Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=O5BDyvjMNJ0

Por Quinn

– Bem, eu acho que sim. – Sorrio de lado. – Na verdade, eu tenho certeza.

– E como você se sente? – Pergunta curiosa.

– Diferente. – Ela levanta a sobrancelha, esperando por uma resposta melhor. Eu rio, batendo no seu joelho. – Eu sinto meu coração bater como louco, suo frio, sorrio boba. Eu só... Quero ficar com essa pessoa o tempo inteiro. Eu não sei explicar, Rachel.

– Os sintomas batem com o que dizem. – Brinca. – E você já ficou com ele? – Ele. Suspiro.

– Não, Rach. Nós ainda não ficamos.

– Por que não? – Abre a boca, surpresa. – Você tem todo o mundo aos seus pés, Quinn.

– Nem todo mundo. – Sussurro. – É complicado.

– Eu sei quem é? – Sua voz tímida quase me fez rir.

– Sabe. – Mordo meu lábio. – Não tente adivinhar. No tempo certo, eu direi, ok?

– Pensei que fôssemos amigas. – Ela faz um pequeno bico, fingindo chateação. Eu viro os olhos.

– Chantagem emocional não funciona comigo, Berry. – Empurro seu ombro devagar. Alguém bate na porta. – Pode entrar.

Eu estava esperando Frannie, mas minha mãe entra no quarto. Vejo o corpo de Rachel ficar tenso. A pequena desvia o olhar para o chão. Merda. Eu estou suspensa porque eu entrei em uma briga no colégio. Dou um olhar suplicante para minha mãe, esperando que ela entenda e não resolva discutir na frente da morena.

– Ei, meninas. Tudo bem? – Fala simpática. Solto um suspiro aliviado. – Quanto tempo, Rachel?

– Oh, sim. Tudo bem, Sra. Fabray, obrigada. – A menina responde, nervosa. Minha mãe franze a testa.

– Me chame de Jude. – Sorri. Rach assente. – Então... Quinn? – Eu engulo seco. Ela segura meu rosto, passando o dedo sob minha boca. – Quão sério foi isso?

– Três dias de suspensão. – Sussurro, vendo as mãos de Rachel inquietas.

– Não brigue com ela. – A morena levanta, nos assustando. – Por favor, não brigue. Foi culpa minha. Ela só me defendeu e...

– Rachel... – Jude chama.

– Brigue comigo. Mercedes estava tentando me irritar, bom, ela estava realmente conseguindo, mas então...

– Rachel. – Minha mãe chama mais forte, rindo. Rach para de falar, encarando-a. – Eu não vou brigar com Quinn, nem com você, fique calma. Foi por uma boa causa certo, Quinnie?

– Sim, mãe. – Assinto. – Pare de se culpar. – Peço para a morena.

– Ok. Na próxima, tente a conversa, entendido? – Eu assinto. – Rachel, você quer jantar conosco?

– Oh, eu sinto muito, mas eu já estou indo embora.

– Por que? Fique. Ligue para os seus pais avisando, peça para dormir aqui. – Minha mãe sugere. Um sorriso enorme se abre em meu rosto.

– Eu não quero incomodar, Sra... – Limpa a garganta. – Jude. – Se corrige.

– Algum problema pra você, filha?

– Nenhum, mamãe e para a senhora? – Entro em seu jogo.

– Nenhum. – Dá os ombros. – FRANNIE? – Grita. Eu prendo o riso, enquanto Rachel fica nos olhando, confusa. Minha irmã responde do seu quarto. – Tem algum problema para você se Rachel dormir aqui?

– Não. – Nós escutamos e viramos para a morena.

– Espero vocês lá embaixo? – Nós assentimos, rindo. Minha mãe nos deixa a sós outra vez.

– Você vai ligar? – Pergunto ansiosa. Ela está travada na cama. – Rach? Rachel? – Sai do transe. – O que houve?

– Eu nunca... Nunca... Eu...

– Ei, respire, ok? – Seguro sua mão. – Você nunca o que?

– Eu nunca dormi fora de casa. Quero dizer, sem meus pais. – Sussurra.

– Sério? – Arqueio as sobrancelhas.

