Amargo Lar
9 Capítulo Oito — Controle
Notas iniciais

Isabella Swan
Rosalie era...Eu não tinha bem palavras para descrevê-la, mas confiante era uma boa para se começar. Ela tinha o nariz empinado, um andar seguro e sua voz nunca saia trêmula. Ela sabia o que estava fazendo e, fazia muito bem.
Eu a segui em direção ao lado esquerdo do interior do supermercado, com minha irmã e Edward atrás da gente, eles conversavam, mas eu não conseguia entender o conteúdo do que tanto falavam. Rosalie reservou os dois carrinhos que empurrava, um enorme, enquanto o outro menor.
A lanchonete era algo minúsculo, só para que as pessoas realmente pudessem fazer uma rápida parada em suas compras para comerem algo. Rosalie me conduziu até uma mesa de apenas dois lugares, enquanto Edward, a garotinha em seus braços e minha irmã ocupavam uma maior.
— Oi querida! — Rosalie lançou um sorriso a garçonete que veio nos atender. — Me veja um descafeinado com um pouco de leite, okay? E você, Bella?
— Apenas um café puro — falei para a garçonete, eu estava com o estômago embrulhado desde a noite passada, era complicado pensar em beber ou comer qualquer coisa.
Ela nem precisou anotar os pedidos, se afastando até a mesa onde Edward e Renesmee riam do balbuciar da filha de Rosalie. Eu estava sentada diante deles, tendo um bom local para ficar de olho na minha irmã caso algo acontecesse. O meu olhar encontrou-se rapidamente com o verde brilhante do médico, então eu abaixei meus olhos para minhas mãos sobre a superfície da mesa.
— Não me ache uma idiota por pedir descafeinado, eu detesto, mas ainda amamento, então não posso apreciar um bom café verdadeiro. — Voltei a olhar para Rosalie, que tinha voltado a me analisar também. — Eu devo ser sincera com você, Swan — ela falou em um tom muito sério, como se eu fosse uma criança sendo repreendida. — E, isso é algo que deve saber de mim logo agora, eu sou sincera, com todo mundo. Não vou medir o peso das minhas palavras para não machucar alguém, eu falo, não vou pegar leve.
— Tu-Tudo bem — gaguejei.
— Eu estava muito puta quando descobri que você deixaria sua irmã ir para um orfanato. — Abri a boca para falar, mas ela não se deixou ser interrompida. — E, sei que não deve ter sido fácil a primeiro momento para você com uma responsabilidade tão grande em suas costas, mas ela é só uma criança. Então, meus sinceros pedidos de desculpas por ter te chamado de todos os palavrões possíveis em minha mente desde que meu marido falou sobre você deixando Nessie para trás. Bom, agora você vai ficar e eu não pretendo chamá-la de nenhum outro palavrão, nem mesmo na minha mente.
— Obrigada — agradeci confusa.
A garçonete apareceu com nossos pedidos, a vi depositar um grande pedaço de bolo de chocolate na outra mesa, que Renesmee e Edward prontamente atacaram como se estivessem sem comer por três dias. Era engraçado vê-lo comendo e, ao mesmo tempo tentando manter a bebê longe do chocolate.
— Renesmee me contou que a mãe de vocês foi embora de casa pouco depois dela nascer — Rose continuou a falar, depois de beber um pouco de seu descafeinado. — Mas não é como se ela tivesse necessidade de me contar, as fofocas correm nessa cidade.
— É. — Encarei meu próprio café, pensando em todo o falatório que surgiria se alguém descobrisse sobre o que James tinha feito comigo. — Você não é daqui, não é?
— Ah não, Emm e eu somos de Port Angeles, nos mudamos para cá tem uns três anos, quando ele montou o escritório com um colega que conheceu na faculdade, Michael Newton.
— Mike Newton? Acho que me lembro dele, os pais tem uma loja de produtos esportivos ou algo assim.
— É, Mike virou advogado e abriu o escritório com Emmett aqui na cidade. Ele é o sócio majoritário, na verdade. — Rosalie fez uma careta. — Então nós tivemos de nos mudar para cá, pois Mike não queria mais ficar em Port Angeles.
— Você detesta Forks?
