Amargo Lar

32 Capítulo Trinta e Um — Obrigada


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Isabella Swan

Alice estava aos prantos quando entrei no escritório do estúdio de Rose na tarde de segunda-feira, eu suspirei, colocando a sacola com nosso almoço sobre a mesa e pegando Jane do colo da mãe, deixando a loira acalmar a outra mulher ali. Alice não falava nada, apenas chorava muito agarrada a Rose.

— Alice está grávida — Rose sussurrou para mim por fim, mas foi o suficiente para Alice soluçar.

— Eu posso fazer algo por você, Alice? — perguntei gentilmente, deixando Jane bagunçar meu cabelo preso em um coque no alto da cabeça.

— Sim, conseguir uma máquina do tempo, voltar ao passado e dar na minha cara quando eu achei que seria divertido fazer sexo sem camisinha — choramingou. — Eu estou tão fodida!

— Sim, foi o que te colocou nessa situação, Alice — Rose brincou, ganhando um olhar irritado da outra.

— Não tem graça, Rosalie — reclamou.

— Jasper já sabe? — perguntei, era ruim Edward estar no trabalho, talvez ele fosse necessário ali para ajudar o primo com aquela novidade.

— Não, eu fui sozinha ao hospital fazer o exame, ele não me ligou desde ontem, mas mandou uma mensagem antes do resultado falando que estaria comigo, que só precisava pensar um pouco. Claro que isso vai resultar nele indo embora e eu só, fui uma idiota caindo nessa de amor. — Alice limpou o rosto, sendo tomada pela raiva.

— Alice, vai ficar tudo bem. Você e Jazz só precisam conversar — falei dando um beijo na cabeça dela. — Além do mais, Rose e eu estamos aqui com você.

— Isso e você tem seus pais também, Alice, eles são maravilhosos, nunca te deixariam na mão em um momento importante como esse. — Senti a dor na voz de Rose e quis confortá-la com aquilo, mas sabia que Alice não sabia sobre toda a história de Rose grávida de Alec, então preferi não tocar no assunto. — Você tem ideia do que quer fazer?

Alice suspirou, colocando seu rosto entre as mãos antes de falar.

— Quais minhas opções? Aborto, adoção. — Rose se contraiu ao ouvir aquilo. — Criar essa criança só se Jasper cair fora, ou deixá-lo para Esme.

— Alice, eu tenho certeza de que Jasper não vai cair fora. Ele é um cara legal, Carlisle e Esme o criaram muito bem — insisti.

— Ele não é o Edward super centrado na vida, Bella. — Alice voltou a chorar. — Deus, eu ainda moro com meus pais e Jasper não tem um trabalho, muito menos uma casa, olhe onde nós nos me temos.

— Acho melhor você ir para casa e descansar um pouco, Alice, esse nervosismo todo não vai fazer bem pro bebê. — Rose afagou os cabelos dela.

Alguém bateu na porta do escritório, passei Jane para Rose e fui abrir, revelando Jasper. Ele parecia incrivelmente péssimo, então decidi não pegar muito pesado com ele.

— Oi priminha.

— Entra logo. — O coloquei para dentro, Alice já o encarava.

— Positivo. — Jasper respirou fundo ao notar o estado dela, não era uma pergunta, o resultado já estava claro pelo estado dela.

— Vocês querem ficar sozinhos aqui? — Rose perguntou ficando de pé com Jane.

— Não, eu vou embora. — Alice se levantou também. — Nós podemos conversar? — indagou Jasper.

— Claro — ele concordou, os dois saíram sem falar nada com a gente, ou um com o outro, nem se tocando.

— Eles vão ficar bem, né? — perguntei para Rose, que já remexia a sacola atrás do seu almoço.

— Vão, só estão surtando com tudo isso, mas é normal. Bom, eles terão nove meses para se acostumar com a ideia de que serão pais, você nem teve tempo de deglutir a ideia de estar assumindo a guarda de Ness, os dois estão com sorte.

Assenti, indo pegar meu almoço também.

— Espero que você e Edward tenham usado camisinha.

— Usamos sim — garanti. — Muitas e muitas vezes. — Pisquei para ela.