– Nunca me convidaram. – Eu fecho os olhos, me bronqueando.

– Eu sinto muito. – Aliso sua mão. – Estou te convidando agora. Tudo bem se eles não deixarem, apenas tente.

Por Rachel

Quinn faz um movimento para sair do quarto e me deixar sozinha para que eu ligasse para meus pais, mas eu seguro seu punho, impedindo-a. Com o olhar, peço que ela fique. E ela entende, sentando de volta ao meu lado. Eu respiro fundo, pegando o meu celular. Nenhuma chamada, nenhuma mensagem. Quase 19hrs e eles ainda não deram minha falta, eu preciso avisar algo? Solto um suspiro frustrado. Quinn aperta meu joelho e eu sorrio de lado, discando o número. No último toque, atendem.

– Rachel, íamos te ligar agora mesmo. – Sério? Um sorriso começa a surgir nos meus lábios. – Passaremos a noite fora, tudo bem? – Fecho os olho, passando a mão na cabeça.

– Tudo. – Sussurro. – Pai... Estou na casa de Quinn. Eu posso... Ficar? Pra dormir? – Silêncio. – Pai?

– Você tem certeza? – Murmura.

– Tenho. – Digo firme.

– Certo. Nos vemos amanhã, então. Comporte-se. Beijo. – Tiro o celular do ouvido, olhando-o.

– Está tudo bem? – Ouço Quinn perguntar, preocupada.

– Sim, está tudo bem. Ele deixou. – Não tive tempo de levantar a cabeça para olha-la, a loira me surpreende em um abraço aperto. Solto um gemido desconfortável.

– Desculpe. – Ela se afasta, corada.

Eu me arrependo do que fiz, eu quero seu abraço. Então, repito seu gesto. Ela devolve, colocando os braços suavemente na minha cintura. Sinto sua respiração em meu pescoço e descanso minha cabeça no seu ombro. Quanto tempo nós ficamos assim, eu não sei, mas tempo o suficiente para Jude nos chamar. Nos separamos, sorrindo. Quinn segura minha mão e nós descemos. Eu sento-me à mesa, tímida. Frannie se junta a nós, abrindo um sorriso grande e confortante, que me faz relaxar instantaneamente. Olho para as três loiras na cozinha e percebo o quanto as três se parecem.

– Não se preocupe, mamãe fez salada. – Frannie brinca.

– Obrigada. – Sussurro, sem graça.

– Rachel, depois que eu ouvi a sua versão de don't rain on my parade nunca mais quis saber de Barbra. – Jude senta, se servindo. Sinto meu rosto arder e abaixo a cabeça.

– Eu... Ahn... Não chego nem aos pés de Barbra. – Rio falso.

– Claro que chega. Eu, particularmente, te acho melhor. – A mulher sorri. Eu olho para Quinn, que tem uma expressão divertida e ao mesmo tempo preocupada no rosto.

– Eu...

– Eu soube do dueto que vocês duas fizeram. Por que não cantam pra gente depois do jantar? – Frannie me interrompe.

– Oh, sim! A música que vocês ganharam, certo? – Nós assentimos. – Ótima ideia. Eu amo te ver cantar, filha.

– Se estiver tudo bem pra Rachel... – Quinn oferece a mão e eu aceito.

– Por mim, tudo bem. – Sorrio. As outras duas loiras batem palmas.

– Acho que temos fãs. – Quinn sussurra só pra mim e eu viro os olhos. – Sério, você pode preparar um autógrafo.

Diferente da minha casa, onde eu como calada, depois de responder sobre meu maravilhoso dia no colégio, aqui elas conversaram todo o tempo, me incluindo em todos os assuntos que surgiam. A última vez que eu vi Jude, ela era uma mulher quieta, séria, assim como Frannie. Agora eu consigo ver a diferença nas três, principalmente em Quinn. Ela parece ter amadurecido muito nesse último ano. Estão mais leves e tranquilas. Quando terminamos de comer, Frannie pega um violão em seu quarto e me dá.

– Você sabe tocar? – Pergunto a ela.

– Eu tentei, mas não tenho jeito. – Ri, indo para outro sofá. – Quinn era melhor que eu.

