Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=Xp7ARm2Lwdo

Por Rachel

Voltei para casa me sentindo uma estúpida. Ok, ainda mais. Armei uma cena na frente de todo colégio, por nada. Tudo o que Quinn vem tentando fazer é me ajudar. Me ajudar... Suspiro forte. Quão louco é colocar isso na minha cabeça? Ninguém quer ajudar Rachel Berry, muito menos lideres de torcidas. É confuso. Chega a me dar tonturas. Apenas respire fundo e tente parar com a teoria da conspiração. Puxo as mangas da minha blusa, não aguentando mais o calor infernal que elas causam. Observo meus punhos, sem cicatrizes tão recentes. A última não fez grande coisa. Talvez eu possa cobri-las com um pouco de maquiagem para poder ir amanhã com uma roupa mais leve para o jantar com Quinn. Ouço uma batida na porta do meu quarto e cobro novamente meus braços, agradecendo internamente por meus pais sempre baterem antes de entrar.

– Estrela, você tem visita. – Hiram anuncia. Eu franzo a testa. Mas, nenhuma das três Cheerios avisaram que viriam.

– Pede para entrar, papai. – Respondo, sentando na cama. Ele sorri, com uma sobrancelha levantada.

– Você conhece as regras. Nada de rapazes no quarto. – Rapazes?

– Quem está ai? – Sussurro.

– Seu namorado. – Merda! Fecho os olhos, nervosa.

– Eu desço em dois minutos. – Ele assente e fecha a porta.

A essa altura eles já perguntaram ou falaram algo que deixou claro para Finn que eu não contei sobre nosso término. O que diabos ele está fazendo aqui? Eu preciso me arrumar. Salto da cama, tentando pentear um pouco o cabelo. Escuto o meu celular vibrando em cima da cabeceira do meu quarto. Mensagem.

Quer dizer que é só eu virar as costas e vocês aprontam? Porra, Berry. Estamos tentando fazer eles te deixarem em paz. Brigar com Quinn na frente de todos não ajuda. –S

Respiro fundo, me sentindo culpada de novo. Hiram chama meu nome mais uma vez.

Sinto muito. – R

Respondo. Volto para o banheiro e passo um perfume suave. Vejo uma nova mensagem, mas não abro, disparando pela escada. Na sala, Leroy conversa animadamente com Finn, que me dá um sorriso torto quando percebe minha presença. Meu pai bate em seu ombro e nos deixa a sós.

– Hey, namorada. – Ele cumprimenta, com as sobrancelhas no alto. Sinto meu rosto arder.

– Hey... – Sussurro, vendo meus pais sumirem do lugar. – Me desculpe por isso.

– Não se desculpe, eu gostei. – Sorri.

– O que... O que você veio fazer aqui? – Aponto para o sofá, para que ele sente. Finn segura minha mão e o faz.

– Vim te ver. Digo, aqui é melhor para conversarmos.

– Claro. – Murmuro. – Sobre o que você quer conversar?

– Sobre nós. – Suspira. Eu prendo a respiração, incrédula. – Rach, eu sinto sua falta.

– E Sugar? – Solto. Ele ri.

– Não tivemos nada demais. Como você soube disso?

– Ouvi de Brittany. – Dou os ombros.

– Você e as meninas estão amigas agora? – Pergunta curioso.

– Talvez. – Respondo sincera.

– Rachel, isso é ótimo. – Ele senta mais perto. – Você precisa se aproximar mais delas, então todos pararão de te provocar.

– Eu não uso as pessoas, Finn. – Franzo a testa pelo seu pensamento.

– Oh, eu sei, linda. – Seguro o impulso de virar os olhos. – Mas, pense bem. Nós poderíamos viver em paz, de uma vez por todas.

– Como assim? – Não faça isso, por favor.

– Eu quero voltar com você. – Sussurra contra o meu pescoço.

– Você veio agora porque eu estou próxima das meninas? – Fecho os olhos, sentindo sua respiração muito perto, temendo sua resposta.

– Não. – Alivio toma conta de mim, eu sorrio. Seus lábios encostam nos meus e eu prendo minhas mãos na sua nuca, para aprofundar o beijo. Nossas línguas se encontram, desesperadas. O folego acaba, nos separando. – Mas, agora nós podemos voltar. Seremos um casal popular. Já pensou, Rachel? Todos nos respeitando? – Meu sorriso se apaga.