— Não entre em detalhes — Ela pediu com uma careta no rosto. — Eu nunca mais ia conseguir olhar na cara de vocês dois se soubesse sobre o que rolou naquele chalé.

— Pode deixar, não estava pretendendo narrar tudo. — Peguei meu celular do bolso, mandando uma mensagem para Edward.

Bella: Adivinha quem vai ser papai?

Edward: JASPER VAI SER PAI?

Ele tinha respondido rápido, provavelmente matando seu tempo no plantão em sua sala.

Bella: Yeah, isso faz de você tio, parabéns!!!

Edward: Valeu, isso faz de você tia também. Como Alice está?

Bella: Confusa, é claro. Jasper não a abandonaria, não é?

Edward: Eu quebro a cara dele se pensar em deixá-la agora. Mas não, ele a ama, não seria forte o suficiente para se afastar.

Suspirei, lembrando que no dia anterior eu quase tinha deixado escapar um 'eu te amo' para Edward quando estávamos voltando do chalé.

Bella: Estou com saudades, o fim de semana não foi o suficiente para mim.

Edward: Ei, estou preso no hospital, não me provoque, Bella.

Eu ri, sabendo que ele também deveria estar rindo. Senti algo acertar a parte de trás da minha cabeça e me virei para Rose, aos meus pés um brinquedo de Jane.

— Pare de fazer sexo por mensagem e venha comer, Bella!

***

Eu encarava o painel do carro de Edward desanimada, o que era incomum considerando o quanto eu gostava daquele carro. Ele dirigia em silêncio ao meu lado, enquanto seguia o caminho até o cemitério.

Renesmee no banco de trás estava olhando distraidamente pela janela, mas seu rosto continha uma expressão triste. Eu tentei convencê-la, ou até mesmo impedi-la de ir fazer aquilo, mas acabei cedendo, era algo importante para ela.

Esperava que depois daquilo, nosso dia de ação de graças pudesse melhorar. Nós iríamos buscar o senhor Masen e ir com ele para a casa de Esme, preparar e ter o jantar lá, ele tinha relutado no começo em participar, mas Edward, Renesmee e eu tínhamos sido mais teimosos do que ele.

O carro de Edward parou na frente do cemitério, Renesmee não precisou de permissão para sair e esperar do lado de fora. Eu continuava encarando o painel, já decorando todos os botões e luzes ali.

— Bella?

— Eu não vou, você pode ir com ela — falei, sem olhar para Edward.

— Bella, Renesmee precisa de você lá.

— Já disse que não vou — falei irritada com sua insistência.

— Bella, é a sua irmã lá fora indo visitar o túmulo de Charlie.

— Ela vai ficar bem sem mim — afirmei.

— Não, ela precisa de você. Pode pensar nela por um minuto, não na raiva que tem de Charlie?

— Edward, chega, okay? — O encarei por fim. — Eu nem queria ter vindo até aqui, você que ficou insistindo que seria mais fácil para irmos para a casa dos seus tios depois. Não me importo com Charlie, não vou ficar visitando o túmulo dele como se estivesse com saudades.

— Não é por você, é por Renesmee. — Edward bufou. — Quer saber, que seja, não vou te forçar a ir até lá.

Ele saiu do carro, claramente irritado, mas eu também estava então não liguei para isso. Nós já tínhamos ficado em lados diferentes daquela história desde terça quando Renesmee e ele tocaram no assunto. Edward insistindo que ela precisava daquilo, enquanto eu me recusava a permitir que Renesmee fosse até aquele maldito cemitério.

Os dois passaram cerca de vinte minutos lá dentro, quando voltaram para o carro era óbvio que Renesmee tinha chorado. Eles não disseram nada e, eu também não, mas Edward tinha desapontamento em seu rosto durante todo o caminho até sua casa. Ele trouxe seu avô para o carro com a gente, então dirigiu até a casa dos tios.

Eu sai do carro assim que estacionou, abrindo a porta do banco de trás para Renesmee. Ela tinha voltado a chorar, mas em silêncio.

— Você quer ir pra casa? — perguntei a ela, talvez comemorar depois daquela visita não a fizesse bem, era um dos motivos que me fazia a querer longe daquele lugar que podia magoá-la profundamente.

