Amargo Lar
16 Capítulo Quinze — Sonho
Notas iniciais

Isabella Swan
Renesmee nem me esperou terminar de fechar a porta de casa para correr até o carro de Edward, claramente se eu tivesse corrido teria escorregado no piso molhado, mas Nessie tinha um equilíbrio maior, graças as aulas de balé. Se eu não fosse dar de cara nos espelhos de Rose pediria a ela que me dessa algumas aulas, mas terminar com vidro me cortando não era muito tentador.
— Bom dia — falei para Edward quando parei perto do carro, estendendo um copo de café para ele. — Aproveite — brinquei.
— Você está me comprando com café para ter meu carro?
— Basicamente. — Fui até o banco do motorista. — Olá querido, eu senti sua falta, você esteve em todos meus sonhos na última noite. — Acariciei o volante, fazendo Nessie no banco de trás rir e Edward se engasgar com o café. — O motor nem faz barulho, isso é tão lindo. — Liguei o carro. — Então, Forks cresceu, mas ainda não tem um cinema, não é?
— Não — Edward respondeu, ligando o rádio. — Teremos um bom tempo a Port Angeles — falou.
— Okay, acho que isso me desanimou, mesmo com esse carro bom. — Suspirei. — Ei, sem One Direction — implorei quando ouvi o som dos ingleses tocando na rádio. — Não tenho estômago para esse tipo de coisa.
— Eu gosto — Renesmee falou, a olhei pelo retrovisor e a vi sorrindo.
— Ela gosta. — Edward deu de ombros. — Não podemos lutar contra essa carinha fofa.
— Você está a mimando — afirmei, mas sabendo que eu também não mudaria a estação, Renesmee sozinha conseguiria ganhar de nós dois muito facilmente.
Edward aumentou um pouquinho mais o volume do som e, eu sabia que ele estava querendo me torturar.
— Então, alguma noticia de Jasper e Alice?
— Não, eles ainda devem estar dormindo — Edward sussurrou para mim, para que Nessie não ouvisse, mas não deu muito certo.
— Já é tarde, eles não deveriam estar na cama esse horário — ela comentou e Edward riu. — Por que você está rindo?
— Papo de adultos, Nessie. — Eu ri também. — Talvez daqui a uns oito anos você possa participar.
— Eu sou nova demais para tudo — ela reclamou.
— Só oito? Isso não é cedo demais? — Edward me indagou com um semblante preocupado.
— Ela já vai ser maior de idade, não é como se eu fosse criá-la como a Carrie que não sabe absolutamente nada sobre a natureza sexual — sussurrei.
— Natureza sexual? — Nessie perguntou do banco de trás.
— Renesmee, conversa de adulto! — exclamei, Edward conteve uma gargalhada. — E, por Deus, não repita isso na escola.
— Aqui Ariel, divirta-se com isso. — Ele entregou seu celular a ela e ouvi sons de jogos.
Com ela distraída, pedi a Edward que me contasse sobre seus pais e, ele contou. A história de como eles se conheceram, se odiaram e depois formaram um casal casava perfeitamente com a imagem que eu tinha de Elizabeth Masen em minha mente. Divertida, explosiva e amável.
Descobri mais sobre o pai de Edward também, que era mais tímido, reservado e segundo o filho sempre acabava se distraindo com muita facilidade com seus livros. Era u escritor, mas Edward disse que ele nunca teve um livro publicado, era apenas um hobby para si mesmo, os textos continuavam em San Diego e Edward não sabia o que fazer com eles.
— Você poderia digitaliza-los — sugeri. — Ou quem sabe reunir todos e pagar por uma impressão em formato de livro, mantê-lo para si de forma mais segura e real, mas eu também guardaria os manuscritos, parecem ser uma relíquia. Seus filhos um dia irão querer ler o que o avô deles escreveu, será uma boa história.
— É uma boa ideia — concordou. — Farei isso dá próxima vez que for para San Diego.
— Por que mantém a casa lá? — perguntei curiosa.
