Amargo Lar
15 Capítulo Catorze — Desabafo
Notas iniciais

Edward Masen
Bella e eu voltamos para a sala logo e, aparentemente ninguém além de meus tios, Rose e Jazz tinham notado o pequeno conflito com Renesmee. Ela estava sentada no chão com Alec, terminando de montar o avião com ele e, eu sabia que tudo que tinha dito a irmã dela na sala de jantar era real, eu não suportaria sair da vida dela.
Meus tios e Jazz conversavam com Rose, então fui até Renesmee com Bella.
— Ei Ariel, você não conheceu minha família direito, quer ir lá com eles? — perguntei, ela me olhou ansiosa.
— Eu fui chorona — murmurou.
— Você levou uma bolada na cabeça também? — Alec perguntou, intrigado com algumas peças do lego que montava, Bella apontou a peça certa para o local que ele deveria colocar e, ele sorriu para ela agradecido.
— Podemos consertar isso agora — disse para Ariel. — Eu tenho certeza de que eles estão loucos para conhecê-la melhor.
— Vamos? — Bella perguntou a irmã, Renesmee concordou, ficando de pé com a gente.
Rose disse a minha família que precisava checar algo na cozinha, então nos deixou sozinhos com ele.
— Ness? — Bella falou suavemente com a irmã.
— Desculpe — Renesmee falou para Carlisle, que sorriu para ela.
— Tudo bem, pequena, me desculpe também, okay? — Ele se agachou para falar com ela, Renesmee assentiu sorrindo timidamente.
— Ela é linda, você é linda! — Esme disse de forma encantada para Renesmee, afagando os cabelos dela. — E você também! — exclamou para Bella. — Vocês duas são muito parecidas. Esme Cullen. — Estendeu a mão para Bella, que também tímida retribuiu o gesto.
— Jasper Cullen, mas você pode me chamar do que quiser, bela dama. — Jasper segurou na mão de Bella, dando um beijo ali, vi as bochechas dela queimarem em constrangimento.
— Jasper, não! — chamei a atenção dele.
— Okay, você pequena dama. — Ele se voltou para Renesmee. — Que tal me levar para conhecer o resto das pessoas na sala? Há uma linda garota de cabelos escuros no sofá que eu gostaria de conhecer.
Eu olhei para o sofá onde Alice e Ângela estavam. Qual das duas ele estava falando? Torci para ser Ângela, para fazer Rose parar de jogá-la para cima de mim.
— Tudo bem — Renesmee concordou, se afastando com ele. — Você fala estranho — ela disse e eu ri.
— Bella, eu sinto muito pelo seu pai e pelo conflito que causei com Renesmee — Carlisle disse. — Não era minha intenção.
— Sei que não — Bella falou. — E sei que você deve ter feito de tudo para ajudá-lo.
Olhei para o sofá novamente e Jasper já estava conversando com Alice. Merda!
— Então, você é a guardiã legal dela agora, não é? — Esme perguntou, Bella concordou com um aceno de cabeça.
— Sim, eu era a única parente que lhe restava — respondeu. — Bom, ela é tudo para mim agora também. — Sorri para a frase dela.
A campainha tocou e vi Emmett ir atender, voltando com Mike o seu sócio nos negócios, eles passaram por nós indo cumprimentar os outros na sala.
— Ela tem muita sorte de ter você — Esme disse. — É só uma menina, não poderia ficar sozinha.
Vi Bella procurar Renesmee na sala e sorrir para ela.
— Eu não me perdoaria se a deixasse — Bella afirmou. — Então, você é médica também?
— Ah não. — Tia Esme riu, apoiando-se em Carlisle. — Minha irmã e Carlisle foram os influenciadores de Edward, eu não consigo ver sangue sem chorar de desespero.
— Ela literalmente chorou quando Jasper ralou o joelho pela primeira vez — Carlisle contou, fazendo Bella rir.
— Eu tive de me acostumar, ele não era um garoto muito calmo e depois do joelho ralado apareceu muito mais sangue — minha tia fez uma careta. — Ele não parava quieto.