— Não é minha cidade preferida no mundo. — Rosalie sorriu gentilmente. — Não que eu tenha conhecido muitas, mas nós estamos indo bem aqui. Emm no escritório, eu com estúdio de balé. É uma boa cidade para criar as crianças, eu ainda acredito que aqui conseguirei manter eles longe de problemas quando forem adolescentes.
Bebi um pouco do meu café, sentindo dor em meu estômago graças ao líquido quente. Renesmee estava comendo o bolo enquanto ouvia Edward falar sobre qualquer coisa, ela parecia concentrada nas palavras dele e a bebê estava mexendo impaciente no cabelo dele.
— Ela é uma garota encantadora — Rosalie disse, então percebi que ela olhava para o mesmo lugar que eu. — A melhor bailarina da turma, extremamente dedicada, ela pode conseguir uma vaga em uma boa escola de dança se quiser daqui a uns anos e, não duvido que quando for mais experiente seja chamada por alguma companhia importante, tem um futuro promissor. Mas, ela precisa de você agora, Bella.
— Eu sei — murmurei.
— E, acho que você também precisa dela. — A mão quente de Rosalie envolveu a minha, apertei meus olhos, contendo a vontade de chorar. — Você não esteve em casa por alguns anos, não é?
— Sim, eu fui embora de Forks muito cedo — contei, tirando minha mão da dela para beber mais um pouco.
— Eu também sai de casa cedo. — Rosalie me lançou um olhar compreensivo. — Quer dizer, eu fui colocada para fora. — Um sorriso triste tomou conta de seus lábios. — Sabe, meus pais investiram muito dinheiro em mim, a melhor escola de dança de Port Angeles, cursos de balé durante o verão em outras cidades para que eu tivesse um bom preparo, pagaram inscrições caras em competições, eu tinha os melhores acessórios. — Balançou a cabeça, como se pudesse afastar aqueles pensamentos. — E, eu estava a um passo de ser aceita em uma grande escola de dança em Los Angeles, então descobri que estava grávida e, eles me viram como um investimento prestes a fracassar.
Os olhos dela se voltaram para sua xícara de café e, vi eles encherem-se de lágrimas. Peguei rapidamente lencinhos no suporte, entregando a ela, que os aceitou e limpou seu rosto o mais discretamente possível.
— Eles queriam que eu abortasse — sussurrou, eu tinha certeza de que a garçonete distraída com a televisão não a ouvia, nem Renesmee que era agora a pessoa na posse da bebê e, elas riam uma para a outra em seu próprio mundo, mas Edward na mesa próxima sim, eu suspeitava disso graças ao fato dos ombros tensionados do mesmo sob a camisa quadriculada. — Eles me ofereceram um tempo de férias na Europa se eu aceitasse, um agrado. — Seu rosto ficou preso em uma expressão irritada. — E, quando o tempo permitido para o aborto se esgotou, eles surgiram com a ideia da adoção. Foi algo que eu quase aceitei, sendo franca. Ainda era uma garota despreparada, sem um emprego e sem muito o que oferecer aquela criança. Mas eu não consegui. — Rosalie suspirou. — Eu sempre soube de um jeito ou de outro que não conseguiria abrir mão de ter aquele bebê, ele era meu, eu queria.
— Eu sinto muito por isso, deve ter sido complicado.
— Muito. — Rosalie terminou seu café. — Mas Emmett me ajudou, ele foi maravilhoso estando ao meu lado quando não precisava.
— Não? Tipo, ele é o pai, meio que tem obrigação e...
— Não, ele não é o pai biológico de Alec — Rosalie disse. — Mas, ele é o melhor pai que Alec pode ter. O pai dele era só um babaca que eu me relacionei na escola, não está envolvido no jogo.
Arregalei os olhos, era muito o que se processar de uma só vez.
— Rosalie, por que está me contando essa história? Você acabou de me conhecer.
— Eu disse, sou sincera demais. — O rosto dela se iluminou com um sorriso gigantesco. — E, você precisa saber que não é a única com uma família complicada por ai, Bella. Acredite, não é mesmo. Eu não sou uma grande profissional em me livrar, ou livrar os outros de problemas, mas gosto de tentar, por isso quero que possa confiar em mim, por isso estou abrindo meu jogo para você, para que saiba que irei estar ao seu lado em tudo que for necessário. Eu adoro sua irmã, ela é maravilhosa e, eu mesma queria matar seu pai ou aquela namorada idiota dele quando os via sendo uns babacas com Nessie. Ah Deus, eu acabei de falar em matar seu falecido pai, desculpe, isso foi rude.
