Notas iniciais
Primeira música: http://www.youtube.com/watch?v=ciHMQb7fZSg Segunda música: http://www.youtube.com/watch?v=BOD4_NfmNdY

Por Quinn

Acordo sentindo o cheiro de Rachel no meu travesseiro e o abraço forte. Como eu queria estar lá com ela. Espero que San e Britt não deixem nada de ruim acontecer. Suspiro, esfregando os olhos, arrumando coragem para levantar. Tomo um banho demorado, pensando no quão perto eu cheguei de dizer pra ela tudo o que eu sinto. Eu quase coloco tudo a perder. Ela sairia correndo daqui e nunca mais olharia na minha cara. Mas, o que eu posso fazer para não deixar Finn ganha-la outra vez, sem dizer o que eu preciso? Mesmo que eu perca essa briga, não penso em deixa-la outra vez, nem que eu tenha que viver na zona de amizade para sempre.

Depois do banho, sento na cama, olhando o lado vazio. Mando uma mensagem para a latina, perguntando como tudo anda indo. Ela pede para que eu relaxe um pouco, coisa que eu, definitivamente, não consigo fazer. Vejo o violão, que nós demos para ela tocar ontem à noite, encostado na parede. Respiro fundo, apoiando-o em meu colo. Sorrio, lembrando que ela disse que me perdoou e que não se arrepende de me deixar entrar. Eu só percebo que comecei a tocar, quando a porta do meu quarto abre e minha mãe sorri grande para mim. Eu retribuo, acenando para ela entrar.

– Que bom te ver tocar de novo. – Ela coloca uma mão em meu joelho, quando eu termino a música.

– Não é tão ruim. – Encolho os ombros.

– Você sempre gostou, Quinnie. – Suspira. – Talvez seja a hora de você se desprender do passado.

– Talvez. – Sorrio de lado. – Mãe, sobre o que aconteceu...

– Está tudo bem. – Me interrompe. – Frannie me falou que Mercedes estava tirando brincadeiras ruins com Rachel e que você a defendeu. Na verdade, eu estou orgulhosa de você.

– Obrigada. – Sussurro, sem graça. Eu também estou orgulhosa de mim. – O que mais a Fran te disse?

– Nada. – Franze a testa. – Tem algo mais?

– É tão complicado, mãe... – Coloco o violão no chão, abraçando-a. – Rach está diferente.

– Eu percebi. – Ela me aperta em seu corpo, brincando com meu cabelo. – O que aconteceu?

– Várias coisas. – Murmuro, sem querer contar que eu tenho uma grande culpa nisso. – Ela está insegura, triste.

– Filha, eu pensei que vocês não fossem amigas. – Ela levanta meu rosto, para que eu possa encará-la. – Você sempre deu a entender que não gostava muito dela.

– Merda! – Enfio a cabeça em seu peito, controlando minha respiração. – Eu estou tão arrependida.

– Ei, meu amor, não fique assim. Está tudo bem. Pessoas se julgam o tempo inteiro, não quer dizer que não podem ser amigas depois. – Eu assinto, deixando algumas lágrimas caírem. – Tem mais? Você precisa me contar alguma coisa?

– Mamãe, eu... Eu... – Nos afastamos. Eu tento baixar a cabeça, mas ela não deixa, segurando meu queixo e limpando o meu rosto.

– Eu não sou seu pai. – Diz calmamente. – Você pode dizer, sem medo. Eu vou estar aqui, pra tudo, Q. – É claro que ela já sabe. Minha mãe sempre sabe. Eu puxo o ar fundo para meus pulmões.

– Eu estou apaixonada por ela. – Solto. Ela sorri, colocando meu cabelo atrás da minha orelha. – Você está bem?

– Estou feliz por você me contar. — Beija minha testa. — E porque eu gosto de Rachel. – Completa. Nós rimos.

– Ela é linda. – Suspiro. Mamãe arqueia as sobrancelhas. – Mas, ela não acredita nisso.

– Por que não? – Eu mordo o lábio, olhando-a.

Então, resolvo contar tudo o que está acontecendo, ocultando a parte da automutilação. Falei de todo o bullying do colégio, inclusive os que eu pratiquei. Falei também sobre a falta de atenção dos seus pais com ela. Minha mãe ficou surpresa com toda a história e se lamentou pela pequena, mas prometeu ajudar sempre que pudesse. Essa é a minha mãe. A melhor de todas. Nos abraçamos forte, felizes por termos essa relação depois de tudo. Eu sei que falar sobre problemas familiares mexe com ela. Aliás, mexe com todas nós. A porta do meu quarto abre mais uma vez.

