...) – Aya se curvou segurando o choro engasgado na garganta. – Nós... Nunca pensamos nisso. Foi repentino. – Ela tossiu em pânico. – Sentimos muito, falhamos, nós falhamos como Guardiões, se a Rainha desejar a minha prisão, eu aceito, mas, por favor, me deixe a levar para outro lugar... Seguro...

O olhar de Estela caiu sobre a pobre garota, depois voltou o seu olhar para William que deu de ombros olhando para o lado, eles poderiam não esperar pela fúria de Perseu, mas, com uma mãe que Perseu e Auterpe tiveram, todos deviam ter um plano caso algo semelhante acontecesse; isso também teria sido muito útil para Estela saber antes que Evie fizesse estragos em Calasir.

Depois de um bom tempo em silêncio, Estela colocou a mão sobre a barriga sentindo o peso de Sísifo que parecia que já queria nasce, em seguida ela tocou na cabeça da garota com calma.

-Ele me surpreendeu também... – Aya suspirou não contendo mais o choro. – Onde seria o lugar mais seguro agora? – Estela perguntou tentando soar compreensiva e gentil, independente de Perseu ter sido um monstro pior que Estevão e como certeza pior que Éfellya; ele ainda era o Rei e consequentemente ela era a Rainha; o que a fazia ter um dever com aquele povo, como ela devia ter tido com Calasir, mas, teve enquanto estava do outro lado.

Aya fez um sinal para ela esperar e saltou da varanda.

-Meu irmão estaria vivo se soubéssemos que eles eram loucos... – Houve uma longa pausa, na qual ela colocou as mãos sobre a barriga a acariciando. – Não que eu tivesse saudades dele. Mesmo que foi ideia e ganância dele em fazer um acordo, acho que se pudéssemos voltar no tempo isso não teria acontecido...

-(...) – Estela fechou os olhos remoendo-se por dentro, mas, aguentava firme, já sabia o quão ruim era a situação, mas, eles não poderiam voltar no tempo, eles não tinham os poderes daqueles seres, e se tivessem quem garantiria que eles não fariam novamente? – Não se pode mexer com o tempo... O que teríamos feito de diferente se voltássemos para aquele tempo? – Ela perguntou se virando para ele. – Ele deu um sorriso de deboche e com um olhar escuro.

-Eu não teria feito meu irmão deitar com você, Perseu é louco!

-Auterpe também é louca!

-Hãn, mas, é uma louca que não me ataca!

Antes que o debate continuasse, Musphee apareceu no quarto com um olhar intrigado, apontou para os dois, mas, se absteve de perguntar e girando a mão abriu uma passagem que dava para a floresta, ambos hesitaram a atravessar.

-Que lugar é esse? – Estela observou com atenção.

-É uma armadilha? – William perguntou.

-Chírte... – Musphee respondeu estendendo a mão para os dois atravessarem. – Desse lado não dá pra ver, entretanto é seguro. – Quando ele estendeu a mão Estela engoliu em seco, a queimadura em boa parte do seu braço era grave, podendo ver até osso, e com a cor preta, com certeza aquele braço estava comprometido. – Por favor...

Estela segurou na mão de William e juntos atravessaram para o outro lado, assim que eles atravessaram, Musphee fechou a passagem e gritou uma palavra em outro idioma. Foi quando aos poucos, a neblina ao redor se dissolveu, e uma enorme construção pode ser vista, era incrível poderia ser até uma casa ou um pequeno castelo se tivesse porta ou janelas, mas, não havia nada além de uma enorme parede com detalhes incríveis da cor branca e com detalhes vermelhos escuros. Ambos olharam um para o outro quando alguém gritou de volta de algum lugar. Quando se deram conta foram puxados para dentro da construção sólida, estavam em um local amplo, circular, arejado com janelas em arco ondulados, ladeados por várias plantas, enquanto outras se encontravam penduradas no teto.

Cada lugar para se sentar, seja cadeira, poltronas ou divãs, eram estofados em um tom branco, amarelo e laranja claro. As tochas irradiavam uma luz quente e aconchegante, havia andares acima deles, com outros moradores das vilas do Reino, como se fosse uma fortaleza dentro de algum outro lugar, um reino inteiro dentro de um espaço restrito, que não parecia ter fim.

