Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=FKeQf4pWtjg

Quinn, Santana e Brittany correram para a casa da morena, tocaram a campainha, bateram, ligaram, mas não tiveram um sinal se quer de Rachel. As três se dividiram, procurando em lugares que costumam ir, sem sucesso. No desespero, chegaram a ir a hospitais, felizmente, nesse caso, não a encontrando também. A preocupação tomava conta das amigas, que depois de algumas horas, resolveram esperar por notícias. Quinn chegou em casa puxando o ar de forma irregular, chamando atenção da mãe, que rapidamente segurou a filha nos braços, sentindo os soluços explodirem pelo corpo da loira. Jude gritou por Frannie, sem saber o que fazer. Quando sua irmã mais velha apareceu, instruindo como respirar direito, Quinn se recuperou, deixando lágrimas silenciosas no lugar. Sua mãe foi para cozinha, preparar algo para acalmá-la, mas com o objetivo de dar privacidade as duas filhas. Claro que ela estava preocupada e curiosa para saber o que aconteceu, só que agora Frannie era a mais indicada para essa conversa. Quinn conta tudo, detalhadamente, com a voz falha e rouca e o olhar perdido.

– Ela não pode ficar sozinha agora. – Fran esconde o rosto nas mãos.

– E VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? – Grita, assustando a irmã. – Desculpe, eu...

– Está nervosa, tudo bem. – Suspira. – Por que você não tenta falar com os pais dela?

– Você acha que isso adiantaria? – Bufa. – Eles não estão lá.

– Eles precisam saber o que está acontecendo, Quinn.

– Eu sei, mas eu não vou falar. – Murmura. – Ela precisa fazer.

– O quanto antes, Q. Isso é muito sério. Ela pode sair do controle.

– Você não está ajudando. – Volta a chorar.

– Sinto muito. – Se aproxima, abraçando-a. – Deus, eu sinto muito. Não queria te assustar. Está tudo bem, vamos pensar que Rachel está em casa, precisando ficar um pouco só. Logo ela aparece e...

– NÃO. – Sai do abraço, levantando. – Você está certa. Ela pode sair do controle e eu não posso deixar isso acontecer. Eu preciso ajuda-la.

– Certo, mas como você...

– Eu vou na casa dela outra vez. Nós dormirmos sempre juntas. Quem sabe ela não abre agora? Eu preciso ir, Fran.

– Você quer que eu te leve?

– Não. – Pega a chave do carro. – Vou procura-la por todos os lugares.

Dito isso, a loira rodou o bairro outra vez, parando em frente da casa de Rachel. Ela olha por cima do muro, percebendo que o carro dos pais da pequena não estava lá, então o pula. Um nó se formou em seu estomago, enquanto ela tocava a campainha pela vigésima vez. Quase derrotada, Quinn percebeu um vulto na porta.

– Rachel? – Chama. – Rachel, me responde. – Implora, encostando a cabeça do outro lado da madeira. – Eu sei que você está ai. Abre para mim, por favor. – Silêncio. – Eu prometo que não vou falar nada, só... – Suspira. – Só te abraçar, como todas as noites, hm? Abre. – Pede, com a voz embargada. – Eu preciso te ver. Preciso saber que você está bem. – Soluça baixo. – Eu não vou embora. – Diz firme. – Não vou sair daqui até você falar comigo. – Senta no chão.

Do outro lado, a morena tremia segurando a porta, incapaz de dizer uma palavra. Sem saber, ela senta no mesmo local que Quinn. Seus corpos separados pela madeira. Rachel escuta uma música baixa e fecha os olhos, deixando a voz da loira acalmá-la.

– Vai embora. – Sussurra, fazendo Quinn virar. – Por favor.

– Não posso. – Devolve no mesmo tom. – Eu preciso te ver. – Repete. Rachel balança a cabeça de forma negativa. – Quero saber se está bem.

– Está. – Murmura. – Agora vá.

– Não acredito em você. Rachel, por favor. – Sem respostas. – Não se cale outra vez. – Suplica, quebrando o coração da outra. – Continue falando, pelo menos.

– Eu quero ficar sozinha. – Falar isso alto era tão idiota e errado.

– Você nunca vai estar sozinha, eu te prometi isso. – Morde o lábio. — Deus! Deixa eu cuidar de você.

– EU NÃO PRECISO DE CUIDADOS. – Explode. – Quinn, você não tem que estar aqui, vai embora. Esquece tudo isso, seu lugar é junto com os populares, não do lado fraco e zoado.

– Eu quero estar do seu lado. Não faça isso. Não depois de... – Fecha os olhos. – Depois de tudo. – A loira escuta o choro abafado de Rachel. – Rach... – A morena sobe para o quarto, correndo. – Rachel! Rachel volte. RACHEL. EU VOU FICAR AQUI, OUVIU? EU VOU DORMIR AQUI FORA. – Gritava para a janela. – EU ESTOU AQUI.