— Apego. — Ele olhava distraído pela janela. — Me mudei muito novo para lá com meus pais, quando papai foi chamado para lecionar na Universidade. Depois que fui para a faculdade lá, eu também morei na mesma casa. O campus não parecia muito atrativo e, eu me sentiria mais confortável em casa. Você não se sente assim? — perguntou, olhando para mim. — De volta para casa, como se fosse o lugar mais seguro e confortável do mundo.
Neguei com um aceno de cabeça. Eu tinha Nessie, mas eu não gostava daquela casa para nenhuma de nós duas. Não apenas pelo fato de estar velha e descuidada, mas por tudo que eu lembrava que aconteceu ali. Renée e Charlie, depois eu sozinha naquele lugar por longas tardes tendo que assumir um papel que não era meu, então James...
— Qual filme veremos? — perguntei em um tom que Renesmee pudesse ouvir, querendo mudar de assunto.
***
Renesmee escolheu o filme, isso queria dizer que Edward e eu passaríamos mais de uma hora assistindo uma animação com animais falantes e altas aventuras. Pelo menos tínhamos pipocas, doces e salgadas e, muito chocolate.
Eu tinha insistido em pagar os ingressos, então Edward exagerou na comida.
— Eu posso ter um cachorro? — Renesmee perguntou quando tomamos nosso lugar na sala, ela ficando no meio. Eu sentei ao lado de uma mulher, que estava junto de três crianças. Eu sabia que o cachorrinho no cartaz do filme iria lhe dar ideias, mal podia esperar por um longo tempo daquele questionamento depois dela assistir ao filme. — Edward você teve um cachorro?
— Não, Ariel, meu pai era alérgico — respondeu com a boca cheia de pipoca, ganhando um olhar feio meu.
— Bells, eu posso ter um cachorro? — Nessie insistiu.
— O filme já vai começar, conversamos sobre isso depois — falei, entregando o balde de pipoca a ela.
O filme não era tão ruim, eu tinha de concordar com isso, mas Renesmee e Edward o aproveitaram muito melhor. No meio da sessão eu já estava servindo de travesseiro para Renesmee, enquanto me concentrava mais nos doces do que nos cachorrinhos falantes na tela.
E, bom, talvez eu quisesse um cachorro também. Nunca tinha sido meu sonho de criança, esse ainda era ir a uma praia na Califórnia, mas era o sonho da minha irmã e queria realizá-lo. Eu queria realizar cada sonho dela, balé, cachorro, faculdade, até mesmo se um dia ela me pedisse para ir à lua, só precisava vê-la feliz.
Depois do filme, nós seguimos para um McDonalds ali perto, Edward não tinha fundo e aparentemente minha irmã também não. Eles pediram refrigerantes, hamburguês e batatas fritas, enquanto eu fiquei com apenas um Milkshake, Rose odiaria a gente por estar comendo tanta gordura saturada.
— Eu posso ir brincar? — Renesmee perguntou olhando com vontade para o parquinho que tinha ali.
— Pode — Edward e eu respondemos juntos e, eu agradeci por nossa resposta ter sido a mesma.
Renesmee sorriu, pegou mais uma batata e correu até lá.
— Fique de olho nela — alertei Edward, uma vez que o parquinho estava as minhas costas. Ele assentiu, concentrado em seu hambúrguer. Peguei uma batata de Nessie e afundei em meu milkshake, a levando a boca sobre o olhar curioso de Edward.
— O que é isso? — ele perguntou.
— O quê? Você nunca provou batata frita lambuzada em milkshake? — indaguei perplexa.
— Não — ele negou ainda horrorizado. — O gosto disso deve ser terrível.
— Edward, não! — exclamei rindo. — Você está ofendendo a melhor combinação do mundo.
Peguei mais uma batata a lambuzando em milkshake e estendi na direção da boca dele, ele tentou recusar, mas pegou parte da batata com os dentes, deixando a outra metade em minha mão. Primeiro ele fez uma careta, mas revirando os olhos no final e pegando mais uma batata para mergulhar no meu milkshake.
