Amargo Lar
40 Capítulo Trinta e Nove — Nossa
Notas iniciais

Isabella Swan
Abri a porta da casa de Edward, ou melhor, da nossa casa, morrendo de medo. Eu não tinha ideia de como eu me mudando para lá com Renesmee seria visto pelo serviço social, mesmo que Emmett tivesse dito um milhão de vezes que não era o fim do mundo, principalmente por Edward não ser um maníaco e, por eu ainda ter minha casa, para onde eu poderia voltar a qualquer momento.
— Olá Zafrina! — cumprimentei a mulher.
Era segunda-feira à noite, Edward tinha acabado de voltar de seu plantão e estava terminando de se arrumar para se livrar da sujeira do hospital. Eu já tinha jantado com Renesmee e senhor Masen e, sabia que a assistente social ia aparecer a qualquer momento, diferente do nosso primeiro encontro, aquele tinha sido agendado, pois ela queria todos os moradores da casa presentes.
— Olá Isabella, como vai? — perguntou.
— Muito bem. — Lhe lancei um sorriso simpático, deixando-a entrar na casa de Edward...Nossa casa, era difícil demais me acostumar com a mudança de pronome. — Deixa que eu cuido disso. — Peguei o casaco dela, colocando-o no armário.
— Olá senhor Masen! — ela cumprimentou Edward que apareceu no corredor de entrada, ainda de cabelos molhados e exalando cheiro de banho, isso não era muito bom para minha sanidade, eu tinha vontade de levá-lo para sua cama...Nossa, nossa cama!
— Olá senhorita Hills, é bom recebê-la aqui. Vamos, entre, por favor. — Ele indicou o caminho até a sala, onde uma muito bem comportada Renesmee estava junto de Senhor Masen, Marley parecia estar no espírito da coisa e, tinha dormido encolhido perto da poltrona do avô de Edward, ou ele apenas tinha comido ração demais.
— Oi Zafrina! — Ness a cumprimentou com animação, eu contive uma risada. Edward e eu tínhamos dito que aquela visita era importante, a garota levou a sério.
— Olá Renesmee! — Zafrina a cumprimentou.
— Vovô, essa é Zafrina Hills, assistente social — Edward os apresentou. — Senhorita Hills, essa é Samuel Masen.
— Olá senhor Masen.
Ele apenas resmungou a avaliando com cara de poucos amigos, nem Zafrina pode deixar de sorrir para senhor Masen e seu clássico mau humor.
— Isso é realmente necessário? — ele perguntou. — A casa não é um...
— Vovô, não! — Edward o interrompeu, tapando as orelhas de Renesmee e, eu sabia que senhor Masen ia falar algo realmente proibido para a idade dela.
— Não é um mau lugar — Senhor Masen disse, bufando.
— Senhor Masen, é necessário — garanti a ele. — Aceita algo para beber? — perguntei a Zafrina.
— Gostaria de conhecer a casa. — Ela foi direto ao ponto. — Você pode me apresentá-la, Isabella?
— Claro. — Lancei um olhar ansioso para Edward, então fui com Zafrina pela expedição a casa, agradecendo por ser uma visita marcada e, que tudo estivesse em ordem, principalmente o quarto de Renesmee.
— Então, como está sendo? — a olhei confusa, estávamos no quarto de Renesmee e ela observava tudo com muita atenção. — Tudo. — Explicou quando claramente não entendi.
— Bem, está indo tudo bem, na verdade. Eu deixei meu antigo emprego e, estou começando um negócio com a tia e o primo de Edward, uma confeitaria, eu serei a responsável pela cozinha. — Sorri orgulhosa. — E, vou começar a estudar novamente, na verdade começo amanhã, estou muito empolgada com isso. Edward e eu estamos em um relacionamento firme, com planos reais para o futuro, casamento, filhos, criamos uma conta para as despesas da faculdade de Renesmee...
— Ele estará custeando a faculdade dela? — perguntou surpresa.
— Nós dois estaremos — afirmei. — Mas, ela é tão bom na escola e, tem se saído tão bem no balé, que eu não me surpreenderia dela ganhar uma bolsa de porcentagem alta, ou até mesmo uma de valor integral. Ela é incrível.
— E você se sente responsável por ela ser incrível?
— Renesmee seria incrível de qualquer forma. — Deixei claro. — É algo dela, mas sim, Edward e eu estamos a apoiando. Um apoio que ela não recebeu antes dos nossos pais, principalmente de Charlie.
— O que mais tem para me falar sobre ele?
