Amargo Lar
12 Capítulo Onze — Biscoitos
Notas iniciais

Isabella Swan
Eu nunca pensei que contaria toda aquela história para alguém, era algo que queria levar comigo para o túmulo, mas quando me dei conta estava jogando toda a verdade sobre Rosalie e Edward. Para minha surpresa eles não me chamaram de vadia, não me mandaram embora, nem me disseram que James estava certo.
Foi estranho e libertador, tudo ao mesmo tempo. Mas, eu ainda estava assustada, envergonhada, humilhada com tudo aquilo.
Então, como um borrão, tudo mudou e eu estava deitada na cama de Edward. Só de calcinha e usando uma camisa de basquete dele, com Rosalie sentada ao meu lado segurando minha mão, demonstrando que ela estava ali para mim, mesmo naquela confusão.
Mantive meus olhos apertados, morrendo de vergonha daquilo. Então, senti o primeiro toque de Edward em mim, quente e cuidadoso sobre o hematoma em minha perna. Aquilo logo me levou de volta ao sábado, para os chutes de James e ele como um louco me batendo, foi impossível conter as lágrimas.
Ouvi o médico suspirar, então o lençol que me cobria saiu de vez do meu corpo, deixando-me coberta apenas pela calcinha da cintura para baixo. Quando a mão dele tocou em minha pele sensível na coxa, eu me encolhi, com pavor, com medo.
— Dói? — Edward perguntou, a voz baixa e rouca.
— Não — respondi, não doía, só assustava, eu só estava com pânico.
Ele me cobriu novamente, o que agradeci internamente, aquela exposição me matando um pouquinho cada vez mais. Senti Rose levantar da cama, mas sua mão continuava fixa na minha, Deus, eu nunca saberia como retribuir todos os cuidados dela.
Senti Edward levantar a camisa dele que eu usava, na área da barriga onde eu tinha sido acertada. E, quando ele me tocou ali foi diferente de quando checou os outros hematomas, foi...Gentil, como se Edward estivesse afagando o lugar lesionado. Abri meus olhos, o encarando.
— Dói? — indagou, pressionando o local com uma ruga em sua testa ao fazer aquilo.
— Não. — respondi, limpando o rosto com a mão. — Doeu muito no dia, eu fiquei dolorida e, até ontem também, mas melhorou consideravelmente.
— Você tomou os analgésicos? — perguntou, abaixando a blusa.
— Sim. Um quando cheguei em casa, outro na hora do jantar. A dor passou, ela não estava realmente concentrada nos hematomas, era mais espalhada por todo corpo. Eu estou bem, vocês não precisam se preocupar — falei, sentindo minha voz oscilar.
— Você disse que machucou seu quadril também. — Edward ignorou minha frase final, levantei o lado da camisa deixando com que ele conferisse o último hematoma. — Mais algum lugar, Bella? — Os olhos dele se voltaram para os meus, ele estava entre a seriedade e a melancolia.
— Não.
Edward começou a explicar o que eu deveria fazer parar melhorar, mas me impediu de ir para casa, assim como Rosalie. Ele me entregou um de seus shorts, então saiu do quarto para providenciar o que precisaria, o que eu precisaria.
— Vem, deixa eu te ajudar a vestir isso. — Rose me ajudou a entrar nos shorts de Edward, que ficariam muito folgados senão fossem os elásticos. — Vai ficar tudo bem, Bella, eu prometo. — Ela beijou minha testa.
— Rose, você é um anjo. — Voltei a chorar, então me agarrei a ela, chorando ainda mais em seus braços.
— Não, eu não sou. — Rose afagou minhas costas. — Mas eu sei que você deve estar se sentindo sozinha agora, desesperada e com medo, já me senti assim quando fui expulsa de casa. Só que você não está sozinha, Bella, eu estou aqui e sou sua amiga.
Me afastei dela o suficiente para que pudesse olhar em seus olhos azuis, Rose estava errada, ela era um anjo e, eu não sabia o que tinha feito para merecer ter ela em minha vida.
— Sou sua amiga? — indaguei baixinho, ela sorriu.
