Amargo Lar
31 Capítulo Trinta — Bebê
Notas iniciais

Edward Masen
Acordei confuso, aquela definitivamente não era minha cama, o colchão era molhe demais. Abri os olhos, encontrando uma confusão de cabelos castanhos na frente do meu rosto, então logo tudo fez sentido.
Apertei meu braço envolta do corpo de Bella, a trazendo para mais perto de mim, o que não foi suficiente para acordá-la. Afundei meu nariz em seus cabelos, sentindo seu característico cheiro de morangos ali.
Nós tínhamos tido a melhor noite de todas, eu pelo menos podia dizer que por mim tudo foi maravilhoso. Noite que só acabou na verdade por volta das seis da manhã, depois de sexo e um tempo excessivo na cama, acabamos dormindo exaustos e, pelo que o relógio ao lado da cama indicava, já era pouco mais de uma da tarde.
— Bella? — a chamei com a voz tranquila, sem querer despertar seu lado raivoso matinal, ela se remexeu na cama, sua bunda nua encostando em mim, não tínhamos nem ligado para o uso de roupas, não precisávamos delas. — Nós devemos sair da cama e comer algo, o que você acha?
— Que você pode calar a boca e me deixar dormir — resmungou.
— Deus, você é tão humorada.
— Aham, mas você já sabia disso enquanto estava entre minhas pernas noite passada, então não venha falar que sofreu algum tipo de propaganda enganosa, já comprou o produto incluindo o pacote mau humor matinal.
Eu gargalhei, por fim fazendo com que ela risse também.
— Okay, vamos comer! — Ela saiu debaixo das cobertas, andando nua rapidamente até o banheiro, saindo de lá enrolada em um roupão alguns minutos depois, jogando outro para mim. — Pode ligar para Esme e checar como Ness está? — perguntou, sentando ao meu lado na cama e passeando sua mão por meus cabelos. — Você é tão quente — murmurou, bufando. — Eu acho que podemos mudar a ideia de comer para que eu possa te provar mais um pouco. — Encostou seus lábios no meu pescoço.
— Posso ser todo seu, depois que eu tomar um belo café da manhã junto com um almoço, você roubou toda minha energia noite passada — acusei, ela sorriu, mordendo o lábio e piscando para mim com uma expressão doce.
— Promessa é divida, Masen, eu não te deixarei sair dessa cama até amanhã de tarde — sua voz tinha um tom ameaçador, mas logo ela estava voltando a sorrir, então me puxando para a cozinha, tropeçando na nossa mala no meio do caminho, o que me fez ter de segurá-la para não ir de cara ao chão.
— Calminha ai, não vamos perder nosso querido fim de semana escondidos por conta da sua falta de coordenação motora — provoquei, ganhando um chute na canela. — Porra Bella, você está passando tempo demais com vovô.
Ela apenas riu, começando a se movimentar pela cozinha. Eu tinha pedido aos administradores do complexo de chalés que colocassem comidas para nós ali, então eles fizeram um belo supermercado e, eu já podia prever a conta alta no final, mais espertos do que eu.
— Você tem de ligar para a Esme — Bella me lembrou, enquanto começava a preparar panquecas.
Assenti, fui rapidamente o banheiro, coloquei roupas, pois roupão não era meu estilo. Encontrei meu celular e disquei o número de Esme.
— Que bom saber que você está vivo — ela falou brincando ao atender, eu ri, sentando em um dos bancos próximos ao balcão da cozinha, observando Bella dominar a cozinha como sempre fazia.
— Tudo bem por ai?
— Sim, Ness e eu estamos nos divertindo tanto! — minha tia exclamou cheia de felicidade, ela realmente precisava de crianças perto de si para aumentar seu humor. — Quer falar com ela? Estávamos fazendo biscoitos, ela foi limpar a bagunça que ficou seu cabelo, pelo menos já sabemos que ela não sabe cozinhar como Bella, que bom que a garota tem jeito para dança.
— Quero sim — respondi, rindo do fato de Ariel conseguir ser tão desastrada na cozinha quanto eu.
