Além da superfície.

10 Sentimentos confusos.


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=t9yuMK_fRW4

Por Rachel

– Eu simplesmente tenho problemas para confiar, Santana. – Dou os ombros.

– Vamos lá, Berry. – Empurra meu braço fracamente. – Nós percebemos que com ela é mais difícil.

– Talvez seja mesmo. – Suspiro pesado. – Quinn sempre pegou no meu pé, desde que eu entrei no colégio. – Franzo a testa. – Eu não escolhi gostar do namorado dela, apenas aconteceu. Não precisava ter feito da minha vida um inferno.

– Ela não é a única culpada, no entanto.

– Bem, eu sei disso, não precisa ficar lembrando. – Digo sarcástica. Santana vira os olhos. – Ela o queria de volta a todo custo, não medindo esforços para isso. Aliás, ele está solteiro agora. Por que ela não vai atrás dele?

– Ok, Rachel. Quinn foi uma vadia, mas ela não é mais. Ela não iria atrás de Finn se soubesse que te machucaria.

– Tarde demais. – Murmuro.

– Além do mais, ela não gosta mais dele. – Solta. Olho para ela, incrédula. Depois de tudo, Quinn consegue esquece-lo tão rápido?

– Agora que não tem mais porque brigar...

– Viu só, Rach? Você implica muito. – Bufo. – Ela só quer te ajudar, como eu e... Brittany.

– Eu não faço de propósito, ok?

– Eu acredito. Mas, tem certeza que é só isso?

– Onde você está querendo chegar, Santana? – Levanto uma sobrancelha.

– Oh, em nenhum lugar. Só... Queria entender. Enfim. – Limpa a garganta. – Você acha que seus pais estão preocupados? Eles já devem ter chegado de viagem.

– Duvido que eles tenham dado conta. – Encolho os ombros. – Puta que pariu, eu deixei o carro no colégio.

– Não tem problema, eu te deixo em casa e amanhã alguma de nós te dará carona. – Assinto. Ela ri. – Sabe? Eu ainda acho estranho você falando palavrões e essas coisas.

– Eu meio que sinto prazer em me cortar, Santana, e você acha estranho que eu fale palavrões?

– Não me culpe. Eu estava acostumada a ouvir seu jeito de escolher cuidadosamente as palavras que usar. Na verdade, eu gosto de você falando o que pensa.

– Eu sou uma pessoa estranha. – Sussurro.

– Ah, basta. Não tente virar o jogo, Berry. Aliás, já está na hora de irmos.

Santana me levou para casa. A volta foi mais leve. A latina ligou o som e começou a cantar alto. Eu a acompanhava às vezes. Apesar de querer disfarçar, é óbvio que ela está sofrendo. Sinto-me mal por ter tomado seu tempo, me lamentando e chorando, enquanto ela que precisava fazer. Ela estaciona e pede para que eu não faça nenhuma besteira. Eu assinto, sem poder prometer. Entro em casa e, como o esperado, meus pais não perceberam que eu não estava. Tão previsível. Dou um pequeno aceno e subo para meu quarto. Ligo o computador, respirando fundo. Minhas redes sócias estão cheias de comentários horrorosos. Engulo seco, tentando não ligar.

Por Quinn

Depois do que houve no colégio, eu sai correndo para casa. Eu precisava tomar um banho e pensar um pouco. Tudo isso serviu de algo. Talvez Brittany e Santana tenham razão. Eu não faço ideia do porque Rachel anda me deixando assim. Mas, com certeza, não é só porque eu me preocupo ou sinto carinho por ela. Isso faz meu corpo tremer em medo. Frannie estava, milagrosamente, em casa e me viu quebrar. Chorei em seu colo o resto da tarde. Eu queria isso. E esse foi o momento em que eu resolvi conta-la o que estava acontecendo com Rachel.

– Quinn, isso é muito sério. – Minha irmã fala, surpresa. – Ela precisa de ajuda.

– Eu sei. – Murmuro. – Nós estamos tentando ajuda-la.

