Amargo Lar

5 Capítulo Quatro — Netos


Notas iniciais
Não sei se irão me odiar por eu estar vindo com um capítulo do Edward, enquanto querem ver as coisas andando para Bella e Nessie, mas eu tinha de escrever um capítulo do Doutor Masen. Além do mais, peço que tenham calma, principalmente com a Bella. Sei que odiar ela agora parece uma opção muito melhor, mas não vamos esquecer que esse é só o começo da história e como está lá na sinopse temos de ver a Bella lidando com todos os problemas na vida dela, logo amadurecendo e virando alguém forte. Agora, espero que gostem de conhecer um pouquinho mais desse lindo. Boa leitura ♥

Edward Masen

Estacionei o carro de tia Esme na frente da minha casa na manhã seguinte, eu tinha comido asinhas de frango fritas na noite passada, assistido programas de decoração com ela, então peguei no sono em seu sofá. Quando acordei, ela me mandou embora, de forma gentil, mandando-me para casa em seu carro — o meu estava em minha garagem —, checar como Samuel estava e, tomar um bom banho e voltar para casa dela para que pudéssemos recepcionar Jasper.

Eu estava desligando o carro, quando avistei Rosalie e sua filha na frente da casa delas. As duas pareciam radiantes aquela manhã, usando roupas que combinavam e trocando beijos e abraços, enquanto a pequena Jane tomava seu banho de Sol, ou o máximo dele que Forks podia oferecer.

O sorriso que eu dava ao ver as duas morreu, minha mente rapidamente me traiu e pensei em Ariel sozinha, sem mãe, sem ninguém para lhe beijar a bochecha e levá-la para um passeio matinal como Rose fazia tão bem. Eu queria ligar para Carlisle, importuná-lo com um milhão de perguntas para que ele me contasse como ela estava, mas sabia que ele mal devia ter a visto na noite anterior, estava ocupado com o trabalho de qualquer forma.

Sai do carro, chamando a atenção de Rose para mim. Vi ela sorrir e virar Jane em minha direção, fazendo a filha acenar para mim. Eu adorava ter as duas, Emmett e Alec como meus vizinhos. Quando Carlisle conseguiu uma vaga para mim no hospital em Forks, que mesmo sendo uma cidade que estava progredindo, era um lugarzinho pequeno, eu pensei que seria apenas um forasteiro que teria apenas meus tios e Samuel para me fazer companhia.

Bom, eu não podia estar mais errado em meu julgamento prévio. Ganhei os melhores amigos que alguém podia querer, ainda que Rosalie pudesse soar como um serial killer quando eu falava mal sobre a insistência dela em ter um aquário, quando todo mês um peixinho novo morria. Alec fazia a mãe enterrar todos, eles tinham um cemitério particular no quintal.

— Jan, diga olá ao tio Edward! — Rose falou para a filha quando chegou perto de mim, Jane era uma coisinha pequena de um ano e um mês, o aniversário dela tinha sido maravilhoso por conta de tanta comida. Ela era parecida com a mãe, seria horrível se fosse com Emmett, na verdade. Ambas loiras, com olhos azuis brilhantes e cheios de curiosidade.

— Oi Jan, como você está nessa adorável manhã? — Cocei sua barriguinha, fazendo com que ela risse. Oh Deus, eu adorava o som de risada de bebês.

— Ed! — Ela abria e fechava as mãos em minha direção, querendo que eu a carregasse.

— Ah bebê, eu adoraria, mas ainda estou imundo. Odiaria pegá-la sujo, você é uma princesinha, não merece ser carregada por mãos de um plebeu. — Depositei um beijo em sua cabeça, sentindo o característico cheirinho de bebê.

— Plantão difícil? — Rose perguntou com preocupação. Rosalie era uma mãe, eu suspeitava que ela já tinha um instinto materno antes mesmo de seu primeiro filho, ela se preocupava com todos, queria o bem de todo mundo, mesmo que as vezes isso envolvia ela sendo rígida e dando broncas.

— Você nem imagina. — Sorri para ela, querendo a tranquilizar.

— Eu chequei Samuel ontem à noite, ele está bem — Rose falou, mantendo uma inquieta Jane em seus braços. — Jan, não, tio Edward carrega você depois — disse para a filha.

— Emmett e Alec estão ai?