— Só um instante — Esme pediu. — Renesmee?! Edward está no telefone querendo falar com você, querida! — gritou, fazendo com que eu afastasse o aparelho da minha orelha.
Coloquei o celular no viva voz, o deixando sobre o balcão, logo ouvindo a voz empolgada de Ariel.
— Eddye! — ela cantarolou.
— E Bells também — Bella falou, voltando-se para o telefone, deixando as panquecas de lado por um instante, apoiando-se sobre o balcão. — Você claramente tem preferência por esse ruivo, estou me sentindo traída, Ness — brincou, ouvimos a risada de Renesmee e sorrimos.
— Estou com saudades suas, Bells — Ariel falou. — Suas também, Eddye.
— Claro que você está, todos sentem minha fala — provoquei, ganhando um tapa em meu braço de Bella.
— Estamos sentindo sua falta também, pequena — Bells disse. — Amanhã estaremos ai com você, okay?
— Tudo bem, estou me divertindo muito aqui — Ariel declarou. — Vocês estão se divertindo?
— Você não faz ideia, Ariel. — Pisquei para Bella, que conteve uma risada do sentido duplo da minha resposta.
— Precisamos desligar agora, pequena — Bella falou. — Comporte-se e, lembre-se de obedecer Esme, tudo bem?
— Tudo bem, tchau! — Renesmee falou e desligou antes que pudéssemos falar algo a mais.
— Esme claramente está a fazendo se divertir muito. — Bella voltou para as panquecas.
— Ela nem me deu tchau direito — resmunguei. — Quem está se sentindo traído agora sou eu.
Bella riu, colocando um prato com panquecas sobre o balcão.
— Comida de café da manhã no almoço?
— Fora das regras, né? — Ela mordeu os lábios, claramente me provocando.
— Não faça isso, ou eu vou ter de deixar o nosso café almoço para depois e te arrastar para o quarto.
— Faça isso. — Arqueou uma sobrancelha com expressão de desafio no rosto.
— Você vai me matar, mulher! — exclamei, segurando em sua mão e a puxando para o quarto.
***
Bella percorria seus dedos por meu peito, deitada sobre meu braço, enquanto a lareira nos aquecia. Eu estava quase dormindo com o toque dela, mesmo que não estivesse de fato com sono.
Estávamos no meio da noite, chovia muito lá fora e ficar perto do calor da lareira nos pareceu uma boa escolha quando acabamos de comer, já as três da tarde, depois de uma rodada de sexo no quarto. Nós dormimos um pouco no sofá, encolhidos nele, então acordamos no começo da noite e rolamos até o chão, onde tivemos mais um pouco de sexo oral e masturbação.
Olhei para as chamas na lareira por cima da cabeça de Bella, eu sabia que entre o fogo e a morena em meus braços, era Bella a mais quente. Não apenas no sentido sexual da coisa, mas estar com ela realmente era quente, eu me sentia plenamente aquecido com ela por perto.
— No que você está pensando? — perguntei a ela, enquanto sua mão continuava deslizando por meu peito.
— Em você — respondeu simplesmente.
— De que forma?
— Sei lá, em você. — Sua mão parou os movimentos. — Em como eu gosto de estar com você — completou.
Segurei em sua mão, a levando até meus lábios.
— Gosto de estar com você, também — falei.
— Edward?
— Sim?
— Você disse que nunca tinha se apaixonado antes, como se sente agora? O que mudou para você?
— Tudo — respondi sem precisar parar para pensar em uma resposta. — Exatamente tudo, Isabella — afirmei. — Antes...Eu tinha uma vida boa, claro que tinha — murmurei. — Eu não estava por ai depressivo nem nada do tipo, tinha minha família, amigos e algumas garotas. — Ela bufou, mas não disse nada me deixando continuar. — Mas com você a vida parece estar completa, eu nem sabia que estava realmente faltando essa parte de mim, não até eu perceber os meus sentimentos. Quando você deixou minha casa naquela noite, na noite que minha paciente morreu, eu senti sua falta no mesmo instante, te queria ao meu lado para simplesmente segurar em minha mão e me ajudar a passar por aquilo. Então, sim, com você junto de mim eu me sinto um cara completo.
