Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=g-Q9AH9ou5A

Por Rachel

Esse dia poderia ter sido mais estranho? Primeiro ganhamos a competição de duetos com quase todos os votos, exceto o de Mercedes, Finn me defende. Logo professor Schue elogia minha música e tem a ideia boba de cantá-la nas seccionais. Escuto Sam propondo um encontro com Quinn, que nega, no entanto. Então, acontece a coisa mais louca dos últimos tempos. A trindade profana colocou o meu nome em uma lista, que por acaso só tinha o nome das três, de pessoas que não devem jogar raspadinhas. E, sim, eu joguei uma raspadinha em um jogador, talvez reserva. A adrenalina tomou conta do meu corpo. Vingança junto com um medo terrível do que eles possam fazer comigo futuramente. Balanço a cabeça, tentando não pensar nisso.

– Estrela, o jantar está na mesa. – Hiram grita.

Eu suspiro fraco. Às vezes eu esqueço que eu moro com alguém em casa. Desço a escada e vejo Leroy gesticulando, falando ao telefone. Viro os olhos. Vou para cozinha, onde Hiram termina de preparar tudo. Ele abre um sorriso para mim e eu tento devolver.

– Seu pai está insuportável nesse telefone. – Resmunga. Prendo o lábio entre os dentes, para não falar besteira. – Como está tudo na escola, querida?

– Tudo bem. – Sussurro. Por que diabos essa pergunta agora?

– Onde o Finn está? Nunca mais ele apareceu por aqui... – Eu engulo seco.

Evitei falar sobre isso desde as nacionais. Eles não precisavam saber que eu estraguei tudo e que todos me odeiam, inclusive Finn.

– Está... Tendo que... – Limpo a garganta. – Trabalhar com Burt na oficina.

– Oh, isso é bom! – Meu pai sorri. Eu assinto, sem graça. – E sua inscrição para NYADA?

– Eu... – Merda. Odeio jantares em família. – Ainda não começaram. – Murmuro.

– Hey, desculpem o atraso. – Leroy entra. Eu agradeço-o, silenciosamente. – Isso parece delicioso.

Os dois entraram em uma conversa sobre negócios e não viram quando eu terminei de jantar e subi. NYADA... Suspiro. O que eu vou dizer para ele? Que eu sinto muito, mas minha voz não é boa o suficiente para isso? Que tudo não passou de um sonho estúpido de criança. Talvez eu possa fazer outra coisa.

– 500, 495, 490, 485...

Inferno. Procuro meu celular, com as mãos trêmulas.

Preciso de ajuda. – R

Abra a porta em cinco minutos. – S

Sorrio fraco para o aparelho. Quão louco é Santana vim correndo só porque eu mandei uma mensagem? Continuo a contagem, tentando me distrair. Resolvo mudar a tarefa.

– Y A W D A O R B. – Bufo, virando os olhos. – A R O D E D R E P. – É, se encaixa melhor.

Em cinco minutos contados, escuto um carro estacionando na frente de casa. Olho pela janela e vejo a latina saindo. Corro descendo as escadas. Meus pais ainda estão na bolha deles. Abro a porta a tempo, antes que ela toque a companhia.

– Você está bem? – Pergunta um pouco alto. Eu encolho os ombros e aceno para a cozinha. Ela acompanha o gesto e percebe o que o eu estou mostrando. – Desculpe. – Sussurra.

Seguro sua mão e levo-a para o meu quarto. Santana se deita na minha cama, confortavelmente. Percebo que seus olhos estão um pouco vermelhos. Ela desvia o olhar, sabendo que eu estava notando. Sento do outro lado da cama e me encosto.

– O que aconteceu? – Ela usa um tom mais baixo. Eu suspiro.

– Meus pais. – Murmuro. A latina deita virada para mim, com uma expressão confusa. – Hiram veio me perguntar sobre Finn. – Sussurro.

– O que? – Franze a testa. – Ele não sabe que vocês terminaram?

– Não. – Estremeço. – Meus pais realmente acham que eu tenho uma boa vida social, que eu tenho milhões de amigos.

– Por que você nunca contou pra eles?

– Porque... – Prendo a respiração. – Seria mais um motivo para eles me afastarem.