— Sobre Charlie? Ele era um terrível, pai. Alcoólatra, abusivo e depreciativo. Eu fui embora por inúmeros motivos, mas um deles e um dos grandes, era detestar o modo como Charlie me tratava. Eu era sua empregada, ele não se importava comigo e, tudo que fazia era beber e brigar. E, o ciclo vicioso estava se repetindo com Renesmee. Ela teve uma gripe alguns meses atrás, ela teve um choque anafilático por tomar remédios que não sabíamos que tinham alergia, mas não ficou perto de acontecer algo grave, não de verdade. — Encarei Zafrina. — E, já que você esta aqui querendo saber se Edward será uma boa influência para ela. Sim, ele a melhor influência que ela poderia ter, até mesmo do que eu sou.
— E, mesmo depois de me dizer que você não é uma influência assim tão boa, ainda acha que merece a guarda da sua irmã?
— Sim, Renesmee sob minha tutela não está em uma casa sozinha, não vê ninguém bêbado brigando e gritando. Ela tem tempo de fazer deveres de casa, de estudar balé. — Gesticulei para a parede com espelho e barra ali. — Ela se diverte, come o que deve, come algumas porcarias que sinceramente, são normais para a idade dela. E, o mais importante, ela é amada Zafrina. Renesmee nunca foi amada por Charlie, nem mesmo por Renée. Eu posso ser errada de diversas maneiras, mas estou cada dia mais agindo certo, primeiramente por mim mesma, depois por aquela garotinha que tem o mesmo sangue que eu, de tudo que meus pais fizeram, a única coisa que eu agradeceria a eles é por minha irmã.
— É uma boa casa para ela — Zafrina disse com um sorriso sincero.
— É. — Assenti, olhando ao redor. — É a nossa casa, não há um lugar melhor para ela estar do que não aqui.
***
Quarta-feira foi um dia cansativo, com Edward indo para seu plantão mais longo da semana, eu estava parcialmente sozinha tentando manter tudo em ordem. Mas, ainda assim, contente com o resultado positivo da visita de Zafrina, que não tinha encontrado defeito, ou problema algum, com Renesmee indo morar comigo na casa de Edward, que era nossa casa agora, também.
— Você vai se atrasar, vai logo! — mandei quando ele continuou enrolando para se arrumar, enquanto eu terminava também. Tinha muito o que fazer e, ia levar Alec para a escola também, já que Jane estava com um dentinho crescendo e, Rose ficaria com ela aquela manhã, para poder ir trabalhar a tarde.
— Te amo, vejo você amanhã. — Edward terminou de se vestir, dando um beijo na minha testa antes de correr para fora do quarto.
— Coma alguma coisa antes de sair! — gritei para ele, antes que ele saísse mais uma vez apenas com café.
— Bells, eu não acho minha blusa cinza que ganhei de natal. — Renesmee apareceu na porta do meu quarto e de Edward, parcialmente vestida e, ainda sonolenta.
— Terceira gaveta do seu armário, querida, terceira gaveta — falei, prendendo meu cabelo em um coque no alto da cabeça. — E, pode ir trocando essa saia por uma calça, está frio demais para isso — alertei.
Ela concordou, indo até seu quarto, enquanto eu pegava minha bolsa e seguia para o andar debaixo. Edward ainda estava na cozinha, distraidamente lendo o jornal e bebendo café.
— Você vai se atrasar, Edward! — falei mais uma vez, o despertando.
— Oh droga! — Ele reclamou, vendo o horário no celular.
— Te amo, não esqueça seu casaco. — O beijei quando ele passou por mim. — Ai, Edward, não, não comece isso — implorei rindo quando ele começou a beijar meu pescoço, ele riu também contra minha pele, então saiu.
Senhor Masen chegou a cozinha logo depois, enquanto eu preparava algo para comermos.
— Açúcar? — ele perguntou quando lhe servi café.
— Eu não lembro em ter visto açúcar na sua lista de alimentos permitidos pelo médico, avise-me quando for liberado. — Pisquei para ele. — Não adianta ficar emburrado, estou cuidando da sua saúde. Renesmee, você tem de descer agora para tomar café! — gritei.
— Sua voz é bem potente. — Senhor Masen tentou tocar na minha xícara e a afastei dele.
— Nem pense nisso, o açúcar é todo meu. Ei, você, eu não disse nada de saias? — falei para Renesmee quando ela apareceu com outra saia, que era pouca coisa diferente da anterior.
— Mas eu não quero usar calças — resmungou.
— Está frio, calças, não saia. Suba e mude isso! — mandei, respirando fundo, ela foi fazer o que ordenei e quando voltou estava de calças.