Bella se movimentou, apoiando-se em seu cotovelo para olhar para mim, o rosto preso em uma expressão que não conseguia decifrar.
— Isso, eu acho que me sinto assim também — sussurrou. — Nós dois somos como a droga de opostos se atraindo, não é? — Sorriu por fim, aproximando seu rosto do meu. — Você puxa coisas boas de mim, Edward, obrigada por devolver a cor ao meu mundo.
— A cor?
— Ela esteve ausente. — Bella encostou seus lábios nos meus. — Eu pensava que nunca ia enxergar colorido, eu tinha Ness e ela era meu único ponto de cor, mas não conseguia ver muito além dela, era como se todo o resto estivesse em pane, danificado para sempre.
— Não está mais?
— Com certeza não. — A senti sorrir em meus lábios. — Eu acho que tomei uma decisão. — Voltou a se afastar para que pudesse olhar em meu rosto.
— Qual?
— Quero voltar a estudar — murmurou. — Quem sabe eu consiga reerguer minha vida.
— Bella, isso é maravilhoso! — Eu sorri.
— Estou nervosa e tudo mais com isso. — O sorriso dela era tenso. — Mas eu quero, preciso disso, entende?
— Claro que entendo, você vai conseguir, Bella.
— Eu, estive pesquisando isso com Rose durante essa semana. — Contou, voltando a deitar em meu braço. — E, achei melhor esperar até o começo do ano que vem, depois das férias de inverno quando as aulas retornarem, até lá posso me organizar melhor...
— Podemos nos organizar melhor — a interrompi.
— Edward, você não precisa entrar nessa comigo, eu posso dar um jeito.
— Eu já estou nessa com você, Bella. — Toquei em seu rosto. — Estou nessa com você desde o momento que você me permitiu tocar em sua mão no estacionamento daquele supermercado quando nos conhecemos.
Ela fechou os olhos, sorrindo.
— Deus, eu podia muito bem ter te dado um soco aquele dia quando você falou com Ness.
— Justo, eu era apenas um estranho. Mas, você iria quebrar meu lindo nariz e isso seria triste.
Bella riu, encaixando seus dedos em meus cabelos ainda compridos, os puxando levemente.
— Eu adoro o fato de você sempre me fazer rir, sabe? — perguntou ainda de olhos fechados. — Desde aquele primeiro dia, quando tudo estava difícil demais e eu estava me achando errada rindo, você me fez rir com todo aquele papo de fraldas com Jane. É simplesmente impossível não se sentir leve e bem humorada com você por perto, Doutor Masen.
— Prometo sempre fazê-la rir.
***
Tranquei a porta, virando-me para Bella, a vendo com uma expressão engraçada no rosto, enquanto mexia na alça da mala em suas mãos. Eu sorri, afastando seu cabelo de seu rosto, ganhando um biquinho dela.
— Nós não podemos ficar mais? — perguntou manhosa. — Eu adoro esse chalé. — Tocou na parede como se estivesse sentindo a mais suave seda.
— Sinto muito, temos de voltar. — Peguei a mala da mão dela. — Podemos voltar assim que conseguirmos um tempo extra, prometo. — Pisquei para ela, seguindo até o carro com ela me seguindo.
— O que nunca vai acontecer, né? — Bella reclamou. — Já foi uma verdadeira luta conseguir que Sue me desse o sábado de folga, sendo que eu já estarei de folga para a Ação de Graças na quinta — falou. — Por falar nisso, onde você estará?
— Na casa dos meus tios e, você e Ness também — declarei ligando o carro. — Realmente achou que tia Esme iria deixar vocês duas fora do feriado preferido dela?
Com a Ação de Graças tão perto, outra data importante estava se aproximando e, eu estava começando a sentir o impacto dela.
— Bom, tudo bem, eu estava prestes a me convidar para a festa. — Bella ligou o som, o desligando quando não encontrou nenhuma estação na rádio que a agradasse. — Não para de chover — reclamou vendo a chuva torrencial enquanto deixávamos o complexo de chalés. — Nem quero imaginar como estará em Forks. Na verdade quero, mal posso esperar para ter Ness por perto novamente, é a parte boa de estar indo embora. Edward?