— Não, acredite, não me atinge.
— Tudo bem. — Rosalie remexeu-se inquieta na cadeira. — Você veio sozinha para Forks? Tem alguém lhe ajudando com Renesmee? Um namorado, noivo...
— Ninguém! — a interrompi. — Meu namorado, ele está fora do jogo também — falei rapidamente. — Ex, na verdade.
Eu tinha de parar de pensar em James como meu namorado, eu tinha de parar de pensar nele de qualquer forma.
— Tudo bem, você não precisa de um cara para criar Nessie, ela pode ter influências paternas fora de casa. — Rosalie olhou sobre seu ombro por um momento para a mesa onde os outros estavam. — Acho que Edward é o primeiro da lista, ele está encantado por ela.
— Como eles se conheceram? Ela parece gostar mesmo dele.
— Edward esteve com ela no hospital logo após a morte de Charlie, ele tentou distraí-la de tudo aquilo e a defendeu da babaca da Sue que estava sendo insensível em um momento tão delicado. Ele pode ser um pouco agitado e impossível de acompanhar a primeiro momento, mas é culpa do café e dos turnos dobrados no hospital. Vai ver como é um cara bacana.
Edward estava de volta com a bebê no colo, enquanto Nessie terminava seu bolo.
— Você já arranjou algum emprego? — Rosalie questionou.
— Não. — Suspirei. — E não acho que vá conseguir um tão fácil, não é como se eu tivesse boas referências.
— Vamos cuidar disso — Rosalie afirmou. — Emmett e eu não estamos contratando ninguém no momento. Mas, Forks está crescendo — disse com um tom de sarcasmo na voz. — Iremos arranjar um trabalho para você o quanto antes. Edward? — ela o chamou em um tom alto.
Edward, que parecia estar esperando por ser chamado, levantou-se e parou ao lado da mesa que ocupávamos.
— Sim?
— Preciso que fique atento caso veja algum lugar em que Bella possa trabalhar, okay? Conhece algum? — ela perguntou a ele.
— Não — respondeu após pensar por um tempo. — Mas eu posso checar no hospital mais tarde, você tem alguma formação especifica? — perguntou diretamente a mim, ri daquilo, claramente uma risada carregada de sarcasmo.
— Não — respondi depois dele continuar olhando diretamente para mim. — Mas estou aceitando qualquer trabalho que possa fazer com que eu pague as contas.
— Okay, você vai conseguir. — Rosalie se levantou, pegando sua carteira e indo até o balcão pagar a garçonete. — Os cafés e o bolo. Não querem mais nada? — perguntou de mim e Edward, para Nessie, ainda alojada na outra mesa.
— Não, obrigada pelo café — respondi me levantando, sendo impossível não gemer com a dor que atingiu meu quadril, eu precisava tomar remédios.
— Tudo bem? — Edward perguntou em um tom sério, passando a bebê para os braços ágeis de Rosalie. — O que está sentindo? — Ele fez menção de tocar em meu cotovelo, mas recolheu sua mão antes disso.
— Eu só estou um pouco dolorida — sussurrei. — Dormi no sofá nos últimos dias, não foi a experiência mais agradável.
— Você precisa ir ao hospital checar isso?
— Não. — Arregalei os olhos. — Sem hospital.
— Tudo bem, não posso te receitar um remédio, mas posso indicar algo para a dor no corpo que possa comprar sem receita. Algo mais? — Os olhos dele estavam focados nos meus, sem qualquer vestígio de diversão.
— Não.
— Vamos, quanto antes acabarmos as compras você pode ir para casa descansar — Rosalie disse em um tom gentil. — Edward, você está de babá hoje. — Devolveu a filha a ele.
