Amargo Lar

25 Capítulo Vinte e Quatro — Frio


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Tuca Tuca e Tamii, muito obrigada pelas recomendações maravilhosas, suas lindas! :D Boa leitura! ♥

Edward Masen

Caminhei a passos largos até a porta da casa das Swan, agradecendo ao fato da chuva ter dado uma trégua aquele dia, eu odiaria que meu primeiro encontro com Bella fosse estragado por conta do tempo ruim. Sorri enquanto batia na porta, ainda sem conseguir acreditar naquilo, eu estava indo a um encontro com a garota por quem estava apaixonado e, ela estava apaixonada por mim também.

— Oi Ariel! — exclamei ao ver a pequena abrir a porta, ela me olhou desconfiada, inteligente demais para deixar passar despercebido o quão estranho aquele dia estava sendo comigo e Bella saindo e, a deixando para trás. Mas, se aquele encontro desse certo, Ariel ia passar muito mais tempo comigo e Bella, então deveríamos aceitar que por pelo menos aquela noite ela tinha de ficar de lado.

— Oi — ela murmurou. — Você está todo arrumado, Bells também — comentou deixando com que eu entrasse, nem tirei meu casaco, sabendo que logo estaria na rua de novo. — Vocês vão ao cinema? — Renesmee perguntou analisando meu rosto, ela ficava mais fofa ainda toda desconfiada.

— Não sem você — prometi, parando com ela na sala, Bella e Esme não estavam em lugar algum.

— Okay. — Ariel sentou no sofá, ainda me observando.

Então, ouvi passos e minha tia apareceu, sorrindo de orelha a orelha, mas logo meus olhos se perderam em Bella aparecendo atrás dela. A Swan usava um vestido vinho que se destacava em sua pele branca, suas pernas estavam de foras e eu me vi mais uma vez as apreciando, mas eu estava mesmo querendo me deslumbrar com seu rosto, que com uma maquiagem simples lhe dava um ar mais maduro.

— Oi — Bella murmurou para mim, as bochechas corando.

— Oi. — Sorri para ela. — É melhor nós irmos — falei.

— Claro, claro — Bella concordou, voltando-se para a irmã. — Comporte-se com Esme, entendido Renesmee?

— Pode deixar — Ariel disse, ainda olhando curiosa para nós dois.

— Divirtam-se, crianças — Esme cantarolou. — Agora saiam que hoje Renesmee é toda minha.

— Seu desejo é uma ordem, minha cara. — Pisquei para minha tia. — Até mais, Ariel!

— Tchau Eddye!

Bella se despediu delas em um tom de voz baixo, então seguimos para a saída da casa. Eu a ajudei a colocar o casaco, então saímos para o frio de Forks.

— Bella — falei seu nome em um tom divertido quando abri a porta do carona para ela.

— Você quer mesmo fazer isso, não é? — ela perguntou nervosa, segurando-se na porta.

— Quero muito e, eu te beijaria agora para comprovar isso, mas algo me diz que Renesmee e minha tia estão olhando para nós pela janela da sala e não queremos dar um show para as duas.

Os olhos de Bella se voltaram para a casa assim como os meus e, tivemos tempo de ver a cortina na janela balançando como se tivesse sido colocada no lugar rapidamente.

— Okay, vamos nessa! — Bella entrou no carro e, eu contornei o mesmo até meu lugar no banco do motorista. — Para onde vamos? — perguntou curiosa, mexendo no aquecedor, eu adorava o fato dela se sentir confortável suficiente para mexer no meu carro.

— É uma surpresa, mas posso dizer que iremos para Port Angeles, não é como se tivéssemos uma variedade de programação muito boa em Forks — falei já dirigindo, a vendo concordar com minha frase com um aceno de cabeça. — Você está bem? — perguntei.

— Sim. — Vi Bella sorrindo, peguei em sua mão a levando até meus lábios. — Você está bem, não é?

— Melhor impossível — declarei, soltando da mão dela para voltar a me concentrar na estrada.

Bella suspirou, então ligou o rádio.

— Que bom — foi tudo que ela disse.

O caminho para Port Angeles podia ser longo, mas nós não falamos muito até lá. Bella estava distraída em seus próprios pensamentos e, eu estava deixando com que ela tivesse seu próprio espaço.

Ela logo ficou agitada quando chegamos a cidade, mais ainda quando eu passei direto por todos os restaurantes no centro, o que deve ter lhe gerado duvida. Mas, Bella continuou calada, apenas mordiscando seu lábio, como eu queria fazer, em uma mania nervosa.

