Amargo Lar

10 Capítulo Nove — Apaixonado


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem com vocês? Capítulo dedicado a Maryland Eiffel que me deu a primeira recomendação aqui em Amargo Lar. Sééério, não sei como agradecer por isso, muito obrigada mesmo! Boa leitura! ♥

Edward Masen

Ariel iria ficar e, eu me sentia como uma criança ao acordar na manhã de natal por isso. Eu não saberia explicar o carinho que eu tinha nutrido tão rapidamente por aquela menina, mas estava lá e não podia negá-lo, só saberia dizer que Renesmee/Ariel era importante para mim, eu queria vê-la bem.

Então, saber que ela não iria para um orfanato, me dizia que ela ficaria bem. Eu tinha ficado absurdamente aliviado quando a irmã dela disse que ficaria, eu realmente quis abraçar Isabella Swan e agradecê-la por ter voltado atrás em sua decisão, mas já tinha sido invasivo antes com meu toque em seu ombro, evitaria contato físico sem consentimento.

Ela, que tinha os mesmos olhos castanhos chocolate da irmã, estava tendo uma longa conversa com Rosalie na mesa ao lado. Ainda assim, eu podia sentir o olhar dela sobre a mesa onde eu estava com Ariel e Jane, ela checava a irmã mais nova a praticamente cada minuto, o que me fez perguntar como ela tinha pensado antes em deixá-la para trás, Isabella não parecia alheia a Renesmee, ela na verdade parecia muito interessada em saber que a sua caçula estava bem.

— Você achou a Bells bonita? — Ariel tinha me perguntado antes, enquanto nós seguíamos a irmã dela e Rose até a lanchonete.

Eu a encarei, mas a garota continuava com um olhar inocente, esperando minha resposta.

— É, ela é muito bonita — respondi baixo, sem querer que Isabella ouvisse, eu realmente temia que ela desse um soco na minha cara ou algo do tipo desde que me viu com Ariel sem saber quem eu era.

— Eu acho ela tão bonita! — Ariel exclamou. — Quero ser como ela quando crescer.

Sorri para a garotinha, Isabella teria um longo trabalho em manter os garotos longe da irmã se Ariel fosse tão bonita quanto ela quando mais velha. Ah Deus, não, eu não conseguia imaginar um garoto cheio de espinhas no rosto querendo algo com Ariel, ela poderia continuar para sempre em sua versão de dez anos inocente.

Nós dois, junto de Jane, seguimos Rosalie e Isabella de um lado para o outro pelo supermercado. Rose parecia muito contente em ter Isabella e, declaradamente em ter se livrado de mim como seu companheiro de compras, ela precisava de outra garota por perto e, eu sabia que ela tinha contado sua história a irmã de Ariel, então também precisava de uma distração de tudo aquilo.

Isabella não era fácil de se ler e, eu desisti de tentar entendê-la naquele mesmo dia. Ela tinha uma risada bonita, um humor ácido, mas ao mesmo tempo parecia assustada com algo e, eu não achava que era pela morte recente do pai, nem mesmo por estar recebendo a guarda da irmã, tinha algo a mais ali a amedrontando, só que eu não saberia dizer o que, talvez Rose tivesse descoberto e decidisse repassar a informação.

Mas, Isabella também se mostrou empática ao abrir meus olhos e dizer que eu não poderia ser um filho da puta egoísta com Jessica a enganando sobre um possível novo encontro. Ela estava certa, obviamente, eu deveria cortar a imaginação de Jessica, antes que ela pensasse em nomes até para nossos bisnetos.

— Então, já pensou em um dia para nosso jantar? — Jessica perguntou em um tom de voz sexy, quando Bella se afastou até o caixa da farmácia, nos deixando sozinhos.

— Jessica. — Eu detive sua mão que brincava com o botão da minha camisa, lançando um sorriso safado para mim. Porra, eu era um homem, ela não podia me provocar tanto daquele jeito, eu não era tão resistente assim. — Eu acho que não está na hora de termos um novo encontro, entende? — O sorriso safado sumiu e ela ficou puta, o rosto vermelho de raiva. — Você é uma garota muito legal, mas eu não estou procurando por alguém agora.