Rosalie me levou de um lado para o outro pelo supermercado, fazendo suas próprias compras, colocando algumas coisas no carrinho menor que descobri ser de Edward e me ajudava com minhas próprias compras. Enquanto isso o médico e minha irmã nos seguiam de um lado para o outro e, não pareciam entediados com aquilo em pleno domingo, na verdade ele parecia gostar, talvez pela garotinha em seu colo, ou minha irmã estar lhe enchendo com todos os detalhes do filme que tinha assistido na noite passada, eu estava atenta a tudo que ela falava, mas Nessie não dizia nada sobre James.
Depois de um longo tempo de compras, onde Rosalie se esforçou para me ensinar o que seria melhor para Renesmee comer devido a sua idade e a prática do balé, nós pagamos as compras, por sorte o dinheiro que levei foi suficiente e, deixamos o supermercado. Edward fez questão de colocar as sacolas no carro de Rosalie e, na picape que Nessie e eu tínhamos herdado de Charlie.
— Podemos ir a farmácia? — Ele apontou para o local próximo ao supermercado. — Preciso comprar algumas coisas lá também. — Tirou uma receita de seu bolso.
Apenas concordei com um aceno de cabeça, deixando Nessie com Rosalie e a bebê Jane, que tinha tentado puxar meu cabelo uma dezena de vezes enquanto Edward colocava as compras nos carros.
A farmacêutica ali abriu um grande sorriso quando Edward e eu paramos diante dela próximo ao balcão de remédios, ela tinha o cabelo castanho claro e os olhos em um tom castanho escuro. Usava um jaleco por cima de uma camisa polo e calça jeans.
— Oi Edward, tudo bem? — ela perguntou a ele, ainda sorrindo.
— Claro. — Ele parecia um pouco envergonhado. — E você Jessica?
— Muito bem. — Parecia que a qualquer momento ela podia atravessar o balcão e se atirar nos braços dele. — Não tanto na verdade, sinto sua falta, estava vendo Grey’s Anatomy outro dia e pensei em você, sabe, com todos aqueles médicos.
— Ah claro.
— Nós podíamos sair juntos qualquer dia de novo, o que acha? — Então os olhos dela pairaram sobre mim atrás de Edward, não parecia muito contente com minha presença. — Isso é, se você não estiver ocupado.
— Comigo? Não! — prontamente disse, ganhando um olhar de canto de olho do médico. — Sou só uma conhecida dele.
— Excelente! — Jessica voltou a ficar cheia de animação e ter olhos apenas para Edward. — Então, que tal um jantar?
— Eu vejo um dia que estarei disponível e ligo para você. — Até eu podia sentir a mentira na voz dele. — Pode ver esses remédios para mim? — Entregou a receita que tinha em mãos para ela.
— Vou ter que ver alguns desses no estoque, já volto. — Acenou para ele, entrando na porta atrás de si.
— Você não pretende ligar para ela, não é? — questionei.
— Não mesmo. — Edward se apoiou no balcão. — Eu, meio que estive com ela logo que cheguei a cidade e, bom, não foi como esperado.
— Deveria contar a ela que você não está mais interessado, é feio enganar uma garota assim. — Pensei em James e, fiz um esforço para trancá-lo no fundo da minha mente.
Edward fez uma careta.
— É, você está certa, minha mãe ficaria maluca se soubesse que estou criando ilusões a ela. Mas, é que Jessica é um pouco assustadora, sabe? — falou em um tom de voz baixo para que os outros três clientes espalhados pela farmácia não o escutassem. — Ela disse que já sabia qual seria o nome dos nossos três filhos no segundo encontro.
O encarei, sem acreditar que aquilo pudesse ser verdade.
— Isso é sério?
— Sim, Ashley, John e William. Sendo fraco, ela estava em duvida quanto a William, me perguntou se Patrick não seria melhor.
Eu abafei uma risada com minhas mãos, mas Edward não se importou de rir alto junto com meu riso contido. Jessica voltou e nós nos calamos, mas eu não conseguia mais olhar para ela e não imagina-la em um restaurante com Edward, falando sobre os três filhos deles em um segundo encontro.
— Aqui. — Ela entregou uma pilha de remédios e vitaminas a Edward, o que varreu a animação recém conquistada de mim, eram muitos remédios, ele tinha alguma coisa?
Ele pediu alguns analgésicos para ela, que logo Jessica encontrou e juntou a pilha dele.
— Você pode me esperar perto do caixa? — Ele entregou os remédios para mim, então entendi que ele iria dizer a verdade a Jessica, concordei, indo esperar por ele lá perto.
