Amargo Lar
21 Capítulo Vinte — Choque
Notas iniciais

Edward Masen
Bella e eu estávamos sentados no sofá de dois lugares destinado ao acompanhante que tinha ali no quarto onde Renesmee estava em observação, eu nem deveria estar ali na verdade. Era permitido apenas um acompanhante por paciente e, não estávamos em horário de visitas, mas ser médico e trabalhar naquele hospital podia ter seus benefícios, como nenhuma enfermeira te chutando para fora.
Eu estava tão preocupado com Ariel, ela tinha tomado uma dose mínima de antigripais e, não tinha reagido negativamente com eles. Sua gripe era certamente uma comum, não uma H1N1 que poderia ter complicações muito piores, mas ainda existia todo o medo dela reagir mal aos outros remédios que seriam administrados a ela.
Benjamin não estava muito contente com o exame clínico da garganta dela, nem eu estava, as amígdalas estavam muito afetadas. Eu sabia que se ela não tivesse tantas restrições por contas de faltas de informações médicas, Benjamin teria sugerido uma cirurgia de remoção, mas nós não podíamos colocá-la em uma mesa cirúrgica gripada e com a possibilidade de medicamentos lhe fazerem mal.
Suspirei, fazendo com que Bella me encarasse. O rosto dela estava preso em uma expressão ansiosa, enquanto esperávamos os resultados de todos os exames saírem.
— Por que você está preocupado? — ela indagou. — Tem algum problema, não é?
— Só estou pensando na medicação para a amigdalite — respondi. — É mais forte do que remédios para gripe.
Bella fechou os olhos, respirando fundo.
— Charlie devia ter cuidado dela, agora estamos cegos sem saber como ela reagirá a um remédio — falou, passando as mãos pelo rosto.
— Ela vai ficar bem, só estou sendo exagerado. — Afaguei as costas de Bella, que abriu os olhos. Ela ficou ali, me encarando por um tempo, até que bufou e se enfiou em meus braços, sorri, a abraçando de volta. Colocando meu rosto em seus cabelos, inspirando o cheiro de morangos.
Alguns minutos depois Benjamin entrou no quarto com Hilary, Bella corou e se afastou de mim por termos sido pegos naquela posição.
— Os resultados? — perguntei olhando para os papeis nas mãos de Benjamin.
— Sim, é uma gripe comum. A amigdalite não é por bactéria, então teremos que tratar com dipirona. — Fiz uma careta com sua resposta, dipirona era forte demais. — Lamento não termos um jeito mais seguro de tratá-la, Edward. Mas eu não posso dizer se ela tem ou não alergia a remédios — Benjamin disse ao ver minha reação.
— Eu sei. — Levantei, o que fez Bella levantar também, ela se agarrou a minha mão.
— Nós aplicaremos o remédio agora, qualquer reação negativa você deve nos chamar imediatamente — Benjamin disse e, ele e Hilary começaram a preparar a medicação.
Olhei para Ariel dormindo na cama, ela estava visivelmente cansada, mesmo dormindo, ainda tossia e, a febre só agora estava começando a diminuir. Eu queria estar doente no lugar dela, queria que ela estivesse em casa dormindo em sua própria cama, que acordasse na manhã seguinte pronta para a escola e, que ficasse falando sem parar sobre todos os doces que tinha conseguido no Halloween.
O próprio Benjamin aplicou o remédio em Ariel, ela não acordou daquela vez, apenas se remexeu na cama e continuou dormindo. Benjamin a avaliou por um minuto, então saiu do quarto com Hilary, dizendo que qualquer coisa poderíamos chamá-lo.
— Deu tudo certo? Ela já está livre de alguma crise alérgica? — Bella perguntou com um tom desesperado em sua voz.
— Temos que esperar mais um pouco.
Bella soltou da minha mão, voltando a se sentar, batendo os pés em um ritmo descoordenado no chão. Ariel se movimentou poucos minutos depois e, minha atenção voltou-se por completo a ela.
Seus olhos estavam sem brilho algum.
— Renesmee?
Ela não respondeu e, notei que sua respiração começou a apresentar um chiado e, seu rosto inchando na boca e olhos. Renesmee estava vomitando em si mesma enquanto eu pressionava o botão para chamar a enfermeira, Bella gritava algo ao meu lado, mas eu não conseguia entender, nervoso demais com Ariel passando mal. Não era apenas uma reação negativa qualquer, ela estava tendo um maldito choque anafilático com o remédio.
