Amargo Lar
8 Capítulo Sete — Segura
Notas iniciais

Isabella Swan
Quando James disse que me amava pela primeira vez, foi como se o mundo se abrisse para mim, como se a sombra escura que me seguia desde a partida de Renée se dissolvesse no ar, indo para longe. Eu enxerguei tudo colorido, eu me senti uma nova pessoa, alguém que finalmente era amada, então eu o amei de volta no mesmo instante.
Mas, naquele sábado, quase madrugada de domingo, eu senti a sombra escura voltar. Eu senti como se ela me envolvesse novamente naquele manto sufocante e que deixava tudo sem cor e, daquela vez não era meu pai, nem mesmo Renée, me colocando nela, era James.
A única cor que vi foi o vermelho, figurativo, sangue que pintava seus olhos raivosos. Então, ele me jogou no chão, suas mãos forçando uma pressão ainda maior em meus ombros já doloridos, enquanto eu caia no chão, batendo o quadril na quina da mesinha de centro, caindo sentada no piso. Porém, não era como se eu ainda tivesse um lugar sólido onde me apoiar, era como se eu tivesse sido empurrada diretamente para o inferno.
— Sua vadiazinha! — ele gritou, chutando minhas pernas e coxas, enquanto eu rastejava para trás tentando fugir. Eu podia ouvir Renesmee chorando atrás de mim e, parte da minha mente registrou o fato de que ela tinha se afastado bem a tempo, ou cairia comigo.
— James, não, por favor — implorei, a garganta seca, ouvindo minha voz arranhada. Mas ele não parou, chutando mais forte e mais forte, um chute acertando minha barriga.
O som de uma buzina alta o fez parar por fim, então ele me encarou, aquela altura o rosto inteiro vermelho.
— Você vai pagar caro por isso, sua puta! — James gritou, antes de sair correndo da casa.
Com ele indo embora, foi quando percebi que eu tremia e, o quanto meu corpo inteiro doía. Tentei me levantar, mas não conseguia reunir forças para isso, eu nem mesmo chorava. Só tremia e sentia dor, dor física e mental.
— Bells?
A voz de Renesmee me despertou, fazendo com que meu coração fosse o próximo local do meu corpo a doer. Ela não devia ter visto aquilo, merda.
A garota entrou em meu campo de visão, já tinha parado de chorar, mas encarava-me amedrontada. Ajoelhou ao meu lado, segurando em minhas mãos trêmulas.
— Nessie — sussurrei, era o apelido dela, mas eu nunca usava.
— E-Ele — gaguejou.
— Ele foi embora. — Apertei suas mãos quentes, as minhas estavam extremamente geladas. — Ele foi embora, okay? — Forcei um sorriso a ela, mas Renesmee não o retribuiu, me olhando com seriedade. — Não há nada com que se preocupar, eu prometo — afirmei.
— Ele bateu em você! — exclamou desesperada.
— Eu estou bem. — Levei minhas mãos até seu rosto molhado. — Estou ótima — menti. — Esqueça o que viu.
— Mas...
— Renesmee, você não pode contar isso a ninguém — falei olhando diretamente em seus olhos, eu não queria a cidade comentando aquilo, não queria mais um problema. James tinha ido embora, ele não voltaria, mas não poderia deixar que aquilo continuasse por mais tempo, eu queria esquecer também. — Você promete que não contará a ninguém?
— Sim. — Assentiu. — Eu pensei que você iria embora com ele. — Fechou os olhos.
— Não, eu disse que ficarei com você. Renesmee, olhe para mim! — Ela tornou a abrir os olhos, marejados. — Eu prometo que nunca irei deixá-la.Você ouviu? Eu juro, vou cuidar de você.
Tirei minhas mãos de seu rosto, estendendo o dedo mindinho direito para ela.
— É uma promessa de mindinho, promessas de mindinhos nunca são descumpridas. — Renesmee abriu um imenso sorriso, estendendo o seu para mim, então os unimos. — Eu nunca mais te deixarei para trás, irmã.
Renesmee me abraçou, fazendo com que o ombro onde ela apoiou sua cabeça doesse ainda mais, porém relutei contra a vontade de afastá-la. Eu podia suportar aquela merda de dor, mas eu sabia que de uma forma que nunca imaginei, Renesmee poderia me ajudar a cuidar da confusão na minha cabeça.