Todos os outros estavam, Rose, Emm, Esme, até mesmo Jasper queria me levar a encontrar uma nova garota, eu realmente não queria. Estava bem sozinho, eu não precisava de uma garota na minha cama, mesmo que sem uma ela ficasse irritantemente fria.

— E, você claramente está procurando por um relacionamento mais sério, sinto muito, mas não posso te oferecer isso agora.

— Claro. — Ela puxou sua mão da minha. — Tudo bem, pode ir agora, Edward — Jessica disse brava, desaparecendo pela porta atrás do estoque.

Eu suspirei, indo localizar Bella na farmácia. Ela estava distraída perto do caixa lendo o que parecia de longe um pacote de absorventes, eu sorri do modo com ela mordia o lábio e seus cabelos caíam por seu rosto, totalmente dispersa ao que acontecia ao seu redor, incluindo o velho que não parava de lançar olhares nada discretos para ela, ele por fim notou que tinha alguém lhe observando e desviou o olhar dela.

— Eu acho que ela vai fazer um boneco de vudu meu para se vingar — falei ao me juntar a ela. — Coitadinhos de Ashley, John e William, nunca nascerão.

Isabella sorriu e, foi impossível não me perder em seu sorriso por uns segundos. Renesmee estava certa, a irmã dela era bonita, muito bonita mesmo.

***

Rosalie me deixou dirigir sua mini van na saída do supermercado, o que não era muito normal. Ela, como boa controladora, sempre gostava de estar no comando, inclusive de seu carro. Quando saía com Emmett ela quase sempre era quem dirigia, ele tinha dito que com o tempo desistiu de lutar pelas chaves, por isso estranhei quando ela simplesmente jogou as chaves para mim e se empoleirou quieta no banco do carona, Rose não era assim.

— Tudo bem? — perguntei, enquanto manobrava para fora do estacionamento, já podia ver a picape de Bella ao longe e, eu sabia que aquele pedaço de metal não era seguro, nem para ela, muito menos para Ariel.

Minha mão formigou ao pensar em Bella, eu tinha praticamente acabado de apertar a sua. Fria, trêmula e macia. Eu não conseguia tirar da cabeça que tinha algo de errado com aquela garota, ela parecia desesperada com alguma coisa.

— Sim — Rosalie murmurou. Murmúrios também não eram de praxe de Rosalie, ela sempre falava em um tom que todos ao redor pudessem ouvir com muita clareza.

— Rose, você contou a Bella sobre Royce, não é? — perguntei baixinho, olhei Jane pelo retrovisor, que brincava com um mordedor.

— Sim, quer dizer, eu não falei muito dele. — Rosalie suspirou, apoiando a cabeça na janela. — Mais sobre meus pais, mas não é como se eles três não fossem um grande pacote indesejável.

— Tem falado com eles?

— Mamãe ligou no dia do aniversário de Jane. — Ela se remexeu no banco para olhar a filha, voltando a sorrir. — Mas eu não atendi, Emm é claro atendeu, sabe como ele tenta ser pacifico com tudo. Ela estava avisando que mandaria um presente a Jane, mandou roupas que não cabem, é claro. Eu não consigo, Edward. — Voltou seu olhar para mim. — Ser gentil e aberta com eles, não quando eles quiseram que eu abortasse, ou entregasse Alexander para a adoção. Ele é meu garotinho, você entende? Eu me jogaria debaixo de um caminhão por ele, sem pensar duas vezes. Alec foi tudo que eu tive no meio daquele caos, com meus pais me odiando, Royce caindo fora e me deixando só. Até Emmett e eu ficarmos juntos, até lá eu só tinha meu filho, ainda em minha barriga, mas eu o tinha e ele me fez mais forte.

Afaguei seu braço, querendo reconfortá-la. Mas, mantive minha atenção na estrada.

— Espero que Bella consiga ser forte pela Nessie, ela parece perdida, não é? — Rose me perguntou.

— Ela não te contou nada? Eu realmente a achei desesperada.

— A mãe delas foi embora quando Bella ainda era uma menina, Charlie era uma merda de pai e ele acabou de morrer deixando a guarda de Nessie para ela, claro que ela está desesperada, Edward.