— Oi?
— Por que você está tão quieto? Isso é estranho demais.
— Oh, então você admite que me prefere falando? Vejam só, temos uma grande mudança de opinião aqui, senhoras e senhores.
— Não banque o espertinho, por que você está disperso?
— Nada. — Suspirei. — Apenas triste de ter de deixar o chalé também. — Sorri. — Foi incrível, uma pena que não tivemos sexo na banheira.
— Sim, lembre-me de ir atrás de um médico...Um que não seja você — se corrigiu. — Para que eu possa cuidar de arranjar outros métodos contraceptivos.
— Bella, você não precisa encher seu corpo de hormônios só para podermos ter sexo, eu não me importo com camisinha.
Eu nunca tinha feito sem, na verdade, então não conhecia o outro lado.
— Bom, eu também não me importo, mas se vamos ter sexo regular eu realmente não quero depender e confiar em apenas camisinha. — As bochechas dela estavam coradas, era incrível como ela conseguia ser atrevida e envergonhada. — Meu ciclo é uma loucura, já suspeitei uma gravidez antes, não posso confiar em meu corpo.
Minhas mãos apertaram o volante com força, ela tinha suspeitado estar grávida de James? Porra, não, eu odiava imaginar aquilo.
— Edward, tudo bem? — perguntou. — Seu rosto está queimando.
— Estou — respondi, suspirando. — Quando você pensou que estava grávida?
Bella suspirou, claramente não querendo falar sobre aquilo tanto quanto eu.
— Dois anos atrás, foi uma tolice imensa, eu claramente estava com meu período atrasado justamente por estar tensa de que algo tivesse dado errado. Depois do teste, minha nada querida amiga veio junto com as cólicas.
— Bella, você já pensou em ter filhos? — perguntei antes de poder me controlar.
Agradeci ao fato de estar dirigindo que me impedia de observar as expressões no rosto dela a cada instante.
— Já, quer dizer, além desse tempo que suspeitei estar grávida.
— E?
— Edward, você sabe com que eu estava antes — Bella murmurou. — Sabe como eu me sentia em relação a ele, então, não, pensar em ter filhos não era algo que achava que seria um grande negócio. Mas, ocasionalmente, eu pensava que talvez tendo um bebê dele, as coisas pudessem mudar.
Respirei fundo, colocando o carro no acostamento e me virando para ela, confusa por eu ter parado.
— Você tentou engravidar dele? — indaguei sério.
— Sim — confessou, olhando para suas mãos. — Na verdade, quando eu suspeitei estar grávida foi justamente por isso. Eu tomava pílula e, nós não usávamos camisinha, então, as coisas ficaram pesadas, ele estava muito distante de mim. Parei com a pílula por algum tempo, mas eu me arrependi no momento que percebi a merda que estava fazendo, pensar em ter um bebê, quando nem podia me sustentar, com toda certeza era algo errado demais. Foi só um susto, no entanto.
Segurei em seu rosto, fazendo com que ela me olhasse, os olhos marejados.
— Sinto muito por isso, Bella.
— Edward, você claramente quer ter filhos...
— Bella, nós não precisamos ter essa conversa agora — falei.
— Não, nós precisamos, ou ela nunca mais encontrará um momento para acontecer — disse. — O que quero falar é que, eu posso ver desde o dia que te conheci o quanto você é um pai, mesmo não sendo um. O modo como agia com Jane naquele supermercado, como tratava Ness, como continua a tratando, você nasceu para ser um pai. E, eu quero que você seja, mas não quero ser uma mãe, Edward.
Prendi a respiração, engolindo em seco.
— Não agora, no futuro sim. — Sorriu para mim, me tranquilizando. — Eu já tenho Ness e, Esme já disse que eu sou como uma mãe para ela, mas sei que não sou nem metade do que uma mãe deveria ser ainda. Não estou pronta para engravidar, ter um bebê e, cair novamente em uma loucura desconhecida. Amo Renesmee, nós duas estamos nos descobrindo, nos entendendo, recuperando o tempo que passamos distante. E, você é mais velho, já tem um instinto paternal gritando dentro de si e, realmente conseguiria administrar muito bem Renesmee e, um bebê, mas eu não posso.