— Suba! — Ainda com um sorriso falso em meu rosto, a orientei. — Escove os dentes, coloque um pijama e vá para cama. Você já deveria estar dormindo. — Ela olhou em duvida para mim, como se eu fosse sumir no meio da noite, ou apanhar mais, nenhuma das opções estava em minha lista de desejos. — Vá. — Pisquei para ela.
Renesmee pensou naquilo por mais um tempo, então concordou, saindo da sala. Com ela fora do cômodo eu pude me levantar, deixando gemidos de dor escaparem sem me preocupar com que ela ouvisse. Minhas pernas estavam bambas, minhas coxas doíam muito e minha barriga latejava. Em meus ombros era como se eu ainda pudesse sentir os dedos dele, apertando.
Comecei a andar, sentindo uma fisgada no local que bati na mesinha. Ignorei, indo até a porta, a abri, vendo que na rua estava tudo silencioso, pelo horário todos os vizinhos já deviam ter ido dormir. E, no meio do gramado feio, estava uma mala, a mesma que eu tinha levado quando deixei Forks.
Fui até lá, encarando o frio e a dor, para buscar a mala. A ergui do chão, então voltei meu olhar para a casa que eu tinha abandonado anos antes, aquele seria meu lar a partir de então.
***
Eu tomei um longo banho quente, sentada no chão, pois ficar em pé doía demais. Foi quando eu deixei as lágrimas virem, mas eu não me permiti pensar muito, apenas recostei minha cabeça na parede, deixando a água aplicar seu efeito tranquilizante sobre meu corpo, funcionou até que eu estivesse sob a gelada, então desliguei o registro e sai do box.
Meu corpo estava tomado por marcas, eu ainda tinha um hematoma claro no braço, da minha última briga com James em Seattle. Só que, ele tinha ganhado outros companheiros, um em minha barriga, então dois na minha coxa esquerda, um na direita e um na perna esquerda, em meu quadril o último. Os ombros tinham marcas vermelhas das mãos de James, as marcas de seus dedos impressos em minha pele.
Aquilo tudo me deixou com nojo de mim mesma, então apenas me enfiei em uma das roupas de dormir que estavam na mala e sai do quarto. Ignorei o quarto que antes era de Charlie e, que um dia Renée dividiu com ele, não queria entrar ali.
Antes de descer e conquistar meu espaço no sofá, passei no quarto de Renesmee. Ela já dormia, encolhida em sua cama ressonando.
Tentei sair do quarto sem ser pega, mas o barulho da porta me denunciou o que a fez despertar.
— Bells? — ela perguntou, mal abrindo os olhos, caindo de sono.
— Ei. — Encostei a porta, indo até a cama.
— Tudo bem?
— Sim — menti mais uma vez, sentando ao seu lado. — Posso dormir aqui? — Renesmee me encarou no escuro do quarto, então ela se afastou máximo que pode na cama de solteiro, abrindo espaço para mim.
Enfiei-me debaixo do cobertor com ela, Renesmee se agarrou a mim, deixando seu cheiro doce de baunilha me acalmar mais do que a água quente. Eu a abracei de volta, dormindo com ela e, conseguindo me desligar de tudo que tinha acontecido, por pelo menos algumas horas.
***
Liguei para o advogado logo depois que coloquei um sanduíche e um copo de leite para Nessie sobre a mesa da cozinha. Eu estava sem fome, então queria começar a resolver toda aquela situação o mais rápido possível, depois eu tinha de ir atrás de remédios para acabar com a dor que alastrava por meu corpo.
Eu me sentia exatamente da forma como tinha sido tratada, como um cão de rua judiado.
— Senhor McCarty? — perguntei quando ele atendeu. — É Isabella Swan. — Ouvi um choro de bebê ao fundo.
— Ah, olá senhorita Swan. — Sua voz tinha um tom profissional.
— Nós podemos nos encontrar em seu escritório essa manhã, como combinado, não é?
— Podemos — ele concordou. — A vejo lá em alguns minutos?
— Claro. — O bebê chorou mais alto, ele pediu desculpas alegando ter que desligar, então fez aquilo.