— Sim, Emm está fazendo Alec comer, ele tem estado impossível nos últimos dias. — Rose bufou, Alec era seu filho mais velho, tinha dez anos. Era uma idade complicada. — Ele despensa a comida nos horários certos, mas acha bacana nos acordar nos piores horários alegando estar com fome.

— E essa garotinha? — Voltei a coçar a barriga de Jane, fazendo com que ela voltasse a implorar por meu colo.

— Edward! — Rosalie chamou minha atenção. — Pare de iludir minha filha, você é um quebrador de corações.

Gargalhei, vendo Emmett e Alec saírem de casa em seguida. Alec — ou Alexander como ele detestava ser chamado —, era outra cópia da mãe, mas com os cabelos castanhos escuros.

— Edward, meu homem! — Emmett exclamou.

— Emmett, não — pedi, olhando para os lados, pelo meu bem nenhum outro vizinho estava ali, Emmett adorava me constranger em público.

— Por que você está vestido assim? — Rose perguntou a Emm ao vê-lo em seu terno, Emmett era advogado, ainda que sua estatura fosse própria para a de um lutador de UFC.

— Eu tenho que ir ao trabalho, Mike está em Seattle e tem um caso dele que preciso assumir, sinto muito, Ursinha! — Ele beijou a bochecha dela, Rosalie e Emmett tinham os piores apelidos carinhosos do mundo, eu ficava verdadeiramente constrangido perto dos dois quando estavam em um momento daqueles.

— Mas nós íamos levar os meninos para o zoológico em Port Angeles. — Rose era durona, mas algo em Emmett sempre a fazia amolecer.

— Vocês podem ir, não percam o dia por minha causa — Emmett disse sorrindo para a esposa, querendo animá-la. — Eu prometo que vamos todos juntos outro dia.

— Tudo bem — Rose concordou, ainda chateada com a falta de Emmett. — Você comeu? — ela perguntou a Alec, distraído com seu vídeo-game portátil.

— Papai me deu cinquenta pratas para comer tudo — ele respondeu, ainda distraído em seu jogo.

— Alexander! — Emmett chamou a atenção do garoto.

— Emmett! — Rose exclamou, eu não pude deixar de rir da rotina matinal deles em pleno sábado, era tudo tão leve e bonito de se ver. — Emmett, você não pode suborná-lo com dinheiro para comer.

— Foi só hoje ursinha, eu prometo. — Emmett abriu um grande sorriso para a esposa. — E você. — Se voltou para mim, encarando-me. — Você está me devendo uma partida de basquete, nós temos que ensinar Alec, lembra?

— Claro, assim que eu tiver tempo nós cuidamos disso. — Afaguei os cabelos de Alec, que só ali pareceu me notar.

— Hey tio Edward!

— Oi campeão! — Nós batemos nossas mãos em um High Five. — Você tem que se alimentar direito, ouviu? Ou eu serei obrigado a lhe dar injeções, com agulhas, se lembra das agulhas, né?

Alec tinha conseguido uma bela gripe três meses antes, o que lhe fez precisar de injeções para melhorar. Foi quando o menino declarou que odiava agulhas, não foi fácil lhe aplicar a injeção, precisei que Emmett, Rosalie e uma enfermeira o prendessem a maca. Terminamos o dia com Alec irritado por conta da injeção e eu com um olho roxo, graças ao cotovelo dele ter me acertado durante uma de suas tentativas de escapar da injeção, ser médico não era tão glamoroso quanto pensavam.

— Cla-Claro — ele gaguejou.

— Okay, para o carro Alec — Rose ordenou. — Quero pegar um trânsito tranquilo até Port Angeles — ela falou. — Vejo você mais tarde, Ursão. — Lá estava o apelido constrangedor, ela beijou Emmett rapidamente, então me deu um abraço, com Jane entre a gente protestando para vir até mim. — Oh Deus Jane, Edward lhe pega outra hora, acalme-se — pediu.

Emmett riu.

— Vou ajudá-la a colocar essa trupe no carro, vejo você outra hora, Edward. — Nós batemos nossas mãos em um High Five também, então ele foi até o carro de Rose colocar os meninos no banco de trás.