— É sim, acho que a melhor amiga que eu tenho, para falar a verdade. — Rose limpou meu rosto. — Sempre consegui fazer amizades mais sinceras com homens, mas eu olho para você, Bella e, tudo que quero é poder te reconfortar de toda essa merda.
— Eu nunca tive uma amiga antes. — Rosalie me abraçou novamente e, o choro voltou com tudo.
— Você tem agora, Bella.
Edward não demorou muito para voltar e, Rose não demorou muito para avisar que precisaria ir. O que, obviamente, me deixou maluca.
— Renesmee não é a única segura com Edward, você também ficará — ela sussurrou em meu ouvido, convencendo-me que eu podia ficar ali sem medo.
Então, eu fiquei. Aceitei a comida, os remédios, a bolsa de água quente. Eu o fiz falar sobre o plantão, extraterrestres e vômitos, acabamos conversando sobre o tempo e, sobre meu desejo de conhecer a Califórnia.
— Eu irei garantir que você chegue — ele falou depois de me acomodar em sua cama, sobre seus travesseiros e sob seu cobertor.
Abri meus olhos, focalizando os dele.
— Rose estava certa, você é um cara bacana — murmurei sonolenta, dormindo logo depois. E, sonhei com a Califórnia, em levar Nessie até lá e vê-la feliz, ao fundo da imagem que eu pintei em minha mente, Edward estava presente. Seguro, gentil e doce.
***
Quando acordei, no meio da tarde segundo o horário no rádio relógio ao lado da cama, o quarto estava vazio. Eu rapidamente comecei a me arrumar, livrando-me das roupas de Edward e entrando nas minhas, não sentia mais dor alguma, apenas cansaço que sabia ser derivado dos remédios.
Estava calçando o último tênis do par, quando ele apareceu na porta do seu quarto. Alto, rosto marcado de sono, cabelo totalmente bagunçado.
Rapidamente me desculpei por ter passado tanto tempo em sua casa, ele obviamente estava cansado do trabalho e, eu estava sendo uma intrusa criadora de problemas. Edward, educadamente se desfez das desculpas, ele era simpático demais para concordar que eu estava sendo uma pedra em seu sapato em plena segunda-feira.
Mas, assim que citei minha irmã e sua aula de balé, o rosto dele pareceu se iluminar. E, eu não pude negar a carona dele, nem a presença na aula dela.
Nessie tinha perdido demais, Renée, Charlie, até mesmo a mim quando fui embora antes, ela não iria se sentir melhor perdendo Edward. Seria bom que algo na vida dela fosse mais agradável, como o doutor Masen era para a garotinha.
Deixei o quarto dele, ele claramente não iria querer sair descalço e com moletom. Então, segui até o andar debaixo, sem me perder na casa grande e, um pouco solitária que Edward aparentava ter, não tinha quadros nas paredes e, o interior era branco. A casa que eu morava com toda certeza não era uma casa de verdade, caindo aos pedaços e tudo o mais, mas por todo lado eu via algo de Renesmee, era como se ela preenchesse o lugar e o deixasse melhor.
Eu tinha visto a prateleira cheia de livros quando cheguei ali mais cedo com Rose, então rumei até a sala, louca para pelo menos ver quais títulos Edward tinha em sua biblioteca pessoal. Mas, minha intromissão maior foi interrompida por um senhor sentado na sala.
— Oh merda, desculpe! — exclamei assustada ao vê-lo, ele se levantou com a ajuda de uma bengala, aproximando-se um pouco de mim, mancando em seu pequeno percurso.
— Bella? — Arqueou uma sobrancelha.
— Sim, como sabe meu nome?
— O cara do cabelo ruivo falou, a propósito, sou avô dele — explicou e, senti-me uma idiota por aquilo. — Sou Samuel Masen. — Estendeu sua mão, que eu prontamente apertei. — Eu não manco por ser um velho que está ruindo — falou, voltando a se sentar. — Fui do exército — contou, roubando minha atenção, eu gostava de histórias de militares, elas sempre pareciam cheias de aventuras. — Consegui levar um tiro na perna, por isso ando desse jeito.