– Reunião sem mim? – Frannie faz bico. Eu viro os olhos.

– Quinn estava me contando sobre Rachel. – Mamãe responde, sorrindo. Fran levanta uma sobrancelha.

– Eu contei isso também, Fran. – Rio, respondendo sua pergunta silenciosa. – Ela sabe que eu gosto de Rach.

– Que bom. – Minha irmã vibra, me abraçando. – E onde está ela?

– Foi para o colégio. – Resmungo. – Estou preocupada.

– Não se preocupe, Santana não deixará ninguém fazer nada. – Eu assinto. Ela está certa. – Ahn, Quinnie, está apaixonada...

– Pare. – Levanto um dedo para ela, mas ela continua cantarolando, junto com minha mãe. – Vocês são idiotas. – Rio.

Por Rachel

Fiquei pensando na conversa com Brittany o resto do dia. Por que diabos ela disse isso? Será que ela acha que eu devo ficar com Finn? As aulas foram calmas, apesar de uns olhares estranhos na minha direção. Encolho os ombros e abraço meu caderno em meu peito, indo para Glee. Sinto uma mão em minha cintura. Sorrio fraco para Santana, respirando mais aliviada. Sentamos juntas. Mercedes não veio também. A suspensão deve ter sido para as duas. Ok, sem estresse por aqui, então. Eu digo a ideia da música, que tive junto a Quinn e o professor Schue aprova, animado.

– Boa, Rachel. Já consigo ver toda a coreografia. – Mike gesticula, sorrindo. Brittany levanta a mão e choca com a dele.

– Poderíamos fazer uma sequencia só com os Jackson’s. – Santana sugere.

– Isso seria histórico. – Kurt bate palmas. A latina levanta a sobrancelha para mim, que sorrio, abaixando a cabeça.

– Tudo bem? – Sussurra, enquanto os outros conversam.

– Sim. – Respondo sincera. Ela segura minha mão e eu a aperto. – Já sabe qual vai ser o seu solo?

– Na verdade, não. – Suspira.

– Por que não? – Franzo a testa.

– Porque eu não parei para pensar nisso ainda. – Dá os ombros. Eu sigo o olhar dela e mordo o lábio, vendo Britt rindo com Artie.

– Vocês deveriam conversar. – Ela me encara, sorrindo falso.

– Já conversamos. – Eu balanço a cabeça.

– Você não tem que ficar vendo isso, San. Britt te ama. Nós conversamos hoje sobre isso. – A latina me olha, curiosa. – Eu não vou te contar.

– Ah, então tudo bem você falar pela metade. – Cruza os braços. Eu rio. – Não tem graça, sabe?

– Eu sei. – Suspiro. – Eu posso te dizer que esse sorriso ali... – Aceno para o casal. – Não é o mesmo quando ela está com você.

– Do que adianta isso agor...

– Rachel, eu posso falar com você? – Alguém a interrompe.

– O que você quer, Finn? – Pergunto cansada.

– Nós poderíamos cantar um dueto. – Sorri. – Vamos lá, só uma música. – Estende a mão. Eu respiro fundo e levanto, sem segurá-la. – Professor, nós iremos cantar.

– Ótimo, Finn. Estou com saudade de vocês cantando juntos.

Eu olho para Santana, que retribui o olhar, irritada e balança a cabeça em negação. Olho para Britt, que está com a testa franzida. O que? Não era isso que ela queria? Escuto o inicio da música e estremeço. Eu não acredito que ele escolheu Just Can't Stop Loving You. Ele começa a cantar, sorrindo para mim. Eu evito seus olhos, mantendo o meu na direção das meninas. Eu sempre gostei de cantar com ele, sempre achei nossas vozes incríveis juntas. Mas, algo está errado dessa vez. Começo a cantar, olhando-o agora. É estranho. Falta alguma coisa. Talvez seja porque eu não gosto mais da minha voz como antes. Ou porque... Não sei, eu possa gostar de cantar mais com Quinn.

Suspiro, terminando a música. Ouço os aplausos e abaixo a cabeça. Quando levanto, percebo Finn muito próximo. Sua testa está quase encostada na minha, engulo seco, fechando os olhos.