— E Edward? — Bella perguntou curiosa, me lançando um rápido olhar.
— Filho de Elizabeth, quer dizer, claro que você não conheceu minha irmã, mas ela era tão inquieta quanto Edward é. Os dois são muito parecidos. — Tia Esme sorriu gentilmente para mim. — Ele bebe muito café também, isso não ajuda.
— E faz perguntas demais — Bella falou, fazendo com que eu a olhasse indignado.
— Hey!
— É verdade, você sabe. — Bella deu de ombros, com um sorriso travesso no rosto.
— Ele já começou a lhe contar sobre as histórias do hospital? Eu realmente não consigo acompanhá-las! Ele me disse recentemente sobre uma garotinha e abdução...
— Ela terminou vomitando nele — Bella completou, fazendo tia Esme rir.
— Okay, vocês duas obviamente estão formando um complô contra mim, vamos ir pegar algo para beber, Carlisle?
— Claro! — Ele beijou a bochecha de tia Esme e me seguiu até a mesa de bebidas que Rose tinha arrumado na sala.
Servi-me com refrigerante e Carlisle também, recusando as bebidas alcoólicas.
— Motorista da noite? — perguntei e ele assentiu.
— Ela é uma boa garota — Carlisle disse.
— Sim, Ariel é demais — falei, vendo a brincando junto com Alec e o avião finalmente finalizado.
— Ela também, mas estava me referindo a Bella — Carlisle falou, fazendo com que eu o olhasse. — Vocês estão próximos?
— Eu não estou com ela — esclareci, sabendo muito bem o que ele pensava. — Na verdade Rose me arrumou um encontro forçado essa noite com a garota de cabelos escuros e longos no sofá. — Carlisle olhou para lá, vendo Ângela tentando participar da conversa de Jazz e Alice, sem conseguir um resultado bom.
— Tudo bem, então você e Bella são só amigos?
— E estou a ajudando com Ariel, ainda que eu tenha sido completamente ausente na última semana. Aliás, como foi para você? — questionei. — Cuidar do filho de outra pessoa? Assumir essa responsabilidade mesmo sabendo que ela não era uma obrigação sua. Você sabe, tia Esme poderia ter recusado minha guarda e eu poderia ter ficado com vovô.
— Você está mesmo ligado a Renesmee, não é?
— Eu a amo, Carlisle — contei. — Antes eu pensava que era apenas por entender como ela se sentia, mas vai além disso, sabe? Eu quero cuidar dela, quero ajudar Bella com tudo isso, mesmo que seja apenas para auxiliar Renesmee com deveres de casa. Só não quero me afastar, eu não consigo. Estive preso ao hospital na última semana e, foi a primeira vez que odiei isso, pois eu não podia estar lá com Ariel.
— Você não é o pai dela — Carlisle começou a falar. — Assim como eu não sou o seu, ainda que eu fosse amar ter sido. Mas laços sanguíneos não são realmente importantes, não quando sentimentos podem ser mais fortes do que isso. Esme me contou que a mãe delas foi embora e o pai era horrível, você não tem um traço de DNA daquela menina e a ama como os dois nunca devem ter amado. Não é uma situação fácil, ela tem a irmã que é a pessoa responsável legalmente por ela, mas se você quer ajudar e se Bella concorda com isso, eu não acho que seja um problema.
— Obrigado, por ter ficado comigo e por ter sido um ótimo tio.
Carlisle deu uma batida em meu ombro.
— Eu não duvido de que Bella irá conseguir criá-la muito bem, mas ainda assim ela precisa de uma influência paterna, Edward. E você é o mais próximo disso agora, Charlie com certeza não foi uma boa base referencial.
— Por tudo que eu sei ele não foi mesmo. — Suspirei.
— Agora vá se divertir um pouco — ele ordenou. — Ao que parece estou te roubando de um encontro.
— Eu odeio Rosalie. — Bufei, indo até o sofá onde Ângela estava com Alice e meu primo.