— É, eu sei, mas sei lá, ela parece tão nervosa. — Apertei o volante, a picape já tinha seguido um caminho diferente ao nosso.

— Ela precisa de um emprego — Rose declarou. — Deve estar louca pensando em como manter a casa e Renesmee sem um. Eu rodarei a cidade com ela amanhã se for preciso.

— Eu ficarei de olho — prometi, checando mais uma vez Jane no banco de trás.

— Você vai ser um excelente pai, Edward — Rose afirmou, mais animada, deixando os pais e o ex namorado de lado.

— Obrigado, mas se isso é para retomar o assunto da professora, eu dispenso.

— Não, é sério — Rose comentou. — Você é excelente com crianças e, não me diga que é somente por ser pediatra. Deus, você acabou de conhecer Nessie é melhor para ela do que Charlie foi durante toda sua vida. Bella provavelmente não vai querer sua ajuda, mas não se afaste — Rose aconselhou. — Não saia da vida da Nessie, não agora.

— Eu não vou. — Sorri para Rosalie.

— E, bom, talvez eu possa falar com Ângela amanhã sobre você — ela comentou com um sorriso travesso.

— Você deveria se unir a Esme, ela está louca para me arrumar uma garota e lhe dar netos.

— Oh sim, ela está certa, você precisa de uma garota, Edward.

— Eu não preciso — teimei. — Nunca me apaixonei e acho que isso nunca acontecerá. Posso ter apenas encontros casuais pelo resto da vida, ou seja, só sexo e nada mais.

Rose me encarou, aproveitando o sinal fechado que paramos.

— Aposto cinquenta dólares que você se apaixonará. Eu te dou até o ano novo para bater na minha porta e despejar em cima de mim que está apaixonado, então eu irei rir da sua cara, pegar meu dinheiro e ir te ajudar a conquistar uma garota.

— Fechado! — Nós apertamos nossas mãos.

— O dinheiro mais fácil da minha vida. Ouviu Jane? Aproveite o tio Ed bem, logo ele estará por ai atrás de uma garota que irá roubar o coração dele.

Isabella Swan

Arrumar.

Era disso que eu precisava, eu tinha de arrumar a bagunça em minha cabeça e, definitivamente tinha de arrumar aquela casa. Renesmee me ajudou com aquilo, ela era com certeza muito diferente das outras crianças e não reclamou por isso.

Nós limpamos, jogamos fora, trocamos. No fim do dia a casa parecia mais habitável, mais clara e, menos assustadora. Ainda que eu pudesse lembrar com clareza de Renée indo embora pela porta da frente e, dos gritos dela e de Charlie.

— Você vai dormir aqui hoje? — Renesmee perguntou quando terminamos de arrumar o quarto que pertencia a Charlie.

— É, o sofá não é nada confortável e eu não posso ficar roubando sua cama — falei, pegando a roupa de cama suja e a enfiando em um saco de lixo, quanto menos de Charlie melhor.

— Você pode roubar minha cama quando quiser — Nessie disse, fazendo com que eu sorrisse.

— O que você quer para jantar? — perguntei enquanto descíamos para o primeiro andar.

— Macarrão com queijo — respondeu prontamente, fazendo com que eu risse.

— Ness, você não pode comer macarrão com queijo todo dia.

— Só hoje, por favor — implorou.

Parei no fim da escada, olhando para ela que continuava nos degraus. Ela era linda, pequena, delicada e tinha um sorriso que eu estava encantada. Eu nunca pensei que pudesse gostar tanto de Renesmee, eu não era próxima dela antes, mas aqueles dois dias com ela me mostraram que não podia ser tão distante da minha irmã quanto pensei durante anos.

— Vamos Ariel, eu lhe darei macarrão com queijo. — Segurei na mão dela, vendo seus olhos brilharem com a menção ao apelido.

— Eu adoro esse apelido — afirmou.

— Você gosta mesmo do Doutor Masen, não é?

— Ele é tão divertido! — Renesmee proclamou empolgada. — Nós podemos ver ele outras vezes?

