Além da superfície.
56 Entregues.
Notas iniciais
Por Quinn
Eu sorrio, sentindo meu corpo inteiro tremer contra o dela. Rachel sobe, beijando delicadamente da minha perna até minha mandíbula. Abro os olhos, encontrando os olhos castanhos que eu sou apaixonada. Entrelaço meus dedos em seu cabelo, puxando sua cabeça para o meu peito. A morena se alinha, enquanto tentamos normalizar nossas respirações. De todas as vezes que estivemos juntas, sem dúvidas, essa é melhor. Desde que entramos no meu quarto, parece que o mundo se explodiu lá fora. Somos só nós duas, entregues.
Depois que nos beijamos na quadra, foi difícil ficarmos mais alguns minutos no colégio. Todos estavam curiosos e surpresos. Sabíamos que a “compreensão” do momento era apenas por causa de Karofsky. Ninguém ousaria soltar alguma gracinha sabendo do que aconteceu. Rachel pode não ter tido essa intenção, mas foi uma jogada de mestre. Pouco me importa os outros também. Nada me faz mais feliz do que saber que ela está disposta a enfrentar tudo comigo.
– Isso significa que você não está mais chateada, certo? – Sussurra. Eu rio, virando os olhos.
– Rachel, fizemos amor cinco vezes em menos de duas horas. – Lembro-a. Ela levanta a cabeça, sorrindo bonito. Beijo seus lábios rapidamente. – Isso deve significar algo.
– Que devemos brigar mais vezes para termos mais reconciliações assim? – Provoca.
– Não precisamos brigar para ficarmos assim. – Viro meu corpo por cima do seu. – Bom, brigamos uma vez e você disse que me amava. – Prendo seus braços no colchão e ela resmunga. – Brigamos outra e você assumiu nosso namoro para todo mundo. – Levanto uma sobrancelha. – Parece funcionar.
– Idiota. – Tenta sair da posição. – É a ideia de te ter longe que me enlouquece.
– Hey, você acabou de chamar nosso namoro de loucura? – Mordo seu pescoço, ouvindo um gemido baixo.
– A melhor loucura de todas. – Tenta soltar os braços mais uma vez. – Quinn. – Repreende, frustrada.
– O que? – Continuo mordendo-a. Seu corpo se remexe. – Shhhh... – Beijo sua boca, sorrindo com a urgência de sua língua a procura da minha. – Frannie e mamãe já devem ter chegado. – Rach choraminga. – Você pode se controlar um pouco?
– Não. – Puxa os braços com força, me fazendo cair por cima dela.
– Foi o que eu pensei.
Sua mão desce por minhas costas, me apertando firmemente. Enterro o rosto em seu cabelo, tentando não fazer muito barulho. Desço para seu abdômen, encarando a visão maravilhosa de ter Rachel nua na minha cama. Ela arqueia as sobrancelhas pra minha pausa. Passo meus lábios por toda a pele exposta na minha frente. Minha namorada puxa o lençol, cobrindo a boca. Eu rio, contra seus seios, acariciando-o. Ela segura minha mão, levando-a entre suas pernas. Obedeço a seu pedido, colocando o indicador estrategicamente em seu ponto pulsante. O pano não foi capaz de abafar o gemido que ela soltou.
Rachel se apoia nos cotovelos, respirando pesado, revelando seu rosto vermelho, com alguns fios do cabelo presos por causa do suor. Eu passo a mão livre em sua bochecha, tirando-os e volto para baixo. Mordo sua coxa, fazendo-a segurar minha cabeça. Eu amo ela faz isso. Meus dedos continuam brincando em sua intimidade, enquanto vou sentindo o gosto da morena de todas as formas possíveis. Rachel arqueia as costas, nervosa. Eu sei que ela quer fazer barulho. Levanto da cama de repente, assustando-a.
– O que diabos você está fazendo? – Arfa. Coloco os braços por baixo de seu corpo, pegando-a no colo. – Quinn!