-Um universo, dentro de uma parede... – William disse depois de um momento olhando em volta.

-Rainha Estela! Rei William... Sejam bem-vindos. – A voz de Heratho pode ser ouvida, enquanto Musphee a sentava em uma poltrona grande o suficiente para ela deitar confortavelmente, o mesmo não foi oferecido para William além de uma poltrona acolchoada. – Nos perdoe pelo transtorno...

Todos pararam o que estavam fazendo e fizeram uma reverência para ela, William ergueu uma sobrancelha de braços cruzados pronto para falar alguma coisa; quando Mérope completamente ferida, tanto quanto os demais, ela apareceu de uma das paredes do local arfando.

-Ele saiu de Saphiral!

Houve comemorações, mas, logo foram interrompidas quando viram que Estela estava repousando no hall principal. Mérope congelou e em seguida caminhou até ela e William se agachando.

-Vocês estão bem? Porque não ficaram no quarto secreto? Iríamos ajuda-los, se colocaram em risco fugindo de lá... Precisamos mudar planos e estratégias... Eu sinto muito pela situação, sentimos muito por toda importunação e incomodo, pela fúria, pelo medo, pelo desaviso, por não termos sidos rápidos, mas, fomos encurralados no nosso próprio Reino. – Ela os olhava com um olhar cheio de culpa, arrependimento, medo, porém, havia certa determinação nas suas palavras.

-É meu marido, eu não ia ficar presa, sem tentar falar com ele...

-Aya colocou a mão no rosto incrédula.

-Embora viver em Pardóx não seja sempre as mil maravilhas... – Musphee começou a dizer com uma voz cautelosa. – Na maioria das vezes é fácil, existem bons momentos, e embora para todos nós seja difícil dizer; o Rei Perseu não é o Rei que reconhecemos, e é difícil admitirmos isso; não achávamos necessário ter um plano de combate contra o Rei; mas, as primeiras ordens eram... Protejam os habitantes.

-E a Rainha e um Herdeiro? Ela é a primeira prioridade! – William berrou enquanto os Guardiões viraram o rosto ciente do erro.

-Nunca imaginamos que o Rei casaria e teria filhos de verdade... – Uma jovem de longos cabelos roxo brilhante disse pendurada em uma repouseira de seda grande grudada no teto sobre o terceiro lance de escadas, ela deu um sorriso desagradável para Estela antes de continuar. – Aliás, eu ainda não acredito que a tal de Artemisa é realmente a princesa desaparecida, se é que ela realmente existiu.

-Como... – William iria retrucar.

-Mégara, guarde suas opiniões rudes para você. – Mérope fez um movimento com a mão a fazendo se calar imediatamente. – Nunca vimos Perseu daquele jeito, jamais... Não sabíamos o que fazer, ainda não sabemos. – A Bruxa abaixou a cabeça frustrada e desesperada.

-Exatamente! Estamos sem saber o que fazer! – Deneb exclamou em outro lance de escadas, em um canto bem iluminado. – O que nós faremos? Rainha Estela, o que nós faremos agora?!

William arregalou os olhos e olhou para Estela que mantinha a mesma expressão de surpresa no rosto. Ela olhou ao redor, tantos feridos, tantas pessoas assustadas, era uma escolha dela ir embora, mas, ela era a Rainha de Saphiral, não poderia largar tudo do jeito que estava; Artemisa não havia retornado, ela não podia abandonar o Reino. Ela olhou para Musphee que permanecia encostado na parede perto de uma pilastra.

-Você sabe onde Perseu pode ter ido? – Ela se arrumou na poltrona gigante ficando confortável de uma maneira que nem parecia que estava quase dando a luz. – Ele foi além de Saphiral?

-Ele não vai atravessar pro outro lado, não se preocupe... – Mérope se adiantou tirando as preocupações da Rainha. – Ele foi com Nêmesis. Então, ele ainda está em Pardóx.

-Indo para Ruphira? – William perguntou com um tom óbvio, mas Mérope negou.

-O que ele tiraria de Ruphira? – Estela ficou pensativa.

-Que outro Reino ele poderia ir para tirar algo? – Ela perguntou e Heratho pigarreou com um semblante tenso.

-Croasha. É nosso Reino aliado mais próximo... – Ele respondeu olhando para Musphee. – A barreira das Bruxas termina naquele Reino, quando começa a barreira dos Anciões. O outro Guardião revirou os olhos.