— Doutor Tulsa, Renesmee Swan está tendo um choque anafilático — Hilary gritou da porta do quarto, enquanto eu tentava ajudar Renesmee o máximo que podia, limpando o vômito de sua boca. Ela estava suando muito, respirando cada vez com mais dificuldade, seu rosto muito mais inchado e parecia prestes a desmaiar, o que me fez deitá-la de lado imediatamente.
Senti alguém me puxar para longe dela e, Benjamin assumiu meu lugar. Enquanto ele preparava a injetável de adrenalina, Hilary cuidava do broncodilatador para auxiliar a respiração dela. Ariel vomitou mais uma vez, apenas líquido, enquanto lutava para respirar.
— Renesmee! — Ouvi o grito de Bella, então virei para trás e vi que uma enfermeira tentava mantê-la parada perto da porta.
Fui até ela, a colocando em meus braços. Bella tentou se soltar de mim, debatendo-se para ir até a irmã. Eu a virei de costas para a cena na cama, vendo Benjamin e Hilary trabalhando com eficiência com Renesmee, enquanto Bella chorava desesperadamente.
— Ela não pode morrer, ela não pode morrer! — Bella gritava, tentando me afastar de si de qualquer forma.
A injeção já tinha sido aplicada, Hilary já mantinha uma máscara sobre o rosto de Renesmee a ajudando a respirar. Ela melhoraria, ficaria tudo bem.
Apertei Bella em meus braços, ela tremia muito e, eu tive de sustentar seu corpo para que ela não acabasse caindo.
— Ela está controlada — Benjamin anunciou por fim, fazendo uma nova avaliação de Renesmee, que tinha apagado com tudo aquilo.
Bella enfiou o rosto em meu peito, chorando de forma alta. Eu a puxei para fora do quarto, sabendo que Benjamin precisava de concentração para trabalhar naquele momento, a levei até o fim do corredor, a sentando em uma cadeira.
Seu rosto estava lavado em lágrimas e vermelho, abraçou a si mesma quando me afastei para pegar um copo de água no bebedouro ali. Irritado com o aparelho claramente defeituoso, eu chutei sua base, xingando alto, enquanto acabava me ajoelhando no chão, chorando.
Era um choro conhecido por mim, eu tinha o chorado apenas duas vezes em toda minha vida. A primeira quando falaram que papai estava morto, a segunda algumas horas depois quando a morte de mamãe também foi confirmada.
Toda a tensão de ter visto Ariel daquele jeito pesando em meus ombros, ela podia ter morrido. Eu estive tentando reconfortar Bella, tentando acreditar que Benjamin e Hilary estavam fazendo um bom trabalho, mas eles podiam ter falhado, eu sabia das chances daquilo. Eu não suportaria vê-la morrendo, como não suportei perder meus pais dezoito anos antes.
— Edward — Bella me chamou em um tom de voz baixo, eu a olhei, ainda chorando. — Ariel está bem — murmurou, esticando a mão para afagar meu rosto, limpando as lágrimas pelo caminho, seu próprio choro manchando sua face.
— Desculpe ter a feito passar por isso — pedi, levantando e sentando ao seu lado, fechando os olhos e apoiando a cabeça na parede atrás de mim. — Nós deveríamos ter adiado o tratamento...
— Edward, não. — Bella me interrompeu. — Você a ajudou, não o contrário. Se você não tivesse a trazido para o hospital tudo isso podia ser pior.
Senti a mão de Bella entrar em contato com a minha.
— Eu fiquei com tanto medo de perdê-la. — Ela soluçou, abri os olhos, voltando a puxá-la para perto de mim, deixando Bella repousar seu rosto sobre meu peito, onde meu coração estava em disparada. — Isso dói tanto, nunca me senti assim. Nem mesmo quando Renée foi embora, ou quando soube da morte de Charlie.
— Não me sinto assim desde a morte dos meus pais — confessei.
Bella levantou o rosto para mim.
— Você a ama.
— Muito — respondi mesmo que não fosse uma pergunta. — Vamos voltar, ver como ela está.