— Edward, por que você nunca me contou que tinha um primo tão maravilhoso assim? — Alice perguntou me lançando um olhar zangado, Jasper tinha sua mão repousada sobre a coxa dela, eu não duvidava em nada que eles acabariam a noite juntos, era muito a cara dos dois fazer aquilo.
— Sou maravilhoso é? — Jasper perguntou a ela, que sorriu largamente para ele, Alice se inclinou para sussurrar algo no ouvido dele.
Eu senti vontade de vomitar por estar no meio do flerte dos dois.
— Então, Ângela, você fez faculdade onde? — perguntei.
— Em Seattle — respondeu, parecendo grata por ter alguém com quem conversar. — Então voltei ano passado para Forks para começar a dar aulas.
— Está gostando? — Meus olhos percorreram a sala, Bella estava com Esme ainda, as duas conversando e rindo.
— Dar aulas é maravilhoso! — exclamou animada, arrumando os olhos grandes demais em seus olhos, eram escuros, mas ainda assim não tinham o toque de chocolate que Renesmee tinha. Procurei por Ariel e ela estava remontando o avião com Alec, provavelmente brincar com o lego o destruiu.
— Meu pai era professor de literatura inglesa em uma universidade. — comentei.
— Onde ele dá aulas agora? — ela perguntou.
A encarei.
— Ele está morto — esclareci.
— Ah Edward, sinto muito — falou constrangida, segurando em minha mão.
— Tudo bem. — Forcei um sorriso. — Faz muito tempo. — Afaguei sua mão por um instante, então soltei. — Vamos, me conte mais sobre a universidade de Seattle — pedi e, ela falou e, falou sem parar.
***
Eu estava na cozinha de Rosalie quando Emmett apareceu, carregando algumas louças sujas, quase deixei o pedaço de pizza que eu comia cair quando vi alguém entrando ali, mas me recuperei quando vi que era meu amigo.
— Por que está se escondendo aqui, Edward? — perguntou pegando uma cerveja na geladeira.
— Estou fugindo de Ângela — admiti. — Ela é muito chata. Acredita que ela falou que eu deveria ir à igreja do pai dela, que é pastor, para rezar por meus pais? Sério, quem dá uma dica dessas para alguém que acabou de conhecer? — Bufei. — Eu disse que ia ao banheiro, ela deve estar pensando que estou com uma bela dor de barriga.
Emmett riu, recostando-se a geladeira.
— Rosalie fez uma péssima escolha, não?
— Péssima — declarei irritado. — Desculpe, mas eu odeio sua esposa agora, talvez ela devesse se divorciar de você e casar com Ângela já que gosta tanto assim dela.
— Foi mal por sua noite ter sido um fracasso — Emmett falou. — Pelo menos Bella está se divertindo, ela está conversando com Mike.
— Com Mike? — Arqueei uma sobrancelha, Mike era tão irritante, como ela poderia estar se divertindo com ele?
— Sim. Cara, sei que você está fugindo de Ângela, mas não vou te deixar entocado aqui dentro pelo resto da festa. Vamos para a sala!
Concordei, preparando meus ouvidos para escutar mais sobre a vida de Ângela.
Ela ainda estava no sofá que estávamos antes, mas Jazz e Alice tinham sumido, eu nem queria imaginar onde estavam e, Bella e Mike eram as outras duas pessoas ali. Emmett estava errado, aquele sorriso de Bella não era real, então ela não estava divertindo, eu não sabia dizer se era por o papo de Mike provavelmente ser chato para ela, ou por ele estar perto demais, o que devia a incomodar.
Sentei entre Bella e Ângela, pedindo desculpas a professora por minha demora e, não foi preciso de muito para ela voltar a falar. Eu encarei Rose do outro lado da sala, que conversava com Emmett, ela me lançou um sorriso amarelo e eu deixei claro pelo meu olhar que estava puto da vida com ela.
