Amanda, a cearense em South Park
2 Hello cold! Hello South Park!
Notas iniciais

Ao chegar na minha nova casa em South Park, eu e Fernanda ficamos admirando a neve de fora enquanto nossos pais colocavam as coisas dentro de casa.
Inclinei os braços para frente com as mãos abertas e deixava um floco de neve cair por cima.
– Isso é demais! — sussurrei alto com emoção.
Me agachei e abri uma gaiola no chão ao meu lado e tirei de lá Spike, minha tartaruga de estimação.
– O que você acha, Spike? — perguntei para a tartaruga inclinando-a um pouco à minha frente. Logo dei uma pequena risada.
Me virei para Fernanda que ainda estava entediada com a mudança. Coloquei Spike no chão novamente e fiz uma pequena bola de neve.
– Ei, Fernanda! — chamei a atenção dela.
– O quê? — perguntou virando o olhar para mim e logo acertei a bola de neve em seu rosto.
Ela fez uma expressão de raiva e eu fiquei assustada ao vê-la daquele jeito. Tipo, não devia ter jogado a bola de neve nela, mas invés disso, ela deu um sorriso sarcástico e fez outra bola de neve e acertou em mim.
Logo fizemos variáveis bolas de neve e ficamos jogando uma na outra.
Ficamos brincando de jogar neve por alguns minutos até rebolarmos no chão e fazer anjinhos de neve enquanto ríamos juntas e Spike vinha em nossa direção.
– Agora está gostando do frio? — perguntei para Fernanda.
– Um pouco — respondeu. Ela logo virou o olhar para alguém atrás de mim — Hello! — cumprimentou para esse alguém. Me virei para a pessoa e era um garoto loiro com uma jaqueta azul esverdeada e uma expressão tímida. Ele estava agarrado em cima de um muro vendo eu e Fernanda brincar.
– Er...olá! — cumprimentou o garoto também em inglês com um tom tímido — Vocês são as novas vizinhas?
– Somos sim — respondi enquanto me levantava e erguia as mãos para Fernanda para poder ajudá-la a levantar. Logo ficamos de frente para o garoto — Muito prazer, eu sou Amanda Fonseca Ximenes. Esta é minha irmã gêmea, Fernanda, e esta é nossa tartaruga, Spike.
– Muito prazer, Amanda, Fernanda e Spike — cumprimentou o garoto dando uma pequena risada — Eu sou Leopold Stotch, mas meus amigos me chamam de Butters.
– Muito prazer, Butters — cumprimentou eu e minha irmã ao mesmo tempo.
– Butters, o que faz aí? — perguntou um homem saindo da casa de Butters.
– Estou conversando com as novas vizinhas, pai — respondeu Butters virando o rosto para seu pai que por sua vez, virou o olhar para mim e Fernanda.
– Olá, novas vizinhas — cumprimentou o Sr. Stotch.
– Olá, Sr. Stotch — cumprimentei.
– Meninas, já colocamos todas as suas coisas no seu quarto — avisou minha mãe saindo de casa junto com meu pai. Ela logo virou o olhar para os vizinhos — Muito prazer, vizinhos.
– O prazer é todo nosso — disse o Sr. Stotch.
– Que tal vierem jantar conosco? — perguntou minha mãe para os vizinhos — Podemos nos conhecer melhor.
– Claro — concordou o Sr. Stotch — Meu filho poderá fazer novas amizades.
– Com certeza — concordou minha mãe — Meninas, por que não aproveitam logo e começam a fazer amizade com o filho do vizinho?
– Claro, mãe — respondeu Fernanda.
Depois do jantar, eu, Fernanda e Butters ficamos no meu quarto enquanto meus pais conversavam com os de Butters na sala.
– Então, me digam — começou a falar Butters — De qual parte do Brasil vocês vieram?
– Nós viemos de Fortaleza, na região do Ceará — respondi.
– Foi uma das cidades sediada pela Copa de 2014, não foi?
– Exatamente — respondeu Fernanda.
– Ah, legal. Mas, por qual motivo vocês vieram para cá?
– É uma longa história, Butters — respondi — Nossos pais não estavam se dando muito bem com seus trabalhos.
– Ah, é? Por que?
– Porque ultimamente, nosso país não está investindo muito na educação e nem na saúde, e meus pais são professores.
– Nossa, isso é horrível — comentou Butters — Mas, ouvi dizer que lá todo mundo é mal-educado e que só gosta de sacanagem, futebol e carnaval.
– Quem disse isso?
– Foi meu amigo Cartman.
– E esse Cartman é o quê?
– Bom, ele é gordo, ignorante, atrevido...enfim, ele é um monte de coisa.
– Isso explica tudo — comentei — Talvez na escola amanhã eu dê uma liçãozinha nesse Cartman — continuei sabendo que em South Park só tem UMA escola.