-Só sobra pra mim essas coisas... Com licença... – Musphee apontou para a parede sólida, ele não conseguia atravessar e nem abrir uma fenda para o outro lado, apenas quando alguém disse a frase estranha, o fazendo sair daquele local.

-Parece que eles sabem ser organizados quando se esforçam... – William sussurrou para Estela que o olhou e negou com a cabeça.

-Ele precisava ir? – Ela se virou para Heratho que suspirou e negou.

-Musphee só vai descansar depois de tudo estar resolvido e esclarecido... – Entre eles, a habilidade do Guardião era a mais eficaz que dos demais. Estela colocou as mãos sobre a barriga, havia esquecido que estava grávida e que Sísifo poderia nascer a qualquer momento, estava tão confortável e sem dores e incômodos, era uma boa sensação mesmo com a tragédia e o caos ao redor.

-Precisamos descansar, nos recuperar, manter a calma... – Estela falava com autoridade, com uma calma que já sabia como reagir a tudo aquilo, porque ela sabia o que era um Reino sem um Rei; subconscientemente a memória de quando Estevão foi sequestrado inundaram sua mente, quando Perseu desapareceu, mas, seu medo maior, era ele encontrar todo o Reino naquela fortaleza. – Existe alguma forma de alguém quebrar essas paredes e entrar aqui sem dizer a palavra diferente?

-Completamente impossível Majestade, não é apenas as paredes, mas, a localidade, tudo dificultaria para outras pessoas entrarem aqui sem permissão dos residentes... – A voz profunda ecoou pelo ambiente fazendo tanto Estela quanto William procurarem pela voz e de onde vinha.

-Ah, ele chegou... – Deneb disse com uma voz de alívio.

-Finalmente, eu conheci a Rainha que precisava de amas de leite... – Um homem de longos cabelos negros, com olhos verdes e roupas pretas se aproximou de Estela e William com uma expressão de surpresa, com um olhar autoritário, mas, não assustador. – É bom ter a realeza na minha pequena e nobre casa.

-Pequena? – William olhou ao redor, estava longe de ser apenas pequena. – Isso é muito grande para ser uma pequena casa...

-Ela se modifica conforme os residentes nascem. E sim, é uma pequena casa, Cléota Chírte, a Casa do Extremo.

-Cléota... – Estela estreitou os olhos e olhou em volta. – Você é pai do Navi de Cléota? – O homem deu de ombros e cruzando os braços deu um sorriso acolhedor para eles.

-Sou o patriarca da 11ª geração dos Cléota. – Ele deu um suspiro. Fazia sentido eles terem uma casa enorme, 11 gerações de Cléota, e continuavam crescendo. – Me fazendo pai do Navi. Sou Hanekate de Cléota. É um prazer poder conhecer a Rainha tão de perto... – Ele pegou na mão de Estela e deu um beijo suave, o que fez William se arrepiar, foi estranho. – Uma pena que nos conhecemos nessas circunstâncias.

-Concordo... – Ela respondeu um pouco hesitante.

-O senhor descobriu alguma coisa? – Nakumma perguntou se aproximando do homem. Ela era a Guardiã que tinha a melhor aparência, poucas feridas e sem metade do cabelo, mas, o resto estava ótimo.

-Se ele for para as campinas de Pardóx... – Ele olhou para Estela. – Provável que nossa Rainha consorte se torne a Rainha regente até a Princesa tiver idade para governar.

O local ficou em silêncio, Rainha Regente? Nem Rainha-Mãe? Parecia que eles já haviam decido o que eles queriam, e não era Perseu no Trono. Mas, isso não poderia acontecer, ela olhou para William, se pensavam assim de Perseu, pensariam assim também de Auterpe... E óbvio William não pensava nunca em ser Rei.


*ΦΦΦ*

Calasir ainda possuía um véu opressivo no ar, noite sem lua, um céu com muitas nuvens e poucos raios do sol, poderia ser apenas mais um dia qualquer, se os dias anteriores não pesassem entre cada Balaur.