– Você já parou para pensar que talvez ela precise de uma ajuda profissional?

– Claro que sim. Por isso estou falando com você. – Suspiro. – Eu não posso chegar nela e dizer que ela precisa de um psicólogo. Ela vai me chutar para longe, como sempre faz.

– Eu entendo. – Segura minha mão. – Você está mesmo preocupada com ela, certo?

– É horrível, Fran. Rach era uma menina super confiante. Me dava ódio quando ela entrava com a cabeça erguida no corredor. E agora ela não ergue, se quer, os olhos.

– Pelo o que você me contou, é uma situação bem delicada. Bullying é uma coisa séria. E a falta da atenção dos pais só piora. Finn era sua base de segurança, junto ao glee. De repente, ela se vê sozinha e encara a realidade.

– Você está piorando. – Sinto o nó na garganta apertar.

– Não. Eu estou colocando o ponto de vista dela para podermos entendê-la, certo? – Eu assinto. – Não posso dizer o motivo pelo o qual ela se corta, mas existe um motivo. Eu gostei da atitude de vocês, e Santana foi realmente certa na questão do autocontrole. Mas, não basta.

– O que eu posso fazer? – Suplico.

– Insista. Não deixe que Rachel ache que está sozinha. Ele te empurrou para longe? Volte, sem se importar. Não se sinta mal por isso, é apenas seu jeito de tentar se defender. Ela vai fazer sempre.

– Eu já falei que eu não vou desistir. – Sorrio de lado.

– Ótimo. Cumpra sua palavra. Agora, prometa-me algo. – Aceno para que ela continue. – Quando você estiver perto o suficiente, e perceber que ela ainda precisa, sugira o psicólogo.

– Eu posso fazer isso. – Sussurro. – Posso sugerir você?

– Claro. – Rimos. – O que ela se sentir mais confortável.

– Obrigada, Fran. – Abraço minha irmã com força.

Então, a porta do meu quarto se abre e uma latina aos prantos entra, me abraçando por trás. Eu franzo a testa, solto minha irmã e viro para minha amiga, segurando seu corpo trêmulo. Sinto o cheiro de álcool.

– Quinnie, ela chegou assim e subiu. – Minha mãe aparece.

– Está ok, mãe. – Santana esconde o rosto na curva de meu pescoço.

– Vamos deixa-las sozinhas. – Frannie troca um olhar comigo e leva minha mãe embora.

– San... Você bebeu? – A latina soluça. – Shhh, calma. Respire.

– Ela... Ela... Merda, Q. – Seu choro fica mais forte. – Ela aceitou.

Fecho os olhos, sabendo do que se tratava. Brittany aceitou o pedido de namoro de Artie. E eu sei que isso está devastando a latina. Aperto seu corpo, tentando acalmá-la. Nos sento na cama, conseguindo uma posição confortável. Eu nunca vi Santana desse jeito. Sussurro para que ela fique bem e faço carinho em seu cabelo. Depois de quase uma hora chorando, a latina adormece em meus braços. Suspiro, cansada. Por que é tudo tão complicado? Continuo abraçada a ela, quando vejo meu celular vibrando. Pego o aparelho e meu coração acelera com o nome que aparece na tela. Rachel.

É mais fácil dormir com você aqui. : Sinto muito por duvidar de você. –R

Um sorriso enorme surge em meu rosto.

Queria estar ai. Mas, hoje Santana tomou o seu lugar. Quanto a mais cedo, está tudo bem. –Q

Santana está ai? –R

Sim. Ela descobriu que Britt está namorando com Artie. – Q

Merda! Eu achei que ela não aceitaria. Como Santana está? –R

Agora dormindo. E você? Como está? – Q

Nervosa. As pessoas sabem ser maldosas. – R

Está falando do vídeo, certo? Eu gostaria de ter impedido isso. De certa forma, foi minha culpa. Eu poderia ter esperado para te ouvir no colégio. – Q

Não é sua culpa. Eu parei de te culpar, não me dê motivos. –R

Eu congelo com sua resposta. Não sei o que dizer.