Pensei no número dele salvo em meu celular, então respondi:

— Sim, nós poderemos ver ele novamente.

***

Nós acordamos atrasadas no dia seguinte. Renesmee, pois o despertador dela não tocou — segundo sua alegação —, eu pois não estava acostumada a acordar tão cedo, somado ao fato de ter tomado os remédios no dia anterior para conter a dor que estava sentido. Eu preparei um lanche para ela levar e, coloquei cereal e leite em uma vasilha para que ela pudesse ir comendo durante o caminho até a escola.

Era um péssimo jeito de começar a manhã, eu sabia que Rosalie não acharia aquilo muito adequado. Ela já estava lá quando estacionei a picape na frente da escola, parada junto de um garotinho de cabelos escuros, próxima a sua mini van.

— Vocês estão bem atrasadas, esse carro tem um seguro? — Rosalie perguntou vindo até nós, torcendo o nariz para a picape.

— Não — respondi, pegando a mochila de Renesmee, a menina parecia carregar duzentos quilos ali dentro. — Bom dia!

— Bom dia. — Rose sorriu para mim, então deu bom dia a Ness e beijou a bochecha dela. — Alec, querido, essa é a Bella — me apresentou ao garotinho, que me olhava curioso.

— Oi tia Bella! — Acenou para mim.

— Não precisa me chamar de tia — murmurei.

— Não, precisa sim, vai por mim — Rose falou, segurando na mão dele e na de Nessie enquanto nós quatro atravessávamos a rua. Muitos pais entravam e saiam da escola. — Alec tem uma imaginação muito alta, ele inventaria um milhão de apelidos para você.

Eu assenti.

— Então, Ness, você e Alec se dão bem? — perguntei a minha irmã.

— Não, ela é uma garota, eca! — foi Alec quem respondeu, fazendo com que Rosalie risse.

— É tão bom que ele ainda pense assim, eu já imagino as meninas correndo atrás dele quando mais velho, isso me tira o sono — sussurrou para mim.

Eu ri.

— Ele só tem dez anos, Rose. — A lembrei.

— Daqui a três já deve estar interessado por meninas, queria que ele fosse pequeno para sempre — continuou sussurrando.

Nós entramos na escola, onde o barulho das crianças era algo que fazia meu ouvido doer. Alec tentou se soltar da mão de Rosalie, mas ela o manteve preso ali e nós fomos até uma das salas no segundo andar.

Uma mulher que devia ter uns vinte e cinco anos de idade estava na porta recepcionando as crianças, ela era alta, magra, longos cabelos pretos presos em um rabo de cavalo seguro e usava óculos de grau grandes. Ela sorria e parecia alguém meiga, suas roupas comportadas salientavam isso.

— Ah Rose, que bom te ver! — ela exclamou ao ver a loira a minha frente, Rose a cumprimentou com um aceno de cabeça e um sorriso gentil, então a professora se agachou diante as crianças para falar com elas. — Olá Alec, fez seu dever de história?

— Ele tinha um dever de história? — Rose perguntou, vi as bochechas do filho dela corarem e contive uma risada.

— Eu fiz, tia Ângela! — Nessie exclamou orgulhosa.

— Muito bem, Nessie! — Ângela parabenizou. — Eu sinto muito por seu pai, querida. — Afagou o rosto da minha irmã, que rapidamente ficou sério. Ela tinha de citar Charlie? Que droga.

— Por que vocês não entram? Nós conversaremos melhor sobre seu dever de história em casa, Alexander. — Rose sugeriu a Nessie e Alec, ele rapidamente entrou, resmungando algo sobre dever estúpido. Renesmee veio até mim, me dando um forte abraço, então seguiu para a sala de aula. — Ângela, essa é Isabella, irmã da Renesmee.

— Ah, olá Isabella! — Ângela sorriu para mim, apertando minha mão.

— Oi.

— Ela vai ser a responsável legal pela Renesmee agora, então achei que seria melhor vocês se conhecerem de uma vez — Rose explicou.