Rachel é pequena... E leve. Não é difícil levantá-la. Vou para o banheiro e tranco a porta com os pés. Sento-a na pia, voltando o que estava fazendo. A morena não hesita antes de gemer alto. O sorriso toma conta do meu rosto, enquanto eu introduzo os dedos nela. Rachel segura meus braços com tanta força que chega a doer. Seus quadris dançam conforme o ritmo que eu dito. Levanto o rosto, procurando sua boca. Ela prende meu lábio inferior entre os dentes e suas pernas fecham em minha mão.
– Auuuush... – Encosto a testa em seu ombro.
– Des... – Respira, me afastando. – Desculpe.
Ela faz uma careta ao analisar meu rosto. Eu vou para frente do espelho e vejo o sangue começar a escorrer na minha boca.
– Desculpa, meu amor.– Desce da pia, me virando. – Dói? – Põe o dedo em cima.
– Ai, Rachel. – Seguro sua mão. – Dói.
– Desculpe. – Repete, rindo. – Vem... – Ela abre a torneira. – Lava.
– Vamos tomar banho. – Sorrio, maliciosa.
–
Nós terminamos de jantar e fomos para a sala. Mamãe havia convencido Leroy a comer com a gente essa noite. O pai de Rachel é uma pessoa extremamente agradável e fácil de conviver. Judy o ama. Posso garantir que eles foram feitos para serem amigos para vida toda. Os dois fazem as mesmas piadas, as mesmas observações, têm os gostos parecidos. Rachel também parece perceber isso, porque toda vez ela me lança um olhar divertido.
– Pena a Frannie não ter ficado para o jantar. – Ele lamenta, bebendo mais um gole do vinho. – Eu gosto de conversar com ela.
– Frannie foi namorar um pouco. – Minha mãe ri. – Ela precisa sair também.
– Concordo. – Leroy levanta a taça.
– Eu concordo que o senhor já pode parar por hoje. – Rachel sussurra, puxando o braço do pai.
– Deixa ele. – Sorrio, abraçando-a. – Sabe o que eu acho? – Eles me encaram. – Acho que a senhora também deveria namorar um pouco. – Judy se engasga.
– Sim! Eu já falei isso milhões de vezes para ela, Quinn. – Leroy balança a cabeça.
– Eu não tenho idade pra namorar. – Limpa a boca, desconcertada.
– Como não tem idade, Judy? – Rachel pergunta. – Uma mulher linda, cheia de saúde e simpatia...
– O amor não tem idade, minha amiga. – Meu sogro diz, sabiamente. A morena vira os olhos.
– Por que não vamos assistir a um filme? – Levanta.
– Mãe, não foge. – Seguro seu punho. – Só estamos conversando.
– Eu não gosto desse assunto, Q. – Sussurra. – Eu vou procurar o... Filme. Já volto.
Leroy e Rachel trocam um olhar e me encaram. A pequena aperta minha mão.
– Vai falar com ela. – Eu assinto, beijando sua testa.
Peço licença para Leroy e subo as escadas, indo para o quarto dela. Empurro a porta, sem bater. Judy salta, fechando a gaveta. Eu franzo o cenho, me aproximando.
– O que estava fazendo? – Ela vira, com as mãos no móvel.
– Estava atrás do filme. – Dá os ombros.
– Aqui? – Tento passá-la, mas ela não deixa. – Mamãe.
– Às vezes eu guardo aqui. – Segura meus ombros, me empurrando para fora. – Vamos voltar.
– Vamos... – Quando chegamos ao meio da escada, eu volto correndo para seu quarto.
– Quinn. – Ela bronqueia, me seguindo. – Quinn, não.
Abro a gaveta, encontrando uma foto antiga. Frannie abraçava mamãe por trás e Russell me segurava no colo, com um braço envolvendo Judy. Os dois sentados, sorrindo. Ela entra no quarto, com a cabeça baixa.
– Sério isso? – Aponto.
– Filha...
– É por causa dele que você não quer encontrar outra pessoa?