Estou brincando, Quinn. – R

Hahahaha É difícil saber o seu humor através de mensagens. –Q

Antes que eu possa pensar, meu celular começa a tocar. Olho surpresa para o aparelho. Tiro Santana de meu colo, cuidadosamente. A latina resmunga e abraça meu travesseiro. Eu balanço a cabeça, rindo. Vou para o banheiro e atendo a ligação.

– Assim é mais fácil de você me interpretar? – Sorrio ao ouvir a sua voz.

– Você é uma pessoa difícil de interpretar, Rach. – Admito.

– Qual a sensação de receber uma raspadinha? – Sinto o tom de brincadeira da morena e suspiro aliviada.

– Não foi a primeira vez. Quando descobriram que eu estava grávida, não pouparam a mira. – Estremeço ao lembrar.

– Como eu disse, elas sabem ser maldosas. – Suspira.

– Sabem, mas não podemos deixa-las nos atingirem. – Ela fica em silêncio. — Seus pais chegaram? – Mudo de assunto.

– Sim. Mas, parecem estar lá ainda.

– Você não consegue dormir?

– Sinto sua falta aqui. – Sussurra. – Digo, você me fazia companhia.

– Posso ir sempre, Rachel. Basta me chamar. –Silêncio. Merda! Ela precisa me ajudar nessa conversa. Escuto um soluço vindo do meu quarto. – Droga. – Murmuro.

– O que houve?

– Acho que Santana acordou.

– Tudo bem, vá vê-la.

– Você tem certeza que está bem?

– Tenho, Quinn. Esteja lá para Santana.

– Estou aqui para você também. Pode me ligar mais tarde, se precisar.

– Obrigada. – Sorrio. – Até amanhã, Q.

– Até amanhã, R.

Volto para o quarto e assumo minha antiga posição, puxando minha amiga para mim.

Por Rachel

Como Santana dormiu na casa de Quinn, a loira passou para me buscar. Nós trocamos algumas palavras, enquanto a latina olhava pela janela, com uma expressão cansada. Mas, quando chegamos ao colégio, ambas colocaram o olhar de líderes de torcidas, fazendo as pessoas recuarem do caminho delas. Um garoto me xinga baixinho. Quinn acena para a amiga, que o segura pela camisa e fala vários palavrões em espanhol. Ninguém mais tenta. Eu suspiro aliviada e agradecida por isso. As aulas foram estranhamente tranquilas. Depois do almoço, vou ao auditório. Brittany aparece e diz que não está sentindo vontade de dançar. Minha boca quase arrasta no chão, surpresa. Quando Britt recusou uma música? Então, nós apenas conversamos.

– Ela não me olhou hoje. – Suspira.

– Eu sinto muito, Britt, mas ela está magoada e tem razão para estar.

– Eu sei, Rach. – Sussurra. – Eu também fiquei magoada com ela.

– Por quê? – Franzo a testa.

– Porque eu pedi inúmeras vezes para que ela não nos escondesse mais.

– É difícil para ela.

– E para mim não, não é? – Sorri irônica. – Eu queria um beijo da minha namorada, mas ela não dava por medo. Ela queria leva-la ao cinema, apresenta-la aos meus pais oficialmente. – Seus olhos ficam cristalinos. – Queria tirar uma foto com ela para postar na internet com uma legenda bonita. – Eu engulo seco. Britt tem seu jeito, mas ela não é boba.

– Você acha que aceitando namorar com Artie é a melhor saída?

– Eu gosto do Artie. Ele me faz sorrir, conversa comigo e não tem vergonha de mim. – Dá os ombros.

– E onde Santana fica nisso tudo?

– No mesmo lugar de sempre, Rach. – A dançarina leva a mão ao coração e abaixa a cabeça. – Eu quero que ela se encontre.