– Não é verdade, Rach. Eles são seus...

– Grande. – Viro os olhos. – Não conseguem perceber o que está bem nos narizes deles.

– Então, eles não sabem sobre... As raspadinhas, os apelidos?

– Nada. – Rio, sarcástica.

– Bem, isso explica o fato de terem deixado Quinn dormir aqui. – Levanta a sobrancelha. Eu assinto.

– Eles sabiam que Quinn queria tomar Finn de mim, embora. – Encolho os ombros.

– De tantas coisas realmente importantes, você conta a mais inútil. – Santana zomba. – E você tomou Finn dela primeiro.

– Não era inútil. – Me defendo. – Não era justo disputar com uma loira de olhos esverdeados, que tem um corpo bem feito. – A latina ri.

– Quinn é linda, mas você também é. – Eu fecho os olhos. Santana segura minha mão. – Você é gostosa. – Eu gargalho, abrindo os olhos.

– Você é uma idiota.

– Por que eu digo a verdade? – Sorri. – Dê uma volta no espelho, Berry.

– Odeio espelhos. – Sussurro.

– Eles mostram o que você quer ver. – Ela suspira. – Eu sou culpada por parte dessa sua insegurança. Gostaria de ter feito diferente.

– Você apenas dizia o que achava. – Dou os ombros. Um silêncio caiu entre nós. Eu respiro fundo. – Ele me perguntou sobre NYADA. Hiram...

– As inscrições não começaram.

– Sim, eu sei. – Mordo o lábio. – Estou atrás de outras universidades. – A latina senta, de repente.

– Oh, não, não, não. – Balança a cabeça. – Desde que eu te conheço você fala sobre isso, Rachel. NYADA é seu sonho, Broadway, NY...

– Eu tinha a cabeça nas nuvens, Santana. – Bufo.

– Merda, Rachel! Você tem talento. Isso é um sonho que você pode alcançar. Não tem nada de nuvens nisso. – Eu desvio seu olhar. – Sabe por que Mercedes fica enchendo o seu saco? Porque ela morre de inveja da sua voz.

– Mercedes tem uma voz maravilhosa, ela não precisa...

– Verdade, não precisa. Mas, sua voz é ainda melhor que a dela. – Eu rio baixo. – Melhor que a minha. – Encaro-a surpresa. – Eu te digo isso sobre ela, porque eu já tive essa inveja também. Digo, eu ainda tenho. Mas, eu já me conformei.

– Minha voz não é melhor que a...

– É, Berry. Deus, eu gostava mais quando você me desafiava. – Diz frustrada. Eu engulo seco, encolhendo na cama. – Ei, eu só sinto falta de uma boa adversária. – Ri.

– Somos da mesma equipe, Santana. – Lembro.

– Somos. Mas, qual a graça brincar? – Cutuca meu ombro. Eu dou um pequeno sorriso. – Eu vou me inscrever em NYADA.

– O que?

– Nossa. Esperei mais incentivo.

– Não, desculpe. Eu só... Fiquei surpresa.

– Tudo bem. Iremos fazer juntas. Quem sabe eu passo também? – Sorri. Sinto meu coração afundar. Eu engulo o nó que aparece na minha garganta, escondendo minhas mãos. – Então, Rachel?

– Santana, eu realmente... Não acho que seja uma boa ideia. Eles não... – Um soluço me escapa. Eu fecho os olhos com força. – Eu não sou boa o bastante para eles. Eu não...

– Rach, você é ótima. – Isso foi o estopim para o meu choro sair desesperado. – Shhhh. Não fiquei assim. – Ela me abraça em seu corpo. Eu seguro sua camisa em punhos.

– Eu não aguento mais. – Digo entre soluços. – Estou cansada de ser assim.

– Você não é assim. Só está passando por um momento ruim. Vai passar. Shhhh, calma.

Ouço uma batida na porta e eu levanto rapidamente, esfregando meus olhos. Leroy coloca a cabeça no meu quarto e olha confuso para Santana.

– Oh, eu não sabia que Rachel estava com visitas. – Fala para a latina, que levanta e o cumprimenta, gentilmente.

– Perdão, Sr. Berry. Eu vim para pegar umas partituras com Rachel, acabei perdendo a hora.

