Amargo Lar

14 Capítulo Treze — Prometer


Notas iniciais
Capítulo dedicado a linda Juliana Souza que recomendou Amargo Lar, muito obrigada por todo o carinho, flor! ♥ Boa leitura! :D

Isabella Swan

Renesmee estava linda, usando um vestido vermelho, com meia calça da mesma cor, sapatilhas roxas e um casaquinho bege. Eu queria apertá-la de tão fofa que minha irmã estava aquela noite com sua roupa nova, tinha sido um dinheiro muito bem gasto aquele, levou uma parte considerável do salário da minha primeira semana no restaurante, mas eu nunca me arrependeria.

— Edward vai estar lá? — Renesmee perguntou sentada na cama do meu quarto, enquanto eu terminava de prender meu cabelo em um rabo de cavalo. Eu estava usando uma calça jeans escura e a blusa mais social que achei em minhas coisas, branca, com sapatilhas pretas nos pés.

— Acho que sim, se ele não estiver ocupado no hospital — respondi, odiando a forma como o rabo de cavalo ficou torto.

Nós não víamos Edward desde o sábado anterior quando ele nos deixou em casa, eu sabia que no domingo ele estaria em Seattle e, ele ligou na segunda e na quarta para perguntar como Renesmee e eu estávamos. Falou que estava extremamente ocupado com o hospital, que seus horários estavam uma bagunça e, pediu desculpas por estar desaparecido. Eu rapidamente me desviei de suas desculpas, ele não tinha obrigação nenhuma com a gente para se justificar de nada.

Meu celular tocou e, Nessie que estava ao lado dele soltou um gritinho empolgado.

— É o Edward! — exclamou.

— Você pode atender — falei rindo da animação dela, refazendo o rabo de cavalo.

Renesmee atendeu e, colocou no viva-voz, uma vez que a de Edward soou pelo quarto.

— Alô!

— Oi Edward — Renesmee e eu falamos juntas, o que o fez rir do outro lado da linha.

— Vocês vão para a festa, não é? — ele indagou, eu me encarei no espelho, desistindo do penteado, simplesmente impossível de ficar certo.

— Vamos — Nessie respondeu. — Você vai? Eu estou com saudades!

— Ah Ariel, eu nunca perderia essa festa, estou morrendo de saudades também — ele disse, pelo espelho vi Nessie sorrindo. — Bella?

— Aqui — respondi com um grampo na boca, tentando prender meu cabelo de alguma forma.

— Está chovendo...

— A festa será ao livre? — perguntei preocupada. — Rose deve estar surtando.

— Não, será dentro de casa, mas quero dizer que está chovendo e talvez eu possa ir ai buscá-las. Seu carro ainda não passou por uma revisão, não é? Não seria legal enfrentar uma chuva dessas com ele.

— Só se eu dirigir o seu — falei, desistindo de qualquer penteado para aquela noite.

— Por mim tudo bem — ele falou, me pegando de surpresa. Virei meu rosto para encarar o celular, como se pudesse encarar Edward por ele.

— Está falando sério? — Edward parecia tão cuidadoso quando dirigia para deixar outra pessoa assumir a direção do seu carro.

— Sim, eu não sou possessivo com meu carro, é só um carro. Mas nunca peça para dirigir o de Rose, ela ama a mini van como ama a si mesma. — Eu ri.

— Okay, você pode vir nos buscar — concordei.

— Vejo vocês depois, beijos Ariel.

— Beijos Edward. — Eles desligaram. — Pensei que ia prender o cabelo — Renesmee disse para mim.

— Está mais fácil eu conseguir um terceiro pé no lugar disso — falei, vendo a fazer uma careta.

— Você ia ficar legal com um terceiro pé — ela falou, fazendo com que eu risse mais uma vez aquela noite.

***

Edward usou um guarda chuva para sair de seu carro e, buscar a mim e Renesmee na porta de casa. Ele nos cumprimentou rapidamente e passou as chaves do carro para mim, eu assumi o guarda chuva e deixei ele e Nessie entrarem no carro até ir para o lugar do motorista.