— Para onde estamos indo? — perguntou por fim quando eu guiei o carro até a baia.

— Você é tão curiosa, acalme-se um pouco.

Bella suspirou, remexendo-se inquieta no banco.

Quando, para o grande alivio dela, eu estacionei o carro, Bella olhou fascinada para o que tinha diante da gente. Soltando-se do cinto e virando para mim.

— Isso é sério?

— Sim — confirmei sorrindo ao ver a expressão no rosto dela.

— Um navio? Você está pensando em me sequestrar, ou algo assim?

Eu tive de rir, tirando meu cinto também.

— Não, sem cárcere privado, prometo. — Afaguei seu rosto. — Vamos?

Ela assentiu, voltando a mastigar seu lábio. Eu sai do carro, então fui abrir a porta para ela, Bella aceitou segurar minha mão e caminhamos até a entrada do navio juntos, a mão dela estava fria e trêmula, comecei a afagá-la para lhe transmitir um pouco de calma.

— Ele não funciona mais — expliquei. — Bom, não como um navio de verdade — falei vendo seu olhar confuso. — Foi desativado no começo do ano, agora mantêm só seus bares e restaurantes em funcionamento.

— Isso é incrível. — Bella arfou quando entramos no navio, sendo beneficiados com a decoração digna de um hotel cinco estrelas. — Como você descobriu esse lugar, Edward? — perguntou se virando para me olhar animada.

— Jasper, ele esteve aqui antes de chegar a Forks, disse que o local é muito bom.

— Me faça agradecer Jasper por isso! — exclamou, ainda olhando deslumbrada com tudo a sua volta. — Onde vamos ficar? — perguntou quando vimos as entradas para os restaurantes.

— É um navio de um cara francês, então pensei em um clássico restaurante francês.

Bella mordeu o lábio de novo, mas daquela vez para esconder um sorriso.

— E tem música ao vivo — completei, ela parou de andar, me olhando chocada. — Tudo bem?

— Música francesa ao vivo?

— Sim, você gosta?

— Eu não faço ideia. — Riu. — Mas isso parece tão maravilhoso.

— É um alivio que você esteja gostando de tudo até agora. — Me inclinei para encostar meus lábios nos seus. Bella sorria durante o beijo, enquanto afagava minha nuca. — Vamos, a noite está só começando, mon cher — sussurrei em seu ouvido.

Eu vi a duvida em seus olhos com o final da minha frase, mas ela aceitou seguir comigo até o restaurante. Assim que dei nossos nomes para a recepcionista fomos conduzidos até uma mesa, o restaurante era grande, mas parecia acolhedor com sua iluminação fraca e velas em cima de cada mesa dando um toque especial.

A maioria das mesas eram apenas para duas pessoas e, ficou claro desde o inicio que era um restaurante para casais. O palco era pequeno, com um foco de luz sobre um banquinho e um violão já posicionados ali.

Dispensei o garçom que nos conduziu até ali, ajudando eu mesmo a Bella tirar seu casaco e ajudá-la a sentar. Ela não parava de sorrir e, eu não parava de querer beijá-la, parecia um bom dia e, eu estava contente dela estar contente com tudo aquilo também.

— Boa noite, eu sou Tyler e serei o garçom de vocês essa noite — o garçom se apresentou, entregando cardápios para Bella e eu e, uma cartela de vinhos para mim.

— Aqui. — Passei a cartela de vinhos para Bella.

— Prefere algo mais forte, senhor? — Tyler me perguntou prontamente.

— Não, na verdade — falei, aquilo sempre era um saco, eu toda vez tinha de explicar que não bebia nada alcoólico e as pessoas me olhavam como se eu fosse um extraterrestre. — Pode me ver apenas água com gelo, Bella, o que você vai beber?

Ela encarava a cartela de vinhos com hesitação, então olhou para mim. Aparentemente buscando aprovação para algo.

— Pode beber o que quiser, Bella — afirmei, ela voltou a sorrir, então se voltou para Tyler.

— Vinho tinto, por favor.

— Qual deles, senhorita?

— Acredite, eu não sei a diferença — ela falou constrangida.

— Qual você indica, Tyler? — perguntei a ele.

— O Bordeaux, senhor — Tyler respondeu.

— Pode trazer esse então. — Bella devolveu a cartela para ele com o pedido finalizado. — Traga primeiro as bebidas, nós pedimos as refeições depois.

Tyler assentiu para meu pedido, então se afastou.

— Desculpe por isso — Bella pediu ainda constrangida.

— Temos sorte dele não ter pedido sua identidade — falei, o que a fez se acalmar um pouco e rir.