— Odeio quando estou errado — falou.
— Tão convencido — cantarolei. — Eu vou começar a apostar para ganhar de você mais vezes.
— Nem me fale em apostas. — Edward voltou ao seu hambúrguer.
— Por quê? Está pensando em ir para Vegas ganhar algo no Black Jack?
— Não. — Ele riu. — Mas apostei algo com Rosalie. — Foi minha vez de rir.
— Você sabe que ela vai ganhar, não sabe? Eu a conheço há pouco tempo, mas ela é a pessoa mais assustadora do mundo de tão confiante que é. — Espero que não tenha apostado seu carro, eu vou sentir falta dele.
— Cinquenta dólares, mas nem é a grana, é que eu acho que não quero que ela esteja certa.
O encarei confusa.
— O que vocês apostaram?
— Que eu estarei até o fim do ano apaixonado.
Assenti.
— Rosalie não pega leve mesmo.
— Nem um pouco.
— Você não quer se apaixonar? — questionei, Edward desviou os olhos para o parquinho, então voltou ao meu rosto e percebi o que estava acontecendo. — Você nunca se apaixonou, não é?
— Não — murmurou.
— E você tem trinta anos mesmo? Eu pensei que os garotos sempre tivessem uma primeira paixão tipo, com doze por alguma professora gostosona. — Ele gargalhou.
— Não, na verdade não. Eu estive com garotas, claro. — Me olhou constrangido. — Mas eu nunca estive de fato com uma, nunca quis tanto alguém dessa forma. Não era difícil interromper um namoro, que sempre duravam menos que um mês, era divertido estar com alguém, até eu cair fora, ou elas caiam fora quando percebiam que eu não ia além.
— Você tem uma influência de casal tão grande com seus pais e seus tios, isso não te faz querer ter algo como eles?
— Acho que é exatamente ai que está o problema. — Deu de ombros. — Meus tios se conheceram e já estavam apaixonados. Meus pais tiveram todo esse ódio e raiva um do outro, até que admitiram que eles se amavam. Eu nunca tive um sentimento tão grande por alguém.
Limpei minhas mãos no guardanapo, pensando em meus próprios sentimentos.
— Acho que isso é até melhor para você — confessei. — Não é tão lindo e radiante como pintam nos livros e filmes, é uma merda e bom, pode ficar pior ainda. — Apontei para mim.
— James é um babaca, você não tinha um relacionamento saudável com ele — Edward falou bravo. — Não misture as coisas.
— Eu era apaixonada por ele, Edward. — Fitei seus olhos verdes. — Desde o primeiro momento, era o garoto novo da cidade, tinha uma família ruim igual a minha e, eu me envolvi de corpo e alma. Ele era um babaca, é um babaca, mas ele foi a primeira pessoa que realmente reparou em mim.
Edward deixou o hambúrguer de lado, com uma expressão de enjoo no rosto, mas eu sabia que não era pela comida.
— O quê? — questionei.
— Como você ainda consegue ver uma centelha que seja de algo bom nele, Isabella? Em James, você se lembra de como estava alguns dias atrás por culpa dele, não é?
Senti as lágrimas em meus olhos, mas não chorei.
— Eu o amei, Edward — sussurrei. — Ele era meu bote salva vidas para a vida de merda que tinha.
— Você não o ama mais?
— Ainda penso nele — admiti. — Ainda sonho com ele e acordo em duvida se o que aconteceu antes foi um pesadelo, mas sei que não foi. Eu sei que eu vivia em função de James, da mesma forma que vivi para agradar Charlie antes, era manipulada e tudo mais, Rose e eu já conversamos muito sobre isso, mas ainda é difícil perceber que os últimos anos foram uma mentira.
As lágrimas foram para meu rosto e as limpei rapidamente.
— É só confuso, eu morro de medo agora, mas ainda tenho lembranças de momentos bons.
