Notas iniciais
Essa nunca foi gravada por Glee, infelizmente. Então, vai a versão original dela. Música que Rachel canta no capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=R-3_dAVJIrQ (http://letras.mus.br/deas-vail/1581507/traducao.html)

Por Quinn

Rachel solta um suspiro alto e se senta na cadeira, com as mãos no rosto. Leroy sussurra um pedido de desculpas, antes de sair da cozinha. Nós ficamos em silêncio alguns minutos. Mil coisas estão se passando na minha cabeça agora e eu não consigo ver sentido em nenhuma delas. Minha namorada levanta o olhar. Posso ver seu nervosismo neles. Sinto vontade de abraçá-la e dizer que está tudo bem, que não importa. Mas, não posso fazer isso.

– Então? – Cruzo os braços no peito. – Estou esperando.

– Quinn, é besteira...

– Se você não falar agora, Rachel, nós começaremos a ter problemas reais no nosso namoro. – Ela estremece, se encolhendo. Eu fecho os olhos. – Não precisa ter medo. – Seguro sua mão. – Apenas fale.

– Quando ele me chamou para sair, ele disse que não queria que você fosse... – Começa.

– Isso você me contou. – Franzo a testa.

– Presta atenção, amor. – Respira fundo. – Ele não queria que você fosse. – Eu a encaro, tentando entender. – Hiram foi especifico quanto a isso. Eu fiquei confusa, mas preferi achar que era porque ele queria privacidade. – Assinto. Ela desvia o olhar. – Só que... quando nos encontramos, ele pediu para que...

– Pediu o que, Rachel? – Levanto seu queixo.

– Pediu para que eu me afastasse de você. – Sussurra.

– Por que ele pediria isso?

– Não sei. – Sua voz sai fraca. – Ele não confia em você, disse que você vai me machucar, que somos diferentes. – Seus olhos se enchem de lágrimas. – Que não deveríamos estar juntas agora.

Eu respiro pesado, levantando. Encosto no armário, absorvendo o que Rachel acabou de dizer. Mas, quem diabos ele pensa que é? Abandona a família e quer ter razão em não confiar em mim? A morena levanta, se aproximando. Suas mãos prendem minha cintura. Não consigo me mover. Sinto que eu posso explodir se eu começar a falar agora.

– Eu o mandei ir à merda, se você quer saber. – Dá um sorriso sem jeito.

– Você acha que eu vou me sentir melhor sabendo que você mandou seu próprio pai ir a merda por minha causa?

– O que você queria? Que eu desse um abraço nele e concordasse com tudo? – Se afasta, irritada. – Esse não é o meu pai, Quinn. Não o que eu conheci um dia.

– Por que você não me contou?

– Porque eu não achei necessário.

– Contar que seu pai não aceita nosso namoro é realmente algo desnecessário. – Digo irônica.

– Já falei que ele não é meu pai.

– O que eu faço? – Sussurro. – O que eu faço pra vocês acreditarem que eu mudei?

– Quinn, eu sei que você mudou. – Solta, séria. – Não mistura os assuntos.

– Os assuntos estão misturados, Rach. – Um nó se forma na minha garganta. – No fundo, você dá razão a ele, ao Finn, a todos que acham que eu vou voltar a te machucar.

– Não diga besteira. – Repreende. – Se eu achasse isso, não estaria namorando com você.

– Talvez você...

– Cale a boca. – Me puxa para a sala e me empurra no sofá. Eu a encaro, confusa. – Eu sou apaixonada por você. Mais do que qualquer um, você viu como eu estava perdida. Eu não conseguia acreditar em nada, em ninguém, nem mesmo em mim. Eu perdi a confiança em tudo, Q. Em tudo. – Engole um soluço. – Eu sei que eu sou uma idiota, que eu não me recuperei totalmente e perco o controle de minhas emoções, principalmente com as palavras, já que eu não posso mais me calar de outro jeito. – Revira os punhos. – Se eles soubessem da nossa história toda... – Ri baixo. – Eles veriam que sou eu quem faz mal, sou eu quem machuca. – Sussurra. – Você me salva todos os dias e eu me pego me perguntando se eu sou realmente o suficiente pra você. Mas, eu te amo tanto, que posso enlouquecer de vez só em pensar em te afastar.