Nós tomamos um rápido café com Senhor Masen, então saímos para o frio de janeiro que Forks enfrentava. Emmett estava saindo com Alec e, jogou chaves da minivan de Rosalie para mim.
— Isso?
— Ela não quer Alec na sua picape. — Ele escondeu um sorrisinho. — Obrigado por levar Alec, estou indo para Port Angeles e já estou atrasado.
— Tudo bem, vai lá. Como Jane está? — Dormindo agora, estará melhor até a tarde. Você, se comporte! — exclamou para o filho, tirando o vídeo game portátil que Alec tinha em mãos e, nada de levar essa coisa para a escola. — Emm enfiou o aparelho em seu bolso, indo para seu carro, enquanto eu levava as crianças para a minivan de Rose.
Minivan. Eca.
Eu não teria uma daquelas quando a família aumentasse, eu gostava de carros esportivos como o de Edward, não um que parecia um ônibus escolar.
Deixei as crianças na escola, então fui até a confeitaria checar como tudo estava por lá. Como era de se esperar, algo tinha dado errado na reforma e, Jazz e Esme tentavam explicar ao pessoal que estava cuidando daquilo o que tinha errado. Fiquei com eles até o horário do almoço, então voltei para casa para almoçar com Senhor Masen e, aproveitei o intervalo entre o almoço e ir buscar Renesmee e Alec na escola, para começar a estudar, trancada no quarto, com o computador de Edward, sentindo-me muito burra por não entender física.
Mais tarde fui buscar Alec e Renesmee na escola, então os deixei com Rose no estúdio, junto com a minivan. Alice estava na casa dos McCarty com Jane e, eu voltei para lá com o carro dela, que a mãe do bebê de Jasper tinha emprestado para Rosalie, de volta a casa eu perdi algum tempo lavando roupa, então fazendo o jantar, logo Renesmee estava de volta e, depois de comermos com senhor Masen, fui ajudá-la com os deveres de casa.
Quando ela foi dormir e, o senhor Masen também. Eu fiquei na sala estudando, em algum momento dormi, porque quando acordei estava sobre o teclado, confusa por estar no chão, com Marley em meu colo.
— Ah merda, eu não estudei nada — choraminguei, meu celular ali ao lado tocou e atendi.
— Ei, como estão as coisas por ai? Quis ligar antes, mas está cheio por aqui.
— Edward, eu sou uma incompetente — afirmei. — Nem estou trabalhando e, não dou conta de fazer tudo que tenho de fazer, imagine com a confeitaria.
— Bella, me escute. — O tom de voz dele exalava seriedade. — Você não é incompetente, só teve um dia longo. Apenas respire fundo e fique calma — pediu e, respirei fundo, normalizando minha respiração. — Agora, vá tomar um banho quente, vista sua calcinha e regata. — Ri. — E durma um pouco, amor. Amanhã você dará conta de tudo.
— Eu te amo — falei, enquanto acariciava o pelo de Marley, que naquele dia tinha sido até um bom cachorro quieto, sem me dar mais trabalho.
— Eu também te amo, você vai dar conta de tudo, okay? Apenas mantenha-se calma e, não surte caso algo dê errado, sempre haverá outro dia para recomeçar.
***
Quinta-feira foi um dia muito melhor, principalmente por Edward estar saindo de seu plantão. Ele assumiu tudo da casa e Renesmee depois do jantar, enquanto eu ia estudar, arrastando Marley comigo, porque estranhamente ele por perto me dava uma sensação de paz.
— Ela já tem idade para isso? — Edward me perguntou enquanto nos arrumávamos para dormir.
Renesmee tinha sido convidada para uma festa do pijama na casa de Lucy no sábado e, eu estava tentada a permitir que ela fosse, já que conhecia os pais da garota e, sabia que podia confiar neles. Mas, disse a Ness que só daria a resposta a ela na sexta-feira, depois de discutir o caso com Edward.
— Bom, ela tem, não é mais tão pequena assim — constatei aquilo.
— Você está reconsiderando, não é?
— Claro, ela ainda é pequena para mim, mas sei que não posso prendê-la em casa para sempre. E, eu conheço Kate, sei que ela ficará de olho em Renesmee.
— Sim, Kate é uma boa pessoa.
— Irina também — provoquei Edward, que riu. — Tudo bem, Renesmee ganhará o direito de ter sua primeira festa do pijama ou não?
— Sim — ele resmungou. — Deus, ela está crescendo.
— E eu estou ficando velha.
— E sexy!
Pulei na cama, então comecei a beijá-lo. Quinta-feira certamente foi um dia melhor.