Bella assentiu, levantando comigo, sua mão logo agarrando-se a minha.
A enfermeira que antes continha Bella estava trocando Renesmee e as roupas de cama sujas de vomito, enquanto a garotinha continuava dormindo, respirando com o auxilio de máscara e tomando remédios pela veia.
— Ela está melhorando — Benjamin, ainda ali, falou para Bella e eu. — Lamento muito pelo ocorrido, realmente não temos como prever se um paciente vai ter ou não uma reação negativa a um medicamento.
— Ela vai ter que usar a máscara por muito tempo? — Bella perguntou preocupada.
— Até o amanhecer — Benjamin disse checando o horário no relógio do quarto, quase três da manhã. — Nós vamos ter que tratar a amigdalite com remédios mais brandos, então ela não vai melhorar de forma tão eficaz como seria com a dipirona. Talvez seja necessário que antes do fim do ano ela passe por uma cirurgia para a retirada das amígdalas — falou, Bella apertou minha mão, suas unhas curtas raspando a palma. — A febre passou. Mas, ela ainda está tossindo e, isso ficou mais intenso depois da falta de ar causada pelo choque. Provavelmente teremos de mantê-la em observação até de tarde, talvez seja liberada só ao anoitecer. Depois ela poderá continuar com o tratamento para gripe em casa.
— Ela precisa de uma pulseira indicando que sofreu um choque anafilático — falei para Benjamin, Bella me olhou confusa, mas não disse nada.
— Vou providenciar uma quando amanhecer. — Ele anotou no prontuário de Renesmee. — Por enquanto podemos deixá-la dormir, está muito cansada. Mas ela precisa comer algo, então vou pedir que tragam algo leve para ela às cinco da manhã. Mais uma vez lamento pelo que ocorreu, senhorita Swan — falou para Bella. — Sua irmã ficará bem agora.
Benjamin saiu, junto com a outra enfermeira que já tinha terminado de trocar Renesmee, agora vestida em roupas do hospital. Bella foi até a irmã, sentando no canto da cama oposto por onde Ariel recebia a medicação.
— Eu odeio injeções — Bella disse, afagando a mão de Renesmee.
— Vovô Sam e Alec também. — Parei do outro lado da cama, checando a intravenosa, a máscara de respiração e todo o resto.
— Você sabe que não é o médico responsável por ela, não é? — Bella perguntou, um sorriso brincando em seus lábios, ainda que todo o resto de seu rosto estivesse preso em dor por tudo que tínhamos acabado de ver.
— Força do hábito — falei, afastando um cacho de Renesmee do seu rosto. — A febre passou mesmo. Deus, queria poder eu mesmo cuidar dela.
— Você é ligado sentimentalmente a ela, não pode ser seu médico — Bella disse.
— É, isso é um saco.
Toquei nos dedos da mão onde Renesmee recebia a medicação, suas unhas pintadas em um rosa claro que, eu sabia ter sido invenção de Alice durante aquela semana, pelo que a própria Ariel tinha contado.
— Você fica muito doente? — perguntei a Bella. — Só para eu procurar tio Carlisle e, pedir que ele cheque meu coração, ou vocês duas ainda vão me deixar louco. — Bella riu, a risada tão bonita que tinha.
— Não, eu tenho uma saúde de ferro, mas você vai ter que lidar com minha semana chata do mês — falou, fazendo com que fosse minha vez de rir, eu a olhei e, seus olhos estavam voltados para mim. — Você vai lidar?
— Eu te comprei absorventes no dia que te conheci, acho que isso diz que já estou lidando — eu disse, fazendo com que ela corasse, mas não desviasse o olhar de mim.
Ouvimos uma batida na porta, então ela se abriu e Carlisle entrou carregando dois copos de café.
— O que está fazendo aqui? — perguntei surpreso.
— Fiquei sabendo que tinha uma garotinha Swan aqui — respondeu aproximando-se da cama.
— Como você ficou sabendo? — Bella perguntou chocada.
— A cardiologia é dois andares acima, acredite, as noticias voam nesse hospital.
— Em Forks, você quer dizer — Bella disse, aceitando o copo de café que ele estendeu a ela. — Obrigada.
— Aqui, filho. — Passou o outro para mim. — Como ela está?