Senti Bella se movendo para longe de Mike quando ele se aproximou mais dela, pelo que ouvi ele falava sobre os lábios dela. Mike não devia ser um babaca como James, mas ele estava bebendo e eu sabia muito bem que bebida não era algo que deixava ninguém mais lúcido de suas ações.
— Oi Mike, não nos falamos hoje! — Estiquei minha mão para ele, interrompendo o discurso de Ângela sobre um filme israelense que ela tinha assistido noite passada.
— Oi Edward. — Apertou minha mão, eu coloquei meu braço sobre o sofá atrás de Bella, ela aproveitou para se afastar mais de Mike com aquilo, seu corpo quase encostando no meu. A respiração dela não era a das mais calmas e suas mãos tremiam.
— Como tem ido? — perguntei. — Você já conhece Ângela? Ângela, esse é o Mike...
— Já fomos apresentados — Ângela disse, ouvi chateação em sua voz.
— Ah claro. Bella? — a chamei.
— Sim? — A voz dela também estava trêmula.
— Você já viu Renesmee comer essa noite? Eu ainda não a vi comer, talvez devêssemos levar ela para comer — sugeri e no mesmo instante Bella estava de pé.
— Vou com você, ainda não comi nada — falei. — Nós falamos depois, Ângela. Mike, você poderia conversar com ela, não? — Mike, deu de ombros e se aproximou de Ângela.
Chamei Ariel e Alec para a sala de jantar e, Bella e eu os servimos com o jantar, uma vez que os dois antes estavam ocupados demais brincando para comer qualquer coisa. Assim que eles estavam distraídos Bella foi para a cozinha, ficando apoiada na pia.
— Tudo bem? — perguntei preocupado.
— Sim, é que Mike estava falando todas aquelas coisas e eu acabei de conhecê-lo. Como eu era bonita, como ele queria me beijar até o fim da festa. E o cheiro de álcool era nojento, James sempre estava fedendo a álcool. — Fez uma expressão de enjoo. — Eu, sei lá, sei que é bobo ter medo disso, que nem todo cara é James, mas...
— Não é bobo — murmurei. — É normal, você acabou de sair de um relacionamento ruim. Mike está bêbado e agindo sem filtro, ele não deveria falar esse tipo de coisa, principalmente dessa forma.
— Obrigada por ter me ajudado a sair de lá — agradeceu. — Pode voltar para Ângela, eu fico com Ness e Alec.
— Não, nem pensar — falei alarmado. — Ângela é muito chata, eu não aguentaria mais um instante perto dela.
Bella riu, ligando a torneira e molhando seu rosto.
— Eu adorei sua tia, posso roubá-la para mim? — perguntou.
— Toda sua — falei.
Bella e eu ficamos ali até as crianças terminarem de comer, falando sobre nossas semanas e, estava contente dela não querer me arrastar para uma igreja para rezar por meus pais, ou falar sobre filmes israelenses. Quando voltamos a sala sentamos junto de vovô, Renesmee parecia sonolenta e se aconchegou no colo de Bella, enquanto a irmã dela estava focada nas histórias de exército de vovô.
— Gente, um minuto da atenção de vocês! — Emmett chamou a atenção de todos na sala, todo sorridente, puxando Rose para seus braços. — Eu queria agradecê-los por terem comparecido aqui nessa noite tão especial para Rosalie e eu. Como todos sabem, é nosso aniversário de dez anos e, eu não poderia estar mais feliz.
Rosalie sorriu para ele, um misto de felicidade e orgulho em seu rosto.
— Rosalie, minha amada esposa, a cada dia que se passa eu tenho mais certeza de que eu não seria feliz sem você ao meu lado. Eu amo você, Ursinha. — Bella sorriu, me dando uma cotovelada quando eu fiz menção de rir. — E, eu me sinto honrado por ser seu esposo e pai dos seus filhos. Então, aqui, na frente de amigos e família, quero dizer o mesmo que disse em nosso casamento dez anos atrás: eu sempre cuidarei e te amarei e, por favor, me deixe partir antes de você, pois eu não suportaria lhe perder.
