Amargo Lar
26 Capítulo Vinte e Cinco — Planos
Notas iniciais

Isabella Swan
Eu estava perdidamente apaixonada por ele e, mesmo que todas as feridas ainda estivessem abertas, sabia que Edward me ajudaria a fechar cada uma delas. Era algo dele, ajudar sem nem esperar algo em troca, o cara mais altruísta do mundo, que por uma sorte do destino tinha cruzado meu caminho e, misteriosamente estava apaixonado por mim.
Nós tínhamos tido um maravilhoso jantar, com todas aquelas comidas e música francesa, deixando tudo ainda melhor. Segui os conselhos de Rose e falei de tudo menos de Ness e, para meu alivio, nós não nos resumíamos a ela, tinha uma cartela imensa de assuntos a serem tratados e, naquela noite cuidamos de apenas uma parcela deles.
Mas, isso não importava, pois ainda teríamos muito tempo para falar sobre muito mais assuntos, pois Edward me queria como sua namorada e, eu aceitei isso. Não sei se foi o vinho falando mais alto, mas simplesmente não consegui dizer não, eu queria tanto aquilo, queria estar com ele, queria ele comigo.
Era um dos poucos acertos que eu conseguia em minha vida. Então, vi o placar imaginário passar de um milhão de erros, para dois acertos. Renesmee e Edward, eu me senti cheia de orgulho por ter conseguido acertar com ela em minha segunda chance, então conseguir acertar com ele de primeira.
— Você já viajou de navio, ou barco? — perguntei a Edward, algum tempo depois do pedido de namoro, estávamos escorados na grade de proteção do navio, vendo o movimento do mar lá embaixo perto da costa da baia, ambos perdidos em pensamentos.
— Não — respondeu.
— Quando Charlie conseguia ser um cara bacana. — Revirei os olhos. — Ele me deixava ir com ele e seus amigos para viagens de pesca, isso muito antes de Ness nascer, ele realmente não passava muito tempo em casa depois que Renée ficou grávida novamente.
— Você gostava? De ter esse tempo com ele? — Edward perguntou, desviando o olhar da água para mim, eu podia sentir seus olhos verdes me analisando.
— Era bom, de certa forma. — Dei de ombros. — Ele sempre parecia mais calmo na água, sem a bebida, ou Renée por perto para sempre iniciar uma discussão.
— Sente falta dele? — Me virei para Edward, deslizando minha mão na grade até a dele, observando como ele imediatamente envolvia a minha gentilmente, a aquecendo mesmo no frio horrendo que fazia.
— Não, na verdade. Quando eu recebi a noticia dele estar morto, a primeira pessoa que passou por minha mente foi realmente Renesmee. Então, quando eu vim e o vi no caixão, eu não senti mais do que um vazio, nada muito diferente do que existia quando ele estava vivo. Eu, quando fui embora, ocasionalmente pensava que Charlie finalmente agiria como um pai de verdade e buscaria por mim, ele nunca apareceu.
Edward levou minha mão até sua boca, depositando um beijo ali.
— Sinto muito por isso — Edward sussurrou, sorri para ele.
— Não, não precisa, eu não me importo realmente com Charlie ou Renée, não mais. — Suspirei. — Ela está pelo mundo, ele morto, não é algo que eu deva me preocupar.
Edward franziu o cenho e, percebi que algo lhe preocupava.
— O que foi?
— Se um dia Renesmee quiser procurar por Renée, como nós faremos com isso, Bella? — perguntou.
— Ela te perguntou algo? — indaguei tensa.
— Não, mas isso pode acontecer, Bella. — Balançou a cabeça como se quisesse afastar o pensamento.
— Não quero pensar sobre isso agora. — Desviei meu olhar para o mar escuro aquela noite, tirando minha mão da de Edward e ficando de frente para a grade. — Ela nunca conheceu Renée, tudo que sabe é que ela foi embora, eu não sei como agir se um dia quiser conhecer a droga da nossa mãe.
— Sinto muito por isso. — Edward afagou minhas costas, aproximando-se de mim. — Eu estou estragando tudo, não deveríamos falar sobre isso.
Edward me abraçou por trás, mas ainda assim mantendo uma distância em certos pontos de nossos corpos. Aquilo era tão bom, podia passar horas nos braços dele. Eu me virei de frente para ele, minhas costas pressionadas na grade, enquanto ele levava suas mãos até meu rosto.