— Renesmee é uma garota fantástica, acho que não precisará ver minha cara para reclamar dela nunca — Ângela disse simpática. — As notas dela estão indo muito bem, um pouquinho de dificuldade em matemática, mas ela tem se esforçado e melhorado. Espero que você e ela sejam forte nesse momento difícil, deve ser tão complicado lidar com a perca de um pai.

Apenas a encarei, ela não sabia a merda de pai que Charlie era, não é? Olhei Rose, que tinha um olhar parecido com o meu sobre aquele assunto.

— Obrigada — falei por fim. — Espero que me comunique caso Nessie precise de qualquer coisa.

— Claro, sem problemas. — O sinal tocou. — Por que você não a leva até a secretária, Rose? É bom avisar eles sobre isso também. E, bom, Alec tinha uma pesquisa de história para integrar hoje, valendo nota.

— É, tire ponto dele — Rose bufou. — Eu me entendendo melhor com ele em casa. Até mais Ângela! — Elas se abraçaram, a professora acenou para mim e Rose me levou até secretária.

Lá, mais condolências pela morte de Charlie, que eu rapidamente ignorei e contei a eles a nova situação de Nessie como minha protegida legal. Não precisamos fazer muita coisa, então logo Rosalie e eu deixamos o prédio da escola.

— O que achou de Ângela? Eu estou tentando armar um encontro entre ela e Edward, acha que eles combinam? — falou desativando o alarme de seu carro.

— Ângela? — Arquei uma sobrancelha. — Ela não parece muito o tipo de garota dele. — Rosalie gargalhou.

— Edward não tem um tipo, contando que a garota tenha peitos e, bom, você sabe o que, ele está dentro. — Ela fez uma careta. — Dentro foi muito subjetivo.

Eu assenti rindo.

— Realmente pensei que ele tinha um tipo, por exemplo, modelos super gostosonas.

— Não, ele não liga muito para estereótipos — Rose abriu a porta de seu carro. — Eu realmente acho que ele e Ângela combinariam. Mas, okay, agora temos que pensar em você.

— Ah não, eu não quero um namorado — falei rapidamente, eu queria distância de qualquer cara.

— Termino ruim? — ela perguntou, fechando a porta do carro e me encarando, novamente como se pudesse ver minha alma.

— Não — menti. — Mas realmente não estou com cabeça para pensar em um cara, entende? Renesmee é minha prioridade agora — falei, sendo totalmente sincera naquela frase.

— Isso é bom, vocês precisam de um pouco de estabilidade nesse momento — Rose abriu a porta do carro novamente. — Eu preciso ir até o estúdio onde dou aulas, pode me seguir até lá? Podemos ir atrás de um emprego para você depois.

— Claro — concordei, indo até a picape e seguindo-a pela cidade.

Como Renesmee tinha dito, o estúdio de balé de Rosalie era ao lado do restaurante de Sue. Eu a avistei lá dentro quando estacionei a picape do outro lado da rua, segui até o estúdio de Rose, onde ela ligava as luzes e, checava se estava tudo em ordem.

— E ai, o que achou? É pequeno, mas foi o melhor espaço da cidade que consegui para montar o local — contou, observei a sala espelhada, não era mesmo grande, mas parecia espaçoso o suficiente, eu estava louca para ver minha irmã ensaiando.

— É perfeito. — Sorri para ela.

— Você fez balé?

— Ah não mesmo, não tinha um estúdio aqui no meu tempo e, duvido muito que Charlie fosse se importar em pagar. — Então, algo se instalou em minha mente. — Rosalie, quais são os dias de pagamento pelas aulas de Renesmee?

— Não se preocupe com isso.

— Rosalie!

— É sério, eu não estou mais cobrando para ser professora dela.

— Você não pode dar aulas de graça a ela — teimei, a seguindo até um escritório nos fundos, havia até um berço ali, então supus que Jane vinha com a mãe para o estúdio.

— Não só posso, como estou afirmando que eu não aceitaria um dólar que seja para pagar as aulas dela. — Rosalie tirou seu casaco, ligou o aquecedor e o computador. — Olha, sei que foi intromissão, mas Emmett me contou sobre a grana que você precisa dar ao hospital, então se concentre nisso e nas despesas da casa, tudo bem? Eu consegui comprar o estúdio no começo desse ano, as coisas estão realmente melhores para mim sem precisar pagar pelo aluguel do local, Renesmee será minha única aluna não pagante, não é como se eu fosse falir.