Como se sentisse o ar tenso ao seu redor, Elisa acordou com uma pequena angustia. Mal abriu os olhos já estava passando a mão sobre o lado da cama que pertencia a Eilon; estava vazia, o que a fez se sentar sentindo o tecido, estava frio, pensou então que Eilon deveria ter acordado mais cedo como tinha feito nos últimos dias, andando para clarear a mente, tirar as preocupações do peso da coroa da mente. Havia o sentimento solitário, mesmo que eles não estivessem sozinhos, embora parecesse e eles se sentissem abandonados, ainda tinham um ao outro. Elisa se espreguiçou colocando uma camisola longa caminhando até a onde saberia que veria Eilon sobrevoando os céus com Ronar.

Havia uma fina neblina naquela manhã, o que podia confundir o olhar, porém, o dragão vermelho seria fácil de visualizar, ela podia vê-lo deslizando no céu, mas sem o seu cavaleiro. O que fez o coração de Elisa disparar, alguma coisa estava errada, ela via o comportamento do dragão e podia sentir a tensão. Rapidamente colocou a veste de montaria, ignorou os demais e correu até o covil, não olhando para os lados, seu coração palpitava de ansiedade, estavam bem na noite anterior, mesmo com o coração pesado, ele estava lá por ela, pelo Reino, não era como se ele quisesse fugir de suas responsabilidades; mesmo que fossem complicados eles tinham que resolver, eles eram cavaleiros dragões, eram fortes, mas, quando entrou no covil e viu Ronar o dragão vermelho como sangue agitado e confuso.

Ela estendeu a mão para o dragão, que aproximou o focinho deixando ser acariciado. Um

-Ronar, onde está Eilon? Você o viu? Ouviu? – O dragão soltou um rugido aflito que ecoou pelo covil compartilhando com Elisa o que o marido estava sentindo; ela sentiu uma onda de medo invadir seu peito. – Ele está com medo? – Ela queria entender, queria saber, precisava tirar os pensamentos sombrios da mente; um dragão voando sem o seu cavaleiro era um mau presságio.

– (...) Vamos encontrá-lo Ronar, ele precisa de nós. Meu Rei está aflito, Eilon precisa de companhia e ajuda. – Elisa disse em tom firme montando em Tyrax com rapidez; era um pouco estranho se nomear como Rainha, ainda via sua mãe como Rainha de Calasir como via seu pai como Rei. E mesmo que agora essa fosse a realidade, havia uma esperança que com certeza as coisas voltassem ao normal. Não completamente, mas, um pouco.

Elisa saiu tão apressada que se esqueceu de avisar á Mandrik, Anne ou Max. Também estava ignorando a queimação que sentia no seu ventre talvez fossem suas regras; no momento ela estava mais preocupada em saber onde estava seu esposo e o que o afligia. Ela evitava pensar em que ele estivesse machucado, sumido, sofrendo ou morrido, isso ela não aceitava. Poderia ser um pouco impossível ele se refugiar em Interlok ou Dragoi sem Ronar. Voar com Tyrax com Ronar ao lado sem Eilon, era assustador, porque ele faria uma coisa dessas? Sem avisar? Ou talvez ele tivesse avisado e ela quem não parou para interrogar ninguém, mas, sua mente estava a milhão, um dragão voando sem o seu cavaleiro? Era suspeito.

Andar á cavalo era uma maneira de Eilon espairecer, e era nisso que ela estava se apegando, ele não deveria estar longe, mas, como parte do caminho estava tomada por uma neblina fina que poderia confundir os olhos, ainda nem estava perto da mudança de estações e esse nevoeiro já fazia as coisas parecerem ruins, era como se a terra entendesse tudo e Elisa não. A primeira parada foi em Dragoi, ela pousou com os dragões sobre a praia, caminhou para dentro da cidade, onde foi recebida por Evan; havia se esquecido que ele estava em Dragoi observando os filhotes de dragão e o treinamento enquanto “se purificava” de Saphiral, palavras de Eilon.

-Elisa! – O menino estava com fios coloridos sobre os braços e na cabeça, haviam conchas pequenas que nasciam desses fios, ele correu e a abraçou com força, quando ela retribuiu pode ouvir uma música animada. – O que te trás aqui?

-Está ouvindo esse som? – Elisa se afastou de Evan e olhou ao redor, o menino olhou ao redor, então riu colocando uma das conchas no ouvido dela. Música. Ela arregalou os olhos e se afastou dele com rapidez. – Que bruxaria é essa?!