— Nós deveríamos fazer uma viagem de navio, depois é claro que eu levá-la para a Califórnia — Edward disse, um sorriso tomando conta de seu rosto.
— Planos? — Arqueei uma sobrancelha, parecia muito bom fazer planos com ele, eu podia lidar com aquilo. — Conte-me mais.
— Bom, eu ainda não pensei em mais nenhum, só naquele grande plano em que eu te mantenho ao meu lado pelo resto da minha vida. — O sorriso morreu, dando ar a uma expressão cheia de sentimentos de Edward. — Você ficará, não é?
— Eu ficarei — prometi.
Ir embora não era mais para mim, a ideia de partir parecia algo terrível demais para sequer imaginar. Edward se inclinou para me beijar e, antes que eu sequer tivesse tempo de retribuir, sentimos a chuva desmoronar sobre nossas cabeças.
— Oh Deus, isso é tão frio. — Choraminguei, nos afastando, com a chuva forte e gelada batendo em meu corpo.
— A previsão de tempo disse que não iria chover — ele resmungou irritado, os cabelos ensopados, os lábios vermelhos tremendo. — Nunca podemos acreditar na droga da meteorologia. Vamos sair daqui. — Edward segurou em minha mão, me puxando para fora do navio, ele praticamente corria, então me vi obrigada a concentrar-me em minhas pernas para não acabar indo parar de cara no chão.
Nós chegamos ao seu carro já ensopados dos pés a cabeça, mas Edward ignorou os bancos da frente, desativando o alarme e abrindo a porta do banco de trás. Eu entrei primeiro, ele veio logo em seguida, nós dois já nos livrando dos casacos.
— Isso não foi agradável — Edward declarou, esticando-se até o painel para ligar o aquecedor, eu apenas ri, encolhendo-me de frio. — Aqui. — Ele puxou por sua cabeça o suéter azul escuro que usava, por cima de uma camiseta branca.
— Você vai congelar — falei quando ele entregou o suéter para mim.
— Não me importo. — Sorriu para mim e, eu me vi sorrindo de volta, já enfiando o suéter sobre minha cabeça, sendo atingida pelo cheiro de Edward, aquele de quem tinha acabado de deixar o banho.
Movi-me no banco até ele, até acabar debaixo de seu braço, repousando meu rosto em seu peito, meu novo lugar favorito. Era calmo, eu gostava muito disso.
— Conte-me algo que ninguém sabe — pedi, fechando os olhos, aproveitando o momento. Conosco fechados em seu carro, com uma chuva forte do lado de fora, parecia que existia apenas nós dois no mundo.
Edward acariciava meus cabelos molhados, eu podia sentir sua respiração e ouvir seu coração batendo.
— Eu meio que queria ser como George Clooney, quando ele fazia aquela série médica, todas as garotas sempre estavam por ai suspirando por ele naquele maldito jaleco, então ele meio que está envolvido no lance de eu me tornar um médico também.
Ri, fazendo com que ele risse junto.
— Sua mãe ia adorar saber que você quis se tornar médico por conta de um seriado — declarei, era incrível como eu conhecia de Elizabeth Masen, mesmo nunca tenho a conhecido de fato.
— Então, você tem algo que ninguém saiba que pode me contar? — ele perguntou.
Suspirei, não tinha, pelo menos nenhum fato que não fosse vergonhoso, ou que iria deixá-lo irritado por envolver pessoas que Edward detestava. Então, pensei em algo, que até ali era algo só meu.
— Sonhei com você, naquele dia que dormi em sua casa. Bom, com você e Ness, nós três estávamos na Califórnia, foi de longe o melhor sonho da minha vida.
Edward ergueu meu rosto, fazendo com que eu o olhasse.
— Nós podemos ir para lá, no próximo verão, o que acha?
— É, quem sabe. — Aproximei meu rosto do dele. — Você é o cara dos planos e do cronograma, lembra? Sou a garota confusa que você vai ter que lidar.
— Acredite, lidar com você é maravilhoso. — Edward me beijou, agarrando em minha cintura, quase me fazendo sentar em seu colo de tão próximos que estávamos com minhas pernas sobre as suas.
— Sua primeira vez foi em um carro, não é? — perguntei quando o beijo acabou e, Edward começava a beijar meu pescoço.
— Como você adivinhou? — Parou de me beijar para me encarar.