Suspirei alto, me dando por vencida.

— Você precisa de um currículo — ela falou, apontando para o computador. — Sente sua bunda aqui e comece a produzir.

— Deus, você é muito mandona.

— É, eu sei. Emmett diz que eu ainda serei a presidente do país para poder comandar todo mundo. — Ela apontou para sua cadeira, então fui até lá e comecei a fazer o currículo em seu computador. — Falando nele, onde está esse homem? Meus peitos estão pesados, preciso alimentar Jane! — reclamou, saindo do escritório até a sala de dança.

Eu ainda estava na metade do currículo, sabendo que ele não seria muito útil, quando Rose entrou no escritório novamente, com Jane sorridente em seus braços.

— Emmett teve de ir até o escritório dele, até o fim do dia ele disse que te entrega a documentação de Renesmee — avisou.

Rose sentou-se em uma poltrona perto do berço, enquanto dava de mamar a filha. Ambas totalmente submersas naquele momento tranquilo, até que a porta do escritório foi aberta e, uma mulher entrou de maneira espalhafatosa.

— Porra, Alice, você fez Jane me sujar! — Rosalie reclamou, limpando o leite que espirrou em sua blusa.

— Ai desculpa, eu estava distraída. — A recém chegada guardou seu celular no bolso, então seus olhos se perderam em mim. — Eu conheço você! — exclamou para mim.

A observei. Baixinha, cabelo curto espetado para todos os lados, olhos acinzentados e um rosto totalmente reconhecível, mesmo depois de tantos anos. Era Alice Brandon, a garota mais popular da cidade quando eu estudava no colegial em Forks.

— Deus, qual seu nome? É algo com I, não é? — Ela jogou uma pesada bolsa no chão, então parou diante de mim, com a mesa de Rosalie entre nos duas. — Isobel? Irina? Ah, não, essa é aquela irmã da Kate que saiu com o Edward, não é? — perguntou para Rose, que concordou.

— Alice, essa é a Isabella Swan.

— Claro, a esquisita Swan! — Alice gritou, eu praticamente bati o mouse do computador de Rosalie na mesa ao ouvir aquilo. — Quer dizer, desculpe, isso foi completamente rude. — Ela se desculpou rapidamente.

— Que seja — bufei. — Eu te chamava de vadia, acho que estamos quites.

Ela abriu um grande sorriso, estendendo a mão para mim, a encarei, mas a apertei.

— Eu pensei que você iria para Hollywood ser famosa, era o que dizia para todo mundo — falei, finalizando meu currículo.

Alice riu graciosamente, sentando em uma cadeira diante a mesa de Rose.

— Não, eu tenho sorte de Rosalie ter me aceitado como sua faz tudo aqui. Sou babá, bailarina quando ela não está e o que mais ela quiser. Sabe que pode até me querer como sua amante, Rose. — Piscou para a loira que tinha voltado a alimentar, Rosalie apenas riu. — Eu fui para Los Angeles, de qualquer forma, mas estava sem grana e não conseguia um trabalho. Então, tive de voltar para Forks e morar novamente com meus pais.

— Sua história é mais chata que a minha — Rosalie resmungou. — Não entedie Bella com seu plano fracassado de virar famosa.

— Mas me diga, Isabella, meu rosto não ficaria lindo nas telas dos cinemas? — Alice perguntou empolgada, ela parecia com Nessie, uma grande criança entusiasmada com tudo.

— É, você é bonita, acho que ficaria bem.

— Pois é, os caras de Hollywood não acharam. — Alice fez uma careta. — Quiseram me contratar como atriz pornô, mas eu realmente não sai de Forks para ficar gemendo em frente a uma câmera.

— Além do mais o peito dela é pequeno demais para uma atriz pornô — Rosalie falou brincalhona.

— Isso é injusto! — Alice exclamou. — Nem todo mundo pode ter peitos como os seus.

— Ei, eu também tenho peito pequeno! — exclamei ofendida, Alice olhou diretamente para meu busto.