— Exército? Isso é interessante — falei, recostando-me a parede. — Serviu por muito tempo?
— Um tempo considerável. — Samuel deu de ombros. — Até eu levar o tiro e ser dispensado com honras.
— Oh, você salvou a vida de alguém? — indaguei curiosa.
— Sim, estávamos em uma missão de reconhecimento de local, quando percebemos tarde demais que era uma emboscada dos inimigos. Os tiros começaram muito rápido, eu mal entendia o que estava acontecendo. Tinha esse meu amigo de farda, ele tinha acabado de ter uma filha, ainda nem tinha a visto pessoalmente, não podia deixá-lo morrer ali, então fiz o que tinha de fazer. E, eu me joguei sobre Johnson, era um cara fracote, nunca iria aguentar um tiro.
— Isso foi muito corajoso, senhor Masen! — exclamei emocionada com a bravura dele de tomar um tiro no lugar de um amigo.
— Nós podemos ir agora. — Ouvi a voz de Edward, me pegando em um susto.
— Foi bom conhecê-lo, senhor Masen. — Eu sorri para o avô de Edward, eles não eram parecidos fisicamente, mas eu suspeitava que a mesma honra que Samuel tinha era a mesma do neto. — Muito obrigada por ter ido à guerra para defender nosso país, eu e todo o povo norte americano agradecemos seu esforço e dedicação.
— Volte mais vezes, garota — Samuel falou sorrindo. — Você foi a melhor que esse ai conseguiu. — Apontou para o neto e minhas bochechas coraram na hora com sua suposição de que eu estava envolvida romanticamente com Edward.
— Voltarei para vê-lo, senhor Masen. Quero saber mais histórias de guerra — eu disse batendo continência para ele, então seguindo Edward para fora.
A ida até o estúdio não foi sufocante como eu pensei que seria, na verdade tivemos um bom tempo de conversa. Ele me contou sobre seus pais, eu falei um pouco mais sobre minha família. Então, o assunto logo era Renesmee e eu estava o agradecendo por tudo que tinha feito por ela e, por mim aquele dia. E, eu acabei o rápido caminho de carro até o estúdio como amiga de Edward Masen.
Era um bom título, eu me sentia confortável com ele e, com Edward.
***
Renesmee era encantadora e, eu me culpei pelo resto da noite por ter a deixado para trás antes e fugido com James. Eu perdi muito, queria ter visto os primeiros dias de aula dela no balé, queria ter visto a evolução até aquela bailarina de dez anos tão perfeita que ela já se mostrava ser, como se ela tivesse nascido com sapatilhas em seus pés.
— Você foi muito bem hoje — falei para ela aquela noite, enquanto a ajudava a terminar os deveres de casa na mesa da cozinha. Nós tínhamos ido jantar com Edward e, nós dois a auxiliamos com o dever de matemática, com certeza foi o melhor momento do dia, sem pensar em dividas, trabalho, James, ou qualquer outra coisa que me atormentava. — No balé — esclareci quando recebi um olhar confuso.
— Obrigada! — agradeceu animada.
— Você pretende continuar nisso? — perguntei, a vendo deslizar o lápis pelo caderno, respondendo uma questão de geografia. — Quer ser uma bailarina profissional um dia?
Renesmee parou de escrever, olhando para mim.
— Eu queria — falou séria, mas com lágrimas nos olhos.
— Ei, por que o choro? — perguntei afagando seu rosto.
— Papai dizia que eu não seria uma bailarina profissional — sussurrou. — Ele disse que eu teria sorte se conseguisse terminar o colegial.
— Charlie estava errado, Renesmee. — Segurei em seu rosto com ambas as mãos. — Muito errado. Você é inteligente, irá concluir o colegial e, irá ter as faculdades disputando para lhe dar bolsas de estudo. E, se ainda for seu sonho até lá, você terá uma carreira de sucesso como bailarina profissional. Sabe o que mais? Eu estarei em seu primeiro espetáculo, na primeira fila, morrendo de orgulho da minha irmã caçula.