— Eu o odeio. — Olhei para Edward que estava bravo. — Odeio o que ele fez a você, não só aquele sábado, mas todas às vezes antes. Você merece um cara que beije seu chão, não que faça você beijar o dele.
— A garota por quem você se apaixonar vai ser uma sortuda — declarei, o fazendo voltar a sorrir.
— E Rosalie ficará cinquenta dólares mais rica. — Ele voltou a comer. — Então, Renesmee ganhará um cachorro?
— Você quer dar um a ela, não é?
— Eu disse, é difícil dizer não aquela carinha fofa.
— Bom, a verdade é que eu acho que eu também quero o bendito cachorro. — Edward me olhou surpreso. — Mas ela e eu podemos esperar até o natal, acho que ficar a enchendo de presentes sem ser em ocasiões especiais é desnecessário.
— Tudo bem, eu aguento até o natal — ele prometeu, puxando meu milkshake para si e passando batatas ali. — Fique de boca calada, Bella — ordenou. — Deixe-me desfrutar disso, depois você zomba de mim.
— Imagine, eu não iria dizer nada.
— Okay, tia Esme me ligou mais cedo para falar que fará um almoço de aniversário na casa dela semana que vem. Cinquenta anos, ela não quer perder a oportunidade de comemorar. E, eu falei que você era ótima com doces...
— Quê?
— Você sabe, os biscoitos.
— Sim, você provou alguns biscoitos e já afirma que sou uma boa doceira. Você é ingênuo, sabe disso, né?
— Ela quer que você faça o bolo, vai pagar pelos ingredientes e por seu tempo. E, claro que você e Renesmee estão convidadas para o almoço.
— Eu devo matá-lo agora, ou depois de pegar as chaves do seu carro?
— Vai, é só um bolo — ele disse. — Trigo, açúcar, algum tempo no forno e uma cobertura. Eu repassei seu número a Esme, ela ligará durante a semana para combinarem tudo, caso não queira é só dizer não a ela. Mas, isso não é fácil.
— Você não merece meu milkshake. — Tirei o copo da mão dele. — Como se fosse possível dizer não a sua tia, ela é tão doce. Eu vou fazer o bolo.
— E estará lá no almoço com Ariel?
— Sim. Como ela está?
Edward olhou por cima da minha cabeça.
— Na piscina de bolinha, agora saiu e foi para o escorrega. Ela podia ficar desse tamanho para sempre, não é? Já pensou como ela pode ser temperamental quando adolescente?
— Não estrague minha fantasia do Peter Pan que ela será pequena para sempre — pedi.
— Qual cachorro você acha que devo comprar?
— Um pequeno.
— Ouvi um labrador? — Ele mergulhou uma batata em meu milkshake.
— Não, eles são grandes.
— Tudo bem, um labrador! — Ele continuou naquela e eu apenas ri.
***
Quando Edward entrou na rua da minha casa, eu logo vi o carro desconhecido estacionado diante dessa, não fazia ideia de quem era e, porque estava ali às cinco da tarde de um domingo. Fui a primeira a deixar o carro, deixando Edward ajudar Nessie e, logo vi uma mulher alta, de pele negra e cabelos cacheados saindo do outro carro.
— Isabella Swan? — perguntou, ela usava roupas formais, em um domingo e, eu sabia que aquilo queria dizer problema.
— Sim — respondi, apertando a mão que ela estendeu a mim, eu sabia que a minha estava suando frio.
— Sou Zafrina Hills, do conselho tutelar.
Suspirei, eu sabia que era um problema.
— Nós podemos conversar? — ela indagou, seus olhos indo para Edward e Renesmee parados ao meu lado.
— Claro — concordei. — Esse é Edward Masen. — Os apresentei.
— Olá! — Ela o avaliou, notando o modo protetor que ele segurava nos ombros de Renesmee. — E você é Renesmee Swan, não é? — perguntou a ela, sorrindo pela primeira vez, ainda assim aquela mulher não me aparentava qualquer conforto, era como um péssimo presságio se anunciando.