— Ah Isabella, conta outra, isso ai é maior que os meus. — Ela se levantou, pegando o currículo que eu tinha mandado para a impressora. — Procurando um emprego, então está de volta a Forks? Pensei que você tinha ido embora para sempre com James. Ainda namora ele? Lembro que ele era um grande encrenqueiro — comentou, eu me virei para Alice, só ali lembrando que ela era da turma dele.

Merda!

— Não estamos mais juntos — murmurei, sentindo os olhos de Rosalie sobre mim.

— Ele era um bom namorado? — Rose questionou em um tom desafiador.

— Era, mas ele não estava pronto para assumir tantas responsabilidades comigo. — Levantei, pegando o currículo da mão de Alice e as outras cópias na impressora. — Você pode me chamar de Bella — falei a ela.

— Você pode me chamar de gostosona — ela disse brincando, fazendo com que eu risse, mas Rose continuava séria em seu lugar.

— É melhor irmos, Bella — Rose falou, colocando-se de pé e passando Jane para Alice. — Estaremos de volta até o horário do almoço, Alice, mantenha tudo em ordem e, por favor, não deixe Jane muito perto de você, não quero ela burra — brincou.

— A loira aqui é você — Alice rebateu.

Eu sai com Rose, entrando com ela em sua minivan. Ainda estava colocando o cinto, quando a pergunta saiu de seus lábios.

— James era um cretino não era?

Senti meus olhos encherem de lágrimas.

— É, isso responde minha pergunta. — Rose ligou o carro. — Me deixe ter acesso a uma foto dele qualquer dia, quero saber quem é para que eu possa atropelar. O que ele te fez Bella?

— Eu estou bem — garanti, começando a chorar.

— Não, você não está. — Rose desistiu de sair de sua vaga, desligou o carro e virou para mim. — Seja lá o que esse cara tenha te feito Bella, saiba que eu estou aqui para te ajudar com o que for preciso, okay? Ele te machucou?

Apenas concordei com um aceno de cabeça, fechando os olhos.

— Fisicamente?

— Sim — sussurrei.

— Merda. O quão machucada você está?

— Não muito, eu tomei remédios, são só hematomas agora. Rosalie ele foi embora, não vai mais voltar — afirmei, voltando a olhá-la. — Eu sei que deveria denunciar, mas eu não posso me envolver com a policia agora.

Compreensão tomou conta de seu rosto.

— Isso poderia custar a guarda da Renesmee.

Rosalie apoiou a cabeça no volante, pensando sobre aquilo.

— Nós vamos ter que visitar alguém — foi tudo que ela disse.

— O quê? Emmett? Rosalie, não eu não quero denunciar — insisti.

— Não, um médico. — Ela já dirigia.

— Não vou para um hospital também, ninguém iria acreditar que isso foi um acidente, iriam perceber que eu fui agredida. — As lágrimas corriam sem parar por meu rosto.

— Edward já voltou para casa, ele vai saber o que fazer com você.

— Edward? Rosalie, isso é insanidade, eu não quero Edward envolvido nisso.

— Não estou sugerindo, sabe-se lá o quanto esse desgraçado do seu ex te machucou, um médico precisa checar isso. E, sim, eu entendo que denunciar poderia te deixar com problemas por conta da guarda da Renesmee, mas você deveria repensar isso.

Eu apenas coloquei minha cabeça contra a janela, já arrependida de ter contado a verdade. Não muito tempo depois Rose estacionou diante uma grande casa de dois andares azul clara, nós duas saímos do carro e ela tocou a campainha. Edward abriu a porta, parecendo surpreso ao nos ver.

— Precisamos de ajuda, Edward — Rosalie anunciou, os olhos dele vagaram para mim e, ele parecia ter solucionado um mistério.

— Entrem!

Notas finais
Já podem votar nas reações do Edward quando descobrir o que aconteceu com a Bella...Puto, muito puto, ou bastante puto. O que acharam da Alice? Realmente não sou a maior fã da personagem, então vou tentar fazer dela uma pessoa bacana aqui, mas que não fique apenas fazendo a Bella de Barbie Fashion. Beijos! Lola Royal. 30.07.16