Nós conversamos um pouco mais e voltamos para as aulas. Hora de Glee. Eu sento no meu canto de sempre. Quinn senta ao meu lado e Santana no outro. Britt senta ao lado de Artie. A latina apenas olha para longe, evitando os dois. Suspiro frustrada.

– Bom, pessoal. Ultimamente nós temos perdido muito tempo. Logo as seccionais chegam e não temos nada pronto. – Professor Schue fala. – Então, mais concentração, ok? Vamos começar a votação. Lembrando que não vale votar em si mesmo.

Todos assentem, animados. O professor passa vários papeis em branco para escrevermos os nomes das duplas. Quando terminamos, ele faz um suspense, sinceramente, idiota. Eu viro os olhos. Santana solta um riso fraco, batendo no meu joelho. Eu sorrio, contente por ter conseguido uma boa reação dela.

– Vamos lá. Isso foi incrível. – Schue começa. – Santana e Brittany, vocês tiveram três votos. – As duas assentem, sem se olharem. – O resto dos votos foram os mesmos...

– Somos nós, Kurt. – Mercedes levanta, puxando o menino, que a olha assustado. A morena franze a testa. – O que foi?

– Mercedes. – O professor chama. – As ganhadoras foram Quinn e Rachel.

O que? Meu coração bate violentamente sobre meu peito. Ouço um grito de Quinn e sinto seus braços me rodearem. Não posso reagir. Santana segura minha mão, apertando-a. Britt levanta e me abraça também. Escuto alguns “parabéns”.

– Foi muito merecido, meninas.

– Obrigada, professor. – Quinn responde.

– Mas, a apresentação delas foi horrível. – Mercedes cospe. Sinto meu sangue ferver.

– Cresça, Whitney. – A latina diz fria.

– A apresentação delas foi linda, Mercedes. – Olho para Tina. – A voz suave de Quinn junto a potência da voz de Rachel... Foi perfeito. – Sussurros concordam com a asiática, enquanto eu ainda estou em choque.

– Grande coisa. Rachel estava totalmente desafinada.

– Rachel é nossa melhor cantora, aceite isso. – Minhas mãos tremem quando Finn defende. Isso não está acontecendo.

– Oh, então se beijem de novo e estraguem tudo.

– JÁ CHEGA, MERCEDES. – Professor Schue grita. – Você está passando dos limites. Somos um grupo, temos que nos respeitar. Fizemos uma votação e elas ganharam. Pronto! – Todos se calam. – Alguém quer apresentar algo hoje?

– Professor? – Santana chama.

– Claro, San. Será ótimo. Até porque você precisa ensaiar seu solo.

A latina assente. Ela fala com o Brad e ele começa a tocar The Scientist de ColdPlay. Vejo Brittany suspirar pesado e olhar para o chão, enquanto Artie segura sua mão, alheio a tudo que está passando. Santana canta a primeira parte da música segura, mas começa a quebrar no refrão. Percebo sua fragilidade e levanto, cantando junto. Ela assente, sorrindo de lado. Continuamos a música, como um dueto. Todos nos assistiam, não mais tão surpresos. Quinn sorria para nós, cantando baixinho.

– Uou! Isso foi maravilhoso. Muito bom ver vocês duas juntas. – Schue vibra. Eu troco um olhar significativo com Santana.

– Obrigada. – Ela sussurra. Eu apenas sorrio.

Depois de algumas teorias e ensaios, a reunião chega ao fim.

– Quinn, Rachel, lembrem que vocês têm o direito de escolherem uma música. Façam um ótimo proveito disso. – Ele sorri. – E um jantar, claro.

– Nós faremos um bom proveito, professor. De ambos. – Quinn brinca. Eu assinto.

– Rachel. – Prof Schue chama outra vez. – Eu posso falar com você um segundo?

Notas finais
Hey, gente. Postando cedinho hoje... hahahaha Espero que vocês gostem. Muito obrigada a quem está acompanhando, favoritando, recomendando. Vocês são DEMAIS. Não deixem de comentar!!! ;)) ;** http://ask.fm/FlorDeLins_