— Intuição, você tem domínio do espaço — brinquei. — A minha também, então meio que estamos empatados nisso. — Dei de ombros, os olhos dele cravados no meu.
— Quantos anos?
— Quinze.
— Oh, quinze também, a garota era um ano mais velha e já tinha licença para dirigir. — Edward sorriu, mas logo voltou a ficar sério. — Bella...
— Você quer fazer? — Lambi meus lábios em hesitação, eu não sabia se estava pronta para aquilo com ele, mas eu não queria ser a idiota que sempre estragava tudo.
— Não, não agora, muito menos aqui — Edward proclamou, afastando-me gentilmente dele, mas aquilo ainda me surpreendeu. — Escute. — Segurou em meu rosto com uma mão, seus olhos perdidos nos meus pareciam ir até fundo na minha alma. — Não quero estar com você dessa forma Bella, quem sabe no futuro isso aconteça, mas não na primeira vez.
Eu não o merecia, era essa a grande verdade. Mas, não abriria mão dele, deixaria a merda da vida que sempre conseguia me ferrar tirá-lo de mim, até lá eu o manteria comigo.
***
Edward estacionou na frente da minha casa pouco depois da meia-noite, eu me senti péssima por estarmos voltando tão tarde para liberar Esme da função babá, mas nós perdemos a noção da hora e, ainda tínhamos todo o caminho de Port Angeles a Forks para fazer.
— Como vamos fazer isso? — perguntei tirando o cinto, mas recusando-me a tirar o suéter de Edward, que eu tinha tomado para mim a partir daquela noite.
— Com? — perguntou confuso.
— Ness, nós contaremos como isso a ela? — Olhei ansiosa para a casa onde a garotinha devia estar em sua cama.
— Como quer fazer isso? — Edward perguntou, tirando seu cinto também.
Parei para pensar, querendo ser madura naquela decisão.
— Acho que podemos esperar mais alguns dias, que tal? Nós precisamos nos acostumar a situação para incluí-la no assunto. Eu nem sei como iniciar um papo de adulto com ela.
— Esse será o último, com sorte. — Edward bufou. — Ela não pode mesmo continuar criança para sempre? Deus, ela vai ser uma adolescente difícil.
— Controle-se, homem, ainda falta algum tempo até que ela lhe dê cabelos brancos — provoquei.
— Tudo bem, podemos esperar mais alguns dias para contar a ela, é realmente mais sensato e, ela acabou de sair de uma semana difícil doente.
— Obrigada por cuidar de nós, Eddye! — Afaguei seu rosto.
— Você não tem permissão para me chamar assim, Isabella! — Puxando-me para perto, para que pudéssemos nos beijar, sua boca logo deslizando dos meus lábios até meu pescoço.
— Eu tenho mesmo de ir — murmurei em um gemido. — Esme não pode voltar tão tarde para casa e, eu ainda trabalho amanhã.
Contrariado ele se afastou.
— Eu odeio Sue, os domingos são livres e sem rotina, ela não tem o direito de te roubar para trabalhar.
— Bom, ela vai estar pagando, então é o contrário de roubar. — Peguei meu casaco ainda molhado no banco de trás. — Eu vou ficar com seu suéter — anunciei contente com a minha aquisição.
— Pode ficar, eu não me oponho a isso. — Edward passou a mão pelos meus cabelos repetidamente, fazendo até com que eu fechasse os olhos, quase sendo embalada diretamente para o sono. — Eu adorei nossa noite, Bella.
— Eu adorei também. — Praticamente ronronei, sentindo Edward deslizar seus lábios pelos meus, então fazendo seu caminho até meu pescoço. — Isso é tão bom, você faz isso tão bem. — Senti ele sorrir em minha pele, então seus dentes entraram em ação dando uma pequena mordida ali. — Ah Edward — gemi, sentindo meu corpo inteiro entrar em alerta para o que ele estava fazendo.
Sua mão saiu de meu cabelo, caindo até minha coxa, fixando-se ali em um aperto seguro, mas não dolorido. As pontas de seus dedos fazendo com que eu sentisse como se estivesse pegando fogo, ele a deslizou para o interior do vestido, não indo muito longe, mas o suficiente para que eu voltasse a gemer.
— Bella?
— Sim? — respondi em um novo gemido quando a boca dele encontrava minha orelha.
— Eu pensei que sua risada era o melhor som, mas ouvi-la gemendo é meu novo som favorito — afirmou a voz tão próxima do meu ouvido me deixando mais arrepiada ainda.