Nessie sorriu, as lágrimas deslizando por seu rosto.
— Nunca deixe que ninguém lhe humilhe, entendeu? — Ela assentiu. — Você é uma garota, Renesmee, meninas são constantemente rebaixadas, não quero isso para você. Seu lugar é lá em cima. — Pisquei para ela.
— Obrigada, Bells! — Renesmee me abraçou, contemplando-me com seu perfume de baunilha.
— Eu tenho muito orgulho de você, ouviu? E, estou muito feliz que a gente esteja se entendendo — sussurrei para ela, beijando o topo da sua cabeça.
— Eu amo você, Bells — Renesmee falou, se afastando de mim e lançando-me um olhar ansioso, provavelmente com medo do que ouviria em troca. Meu coração se apertou ao ver o temor estampado em seu rosto, ela não precisava passar por aquilo, era nova demais para aquele tipo de receios.
Segurei em suas mãos, deixando meus olhos fixos nos dela. Falei a verdade, confessando aquele sentimento pela primeira vez de forma saudável e honesta na minha vida.
— Eu amo você também, sempre irei amar, Ariel.
***
Nós tivemos um começo de dia no horário certo na manhã seguinte, nada de tomar café da manhã no carro, nem atrasos. Eu até mesmo estacionei na frente da escola de Renesmee exatos dois minutos antes de Rosalie, que aquele dia estava com Alec e Jane.
— Como você está? — ela perguntou depois de entrarmos na escola para deixar as crianças, Alec foi se encontrar com um grupo de amigos e, Nessie com uma garotinha de cabelos escuros.
— Estou bem — respondi. — Muito bem, um peso saiu dos meus ombros — afirmei, observando Renesmee e a garotinha conversando.
Rose sorriu para mim.
— Aquela é Lucy, filha de Kate e Garrett Denali, são boas pessoas — falou seguindo meu olhar.
— Eu disse que a amava — confessei.
— O quê? — ela perguntou sem entender.
— Ontem, enquanto eu a ajudava com os deveres de casa, Nessie disse que me amava, então eu disse de volta.
— Você a ama. — Não era uma pergunta.
— Muito — completei.
O sinal tocou, Nessie acenou para mim de onde estava, então seguiu para sua sala de aula. Rose certificou-se de que Alec estava com todos os trabalhos feitos, então deixamos a escola juntas.
— Estou com seus currículos, acho que é dia de sair por ai distribuindo eles — ela falou quando paramos perto da sua mini van.
— Na verdade acho que eu sei um lugar onde irei conseguir me empregar — murmurei, conquistando um olhar desconfiado de Rose. — Uma garçonete deixou o restaurante de Sue, ela provavelmente está precisando de outra.
— Está realmente cogitando a ideia de ir trabalhar para aquela idiota?
— Sim. — Suspirei, me apoiando em seu carro. — Eu preciso de um emprego, Rosalie. As contas logo chegarão, eu tenho de juntar grana para o pagamento do hospital. E, não é como se eu fosse capacitada para ser exigente quanto empregos, eu nem terminei o colegial. — Passei a mão pelo meu cabelo. — Se Sue me der um emprego eu sou capaz de beijar o chão que ela pisa.
— Bella, isso não é legal.
— Tudo bem, nós podemos ir por ai distribuir os currículos, mas se eu não conseguir nada até o fim do dia eu irei pedir a vaga a Sue.
— Tudo bem, que seja. Vou levar Jane até Alice e começamos a busca.
A busca não deu em nada, até o horário do almoço quando nós voltamos para o estúdio de dança de Rose para que ela pudesse ficar um pouco com a filha, ninguém na cidade tinha me dado uma luz sobre empregos. Eu ouvi muitos:
— Guardaremos seu currículo para quando tivermos uma vaga.
E outros:
— Lamento muito, mas seu perfil profissional não se encaixa aqui.
Alice, decidida a me ajudar também, fez algumas ligações, mas não conseguiu com nenhum de seus amigos trabalho algum. Por fim eu percebi que não tinha mais saída, eu não podia ficar esperando o retorno de ligações que poderiam nunca acontecer, precisava de um emprego e sabia onde tinha um.