— Oh Deus, seu carro se dirigi praticamente sozinho — vibrei quando o carro saiu sem dificuldades para a rua, mesmo com a chuva.

Edward gargalhou, passando a mão pelo cabelo que tinha molhado e estava mais bagunçado do que nunca.

— Como foi sua semana, Ariel? — perguntou a Renesmee.

— Foi boa, Alec contou aos garotos na escola que eu ganhei dele no vídeo game e todos ficaram surpresos. — Renesmee levou um bom tempo para parar de falar naquele assunto durante aqueles dias.

— E sua semana? — Edward me perguntou.

— Você sabe, servindo mesas, limpando mesas, olhando mesas — brinquei. Tinha sido uma longa semana com o trabalho intenso e, os cuidados com Nessie. Eu a deixava na escola e Rose, ou Alice iam buscá-la junto de Alec. Ela passou todos os dias até o fim dos meus expedientes no estúdio, mesmo quando não era dia de suas aulas de balé. — Eu poderia descrever cada mesa daquele restaurante com exatidão de tanto que estou familiarizada com elas. E a sua semana? Preso ao hospital?

Ele bufou, parecendo irritado.

— Nem me fale, mudaram todos os horários depois que um médico foi transferido para Port Angeles. Ou estava no hospital, ou desmaiado na minha cama.

— Deve ter sido estressante — falei. — Seu carro é um máximo — declarei mais uma vez. — Eu definitivamente poderia me casar com seu carro se isso fosse legal.

— Vocês podem fugir e casar em Las Vegas, eu permito a união de vocês — brincou. — Quem te ensinou a dirigir?

— James — sussurrei, para Renesmee no banco de trás não ouvir, o nome dele me causando um desconforto imenso.

— Eu já posso aprender a dirigir? — Nessie perguntou, aparentemente sem ter ouvido minha resposta.

— Você ainda é muito nova, espere mais uns cinco ou seis anos — respondi a ela.

— Eu lhe ensinarei quando chegar a hora, Ariel — Edward prometeu e aquilo me incomodou, sabia que ele era um cara legal, mas promessas daquele tipo poderia confundir Renesmee. Não poderíamos afirmar que ele ainda faria parte da vida dela quando a menina fosse uma adolescente, eu não me senti nada bem com a ideia da minha irmã mais uma vez sofrendo.

Fiquei quieta pelo resto do caminho, deixando os dois conversarem. Quando estacionei diante a casa de Edward, a chuva tinha dado uma trégua.

— O seu avô não vai? — perguntei a Edward quando saímos do carro.

— Não consegui convencê-lo — Edward disse, pegando Renesmee no colo para evitar que ela afundasse na poça de água perto do jardim frontal da casa dele.

— Eu posso tentar — sugeri. — Se não estiver sendo invasiva — falei lhe entregando as chaves do carro.

— Você pode tentar — Edward concordou. — Vamos lá rever o vovô Sam, Ariel. — Colocou minha irmã em um local seco, então nós três seguimos até a porta da sua casa. — Vovô? — chamou, ouvimos um resmungo vindo da sala e seguimos até lá.

— Oi vovô Sam! — Ness saudou o avô de Edward que estava sentado em uma poltrona lendo Guerra e Paz.

— Ah, olha só quem voltou. — O senhor Masen colocou um marcador no livro e o colocou na mesinha ao seu lado. — Intrigante, não é garoto? — perguntou ao neto, Edward apenas revirou os olhos.

— Bella queria falar com o senhor — falou, indo sentar no sofá com Nessie ao seu lado.

— Senhor Masen, Rosalie passou os últimos dias planejando a festa perfeita — comecei a falar para ele que me encarava como se eu fosse um ET. — Sei que ela é muito gentil com o senhor, certamente não iria querer a decepcionar, não é? Além do mais. — Lancei um olhar ansioso a Edward, que sorria para mim. — Soube que ela encomendou comida muito boa, eu poderia contrabandear um pouco para o senhor e, quero muito saber mais sobre quando você esteve no exército.

— Se a comida for ruim eu venho embora — Samuel disse se colocando de pé com a ajuda de sua bengala. — Vou me arrumar — anunciou, seguindo para o corredor.