Rosalie arfou, então se agarrou a Emmett, todos aplaudiram e vi Bella limpando lágrimas discretas em seu rosto.
A festa não demorou muito para acabar depois daquilo, logo todos os convidados foram indo embora e, eu me vi livre de Ângela, eu nunca mais deixaria Rose arranjar um encontro para mim. Meus tios pediram que Bella e Renesmee fossem visitá-los em breve e, Jasper foi embora no carro de Alice.
— Vou deixar vovô em casa, então volto para buscar você e Ariel — falei para Bella, que concordou, Nessie estava sentada em um sofá com Alec, os dois comendo mais doces.
Deixei vovô em casa, certificando-me que ele estava bem, então voltei para a casa dos McCarty. Os pais de Emm tinham ido fazer Jane dormir, Alec ainda comia e, Renesmee tinha desmaiado ao lado dele no sofá, cansada demais para continuar acordada.
— Desculpe pelo péssimo encontro, Emm contou que Ângela era chata.
— É, talvez ela fosse legal e, eu fosse o chato. Falei que não estou com cabeça para arranjar ninguém — falei para Rose, a ajudando a levar o lixo para fora.
— Mesmo assim, desculpe, eu prometo não arranjar mais encontros para você. Mas, bom, nossa aposta continua de pé — falou convencida. — Melhor você levar Renesmee e Bella logo, Nessie está exausta.
— Eu vou.
— Edward? Eu acabei falando a Bella que você não bebe, não contei sobre o motivo por trás disso, mas ela tem uma duvida em sua mente agora. Bom, só no caso se você quiser falar com ela.
— Tudo bem.
Nós voltamos para o interior da casa, onde Alec ajudava o pai a recolher os copos e louça suja.
— Você pode carregá-la até o carro? — Bella me perguntou, sentada ao lado da irmã. — Eu não vou conseguir — falou.
— Posso sim. — Peguei Ariel no colo.
Bella e eu nos despedimos de todos e saímos. Coloquei Ariel no banco de trás e Bella entrou ali para ir com ela, mantendo a irmã em seu colo.
Não falamos nada até o caminho da casa dela, lá eu novamente peguei Renesmee no colo e deixei Bella ir a frente. Ela me conduziu pelo interior da casa até o quarto de Ariel, ajudando-me a colocar a menina na cama, tirando a roupa dela e, a colocando em um pijama. O sono de Renesmee era resistente, ela nem piscou com todo aquele movimento.
— Eu conversei com Carlisle — murmurei, afagando os cabelos de Renesmee, observando-a ressonando. — Sobre cuidar de alguém que não é nosso filho.
Senti Bella me encarar no escuro do quarto
— Ele disse que sentimentos são mais fortes do que DNA, eu concordo com ele. — Olhei para Bella. — Eu sei que você está com medo que eu vá embora, sei que eu disse que não vou, mas você ainda é a tutora de Ariel e pode me pedir para ficar longe dela, até mesmo juridicamente. Por favor, não me peça isso — implorei, sentindo o desespero em minha voz.
Bella balançou a cabeça, afagando o rosto da irmã.
— Ela te ama também, eu não seria tão insensível assim os afastando. — Beijou a bochecha da irmã. — Vamos deixá-la dormir — falou e eu a segui para fora do quarto.
— Eu acho que posso ter aquele desabafo agora — eu disse quando chegamos ao primeiro andar.
Bella concordou com um aceno de cabeça.
— Quer um chocolate quente?
— Adoraria.
Nós fomos para a cozinha e, rapidamente ela fez o chocolate quente, servindo a nós dois. Ficamos sentados em silencio à mesa da cozinha, até que comecei a falar.
— Meus pais morreram em um acidente de carro quanto eu tinha doze anos de idade, era Dezembro e eles tinham saído para uma festa de confraternização da Universidade onde meu pai dava aulas. Eu fiquei em casa, com uma babá, eles ainda não confiavam que eu pudesse ficar só. — Revirei os olhos, bebendo um pouco do liquido quente. — Quando eles estavam voltando da festa, se envolveram em um acidente causado por um motorista bêbado, meu pai morreu na hora. — Engoli em seco. — Mas minha mãe chegou a ser socorrida e levada para o hospital.