– Rachel... – Eu limpo uma lágrima de seu rosto.

– Eu preciso que você me perdoe. Não sei por que eu não te contei. Não sei por que eu te gritei. Eu só... Eu não sei.

– Eu também sou apaixonada por você, sabe? – Coloco uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. Ela sorri tímida. – Estamos namorando. Eu vou estar do seu lado, independente de tudo. Quero participar da sua vida, quero confiança. — Ela abre a boca para me interromper, mas eu continuo. – Vamos crescer nesse relacionamento juntas, ok? Vamos aprender juntas. Preciso de você inteira. Eu descobri que eu não tenho força para nos sustentar sozinha. Me ajude.

– Eu te ajudo. – Se apressa. – Eu juro. Eu prometo. – Segura meu rosto. – Eu ajudo. Eu não vou mais te deixar sozinha. – Encosta nossas testas. – Eu vou te pedir pra respirar quando você achar que não consegue. – Sorrio. – Eu vou segurar na sua mão na frente de todo o corredor.

– Rach...

– Eu te amo. – Puxa meu lábio inferior com os dentes. – Eu prometo que serei inteira.

– Você não precisa nos assumir por causa disso. – Suspiro. – Existem muitos casais por ai que pagam uma vida na frente das pessoas, mas são uma completa mentira. – Explico. – Quando te peço inteira, me refiro somente a nós duas.

– Não existe uma só parte de mim que já não esteja entregue a você. – Sua voz rouca faz meu coração acelerar. – Eu vou aprender a lidar com isso. Não desista de mim.

– Eu não vou desistir. – Seguro sua nuca, sentindo sua respiração em meu rosto. – Mas, estou chateada com você.

– Quinn... – Resmunga frustrada.

– Quinn nada. – Levanto do sofá, resistindo a proximidade dos nossos corpos. – Precisamos ir para o colégio.

– Certo. – Bufa, pegando a bolsa. – Até quando você ficará chateada?

– Depois de algumas noites sem sexo, para você aprender.

– O QUE? Não, não, não. – Ri. – Você está brincando comigo, sua idiota. – Eu a encaro. – Quinn, não tem graça.

– Professor Schue disse que precisávamos estar lá cedo. – Olho para o relógio. – Estamos atrasadas.

– Mas... Ok. – Suspira, abrindo a porta.

Eu viro os olhos, puxando-a para perto de mim. Rachel quebra a distancia, juntando nossas bocas com saudade. Eu deixo que ela aprofunde o beijo. Sua língua entra desesperada. Tenho que me apoiar na parede para conseguir equilíbrio. Suas mãos correm nas minhas costas, enquanto eu seguro firmemente seu rosto. Eu amo o jeito que ela me segura, amo esse cheiro, esse gosto, essa mulher.

Por Rachel

Diferente de ontem, o colégio hoje parece uma bagunça. Todos estão nervosos e andando de um lado para o outro. O corredor não fala em outra coisa. Várias histórias diferentes já surgiram: que foi um acidente, que ele foi assaltado, que ele até morreu. Ninguém tem culpa. Todos viraram santos, amigos do Karofsky. Eu sinto raiva deles. São pessoas hipócritas, ridículas. Gostaria de poder dar uma tapa na cara de cada um.

Todos os integrantes já estão na sala de coral. Professor Schue acena para que nós sentemos. Kurt está visivelmente abalado com tudo isso. Eu aperto seu ombro e ele me dá um sorriso pequeno em troca. Blaine passa um braço por trás dele, protetoramente. Santana faz o mesmo em Brittany, assim como Mike em Tina. Quinn segura minha mão, fazendo um carinho suave.

– Agora que estão todos aqui, precisamos conversar. – O professor puxa uma cadeira, ficando de frente para nós. – Antes de mais nada, quero dizer que Karofsky já está acordado. – Nós suspiramos aliviados.