— Teve um choque anafilático com dipirona. — Carlisle arregalou os olhos. — Iremos ter que lidar com a amigdalite melhor depois, agora é deixá-la se recuperar do choque e da gripe.
— Vocês vão ter uma longa madrugada aqui — falou.
— Obrigado pelo café, isso vai nos ajudar a ficar de pé.
— Você não contou a Esme, não é? — Bella perguntou depois de bebericar o café.
— Não, mas acho que vocês precisarão de ajuda e devem ligar para ela. — Bella abriu a boca para protestar, mas Carlisle continuou a falar. — Acredite, Bella, você e Edward estarão esgotados, Esme está dormindo e estará descansada, liguem para ela quando amanhecer. Ela poderá ficar com Renesmee, enquanto vocês descansam um pouco. Preciso ir agora, a noite está agitada na cardiologia também, qualquer coisa podem me chamar. Cuide das garotas, Edward.
— Pode deixar.
Bella saiu da cama e foi sentar no sofá quando Carlisle saiu, tomando seu café em pequenos goles. Eu permaneci ao lado da cama, observando Renesmee dormindo, até que meus olhos pararam na irmã dela ali perto.
Eu estava mais do que certo de que estava apaixonado por ela, os cinquenta dólares que dei a Rose comprovavam isso. E, mais cedo, antes de Renesmee sofrer o choque, eu tinha contado para ela que estava apaixonado, Rose disse que eu deveria falar a verdade assim que a primeira oportunidade surgisse e, Bella tinha dito que tinha sentimentos também, como pareceu verdadeiramente interessada nos meus. Sabia que não era fácil para ela, tinha pouco tempo desde de tudo que aconteceu com ela e James, mas eu estava disposto a ficar com ela, a conquistá-la todos os dias se fosse preciso.
Mesmo no meio de toda aquela tensão por Renesmee, meus sentimentos por Bella continuavam ali e, pareciam aumentar a cada segundo. Eu tinha prometido não ir embora, eu faria com que ela nunca fosse também.
Fui sentar ao seu lado, bebendo um pouco do meu café também, mas meu estômago estava recusando até mesmo meu líquido precioso naquela noite agitada. Bella encarava seus pés, suas pernas balançando em uma alta carga de ansiedade. Ela depositou seu copo de café sobre a mesinha ao seu lado, então se virou para mim.
Sua mão entrou em contato com meu rosto antes que eu pudesse processar tudo aquilo direito, ela me puxou para perto, enquanto inclinava-se na minha direção. Fui até ela de bom grado, deixando com que nossos lábios se encontrassem mais uma vez.
Foi um beijo lento. Parecia ser uma exploração para Bella, com ela se permitindo lidar com tudo aquilo de forma mais calma, mantendo a si mesma em controle. Fui no seu ritmo, sem querer assustá-la, sem querer ultrapassar seus limites e, mesmo assim foi um beijo maravilhoso.
— Bella com gosto de café, isso é incrível — sussurrei quando nossas bocas se afastaram, mas nossos rostos continuaram próximos e, sua mão ainda estava no meu. Bella voltou a me beijar, com um pouco mais de urgência daquela vez e, me atrevi a morder seu lábio inferior quando o novo beijo acabou, o que a fez gemer baixinho.
— Estamos em um hospital, Doutor Masen — falou em um tom reprovador, mas de brincadeira.
— Isso me faz pensar em um milhão de fantasias sexuais — brinquei a fazendo rir, Bella se afastou, o rosto corado, os lábios vermelhos e levemente inchados. — Vem. — A puxei para mais perto. — Você pode dormir um pouco, qualquer coisa lhe acordo.
Bella concordou, me abraçando, colocando as pernas sobre o sofá e acomodando-se em meus braços. Eu me apaixonei mais ali.
***
Às cinco da manhã, como Benjamin tinha dito, Hilary trouxe o café de Renesmee, dizendo que eu poderia dar a ela e, levou a máscara de oxigênio. Ariel e a irmã continuavam dormindo, então me preparei para ser o cara chato e acordá-las, pronto para lidar com o mau humor matinal de Bella, principalmente levando em conta o fato dela ter dormido tão pouco.
— Bella, você precisa acordar. — Afastei o cabelo de seu rosto, ela resmungou. — Bella já são cinco da manhã, Ariel precisa comer algo.