— Sim — minha irmã murmurou, provavelmente também notando o perigo de tudo aquilo.
— Nós podemos entrar? — Zafrina me perguntou e, eu concordei mais uma vez, indicando que ela podia ir na frente.
Eu senti a mão de Edward em minhas costas e, não quis que ela saísse de lá, me dando um pouco de segurança naquele momento.
— Renesmee, que tal ir ao seu quarto brincar um pouco? — Zafrina sugeriu quando entramos na sala.
Renesmee me olhou aflita e apenas concordei com um aceno de cabeça, Edward sorriu para ela, então a menina deixou a sala.
— Você deve estar se perguntando o que estou fazendo aqui. — Zafrina sentou-se, Edward sentou e me puxou pela mão para o lado dele.
— É, eu não esperava uma visita do conselho tutelar, principalmente em um domingo — falei. — Algum problema?
— Ainda não — Zafrina respondeu, o que me deixou mais nervosa ainda. — Eu estou aqui para checar Renesmee e, ver como vocês duas estão inseridas nessa nova situação. Quem é mesmo você? — perguntou a Edward.
— É pediatra, ele...
— Sou um amigo — Edward completou minha fala, sorrindo para Zafrina, ela pegou uma agenda em sua bolsa e anotou algo ali.
— Isabella. — Se voltou para mim. — Gostaria que Edward participasse dessa conversa?
— Sim — respondi prontamente.
— Tudo bem. Como tem ido com Renesmee nas últimas semanas?
— Muito bem. Ela e eu estamos nos entendendo, nós estamos realmente indo bem. — Minhas mãos tremiam tanto.
— E você arranjou um trabalho?
— Sim, eu sou uma garçonete. Em um restaurante ao lado de onde Renesmee tem aulas de balé, então posso estar mais perto dela também. — Sorri para aquilo.
— Isabella, você ainda está em um relacionamento com James Smith?
— Não, ele e eu terminamos.
— Você sabe que ele está sendo acusado de homicídio?
Eu parei de respirar, senti a mão de Edward na minha, mas eu não consegui falar nada, chocada demais com a nova informação.
— Isabella?
— Não — respondi com a voz baixa. — Ele? Como?
— Não posso entrar em detalhes, mas até onde sei na sexta-feira, dia vinte e três de setembro, ele participou de uma luta em um clube e, depois assassinou Caius Volturi, um conhecido traficante em Seattle.
Apertei a mão de Edward de volta.
— Eu não sabia de nada disso.
— Qual foi a última vez que esteve com ele?
— Você não é uma policial, não pode interrogar, Bella! — Edward proclamou.
— Não estou a interrogando, senhor Masen, é apenas uma pergunta. Se Isabella não foi chamada pela policia para um depoimento é porque descartam qualquer envolvimento dela no caso, mas por Renesmee eu tenho ter conhecimento de tudo.
— No sábado seguinte ao assassinato de Caius — contei. — Ele veio até aqui falando sobre ir para New York, quis me levar com ele, mas eu não aceitei, tinha minha irmã. Ele estava nervoso, irritadiço, mas eu não suspeitei que ele tinha matado alguém — falei o máximo da verdade que pude sobre aquele dia.
— Como eu disse, não estou lhe acusando de nada, Isabella. A policia é quem cuida da investigação do caso e, seu nome não está no meio, eles verificaram que você não estava em Seattle no dia do crime. E, James foi visto em New York na segunda-feira seguinte ao crime, mas não o prenderam, ele conseguiu fugir novamente. Mas, eu me preocupo por Renesmee, você esteve envolvida com esse homem e...
— Isabella não é o James! — Edward exclamou interrompendo Zafrina.
— Senhor Masen, se voltar a me interromper eu terei de pedir que o senhor saia — a mulher falou brava. — Isabella, você foi embora de casa com dezesseis anos e, passou quatro morando com James. Você acha que é uma boa tutora a sua irmã, mesmo com tudo isso?
A raiva me consumiu, eu sabia que ela estava apenas fazendo seu trabalho, mas eu não conseguia manter-me calma diante daquilo.