Quinn ficou horas sentada no batente dos Berrys, depois foi para dentro de seu carro, se deixando descansar. Ela mandou várias mensagens, que foram ignoradas por Rachel. Quando o sol brilhou em seus olhos, ela acordou desnorteada. Alguém estava batendo na janela, fazendo-a saltar de susto.

– Quinn? O que você está fazendo aqui?

– Oh! – Esfrega o rosto. – Sr. Hiram, eu... Eu estou esperando Rachel.

– Ela já foi faz um tempo. – Franze a testa. – Você dormiu aqui?

– Sim, digo... Não. – Balança a cabeça. – Eu preciso ir. Tenha um bom dia.

– Você também, Quinn. – Responde, desconfiado.

A loira acelerou para o colégio e, só quando chegou, percebeu que ainda estava com a roupa do dia anterior. Quinn se escondeu no carro, puxando uma roupa limpa na sua bolsa, que sempre guardava para depois dos treinos. Ela entrou no colégio, olhando para os lados, buscando a todo custo a imagem da pessoa que tanto gosta. Santana se aproximou e colocou uma mão em seu ombro, virando-a para a direção certa. Quando seus olhos focaram a morena que a amiga estava mostrando, seu coração despedaçou. Rachel estava encostada no armário, com os olhos baixos, ouvindo os insultos vindos por quem passava. A maquiagem em seu rosto era forte, parecia outra pessoa. Apesar da tentativa de esconder o que pretendia, Quinn podia ver seus olhos tristes e vazios, por trás do lápis e do pó.

– Não... – Sussurra.

– Ele falou, Q. – A latina anuncia. – Todos sabem.

– Eu vou mata-lo. – Cospe, furiosa. Santana segura seu punho com força.

– Olhe para Rachel. Vamos tirá-la de lá, é nossa prioridade agora.

Quinn não responde, só assente se apressando para perto de Rachel. Brittany se juntou a elas, pedindo educadamente para que as pessoas parassem com as brincadeiras. Santana já estava gritando. Antes que elas chegassem lá, alguém foi mais rápido.

– Mostre a eles, Rachel. – Karofsky ri irônico. – Mostre seus braços, aberração.

– Cale a boca. – Quinn manda. – Rach, vamos embora.

– Rachel. – Finn chega correndo. – O que está acontecendo?

– Ela é louca. – Mercedes aponta. – Estão dizendo que ela é suicida.

– É mentira. – Brittany protege. – São apenas boatos, vocês sabem disso. Todos tiveram uma história falsa por aqui.

– Inventada por vocês, claro. – Mercedes lembra. – Se isso não veio de vocês, é verdade.

– Não é. – Quinn tenta se aproximar, mas Rachel puxa o braço, sem sair do lugar. – Vamos, por favor.

– Mostra, anã.

– Karofsky, saia daqui. – Brittany vai perdendo a paciência.

– Só quando ela mostrar. – Ele vira para o garoto alto. – Finn, você não quer ver?

– Eu... – Encara a morena. – É verdade? – Sussurra.

– Finn! – Quinn bronqueia.

– É verdade. – Todos viram no som da voz. – Eu sou uma aberração mesmo, é isso que vocês querem comprovar?

– Rachel, não faça isso. – A loira pede, mas a pequena não a olha. Quinn se assusta quando ela solta os cadernos no chão e leva a mão para a manga da camisa.

– Já chega, Rachel. – Santana segura a morena.

– Me solta. – Fala fria, se desprendendo.

O corredor, antes tomado por um barulho enlouquecedor, fica em silêncio, vendo a cena acontecer. Suspiros e gritos de surpresas soam. Rachel vira o braço direito, mostrando a nova cicatriz. PERDEDORA. Quinn fecha os olhos, sentindo o choro enganchar na garganta, enquanto Britt soluça baixo. Santana fixou os olhos na palavra marcada na pele de sua nova amiga, respirando pesado. As três se sentiam um lixo. Grande parte do corredor se sentia um lixo. Karofsky, mesmo rindo, se sentia assim. Mas, eles precisavam colocar suas máscaras. Finn olhou nos olhos dela, buscando respostas. Ele estava apreensivo, junto com o resto do Glee clube. Tina abraçou Mike apertado. Ela já desconfiava.

– Você é mesmo uma idiota. – Mercedes fala, incrédula.

– CALA A MALDITA BOCA. – Santana explode. – ERA ISSO QUE VOCÊS QUERIAM? IDIOTAS SÃO VOCÊS. JÁ VIRAM? AGORA SAIAM.