– Não. – Sussurro. – Eu não quero. – Abro os olhos, encontrando os seus, confusos.

– Mas, Rach... – Choraminga, enquanto eu me afasto.

– Professor, eu preciso sair agora. – Aviso. Vejo prof Schue assentindo.

Merda, merda, merda. Tento controlar minha respiração, andando firme.

– Cadê suas protetoras, ManHands? – Escuto alguém. Apresso os passos.

– Sozinha, perdedora? – Outra voz soa. – Pra onde você está indo?

– Hobbit, saia de perto das lideres, você está sujando os nossos nomes. – Cospem. – Quinn foi suspensa por sua culpa, estamos perto dos torneios, viu o que você fez? Três dias sem nossa capitã.

Dane-se, eu estou correndo agora e é cada vez mais difícil respirar.

–x-

Professor Schue não deixou mais ninguém sair depois de Rachel, exigindo presença de todos e alegando que os ensaios estavam bagunçados. Santana e Brittany trocaram um olhar nervoso. Elas não poderiam ir contra e arriscar uma nova suspensão. Quando o toque soou, avisando o término do clube, as duas saltaram em direção à porta. Uma mão puxou o braço da latina.

– Vocês precisam de ajuda?

– Sim, Tina. Assim que você achar Rachel, nos avise, por favor. – A asiática assente, saindo.

Brittany sobe, indo para a quadra e Santana vai para os banheiros. Tina passa no corredor e escuta uma voz, fazendo-a parar em frente ao auditório. Claro. Ela se bronqueou, entrando. A visão que ela teve foi de quebrar o coração. Rachel sentada no banco do piano, com as lágrimas correndo em jatos no rosto, enquanto tentava cantar If I Die Young, com a voz falha por causa dos soluços.

Venham para o auditório, correndo. – Tina.

Em menos de um minuto, as duas já estavam na porta. Brittany dá um aperto no ombro de Tina, que olhava para Rachel desolada, controlando suas próprias lágrimas.

– Você tem sido incrível, Tina. – Santana sorri de lado. – Obrigada.

– Eu me preocupo por ela, San. – Diz angustiada. – Eu quero ajuda-la.

– Deixe-a saber disso. Agora eu preciso ir lá, mas depois você pode conversar com ela, certo? – A asiática suspira e se despede das duas. Santana corre, abraçando a menina quebrada. – Shhhh... Eu tenho você agora. Calma.

A loira pega um copo d’água e coloca em cima do piano, esperando a morena se acalmar. Depois de quase meia hora, ela se afasta de Santana, com os inchados e bebe o copo que Brittany trouxe.

– O que aconteceu? – A latina pede baixinho, limpando o rosto de Rachel, que solta um suspiro doloroso.

– Algumas pessoas... Elas... Elas disseram que... As Cheerios vão se prejudicar... – Soluça fraco. – Por minha culpa.

– Merda. – Santana dá um soco no banco, assustando-a. – Quem foi Rachel?

– Eu não sei. – Murmura. – Eu não conheço os nomes, eu...

– Está tudo bem. – Brittany acalma, bronqueando Santana com um olhar. – Rach, por que você estava cantando aquela música? – Pergunta angustiada. Silêncio.

– Rachel. – A latina abre os olhos, assustada. – Rachel, responda.

– Porque eu senti vontade. – Sussurra.

– Por Deus, Rachel. – Santana suspira, esfregando os olhos. – Você não fez nenhuma besteira, certo? – Sem resposta outra vez. – Por que você está nos ignorando? – Pergunta frustrada.

– Você não acreditou no que eles falaram, acreditou, Rach? – A morena abaixa a cabeça, olhando para as mãos.

– Porra, Berry. É em nós que você deve acreditar.

– Calma, Santana. – Brittany resmunga. – Rach, eles estão errados. As Cheerios estão bem, não estamos prejudicadas. San é a co-capitã, ela sabe o que fazer quando Quinn não está, entende? Nós somos preparadas.

– É verdade, Rach. – A latina levanta o queixo da pequena, sorrindo fraco. – Me perdoe, eu deveria ter vindo atrás de você.

– Tudo bem. – Suspira. – Não foi sua culpa.

– Você está mais calma? – A loira pergunta, docemente. Rachel assente. – Vamos tomar um milk-shake?