– Eu não falei que não queria encontrar outra pessoa. – Resmunga, guardando a foto. – Eu quero. – Fala firme. – Só não sei se eu consigo.
– Por quê? – Sussurro. – Você ainda gosta desse...
– É seu pai.
– Não me importa. – Seguro sua mão, sentando na cama. – Ainda gosta dele?
– Eu não sei, Quinn.
– Ok, tudo bem. – Suspiro. – Sinto muito, eu não deveria ter pegado.
– Não deveria mesmo. – Me abraça. – É complicado, Quinnie.
– Eu sei, mãe. Mas, a senhora precisa seguir em frente. – Aliso seu rosto. – Rachel tem razão. – Sorrio. – A senhora é uma mulher linda, simpática e cheia de saúde. – Repito. – Além de tantas outras qualidades. Tenho certeza que qualquer um ficaria louco por essa mulher. – Ela nega, rindo. – Ou qualquer uma.
– Hey. – Empurra meu ombro. – Vamos devagar, mocinha.
– Promete que vai pensar nisso? – Peço.
– Prometo. – Sorri, doce. – Obrigada, minha linda.
– Só quero te ver feliz.
– Nada no mundo me faz mais feliz do que sua felicidade e a felicidade de sua irmã. – Levanta. – E, por acaso, a sua está lá embaixo, nos esperando. Vamos descer.
– Vamos, boba. – Beijo sua bochecha. Ela franze a testa. – O que?
– Você andou brigando de novo? – Segura meu rosto.
– Não, por quê?
– O que foi isso na sua boca? – Eu choramingo.
– Isso não... Foi... – Limpo a garganta. – Mamãe...
– Eu já entendi. – Ri. – Tomem cuidado com isso.
Escondo o rosto em seu peito, enquanto ela solta uma risada sonora, me apertando. Envolvo meus braços nela, me aconchegando.
– Eu te amo. – Sussurro.
Por Rachel
Papai termina de tomar o copo e eu lanço um olhar, o pedindo para ir com calma. Leroy levanta as mãos, sem se servir mais. Volto o olhar para a escada. Quinn e Judy subiram tem mais de meia hora. Estou começando a ficar preocupada. Abro a boca para perguntar o que devo fazer para o meu pai, mas as duas descem abraçadas, sorrindo. Suspiro, aliviada.
– Não achamos o filme. – Anuncia a loira mais velha.
– Não tem problema. – Papai diz. – Só a conversa já está perfeito.
– Estava dizendo a Quinn... – Ela volta para a cadeira e minha namorada senta ao meu lado, segurando minha mão. – Você foi surpreendente hoje, Rachel.
– Eu... – Abaixo a cabeça, corando. – Obrigada. – Encolho os ombros. – Só falei o que estava sentindo.
– Com muita confiança e coragem. – Leroy acrescenta. – Estou muito orgulhoso de você. – Eu sorrio, sem graça.
– Eu também estou. – Judy fala, doce. – Das duas, aliás. Tenho certeza que nada fará mal a vocês enquanto estiverem juntas.
– Assim espero. – Admito.
Judy e Leroy voltam em suas conversas particulares, rindo e gesticulando muito. Eu apoio a cabeça no ombro de Quinn, sentindo seus dedos subirem e descerem no meu braço, em um carinho tranquilo. Fecho os olhos. Foi um dia cheio.
– Eu também estou orgulhosa. – Solta, baixinho. – Ainda não acredito no que você fez.
– Eu não teria conseguido se não fosse por você. – Encaro-a.
– Não falo só sobre você ter dito sobre nós. – Mexe no meu cabelo. – Foi muito bom te ver assumindo o Glee clube outra vez.
– Você me quer por inteira. – Ela assente. – Eu percebi que eu preciso me redescobrir, entende? Preciso me encontrar.
– Vou estar aqui para o que você precisar. – Desliza o nariz no meu.
– Eu tenho certeza. – Suspiro. – Veja... – Me afasto um pouco. – Você me ajuda muito e eu só tenho a te agradecer por isso. Só que eu preciso fazer mais por mim, sabe? Andar com minhas próprias pernas.