– Faça-me rir, Santana. Você era uma das que mais aprontava com Rachel. Todos os apelidos e raspadinhas. – Bufa. – Você acha que ela é sua amiga, Berry? – Zomba. Rachel se encolhe.

– VOCÊ NÃO OUVIU O QUE EU FALEI, MERCEDES? VAI. EMBORA. – Grita mais forte. – Rachel, não a escute. Você sabe que nós somos suas amigas, certo? – Tenta colocar uma mão na morena, que recua ao toque. A latina tira o casaco e joga em cima dela, cobrindo as cicatrizes.

– Tão terna pagando de boazinha.

– Já deu. – Santana avança em Mercedes, prendendo-a contra o armário.

Mais uma vez, o corredor foi tomado pelas vozes desesperadas dos alunos. Brittany tentava afastar as duas, sem conseguir. Pediu ajuda a Puck e Mike, mas ambos negaram, alegando que Mercedes merecia. Quinn encarava Rachel, que tremia encolhida, lágrimas silenciosas corriam pelo seu rosto, estragando o peso de sua maquiagem.

– O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

Por Quinn

Sue separa Mercedes e Santana, enquanto todos correm com medo, ficando apenas os alunos do Glee.

– Alguém vai me explicar? – Pede grossa. – Lopez?

– Essa estúpida não parava de falar besteira. – Cospe.

– Estúpida é você. – Briga de volta.

– Chega. – Manda. – As duas para a sala do diretor Figgins, logo.

– Rachel. – Santana chama, sem sucesso. – Rachel, não se feche, por favor. – Implora. – Britt, não deixa isso acontecer. – Pede com a voz falha.

Eu solto um suspiro sonoro, vendo minha amiga se afastar. Sue volta o olhar para nós, curiosa. Ela se aproxima de Rachel e tira o casaco de Santana, analisando as cicatrizes, com uma expressão preocupada no rosto. Algo que eu nunca tive visto antes. Ela respira fundo, tentando levantar a cabeça da morena, procurando seus olhos. Quando ela consegue, sinto meu estomago revirar.

– Desde quando isso acontece? – Pergunta calma. Rachel abre a boca, incapaz de responder. Sue espera.

– Pouco tempo depois das nacionais. – Admite, para a minha surpresa. Quase me esqueço que os outros integrantes estão presentes, até que escuto os suspiros fracos deles.

– Eu preciso informar aos seus pais.

– Eu não tenho pais. – Dá os ombros, fria. – Eu não tenho ninguém.

– Rachel. – Repreendo, magoada. Pela primeira vez hoje, ela me encara.

– Eu sinto muito. – Murmura, indo para longe.

– RACHEL. – Chamo.

– Fabray, eu preciso falar com você.

– Agora não, treinadora, por favor. Eu preciso ir atrás dela.

– Brittany. – Pede. A dançarina entende e corre atrás da morena. – Quem aqui sabia disso? – Pergunta para o grupo. Eu abaixo a cabeça. – Quem, além de você?

– Britt e San. – Respondo baixo.

– Porcelana? – Kurt nega, envergonhado. Sue se surpreende. – Por que as duas estavam brigando?

– Porque Mercedes fica criticando Rachel o tempo inteiro. – Puck responde, parecendo furioso. – Estou cansado desses tratamentos.

– Cansado? – Bufo. – Vocês não têm moral para falarem de Mercedes. Só Tina e Mike perceberam quão perdida Rach estava e se aproximaram.

– Eu sabia que algo estava acontecendo. – Finn fecha os olhos. – Só que...

– Não quis arruinar sua popularidade. – Completo. Ele assente.

– Isso passou dos limites. – Repreende Sue. – Não vou tolerar mais comportamentos desse tipo por aqui, ouviram? Principalmente com Berry.

– Mas, são outras pessoas que fazem. – Sam se defende.

– Falarei com todos. – Avisa, me fazendo relaxar. – Schue?

– Ele não sabe. – Sussurro.

– Quinn. – Se aproxima, falando baixo. – Você se importa mesmo?

– Mais que tudo, treinadora. – Minha voz sai embargada. Sinto seus braços me envolverem, em uma atitude totalmente inesperada. Eu preciso disso. Escondo meu rosto em seu abraço. – Eu a amo.

Por Rachel

Sento no chão do auditório, tentando parar de chorar. Vejo alguém entrar atrás e sentar ao meu lado. Não preciso de voz, eu conheço. Suspiro forte, encarando os lugares vazios.