Por Quinn

Recebo uma mensagem estranha de Santana e não aguento mais de preocupação. Vou até a casa dos Berrys, ver Rachel. Leroy atende e eu suspiro aliviada. Hiram seria mais difícil de enfrentar. Ele avisa que a morena ainda não chegou, o que só aperta mais meu coração.

– Você pode esperar no quarto dela, se quiser. – O homem sorridente avisa.

Eu assinto, subindo. Eu sinto falta do quarto animado que ela tinha, mesmo que eu só tenha entrado aqui uma vez quando ele ainda era daquele jeito, cheio de cartazes e estrelas penduradas. Suspiro, vendo o quão vazio ele é agora, como ela. Ok, estou sozinha aqui. O que eu faço? Abro sua gaveta. Deus, eu não posso fazer isso. Fecho-a. Eu preciso. Abro. Sorrio, achando uma foto do Glee dentro. Tem várias fotos, a maioria com Finn. As fotos que eu apareço, estamos afastadas. Tem uma foto dela com os pais, quando ela era mais nova. Os dois estavam beijando sua bochecha. Uma foto amassada chama a minha atenção. Eu tento abri-la e meu coração congela quando eu reconheço. Shelby.

Coloco tudo de volta. Mas, antes de fechar a gaveta, vejo um papel dobrado no fundo da gaveta. Mordo o lábio, pegando-o. Isso é invadir muito sua privacidade? É pior do que eu fiz quando vi sua música em seus cadernos? Olho para trás, tendo a certeza de que estou só. Respiro fundo.

Querido pais,

Eu sinto muito por isso. Sei que vocês terão muito trabalho para resolver tudo esses dias, mas eu prometo que só será por um tempo. Logo, não precisarão mais se preocupar com nada. Apenas, me deixar ir. Bom, vocês já me deixaram ir há muito tempo. Eu já não posso mais atrapalhar vocês, então curtam suas vidas, tranquilos. Apesar de tudo, de não sentir mais que sou parte da família que um dia fomos, eu amo vocês. Vocês podem achar alguém melhor, como Shelby fez.

Glee,

Vocês são bons. No inicio, eu achei que não fossemos muito longe, mas nós conseguimos melhorar, juntos. Agora, vocês não precisam mais de mim. Cada um já sabe o que fazer, o que melhorar. Finn, eu te amo, espero que você consiga achar alguém a sua altura algum dia. Professor Schue, obrigada pela experiência incrível. Kurt, eu fico feliz por você conseguir suas notas. Mercedes, você um dia será uma grande cantora. Puck, você tem uma ótima voz, assim como Sam. Mike, além de um excelente dançarino, você está crescendo como cantor. Tina, eu queria ter cantado uma música com você. Artie, eu tenho orgulho do que você consegue ser. Brittany, você é uma pessoa doce, canta e dança muito bem. Sinto por não ter sido próxima a você. Santana, o solo é seu. Quinn, Finn é seu.

Mais uma vez, sinto muito por ter feito vocês perderem as nacionais por causa de meu erro estúpido. Não se preocupem mais com isso. Estou longe, a partir de agora. Estou cansada de todas as acusações e de toda essa culpa maldita. Eu não aguento mais passar naquele corredor ou sentar nessa escola. Eu achei que tinha tudo, mas na verdade, eu só não enxergava os fatos. Nem mesmo a minha própria mãe me quis. Eu sou uma perdedora, como todos dizem. Sou uma anã, gorda, estranha, egoísta, pretenciosa. Só consegui cair nessa realidade, quando botei o que eu tinha de mais precioso e concreto a perder: a minha voz. Ela não é tão boa quanto eu pensava. Ela irrita as pessoas. Eu parei de falar, mas não pareceu o suficiente. Minha presença é muito. Por isso, me despeço de todos.

Tenham uma boa vida.

Procuro o ar para respirar. Minhas mãos tremem, incontrolavelmente. Um soluço escapa e eu tapo minha boca, sentindo as lágrimas em minhas bochechas. O que é isso? Ela quis... Ela ia...

– Quinn? – Ouço sua voz. Tento fechar a gaveta, depressa. – O que você estava fazendo? Mas, que merda é essa?

Notas finais
Heeeey, gente bonita. ;)) Espero que vocês gostem!! Comentem, heim? Até o PRÓXIMO. E oooolha... ;** http://ask.fm/FlorDeLins_