Além da superfície.
70 Um novo começo.
Por Rachel
– Amor... – Fecho os olhos. – Sua mãe está em casa. – Digo, tentando abafar meus gemidos contra a cama. – Deus, eu não vou aguentar...
– Shhhhhhhh...
Sinto Quinn morder meu pescoço e sugá-lo com força, me fazendo gritar. A loira acalma a dor com a ponta da língua e deixa um suave beijo no lugar onde, com toda a certeza do mundo, ela fez uma marca. Solto um gemido incontrolável com o contato. Depois de percorrerem cada parte de meu abdômen, as mãos de Quinn param entre as minhas pernas.
– Não faça isso. – Repreendo.
– Isso o que? – Sorri, irônica, colocando seus dedos suavemente no local que mais implora por eles.
– Quinn. – Agarro seu cabelo com força.
Minha cintura não obedece a seu ritmo, exigindo um contanto maior. O sorriso da minha namorada se amplia, enquanto ela introduz seus maravilhosos dedos em mim. Eu já perdi as contas de quantas vezes ela já fez isso só essa noite, mas é igualmente bom e especial. Cada vez é diferente, é novo. Meu corpo reage ao seu toque de formas inesperadas, sempre. Eu não posso fazer amor com Quinn sabendo o que o vai acontecer. É impossível! Ela vai me levar ao orgasmo, mas nunca do mesmo jeito.
Ela levanta sua cabeça, cravando nossos olhares. Eu posso ver o desejo imenso nos olhos verdes da loira. Seus dedos continuam me penetrando uma e outra vez em um ritmo agonizante, me fazendo gritar de prazer, sem me importar com quem mais estivesse em casa. Quinn se abaixa e prende minha orelha entre os dentes. É o suficiente. Sinto meus músculos se contraírem em sua mão e meu corpo tremer descontroladamente.
– Você ainda vai me matar. – Inflo os pulmões com dificuldade, enquanto enxugo minha testa suada.
– Eu não faria isso. – Quinn rebate com um sorriso malicioso.
Eu rio, deixando que minha namorada deite a cabeça em meu peito nu. Geralmente, eu que fico nessa posição, mas hoje só quero segurá-la durante o maior tempo possível. Entrelaço meus dedos em seu cabelo bagunçado.
– Em pensar que eu quase te perdi. – Sussurro, pensando alto. Seus braços apertam minha cintura.
– Você não chegou nem perto disso, Rachel. – Ela suspira, fazendo carinho na minha pele. – Eu posso ter ficado chateada, posso ter... Enlouquecido. – Levanta os olhos para me encarar. – Mas, eu nunca pensei em te afastar, porque eu simplesmente não sei se consigo mais. – Ri fraco.
– Eu não sei o que eu fiz pra te merecer, mas... – Beijo sua testa demoradamente. – Eu também não quero mais saber. Quero só ficar com você assim, o tempo inteiro.
Quinn sorri, se alinhando em meu corpo. Pela sua expressão, sei que ela está tentando lutar contra o sono. A loira fecha os olhos, quase se rendendo.
– Sabe? Você consegue perceber todos os olhares em mim. – Eu franzo a testa. – Mas, não consegue enxergar quando te olham assim.
– Quinn, eu já disse que não duvido de você...
– Não estou falando de mim, amor.
– Não? – Levanto seu queixo. Seus olhos sonolentos se abrem outra vez.
– Não. Estou falando de Harmony. – Eu solto uma gargalhada sonora. – Não ria.
– Você ainda está bêbada, Q. Vá dormir.
– Eu posso estar bêbada, mas eu vi o jeito que ela te olhou.
– Claro que não. Ela nem me conhece direito.
– E daí? Agora posso usar essa frase toda vez que você vier dizer que alguém me olhou?
– É diferente...
– É diferente por quê? Porque eu sou Quinn Fabray? – Bufa. — Saiba você que eu tenho um ótimo gosto.
– Eu já entendi: Você está com ciúmes. – Sorrio.
– Estou. – Resmunga. – Com motivos.
– Ela é bem bonita.