Ness negou com um aceno de cabeça, seguindo Edward e o senhor Masen até a porta por onde Esme já esperava por nós, usando um avental.

— Olá senhor Masen, fico feliz que tenha vindo. — Ela lhe lançou um sorriso doce.

— Oi Esme — ele resmungou, visivelmente cansado e mancando mais depois de ter subido a escada da varanda.

— Querida, o que houve? — Esme perguntou preocupada para Renesmee que apenas enxugou suas lágrimas. — Bella?

— Ela apenas fez algo que não devia — murmurei, mas Edward escutou e continuava irritado.

— Carlisle foi comprar algumas coisas que eu precisava para a ceia. Alice e Jazz devem estar chegando — Esme explicou o fato de estar sozinha em casa. — Querida, posso te dar algo? — perguntou a Ness. — Eu tenho alguns biscoitos na cozinha.

Renesmee apenas concordou, assentindo e indo atrás de Esme para a cozinha. Fiz o caminho contrário, indo para fora da casa, sentando na escada da varanda.

— Eu não devia ter a deixado ir lá, olhe como ela está agora — falei quando Edward sentou ao meu lado.

— Bella, você não pode proteger Renesmee de tudo. Eu entendo que vê-la magoada é horrível, mas algumas coisas são simplesmente impossíveis de serem impedidas — falou sério, nós dois encarando o seu carro ali na frente. — Ela vai sempre sentir a falta de Charlie, luto não é algo que suma, de uma forma ou de outra ele sempre estará lá. Eu bem sei disso.

— Charlie não era como seus pais, Edward. Não os compare!

— Bella...

— Ele era um porco cretino. — Senti toda a raiva dentro de mim. — Foi comigo e com Renesmee também, eu nunca vou poder tirar essa figura de pai terrível que ele foi da mente dela, mas eu posso impedir que ela continue com essa loucura de ir visita-lo como se Charlie merecesse qualquer tipo de homenagem pós vida como um cara honrado, coisa que não foi.

— Ele ainda vai ser o pai dela com ou sem as visitas ao cemitério, Bella. — Edward me olhou por fim. — Foi isso que conversamos no domingo, não é? Ele sempre será a figura paterna na mente dela, você e eu não podemos lutar contra isso — disse magoado.

Assenti, odiando aquilo, mas sabendo que era a droga da verdade.

— Ela falou sobre você lá — ele murmurou. — Perguntou por que você não tinha ido com ela, Bella, eu sei que tudo isso é muito difícil para você, mas Renesmee precisa da sua presença.

— Foi idiota da minha parte — admiti. — Mas eu pensei que você seria suficiente. Você sabe como é estar no lugar dela, eu não sinto nada por Charlie, não sei como é isso.

Edward afagou minhas costas, beijando minha cabeça.

— Desculpe ter sido rude com você no carro.

— Eu também fui. — Dei de ombros. — Não precisa pedir desculpas toda vez que se irritar comigo, Edward — completei. — Eu não estou esperando que você sempre concorde comigo em tudo.

O carro de Jasper apareceu algum tempo depois, ele e Alice saíram dele. Ela parecia meio verde, enquanto fazia uma careta.

Os dois tinham conversado na segunda-feira, eu não sabia muito bem o que tinham acertado. Mas, sabia que estavam resolvendo sua situação. E Esme e Carlisle ainda não sabiam sobre o neto.

— Ei nova mamãe de Forks, você está enjoando muito? — Edward perguntou enquanto nós ficávamos de pé.

— Muito. — Alice se apoiou em Jasper. — Poderia vomitar em você agora mesmo, Eddye.

Puxei Edward para mais perto de mim, ele era cheiroso demais para que eu permitisse que Alice o deixasse cheirando a vômito.

— Quando vocês vão contar para os pais de vocês? — perguntei, Edward me envolveu em seus braços quentes.

— Vamos aproveitar que estamos todos juntos e contar para papai e mamãe hoje — Jasper disse nervoso. — Contaremos aos pais de Alice quando eles voltarem da casa do irmão dela em Seattle no fim de semana.