— Deus, você deveria ganhar um prêmio ou algo assim — Edward falou chocado.

O barulho da televisão ligando nos chamou a atenção e vimos Nessie com o controle na mão.

— Renesmee! — chamei a atenção dela. — Você não pode simplesmente ligar a televisão dos outros assim, precisa pedir permissão.

— Posso ligar sua televisão? — ela perguntou a Edward.

— Claro, querida. — Afagou o cabelo dela, Renesmee sorriu e colocou na Disney.

— Bom, se ela pode ligar sua televisão eu posso fuçar seus livros. — Caminhei até a estante no canto da sala. — Ah, você é um homem de Jane Austen? — perguntei quando me deparei com a coleção dela ali. — Você tem todos os livros de escritores ingleses aqui? — indaguei observando vários nomes conhecidos ali, eu tinha lido uma parte quando conseguia pegar livros na biblioteca de Forks quando mais nova.

— São do meu pai, na verdade — Edward falou vindo para perto de mim. — Ele tinha essa estante com seus livros favoritos, foram os únicos que trouxe comigo para Forks quando me mudei para cá, o restante ficou na Califórnia.

Assenti entendendo, pegando uma cópia em capa dura de Razão e Sensibilidade que era o meu preferido da Austen.

— Edward Ferrars — Edward citou o nome de um dos personagens.

— Ah sim, não se gabe por ter seu nome em um livro — falei sorrindo.

— Meu pai se chamava Edward também, esse foi o primeiro livro que mamãe deu a ele, olhe aqui. — Edward abriu o livro, deixando-me ler a dedicatória ali.

“Querido Edward,

Eu detestei o livro, é chato e romances de época com toda certeza não me agradam. Mas, é seu primeiro aniversário comigo como sua namorada, então pensei que eu poderia ser cheia de romantismo pelo menos uma vez na vida, não conte isso para ninguém.

Então, ai vai. Eu não detestei apenas o livro, como também detestei Edward Ferrars, ele é tão sem graça quanto uma aula de Literatura Inglesa.

Mas, saiba que eu amo você — EDWARD MASEN, NÃO O IRRITANTE FERRAS!!! — e suas aulas de literatura inglesa, ainda que eu fique mais tempo observando seus lábios do que realmente prestando atenção no que você diz. Então, é isso, te amo e não consigo ser discreta quanto a isso, há muito amor dentro de mim para que eu tente ser cuidadosa com toda sua timidez, só lhe resta aceitar o fato de que me terá ao seu lado pelo resto da sua vida, sendo louca, espalhafatosa e detestando literatura inglesa.

Bom, se você ainda não percebeu eu estou por meio dessa dedicatória dizendo que te amo, pois essa é a primeira vez na vida que estou tímida para falar algo. Se você também me ama venha me dar alguns beijos, agora!

Com amor, sua Liz.”

Eu senti as lágrimas em meus olhos depois de ler aquilo, emocionada com a dedicatória, mesmo com o jeito engraçado e descontraído da mãe de Edward, cada palavra ali tinha uma porção de sentimentos para o Edward pai. Era lindo, eu queria ter tido a oportunidade de conhecê-los.

— Ela era maravilhosa — Edward sussurrou, sorrindo para si mesmo.

— Tenho certeza de que era. — Corri meu dedo pela dedicatória antes de fechar o livro devolvê-lo para o lugar. — Você se parecia mais com ela ou com ele? Apesar de que o pouco que te conheço eu posso identificar a veia bem humorada que ela tinha em você.

— Com ela, certamente. — O sorriso se expandiu. — Ela era médica também, mas nós sempre conseguíamos um tempo juntos, era incrível. Mamãe era uma força da natureza incapaz de ser impedida, ela teria gostado de você.

— Eu teria gostado dela também — sussurrei. — Bom, eu não tive muitos exemplos de mãe, mas ela parece com uma muito boa.

Edward assentiu, parecendo triste.

— Você está triste — falei antes que pudesse controlar minha língua.

— Estou bem. — Deu de ombros.