-É só... – Ele olhou para o objeto tentando lembrar o nome. – É para dormir, você coloca no quarto, mas, aí eu descobri que se sair com elas de dia, elas tocam essa música... – Evan estava feliz, era muita loucura pensar que uma coisa dessas poderia existir em qualquer lugar do mundo, mas, ela parou de pensar quando viu o quão Orion era feito de magia, então ela se recompôs. – Vocês deviam colocar isso no castelo, todo mundo ia ficar feliz, não iam brigar...

-Evan... – Ela se abaixou a sua altura o interrompeu com cautela. – Viu Eilon hoje? Ele veio para cá durante a madrugada? – O irmão negou. – Ele não passou por aqui?

-Não... O que aconteceu com ele? – Elisa suspirou frustrada se acalmando e colocando as mãos sobre o abdômen e fechou os olhos. – O que aconteceu? Elisa? Eilon está machucado?

-Não! Não... É que ele saiu sem. O Ronar. – Ela respondeu em um tom de voz controlado, não queria parecer assustada e nem transmitir seu medo para o irmão. Mas, ele elevou as sobrancelhas surpreso e chocado. – Achei que ele estaria aqui ou iria para Interlok.

-Entendi... – Evan começou a tirar as linhas com as conchas e fez um sinal para ela esperar. – Eu vou me trocar, será mais fácil com mais de uma pessoa procurando.

-Não Evan, fique aqui. – O menino negou de forma determinada.

-Você precisa de ajuda, deixa eu te ajudar... – Ele implorou juntando as mãos, a garota respirou fundo, deixando seus ombros caírem concordando com o pedido.

-Verdade, eu vou precisar de ajuda... – Elisa deixou um sorriso aliviado escapar. – Você precisa ir para Drakoj avisar Mandrik e procurar Eilon em cada lugar da fortaleza. – Antes de ele virar para trocar de roupa, ela segurou no seu ombro com atenção e ficou na altura dos olhos dele. – Evan, me escute... Ninguém pode saber que estamos procurando o Rei de Calasir. – Evan ergueu uma sobrancelha confuso. – As pessoas começam a ficar nervosas e assustadas se um Rei ou a Rainha saem de suas vistas, elas acham que estão sozinhas e desprotegidas. – Evan concordou ainda com o olhar determinado compreendendo o que sua irmã pediu.

Quando ele estava pronto, montando Aurys voou para a fortaleza, enquanto Elisa montando Tyrax com Ronar ao lado se dirigiam para Interlok. Tanto a cavaleira quanto o dragão vermelho olhavam para a estrada, outro ponto vermelho não seria difícil de identificar ao longe. Mas, quando avistou um ponto vermelho respirou agoniada, já estava em Interlok, com a barriga quente e desconfortável e com fome. Quando os dragões se juntaram com Vieno e Cora na colina, Elisa caminhou com a cabeça erguida para o ninho da águia; não iria demonstrar medo ou preocupação, principalmente quando viu Archie na entrada, a expressão do garoto se iluminou quando ele a viu, entretanto ela manteve a expressão séria, não iria se deixar abalar por ele.

-Rainha... – Archie fez uma reverência na qual Elisa correspondeu com um aceno suave de cabeça. – Que surpresa imensurável tê-la aqui em Interlok... – Ele olhou disfarçadamente para trás, estava vendo o dragão vermelho, mas, não via o Rei.

-O Duque e a Duquesa estão acordados? – Archie confirmou o que Elisa agradeceu.

-Posso ajudar em algo? – Ele perguntava enquanto ela caminhava castelo adentro enquanto ele a seguia. – Gostaria de um chá? Companhia? Está tão bonita Rainha...

Elisa parou de andar e se virou para Archie com um olhar destemido.

-Eu adoraria que você parasse de falar e fosse fazer outra coisa.

Ela não tinha esquecido as ameaças do garoto, sua mãe já não estava mais em Calasir para consolar quando as coisas ficassem complicadas, ela só tinha o apoio de Eilon, e era nisso que ela estava; focada quando chegou a mesa onde seus irmãos estavam tomando o desjejum com Connor, desde que ele retornou de Pardóx, Joice não estava mais no ninho da águia o que resultava em um clima agradável. Os olhos de Elora se iluminaram quando viu a irmã entrar no local. Ethan acenou com a cabeça para ela que retribuiu.