Fui até a cozinha, encontrando Renesmee terminando de lavar a louça que tinha sujado.
— Nós vamos sair — anunciei. — Resolver a história da sua guarda com o advogado — expliquei. — Depois nós podemos ir ao supermercado comprar algumas coisas para cá. — Vistoriei os armários, fazendo notas mentais do que era mais necessário naquele momento, eu tinha o dinheiro que iria usar para voltar para Seattle, era quase nada, mas daria para comprar o mais básico. — Charlie por acaso não tinha um cofre cheio de dinheiro, não é? — perguntei a Renesmee que negou com uma careta.
— Não, mas ele guardava algum dinheiro ali. — Apontou para um pote de biscoitos sobre a geladeira. — Ele recebeu uns dias antes de...Morrer — sussurrou. — Então ainda deve ter algo.
Eu fui até lá, ficando na ponta dos pés — o que só me deixou mais cheia de dor —, puxando o pote para mim. O abri, vendo algumas notas ali, não era uma fortuna, mas no momento me ajudaria e muito.
— Isso! — comemorei, devolvendo o pote ao lugar, guardando o dinheiro junto com o que eu tinha. — Vamos, Nessie, eu lhe comprarei biscoitos.
— Sério? — perguntou animada.
— Sim, um pote de biscoitos merece ter biscoitos.
Pegamos nossos casacos nos ganchos perto da porta, eu usava calça jeans e camisas de mangas compridas, enquanto ela estava em um vestido cinza. Botamos nossos casacos e saímos até a picape vermelha e barulhenta.
Dirigimos em silêncio até o escritório do advogado no centro da cidade, enquanto Renesmee estava distraída com a janela e tudo que se passava por ela. O prédio que o local ficava era de três andares, o primeiro pertencia a um escritório de contabilidade e o último a um dentista.
Renesmee e eu subimos as escadas até o segundo andar, depois de falar com ele pelo interfone e o próprio advogado liberar nossa entrada. Era um local pequeno, mas bem arrumado, uma sala de espera com um sofá, uma mesa para uma possível assistente e três portas.
— Olá senhorita Swan! — O advogado me cumprimentou quando entrei, sendo seguida por minha irmã. — Ei, você é a Renesmee? — O tom de voz dele passou de sério para divertido em um segundo quando a viu.
— Sou — Renesmee confirmou, dando um sorrisinho.
— Sou Emmett McCarty! — ele falou, então vi um brilho de reconhecimento no rosto dela.
— Você é irmão da Tia Rose? — O advogado riu com a pergunta dela.
— Não, sou marido dela — esclareceu.
— Espera, você é marido da professora de balé dela? — perguntei, vendo o homem assentir, com a covinha aparente em sua bochecha. — Forks é mesmo uma cidade pequena, não? — Minhas mãos continuavam dentro dos bolsos do casaco. — Podemos ir resolver aquele assunto logo? — indaguei, o advogado voltou a ficar sério e por um segundo vi até mesmo irritação em seus olhos, o que fez com que eu encolhesse um pouco.
— Claro — falou por fim. — Renesmee, você pode ficar aqui. — Ele ligou a televisão que tinha ali na sala de espera em um programa infantil, então me indicou qual das três portas restantes levava a sua sala.
Eu sentei na cadeira que tinha ali destinada aos seus clientes, enquanto ele revirava pastas atrás de papeis, por fim sentando-se em seu lugar. Abri a boca para falar, mas ele foi mais rápido.
— Escute, senhorita Swan, sei que não deveria interferir em suas escolhas pessoais, mas eu peço que repense um pouco mais sobre sua decisão. Sua irmã é apenas uma menina de dez anos, ir para um orfanato pode ser uma experiência terrível para ela. O meu filho mais velho tem dez anos também, eu e minha esposa éramos mais novos do que você quando o tivemos, acredite, foi difícil, mas nós conseguimos, você também pode.
Avaliei aquele homem, me dando conselhos em um domingo de manhã, ele parecia uma boa pessoa. Mas, eu já tinha me enganado antes.
— Eu não vou deixá-la ir para um orfanato — eu contei.
— Nossa, eu te convenci tão rápido? — indagou espantado.