***
Eu ouvia o som insistente do meu celular tocando, mas não conseguia mandar a ordem certa para meu cérebro para acordar. Estava tão bom ali, não queria sair dos braços de Edward, então, pensei que Renesmee não estava em casa e, que podia ser algo com ela.
Rapidamente sentei na cama, olhando no relógio do lado de Edward — que continuava apagado — vi que já era pouco mais de uma da manhã. Peguei o celular e o número era desconhecido, o que me preocupou ainda mais, eu tinha salvo tanto os números de Kate quanto de Garrett.
— Alô? — atendi, vendo Edward começar a acordar.
— Senhorita Swan, aqui é o delgado Clark. — Meu coração parou ao ouvir aquilo e agarrei no braço de Edward, que prontamente acordou, mesmo que ainda confuso com tudo aquilo. — Nós estamos ligando para informar que essa noite um homem chamado James Smith foi preso gritando e, tentando invadir sua casa. Os vizinhos ligaram para a polícia e, nós o prendemos em flagrante.
— Ah meu Deus! — exclamei perturbada.
— Bella, o que está acontecendo? — Edward perguntou assustado. — Renesmee está bem?
Apenas assenti, começando a chorar. James tinha voltado, ele tinha prometido voltar, ele cumpriu com sua palavra.
— Senhorita Swan?
— Aqui, me deixe cuidar disso. — Edward tirou o celular da minha mão. — Olá, sou Edward Masen, namorado de Isabella.
Ele passou algum tempo na ligação, até que desligou e voltou-se para mim, que continuava chorando.
— Bella, eu sei que está nervosa, mas está tudo bem. Eles o prenderam em flagrante, já avisaram a policia de Seattle uma vez que ele é um foragido e, provavelmente amanhã será transferido e julgado pelo assassinato que cometeu em setembro.
— Ele voltou Edward — sussurrei.
— Ele não vai chegar perto de você, amor, eu nunca deixarei isso acontecer.
— Preciso ir vê-lo...
— Bella...
— Eu preciso, preciso olhar na cara dele e...Eu preciso finalizar isso, tudo que ele fez, ele teve a última palavra da última vez, preciso ter agora.
— Bella, isso não é uma boa ideia. Você está se tratando justamente para esquecê-lo.
— Eu vou ficar bem — prometi.
Ainda que resignado, Edward concordou e, em silêncio nós nos arrumamos para sair. Na delegacia, nós conversamos com o delegado e pedi para falar com o filho da puta do James.
Edward queria ir junto comigo, mas eu o convenci a ficar fora. Fui levada a sala de visitas e, fiquei em pé, encostada a parede fria, esperando que trouxessem James até mim.
Ele estava visivelmente mais magro, pálido e com toda certeza estava se drogando e bebendo tanto, que seu corpo encontrava-se deteriorando cada vez mais. Tudo que senti ao vê-lo foi desprezo, segundo o delegado, ele esteve na porta da minha casa gritando que ia me matar, gritando coisas como:
— Sua vagabunda desgraçada, abra a maldita porta.
— Bella, amor, eu voltei. Você vai me tirar daqui, não é? — James perguntou, algemado, sendo segurado pelo policial para não encostar em mim. — Eu amo tanto você, baby, senti tanto sua falta. Me leve embora.
— Você não tem direito de me chamar de amor, James. — Alertei, minha voz soando com mais confiança do que imaginei que sairia. — E, o único lugar para que você vai é um presídio, com uma pena bem longa por ter matado alguém, tentado invadir minha casa e ter me machucado.
— Baby, não, eu não quis fazer aquilo. — Caiu de joelhos, tentando rastejar até mim, mas o policial o puxou para longe.
— Tarde demais. — Quis bater nele ali mesmo, chutá-lo como tinha feito comigo. — Você é um grande filho da puta, James e, me machucou de todas as formas possíveis, mas não vai fazer isso de novo. Nem comigo, nem com mais ninguém, você ouviu?
Ele começou a chorar.
— Baby, por favor, me ajude.
— Você é um verme para mim, James. — O olhei por um último momento, mas senti nojo demais para manter meus olhos sobre ele. — E, eu estou muito feliz em vê-lo nesse estado, espero que tenha um resto de vida miserável. — O contornei, então deixando a sala, indo até Edward na sala de espera.
— Como você está? — perguntou tocando em meu rosto, suas mãos quentes me acalmando.
— Obrigada — agradeci. — Obrigada por ter me tirado daquela casa, obrigada por te me levado para um lugar seguro. Obrigada por ter levado a Ness e a mim para nossa casa. Eu te amo, eu te amo muito, Edward!
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