– RACHEL! – Levanta a cabeça. – Essa é a hora que você diz que eu não devo ter ciúmes e não que você me apóia. – Repreende.
– Hey! – Rio, puxando-a de volta. – Ela é bonita sim, ok? – A loira abre a boca. – Mas, você é muito, muito, muito, muito, muito mais.
– Hunf...
– E não! Você não deve ter ciúmes, porque eu não vejo mais ninguém a não ser você. – Dou um beijo nela. – Você mesma disse.
– Eu disse que você não percebia... Mas, que existem pessoas que te olham de outra forma, existem.
– Se existem... – Tiro uma mecha de seu cabelo do rosto. – Eu devo percebê-las, então?
– Não faz mal você perceber. Eu quero que você saiba que é atraente o suficiente pra despertar coisas em qualquer pessoa. – Fala calma. – É bom, sabe? Portanto que fiquem só nisso, óbvio. – Resmunga. – E que não exagerem. Nem... – Eu rio. – O que é, Berry?
– Você fica ainda mais linda com ciúmes. – Sussurro, fazendo seu rosto ganhar um vermelho especial. – Awn!
Quinn cai no sono em poucos minutos. Certa vez Finn me disse que estar com Quinn era como ter fogos de artifícios dentro de você. Eu experimentei isso na primeira vez que nos beijamos. Experimento todas as vezes que fazemos, na verdade. Mas, geralmente, eu sinto essa calmaria inexplicável. Chega a ser paradoxal pensar dessa forma, no entanto não há outra maneira de descrever a mistura de paz e alvoroço que ela me provoca.
O toque do meu celular me desperta. Eu tento ser rápida, mas minha namorada me olha, sonolenta. Respiro fundo ao ver o número de casa.
– Alô. – Fecho os olhos com força.
– Rachel Barbra Berry. – Escuto a voz de Hiram. – Onde diabos você pensa que está com a cabeça?
– Nesse momento? – Sussurro. – No travesseiro de Quinn. – Respondo. Ela abre a boca, surpresa.
– Não venha com gracinhas, Rachel.
– Não te interessa saber que fizemos as pazes?
– Isso eu já percebi. – Resmunga. – Custava ter nos ligado para avisar antes?
– Eu não... Imprevistos. – Dou os ombros.
– Venha almoçar com a gente. – Seu tom suaviza. — Precisamos conversar um...
– Ah, Hiram, por favor, hoje não. Não quero brigar.
– Pai. – Ele soa decepcionado e eu sinto uma fisgada no peito. Aperto a mão de Quinn, que reaciona rapidamente, apertando de volta. – Quer saber? Esquece.
– O que...
– Rachel? – Agora é a voz de Leroy. Eu me sento na cama.
– O que foi isso? – Pergunto, confusa.
– Seu pai e eu estávamos organizando um almoço em família, como fazíamos antigamente, lembra? – Eu mordo o lábio. – Abriram restaurantes ótimos por aqui e faz tempo que não saímos. Na verdade, a idéia foi de Hiram.
– Não estão chateados por que eu me esqueci de avisar que estava aqui?
– Bom, nós ficamos, claro. Mas, Judy nos avisou, então foi mais fácil nos tranquilizarmos. Sabíamos que você estava bem, por isso resolvemos tentar nosso almoço, para jogarmos conversa fora.
– Desculpe. Do jeito que ele falou, eu pensei que iria levar um sermão.
– Pare de mal interpretá-lo. Seu pai só quer o seu bem. – Eu viro o rosto, encontrando o olhar atento da loira. – A tradição é nossa, mas... – Ele suspira. – Se você se sentir mais a vontade, Quinn é bem vinda.
– Não tem problema, eu irei. – Leroy solta um grito entusiasmado, me fazendo sorrir. – Mas, eu tenho que escolher o lugar.
– Como nos velhos tempos.
– Sim... Nos vemos mais tarde. Eu te amo, pai.
– Eu também te amo, estrela. Diga a Quinn que eu mandei um beijo enorme e que estou orgulhoso pela vitória de ontem. – Eu repasso a mensagem para ela, que agradece e manda de volta.