— Não vamos ter um bebê. — Segurei em sua mão. — Não agora. — Sorri para ela. — Temos um futuro juntos, Bella. Com Ariel, quem sabe um casamento se isso for algo que você concorde e com tempo de sobra para bebês. Quero que esteja pronta para isso tanto quanto eu, que até lá tenha encontrado um trabalho que goste, que se sinta preparada para uma gravidez, para lidar com uma nova criança.
— Obrigada por isso. — Ela afagou minha mão na sua. — Mas, a menina não se chamará, Rosalie! — exclamou, me fazendo rir, ainda que eu estivesse realmente em ter uma garota, com a sorte com os mesmos olhos de Ariel e Bella.
— Não, você tem algum nome melhor? — perguntei.
— Elizabeth, é claro. — Seu rosto tinha um ar ansioso, mas seu sorriso era verdadeiro.
— Deus, você não facilita para mim. — Tirei o cinto para beijá-la. — É difícil demais controlar toda a paixão que sinto por você, sabe?
— É difícil para mim também — sussurrou. — Edward, eu...
— Você? — perguntei quando ela se calou.
— Acho melhor irmos, ou ficaremos presos nessa chuva para sempre.
— Claro — concordei confuso com sua frase fora de hora. — Vamos embora, você ainda não tem nenhum bebê meu, mas há uma garotinha em Forks que podia muito bem ser minha filha.
Vi os olhos de Bella brilharem, mas ela permaneceu calada.
***
Estacionei o carro na frente da casa dos meus tios no começo da noite, a chuva tinha nos atrasado e chegamos a Forks bem depois do tempo previsto. Bella e eu estávamos deixando meu carro, quando Jazz chegou ali no dele, para minha grande surpresa sem seu coque samurai, com seu cabelo cortado, os cachos loiros pendendo de sua cabeça.
— Tia Esme finalmente te convenceu a cortar? — perguntei segurando na mão de Bella, subindo com ela a escada da varanda, com Jasper vindo correndo atrás da gente para abrir a porta com sua chave.
— Mamãe e Alice entraram em um complô sobre isso, então elas cortaram ontem a noite quando voltamos de Seattle. Você não é assim, né priminha? — perguntou para Bella. — Realmente estou me sentindo traído por terem cortado meu cabelo.
— Claro, porque sua força estava nele, Sansão — brinquei, ganhando uma careta do meu primo.
— Estou surpreso que esteja conseguindo andar depois de todo aquele sexo, Eddye! — provocou, Bella se engasgou e eu dei um tapa na parte de trás da cabeça de Jasper. — Ai porra, você é magro mais tem força, seu filho da mãe.
Meus tios estavam na sala, assistindo o noticiário. Assim que nos viu Esme pulou do sofá, correndo até a gente, nos abraçando e questionando se tínhamos gostado do chalé.
— Onde está Ariel? — perguntei a Carlisle.
— Lá em cima — respondeu. — Ela...
— Ness, querida, desça aqui! — Esme interrompeu o marido, gritando, fazendo com que Bella e eu nos encolhêssemos.
Ariel surgiu no topo da escada, então quando viu a irmã e eu começou a descer apressadamente, eu confiava no equilíbrio dela, diferente de Bella ela não foi ao chão com aquilo.
— Oi meu anjo! — Bella pegou a irmã no colo, sem se importar com o peso. — Como você está? — perguntou, dando um beijo na bochecha de Ariel.
— Estou bem, vovó Esme e eu nos divertimos muito — Ariel disse.
— Você e quem? — Bella perguntou a Renesmee, colocando-a no chão com cuidado, o rosto da morena preso em uma expressão de surpresa.
— Vovó Esme — Ariel murmurou receosa, olhei para minha tia, que sorria de orelha a orelha como se tivesse ganhado um prêmio na loteria.
— Esme? — Bella olhou em expectativa para minha tia.
— Ela pode me chamar assim, Bella — Esme respondeu, afagando os cabelos de Ariel. Vi os olhos de Bella se encherem de lágrimas, então ela abraçou Esme.