Afastei-me dos McCarty, seguindo para minha própria casa. Abri a porta com minha chave no bolso, agradecendo por finalmente não ter a perdido por ai e, ser obrigado a usar a reserva que eu deixava sobre o tapete. Um truque ensinado por Rosalie, ela tinha truques muito bons, na verdade ela sabia como arrombar portas e eu nunca ousaria perguntar onde ela tinha aprendido aquilo.

Ouvi o som da televisão na sala de estar, então livrei-me do casaco e dos sapatos, os deixando no armário no hall de entrada. Peguei as correspondências sobre a mesa que tinha ali, provavelmente Rose as colocou para dentro quando veio checar Samuel na noite passada e fui as conferindo até a sala.

E lá estava Samuel, ou vovô Samuel para mim. Ele estava sentado em sua poltrona preferida, uma que ele tinha dito odiar quando fomos comprar, mas que passou a ser o único lugar que ele sentava-se quando estava na sala.

— Oi vô, como você está? — perguntei, tocando em seu ombro, chamando a atenção dele para mim. Sentei no sofá, agradecendo por finalmente estar em casa.

— Mais um atentado, esse povo não para, nosso exército já foi melhor em combater essa gente — Samuel resmungou, apontando com sua bengala para a televisão, onde noticiava um atentado com bomba em um país africano.

Suspirei, aquilo era realmente horrível. Sendo médico eu estava acostumado a lidar com um monte de coisa horrível, mas a situação ali era bem pior.

— É, isso é uma merda. — Deixei as contas de lado. — Mas como o senhor está? — indaguei novamente. — Sentiu alguma dor na perna? Você não expulsou Lauren daqui de novo, né? Ela é sua fisioterapeuta.

Vovô Samuel, era pai do meu pai. Eu o amava, era um grande homem honrado que tinha me ensinado muito na vida. Ele foi um militar, casou-se com vovó Charlotte — que era a pessoa mais adorável do mundo e, que fazia o melhor espaguete —, juntos tiveram meu pai Edward — segundo tia Esme mamãe não era muito criativa, por isso meu nome era apenas uma repetição — e tiveram um casamento feliz até ela falecer quando eu tinha seis anos de idade. Isso quebrou meu avô de certa forma, o que só piorou quando meu pai morreu seis anos depois.

Mas, ele ainda era lúcido, não caiu em uma depressão como eu temi por muito tempo e, continuava o mesmo resmungão de antes. E, adorava me acertar com sua bengala quando eu fazia algo que lhe desagradava, na verdade eu apanhei muito dela durante a fase conturbada em minha adolescência. Ele precisava dela por conta de uma limitação na perna esquerda, que tinha conseguido durante seu tempo no exército, quando foi ferido por uma bala.

Fora isso ele tinha alguns problemas de saúde leves, mas no geral era o Tenente Masen de sempre, forte e orgulhoso demais para se deixar abater. Mas, que tinha tanto pavor de injeção quanto Alec.

— Eu não preciso de ninguém me mandando mexer a perna, garoto! — vovô reclamou, ajeitando o boné Chicago Bulls, nosso time de basquete, em sua cabeça já tomada por fios grisalhos.

— Precisa sim — teimei, me recostando as almofadas.

— O que você tem? Está com uma cara de bosta! — Vovô Samuel não tinha o melhor linguajar, na verdade isso era um grande problema quando eu era pequeno. Papai, sendo um escritor e professor universitário de literatura inglesa, abominava o jeito que vovô falava perto de mim, mas eu gostava, aprendi todos os grandes palavrões com meu avô e, como esconder revistas Playboys dos olhares atentos de Elizabeth Masen.

— Foi um plantão longo — menti, eu já tinha tido plantões muito mais extensos, o que me preocupava não era isso, sim Ariel em algum canto da cidade sofrendo, provavelmente sozinha.

— Você sabe do que precisa, garoto. — vovô falou, acertando minha panturrilha com sua bengala, eu realmente já estava amortecido para aquilo. — Uma garota! — exclamou quando não entendi sua fala. — Há quanto tempo não sai com uma, para falar a verdade, você já saiu com alguma? Deus sabe que se Elizabeth não tivesse tomado a iniciativa seu pai morreria solteiro, não seja um bunda mole como ele.

Eu ri, eu lembrava bem dos meus pais. Enquanto papai era absurdamente tímido, mamãe era totalmente o oposto. Enquanto ele queria falar sobre Shakespere e política, mamãe queria falar sobre garotas e como eu deveria me comportar com elas.