Eu deito na cama outra vez, acompanhada da loira, que acaricia meu rosto devagar, sem tirar os olhos dele. Sorrio, beijando seus lábios suavemente.
– Bom dia. – Sussurro. – Desculpe por ter te acordado assim.
– Tudo bem. – Abraça minha cintura. – O que eles queriam?
– Hiram parecia querer brigar, mas me chamou para almoçar com eles.
– Qual o problema? – Encosta a testa na minha.
– Todo domingo nós saiamos juntos. Se fossemos comer fora, eu escolhia o lugar, se fossemos ver um filme, Leroy quem escolhia, se fossemos apenas passear, Hiram quem fazia. – Suspiro. – Era a regra.
– Parece divertido.
– E era. – Sorrio, nostálgica. – Até que os telefonemas inacabáveis começaram. Nós saíamos, mas eles ficavam imersos em seus próprios assuntos. – Encolho os ombros. – Comecei a dar desculpas de que eu precisava estudar e eles aceitavam. Os telefonemas foram substituídos por viagens só deles e... Enfim, nunca mais tentamos.
– Até agora. – Minha namorada fala baixo. – Eles erraram, mas estão tentando consertar. Você irá, certo?
– Sim. Papai disse que você pode ir também.
– Você quer que eu vá? – Pergunta, delicada.
– Eu queria passar o dia inteiro com você hoje. – Ela sorri. – Mas, isso é... Eu...
– É de vocês. – Completa, me ajudando. – Teremos muitos dias para matarmos essa saudade. São seus pais, Rach, aproveite isso.
– Tudo bem.
– Agradeça o convite a Leroy em meu nome. – Eu assinto, pensativa.
Nós ficamos abraçadas por mais alguns minutos em um silêncio extremamente confortável. A respiração calma da loira batendo em meu pescoço faz meu corpo relaxar instantaneamente.
– Tive uma idéia. – Encaro-a. – Você disse que queria ir ao cinema comigo. Por que nós não iremos hoje à noite? Digo, você sairá só a tarde, certo?
– Perfeito.
Minha namorada abre o maior de seus sorrisos, fazendo minha consciência sumir por alguns minutos. Dou impulso na minha perna e viro, sentando em sua barriga. Quinn arqueia as sobrancelhas, puxando minhas mãos. Eu perco o equilíbrio e caio por cima da loira. Sua boca brinca em meu pescoço e estremeço em determinado ponto.
– Hum... Me lembre de passar base aqui antes de sairmos. – Avisa.
– Você me paga, Quinn... – Sussurro, com os olhos fechados.
– Meninas? – Eu me jogo ao lado vazio da cama, puxando o lençol até a cabeça. – Vocês estão acordadas?
– Estamos, mamãe. – Quinn responde, prendendo a risada. A loira me descobre. – A porta está trancada, Rach. – Sussurra.
– O café já está pronto. Desçam! – Judy pede.
– Em cinco minutos. – Grita de volta. – Sai daí, boba. – Ri. – Rachel, ela não pode nos ver.
– Mas, nós... Eu... Eu vou tomar um banho. – Levanto rápido, ouvindo minha namorada gargalhar.
Por Quinn
– Amor? – Abro os olhos. – Você dormiu outra vez? – Rachel se aproxima. – Hey! Está tudo bem?
– Minha cabeça está doendo. – Admito. Ela sorri.
– Você bebeu demais ontem. – Beija minha testa. – Quer que eu te pegue remédio?
– Eu já tomei. – Abraço sua cintura, fazendo com que ela deite outra vez. – Cheirosa.
– Você deveria fazer o mesmo e ir tomar um banho.
– Do que está reclamando? Não cheiro bem? – Faço uma careta.
– Idiota. – Vira os olhos. – Sua mãe voltará a nos procurar.
– Hmmm...
Levanto sua blusa, passando os dedos em sua barriga. Encontro a cicatriz recente e estremeço. Rachel segura minha mão, tirando-a de lá.
– Sinto muito.
– Por favor, vamos esquecer isso. – Pede. Eu assinto, suspirando. – Vá tomar seu banho. Preciso ir para casa logo.