— Não, você não me convenceu de nada — deixei bem claro. — Eu decidi isso ontem, depois que nos falamos. — Passei a mão pelo cabelo, sentindo meu ombro arder com a dor, eu precisava de remédios. — Você está certo, em todo caso, ela é só uma criança e eu seria uma cretina a deixando para trás. Não vou fazer isso, então você pode atear fogo nos papeis que me fazem deixar de ser a tutora legal daquela menina, me dê os que me darão o direito perante a justiça de cuidar dela.
Ele sorriu largamente, a covinha em seu rosto ficando mais aparente ainda. Rasgou e fez uma grande bola de papel com os documentos em sua mão, jogando no cesto de lixo, então digitou por alguns minutos em seu notebook e, papeis novos saíram por sua impressora.
— Você pode assiná-los, eu os levarei amanhã mesmo ao cartório para autenticar, então lhe entregarei tudo. — Peguei a caneta e os papeis de sua mão, assinando em todos os locais indicados. — Sobre a venda da casa...
— Ficaremos com ela também — o interrompi. — Quantos seus serviços irão me custar? — perguntei terminando de assinar os papeis.
— Nada — ele disse, recostando-se em sua cadeira.
— Nada? — perguntei confusa. — Mas...
— Não vou lhe cobrar nada, senhorita Swan. — Foi a vez dele de me interromper.
— Não preciso que tenha pena de mim.
— Não é pena. — Guardou os papeis. — Eu lhe disse, fui um pai novo, sei a loucura que é ter alguém dependendo da gente. Sua irmã precisará de você, pelo menos até ter dezoito anos, quem sabe mesmo depois disso. Comida, roupas, educação, casa, lazer e, você terá de ter o máximo para ajudá-la nisso tudo. Estou feliz que tenha decidido ficar com ela, mesmo que isso seja algo assustador.
Senti lágrimas em meus olhos ao ouvir aquilo tudo, mas não quis voltar atrás.
— Minha esposa gosta muito de Renesmee, ela e eu iremos ajudá-la em tudo que for possível, senhorita Swan. Você pode pensar que está sozinha nessa, mas não está.
O encarei, seu rosto sério, mas os olhos carregados de bondade. Desejei que aquele cara de covinha, que usava terno e tinha uma família que ele definitivamente amava, não fosse mais uma pessoa mentindo para mim.
— Obrigada — agradeci.
— Não precisa agradecer. — Ele se levantou e levantei também. — Pode me procurar se precisar de qualquer coisa. — Pegou um cartão em sua carteira, escrevendo algo nele e estendendo para mim. — É o número da minha esposa, ela se chama Rosalie, você pode ligar e contar com a ajuda dela também. — Fez uma careta. — Só não ligue quando estiver passando The Voice, ela é viciada.
Assenti, pegando o cartão e o guardando no bolso do meu casaco.
— Aguente firme, okay? Sua irmã precisa que seja forte pelas duas.
Ele me guiou de volta para a sala de espera, onde Renesmee ria de algum seriado que parecia ser da Disney.
— Espero vê-las em breve, talvez um jantar, Rose adora fazer jantares.
Seu corpo ficou perto demais do meu, quando nós dois fizemos menção de abrir a porta, fazendo com que eu praticamente desse de encontro com a parede ao me afastar dele. Ele me olhou confuso, mas eu não conseguia pensar em uma desculpa decente, só vi sua aproximação e me afastei como um gato correndo de água. Depois da noite anterior, pensar em deixar qualquer um me tocar me dava nos nervos.
— Tudo bem? — perguntou, Renesmee me olhava aflita, mas ela não contaria o que tinha visto.
— Sim, eu só estou um pouco cansada e com certeza com fome, não estou me controlando muito bem agora, na verdade. Eu mataria por waffles. — Forcei minha voz em um tom divertido. — Vamos Renesmee, nós temos muito o que fazer. Até mais, senhor McCarty.
— Pode me chamar de Emmett — ele disse, abrindo a porta para a gente, mantendo-se em uma distância segura.
— Oh, então pare de me chamar de senhorita, eu detesto. Bella está ótimo — falei. — Mais uma vez, obrigada por tudo.