– Sei e não poderia estar mais de acordo com isso. – Sorri.
– E quanto a você... – Aponto. – É o contrário. Vai poder contar comigo e não precisar ter que enfrentar tudo sozinha.
– Acho que nós podemos balancear isso. – Eu beijo seus lábios suavemente. – Estamos namorando por inteiro.
– Estamos. – Sorrio, vendo sua expressão boba. Judy solta uma gargalhada, conversando com o meu pai. – O que aconteceu lá em cima?
– Ela estava olhando uma foto nossa com o Russell. – Suspira.
– Vocês discutiram? – Brinco com sua mão.
– Não. – Franze a testa. – Eu quero que ela o supere. Minha mãe não merece ficar presa nesse idiota.
– Tudo tem seu tempo, Q. Ela encontrará alguém se tiver que ser.
– Estou contando com isso. – Sorri de lado.
– Ei! Se eu soubesse que era festa não teria saído. – Nós escutamos.
– Frannie. – Leroy a abraça. – Estávamos sentindo sua falta.
– Falem por vocês. – Quinn implica, enquanto sua irmã me abraça.
– Idiota. – Fran levanta uma sobrancelha. – Brigou com Mercedes de novo?
– Cale a boca. – A loira se esconde atrás de mim. Sinto meu rosto arder.
– Também me perguntei isso. – Judy ri. Eu puxo minha namorada, constrangida. – Mas, parece que foi acidente de percurso.
– Jesus, Rachel! – Leroy olha para ela, assustado. – Eu não tinha visto isso.
– Vocês poderiam... Parar? Por favor? – Quinn pede, vermelha. – Onde está seu namorado, Fran? – Muda de assunto.
– Ele não é meu namorado. – Ri. – Ainda. – Acrescenta, piscando um olho e se jogando no sofá.
– Precisamos conhecê-lo primeiro. – Judy avisa.
– Pois é. Precisa passar em todos os testes. – Brinca, colocando uma perna por cima da minha.
– Só porque está liberada está se achando, né? – Entrecerra os olhos. – Cadê a música? Rachel Berry aqui em casa sem cantar?
– É verdade. – Papai bate palmas. – Vai buscar o violão, Judy.
– Estou cansada, gente. – Digo, sincera.
– Só uma, Rach. – Leroy choraminga. – Estava com tanta saudade de te ouvir cantar.
Quinn aperta meu joelho. Judy me entrega o violão, sorrindo. Eu suspiro, aceitando. Os olhos esverdeados da minha namorada me encaram firmemente e eu sinto meu corpo amolecer com o contato. Escolho I Won't Give Up de Jason Mraz para cantar pra ela. Somente pra ela. Mais uma vez, eu sinto como se só existíssemos nós aqui. O sorriso se expande em seu rosto, fazendo meu coração acelerar.
– Awn, estão uns amores hoje. – Fran aplaude, com os outros dois.
Quinn vira os olhos, me beijando com vontade. Eu geralmente me sinto envergonhada quando ela me beija assim na frente de nossos pais, mas hoje... Hoje é diferente. Aprofundo o beijo, buscando sua língua.
– Aush. – Choraminga, se afastando. Os três gargalham alto. – Não tem graça. – Resmunga.
– Deixa eu ver. – Sussurro, ignorando-os. Ela faz um pequeno e adorável bico. – Ow, meu amor, me perdoe.
– Não tem problema. – Sorri, maliciosa. – Eu mereci. – Alguém limpa a garganta. – Ora, mas vocês são uns chatos mesmo, viu? – Cruza os braços. – Nós rimos.
– Querem que nos retiremos? – Judy entra na brincadeira.
– Seria perfeito. – Belisco a cintura de Quinn. – O que? Seria mesmo.
Frannie joga uma almofada em Quinn, que devolve, jogando outra na mãe. Leroy me olha, sorrindo. Eu sorrio de volta. Sim... Me sinto em casa.
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