Não seja um cretino com as garotas, Edward. Eu não me importarei em lhe dar uma surra na frente delas caso isso ocorra. Lembre-se, se você machucar uma menina, eu machucarei você, muito! — Ela terminava seu discurso com um sorriso diabólico e, eu obviamente captei sua mensagem.

— Não preciso de uma garota — falei para vovô.

— Um garoto? — ele perguntou desconfortável. — Tudo bem, eu não sou tão velho quanto pensa, Edward, você pode namorar com um cara, irei entender.

— Vovô, eu não sou gay.

— O McCarty te chama de ‘meu homem’, isso não significa nada? — ele ajeitou mais uma vez o boné na cabeça. Eu mataria Emmett, eu definitivamente mataria Emmett.

— Não, não significa, ele é só péssimo com apelidos — afirmei, colocando-me em pé. — Escute, Jasper chega à cidade hoje, tia Esme está fazendo um almoço especial, você vem comigo?

— Não — respondeu prontamente, respirei fundo, eu já esperava por aquela resposta. Vovô Samuel era um homem difícil de convencer, eu tive de passar um mês inteiro lhe ligando todos os dias para convencê-lo a ir morar comigo em Forks.

— Não quer mesmo? Poderia sair da sua dieta e comer algo com gordura, talvez Carlisle faça um churrasco.

— Não. — Vovô repetiu, encarando a televisão.

Vovô não odiava Carlisle e Esme, eu sabia que ele gostava muito dos dois, mas nunca perdoaria o fato de mamãe e papai terem deixado minha guarda para eles, não para ele. Foi um grande caos quando Samuel descobriu que não ficaria com seu neto, depois da morte do filho e da nora, ele chegou a contratar advogados para rever toda aquela situação, mas se deu por vencido. E, estava tão chateado com tudo aquilo, que passou um mês sem me visitar na época, então reapareceu em um domingo, levando-me para um jogo do Chicago Bulls, foi o primeiro dia desde a morte dos meus pais que eu sorri.

— Tem certeza?

— Você é surdo, garoto?

— Vovô...

— Eu ficarei aqui, Edward. A menina McCarty me trouxe comida ontem, suficiente para um batalhão, estarei bem e alimentado. Ah, o menorzinho, Alec, não é? Ele disse que você o ensinaria a jogar a basquete, não deixe o menino esperando, garoto.

Sabia do que ele estava falando, papai sempre dizia que iria me ensinar a jogar basquete, mas acabou falecendo antes disso. Eu nunca o perdoei exatamente por aquilo, sabia que ele me amava, mas ele sempre era muito desligado, ligado em seu próprio mundo de livros e escrita, que por muitas vezes eu não fazia parte.

— Eu sei, irei ensiná-lo com Emmett em breve — falei. — Vou me arrumar, se você mudar de ideia. — Fui interrompido por mais uma vez sua bengala acertando minha perna. — Tudo bem, estou caindo fora.

Ouvi a risada de vovô quando sai da sala.

***

Esme estava tão agitada que eu decidi sai de seu caminho antes mesmo de entrar, ela não via o filho desde o último natal, então sabia que minha tia estaria toda ansiosa para finalmente vê-lo. Jasper era um cara livre, como ele mesmo se descrevia, não parava em um único lugar desde que se formou no colegial e saiu da casa dos pais.

Também era um artista, um excelente desenhista e pintor, como mandava muito bem com um violão e apenas sua voz. Mas seu desenho era sua fonte de renda, a música parecia ser algo diferente para Jasper. Ele até tinha sido convidado para participar de uma banda que tocava em casamentos, mas negou o pedido.

O que eles pensam que eu sou? — ele tinha me questionado quando me contou a história. — Cobrar para tocar em casamentos? Cara, não, isso é errado em tantos níveis. Casamento é para celebrar o amor, minha música é para celebrar o amor, eu seria um covarde movido por grana se aceitasse cobrar dos casais em seu momento especial. Não, definitivamente não.

Então, Jasper se sustentava dando aulas de desenho — quando parava em algum lugar por mais de um mês — e, vendendo seus quadros por ai. Para ser sincero ele era bem conhecido na costa leste, suas pinturas eram bastante famosas por lá. Mas de qualquer jeito ele não precisava de muito para viver, tinha um carro, seu amado violão e o mundo diante de si, isso parecia ser o suficiente para meu primo.