— Eu posso dar um jeito de te empregar aqui — Rose disse com um tom de desespero em sua voz quando falei que estava indo até o restaurante ao lado.
— Rose, você já tem Alice, não precisa de mais uma assistente — falei. — E, você já me ajudou muito, nem está cobrando pelas aulas de balé para Renesmee, não posso pedir mais nada de você. — Vesti meu casaco, enquanto ela e Alice me olhavam ansiosas. — Vou ficar bem — prometi. — Sue não é a madrasta má da Branca de Neve. Além do mais, eu ficarei perto de vocês, isso é bom. — Sorri, Alice sorriu de volta.
— Isso é bom mesmo — ela disse.
— Eu vou quebrar a cara de Sue se ela te fizer algo — Rose anunciou.
— Ah sim, me permita estar presente quando você quebrar a cara dela — pedi, então pisquei para Rose e deixei o estúdio, caminhando até o restaurante.
Sue estava no caixa, a cara de rata azeda presente. Eu quis dar a volta no mesmo momento quando ela me notou ali, mas foquei em Renesmee precisando de mim, então continuei andando até ela.
— O que quer aqui, Isabella? — perguntou.
— Um emprego. — Ela desviou o olhar da caixa registradora, encarando meu rosto. — Sei que vocês estão com uma garçonete a menos, eu quero essa vaga.
Sue riu, de um jeito debochado, fechando o caixa.
— O que te leva a crer que eu vou te contratar? — Ela tentou se afastar, mas segurei seu braço pelo balcão, fazendo com que ela parasse.
— Você vai, essa vaga é minha, entendeu Sue? Eu preciso desse emprego, então acho melhor você me aceitar como sua nova garçonete agora mesmo.
Ela puxou o braço da minha mão.
— Então, você decidiu ficar com a pirralha?
— Se você chamar minha irmã mais uma vez assim em um tom de nojo, eu juro que quebro seus dentes!
— Acha mesmo que me ameaçando o emprego vai ser seu? Isso não está melhorando seu lado, Isabella.
— Vamos ser práticas, okay? Eu te detesto, você me detesta. Mas você precisa de uma garçonete e, eu de um emprego. Simples assim, Sue, não estou pedindo que você seja legal comigo.
Ela me encarou, então revirou os olhos e disse:
— Você começa amanhã às nove da manhã, se atrasar um minuto nem precisa passar por aquela porta.
***
Naquela terça-feira depois de eu fazer Sue me aceitar como sua nova garçonete, eu retribuiu um pouquinho os favores de Rose e fui buscar minha irmã e Alec na escola, mas na mini van da loira, já que ela não confiava nem um pouco no meu carro. Renesmee e Alec passaram o caminho da escola até o estúdio calados, ignorando um ao outro, a clássica distância entre meninos e meninas quando crianças.
Como as aulas de balé de Nessie eram apenas as segundas-feiras e quartas, depois de deixar Alec com a mãe dele, eu levei minha irmã para casa, querendo ter um dia com ela antes de me jogar em uma rotina diária de trabalho no restaurante. Eu fiz biscoitos caseiros para ela, lhe ensinando como fazer, mas Renesmee não parecia muito prática com cozinha quanto eu era, então acabei fazendo a maior parte sozinha.
— Aqui, prove. — Estendi um de baunilha para ela, a expressão que ela fez foi de puro êxtase e eu ri da aprovação dela. — Calminha, Nessie, Rose iria arrancar meu fígado se ela te visse exagerando nos doces — falei quando ela pegou outros dois biscoitos de uma só vez.
— Isso está muito bom — disse de boca cheia, alguém bateu na porta e ainda rindo fui ver quem era.
— Edward! — exclamei ao vê-lo ali, encolhido em seu casaco devido a chuva que assolava Forks aquela tarde. — Deus, entre. — Abri espaço para ele. — Tudo bem?
— Estou morrendo de frio. — Ele riu, tirando o casaco. — E você?