— Você pode desabafar comigo, se quiser, é claro...Quer dizer, eu devo estar sendo intrometida, esqueça, não fale nada, finja que eu não disse isso — comecei a falar rápido demais e Edward riu, fazendo com que eu parasse.

— Quem sabe outra hora, temos uma festa para ir agora. — Apontou para o avô entrando na sala, com roupas trocadas.

— Espero mesmo que a comida que Rosalie encomendou seja boa — falei.

Nós dois saímos da casa com Renesmee e o senhor Masen, ou vovô Sam, como minha irmã o chamava. Emmett abriu a porta para nós quando tocamos a campainha da sua casa e, pelo fato de ter apenas um carro estacionado ali na frente, eu sabia que nós éramos um dos primeiros a chegar.

— Grande Samuel, você veio! — Emmett exclamou ao ver o avô de Edward, que apenas ficou calado. — Ei Princesa, Alec está ansioso para jogar mais vídeo game com você, vai ganhar de novo hoje? — perguntou a Renesmee quando entramos na casa e tirávamos nossos casacos no hall de entrada.

— Vocês chegaram! — Rose apareceu usando um vestido branco. — Oh meu amor, você está tão linda! — Ela beijou a bochecha de Renesmee, limpando a marca de batom que ficou ali. E você veio, a quem devemos esse milagre? — perguntou para Samuel, lhe dando um rápido abraço.

— Bella — Edward respondeu. — Impressionante, não é?

— Bella é incrível. — Rose piscou para mim. — Agora vamos sair desse corredor apertado, os pais do Ursão estão ai e quero que vocês os conheçam logo. — Ela segurou na mão de Nessie, a levando para a sala.

— Ursão, isso não é constrangedor para você também? — Edward me perguntou cochichando.

— Totalmente.

— Eu ouvi isso — Emmett atrás da gente disse.

— Culpado! — Edward estendeu as mãos para cima e eu também.

A casa, principalmente a sala, de Emmett e Rose era grande o suficiente para abrigar todos os convidados aquela noite. E lá já estavam os pais dele, que eu sabia que tinham chegado de Port Angeles na noite passada para ficar pelo resto do fim de semana.

Rose nos apresentou a eles com um sorriso gigante no rosto, logo eu percebi que os sogros eram de extrema importância para ela. Grace era uma mulher baixinha, de cabelos escuros como Emmett e a mesma covinha no rosto. Já o pai dele, Frank, era alto e com cabelos mais claros, quase loiros.

Grace estava babando em Jane, enquanto Frank ajudava Alec a montar um avião de lego sobre uma mesa, Renesmee se juntou a eles. E, eu fui com Rose até a cozinha.

— Você veio com Edward? — Rose perguntou.

— Sim, ele foi nos buscar — esclareci, roubando um docinho de uma caixa. — Dez anos, em? Isso é um bom tempo — falei.

— É e, eu nunca tentei matá-lo enquanto dorme — Rose disse orgulhosa, estendendo a mão para que eu batesse.

— Grande vitória! — Saudei.

— Champanhe? — ela perguntou enquanto separava taças.

— Não sei se eu deveria beber — murmurei. — Acho que eu deveria ficar limpa, sabe? Nessie.

— Uma taça não te mataria, mas tudo bem. Okay, então Emmett, Grace, Frank e eu já que estou de folga da função restaurante de Jane.

— Edward não bebe?

— Não. — Ela abriu a garrafa de champanhe com maestria.

— Não?

— Nunca — Rose disse servindo as taças.

— Por que não? — Rose me olhou.

— Desculpe, Bella, isso é algo dele — ela falou, colocando as taças sobre uma bandeja. — Eu não me sentiria bem compartilhando isso.

— Claro, eu entendo. Quer que eu leve? — perguntei gesticulando para a bandeja.

— Você não está no trabalho e, é uma convidada, fique longe de servir — mandou, carregando a bandeja até a sala e servindo todos que beberiam. — Edward, refrigerante, água?

— Não, estou bem — ele respondeu, tinha se juntando a Alec, Renesmee e o pai de Emmett no chão para montarem o avião.