– Podemos ir vê-lo? – Kurt pergunta.

– Ainda não. Ele está no quarto, mas ainda precisa se recuperar. – Passa a mão na testa. – Os pais dele pediram para que ninguém aparecesse por lá, devido a tudo o que aconteceu.

– Não é justo. – Sussurro.

– Só podemos obedecer. – Eu encolho. – O diretor me procurou. – Suspira. – Como vocês podem perceber, está rolando diversas versões sobre isso. – Nós assentimos. – Mais tarde, haverá uma reunião como todos os pais e alunos na quadra. Explicaremos tudo e faremos uma homenagem.

– Precisaremos cantar? – Sam choraminga. – Não sinto vontade de cantar agora, professor.

– Olha, eu sei. – Cruza as mãos, apoiando os cotovelos nos joelhos. – Tentei pedir mais um tempo, mas não consegui.

– Eu canto. – Solto. Todos me encaram. – O que?

– Tem certeza? – Quinn sussurra.

– Tenho. – Digo, firme. – Eu quero cantar, professor.

– Isso é... Ótimo, Rachel. – Sorri incerto. – Mas, você não precisa fazer isso sozinha.

– Não tem problema. – Aperto a mão da minha namorada. – Eles não estão se sentindo bem para cantar. Gostaria de cantar por todos nós.

– Certo. – Assente. – Você quer que eu te ajude com algo? Escolha da música...

– Na verdade, eu já sei o que vou cantar. – Quinn me olha curiosa. Eu sorrio. – Só preciso falar com os músicos.

– Tudo bem, Rachel. Fico feliz por você estar tomando frente. – Dessa vez ele sorri com sinceridade. – É bom te ver assim.

– Está na hora da capitã do clube voltar, professor. – Declaro.

Santana solta um “uou” e bate palmas, sendo seguida pelo resto do clube, inclusive Mercedes. Ela me dá um olhar significativo e eu balanço a cabeça, sabendo que ela está me dando força. Quinn beija minha mão, sorrindo bonito. Fico hipnotizada em seus olhos, até o abraço de Brittany me tirar do transe. Nós terminamos a reunião discutindo sobre algumas mudanças nas músicas para as Regionais. Decidimos levar a homenagem para a competição.

Os professores não deram aula direito. Tudo se resumia ao acontecido de ontem e lições de morais que, com certeza, foram absorvidas por menos de um terço dos alunos que estavam prestando atenção. Na verdade, eu detesto ter que vê-los pagando de politicamente corretos agora. Abro o caderno e fico desenhando aleatoriamente.

– Que saco. – Santana resmunga. Eu solto um riso baixo. – E então? Você e Quinn estão bem?

– Estamos... – Suspiro. – Mas, ela ainda está um pouco chateada.

– Não é pra menos.

– Santana! – Bronqueio. Ela levanta as mãos. – Estou pensando em algo.

– No que? – Deita a cabeça na mesa.

– Você já vai saber. – Sorrio.

– Hm, está misteriosa hoje. – Entrecerra os olhos. – Só não faça nenhuma besteira. – Boceja. – Estou cansada.

– Dorme, San. – Rio. – Dorme...

E ela se entrega ao sono até terminar essa aula. Quando o sinal soa, todos se direcionam a quadra. O colégio está lotado de gente. Nós demoramos a encontrar Quinn e Brittany. Minha namorada sorri, enquanto as meninas dão as mãos para caminharem juntas. Suspiro, segurando o impulso de imitá-las. Por agora. Professor Schue aparece, nos chamando. O resto dos integrantes já estão sentados nas cadeiras em cima do palco montado na quadra.

Meu coração dispara ao ver a arquibancada cheia. Nós já fizemos muitas apresentações aqui. Mas, em nenhuma delas os meninos estavam assim, encolhidos. Nenhuma delas me deu nervosismo.

– Tudo bem? – Quinn pergunta. Eu assinto, tentando sorrir.