— Yay, papai e mamãe, vocês serão avós agora! — Alice brincou, logo tendo uma ânsia de vômito. — Eu odeio isso — reclamou. — Parece que tudo que como vira vômito. — Ela e Jasper entraram em casa com ele praticamente a carregando.

— Jazz é tão esperto, vai aproveitar a gente aqui para contar para tio Carlisle impedindo que ele o mate.

— Contanto que Alice não vomite em você eles podem fazer o que quiserem — falei, fazendo Edward rir. — Vamos entrar, eu preciso ajudar Esme com o jantar.

— Sim, você me fará um belo bolo. — Ele beijou minha bochecha, puxando-me para dentro.

— Não vai ter bolo, vai ser torta de maçã, é Ação de Graças.

Alice estava na sala com o senhor Masen e Jasper, parecendo que iria vomitar a qualquer momento no pai do seu bebê. Eu preferia assim, ele que ficasse fedendo, não Edward.

Renesmee estava na cozinha com Esme, comendo alguns biscoitos, parecendo um pouquinho melhor. Lhe dei um beijo no rosto, conseguindo um sorriso dela.

— Você precisa de alguma coisa de mim, tia? — Edward perguntou a Esme, que estava lavando batatas.

— De você? Distância da minha cozinha — ela falou séria. — Ano passado você quase deixou queimar a torta de maçã falando que estava de olho nela, não vou repetir o erro. Bella está aqui, aliás, seria ridículo pedir sua ajuda com ela por perto.

— Engole essa, Masen! — o provoquei, Edward revirou os olhos.

— Ness, vá com Edward para a sala, querida. Você também não tem jeito pra cozinha, vocês podem cuidar da louça depois.

Renesmee pareceu indignada também, Edward riu, a levando para a sala, prometendo que eles não precisavam cozinhar em um mundo que existia entrega de pizza.

Carlisle chegou algum tempo depois com alguns itens que faltavam, Jasper se uniu a gente na cozinha, diferente de Edward ele tinha jeito para cozinhar. Enquanto ele ajudava a mãe com os acompanhamentos, me uni a Carlisle na preparação do Peru.

— É assim que você se sentia nas aulas de anatomia? — Brinquei enquanto ele colocava o recheio dentro do Peru, Carlisle gargalhou.

— Por aí.

— Eu não consigo me imaginar mexendo em um corpo morto, isso não te dava pesadelos?

— Eu vomitei no primeiro dia — Carlisle contou ainda sorrindo. — Foi como conheci Liz na verdade, ela estava naquela aula comigo e não perdeu oportunidade de tirar barato com a minha cara.

— Edward é extremamente como ela, não é? — Ri.

— Deus, muito! — Carlisle exclamou. — É algo da família de Esme e Elizabeth, suponho. Todos são assim, boa sorte com seus filhos.

Apenas sorri pensando naquilo.

***

Sentei entre Edward e Renesmee a mesa, Carlisle e Esme ocupavam as cabeceiras e, Jazz e o primo eram os mais próximos do dono da casa. Alice estava entre o namorado e o senhor Masen, sentado diante minha irmã.

— Alice e eu queremos falar algo antes de começarmos a comer — Jasper disse nervoso.

— Por favor, não demore, estou faminto — Senhor Masen reclamou.

— O que foi, Jazz? — Carlisle perguntou. — Estamos todos famintos.

Jasper olhou para Alice por um instante, que encarava seu prato vazio, quando por fim falou:

— Alice e eu vamos ter um bebê.

Silêncio. Tirando a respiração de Edward do meu lado direito eu podia jurar não ouvir mais nada. Até mesmo Ness estava quieta.

— Um bebê? — Carlisle perguntou o que pareceu ser uma eternidade depois. — Você vai ter um bebê, você nem tem um trabalho de verdade e vai ter um bebê! — gritou no final, Alice se encolheu e Jasper desviou o olhar para seu colo.

— Carlisle, não fale como se isso fosse uma praga! — Esme chamou a atenção dele brava. — É nosso neto.

— E nós iremos sustentá-lo, porque o irresponsável do nosso filho mora em um carro.

— Vamos pra sala — Edward sussurrou para mim, mas Carlisle ouviu.