Emmett conversava com Samuel e me uni a eles, enquanto Rose ia para junto da filha e da sogra. Algum tempo depois a campainha tocou e, era Alice chegando. Poucos minutos depois ela tocou novamente e, era a professora de Renesmee e Alec.

Com a chegada dela Rosalie ficou cheia de entusiasmo e, logo a apresentou a Edward. A distância eu podia vê-lo sendo simpático com ela e, Ângela ficou com ele e as crianças montando o lego, uma vez que Frank veio ouvir as histórias de guerra de Samuel.

A campainha tocou uma terceira vez e, Rose e Emm passaram um bom tempo no hall de entrada, até que voltaram acompanhados de um casal mais velho e, um cara de coque samurai que devia ter menos de trinta anos. Não precisei de muito para notar a semelhança entre a mulher e Edward, eram os tios dele e, o cara de cabelo grande o primo que ele mencionou certa vez estar na cidade.

— Bella, vem cá — ele me chamou quando viu que eles tinham chegado, segurou na mão de Renesmee e a levou até eles. Pedi licença a Frank e Samuel e fui até lá, Rose já tinha desaparecido novamente para a cozinha e Emmett foi pegar um pouco Jane no colo.

— Ai meu Deus, você é tão linda e fofa, eu quero enchê-la de abraços. — A tia de Edward falou para Renesmee, que sorria timidamente.

— Renesmee e Bella, essa é minha tia Esme, meu primo Jasper e meu tio Carlisle. — Sorri, também timidamente para todos.

— Foi você! — Renesmee exclamou para Carlisle, apontando para ele.

— Ness?

— Bells, ele disse que o papai ia ficar vivo, ele me enganou.

Ah droga, ilusões, era disso que eu tinha medo.

— Querida, eu sinto mui...— Carlisle começou a falar, mas Renesmee já marchava em direção oposta a ele, para a cozinha de onde Rose vinha com mais champanhe e comida.

— Desculpem por isso — pedi envergonhada, indo atrás dela. — Ei pequena, você está bem? — Renesmee estava sentada no canto da sala de jantar dos McCarty, abraçada aos seus próprios joelhos. Sentei ao seu lado, pouco ligando se minha roupa amassaria.

— Ele mentiu, Bells! — ela falou cheia de tristeza. — Falou que papai não ia morrer, que ia ficar tudo bem.

Vi Edward entrar ali, mas Nessie não, ele parecia extremamente preocupado. Porém, pedi que ele ficasse fora de vista, eu tinha de falar com ela antes.

— Ness, eu sei que foi muito difícil para você perder Charlie — murmurei. — Mas Carlisle não tem culpa disso, ele é um médico é a função dele é cuidar das pessoas doentes, só que nem sempre ele consegue salvá-las.

— Então por que ele mentiu? — Ela fungou.

Olhei para Edward ainda parado na porta e, eu sabia que ele estava louco para se aproximar dela.

— Ele não mentiu, Ariel — afaguei seu rosto. — Carlisle estava fazendo de tudo para salvar Charlie, ele não esperava que não fosse conseguir. E, eu tenho certeza de que ele deve ter dito que tudo ficaria bem para você não ficar preocupada, certamente viu o quanto você é uma menina maravilhosa e só quis te consolar.

Renesmee assentiu, mas seus lábios tremeram e lágrimas rolaram por seu rosto, foi o suficiente para Edward vir até nós.

— Ei Ariel. — Se sentou no chão junto com a gente, reparei só ali que ele estava de calça jeans também e uma camisa de mangas compridas parcialmente social. — Eu sinto muito por tudo isso. — Renesmee o abraçou, manchando a camisa dele com seu choro, mas ele não pareceu se importar.

— Vocês vão me deixar também? — ela perguntou com medo em sua voz.

Olhei aflita para Edward, eu nunca a deixaria, tinha prometido isso, mas e ele? E quando Edward se casasse, tivesse filhos? E se ele fosse embora de Forks? Como eu explicaria a Renesmee que ele nunca mais voltaria? Todos sempre acabavam a abandonando, eu tinha feito isso, ele poderia fazer também.