Ele assentiu, apertou a bochecha de Renesmee, que não viu problema naquilo e nós duas saímos de lá.
— Você pega os biscoitos, tudo bem? — sugeri a Nessie quando chegamos ao supermercado. — Eu estarei lá atrás pegando carne e essas coisas.
— Okay, eu te encontro lá. — Ela seguiu para o corredor onde ficavam os doces, enquanto eu ia atrás de carne passei em um corredor com produtos infantis e parei lá, quando tomei banho aquela manhã e, usei o shampoo de Renesmee, acabei com ele. A garota precisaria de um frasco novo, mas eu não conseguia me lembrar da marca.
Joguei meu cabelo para o lado, na tentativa do cheiro despertar algo que fizesse com que eu lembrasse, mas não adiantou muito.
— Então, Jane, qual fralda você deseja? Bom, qualquer uma que segure seu cocô fedido deve servir, né? — Ouvi um cara falar próximo a mim, eu ri de sua fala, pensando em quando Renesmee era um bebê e tinha seus puns fedorentos. Mas, logo em seguida rir pareceu tão errado, não tinha muito humor em minha vida, não analisando os últimos acontecimentos.
Um pai morto, uma divida alta com o hospital, uma irmã de dez anos para criar e, um namorado que tinha me chutado, literalmente. Curvei meus ombros, sentindo a dor espalhar por todo meu corpo.
— Bells, eu não sei qual escolher — Renesmee entrou no corredor, segurando um pacote de biscoito em cada mão. — Edward! — exclamou surpresa, voltei meu olhar na direção de quem ela olhava, vendo o cara que possivelmente tinha falado antes com uma bebê loira no colo.
Ele era alto, muito alto. O cabelo acobreado era uma verdadeira bagunça, seus olhos tinham um tom de verde claro, mas que com certeza eram verdes, seu rosto era bem marcado, livre de barba e ele não era magro, nem tão musculoso, era forte. A menina em seus braços não parecia em nada com ele, loirinha, olhos azuis e não devia ter mais de um ano.
— Ariel! — O homem abriu um grande sorriso, indo até minha irmã e lhe dando um abraço.
— Renesmee! — exclamei ao ver a cena. Quem diabos era aquele cara? Por que ele estava chamando-a daquele jeito? Por que ele estava abraçando ela?
Renesmee desfez o abraço, virando para mim.
— Bells, esse é o Edward. — A voz dela era cheia de entusiasmo. — Edward, Bells é minha irmã mais velha!
— Renesmee, nós precisamos ir. — Segurei no braço dela, disposta a tirá-la de perto daquele cara que eu não fazia ideia de quem era. Então, meu corpo congelou a sentir uma mão em meu ombro, um toque firme, o suficiente para fazer com que doesse, mas principalmente jogando em minha mente mais imagens da noite passada. — Me solte! — gritei, empurrando a mão do cara do meu corpo, colocando Renesmee atrás de mim, com medo dele e, do que ele queria com ela.
— Me desculpe — ele pediu.
— Eu não te conheço, então não me toque! — exclamei furiosa. — E não toque na minha irmã também, entendeu?
— Bells, Edward é legal, eu juro — Renesmee murmurou atrás de mim.
Ah claro, eu conheci um cara legal uma vez e, ele tinha deixado a porra do meu corpo todo roxo. O encarei uma última vez, ignorando seus olhos verdes brilhantes, então voltei a segurar no braço de Renesmee e a puxei para longe dele.
— Ei, espere! — Ouvi a voz dele atrás da gente, aumentei o passo, fazendo Renesmee aumentar o dela também.
— Bells, Edward é médico, ele estava lá quando o papai morreu — Renesmee contou, fazendo com que eu voltasse meu olhar para ela.
— Você o conheceu no hospital? — Parei de andar, o cara vinha até nós apressadamente também, a garotinha em seus braços parecia achar aquilo tudo muito divertido e ria.
— Sim!
O cara chegou até a gente.
— Eu não sou um maníaco — falou diretamente para mim. — Eu conheci sua irmã no hospital, no dia que o pai de vocês morreu. Sou médico, um pediatra. Essa. — Apontou para a menina em seu colo. — É filha dos meus melhores amigos, Emmett e Rosalie McCarty, você o conheceu, não é?