— Eu tenho uma falsa — anunciou com um sorriso travesso.

— Por que eu não estou surpreso? — Ri. — Qual o nome lá?

— Hanna Carter, não sou tão criativa assim — respondeu olhando ao redor. — Eu estou encantada com esse lugar, você estava falando francês lá fora, não é? Aprendeu na escola? — Seus olhos se voltaram para mim.

— Não, minha avó era francesa, ela me ensinou algumas coisas antes de falecer, então papai continuou com as aulas depois disso.

— Você é fluente? — perguntou interessada.

— Bom, eu não iria ficar jogado na rua em Paris se fosse até lá. — Dei de ombros. — Eu na verdade não era um bom aluno, papai não tinha muito paciência com o fato de eu ser tão disperso.

— Nunca viajou para fora do país? — ela perguntou.

— Texas conta? — perguntei rindo.

— O que foi fazer no Texas, Edward? — Tinha uma careta no rosto.

— Congresso de medicina, nunca comi tanto churrasco, prometi nunca mais voltar.

Tyler voltou com nossas bebidas e discretamente nos serviu.

— Como foi para você acabar fazendo medicina? — Bella ignorou o vinho, concentrada em mim.

— Eu tinha tio Carlisle e mamãe, acabou que cresci nesse meio. Como mamãe era ortopedista, sempre foi mais fácil poder acompanhá-la até o hospital. Eu estava um pouco fascinado com tudo aquilo na época, o jaleco, a movimentação do hospital, a ideia de ficar acordado de madrugada e dormir pela manhã por conta dos plantões.

— Pobre criança iludida. — Bella riu e, eu tive de rir também, pois eu adorava o som da risada dela. — Ela ficou contente com isso?

— Muito. — Bebi um pouco da minha água. — Papai por outro lado não gostou muito da ideia, mas eu era só uma criança na época, então acho que ele tinha planos em me tornar um professor universitário como ele.

— Acha que isso daria certo?

— Definitivamente não. — Sorri. — Mas, eu sei que ele não iria se opor a minha vontade de virar médico quando chegasse a hora. Ele era compreensível.

— Eu simplesmente amo a história dele e da sua mãe. — Bella suspirou, bebendo um pouco de seu vinho. — É um roteiro de filme na vida real, eu iria gostar tanto de ter os conhecido... — Ela se interrompeu, olhando para mim com uma expressão culpada. — Desculpe, acho que eu não deveria estar falando sobre seus pais.

— Não tem problema algum. — Estiquei minha mão sobre a mesa para envolver a dela. — Eu na verdade gosto muito de ver você falando sobre eles, também iria adorar que vocês tivessem se conhecido. Eu posso muito bem ver você e mamãe rindo da minha cara e, você e papai discutindo sobre Jane Austen.

Bella sorriu, olhando para nossas mãos, entrelaçando seus dedos aos meus.

— O que vai querer comer? — perguntei.

— Eu não sei nada que está escrito nesse cardápio, quem sabe você descendente de uma francesa possa me ajudar — brincou, peguei o cardápio, analisando as opções.

— Vovó só cozinhava espaguete, não era como se ela fosse uma especialista em gastronomia — comentei. — Na verdade ela gostava demais dos Estados Unidos, até mesmo enrolou vovô Sam e todo o patriotismo dele.

— Nunca pensou em ser militar como ele?

— Oh não, de jeito nenhum. — Voltei a olhá-la. — Eu não saberia lidar com isso, você me conhece.

— Tão doce. — Bella cantarolou, se inclinando sobre a mesa para afagar minha bochecha com a ponta de seus dedos. — Sim, está certo, não consigo vê-lo em uma guerra, isso não combina em nada com você.

Eu me inclinei também, para beijá-la por um instante. O gosto de álcool em sua boca me incomodou a principio, mas contornei aquilo, era Bella, não uma garota qualquer em uma festa e, eu não estava a ponto de perder o juízo como quando adolescente.

— Adoro te beijar — Bella confessou ainda de olhos fechados, seus dedos em minha bochecha. — Mas você tem de fazer a barba.

— Sério? — Gemi em frustração.

— Aham! — Ela voltou a se recostar em sua cadeira, entregando o meu cardápio e ficando com o seu. — Você já provou Escargots?

— Não, pensar em comer isso não parece muito seguro. — Ela riu. — E você?

— Não, mas deveríamos provar — falou. — Só espero não deixar o bicho acertar alguém.

Chamei por Tyler e nós pedimos os escargots, que não demoraram muito a serem servidos. Bella se entendeu com aquele maquinário para comer aquela coisa muito mais rápido do que eu, mas ela não sabia usar hashi, então nos sentimento em empate por nossas faltas com a gastronomia.