– Por que não tomamos juntas mesmo? – Pergunto, resmungando.
– Para demoramos mais que separadas? Vai, Quinn.
Eu rio, fazendo o que ela pede. Tomo um banho rápido e escovo os dentes. Duas vezes. Preciso me certificar que não exista mais gosto algum de álcool aqui. Nós descemos para cozinha e mamãe nos oferece uma mesa enorme de café da manhã. Rachel, como sempre, fica tímida para aceitar, mas acaba cedendo e se sentando com a gente. Frannie entra, cumprimentando a morena e me lança um olhar que eu não consigo entender muito bem. Minha irmã levanta uma sobrancelha, enquanto Judy ri baixo. Rachel me encara, confusa.
– O que aconteceu? – Pergunto.
– Que bom que vocês fizeram as pazes. Sério. – Fran responde, dando uma mordida em uma maçã. – E parabéns de novo por ontem, capitã.
– Obrigada. – Sorrio.
– Qual foi a sensação do ultimo campeonato das Cheerios?
– Não fala isso, me dá vontade de chorar. – Escondo o rosto no ombro da pequena ao meu lado, enquanto elas riem.
– Tecnicamente, você não é mais a capitã?
– Ai, Rachel, isso dói. – Coloco a mão no peito. — Eu... Eu acho que sim. Digo, nós continuaremos até o final do ano, mas sem compromisso.
– Oh, baby... – Ela beija minha bochecha. – Você sempre será a capitã do colégio.
Eu coro, lembrando o pedido dela para que eu vestisse o uniforme mais vezes. Nós ficamos conversando mais um pouco, Frannie contou sobre seu ultimo ano de colégio, mamãe também recordou algumas coisas, evitando ao máximo falar sobre Russel. Rachel levanta, se despedindo das duas. Eu a acompanho até a porta.
– Até mais tarde. – Digo, depois de beijá-la. – Tenha um bom almoço. Ligue para mim se precisar, por favor, Rachel.
– Eu ligo, prometo. Não se preocupa.
Fecho a porta, me encostando na madeira. Frannie e minha mãe aparecem na sala com os braços cruzados. Eu arqueio as sobrancelhas.
– Vocês estão me assustando.
– Estamos assustando ela, mãe. – Zomba. – Dormiu bem, Quinnie?
– O que... Eu... – Desvio os olhos. – Sim, por...?
– Porque nós não.
– E... Por quê?
– Por quê? – Judy vira. – Deixe-me ver. Por que, Frannie?
– Mais rápido, Rach. Oh, Deus. Isso! Assim. – Eu abro a boca.
– Pare.
– Quinn! Amoor... Eu...
– PAREM. – Tapo meus ouvidos, sentindo meu rosto arder intensamente. – Vocês são tão idiotas.
– Sabíamos que vocês estavam com saudades, mas... Da próxima vez que for rolar sexo de reconciliação, nos avise antes, sim?
– Mamãe, manda ela parar. – Imploro. – Vocês não estão fazendo isso comigo. Deus, isso é muito constrangedor. Eu quero ir embora daqui agora mesmo. – Elas riem.
– Só queríamos implicar com você. – Minha mãe me abraça.
– Então... Vocês não ouviram? – Sussurro.
– Ouvimos. – Merda. Eu preciso sumir. – Mas, colocamos uma boa música e abafamos qualquer coisa. Não foi por muito tempo.
– Ok...
– Ainda acho que a senhora deveria adotar os métodos de Hiram e manter a política de portas abertas.
– FRANNIE. – Repreendo-a.
– Daí além de ouvir, teríamos que ver também?
– MAMÃE. – Me afasto, vendo-as gargalhar. – Vocês são impossíveis. – Balanço a cabeça.
– Certo, paramos. Paramos. – Fran limpa as lágrimas do riso. – Isso é divertido.
– Fale por você. Meu estomago tá embrulhado.
– Besta. – Me dá um soco fraco. – Estamos felizes por te ver bem de novo.
– Eu também estou. – Sorrio, sincera. – Muito.