-Elisa! – A garota exclamou, ela e Ethan estavam em lados opostos da mesa, seu vestido era de mangas longas, ainda não estava frio o bastante para ela estar usando esses vestidos, mas, não foi algo que a irmã se perguntou.

Connor se levantou para abraçar a neta que estava tremula. A adrenalina em seu corpo estava no alto, à sensação de que ele poderia ter se perdido como Jonan e Aaron que ainda não foram encontrados.

-O que houve querida? – O avô perguntou enquanto Ethan inclinou a cabeça observando a roupa de montaria.

-Aconteceu algo? – A voz de Ethan foi curiosa. – Cadê o Eilon? – Elisa desfez o abraço com delicadeza, se aproximou da mesa e sentou contendo-se emocionalmente. Ela não estava pensando muito. – (...) O que ele fez?

-Eilon não fez nada. – Ela respondeu com a voz frustrada. – Eu apenas vi Ronar voando sozinho e quando me aproximei, transparecia medo, confusão... – Elora arregalou os olhos. A expressão da Rainha de Calasir era de pânico e derrotada. Ela juntou as mãos sobre o rosto e abaixou a cabeça evitando chorar. – Eilon estava pensativo nos últimos dias... Ele saia de manhã e sobrevoava Drakoj com Ronar, mas, hoje Ronar estava sozinho. Ele não pode simplesmente sumir.

-Houve algum desentendimento entre vocês? Qualquer pequeno detalhe que ele falou. – Connor perguntou com a voz calma, embora preocupada, enquanto Elora colocava chá para a irmã e um pãozinho na sua frente.

-Ele estava preocupado com algumas coisas do Reino, mas... Não muita coisa... – Ela disse bebendo uma xícara de chá que deixou seu estomago levemente enjoado.

-Você o procurou onde? – Ethan inclinou a cabeça. – Ronar devia estar procurando ele. – Ambas concordaram; Connor respirou fundo, não poderia ser como na vez que sequestraram Estela. Tantos anos atrás e agora novamente.

-Fui para Dragoi, vim para cá... – Seus olhos estavam levemente marejados. – Eu não pensei muito; eu apenas senti que algo está errado. – Elisa fechou os olhos pensando. – Eu devia ter procurado na fortaleza, nos quartos, em cada canto, mas; Ronar... – Ela não conseguia olhar para ninguém, quanto mais falava, via o que havia feito de errado. – Pedi para Evan avisar Mandrik e procurar Eilon na fortaleza...

-Evan é bom nisso... – Connor deu um pequeno sorriso, apesar da situação. O pequeno

-Pensando com calma... – Ethan disse comendo um bolinho. – Se ele realmente desapareceu de Calasir; sem ninguém ver e o reconhecer... – Ele colocou o dedo sobre a mesa com uma expressão calculada. – Para onde ele iria se quisesse se esconder?

Houve um silêncio no local por alguns segundos, poderia ser apenas um mal entendido. Antes de Elora colocar a mão sobre os lábios pensativa. Desde que sua mãe foi para o outro lado parecia que as coisas estavam loucas.

-E se... – A caçula começou depois de um tempo em silêncio. – Ele foi para o outro lado?

-Querida, seria impossível, o portal está fechado; não há como ele ter passado por lá. – Connor disse com uma voz perguntou curioso e a menina abaixou um pouco a cabeça repensando.

-Mas, existe uma passagem; que Perseu fez. – Elora falou com os olhos quase esperançosos. – Ela liga os dois lados.

-Elora, isso é loucura. – Ethan falou cruzando os braços. – O que ele faria lá? Porque não avisaria Elisa? – Seus olhos estavam fixos na garota.

-Buscar a mamãe? Nada está certo sem ela aqui... Temos dragões demais!

-Ela não iria voltar! Ela escolheu aquele outro Rei... – Ethan estava irritado apenas por se lembrar de como Perseu estragou tudo apenas por ter aparecido. – Ele já sabia disso!

-Precisamos manter a calma... – Connor disse com uma voz branda tentando manter a calma.

Elisa levantou a mão para eles pararem. E ela respirou fundo.