— Sério, é tão fácil usar hashi, você tem de estar mentindo.

— É sério. — Bella manuseava nossa entrada com jeito. — Não sabe o quão ridículo é ter de pedir talheres em restaurantes asiáticos, com o tempo eu simplesmente parei de ir neles. Vamos abra a boca. — Estendeu aquela coisa gosmenta para mim.

— Por que eu tenho de ser o primeiro a experimentar isso? — Torci o nariz.

— Porque você é um cavalheiro, se for horrível vai impedir que eu estrague meu apetite comendo. — Piscou os olhos inocentemente para mim, fazendo com que eu cedesse.

Abri a boca, deixando com que ela me desse aquilo. Tinha um gosto diferente de tudo que já tinha comido, até porque eu era um bom americano acostumado a comida de fast food, mas, eu não senti vontade de vomitar, mas também não senti nenhum pouco de vontade de repetir.

— Então? — Eu bebi o resto da minha água de uma só vez.

— Eu ainda prefiro asinhas de frango fritas — anunciei, Bella riu, comendo um pouco da nossa entrada também.

— Deus, Edward! — exclamou depois de comer. — Você enlouqueceu? Isso é tão maravilhoso!

Nós passamos mais um tempo sobre os escargots, sendo sincero Bella passou, eu simplesmente não conseguia pensar em comer aquilo mais. Conversamos um pouco sobre a França e chegamos a conclusão de que ela nem devia ser tão bacana assim, que era tudo fruto de um bom marketing do setor de turismo. Então fizemos o pedido do jantar, Coq au vin e, nós dois conseguimos gostar daquilo.

— Nelly era fantástica — Bella proclamou contando sobre a senhora que tinha lhe ensinado a fazer doces. — Ela sempre conseguia um tempo em seu trabalho para me ensinar algo, então eu me agarrei a isso, sabe? — O rosto ruborizado pelo vinho, estendi minha água para ela. — Obrigada — agradeceu.

— Você ainda tem contato com ela? — perguntei.

— Ela ainda estava na confeitaria quando eu fui demitida, provavelmente ainda trabalha lá, era boa demais para ser dispensada. Mas não falo com ela desde que sai do local. — Deu de ombros.

— Então, Bella ama fazer doces? — Ignorei minha comida, concentrando-me nela.

— Eu adoro, é como uma terapia. — Suspirou, fechando os olhos, o rosto em uma expressão leve. — É fantástico como sei o que estou fazendo quando estou cozinhando, parece que finalmente algo faz sentido. Sei cozinhar de tudo, praticamente, eu não saberia fazer Coq au vin. — Abriu os olhos, rindo. — Mas doces, é maravilhoso trabalhar com doces. É muito fácil errar com eles, você pode transformar biscoitos em bolachas salgadas muito facilmente se usar a quantia errada dos ingredientes. E bolos, nossa, eles dão tanto trabalho, mas quando ficam macios e molhados, a cobertura no ponto exato, isso é gratificante.

Eu não conseguia parar de sorrir, eu estava mais apaixonado ainda por aquele lado de Bella. Aquele despreocupado e cheio de paixão, era fácil demais gostar dela.

— É assim que se sente? — ela perguntou voltando a segurar em minha mão. — Com seu trabalho? Como se tivesse alguém prestes a lhe empurrar em um mar gelado, mas ao mesmo tempo você sabe que não vai cair, pois sua salvação é aquilo que você sabe que está fazendo muito bem.

— Exatamente assim — afirmei, afagando sua mão.

Ouvimos uma voz no microfone, então uma cantora que devia ser um pouco mais velha que Bella subiu ao palco. Ela tomou o violão e, logo estava tocando e cantando.

— Vem mais para perto — Bella pediu, eu aceitei na hora, movendo minha cadeira para seu lado, o resto de nosso jantar dispensado sem cerimônia.

Eu a coloquei sobre meu braço e, Bella se acomodou em meu peito, deixando com que eu fosse atingido pelo cheiro de morango de seus cabelos. Inspirei o cheiro, grato por tê-la comigo. Cheio de felicidade por nossa conversa ter sido positiva, por Bella ter aceitado o encontro e por estarmos bem.

O show foi excelente e, Bella pareceu gostar tanto quanto eu. Nós nos dispersamos algumas vezes trocando beijos, falando sobre uma coisa ou outra, mas no fim estávamos apenas um nos braços do outro, aproveitando o momento.