Ninguém falou mais nada sobre o modo que Ariel chamou tia Esme, preferiram desviar a conversa para o fim de semana de todos. Então, segui até a cozinha onde Jasper estava desde que Renesmee tinha chamado Esme de vovó. Ele encarava o balcão, enquanto eu o analisava me servindo de um pouco de água.
— Cara, você parece pálido, está tudo bem?
— Não, na verdade — ele resmungou, passando as mãos pelos cabelos, bufando ao se lembrar deles cortados.
— O que aconteceu?
— E-eu...Talvez Alice esteja grávida. — O copo caiu das minhas mãos, espalhando água e vidro por toda a cozinha.
— Bosta! — reclamei.
— Isso é uma palavra feia. — Ouvimos a voz de Ariel na porta da cozinha e nos viramos para ela.
— Ariel, você pode esperar na sala, querida? Eu tenho de limpar essa bagunça.
— Tudo bem — ela concordou. — Você está branco demais — falou para Jasper antes de sair da cozinha saltitando.
— Okay, agora me explique isso melhor. — Me voltei para meu primo. — Ela está realmente grávida?
— Ela acha que sim. — Jasper gemeu, apoiando-se no balcão. — Nós transamos sem camisinha vezes o suficiente para que isso acontecesse. Edward! — Me olhou em desespero. — Eu não estou pronto para ser um pai, nem mesmo sei se quero ser um pai. Eu amo Alice...
— Você a ama? Vocês meio que estão juntos só por alguns meses — murmurei.
Jasper bufou.
— Vai me dizer que você não ama, Bella?
Meu estômago revirou, aquela palavra e a carga de sentimentos que ela carregava eram fortes demais.
— Ela já fez algum teste? — Voltei ao assunto principal.
— Não, ela quer algo concreto, então dispensou o de farmácia que levei para ela hoje. Vai fazer um exame de sangue amanhã.
— Okay, você sabe que tem opções a se considerar — sussurrei.
— Sim, aborto e adoção e, eu me sentiria a pior das pessoas com ambos. E, nem sei como Alice vai reagir a uma gravidez, nós nos amamos, mas estamos juntos a pouco tempo e, realmente não tivemos uma conversa sobre futuro, muito menos sobre bebês.
— Bom, vocês podem começar fazendo o teste, vendo onde isso vai parar e depois tomando decisões.
— Sinto que estou morrendo — dramatizou passando as mãos pelo rosto. — Ah cara, isso é terrível, estar apaixonado é uma merda. Amo Alice e, quero estar com ela. Mas, eu não estava pronto para algo tão grande, queria convencê-la a vir viajar comigo, mas com um bebê será impossível. Porra Edward, eu nem tenho um trabalho, como vou cuidar de uma criança? Meus pais vão me matar.
— Jasper, calma — pedi, pulando a bagunça que tinha feito ali, seguindo até a adega de Carlisle, puxando um vinho de lá. O abri e enchi uma taça para Jasper, até eu sabia que ele precisava de uma bebida para mantê-lo calmo. — Aqui.
— Cara, eu estou fodido, né? — perguntou depois de beber tudo em praticamente um único gole. — Não sei ser um pai, isso definitivamente não é para mim. Vejo papai, Emmett com os filhos dele, você com Renesmee, vocês são pais, eu sou só um moleque.
— Ninguém nasce programado para ser pai, Jazz — falei.
— Você nasceu — ele resmungou. — Renesmee nem é sua filha e você a trata como se fosse. A garota até está chamando mamãe, que é como sua mãe, de avó. Merda, mamãe vai fazer um grande espetáculo em cima dessa gravidez.
— Jazz, você e Alice nem tem certeza disso antes, pode ser apenas um alarme falso. Mantenha-se calmo, okay?
Ele colocou a taça sobre o balcão com cuidado, seus olhos cheios de lágrimas, fungou e suspirou.
— Vou tomar um banho e dormir, eu preciso tentar tirar isso da minha cabeça por um par de horas. — Saiu da cozinha.