— Não vocês ficam! — Carlisle ordenou. — Jasper você vem comigo, agora.

Jasper não hesitou em seguir o pai para fora da sala de jantar, mantendo a cabeça sempre voltada para baixo. Alice começou a chorar no instante seguinte que pai e filho saíram.

— Ah meu bem, não chore. — Esme foi até ela, sentando na cadeira que antes Jasper ocupava. — Está tudo bem, Alice. Carlisle só está nervoso, tudo vai se resolver. Você precisa de um pouco de água?

— De vinho. — Alice choramingou, Esme riu.

— Lamento, querida, eu não vou permitir que você beba. Deus, eu vou ter um neto! —Esme exclamou contente, enquanto Alice chorava mais. — Edward, você consegue acreditar?

— Sim, eu já sabia — murmurou.

— Eu fui a última a saber? — Esme perguntou chateada. — Bom, vamos mudar isso, ouviu Alice? Eu tenho de ser a primeira a saber de tudo, querida! — Lançou um sorriso um tanto quanto assustador a Alice, que apenas assentiu. — Um bebê, eu estou radiante! — Esme comemorou.

— Vocês vão ter um bebê também? — Ness perguntou para Edward e eu.

— Não — respondemos juntos.

— Deus, vocês poderiam ter um bebê também. Isso seria fabuloso, o filho de vocês e de Jazz cresceriam juntos como melhores amigos, seria fantástico! — Esme era só sorrisos.

— Não estamos prontos para um bebê, tia — Edward falou.

— Alice e Jasper também não e eles terão um. — Esme deu de ombros. — Quer dizer, me desculpe, querida, essa é apenas a verdade — falou para Alice, que apenas assentiu, parecendo mais enjoada do que antes.

— Eu preciso ir ao banheiro, com licença — pediu, deixando a mesa, Esme foi atrás, falando sem parar sobre o bebê.

— Coitadinha de Alice, tia Esme não sairá do pé dela agora — Edward disse.

— E Carlisle?

Edward suspirou.

— Ele nunca se deu bem com o fato de Jazz ter dispensado a faculdade e, não ter um trabalho fixo, vai ser complicado que ele aceite tudo sem reclamar. Mas, vai ficar tudo bem.

Carlisle e Jasper voltaram um bom tempo depois, enquanto todos na mesa continuavam ignorando a comida e nossa fome os esperando para o jantar. Nenhum dos dois parecia contente e, Jasper parecia que poderia muito bem triturar uma pessoa enquanto cortava seu pedaço de peru.

Ninguém disse nada até um bom tempo, quando finalmente Edward se pronunciou.

— Vocês tem alguma preferência quanto ao sexo? — perguntou ao primo.

— Não, não pensamos realmente nisso — Jasper murmurou.

— Um menino! — Esme clamou. — Já temos Ness, precisamos de um menino agora. — Ela afagou o rosto da minha irmã, que sorriu para ela quando terminou de mastigar seu pedaço de peru.

— Você vai trocar as fraldas do bebê, Ariel? — Edward sorriu para ela.

— Eu não sei fazer isso — Ness respondeu alarmada.

— Na verdade nem eu — falei. — Que bom que você treinou bastante com Jane, Alice. — Pisquei para ela, que sorriu em agradecimento para mim.

— Não é realmente difícil, o complicado é manter o bebê parado.

— Vai ser um de nós, sinto muito, mas você não vai conseguir mantê-lo quieto — Edward disse, Esme concordou rindo.

— Você lembra, Carlisle? O quão complicado era manter Jasper parado no trocador? No começo eu nunca conseguia trocá-lo sozinha.

— Claro — foi a única palavra de Carlisle, ainda chateado com tudo aquilo.

Senhor Masen revirou os olhos para ele é, sabia que se estivesse em sua casa não hesitaria em acertar a perna de Carlisle com sua bengala como fazia com Edward. Mas, eu sabia que Carlisle era uma boa pessoa e que ele superaria a gravidez não planejada do filho, lhe apoiando no que fosse necessário.