Nós sentamos ao lado dos outros. A loira aponta para a multidão e eu reconheço Judy e Frannie, dando ‘tchauzinhos’ de longe. Busco Leroy, mas não o encontro. Ele avisou que teria uma reunião importante hoje, talvez não venha. Os pais de Santana também estão, perto dos de Brittany. O diretor Figgins começa a falar no microfone e um silêncio toma o lugar. Eu fecho os olhos, ouvindo toda a história outra vez.

Karofsky tentou se enforcar e os pais o acharam desacordado no quarto. O mais grave foi a queda que ele levou, batendo a cabeça no chão. Alguns rostos espantados. Mães com as mãos na boca, pais passando as mãos no cabelo. Conversas paralelas. Abraços. É angustiante ver a reação deles. Professor Schue diz algumas palavras de conforto, fala sobre o Glee clube e a diferença e respeito entre nós. É irônico, certo? Eu balanço a cabeça.

Ele termina, arrancando aplausos discretos e me chama. Quinn me segura.

– Rach, tem certeza?

– Tenho. – Sussurro, indo para frente de todos.

Eu respiro fundo, tirando o papel que escrevi em umas das aulas inúteis que tivemos hoje. Franzo a testa, encarando os rostos tristes mais uma vez. Vejo Leroy se sentar ao lado de Judy e volto para o papel.

– Eu escrevi algumas coisas, mas... – Rio falso, guardando-o. – Eu fui adotada por dois homens. – Começo, ouvindo os sussurros soarem forte. – Pra mim, nada é mais normal que o amor. Cresci sabendo que nada impedia duas pessoas do mesmo sexo se apaixonarem. Passei vários anos do colégio ouvindo piadas sobre isso. Não me abalava, porque eu chegava em casa e... – Sorrio. – Via o amor. Quem perdia era quem brincava. – Suspiro. – Aconteceram coisas desagradáveis comigo e eu passei a me importar com as palavras que me dirigiam. Não eram só sobre isso. Existem pessoas que machucam e não fazem ideia do que causam. Eu cheguei a pensar em tirar minha própria vida. – Mais sussurros. Santana segura a mão de Quinn. – Só que eu tive quem me impedisse. – As meninas sorriem. – Então, eu sinto muito por ele. Karofsky terá o meu apoio quando voltar, como terá o apoio de meus amigos. Porque, assim como ele, eu sei o que é ter que aguentar esses seres... Desumanos. – Eu paro um pouco, recuperando o fôlego. – Assim como ele, eu sou gay. – A loira arregala os olhos, enquanto o resto do clube sorri. Finn apenas abaixa a cabeça. – E eu quero ter que andar com minha namorada sem medo do que possa no acontecer. Sem medo dos comentários maldosos, da hipocrisia, da ignorância. Sei que não podemos fugir disso a vida inteira, mas... – Dou os ombros. – Não quero mais ter que fingir alguém que não sou por causa deles. Eu te amo, meu amor. – Sussurro para Quinn, que limpa uma lágrima.

Eu aceno para a banda e eles começam a tocar. Leroy e Judy estão abraçados. Frannie assente para mim, como se aprovasse meu gesto. Sussurro um “obrigada” em sua direção, esperando que ela consiga ler meus lábios. Seguro o microfone firmemente, dando início a Birds de Deas Vail. Professor Schue bate palma, espontaneamente. É a primeira vez que eu canto na frente de tanta gente depois de tudo que aconteceu. Mas, eu não ligo. Eu preciso cantar. Preciso que todos entendam como eu me sinto. Preciso que Quinn saiba que eu a amo.

No final da música, todos se unem a mim. Eu sorrio, cantando com mais força. Na ultima frase, minha namorada me puxa, unindo nossos lábios apaixonadamente... E tudo que eu consigo escutar são os aplausos por trás das batidas fortes do meu coração.

Notas finais
Boa noite, gente! ;) Vamos dar uma pausa no drama, ok? Elas merecem um pouco de sossego. hahahaha Aqui começa uma fase nova. Espero que gostem... E comentem. http://ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo ;*