— Você é um maldito prov-provocador — gaguejei, sua mão subindo ainda mais em minha coxa, enquanto sua boca ganhava rumo até minha garganta. — Eu juro que se você me deixar com a droga de um chupão vou chutar sua bunda, odeio usar gola alta, Edward — ameacei e ele riu em minha pele, cortando todo o clima de antes.
— Vou tomar cuidado quanto isso — prometeu. — Você já quer entrar?
— Sim. — Suspirei, voltando ao normal, mesmo sabendo que minha cara deveria estar tão vermelha quanto meu vestido.
Edward assentiu, saindo do carro e o contornando para abrir minha porta. Eu ficaria tão mal acostumada, ele me estragaria com tudo aquilo.
Nós caminhamos de mãos dadas até a porta da minha casa, com ele fazendo movimentos em círculos na palma da minha mão, levando ondas de calma para todo meu corpo. Paramos na varanda, eu posicionada em um degrau acima do dele, finalmente ficando em sua altura.
— Quanto você mede mesmo?
— Um e oitenta e cinco — respondeu, segurando em minha cintura. — E você?
— Vinte a menos. — Passei minhas mãos por seus cabelos, ainda levemente molhados. — Você vem amanhã?
— Claro que eu venho amanhã, Bella. — Revirou os olhos, sorrindo. — Eu fui todo seu hoje, mas amanhã serei todo de Ariel, espero que não fique com ciúmes.
— Não ficarei — prometi, sorrindo também. — Você tem permissão para ter uma segunda garota em sua vida, contanto que seja ela — brinquei.
— Bom, meio que há uma terceira — murmurou e eu o encarei.
— Quem? — indaguei séria.
— Jane — respondeu por fim, fazendo com que eu batesse em seu ombro enquanto ria aliviada com a resposta. — Deus, você tinha que ver sua expressão quando eu falei que tinha outra garota. — Ele começou a rir também. — Eu realmente pensei que ia chutar minha bunda.
— Eu ia — afirmei. — Mas tudo bem, Jane pode ser inclusa na lista, ela te ama também.
— Todas me amam. — Deu de ombros, dando um sorriso travesso.
— Claro, Jessica, Ângela, aquela médica, várias garotas — zombei.
— Mas. — Edward aproximou seu rosto do meu. — Há apenas uma garota com quem eu quero ficar.
— Espero que seja eu, ou você está tão encrencado, Masen. — O beijei por um momento. — Você precisa mesmo ir, vou liberar Esme de ser babá e ir dormir, tenho mesmo que ir trabalhar amanhã. Venha cedo, eu faço panquecas.
Edward bufou.
— Odeio ter que ir embora, isso não é divertido.
Nos beijamos mais uma vez, então o afastei, ou seria impossível que ele fosse embora.
— Até amanhã, Edward.
— Boa noite, Isabella.
— É Bella. — Revirei os olhos para sua provocação, ele riu, abri a porta de casa e desapareci lá dentro.
O cheiro de Edward no suéter dele ainda me deixado inebriada, fui até a sala com um sorriso imenso no rosto, encontrando com Esme lá vendo televisão. Pelo horário Ness já deveria estar no quarto, dormindo, muito tempo.
— Olha só, que sorriso gigantesco! — Esme cantarolou a me ver, eu senti minhas bochechas corando, mas não consegui parar de sorrir. — Como foi a noite, querida?
Joguei meu casaco ainda úmido sobre o braço da poltrona, então me enfiei no sofá ao lado de Esme, a abraçando com força. Eu tomaria toda a família de Edward para mim, estava simplesmente apaixonada por todos eles. Carlisle era absurdamente inteligente, Jasper tão divertido, Esme extremamente amável e vovô Sam o melhor avô do mundo.
— Foi maravilhosa! — exclamei, ganhando um abraço de volta de Esme, enquanto eu me aconchegava ao seu corpo como Ness fazia comigo quando queria carinho. — Ele me levou até um restaurante francês, em um navio na baia de Port Angeles. Teve música ao vivo, comidas deliciosas, mas tudo isso consegue ficar em segundo lugar comparado ao modo como foi tão bom estar com ele, sabe? Edward é o melhor homem do mundo, eu estou mais apaixonada ainda.
— Isso é incrível! — Esme exclamou contente. — Fico tão feliz que tenham se acertado.