Assenti, mas não soltei Renesmee.
— Rosalie está lá atrás, eu não sequestrei a filha dela, só para que fique claro — ele falou apressadamente.
— Eu não disse que você tinha a sequestrado — rebati. — Acho que não está limpando seu lado.
— Desculpe se a assustei, senhorita Swan. — Eu odiava que me chamassem daquele jeito. — Não foi minha intenção, só queria conversar um pouco. E, eu não machucaria Ari-Renesmee — corrigiu-se rapidamente no final.
— É Bells, eu disse que Edward é legal — ela voltou a se manifestar, sorrindo para Edward. Soltei o braço dela, por fim, menos assustada com aquele cara.
— Renesmee?! — Olhei para trás do tal Edward, médico pediatra que não era um maníaco, uma mulher loira empurrando dois carrinhos se aproximava de onde estávamos. — Ah querida, eu sabia que era você.
— Tia Rose! — Renesmee a abraçou quando a mulher parou perto de nós. Deus, aquela menina abraçava todo mundo?
— Ei, como você está, em? — Rose, a mulher que certamente era Rosalie McCarty esposa de Emmett e professora de Renesmee, perguntou em um tom preocupado para minha irmã.
— Estou bem, Bells está aqui agora. — Renesmee trouxe a mulher para perto de mim, ela com certeza era a mãe da menina no colo de Edward, tinham os mesmos olhos azuis. — Bells, essa é tia Rose.
— Isabella Swan. — Estendi a minha mão para ela.
— Eu acabei de falar com meu marido. — Minha mão continuava suspensa no ar enquanto ela falava. — Ele disse que você estaria com Renesmee a partir de agora. — Ela me analisava tão bem que parecia estar vendo minha alma, o que me assustou.
— Eu estarei — murmurei.
— Bom. — Rosalie sorriu, parecendo aliviada. — Isso é bom. — Ela apertou minha mão, um toque seguro, eu não sentia medo dela.
— Você vai ficar? — Olhei para Edward, que tinha seu nariz apertado pela bebê loira. Não dava para levá-lo a sério naquela posição, eu estava errada, ele não parecia um maníaco.
— Vou — respondi.
— Fizemos uma promessa de mindinho! — Nessie contou, eu sorri, afagando o cabelo dela. Rosalie sorriu para ela também. Edward suspirou alto, parecendo mais aliviado do que Rosalie.
— O que acha de uma parada nas compras? — Rosalie perguntou. — Tem uma lanchonete aqui, nós podemos tomar um café e conversar um pouco. — Seu olhar continuava sobre mim.
— E-Eu — gaguejei.
— Por favor, Isabella — Rosalie pediu em um tom insistente.
— Me chame de Bella — foi minha vez de pedir.
— Eu chamo, se você me deixar te pagar um café.
Suspirei, assentindo. Emmett tinha dito que eu poderia contar com a esposa e, ela parecia igualmente disposta a me ajudar.
— E você não vai querer deixar sua irmã comer esses biscoitos. — Ela tirou os pacotes das mãos de Renesmee, os botando na estante de conservados atrás de si. — São cheios de gordura e açúcar, farão ela ter alguma doença grave antes dos dezessete anos.
— Mas eles são gostosos — Nessie disse chateada.
— Depois eu mostro outros tão bons quanto esses, mas saudáveis, querida — Rosalie prometeu sorrindo gentilmente para ela, Nessie não ficou chateada por muito tempo.
— Eu trafico um gostoso para você enquanto Rose não estiver olhando, Ariel — Edward cochichou para ela, ele tinha andado até minha irmã, que precisava esticar o pescoço para olhar no rosto dele.
— Ei! Você disse que não era um maníaco, não coloque minha irmã em tráfico de doces. — Ele riu, o que me fez sorrir, mesmo que eu achasse que me divertir naquele momento não parecesse certo
— Vem Bella. — Rosalie voltou a segurar minha mão, fazendo-me andar com ela, eu travei alguns passos depois, pois tinha deixado Nessie para trás. — Não se preocupe — Rosalie falou, seguindo meu olhar, para onde minha irmã conversava com Edward. — Ela estará segura com ele.
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