– Você toca? – Franzo a testa.

– Não, eu meio que desisti de aprender. – Ela passa a mão na cabeça, envergonhada. – Nós... Fazíamos aulas... – Limpa a garganta. Percebo que ela está desconfortável.

– Não precisa falar. – Sussurro.

– Tudo bem. – Suspira, virando para mim. – Russel nos obrigava a aprender. Eu gostava das aulas, mas como era uma obrigação, eu passei a odiar, sabe? Fran nunca gostou.

– Entendi. – Sorrio fraco, começando a tocar. – Pode começar...

Nós repetimos nossa apresentação. Jude e Frannie sorriam, nos assistindo. Foi bem mais fácil dessa vez, acho que até consegui sem desafinar. Essa música está quase virando a minha preferida. Eu realmente gosto das nossas vozes juntas. É diferente dos meus duetos com Finn ou Kurt. Quinn tem a voz suave, rouca, mas delicada, doce. Nós terminamos, nos encarando, como sempre acontece. Acho que é impossível não olhar em seus olhos quando cantamos. Ela dá o seu sorriso largo, enquanto as palmas soam.

– Está explicado porque vocês ganharam. Duvido que alguém fizesse melhor. – Jude diz, sorrindo.

– A apresentação de Britt e Santana foi linda também. Mas, nós fomos melhor mesmo. – Quinn brinca.

Ficamos conversando um pouco mais, mas logo subimos. Quinn me dá um pijama e nos deitamos na cama, assistindo um filme. Começa a chover, esfriando o clima. Eu fico encolhida do meu lado, desejando o abraço confortável da loira. Quando o filme acaba, ela me olha, com uma sobrancelha levantada.

– Frio? – Eu assinto. Ela dá uma risada pequena e pega outro cobertor. – Melhor?

– Sim. – Murmuro. Bem, eu queria um colo, mas isso deve servir. Um trovão ecoa no quarto, fazendo a loira estremecer. – Você tem medo?

– Não, claro que não. – Franze a testa. – Só me assustei.

– Sei. – Digo irônica. Ela bate no meu braço. – Não tem problema você ter medo, sabe?

– Mas, eu não tenho medo. – Suspira. – Se eu tivesse, eu diria. Você está sabendo muito da minha vida, Rachel. Eu nunca permiti alguém entrar tanto. – Eu mordo os lábios, encarando-a.

– Eu também não, Quinn. E nem queria, no entanto você entrou.

– Você está arrependida? – Ela passa os dedos em meu cabelo, tirando-o do meu rosto. Eu fecho os olhos.

– Não. – Sussurro. – Você está?

– Não. – Pela sua voz, eu sei que ela está sorrindo. – Posso te fazer uma pergunta?

– Segundo Santana, não devemos fazer mais isso. Apenas perguntar. – Abro os olhos, encontrando os seus esverdeados me olhando. – Pode.

– Por que você não contou sobre o Finn para seus pais?

– Eu não sei. – Suspiro. – Primeiro porque eu pensei que nós iriamos voltar logo. – Sorrio de lado, zombando comigo mesma. – Foi quando eu percebi que tudo estava indo... pior do que eu pensava. – Murmuro.

– Pegamos muito pesado com você, certo? – Sem tom é culpado. – Eu sinto muito.

– Eu sei que você sente, Q. Não se desculpe mais. Eu já perdoei você, Santana e Britt. – Seguro sua mão em meu rosto, apertando-a. – Mas, foi bem pesado sim. Eu não tinha ninguém. Não sabia como contar isso a eles. Eu não podia, entende? ‘Papais, eu beijei o Finn nas nacionais e nós perdemos por isso, então todos me odeiam ainda mais. Estou solteira, por falar nisso. ’

– Talvez se você tentasse o jeito certo ou apenas o básico. Enfim, só contar que... Vocês terminaram. Ou você ainda tem esperança?

– Eu já teria aceitado se eu quisesse. – Ela assente. Outro trovão soa, me assustando dessa vez. A loira gargalha alto.