Apertei minhas mãos envolta da xícara, dando a mínima para o fato de estar quente.
— Ela ainda estava viva quando a babá me levou para lá, mas eu fiquei sozinho porque a babá era só uma garota do colegial de dezessete anos. A psicóloga veio e me contou sobre a morte de papai, mas ela disse que mamãe estava passando por cirurgias, que ela poderia sobreviver. Não resistiu, obviamente. — Suspirei. — Então, minha guarda foi para tia Esme e, ela e Carlisle me levaram com eles para Chicago.
Bella apenas me observava, seu chocolate quente ainda intocado.
— Eu os amava, sempre os amei. No começo foi horrível me acostumar a tudo aquilo, eu tinha momentos péssimos, mas acabei conseguindo me manter bem. Até o penúltimo ano do colegial.
— O que aconteceu? — Bella perguntou preocupada.
— Eu comecei a querer aproveitar a vida, eu não estava realmente me importando com muita coisa, nem mesmo comigo. Minhas notas estavam péssimas, eu ia a todas as festas e, Carlisle e Esme não estavam dando conta de mim, nem mesmo vovô conseguia. Eu me sentia livre, eu não tinha mais meus pais e, não queria receber ordens de ninguém.
— Uma fase rebelde, eu conheço isso — Bella disse.
— É, mas eu fui um imbecil completo. Estava deixando uma festa certa vez, completamente bêbado e, dirigi mesmo assim.
— Por isso você não bebe — concluiu.
— Eu tive muita, muita sorte aquele dia, Bella — falei. — Mais do que eu merecia por estar colocando minha vida em perigo e de todas as outras pessoas que estavam cruzando meu caminho. Acabei com o carro batendo em uma árvore, algumas ruas de distância da casa de onde eu morava com meus tios e Jazz. Eu desmaiei na hora, mas lembro que meu pensamento era que eu ia morrer ali, como meus pais tinham morrido. Mas, a diferença era que o motorista bêbado inconsequente era eu.
— Você se machucou muito?
— Algumas escoriações e uma fratura na perna — respondi. — Pelo menos por fora eu estava bem, mas isso ferrou minha mente por muito tempo. Eu tive de fazer terapia, só sai quando fui para a escola de medicina. Só consegui dirigir um carro novamente no segundo ano de faculdade, eu morria de medo de causar mais um acidente. Talvez eu deva voltar a terapia, eu estava com meus tios e Jasper no domingo passado e um carro nos fechou e, me senti mal novamente.
— Sinto muito por tudo isso, Edward. — Bella afagou minha mão, eu entrelacei meus dedos aos seus e ela não fez menção de interromper o toque.
— Eu não podia acreditar que fui tão babaca quanto o cara que causou a morte dos meus pais, sabe? — Apoiei minha cabeça na mão livre. — Eu podia ter me matado naquele dia, ou matado alguém, nunca me perdoaria se tivesse machucado outra pessoa, se tivesse destruído uma família. Foi quando eu voltei a querer ser médico, parei com as festas sem sentido, de beber e me concentrei nos estudos. Tinha deixado de lado o sonho de ser médico depois da morte dos meus pais, queria qualquer outra coisa, algo que não me lembrasse de mamãe todo dia.
— Ei. — Bella apertou minha mão, fazendo com que eu a olhasse. — Não chore. — Foi quando percebi as lágrimas em meu rosto e as limpei rapidamente. — Isso tudo passou, Edward. Você não é mais o adolescente inconsequente, entendeu? Você cometeu um, dois erros, mas já está livre para viver sem essa culpa. Sei que perder seus pais foi algo ruim, você era só um garoto, mas não pode se sentir culpado para sempre por isso, não foi sua culpa, foram dois acidentes distintos, você não causou a morte deles.
— Você é uma pessoa maravilhosa, sabia?