– Ontem nós ficamos preocupadas por você. – Ouço. – Fomos a vários lugares. Quinn teve outro ataque de pânico. – Eu fecho os olhos, soluçando. – Santana tentava demonstrar força, que estava tudo bem, mas ela estava louca, querendo saber de você. – Ri baixo. – A noite, eu tive que abraça-la muito forte, porque ela estava com medo. Eu também estava. Porque eu gosto muito de você. Assim como elas. Somos suas amigas, vamos te defender, te ajudar. E daí que ninguém acredite em nós? Você acreditou. Nós fizemos algo que não mostrasse isso? – Eu nego com a cabeça. – Porque você fez o certo em confiar. Nos magoa quando você duvida. – Eu abro os olhos, encarando-a. – É ruim saber que a pessoa que nós consideramos sente medo de nós. – Engole seco. – Você tem muitos motivos, sabemos. Mas, tínhamos zerado isso, não tínhamos? – Meu choro aumenta. Me sinto culpada. – Não chore. Não quero te fazer se sentir mal. Quero ser realista com você. Não existe mais mentiras entre nós.

– Eu... Eu... Me per...

– Eu te perdoo, porque eu sei que você não está bem. – Sorri de lado. – O que está acontecendo com você é sério. É sério e precisa ser tratado. Não estamos lindando mais com isso auto controle.

– O que...

– Você disse que precisava de ajuda. – Pausa. – Mas, não somos o suficiente. Você tem que se ajudar. – Suspira. – Falar com seus pais, antes que eles saibam de outra forma. Rachel, isso é pelo seu bem, você consegue enxergar assim? – Eu nego. – Por que não?

– Porque nunca querem o meu bem. – Sussurro.

– Você está duvidando outra vez de mim. – Uma lágrima escorre por sua bochecha. Eu a seco, rápido.

– Não chore, Britt. – Peço. – Eu sinto muito. Eu não...

– Pense um pouco. Respire. Quando você estiver pronta, vamos para a sala do coral. Você vai cantar.

– Não. – Rio sarcástica. – Eu não quero entrar lá, muito menos cantar.

– Você vai encarar, Rachel. – Diz firme, me fazendo estremecer. – Vai entrar lá e cantar, mostrar o que fez aquele clube acontecer. Sua voz. Sua maravilhosa voz.

Encosto a cabeça na parede, pensando. Sinto a mão dela segurar a minha e, por impulso, afasto. Meu coração afunda ao ver sua cara de decepção, então logo puxo-a de volta, entrelaçando-as. Ela sorri, me contagiando. Depois de um tempo, o sinal soa, anunciando nosso horário em Glee. Brittany me olha, perguntando silenciosamente. Respiro fundo e levanto, sendo acompanhada por ela. Paro na porta, arrumando coragem para entrar.

– Estou com você, Rachel. – Escuto Tina sussurrar, passando.

– Eu também, Rachel. – Mike sorri, seguindo-a.

– Todos nós estamos. – Puck avisa.

Eu encolho nos braços de Brittany. Santana, Mercedes e Quinn não estão. Será que aconteceu mais alguma coisa? Mordo o lábio, preocupada. Elas estão se metendo em confusão por minha culpa. Minha culpa. Balanço a cabeça. Britt percebe meu desconforto e me aperta. Eu agradeço-a por isso. Então, Sue entra, com professor Schue e Quinn atrás, com o rosto vermelho. Abaixo os olhos, envergonhada. A loira senta ao meu lado, mas não tenta contato. Os dois mais velhos estavam prontos para um discurso. Eu não quero isso agora.

– Professor. – Sussurro. – Eu quero cantar.

– Oh. – Ele vira para Sue, que assente. – Tudo bem, Rachel. Fique a vontade.

Eu levanto, dizendo a música para Brad. Havoc de Alanis Morissette. Começo a cantar, com os olhos fechados, sentindo as notas me invadirem. Minha imaginação vai para um lugar vazio. É como se não tivesse ninguém me ouvindo. Sou eu e eu. Como costumava ser. Mas, eu não estou sozinha. Eu estou? Abro os olhos, encontrando os olhos verdes mais bonitos que já vi. Respirando fundo, cantando a última estrofe da música. Quanto termino, Quinn levanta, ficando de frente a mim. Eu suspiro, mordendo o lábio.

– Me perdoe. – Suplico. Ela me abraça e eu sinto meu corpo amolecer. – Me perdoe.

– Shhh... – Sinto mais duas pessoas se juntarem a nós. Sorrio ao ver Santana e Brittany. – Estamos com você.

– Obrigada.

Notas finais
Quero agradecer a todo mundo que está acompanhando, favoritando, comentando. Eu queria responder sempre, mas o tempo está mesmo apertado pra mim. Por isso, mais uma vez, peço pra que vocês perdoem os erros, depois eu reviso direitinho. Espero que gostem e comentem. ;)) http://ask.fm/FlorDeLins_