– Ah, está com medo, Berry? – Zomba. Eu belisco sua cintura. – Auuush. Venha aqui. – Ela abre os braços e eu olho desconfiada. – Ok, durma sozinha. – Rola os olhos, se virando. Rapidamente, eu pulo em seus braços. Tão rápido, que eu sinto meu rosto queimar. Ouça a risada de Quinn em seu peito. – Assim está melhor?

– Bem melhor. – Murmuro, sonolenta. Ela começa a mexer em meu cabelo.

Nos próximos trovões, nós apenas nos apertávamos. E aqui estou eu, no meu lugar preferido outra vez. Acordo com meu despertador. Aperto os olhos, lembrando onde eu estou. O quarto de Quinn é tão bonito e agradável. Viro para olhá-la. A loira está jogada em seu lado, dormindo pesado. Eu rio, balançando a cabeça. Quase ia acorda-la, mas lembro que ela não vai para o colégio hoje. Suspiro culpada. Vejo a roupa que ela separou para que eu usasse. Sério que eu vou para o colégio com uma roupa de Quinn? Tomo um banho e me arrumo, quando fecho a porta do banheiro, voltando para o quarto, a loira resmunga na cama, se espreguiçando.

– Rach? – Ela olha para o lado e não me acha. Então, ela solta da cama. – Rachel? – Eu rio, fazendo-a virar em minha direção. Ela atira um travesseiro em mim.

– Ei, que mania feia de me jogar coisas. – Bronqueio, brincando.

– Por que você não me acordou?

– Porque você não vai hoje, esqueceu? – Suspiro.

– Não esqueci. – Vira os olhos. – Mas, você poderia ter me acordado. Você fica muito bonita vestida tão Fabray. – Arqueia as sobrancelhas. Eu bufo.

– Está grande.

– Você que é muito pequena. – Entra no banheiro, colocando pasta da escova de dente. – Espere, vou pegar algo para você comer.

– Não precisa. – Franzo a testa. Quinn fala com a boca cheia de pasta. – Eu não entendo o que você fala, Q. – Espero a loira terminar.

– E você vai sem comer nada? Ao menos uma fruta... – Sugere. Eu assinto, sabendo que não vale a pena ir contra. – Bom!

Nós comemos juntas. Pela cara dela, eu tenho certeza que Quinn vai deitar novamente quando eu sair. Termino de comer a maçã, ouvindo-a pedir para liga-la, caso acontecesse algo. Eu agradeço-a, por tudo e vou embora para o colégio. Me sinto nervosa, sabendo que a loira não estará lá. Estaciono o carro e Santana acena de longe. Sorrio para ela, indo em sua direção. Apesar da capitã ter ficado em casa, San e Britt me protegeram facilmente, agora que todos estão ficando mais calmo quanto a mim. Eu realmente não quero levar alguma raspadinha e sujar a roupa de Quinn.

O ensaio com Brittany foi tranquilo. Ela conversou um pouco sobre seu relacionamento dela com a latina, contando como é difícil para as duas saírem em públicos juntas e como ela se sente com tudo isso.

– É estranho o colégio sem Quinn, não é? – Ela pergunta, deitando no chão, cansada de dançar. Eu assinto. – Vocês estão bem? – Eu franzo a testa.

– Como assim?

– Você parecia ter uma dificuldade maior de se relacionar com ela. – Dá os ombros.

– Nós já conversamos. Está tudo bem. – Sorrio de lado.

– Como está o seu coração? – Levanto uma sobrancelha para a mudança de assunto repentina.

– Batendo, eu acho. – Sussurro. Ela dá uma tapa fraca na minha perna.

– Você entendeu o que eu perguntei. Quando você vai abri-lo de novo?

– Nunca. – Digo firme. – Eu não acredito mais nisso.

– Se você não acreditar, vai ficar bem mais difícil de acontecer. – Levanta, se apoiando nos cotovelos. – Mas, vai acontecer ainda assim.

– Por que você está dizendo isso?

– Porque o amor está tão perto de você, Rach, que você nem imagina...

Notas finais
Vou responder a pergunta que muita gente está fazendo: O primeiro está bem próximo, ok? Podem relaxar. hahahahaha Espero que vocês gostem e... Já sabem ;) Comentem! ;*** http://ask.fm/FlorDeLins_