Aproveitei para pegar absorventes no caminho, eu sabia que não demoraria muito para minha amiga mensal aparecer.
— Eu acho que ela vai fazer um boneco de vudu meu para se vingar — Edward falou ao me encontrar. — Coitadinhos de Ashley, John e William, nunca nascerão.
Apenas sorri, tirando meu remédio do meio dos seus e entregando os outros a ele.
— Então, você se entendeu com Rosalie? — ele perguntou enquanto esperávamos na fila atrás de um homem, uma mulher que era atendida parecia ter problemas em seu cartão.
— É, Rosalie é legal — falei.
— Rosalie é maravilhosa, você vai adorar tê-la por perto. Pode parecer intrometida, sincera e irritante, mas no fundo é só uma mãe querendo cuidar de todos, até daqueles que não são filhos dela. Se algum dia você quiser tomar uma boa sopa, peça a Rosalie — aconselhou.
— Pode deixar. — A mulher no caixa xingou o cartão, voltando a colocá-lo na máquina.
— Queria me desculpar pelo mal entendido de mais cedo, Isabella...
— Bella! — exclamei, ganhando um sorriso torto de Edward. — Não gosto de Isabella, só Bella, por favor.
— Anotado. Como eu estava dizendo, deve ter sido horrível para você ver um total desconhecido agindo daquele jeito com sua irmã, eu fui um idiota, é algo que eu sou às vezes.
— Por que você chama Renesmee de Ariel?
— Ah. — O sorriso aumentou em seu rosto. — Ela tinha essa mochila da Ariel junto de si quando nos conhecemos e, eu disse que a achei parecida com a personagem, o apelido simplesmente ficou. Mas, eu juro que não vou chamá-la mais assim.
— Você pode chamá-la assim. — A mulher finalmente conseguiu pagar suas contas, deixando o homem a nossa frente chegar até o caixa. — Ela parece gostar.
— É bom que você tenha decidido ficar com ela, sei que nem eu, ou Rose e Emm, temos o direito de nos meter em suas escolhas, mas sua irmã está muito feliz que você esteja com ela.
— Está? — eu perguntei, deixando meus olhos encontrarem-se com os dele.
— Muito. — Edward deu um sorriso pequeno. — Ela te adora, Bella, eu não sou a pessoa mais esperta do mundo, mas posso ver isso.
O homem acabou suas compras, vagando o lugar no caixa para Edward que estava na minha frente. Ele entregou os remédios que tinha em mãos para a atendente, então se virou para mim.
— Nós podemos passar isso junto em meu cartão, você pode me dar o dinheiro outra hora caso insista muito nisso. — Gesticulou para o remédio que ele tinha escolhido para mim e, o pacote de absorventes.
— Não vou deixar você pagar por meus absorventes — sussurrei cheia de vergonha
Edward bufou, pegando o pacote e o remédio da minha mão.
— Século XXI, Bella, cresça.
Senti minhas bochechas corando, mas não falei mais nada.
— Você está com seu celular ai? — ele perguntou quando saímos da farmácia, depois de passar a sacola com meus itens para mim, eu tentei pagar, mas ele manteve sua mão longe do meu dinheiro.
— Sim.
Ele parou de andar, bons metros de distância de onde Rosalie esperava pela gente com as meninas.
— Anote meu número? Eu realmente quero que você me ligue caso precise de algo.
— As pessoas em Forks estão bem mais prestativas — comentei para mim mesma, pegando o celular e desbloqueando a tela para gravar seu número.
— É seu namorado? — perguntou vendo a foto que eu tinha com James na tela.
— Não mais. — Coloquei rapidamente na tela de discagem, Edward disse seu número. — Qual seu sobrenome mesmo?
— Masen — respondeu, enquanto eu salvava o número. — Okay, agora você tem meu número, então se precisar de algo com Renesmee, principalmente se ela tiver qualquer problema de saúde, mesmo um espirro, quero que me ligue. Independente do horário, não é como se eu estivesse no mesmo tempo do que o resto do mundo.
— Tudo bem — aceitei.
Nós voltamos a andar em silêncio até a picape vermelha desbotada onde tínhamos deixado Rosalie.