-Eu posso estar me precipitando mesmo... – Ela disse com uma voz angustiada enquanto um silêncio pesado se instalava na sala. – Mas... Ronar... A sensação do que Eilon está sentindo... – Seus olhos marejados derrubaram algumas lágrimas, a ligação entre cavaleiro e dragão era forte; não podia negar que algo estava terrivelmente errado.

-Querida... – Connor disse se aproximando de Elisa e colocando a mão sobre seu ombro em sinal de conforto. – Se alguma coisa estive errada, iremos resolver e se for um mal entendido, ambos vão se resolver e a união é a coisa mais importante. – Ela assentiu se sentindo confortada naquele momento, era como se Estevão estivesse ali; claro, era seu avô, ela deu um pequeno sorriso passando os dedos sobre as lágrimas.

-Obrigada vovô... – Ela disse de forma carinhosa se acalmando parcialmente; podia ser um equivoco, mas, naquele momento poderia ser qualquer coisa.

-Só vamos terminar o desjejum, voaremos para Drakoj e se for preciso reunimos os soldados, cavaleiros e etc... – Ethan disse de um modo calculado, era improvável que Eilon tivesse ido para o outro lado, mas, para Elora, fazia todo sentido, o mínimo que fosse ainda fazia sentido.

Quando partiram de Interlok levando Connor junto, Archie já havia compartilhado que o “Rei estava desaparecido” seria questão de tempo até todo o Reino ficar sabendo. Ronar voava rasgando o céu procurando Eilon, Tyrax, Vieno e Cora mantinham a formação observando os arredores, o vento chicoteava seus rostos, a viagem foi silenciosa, a tensão palpável entre eles, se fosse um erro Elisa poderia se considerar perto da insanidade? Mas, e se não fosse? Onde o Rei de Calasir poderia estar e o que ele poderia estar fazendo sem avisar ninguém?

Quando pousaram em Drakoj olhando para o céu, Elisa via algumas nuvens escondendo o sol, uma onda de frustração tomou seu rosto quando Evan apareceu com Mandrik, Lincan, Max e Navi os esperando próximo do castelo.

-Porque as pessoas gostam tanto de desaparecer nesse reino? – Mandrik estava comentando com Navi quando Elisa e os outros se aproximaram; Evan pressionou os lábios com uma expressão ansiosa.

-Nada? – Elisa perguntou baixinho, na qual o mais novo negou seguido dos outros.

-O que aconteceu? Vocês brigaram? Ele deu motivos para não querer ficar aqui? – Lincan perguntou colocando uma mão sobre o queixo, Estevão morre, William casa, Estela vai embora e Eilon some? Eram muitas coisas para o homem digerir e evitar demonstrar que a situação era embaraçosa.

-Navi... – Elora se aproximou do homem ignorando as perguntas que Elisa respondia e perguntava; ele se agachou na altura da menina e a olhou nos olhos. – Eilon passou para o outro lado? Tem como saber?

-Tem. – Ele assentiu. – Não, ele não se aproximou do fio vermelho, não tem pegadas ou moedas... O Rei Eilon está no Reino. (...) Rainha Elisa. – Ele se levantou e olhou para a Rainha. – Encontramos pares de pegadas sobre o jardim; botas de montaria distintas...

-Ao que parece, não foi um passeio ou algo amigável... – Max completou quando Ethan e Connor apararam o corpo em choque dela.

-Já começamos as buscas, entre e descanse... – Mandrik pediu enquanto ela era levada para dentro temendo o pior junto com os irmãos. Assim que se deitou em sua cama, e se acomodou com Anne ao seu lado, Elora, de modo impaciente se aproximou da irmã segurando na sua mão.

-Precisamos buscar a mamãe...

-Elora, não! – Ethan disse em tom firme na qual a menina fechou os olhos com força. – Não vamos incomodar ela. – Elisa acariciou a mão da irmã a tranquilizando.

-Não precisam brigar, vamos cuidar disso como os Balaur fazem. – Ela disse em um tom esperançoso. – Ele ainda está em Calasir, e como as buscas começaram rápido, com cinco dragões o acharemos mais rápido... – Todos concordaram, com exceção de Elora que assentiu com hesitação, sua mãe saberia o que fazer, tinha experiência; e Mandrik não gostava de desaparecidos em Calasir.

Notas finais
~♥Beijos da Autora♥~