Dormir metade da tarde não estava nos meus planos, mas foi o suficiente para mandar a dor de cabeça chata que estava me incomodando embora. Ao acordar, vejo as mensagens de Rachel, dizendo que tudo estava bem, que ela havia descoberto um restaurante maravilhoso e que precisava me levar lá algum dia. Um sorriso se transforma no meu rosto. Ela está querendo mudar. E a idéia de ter um namoro, finalmente normal, é perfeita. Sem mais idiotas do colégio, sem mais Karofsky, sem mais segredos.
Santana me liga para conversamos sobre ontem e eu conto tudo para a latina, ouvindo suas piadas e as reclamações de Brittany do outro lado do telefone. Quando Rachel avisa que está indo se arrumar, eu faço o mesmo. Espero minha irmã chegar e corro para o shopping, tendo consciência do meu atraso. Vejo Rachel sorrir, agradecendo ao balconista seu balde de pipocas.
– Hey, me desculpe. Frannie saiu com o meu carro e eu tive esperar. – Dou um beijo rápido nela. – Faz tempo que chegou? Você está linda!
– Obrigada. – Sorri. – Só deu tempo de comprar os ingressos e a pipoca. – Acena.
– Você comprou o meu? – Pergunto, pegando o pouco de pipoca. – Não precisava.
– Não coma agora, Quinn. – Bate na minha mão. – Comprei. – Me dá o papel.
– Eu pago o jantar... – Resmungo.
– É apenas um ingresso, Q. – Vira os olhos.
– Rachel... – Paraliso. – Annabelle? Eu não... Eu não vou assistir isso.
– O que? Por quê? – Franze a testa.
– Eu... – Engulo seco. – Eu... Melhor vermos uma comédia. Ou um romance.
– Você está com medo? – Sorri.
– Não! Claro que não. – Balanço a cabeça. – É só que...
– Eu te abraço se você se assustar.
– Ok. – Suspiro, segurando sua mão. – Eu só vou dizer isso uma vez, certo? – Ela assente. – Eutenhomedodebonecas.
– Você o que? – Levanta uma sobrancelha.
– Eu tenho medo de bonecas. É... Eu... Tenho... Pavor. E ursos. – Rachel gargalha e eu a encaro.
– Oh, Deus, você está falando sério. – Coloca a mão na boca. – O que tem de tão assustador?
– Nada. Até eles começarem a se mover e... Caminhar daquele jeito estranho. Virar cabeças. Piscar os olhos. Ou... – Ela prende os lábios. – Pare de rir.
– Desculpe. Eu não sabia disso.
– Eu virava as bonecas do meu quarto quando ia dormir. – Admito.
– O que mais eu não sei sobre você? – Coloca os braços em meus ombros, enquanto abraço-a pela cintura. – Você tem medo de brinquedos, de agulhas...
– De bonecas. – Corrijo-a. – E ursos. E eu não tenho medo de agulhas, elas só... Machucam. E cheiram mal. – Rachel arqueia as sobrancelhas. – Ok, talvez eu tenha um pouco, mas... Pare de me fazer parecer uma medrosa.
– Tudo bem. Vamos trocar os ingressos por um romance. – Ela beija minha testa. – Eu me lembrarei disso na próxima.
– Obrigada! Como foi com seus pais? – Nós vamos para as cabines.
– Foi bom. Estranho no inicio, depois ficamos mais a vontade.
– Sem ligações?
– Uma. – Ela pede para a moça trocar os ingressos. – Mas, foi bem rápida. Aqui. Melhor?
– Bem melhor. – Sorrio. – Amor...
– O que? Não gostou desse também?
– Gostei. – Olho para trás. – Tem uns meninos do futebol do colégio aqui. – Sinto o corpo de Rachel ficar tenso. – Apenas ignore.
– Você pode me beijar?
– Tem certeza? – Seguro seu rosto.
– Absoluta. Só... Me beije.
Eu não espero que ela peça outra vez e junto nas bocas. Rachel relaxa, me abraçando como pode, enquanto segura o pote de pipoca com uma das mãos. Escuto alguns sussurros e cubro seus ouvidos, continuando. Posso sentir seu sorriso contra meus lábios no beijo. O primeiro da noite.
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