— Nossa mãe foi embora quando eu tinha dez anos, ela simplesmente passou por aquela porta. Sabe o que ela me deixou Zafrina? Um colar com um pingente de coração, ele não durou um ano, enferrujou e ficou inutilizável. Charlie, ele era um péssimo pai, eu ficava sozinha em casa, limpando, cozinhado e bancando a empregada quando ele estava trabalhando, eu não tinha tempo de ler, brincar, nem mesmo estudar. E, se ele não gostasse de algo, iria reclamar e brigar. Ele nunca me bateu, mas se quiser anotar em sua agenda, Renée me batia pelo menos uma vez por semana, mesmo quando eu tentava ficar longe dela para não irritá-la.
— Isabella...
— Não — foi minha vez de interrompê-la. — É minha vez de falar. Eu fui embora? Sim, fui e foi uma péssima escolha que nunca irei deixar de me arrepender. Eu podia ter ficado aqui e ser melhor para Renesmee do que Charlie foi durante os dez anos da vida dela. Não sou a melhor irmã do mundo, mas eu amo aquela menina e, eu morreria no lugar dela se fosse preciso, sem me importar. Charlie não faria isso, Zafrina. Renée? Eu duvido que se ela visse Renesmee hoje iria reconhecê-la. Não sou a mãe dela, é só por isso que está aqui cobrando que eu seja uma super tutora? Por que não foi atrás de Renée quando ela abandonou as duas filhas? Por que não veio até aqui quando eu perdia minha infância para agradar um pai que bebia toda noite? Um pai que podia ter feito coisas terríveis para mim e minha irmã se tivesse perdido o controle em uma das noites de bebedeira?
Respirei fundo, minhas mãos ainda tremendo, mesmo com Edward pressionando uma delas.
— Eu amo a minha irmã, estou disposta a dar a ela tudo que não tive, fazer com que ela se esqueça da mãe que a abandonou, do pai que só bebia. Então, você quer saber se eu me acho a pessoa ideal para cuidar dela? Sim, eu acho. Ninguém ama aquela garota como eu amo, ninguém além de mim sabe o que ela sente. Porque nós duas que fomos abandonadas e deixadas de lado por nossos pais. Eu tive um relacionamento com James Smith, mas por mim ele pode ir preso, ser morto, eu não me importo mais com ele e, nunca vou deixar Renesmee se envolver com um tipo de homem desses, porque eu só quero o melhor para minha irmã.
Zafrina assentiu e, a vi dar um sorrisinho enquanto anotava algo em sua agenda. Edward afagou minha mão, na vã tentativa de me acalmar.
— Não estou aqui para levar Renesmee de você, Isabella, a guarda é sua.
Suspirei aliviada.
— Só continue pensando assim, okay? Ela é uma menina e, você está certa, só merece o melhor. Senhor Masen?
— Sim? — Edward perguntou desconfiado.
— Qual seu grau de amizade com Isabella? — Ela olhou para nossas mãos unidas que eu rapidamente desvencilhei.
— Eu conheci Renesmee no dia da morte de Charlie, ela estava no hospital na ala pediátrica, chorando sozinha. Tentei ajudá-la o máximo que pude aquele dia. Então, conheci Isabella dois dias depois, nós temos amigos em comuns, Rosalie e Emmett McCarty. Isabella é uma boa amiga, Renesmee uma garota incrível e estou disposto a ajudá-las no que for preciso. Desde dever de casa, até mesmo a ser o cara que irá ensinar Renesmee a dirigir quando ela tiver idade para isso. Me considere um padrinho dela, ou algo do tipo, mas eu só posso afirmar que estou aqui para ajudar e sempre estarei.
O olhei, querendo agradecê-lo por tudo aquilo.
— E vocês não acham que isso pode confundir a mente dela?
— Ela não parece confusa — Edward disse.
— E se vocês se envolvessem romanticamente, terminassem algum tempo depois e você se afastasse, senhor Masen?