— Eu? — Ela negou. — Tudo que eu não sou é maravilhosa. Eu abandonei minha casa, meu pai e minha irmã caçula para ir viver um romance estúpido com um cara que eu pensava ser um príncipe encantado.
— Você cometeu um, dois erros, mas já está livre para viver sem essa culpa — repeti sua fala, a fazendo sorrir.
— Renée foi embora quando eu tinha dez anos, eu a vi partindo — sussurrou, olhando para nossas mãos sobre a mesa. — Ela nem por um momento pensou em me levar junto, muito menos em levar Nessie. — Seus olhos voltaram para meu rosto. — Ela é um tipo de pessoa ruim, James também, você não, Edward Masen, então não aja como um vilão, você não é um.
— Obrigado.
Ela soltou da minha mão, segurando em sua xícara e bebendo um pouco de chocolate.
— Cinema! — exclamei, fazendo Bella me olhar confusa.
— Deveríamos levar Ariel para o cinema amanhã, domingo é seu dia de folga, não é? — Ela concordou. — Quanto a isso, meus horários no hospital já foram reorganizados, nós podemos montar um cronograma.
— Você quer montar um cronograma comigo? — perguntou confusa. — Sério, eu não sou esse tipo de pessoa.
— Hora de aprender a ser. — Eu me levantei, pegando uma caneta e um bloco de notas na bancada da cozinha. — Okay, eu estou livre aos fins de semana agora, então eu posso ficar aos sábados com Renesmee enquanto você trabalha. — Bella apenas me olhava escrevendo no bloco.
— Bela letra, pensei que era toda sem sentido igual a dos outros médicos.
— Papai era professor, lembra? Ele arrancaria meus dedos se eu não tivesse uma boa caligrafia. — Ela riu. — Domingos estamos todos livres, então não vamos criar rotinas para os domingos, ah não ser que queira ir a igreja do pai de Ângela. — Brinquei.
— Não, não é meu estilo.
— Segunda eu tenho plantão das sete da manhã às sete da noite, então posso vir aqui de noite ajudar Ariel com o dever de casa. Terça eu estarei nos consultórios pela manhã, posso buscá-la na escola e ficar com ela até o fim do seu expediente. Tenho plantão quarta-feira e quinta-feira direto, então não poderia me comprometer esses dias e, na sexta-feira consultório de novo pela manhã, então fico livre pela tarde e pelo fim de semana.
— Você diminuiu sua carga de plantões? — ela perguntou observando os horários.
— Diminuíram para mim, já que eu fui escalado no lugar do médico que foi para Port Angeles nos consultórios. — Era uma meia verdade, quando a pediatria precisou ter seus horários reajustados, eu pedi ao meu chefe que reduzisse meus plantões, para no lugar me colocar nos consultórios, eu não era sua primeira opção, mas ele acabou concordando. O tempo de trabalho era menor e, com isso eu sabia que teria mais tempo para estar com Renesmee.
— Parece um bom cronograma para mim, mas...
— Não complete essa frase, já passamos da fase que você contesta isso, não?
— É, tudo bem, você está fazendo parte efetivamente da vida dela agora. — Bella arrancou a folha do bloquinho de notas e a colocou fixada na porta da geladeira. — Talvez eu possa checar seu avô na quarta e na quinta, depois do trabalho, enquanto você está no plantão mais longo — sugeriu observando o papel, fazendo suas próprias anotações.
— Sério?
— Você está me ajudando, quero ajudar também. Eu posso levar Nessie comigo e fazer comida para ele, o que acha?
— Perfeito — concordei. — O cinema está de pé amanhã?
— Eu posso dirigir seu carro? — perguntou.
— Pode sim. — Eu ri da sua fascinação por meu carro.
— Isso me faz concordar com o cinema. — Sorriu. — Ariel vai ficar radiante quando descobrir.
Eu mal podia esperar para vê-la feliz e, por um momento não soube dizer se estava pensando em Renesmee ou Isabella. Acabei concluindo que era nas duas, eu não podia me importar com Ariel sem me importar com Bella também.
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