— Tem mais. — Afastei-me dela o suficiente para que eu pudesse ver seu rosto, onde um sorriso doce se encontrava. — Nós estamos namorando.
— Vocês estão namorando? — Esme praticamente gritou, então voltou a me puxar para seus braços, depositando um beijo em minha têmpora. — Ah, essa foi a melhor noticia em meses desde que Jasper disse que estava vindo para Forks. Estou tão feliz por vocês dois, filha.
Vê-la me chamando daquele jeito remexeu um buraco em meu peito, aquele que Renée tinha aberto quando foi embora. Mas eu não chorei, apenas aproveitei o abraço de Esme, aproveitei minha vida finalmente estar ganhando um rumo bom.
***
Eu estava terminando de fazer panquecas, quando as batidas na porta soaram pela manhã. Desliguei o fogo e fui até lá, apertando o rabo de cavalo em meu cabelo que teimava em soltar.
Obviamente era Edward, emburrado com algo.
— Oi! — Me estiquei para beijá-lo, aproveitando que Renesmee ainda estava dormindo. — O que foi?
— Último dia de férias — resmungou. — Eu não sabia o quanto queria férias até tirá-las, estou frustrado.
Apenas o puxei para dentro de casa, o levando até a cozinha onde voltei a fazer as panquecas.
— Você pode ir acordar, Ariel? Ela e Esme brincaram tanto ontem que a garota está desmaiada desde então. Ela vai amar ser despertada por você.
— São meus olhos verdes, charmosos demais — ele disse, roubando uma panqueca da pilha já pronta. — Você mesma não resistiu a eles. — Pegou mais uma panqueca.
— Sai da cozinha, Edward e pare de roubar panquecas antes da hora.
Ele riu, aproximando-se de mim e beijando minha bochecha.
— Vamos, admita que você tem uma queda por meus olhos.
— Não, eu odeio seus olhos — menti. — Edward, eu estou cozinhando — protestei quando ele começou a beijar minha nuca, ele se afastou, me deixando chateada mesmo que eu precisasse concentrar minha atenção nas panquecas. — Sim, eu tenho uma grande queda por seus olhos — admiti quando ele passava pela porta da cozinha.
— Nós já sabíamos disso — rebateu rindo.
As panquecas já estavam prontas quando ele voltou com Renesmee, ela em seus braços, o rosto repousado no ombro de Edward, aparentemente ainda sonolenta demais para acordar de vez. Ele a aproximou de mim e, eu beijei o rosto dela.
— Bom dia, pequena!
— Bom dia, Bells — Ness respondeu, coçando os olhos enquanto Edward a sentava em sua cadeira, ela deitou-se sobre seus braços e, Edward sorriu para ela, afagando os cachos dela.
— Aparentemente alguém teve uma noite divertida com tia Esme — Edward falou servindo panquecas no prato dela.
— Nós pintamos e desenhamos, então ela me ensinou a cantar e, eu mostrei alguns passos de balé para ela — Renesmee contou, com o rosto ainda desaparecido em seus braços sobre a mesa.
— Você precisa comer agora, Ariel. — Edward ergueu o corpo dela. — Ainda está recuperando-se da gripe.
Renesmee passou a mão por seu rosto, então começou a comer, enquanto eu entregava leite para ela e, Edward comia suas panquecas também.
— Eu senti falta de vocês — ela falou.
— Nós sentimos a sua também. — Pisquei para ela.
— Onde vocês estavam? — perguntou curiosa.
— Em um navio — Edward respondeu e, Renesmee o olhou chocada.
— Em um navio de verdade? — inquiriu ainda pasma. — Como aquele do Titanic?
— Você também gosta de Titanic? — Edward perguntou com uma careta no rosto.
— Todo mundo gosta de Titanic, Edward — anunciei.
— Eu não gosto — Ness me lançou um olhar culpado. — É chato e, triste.
Edward riu, lançando-me um sorriso convencido.
— Que bom que estamos no mesmo time, Ariel — falou para ela.
— Bom saber que vocês estão contra mim. — Entrei na brincadeira.
— Eu te amo, Bells! — Renesmee exclamou, fazendo com que eu sorrisse para ela. Eu também a amava, era impossível não amar.
— Então, você está perdoada por não gostar de Titanic. — Afaguei seu rosto. — E eu te amo também, pequena.
Capturei o olhar de Edward sobre a gente e, lancei um sorriso a ele.