Quando o show acabou, nós pedimos macarons de sobremesa, mas eu não afastei minha cadeira da de Bella e, ela não me pediu para voltar para meu lugar inicial. Ela já conhecia o doce, eu não, então entendi perfeitamente a insistência dela em comer aquilo quando provei.

— Incrível, não é? — ela perguntou, me dando mais um pedaço. — É conhecido como o Doce da Rainha, da rainha da França, Catarina di Médici — explicou, comendo um pedaço também.

Eu coloquei meu rosto em seu pescoço, distribuindo beijos ali. Ouvindo-a murmurar palavras desconexas, sua mão em meu braço, enquanto permitia que eu a beijasse.

— Vamos sair daqui? — sugeri e, para minha sorte ela concordou.

Tyler não demorou em trazer a conta quando pedi, então pudemos sair dali rapidamente.

Nós deixamos o interior do navio ancorado na baia de Port Angeles, indo para o convés, estava frio lá fora e Bella e eu nos encolhemos em nossos casacos, sua mão se agarrando a minha, então a puxei para mais perto. Tinham algumas pessoas por ali, algumas mais barulhentas que outras e, me vi convencido que eu não podia simplesmente pedir que elas dessem o fora para eu ficar a sós com a garota que eu estava perdidamente apaixonado.

— Você está congelando — falei quando paramos perto da proa, tomando as mãos de Bella nas minhas e as friccionando para esquentá-las, então assoprei nelas, tentando aquecê-las ainda mais.

— Suas bochechas estão coradas — Bella sussurrou. — Deus, você é tão lindo corado. — Ela sorriu impressionada, esquentando minhas mãos também.

— Olha quem fala — rebati, sorrindo, deixando meus lábios se encontrarem com a pele dela, depositando um beijo em sua bochecha.

Bella tirou suas mãos das minhas, então me abraçou, colocando suas mãos por dentro do meu casaco e fiz o mesmo com ela.

— É por isso que Jack e Rose tinham tanta química, o frio é demais para simplesmente ficar longe.

— Você está citando Titanic? — Deslizei minhas mãos por suas costas, sentindo ela se arrepiar.

— Você me trouxe para um navio, queria que eu citasse Poseidon?

— Eu odeio aquele filme, por favor, não me diga que você gosta — implorei.

— Não. — Emitiu um som de nojo. — É tão chato, eu sequer terminei de ver. Mas Titanic é um clássico, não fale mal de Titanic em minha frente.

— Tinha lugar para ele na porta, Bella. — Afastei-me o suficiente para ver seu rosto corado.

— Não, não tinha, ele tentou subir lembra? Ia afundar, os dois iam morrer — choramingou, fazendo com que eu risse e voltasse a afundar meu rosto em seu pescoço, mas sem beijá-la daquela vez.

— Okay, você tem um ponto — falei contra sua pele. — Jack estava certo no fim das contas, eu também deixaria você ficar com toda a porta só para você.

— Não. — Bella enrolou suas mãos em meus cabelos, os puxando e virando meu rosto para o dela, sua boca a centímetros da minha. — Não, eu não quero toda a porta para mim, eu quero você lá comigo, Edward, ainda que nós dois afundemos juntos.

— Você quer? — perguntei levemente desacreditado.

— Quero, muito. — Um pequeno sorriso tomou conta de seus lábios. — Eu gosto disso, sabe? — sussurrou. — Do fato de você não se portar a minha frente, ou atrás de mim. De você me deixar escolher, me deixar falar, eu adoro isso. Adoro não ser silenciada, adoro te ouvir também. — Tocou em meus lábios.

— Nós estamos na mesma linha, eu não estou a sua frente, nunca me tornarei esse tipo de cara para você — prometi.

— Eu sei. — O sorriso dela se expandiu. — Por isso estou apaixonada por você, por isso vim aqui hoje, porque eu quero estar com você.

Ela me beijou, aquecendo meu corpo naquele frio descomunal.

— Você quer namorar comigo, Bella? — perguntei ansioso, minha boca tocando na sua quando fiz o pedido. Bella colocou seus lábios mais uma vez contra os meus, eu podia sentir ela sorrindo enquanto nos beijávamos. — Isso é um sim?

— Sim, isso é um sim. — Ela se distanciou para me olhar, o rosto também ansioso e mais corado do que antes. — Eu quero ser sua namorada.

Notas finais
Vontade de colocar os dois em um potinho e proteger do resto do mundo, o que acharam do encontro deles? Eu fiquei com fome escrevendo, então vou ali pegar meu bolo de chocolate hahah Beijos! Lola Royal. 13.08.16