Amigos Certos no Tempo Errado
1 Prólogo
Mais uma vez Pedro enfrentava o tempo. O tempo que havia lhe trazido tantas alegrias, desde conhecer o amor da sua vida, e ver sua filha crescer pra se tornar uma jovenzinha esperta e inteligente. Mas o tempo também tinha criado seus inimigos. Era normal para alguém que veio de uma cidadezinha pequena como Passo Largo, perdida no meio do interior enorme e anônimo do Brasil querer muito mais do que ser um peão ou fazendeiro. Pedro nunca quis ser ligado ao campo como todo mundo ao seu redor era, ao contrário, seu passatempo preferido era tecnologia, suas matérias preferidas na escola eram matemática, física e química, o que lhe rendia boas notas e uma porção de perseguidores. Mas isso não o abateu, na primeira oportunidade, Pedro partiu para a cidade grande mais próxima, conseguir seu doutorado em Física. O jovem prodígio e brilhante Dr. Pedro Arthur Queiroz chamou atenção de gente poderosa e perigosa.
Ao lhe explicarem o que seria seu trabalho, Pedro aceitou de imediato, movido por seu orgulho e se empenhou muito, aquele seria o trabalho da sua vida, por aquilo que seria lembrado para sempre. Entretanto, sua ocupação era um segredo para sua família. Para elas, ele era apenas mais um cientista no laboratório local. Essa ocupação levou Pedro, sem que ele quisesse perceber, até a atual corrida contra o tempo que ele estava enfrentando no presente momento.
A pressa para conseguir o que pretendia o estava atrapalhando, isso sem contar o medo e a tensão do momento. Depois de cálculos e comandos dados à grande rede de comunicação que conectava toda tecnologia do laboratório, finalmente conseguiu desprendê-la. Antes de entrar na estrutura, deu um último suspiro, pensando em Rosa e Ana Clara. Como sentiria falta delas, mas tudo isso era para o bem delas, para o bem até de todo o mundo.
Sentou-se no único assento do protótipo, suas mãos ativaram os comandos quase que automaticamente. Os motores da estrutura se contorceram e se agitaram, sinal de que estava funcionando. Ele olhou para frente, parou para ajeitar os óculos que escorregavam pelo nariz, tomou outra dose de coragem. A claraboia acima dele abriu, e Pedro e a estrutura deixaram o laboratório. Sobre os ares noturnos de Passo Largo, ele não conseguia distinguir o que estava a seu redor. De repente o céu ficou claro e limpo, abaixo dele, Pedro só viu uma floresta.
Tomou sua decisão e então a estrutura explodiu, seus restos rodopiando e se dispersando, para uma distância muito longínqua um dos outros.
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