Eu suspirei, a vida de Jasper realmente não era algo programada para o acréscimo de uma criança. E, Alice e ele estavam só começando algo. Isso tudo era realmente uma grande confusão para os dois.
— O que aconteceu aqui? — Bella perguntou ao entrar na cozinha, vendo a bagunça que eu tinha feito.
— Ah droga. — Fui até a área de serviço, pegando os materiais necessários para limpar aquilo.
— Você está bem? — Bella perguntou me ajudando.
— Posso ser um fofoqueiro?
— Bom, eu não acho isso uma atitude muito legal, mas considerando o modo como você está suando frio. — Tocou em meu rosto. — Acho que posso ouvir sua fofoca para saber porque você está desse jeito.
— Alice acha que está grávida — sussurrei, Bella arregalou os olhos e, agachados no chão da cozinha de tia Esme, limpando cacos de vidro e água espalhados por ali, eu soube que meus sentimentos eram maiores do que o imaginado.
— Isso, bosta! — exclamou em choque.
— Foi minha reação também. — Ri.
— Esme vai surtar, ela já faz esse grande espetáculo sobre Ness que nem é neta dela, imagine como vai ficar com um neto de verdade.
— Renesmee é neta dela — resmunguei, tirando meus olhos dela, irritado com aquilo.
— Edward, desculpe. Edward?
A olhei por fim.
— Me desculpe, okay? Eu sei o quanto você ama, Renesmee. Mas, é que Charlie era o pai dela, por mais que eu deteste isso, eu não posso simplesmente apagar da minha mente esse fato.
— Estou sendo um tolo. — Coloquei os cacos de vidro envolta de papel para colocá-los no lixo. — É claro que ela nunca vai me ver como um pai, só estou me enganando pensando o contrário. Ainda mais agora com ela chamando tia Esme de avó.
— Edward. — Bella tocou em minhas costas depois de limpar suas mãos. — Renesmee te ama, entendeu? Ela é nova e toda essa situação é complicada para ela entender, mas ela te ama e isso é o importante. É só diferente entre você e Esme, Ness nunca teve uma avó, por isso é fácil que ela veja Esme como uma. Você, ela realmente te ama e te admira, mas Renesmee esteve com Charlie por dez anos, ele ainda é o pai na mente dela, ela também é na minha, nós duas não vamos simplesmente esquecer dele como eu gostaria que fosse.
— Eu sei. — Sorri. — Tudo bem, desculpe a explosão. Só fiquei agitado com a história de Jasper.
— Todos nós. — Ela sorriu. — Alice ficará bonita mesmo grávida, no entanto.
— Estou realmente pensando em Jasper, ele está no meio de uma crise existencial com tudo isso. — Bella riu, acenando positivamente com a cabeça.
— Eu o entendo, era totalmente assustador no inicio com Ness. Vou ajudá-la a arrumar suas coisas para irmos embora, podemos ir para sua casa e fazer o jantar para o senhor Masen, o que acha?
— Uma grande ideia — concordei, Bella beijou meu rosto, então saiu da cozinha.
Estava terminando de arrumar a cozinha, quando Ariel entrou.
— Oi querida, acho que ainda não tivemos tempo de conversar, não é? — Beijei o topo da sua cabeça. — Como foi seu fim de semana?
— Foi legal. Eddye, posso te pedir algo?
Sorri para o jeito todo adulto que ela disse aquilo, mas logo fiquei preocupado com o que era.
— O que, Ariel?
Minha vontade era de concordar logo de uma vez com o quer que fosse que ela estivesse querendo me pedir, mas eu sabia que isso não era o certo.
— Você pode me levar no dia de Ação de Graças para ver o papai no cemitério? — perguntou aflita. — Bella não gosta de falar nele...
— Eu entendendo. — Assenti. — Vou falar com ela e vejo se sua irmã deixa com que eu te leve, okay?
Renesmee assentiu, então se agarrou a mim me abraçando. Eu a ergui do chão, sentindo seu cheiro de baunilha, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas ao constatar que eu não era o pai dela, sim Charlie enterrado naquele cemitério.
— Você está chorando? — ela perguntou, assenti, respondendo:
— Só estou feliz por estar com você, Ariel.
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