Nós continuamos comendo e falando sobre o bebê, mas Jasper e Alice não falavam realmente sobre nenhum grande plano e, percebi que eles não tinham realmente um. Rose iria adorar fazer um plano para eles quando voltasse do feriado em Port Angeles, onde estava com a família do marido. Até mesmo Edward podia ajudar o primo com planos, já que Jasper e Alice estavam embarcando em algo confuso e novo, o que me fez perceber que eu não era a única pessoa perdida no mundo.

— Tudo bem? — perguntei a Edward no meio do jantar quando ele afundou seu rosto em meus cabelos soltos.

— Sim. — Sua voz parecia embargada pelo choro, ele então se levantou e saiu da sala de jantar, falando um rápido pedido de desculpas para todos, eu mal pude ver seu rosto.

— Ele está bem? — Esme me perguntou, parando de citar nomes para o bebê para Jazz e Alice.

— Acho que sim, eu não sei o que aconteceu, vou ver como ele está, com licença. — Levantei, seguindo por onde Edward tinha saído.

Ele estava na sala, sentado no sofá, encarando a televisão onde um jogo de futebol americano passava.

— Edward? — Ele não me olhou, então fui até ele, ajoelhando-me diante dele. — Ei, o que aconteceu, por que você está chorando? — Os olhos dele estavam tomados por lágrimas.

— Só estou com saudades dos meus pais. — Escondeu o rosto entre as mãos. — Ação de Graças e Natal são os feriados da família e, perto demais do dia que eles morreram, não é uma época fácil.

— Sinto muito. — Me apoiei em seus joelhos, fazendo com que ele me olhasse. — Sinto muito mesmo.

— Acho que ir ao cemitério não me fez muito bem também — confidenciou.

— Sim, não foi uma boa ideia para você ou para Renesmee, vamos manter essas visitas em dias neutros, okay?

Ele concordou com um aceno de cabeça.

— Você quer ir lá para cima descansar? Eu posso guardar o resto do seu jantar e um pedaço de torta para mais tarde.

— Não, estou bem. — Coçou a nuca. — Além do mais não quero perder tia Esme torturando Jazz e Alice falando sobre bebês sem parar, será divertido tirar sarro deles no futuro.

Assenti sorrindo, ficando entre as pernas dele e me inclinando para beijá-lo. Ele me prendeu entre suas coxas, devolvendo o beijo com intensidade.

— Essa posição me faz repensar voltar ao jantar — ele disse, lançando um sorriso sacana para mim entre suas pernas.

— Seu pervertido. — Ri, ficando de pé e o puxando comigo. — Se você se comportar posso pensar em voltar a cair de joelhos a sua frente — provoquei, o ouvindo suspirar alto.

***

Edward e Jasper estavam cuidando da louça suja depois do jantar, Carlisle tinha se trancado em seu escritório e, Esme estava mostrando álbuns de fotos de quando o filho era bebê para Alice, o que só a deixava mais assustada em ter um em alguns meses. Senhor Masen dormiu no sofá assistindo o final do jogo de futebol americano e, Ness e eu estávamos aconchegadas em um banco perto da grande janela de vidro da sala, tomando chocolate quente que fiz para todos.

— Você está bem? — perguntei a ela, Ness tinha ficado calada a maior parte do tempo, o que não era normal, então eu sabia que ela estava com a cabeça presa em Charlie.

— Eu sinto falta do papai.

— Sei que sente, desculpe não ter ido ao cemitério com você, okay? Foi egoísta da minha parte, eu deveria estar ao seu lado.

— Tudo bem — Ness murmurou. — Edward disse que era difícil para você. — Uma lágrima escorreu por seu rosto e, rapidamente a limpei.

— Renesmee, você é feliz comigo? — perguntei, ela levantou seus olhos da xícara em suas mãos.

— Sim, muito feliz. — Seus olhos voltaram a se encher de lágrimas. — Eu te amo, Bells.

— Eu te amo também, pequena. — Coloquei nossas xícaras sobre a mesinha ali perto, puxando Renesmee para perto de mim, a envolvendo em meus braços. — Desculpe por errar com você hoje e, tantas outras vezes, eu estou trabalhando em fazer o melhor por nós duas, mas nem sempre consigo.

— Eu entendo — ela disse. — Obrigada por ter ficado comigo.