— Não estou com frio, mas consegui um emprego para manter o aquecedor funcionando — brinquei.
— Ei, isso é bom! — exclamou animado.
— É no restaurante da Sue, não é tão bom assim não. — Peguei o casaco da mão dele, o pendurado perto do meu e de Renesmee. — O que veio fazer aqui? Quer dizer, como conseguiu nosso endereço?
— Emmett, ele é um ótimo advogado, mas não viu problemas em compartilhar informações de seus clientes. Eu estou de folga, então pensei em vir ajudá-la com Nessie, onde ela está?
— Na cozinha comendo biscoitos, mas não conte isso a sua vizinha. Nessie, nós temos visita! — gritei, Edward voltou a se encolher com meu grito.
— Você grita exatamente como minha tia, lembre-me de nunca provocá-la.
Eu sorri, então Nessie apareceu, se jogando nos braços de Edward, que sem dificuldades a carregou.
— Bells faz os melhores biscoitos do mundo — ela disse para ele antes de qualquer outra coisa. — Você precisa provar, Edward! — Começou a puxá-lo pela mão quando Edward a colocou no chão, ela o levou até a cozinha e fui atrás, entregando biscoitos de baunilha e chocolate para ele.
— Não precisa ser gentil se estiverem ruins — falei.
Ele comeu primeiro o de chocolate, então deu uma mordida no de baunilha. Eu não conseguia decifrar a expressão em seu rosto, até que por fim ele deu o veredito.
— Isso está incrível. — Terminou de comer o de baunilha. — Onde aprendeu a fazer biscoitos tão bons assim?
— Trabalhei em uma confeitaria em Seattle, eu era da limpeza, mas uma das confeiteiras aproveitava o tempo livre para me ensinar. Está bom mesmo?
— Maravilhoso — Nessie falou, pegando mais um biscoito para si.
— Com calma, Ariel, não queremos você passando mal — Edward falou para ela, então se voltou para mim. — Está realmente bom, talvez eu tenha que fazer mais visitas para conseguir obter esses biscoitos deliciosos — disse, senti minhas bochechas corarem, então me concentrei em limpar a bagunça que a cozinha estava. — E você, mocinha? — O ouvi falar com Renesmee. — Algum dever de casa?
— Vários — Renesmee respondeu.
— Mãos a obra, então!
— Edward, você não precisa gastar seu dia de folga ajudando ela com o dever de casa — falei para ele, já recuperada das minhas bochechas vermelhas.
— Por que você não vai arrumar suas coisas da escola, Ariel? Eu já lhe encontro na sala — sugeriu a ela, que concordou saindo da cozinha. — Eu disse que queria ajudar, Bella. — Ele pegou mais um biscoito da vasilha que eu tinha em mãos. — Então, eu vim ajudá-la. Você já sabe seus horários no restaurante? Eu estarei preso no hospital de quarta à sexta, mas posso tomar conta de Renesmee no sábado se você estiver trabalhando.
— De novo, você não precisa perder seus dias de folga com ela.
— Eu não estou perdendo. — Os resquícios de diversão foram para longe do rosto dele, Edward ficou completamente sério. — Isso é muito melhor do que ficar em casa dormindo, ou vendo programas estúpidos na televisão.
Suspirei, pronta para dizer pela terceira vez que ele deveria estar aproveitando a folga com outra coisa que não fosse ajudar Renesmee com os deveres de casa.
— Bella, desfaça a ruga da sua testa. Fui eu quem escolheu vir até aqui, não faça disso um problema. Use sua energia para fazer mais biscoitos maravilhosos. — Ele pegou mais dois da vasilha. — Isso está mesmo bom, se tivermos problemas com frações eu chamo você. — Ele saiu da cozinha.
Ele a ajudou com todo o dever de casa, sem precisar do meu apoio em frações. Eu fiz o jantar, o melhor que pude, para agradecer Edward pela ajuda e, retribuir o jantar do dia anterior. Nós comemos falando sobre o trabalho dele, Nessie parecia muito curiosa com medicina aquele dia, então o encheu de perguntas sobre, fazendo caretas a cada vez que ele narrava alguma história que para ela era nojenta.