— Eu já disse, eu nunca vou me afastar — Edward proclamou, voltando a irritação. — E, se Bella e eu nos envolvêssemos em um romance, acredite, eu não seria louco de perder a oportunidade de estar com uma garota tão legal quanto ela. Mas nós somos apenas amigos e, nada irá me afastar de Renesmee, nada além de Bella que é a tutora legal e pode pedir por isso.
Zafrina o encarou por mais um momento, anotou em sua agenda e por fim falou:
— Será que eu posso conversar com Renesmee agora?
— Sim. — Me levantei para ir junto.
— Sozinha — ela disse.
— Se-Segunda porta à esquerda — respondi, ela saiu da sala, me deixando novamente com medo.
E se Renesmee estivesse me odiando? Se ela falasse sobre James? Se ela pedisse a Zafrina para ir para longe de mim?
Senti as mãos de Edward em meus ombros, então me virei para ele, o abraçando. Enterrando meu rosto em seu peito, enquanto ele envolvia meu corpo em seus braços, deixando com que eu chorasse em sua camiseta.
— Vai ficar tudo bem, Bella — Edward prometeu. — Ninguém irá levá-la para longe de você.
— Eu não posso perdê-la. — Minhas mãos agarraram as costas de sua camiseta.
— Não vai, eu não vou deixar isso acontecer. — Beijou o topo da minha cabeça, fazendo com que eu chorasse mais.
— Você está muito nervosa, Bella. — Segurou em meu rosto, fazendo com que eu olhasse para ele. — Não pode ficar assim, não até Zafrina ir embora, entendeu?
Assenti, mas sem parar de chorar. Ele me puxou para a cozinha, deixando-me sentada em uma cadeira enquanto se movimentava por ali. Voltou com um copo de água e lencinhos. Bebi a água, enquanto Edward limpava meu rosto.
— Foi muito bem lá, Bella. E, ela mesma disse que não irá tirar Renesmee de você — disse com a voz suave.
— James matou um cara, ele pode voltar e fazer algo comigo, com Nessie.
— Não, ele não vai. — Edward tirou o copo da minha mão. — James logo será preso, então não terá o que temer. Ele não encostará em você, ou em Renesmee, eu prometo.
— Você faz promessas demais, uma hora não poderá cumpri-las — sussurrei.
— Eu vou cumprir todas, prometo. — Brincou, conseguindo arrancar um sorriso de mim. — Estou falando sério, Bella, ficará tudo bem.
Nós ficamos na cozinha por mais um tempo, até que ouvimos passos na escada e fomos até lá.
Renesmee descia junto de Zafrina e, logo percebi que não tinha nenhuma expressão alterada no rosto de nenhuma das duas. Me agarrei aquilo.
— Renesmee disse que você faz biscoitos muito bons, algum dia gostarei de prová-los — Zafrina disse, me lançando um sorriso amigável. — Pode me levar até a porta, Isabella? Até mais, senhor Masen. — Acenou para Edward e me seguiu até a saída. — Sua irmã também gosta muito de você — ela me disse em um tom de voz baixo. — Não perca isso, Isabella.
— Eu já perdi uma vez, não perderei novamente.
— Edward parece uma boa pessoa, amigos são importantes em um momento delicado assim. Você pode me ligar caso precise de algo. — Entregou-me um cartão. — Renesmee quer um cachorro, você já sabe?
— Sim, ela ganhará no natal — respondi.
— Planos para o futuro, planos concretos, é o que precisam — Zafrina falou. — Eu sei que sua vida não deve ter sido fácil, mas ela pode ser agora, Isabella. — Piscou para mim, pegou seu casaco e cruzou a porta. — Até mais.
— Até. — Fechei a porta.
Fui atrás de Edward e Renesmee, os encontrando na sala. Ele estava em pé, com ela em seu colo.
— Eu não vou embora? — Renesmee me perguntou com medo.
— Não — respondi, Edward a passou para mim. — Você nunca irá para longe de mim, Ariel.
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