Claro que meus tios detestavam tudo isso, principalmente Carlisle, no começo foi um tormento, principalmente quando Jasper se recusou a ir à faculdade. Porém, Esme e o marido tiveram que compreender que o filho era o tal cara livre, mas ainda não aceitavam muito bem.

— Edward tire os pés da minha mesinha, ou eu não me importarei em serrá-los para fora do meu móvel branco! — Esme gritou para mim, rapidamente recolhi minhas pernas, minha tia e minha mãe sempre foram muito parecidas, eram ótimas com ameaças e melhor ainda em cumpri-las. Eu suspeitava ser coisa de mãe, uma vez que Rose era muito boa em ameaçar também.

— Não podemos comer antes de Jasper? Nós sabemos que ele sempre se atrasa — eu reclamei, sentindo meu estômago roncar.

— Não, nós esperaremos por seu primo — ela disse, passando um pano no local onde meus pés estavam antes.

Bufei, o que fez Esme reprimir uma risada, ela sabia o quão impaciente eu podia ser. Como naquele momento que queria falar com meu tio, sobre Ariel. Porém, Carlisle estava no seu quarto, dormindo depois de seu plantão, esperando pela chegada do filho e, não seria eu que iria ousar acordá-lo.

Esme se virou para mim e, sobre a luz clara da sala, eu me vi totalmente nela. Mamãe e a irmã eram muito parecidas fisicamente, foi do lado materno que eu puxei a maior parte das minhas características físicas, principalmente os cabelos acobreados e olhos verdes. Papai tinha contribuído com a altura excessiva, quase um metro e noventa.

— Não adianta resmungar, Edward Masen — ela deixou bem claro.

— Não estou reclamando. — Dei de ombros, ganhando um beliscão na orelha de Esme, que sentou ao meu lado.

— Você pode conversar com ele?

— Ah não, tia, isso de novo não — implorei. — Sabe como isso termina, Jasper reclamando para mim, eu reclamando para você, então você para Carlisle e nada muda. Escute, nós não podemos fazer nada, deixe Jazz ser o cara aventureiro que ele quer.

Ela revirou os olhos, cruzando os braços.

— Estou envelhecendo, Edward, preciso de netos — falou afetada. — Quero uma casa cheia deles, mas você não colabora passando a maior parte do tempo no hospital e Jasper não para em um lugar tempo suficiente para ter uma família.

— Bom, construir uma família não, mas ele passa tempo suficiente nos lugares para plantar a sementinha. Seus netos podem estar espalhados pelo país — brinquei, ganhando um soco no braço dela, todos estavam decidindo me bater aquele dia.

— Isso foi uma brincadeira estúpida, Edward. Eu arrancaria os olhos de Jasper se descobrisse que ele tem filhos perdidos por ai.

— Os olhos não iriam impedi-lo de ter mais filhos perdidos por ai. — Mais um beliscão na orelha. — Tudo bem, parei, foi mal.

— Eu quero netos! — ela exclamou irritada. — Eu seria uma ótima avó, não seria? Quer dizer, sei cozinhar todos os tipos de doces possíveis, tenho decoradas em minha mente um milhão de histórias infantis e, o mais importante, meu abraço.

— Seu abraço? — Arquei uma sobrancelha, ganhando um abraço de Esme, logo entendi o que ela estava falando, ela tinha o abraço mais acolhedor do mundo.

— Viu? — Ela me largou, sorrindo para mim. — Meu abraço é maravilhoso.

Voltei a abraçá-la, o que a pegou de surpresa, pois quando novamente nos afastamos, eu a vi me olhar de forma questionadora.

— O que foi, filho?

Minha relação com meus tios era confusa, eu os tive como figuras paterna e materna desde meus doze anos de idade, mas já era crescido o suficiente para me lembrar dos meus pais. Então, quando eu era mais novo e me pegava os chamando de pai e mãe, me sentia um babaca por acreditar estar traindo a memória dos meus pais, como se eu estivesse os esquecendo e os substituindo, com o tempo deixei de ligar para aquilo e, parar de me sentir mal quando eles me chamavam de filho.

— Só estava precisando do seu abraço — menti mais uma vez aquele dia, eu queria despejar sobre Esme a história de Ariel, mas sabia o quanto aquilo poderia mexer com minha tia e não queria importuná-la no momento que Jasper finalmente estava vindo os visitar.