Edward era divertido, eu não podia ser uma mentirosa e dizer que ele fazia apenas Nessie rir, eu também ria de suas histórias. Principalmente o jeito que ele as contava, então foi fácil entender o porquê da minha irmã ter se sentido bem com o médico quando Charlie morreu, ele tinha uma grande capacidade de distrair.
— Acho que você estragou as chances dela de ser médica — falei quando limpava a mesa depois do jantar, Renesmee tinha ido escovar os dentes e arrumar seu material escolar como lhe pedi.
— Ela parece mais interessada no balé — Edward falou, enxugando a louça que eu lavava.
— Edward, você tem de parar com isso! — exclamei.
— Não dá, é mais forte do que eu — ele disse empilhando os pratos na parte seca da pia. — Meus pais sempre me faziam ajudar com as tarefas de casa, mesmo que a gente tivesse uma empregada e a probabilidade de eu bagunçar tudo enquanto arrumava fosse grande.
— Você parece sentir muito a falta deles — comentei observando o jeito saudoso que ele falava dos pais.
Edward deu um sorriso triste, enxugando os talheres.
— Não faz ideia de o quanto sinto. — Ele não disse mais nada e, eu fiquei calada. Não sentia falta dos meus pais, eu senti quando Renée foi embora, mas tudo que restou depois foi raiva e ressentimento, então não era a pessoa apropriada para falar sobre saudades paterna. — Você está mesmo bem? — perguntou quando acabou de enxugar tudo.
— Sim — sussurrei, sabendo ao que ele se referia, mas não pude evitar as lágrimas em meus olhos. — Acho melhor você ir, não? — Cruzei os braços a minha frente, mantendo a respiração estável para não chorar. — Está ficando tarde e você irá para um plantão de quarenta e oito horas amanhã, melhor ir descansar um pouco.
— É, você está certa — Edward disse, deixando o pano de prato de lado. — Obrigado pelo jantar, estava muito bom, os biscoitos também.
— Falando nisso. — Peguei uma vasilha no armário com biscoitos, entregando a ele. — Separei para que levasse alguns.
— Sim, isso é demais, obrigado, Bella! — Ele voltou a sorrir, parecendo uma criança que acabava de ganhar um dia na Disney.
Renesmee estava voltando do segundo andar quando fomos em direção a porta, ele a abraçou e beijou a bochecha dela, prometendo que assim que possível eles se veriam novamente.
— Obrigada por tudo, mais uma vez — falei quando nos despedíamos da porta.
— No sábado...
— Você deveria usá-lo para si mesmo — o cortei. — Eu posso levá-la comigo para o restaurante.
— Isso irá entediá-la, nunca deixe uma criança entediada, os resultados não são bons — ele disse. — Combinei com Emmett de ensinar Alec a jogar basquete no sábado, provavelmente Ariel não sabe jogar, ela poderia aprender também. Eu infelizmente não poderei ficar com ela no domingo, irei para Seattle, mas no sábado...
— Você pode levá-la para jogar no sábado — permiti por fim, Edward sorriu entusiasmado.
— Bella, você está bem? — Edward perguntou mais uma vez aquela noite.
— Estou — respondi com sinceridade, me apoiei no batente da porta, me encolhendo por conta do frio. — Isso tudo ainda é assustador, mas eu estou conseguindo me manter de pé.
Edward estava perto o suficiente para que sua mão chegasse a minha e, ele fez aquilo. Um toque rápido de seus dedos com os meus, nossas mãos congelando com o frio noturno de Forks. Eu não me afastei, desviando o olhar para nossas mãos, mas logo elas estavam separadas novamente.
— Seu sorriso é lindo — ele disse, seus olhos encontrando-se com os meus. — Não deixe aquele idiota matar seu sorriso.
Eu assenti, vendo Edward se afastar, ainda perdida no que ele tinha acabado de dizer. Por fim sorri, entrando em casa e voltando para minha irmã. James podia ter acabado com meu sorriso, mas Renesmee estava ali e ela o trazia de volta.
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