— Okay — murmurou, respirando fundo, então abrindo os olhos, os fechando rapidamente no mesmo instante. — Por que tem de ser tão claro aqui? — Ela os abriu de novo, saindo dos meus braços e fazendo uma careta maior pela claridade. — Você não dormiu nada, não é? — indagou olhando para mim.
— Não consegui.
— Você precisa dormir, ou vai acabar doente também. — Ela se levantou, indo até a cama. — Já tiraram a máscara? — perguntou confusa para mim.
— Hilary acabou de levar, ela já está respirando bem de novo — falei, ficando de pé. — Minhas costas estão me matando.
Bella lançou um olhar compreensível para mim, então se voltou para a irmã.
— Renesmee, hora de acordar. — Afagou o rosto de Ariel, que também já estava livre dos inchaços que conseguiu com a reação alérgica ao remédio.
Renesmee tentou levar a mão que recebia os remédios até o rosto e, o ato lhe causou dor o que a fez acordar na hora. Ela olhou para a irmã, então para mim atrás de Bella.
— Bom dia, Ariel — saudei.
Ela apenas assentiu, fechando os olhos, quase voltando a dormir.
— Lamento, pequena, mas você tem de comer algo — Bella disse, fazendo a cama de Renesmee assumir um ângulo onde ela ficasse sentada.
— Eu quero dormir — Renesmee sussurrou, a voz rouca. Ela tossiu em seguida, fui até o carrinho onde seu café estava, pegando a garrafinha de água e entregando a ela.
— Aqui, Ariel, vai ajudar com a tosse. — Fiz com que ela bebesse um pouco. — Ainda sente dor no corpo?
— Sim — respondeu, com Bella ajeitando os travesseiros atrás de sua cabeça.
— É normal mesmo com os remédios? — Bella me perguntou aflita.
— Sim, no resfriado é algo mais leve, mas na gripe sempre é mais intenso. Como está sua garganta, Ariel?
— Doendo.
— Okay, você precisa comer, entendeu? — perguntei a ela, que me olhou. — Isso não vai ser muito legal, não vou mentir para você, vai doer mais. Só que você precisa comer para recuperar as forças.
— Eu não para a escola? — perguntou, Bella tinha se afastado para pegar o carrinho.
— Vamos deixar você de molho por alguns dias. — Bella sorriu para ela, sentando ao lado da irmã, pegando o iogurte com cereais.
— Eu não vou poder ir para o balé amanhã? — Renesmee perguntou chateada, aceitando a primeira colherada do alimento oferecido por Bella, fazendo uma careta. — Tem gosto ruim — falou.
Eu sorri afagando sua cabeça.
— É cereal e iogurte integral — expliquei.
— Infelizmente você não vai poder ir ao balé, Ness, mas assim que sentir-se melhor vai poder voltar. — Bella lhe deu mais um pouco do iogurte.
— Já estou me sentindo melhor — Renesmee disse, sendo traída pela tosse, lhe dei mais um pouco de água.
— Vamos deixar sua volta para o balé para a próxima semana, Ariel.
Ela assentiu sendo vencida.
— Você foi muito forte, sabia? — Bella perguntou a ela, sua voz cheia de emoção.
— Eu fui? — Ariel perguntou incrédula para a irmã.
— Muito — Bella respondeu. — Você deu um baita susto em Edward e eu.
Concordei com um aceno de cabeça, as imagens de Renesmee passando mal ainda me apavorando.
— Vomitei em mim mesma — Renesmee disse com nojo.
— Prometo que isso ficará entre a gente — Bella disse, voltando a alimentá-la. Nós nos arrastamos por quase meia hora para fazer Renesmee comer, principalmente por sua garganta inflamada e sua aversão a comida oferecida pelo hospital, mas por fim conseguimos lhe dar todo o iogurte, alguns pedaços de frutas e, metade de um sanduiche e, eu a fiz beber tanta água que ela teve que ir ao banheiro assim que acabou.
— Aqui. — A coloquei de volta na cama quando ela saiu do banheiro, tomando cuidado com o acesso em sua mão. — Eu vou ligar para tia Esme — falei para Bella.
— Edward não tem necessidade, você pode ir para casa descansar, eu fico com Renesmee.