— Nós não vamos a lugar algum, Ariel — Edward prometeu, ainda a mantendo em seus braços. — Não é mesmo, Bella? — Olhou para mim, eu mordi o lábio e ele ficou confuso, provavelmente pensando que quem iria embora era eu.

— Sim, nós sempre ficaremos com você. — Afaguei as costas dela, que aos poucos foi parando de chorar, ainda agarrada a Edward.

— Venha, vamos comer alguns doces. — Edward se levantou com ela no colo e, mesmo assim conseguiu estender a mão para me ajudar a ficar de pé.

Ele pegou alguns doces que estavam sobre a mesa e entregou a Renesmee, que ainda com o rosto manchado por lágrimas comeu.

— Coloque-a aqui — pedi apontando para a mesa, pegando um lencinho e indo umedecê-lo na cozinha anexada a sala de jantar. — Está melhor? — perguntei limpando o rosto dela com aquilo, o deixando menos marcado.

— Sim — murmurou.

— Por que você não volta para a sala? Alec ainda não deve ter terminado de montar o avião. — A tirei da mesa, colocando-a no chão, ela concordou indo para lá. — Edward? — o chamei quando ele fez menção de sair também. — Precisamos conversar.

— Isso soa grave — ele disse com um sorriso que não chegava aos seus olhos como de costume. — O que aconteceu?

— Escute, eu sei que você gosta de Renesmee e, eu realmente nunca vou poder agradecê-lo o suficiente por tudo que faz de bem a ela. Mas, você não pode prometer que ficará para sempre na vida dela. — Edward me encarou, parecendo nada contente com o rumo da conversa. — Nossa mãe foi embora quando ela era apenas um bebê, nosso pai morreu com ela tendo só dez anos de idade e eu fui para longe sem olhar para trás quando ela era uma garotinha que ainda andava agarrada a um leãozinho de pelúcia. Renesmee já perdeu demais, eu não quero que vê-la perdendo mais, não estou pedindo que se afaste, mas talvez seja melhor...

— Eu não vou embora da vida dela — Edward me interrompeu, fazendo com que eu me sentisse uma criança pelo tom de voz sério que usou comigo, nem mesmo quando apareci toda machucada na casa dele recebi aquele tom. — Lamento muito pelo que vou dizer agora, mas se você e seus pais foram, isso não quer dizer que eu irei.

— O quê? Você vai largar sua vida para cuidar de uma menina que você acabou de conhecer? — o confrontei. — Ela não parou de perguntar sobre você nos últimos dias e, tem apenas duas semanas que se conhecem. Sabe como ela vai ficar quando você sumir de vez? Eu não vou aguentar ver minha irmã magoada de novo, eu a amo, não quero que Renesmee sofra.

— Bom. — Edward continuava irritado. — Você não é a única nessa sala que ama Renesmee — disse, fazendo com que eu paralisasse.

— Você a ama?

— Amo. É difícil não amá-la, não é? — Edward suspirou, ele estava certo quanto aquilo. — Ela é como se fosse uma irmã mais nova para mim também. — Passou a mão pelo cabelo, nervoso. — E, sim, sei que acabei de entrar na vida dela, mas eu não consigo me imaginar saindo, nem agora nem depois. Ela é importante para mim também, Bella. Eu a vi sofrendo no dia da morte de Charlie, passei o resto daquele dia e os seguinte pensando em como queria protegê-la de toda aquela merda, como queria vê-la sorrindo. Então, não diga que eu estou a iludindo e que irei embora, porque eu não vou. Nunca poderia ser a pessoa a tirar o sorriso do rosto daquela criança, eu já fiz muita besteira, mas essa seria a que eu mais me arrependeria.

Senti o nó na minha garganta, então assenti.

— Eu vou matá-lo se você for embora! — ameacei.

O rosto dele se suavizou em um sorriso.

— Isso não será necessário — prometeu.

Notas finais
Pegaram a dica? hahah Sei lá, vocês querem o próximo com o resto da festa pelo ponto de vista dele ou dela??? Não consigo me decidir! :x Beijos! Lola Royal. 02.08.16