— Vocês estavam mesmo em um navio? — Nessie recobrou nossa atenção e, contamos a ela o que era permitido do nosso encontro.
***
Cheguei em casa no começo da noite exausta e, irritada. O movimento do restaurante no domingo era insano e, e tive de ficar correndo de um lado para o outro, enquanto ainda precisava lidar com o mau humor de Sue.
Assim que entrei na sala fui atingida por cheiro de pizza, o que fez meu estômago revirar, eu nem tive tempo de almoçar mais do que um sanduiche.
Edward e Renesmee estavam sentados no chão, com duas caixas de pizza sobre a mesinha de centro e uma garrafa grande de coca-cola. Ou eles estavam querendo ganhar colesterol alto, ou estavam tão famintos quanto eu.
— Ah Deus, finalmente você chegou. — Edward suspirou, abrindo uma caixa de pizza e pegando o primeiro pedaço. — Vá lavar as mãos para jantar com a gente, vai passar Toy Story 2, estamos muito animados para ver, não é, Ariel? — Ela apenas assentiu, concentrada demais em sua pizza também.
Ri para o desespero deles, então fui para a cozinha lavar as mãos e voltei a sala, sentando ao lado de Renesmee, limpando o canto da boca dela sujo de queijo.
— Vocês estavam presos aqui sem comida? — indaguei, pegando um pedaço de pizza também.
— Eu fiz o almoço, não comemos muito — Edward torceu o nariz.
— Ficou horrível! — Nessie exclamou, ganhando um olhar traído de Edward.
— Ariel!
— Tinha gosto de papel — Ness murmurou para mim.
Jantamos a pizza, Edward comeu uma praticamente sozinho e, assistimos ao bendito filme. Renesmee tinha alguma fascinação por Toy Story, todos os três, ela simplesmente os amava.
Edward e eu a levamos para a cama quando o filme acabou. Ele a ajudou a escovar os dentes, enquanto eu separava o pijama dela. Nós dois nos dividimos na leitura de Pollyanna aquela noite, o que divertiu muito Renesmee, mas logo ela pegava no sono.
— Você já tem de ir embora? — perguntei a Edward quando chegamos ao primeiro andar.
— Não, ainda está cedo, eu posso passar mais algum tempo aqui.
O puxei para o sofá, colocando em um filme qualquer romântico, não Titanic para alivio de Edward. Mas, o filme era o segundo plano, nós estávamos mais interessados em nos beijar, aproveitando que estávamos sozinhos.
Em algum momento, os beijos passaram para uma verdadeira sessão de agarramento. Eu já estava deitada no sofá, com Edward em cima de mim.
Minhas pernas entre as dele, enquanto sua mão já posicionava-se por dentro da minha camiseta, puxando-me para mais perto. Eu coloquei as minhas em suas costas e cabelo, enquanto Edward beijava meu pescoço como tanto gostava de fazer.
Tomei o rosto dele, fazendo com que ele voltasse a beijar minha boca. O quadril dele vindo de encontro ao meu, fazendo com que eu gemesse em seus lábios, ele já estava ficando excitado, eu queria arrastá-lo até minha cama, enquanto parte de mim sabia que eu ainda não estava realmente pronta para aquilo.
— Bells?
Os lábios de Edward pararam de se movimentar nos meus, nós abrimos nossos olhos e nos encaramos. Só uma pessoa me chamava de Bells e, ela estava naquela casa, tinha apenas dez anos de idade e, com certeza não devia ter visto aquela cena.
Edward gemeu, mas daquela vez não de prazer, ele ficou meio verde também e, eu sabia que estava se culpando por poluir a mente de sua querida Ariel com imagens daquele tipo. Puxei a almofada debaixo da minha cabeça, sabendo que ela seria necessária para prevenir que Renesmee visse mais algo constrangedor, apesar de Edward já estar ficando bem longe de seu estado de excitação.
Entreguei a almofada a ele, nós dois ainda com expressões de culpa no rosto pelo que tínhamos sido flagrados fazendo. Edward se sentou, colocando a almofada sobre o colo, então eu sentei também, sabendo que meu estado estava lastimável com os lábios inchados e vermelhos e, o cabelo despenteado.
Renesmee estava na entrada da sala, nos olhando confusa. Seria uma longa noite, nosso plano de contar a ela sobre nosso namoro só depois de alguns dias totalmente fracassado.
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