— Você precisa descansar também, não dormiu quase nada. Ariel, você se importaria se Bella e eu ficássemos fora por algum tempo? Esme vai vir ficar com você.
— Tudo bem — Renesmee concordou, aconchegando-se ao travesseiro, pronta para voltar a dormir.
— Eu preciso falar com meu chefe, dizer que preciso ficar fora do trabalho hoje, você pode ligar para Sue e fazer o mesmo.
— Já tinha me esquecido dela — Bella resmungou, indo pegar seu celular na bolsa.
Eu sai do quarto, já discando o número de tia Esme. Sabia que ela acordava cedo, então não demorou nada para que ela atendesse.
— Ligando-me antes das dez da manhã? O que você aprontou? — ela perguntou assim que atendeu.
— Bom dia, tia! — Ri de sua acusação. — Quais seus planos para hoje?
— Bom, eu desisti de fazer Jasper cortar o cabelo, até porque Alice ama o cabelo dele assim. — Bufou. — Então, eu vou apenas ficar em casa, por quê?
— O que acha de passar o dia com uma garotinha adorável? Que teve uma noite difícil e precisa muito de cuidados especiais.
— Renesmee está doente? — indagou alarmada.
— Gripada e, com amigdalite. Mais informações se você vier até o hospital. Bella e eu estamos exaustos, precisamos pelo menos sair daqui para trocar de roupas e comer algo. Pode fazer isso pela gente?
— Claro, eu chego ai em alguns minutos.
— Obrigado — agradeci e desligamos.
Eu fiz o percurso até a sala do meu chefe falando ao telefone, então já estava ali quando desliguei. Sabia que ele estava de plantão, que só sairia no fim da manhã, até mesmo tinha rezado para ser ele atendendo Renesmee quando fomos transferidos para a pediatria, mesmo sabendo que Benjamin era competente.
— Entre! — ele ordenou depois que bati na porta.
— Olá senhor Volturi — cumprimentei Aro, que tirou os olhos do computador para mim.
— Edward? — Olhou no relógio em seu pulso. — Você não está um pouco adiantado para o trabalho? A clinica só começa a funcionar as nove, isso é você tentando me bajular?
— Funciona? — perguntei, sentando na cadeira vaga ali, Aro negou. — Na verdade, eu estou na urgência, como acompanhante. A irmã de uma amiga passou mal e, estava com elas.
— A garotinha que teve choque anafilático? — Aro indagou me encarando. — Ouvi algo de Benjamin, mas não sabia que ela estava com você.
— Sim, Renesmee Swan.
— Tudo bem, o que você tem a me pedir? Apesar de eu já duvidar, sua dispensa dos consultórios da clinica por hoje, não é?
— Isso também, eu gostaria de ter o resto da semana de folga, senhor — falei, eu sabia que Renesmee precisaria de alguém cuidando dela aquela semana e, Bella não poderia se ausentar por mais de um dia do trabalho, não sem Sue acabar a demitindo por isso.
— O resto da semana? — Aro me encarou como se eu fosse louco. — Edward, dispensá-lo mais cedo de um plantão na segunda-feira, ou até mesmo conceder sua folga da clínica é aceitável. Mas o resto da semana livre? Você tem um plantão duplo quarta e quinta, mais atendimentos na sexta-feira.
— Eu preciso tomar conta de Renesmee, senhor Volturi.
— Até onde eu sei não é sua filha, Edward. — Aro bufou.
Eu fiquei instantaneamente com raiva ali, sim, ela não era minha filha, eu não tinha tido aquela sorte. Charlie era o pai dela, o cara que só sabia beber, o cara que não a levava aos médicos, não a ajudava com deveres de casa, nem se importava com sua filha, a ignorando diariamente.
— Senhor Volturi, estou trabalhando a mais de um ano nesse hospital. E, em todos esses meses eu tive plantões duplos, vários dias de atendimento seguidos e, não tive nem uma semana de férias. Isso está na lei até onde sei e, também sei que eu não posso simplesmente conseguir uma semana de folga sem pedir isso com um tempo de antecedência. O fato é que tem uma garotinha doente, que teve uma longa noite difícil e, que vai precisar de cuidados reforçados durante a semana. Não sou o pai dela, senhor, mas estou disposto a cuidar daquela menina como se fosse minha filha.
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