— Nos vemos amanhã — a loira falou para mim.
— Aula de balé, né?
— Sim, isso também, mas amanhã é dia de escola — Rosalie disse. — Você já está pronta para voltar à escola, Nessie?
— Sim! — minha irmã respondeu, ganhando um afago no cabelo de Edward. — Eu realmente não quero perder nenhum dia.
— Ótimo. Você deveria ir conversar com a professora dela, Bella, Nessie esta na mesma turma que meu filho mais velho. Ângela, a professora. — Rosalie lançou um olhar travesso a Edward ao dizer o nome, fazendo com que ele revirasse os olhos. — Vai gostar de te conhecer, agora que é a tutora da Nessie. Nós podemos nos encontrar lá, então eu vou com você na conversa, pode ser um pouquinho assustador a primeiro passo.
— Obrigada. — Agradeci, ganhando um sorriso de Rose e um afago dela em meu ombro, tive de reprimir a vontade de gritar de dor.
Edward pegou Nessie no colo, muito facilmente, a rodando enquanto os dois riam e Jane se esticava nos braços da mãe para participar. Minha irmã e ele ainda riam quando ele parou de rodá-la, ele beijou a bochecha dela e a colocou cuidadosamente no chão.
— Viu? Uma excelente bailarina, ela nem fica tonta! — falou para mim, eu sorri, segurando na mão de Nessie. Ela se despediu de Rosalie e a coloquei no banco do carona da picape.
Eu já estava ligando o carro, quando Edward apareceu na janela dela.
— Cinto, Ariel — falou em um tom sério, os olhos verdes cheios de preocupação. — Nunca ande sem, entendido?
Renesmee assentiu, colocando o cinto.
— Você também, Bella — falou para mim, sem me dar chances de contestar sua medida de segurança. Durante todo tempo que morei em Forks nunca vi um acidente de carro, era a cidade mais parada do mundo. — Esse carro ainda tem permissão para rodar? — ele indagou olhando com um grande vinco em sua testa para a picape.
— Charlie trabalhava em uma oficina e o carro era dele, acho que está seguro.
Edward não parecia seguro disso.
— Uma revisão seria bom, pense nisso — falou para mim. — Ariel, é sempre maravilhoso vê-la. — Se inclinou sobre a janela para beijar a testa dela. — Obedeça sua irmã, entendido? Ela está no controle agora.
— Pode deixar, Bella está no controle — Nessie falou.
— Não ouvi direito — ele brincou. — Quem está no controle?
— Bella está no controle! — Nessie exclamou em um tom divertido.
— Isso, agora sim — Edward comemorou. — Bella, você está no controle agora, boa sorte. — Estendeu a mão para mim.
Encarei sua mão, então tirei a minha do volante, tocando na sua. Ele tinha um toque quente e firme, mas não apertou minha mão de forma agressiva.
— Obrigada, Edward — agradeci, nosso aperto de mão durando uns três segundos.
— Agora estou falando sério, Bella, cinto — falou, novamente sério.
Eu concordei com um aceno de cabeça, colocando o cinto de segurança. Edward se afastou da picape, deixando que eu começasse a manobrar a picape para longe do estacionamento do supermercado.
— Eu disse que ele era legal — Nessie disse cheia de si, sorrindo de orelha a orelha.
— É — foi tudo que falei.
— Ele te achou bonita! — Nessie exclamou entusiasmada.
— O quê? — A olhei por um momento, voltando minha atenção para a estrada.
— Eu perguntei se ele tinha te achado bonita, ele respondeu que muito bonita. — Nessie sorria. — Você o acha bonito?
— Você tem dez anos! — exclamei. — Não deveria estar fazendo esse tipo de pergunta. Não fale mais sobre isso.
— Mas...
— Renesmee, quem está no controle? — indaguei.
— Você — ela murmurou.
— Isso, sem mais perguntas, então.
A ouvi suspirar, mas ficou em silêncio.
A verdade era que Edward Masen era um homem muito bonito, mas eu não estava realmente ligando para isso. O único cara em minha mente era James, não que ele estivesse lá por motivos bons.
Respirei fundo, tentando me sentir no controle de toda aquela situação. Eu precisava, por minha irmã, ficar no controle, principalmente da minha própria mente.
Fale com o autor