– Tudo bem, fique a vontade. – Ele me encara. Por um momento, eu achei que ele tivesse percebido minha cara de choro. Então, ele sorri e vira para Santana outra vez. – Você vai dormir aqui?

– Se não for incomodo...

– Não, imagina. Eu terei que sair com Hiram e será ótimo você ficar com Rachel. – Eu viro de costas, fingindo mexer em uns papéis, para controlar as lágrimas. – Certo, filha?

– Claro. – Murmuro.

– Boa noite, crianças. Não durmam tarde, amanhã tem aula. – Escuto a porta fechando.

Antes que eu tenha tempo de respirar, sinto os braços de Santana me segurarem. Eu quebro neles, mais uma vez. Tento levantar, eu preciso ir para o banheiro, mas ela percebe minha vontade e não me solta. Meu corpo treme involuntariamente, suplicando pela lamina. Escondo meu rosto em seu pescoço. Dessa vez, não falamos nada. A latina apenas me segurou, em silêncio, enquanto meus soluços cessavam. Não sei quanto tempo ficávamos assim, mas eu parei de chorar. Solto um suspiro cansado. Quão chato é viver com o emocional desse jeito? Estou cansada de chorar.

– Vamos deitar. – Sussurra. Ela tenta me levantar pela cintura. Eu solto um gemido de dor. – O que houve?

– Nada. Acho que eu fiquei de mau jeito. – Explico.

Nós levantamos e deitamos novamente na cama. Santana me abraça e eu me alinho em seu corpo.

– Tudo bem? – Pergunta preocupada.

– Sim. – Sussurro. – Não se aproveite de mim. – Brinco. Ela solta uma risada.

– Você não é Brittany, mas é aconchegante. – Diz, sonolenta.

– Você não é Quinn, mas tem um bom abraço.

– O que? – Merda.

Por Quinn

Todos na escola já pareciam saber do acontecido de ontem. Isso é bom. Ninguém teve coragem de soltar piada com Rachel enquanto estávamos perto. Logo se acostumarão a respeitá-la quando estiver sozinha. Tudo estava indo bem. Então, chega a hora de Glee. Mercedes está calada, com a cara emburrada. Tina e Mike se aproximaram para conversar com a gente. Rachel não responde muito eles ainda, apenas sorri e acena. Professor Schue entra na sala, batendo palmas. Típico. Vejo a morena ficar um pouco nervosa, mas sorrio quando percebo que ela está olhando para frente e não para o chão.

– Formem duplas. – O professor pede. Escuto várias pessoas resmungarem.

– Outro dueto? – Mercedes cospe.

– Não. – Ri. – Hoje iremos ensaiar coreografias. – Brittany vibra.

Santana sorri boba para a dançarina, mas seu sorriso some quando o cadeirante se aproxima dela e segura sua mão. Kurt e Mercedes fizeram o mesmo, como Mike e Tina. Quando eu estava pronta para ir em Rachel, eu paraliso.

– Você quer fazer dupla comigo, Rach? – A morena o olha surpresa.

– Eu... Ah... Claro, Finn. – Sussurra, aceitando a mão do rapaz.

Sinto meu coração congelar. Sam vem na minha direção, mas Santana alcança minha mão antes.

– Estou com Quinn. – Avisa. O loiro assente e se junta a Puck.

– Obrigada. – Sussurro.

– Olhe pelo lado bom. Elas nos trocaram por péssimos dançarinos. – Santana diz sarcástica. Eu não seguro uma gargalhada. Britt e Rachel nos olham desconfiadas.

– Fico feliz vendo nossos capitães juntos outra vez. – Prof Schue sorri para Rachel e Finn. Eu viro os olhos.

Nós começamos a ensaiar. Mike e Brittany davam as melhores ideias. Finn não conseguia acertar mais de cinco passos seguidos, mas Rachel parecia estar se divertindo com ele. De repente, sinto uma vontade imensa de sair correndo. Onde eu estava com a cabeça para gostar dela? Ela ama o Finn, sempre o amou. O ensaio termina, eu pego minhas coisas e saio rapidamente.

– Q, não fique assim. – Ouço Santana atrás de mim.