– Eu também — comentou Fernanda — Mas, se bem que no Brasil tem muito disso que você falou, Butters.
– Sério?
– É — respondeu Fernanda — Mas, não é todo mundo de lá que é assim.
– Ah, é?
– É — respondi — Essa da sacanagem e da falta de educação é só ignorância de algumas pessoas, além do governo não investir muito na educação. O futebol acho que deve ser porque a seleção brasileira é considerada uma das melhores do mundo. Já o carnaval é porque é um evento cultural que só acontece em Fevereiro e as vezes em Março, devido aos anos bissextos.
– Ahhhhhhh...
– Pois é, mas não é todo mundo que é assim. Eu por exemplo, não gosto de futebol.
– Eu também não — concluiu Fernanda.
– Também não gostamos muito de sacanagem e não somos muito mal-educadas.
– Ta, sei — disse Fernanda com uma expressão desconfiada.
– Ta, eu posso até ser um pouco mal-educada, mas geralmente, isso só acontece com impulso.
– Tipo? — perguntou Butters.
– Quando eu tiver com muita raiva.
– Ah, eu entendo — disse Butters — Mas, vocês ainda gostam do Brasil, não é?
– Claro — respondi — Não somos anti-patriotas. O Brasil não pode ter um governo muito bom, certo, mas ainda gostamos da cultura, estilo de vida e essas coisas.
– Que bom — disse Butters com um sorriso — Mudando de assunto, do que vocês gostam de fazer?
– Gostamos de ler livros e quadrinhos em geral — respondi.
– Também gostamos de assistir filmes, cartoons, animes e algumas séries de TV — continuou Fernanda.
– Sei cantar e tocar violão.
– E eu não tenho nenhum talento artístico. Mas, entendo de tecnologia.
– Você canta e toca violão mesmo, Amanda? — perguntou Butters.
– Sim.
– Poderia tocar e cantar uma música para mim?
– Claro — me virei de costas e tirei meu violão da bolsa. Logo me virei para Butters novamente com o violão no meu colo enquanto afinava algumas cordas — Essa música é uma das mais conhecidas do MPB, música popular brasileira. Se chama "Garota de Ipanema" que no inglês é conhecida como "The Girl from Ipanema" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes — desde então, toquei e cantei a música primeiramente, em português e depois em inglês.
Depois que acabei, Butters aplaudiu junto com Fernanda.
– Canta muito bem — elogiou Butters.
– Obrigada.
– Butters, vamos para casa. Já está na hora de dormir — afirmou o Sr. Stotch entrando no meu quarto que logo virou o olhar para mim — Estava tocando violão para o Butters?
– Sim e eu também estava cantando.
– Poderia tocar uma para gente?
– Mas, pai, você disse que temos que ir para casa.
– Ah, mas ficando aqui por mais alguns minutos não fará mal — disse o Sr. Stotch. Butters apenas balançou a cabeça concordando.
– Essa música agora é da minha região, Ceará. Se chama "Baião de Dois" de Luiz Gonzaga.
– O que é Baião de Dois? — perguntou a Sra. Stotch.
– É uma comida típica da nossa região — respondi e logo comecei a cantar e tocar.
Depois que terminei, a família Stotch aplaudiu juntamente com meus pais que estavam logo atrás deles.
Depois, os Stotchs se despediram de nós e foram embora.
Depois de alguns minutos, guardei meu violão e eu e minha família nos aprontamos para dormir. Antes disso, meu pai entrou no quarto para pedir boa noite para mim e Fernanda. Sim, nós dividíamos o mesmo quarto.
– O que acharam dos vizinhos? — perguntou meu pai.
– Eles são legais, pai — respondi enquanto me deitava na cama.
– Então, boa noite, meninas. Amanhã voltaremos para a rotina da vida.
– Boa noite, pai — disse eu e Fernanda ao mesmo tempo e então, meu pai desligou a luz.
Fernanda ainda acordada, se virou para mim.
– Ei, Amanda — sussurrou chamando minha atenção.
– O que é, Fernanda? — perguntei baixinho me virando para ela.
– Como você acha que vai ser a escola amanhã?
– Sei lá — respondi e pensei um pouco — Até agora, só temos o Butters como conhecido, mas acho que vai ser legal.
– Você acha que o Butters vai estudar na mesma sala que nós?
– Não sei.
– Ai, to meio ansiosa com isso — comentou Fernanda se virando para o teto.
– Por que?
– Nova vida, nova cidade, nova casa, nova vizinhança, nova escola, novos amigos.
– Você está com medo de que ninguém goste de você?
– Talvez, mas por outro lado, vamos poder fazer muitos novos amigos.
– Concordo e inclusive, o Butters já começou a gostar da gente.
– Verdade — disse dando um sorriso — Enfim, boa noite, Amanda.
– Boa noite, Fernanda.
E assim, começamos a dormir.
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