— Edward, você sabe que pode contar tudo para mim, não sabe?

— Claro. — Sorri para reconfortá-la.

A campainha tocou, fazendo tia Esme soltar um grito empolgado, pular do sofá e ir até a porta para deixar seu filho entrar. E lá estava Jasper, a última vez que o vi em dezembro, meu primo estava com o cabelo curto e, ele estava em uma fase meio gótica com roupas totalmente pretas e usava até esmalte — tia Esme passou um dia inteiro reclamando daquilo —, mas agora ele estava com o cabelo maior, não chegava aos ombros, mas o suficiente para ele usar um coque samurai e tinha adotado um estilo que eu não sabia dizer qual era, só que incluía muitos anéis nos dedos e uma camisa com estampa feia.

Jazz era um camaleão, sem mais.

— Ah meu amor, você está em casa! — Esme o apertou em seus braços. — E não está usando esmalte. — Checou as unhas dele, fazendo Jasper rir.

Jasper era cinco anos mais novo do que eu, ainda lembrava de quando fui morar com eles, o garotinho ficava me seguindo para todos os cantos, querendo me imitar em tudo. Eu no começo detestava, já era quase um adolescente e Jasper uma criança, mas aprendi que aquilo era legal, que Jazz era legal e, eu sempre podia por a culpa nele quando eu acabava com os biscoitos.

— Eddye! — Jasper exclamou a me ver, eu detestava aquele apelido, mas desde sempre meu primo me chamava daquele jeito e não conseguia fazê-lo perder o vício. — Cara, você está com olheiras monstruosas — falou antes de me apertar em seus braços. — Mãe, cadê o papai? — Ele foi até as escadas, chamando por Carlisle, Jasper parecia ter uma energia inacabável, ele só ficava quieto quando estava tocando ou desenhando.

— Deus, você viu o cabelo dele? — Esme choramingou quando Jasper foi para o segundo andar chamar pelo pai. — Ele não podia ser um engenheiro? Um arquiteto? Não me entenda mal, Edward, mas eu queria que meu filho pudesse ficar mais tempo perto de mim.

Fui até ela, colocando-a em meus braços, eu não tinha o melhor abraço do mundo, mas me esforçava o máximo.

— Você viu o sorriso dele? — perguntei a ela, que assentiu. — Isso não é mais importante, tia? — questionei.

— É, okay, você me pegou — ela falou, abaixando a guarda. — Está certo, o mais importante é que ele esteja feliz. Você fica responsável por me dar netos. — Piscou para mim.

— Tia, eu nem tenho uma namorada.

— O problema não é meu, arranje uma e produza netos para mim.

— Eu vou ganhar asinhas de frango fritas como recompensa?

— Realmente não sei como você não pesa duzentos quilos, Edward. — Tia Esme riu. — Mas tudo bem, quem sabe eu te arranje umas asinhas, se você me arranjar netos.

Tia Esme seguiu para a cozinha, enquanto eu fiquei na sala, pensando em como queria que a neta dela fosse Ariel para que a garotinha pudesse ser sufocada pelo amor que minha tia possuía de sobra.

Notas finais
Como eu tinha dito Amargo Lar terá muito de relação familiar sendo tratada, até porque o nome tem tudo a ver com casa/família na parte do lar, né? Yay, mistério resolvido, Samuel não é filho do Edward, irmão mais novo, nem mesmo um cachorro, Samuel é o vovô Samuel ♥ Quem já leu alguma fanfic Reneslec minha que ele esteja incluindo sabe como o personagem é, ranzinza, mas um amor, tipo o vovô de Up! Eu o imagino como o ator Robert De Niro, mas vocês podem imaginá-lo como qualquer outro senhor que ficaria muito bem dando bengaladas no neto, aliás, tadinho do Edward hahaha E, o que acharam dos McCarty? Já tínhamos visto Emmett em sua figura séria de advogado no capítulo passado. Mas, não se enganem, ele é o Ursão que vai dar cinquenta dólares para o filho se esse estiver deixando nossa amada Rose, serial killer de peixinhos, louca da vida. Falando em Rose, ela é a coisa mais linda do mundo sendo mamãe ♥ Okay, vou parar de falar e ir comer porque tô morrendo de fome. Beijos! Lola Royal. 24.07.16