– Ela gosta dele, ok? Eu sou a intrusa aqui. – Digo nervosa.

– Ela só está confusa. – Rachel se aproxima. – Hey...

– Hey, tudo bem, Quinn?

– Claro. – Resmungo. A latina bate no meu ombro.

– Sobre o jantar...

– Você quer ir com o Finn? Depois eu entrego a minha entrada a ele...

– O que? – Franze a testa. – Não... Eu só ia perguntar se está tudo bem se formos amanhã.

– Oh... Certo. – Limpo a garganta. – Não tem problema.

Continuamos andando juntas até a porta no colégio. Santana se despediu e foi embora. Rachel ficou chutando uma pedra.

– Ele... Ele veio falar comigo. – Disse baixinho.

– Finn? – Ela assente. Eu respiro fundo. – O que ele disse?

– Nada demais. – Balança a cabeça. – Disse que... Sente minha falta.

– E você acredita? – Rio sarcástica.

– Por que não?

– Ah, Rachel... Claro que ele está falando com você agora porque não estão mais te incomodando.

– Por que ele não pode sentir minha falta, Quinn?

– Eu não quis...

– Não, você está certa. – Bate os braços. – Ninguém sente a porra da minha falta.

– Já deu, Rachel. Eu não quis dizer isso. Você está colocando palavras na minha boca. – Digo cansada.

– Ele quer mais uma chance.

– E você vai... você vai dar? – Pergunto temorosa.

– Eu amo o Finn. – Fecho os meus olhos, sentindo um golpe no estômago. – Eu só não quero que você atrapalhe tudo mais uma vez.

– EU? – Olho-a, incrédula. – Mas, que inferno, Rachel... Sabe o que? É isso. – Tiro da bolsa minha entrada para o Breadstix e jogo em sua mão. – É melhor você ir com ele.

Apresso meus passos, ignorando os chamados da morena. Ela não vai me ver chorar, ela não pode.

– SABE POR QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? – Grita. Eu paraliso. – PORQUE VOCÊ NUNCA O AMOU DE VERDADE.

– Rachel, pare de gritar. – Eu peço, virando para segurar suas mãos. Algumas pessoas ficam nos olhando. Vejo raiva nos olhos dela e estremeço. – Por que você está fazendo isso?

– Porque eu estou cansada de todo mundo tentar me atrapalhar.

– Não sei se você lembra, mas eu namorava com ele antes de você chegar e toma-lo de mim. – Cuspo, irritada.

– Namorava? – Ri. – Você namorava com ele e transava com o colégio inteiro.

Minha boca seca. Eu paraliso, sem acreditar no que eu ouvi. Eu não ligo se toda a cidade pensar assim. Mas, Rachel... É diferente, dói. Eu balanço a cabeça, derrotada.

– Quinn, eu sinto muito. – Murmura.

– Sabe, Rachel... Um dia eu descubro porque você me odeia tanto. – Sussurro, sem conseguir mais segurar as lágrimas. Ela dá um passo em direção a mim, mas eu recuo. – Não que isso seja da sua conta, mas a única pessoa com quem eu transei enquanto estava com o Finn foi o Puck. E eu aprendi muito bem com o meu erro. Não preciso de ninguém esfregando-o na minha cara.

– Q, por favor. – Sua voz falha. – Eu estava irritada. Sinto muito.

– Por que, Rach? – Suplico. – Eu só quero entender o porque... – A morena respira fundo, mordendo os lábios.

– Eu... Tome. – Ela me devolve a entrada. – Vamos comigo amanhã, por favor.

– Mas...

– Eu prometo que... Que nós conversaremos.

– Promete? – Suspiro, sorrindo de lado. Ela se aproxima e limpa o meu rosto com as mãos.

– Eu prometo.

A morena levanta um dedo mindinho. Eu viro os olhos antes de entrelaçá-lo com o meu.

– Passo às 18h na sua casa.

Notas finais
Tem alguém ai querendo esse jantar? hahahahaha Para os que estão loucos para Faberry acontecer: Eu já tenho a cena do primeiro beijo em mente. ;)) Mas, só depois de algumas coisas, ok? hahahaha Espero que vocês gostem e COMENTEM :DD http://ask.fm/FlorDeLins_