***

Renesmee e eu iríamos dormir na casa de Edward aquela noite, já que ela não teria aula e ele estava de folga na sexta-feira, então eu estava confortavelmente deitada na cama dele no fim do dia, depois de termos a colocado para dormir no quarto de hospedes. Edward estava sentado a sua mesinha no canto do quarto, digitando aparentemente entediado em seu notebook, enquanto resolvia algumas coisas na internet.

— Spam, spam, spam — ele cantarolou, fazendo com que eu risse. — Eu devia limpar essa caixa do e-mail mais vezes. Olha, estão me oferecendo passagens com a metade do preço para Nebraska, te interessa?

— Não, valeu, eu não vejo nada de interessante para fazer lá.

— Merda — resmungou.

— O que foi? — perguntei, olhando para ele, que tinha um vinco na testa, encarando a tela do computador.

— Fiz uma compra errada. — Bufou.

— É só cancelar.

— Quem me dera, são convites, não podem ser cancelados.

— Que convites? — Sentei na cama, sentindo meus cabelos caindo por minhas costas.

— Terá um baile beneficente no sábado, algo do hospital. — Ele me olhou. — Bom, isso quer dizer que nós teremos de ir, não há escapatória — declarou.

— Isso é sério, Edward? — Entendi o joguinho dele. — Você não comprou errado coisa nenhuma, né?

— É um baile, Bella, será divertido. Eu fui ano passado com meus tios, foi realmente muito bom, você vai adorar, por isso comprei.

— Pode ir e levar outra pessoa com você, eu não irei a baile algum.

— Bella, vamos, por favor! — Ele veio até a cama, tentando me beijar, mas o afastei.

— Você sequer me perguntou se eu queria ir, Edward — reclamei. — Já saiu comprando e deduzindo que eu estaria pronta para te acompanhar. Novidade, eu não estou, nem estarei, porque eu não vou a esse baile. Há quanto tempo você comprou esses convites mesmo?

— Semana passada. — Revirou os olhos, sentando do meu lado. — É só um baile, Bella, não estou te levando para Nebraska.

— Semana passada? Você realmente está falando sério comigo? — Pulei da cama. — Isso é errado, Edward, não podia ter me incluído em seus planos sem me perguntar nada antes. Eu não estou a todo tempo disponível para você, okay?

— Bella, desculpe, eu não queria que entendesse isso errado.

— Bom, tarde demais, eu já entendi isso muito errado. Nós passamos o fim de semana juntos no chalé e você sequer mencionou essa festa. Eu gostaria de ser consultada antes de ser envolvida em seus planos, principalmente quando eles envolvem você gastando dinheiro comprando convites caros.

— Okay, eu errei, me desculpe — ele pediu, ficando de pé a minha frente. — Estava tentando fazer disso uma surpresa, ou algo do tipo, mas você não gostou, tudo bem, não precisa fazer uma confusão sobre isso.

— Claro, porque fui eu que comecei isso e agora tenho que sentar e achar muito bonito você tomando decisões que envolve nós dois, sozinho, sem ter direito de reclamar. Edward, eu não vou cair nessa de novo.

— Bella...

— Foi assim com ele — afirmei. — Ele sempre decidia tudo sozinho, eu não vou deixar você decidir tudo sobre mim, Edward. Estou apaixonada por você, mas não quero ser o tapete de um cara de novo.

— Bella, não acredito que está me comparado a James — falou irritado.

— Não, você não é como ele, mas não comece com isso, Edward. Festas, roupas, amizades, eu não deixarei com que você escolha como eu devo seguir minha vida. Adoro poder contar com sua ajuda, pedir sua opinião, mas a palavra final será a minha. Você pode ir ao baile, não me importo que vá sem mim. — Caminhei em direção a porta, o deixando lá dentro. Respirei fundo, ação de graças tinha sido tão conturbada, eu esperava ter um pouco de paz no natal.

Notas finais
Alice super grávida, que fofa ♥ Esme já pirando loucamente no neto hahaha Espero que tenham entendido o lado da Bella nesse final, Edward ter decidido algo sozinho que a envolvia não é algo realmente legal... Enfim, eles se entendem logo desse pequeno contratempo. Beijos! Lola Royal. 25.08.16