– Finn, eu... Eu estou confusa. — Suspiro. Ele abre a boca, surpreso. – Eu não quero voltar. – Sussurro.

– Mas... Você me beijou. – Eu balanço a cabeça, arrependida. – E nem contou para seus pais que nos separamos.

– Eu sei, eu sei. Estou confusa. – Levanto do sofá. – Eu vou contar para eles.

– Não! Rach... Nós podemos voltar. Me dê uma chance, por favor.

– Não posso, Finn. – Engulo seco, sentindo meus olhos arderem.

– Vamos tentar. Se não der certo... Você conta. – Propõe.

– Eu preciso pensar. – Murmuro. Ele sorri, levantando.

– Já é algo, certo? – Eu assinto, sem certeza. Ele se aproxima, tentando me beijar outra vez, mas eu viro o rosto. – Ok, eu vou devagar.

– Obrigada. Você... Deve ir agora.

Finn acena e sai da sala. Ouço meus pais se despedirem dele e a porta se fechando. Eu subo para meu quarto, com a cabeça rodando ainda mais. Pego meu celular.

Apenas pare de trata-la assim, Rachel. Quinn não merece ser seu novo saco de pancadas. – S

Quinn... Ela estava certa, afinal. Finn só veio atrás e mim porque eu estou com elas. Meu estomago embrulha. Eu não deveria ter gritado com ela. Minhas mãos tremem contra minha vontade, implorando ajuda.

Eu sinto muito. – R

Repito minha resposta, sem saber o que dizer. Santana é rápida.

Você está bem? – S

Não... Mas, eu ficarei. – R

Estou indo ai. – S

Não precisa. Sério. Eu só preciso de um tempo. – R

Tento controlar minha respiração, que está ficando pesada.

Saia. Vá correr, Rachel. Se distraia. Ou eu terei que ir ai. — S

Correr. Parece uma boa ideia. Se não tivesse tão quente... Mas, eu preciso. Tiro minhas sandálias e coloco os tênis.

Indo correr. – R

Como eu posso acreditar nisso? – S

Estou dando a minha palavra. – R

Se precisar de mim, me avise. – S

Obrigada, Santi. – R

Vá, Berry. – S

Eu quase posso ver a latina virar os olhos. Saio de casa, despercebida pelos meus pais, o que só aumenta minha velocidade. Penso em todas as coisas que estão me enlouquecendo hoje para pegar um impulso maior, como Santana me testou na outra vez. Talvez eu possa testar os meus limites.

Por Quinn

Depois da conversa desastrosa de ontem, eu tive que procurar Santana para avisá-la que talvez nós teremos trabalho na volta para o colégio semana que vem. Conversar com ela me fez bem, afinal. A latina é a que mais está conseguindo se aproximar de Rachel, ela me fez acreditar que, por mais que a pequena tente, ela não quer me afastar de verdade. Bom, eu me agarrei a isso com todas as minhas forças. Eu sei que eu já fiz isso diversas vezes com ela, mas ouvir de Rachel coisas que os outros inventaram, foi horrível.

Agora estou eu, derrubando todo o meu guarda roupa, atrás de algo adequado para vestir. Por que isso é tão complicado? Escuto minha irmã chamando e peço-a para entrar, enquanto continuo procurando uma roupa. Ela entra rindo e me ajuda, achando a peça perfeita. Eu sorrio aliviada, abraçando-a.

– Eu não sei o que eu faria sem você. – Brinco, deitando na cama, exausta.

– Então, é o hoje o tal jantar? – Pergunta, deitando ao meu lado. Eu assinto. – Fico feliz por Rachel estar saindo com você.

– Eu também. – Suspiro. – Só não sei se ela compartilha de nossa felicidade. – Rio, sarcástica.

– Problemas com aproximação? – Frannie vira, ficando de frente para mim. Aceno, concordando. – Posso te fazer uma pergunta, Q?

– Claro. – Levanto uma sobrancelha.

– Por que você está tão nervosa?

– Eu não estou nervosa. – Digo rápido. Ela gargalha. – Ok, talvez eu esteja. Mas, é por isso... Porque eu não sei como o humor dela estará hoje. – Eu não minto.

– Você gosta dela, certo? Mais que uma amiga...

– O que? Frannie! – Eu levanto, trancando a porta de chave. Ela continua me olhando, esperando pela resposta. Eu suspiro pesado. – Como você sabe?

– Eu sou sua irmã e eu te conheço. – Sorri de lado. – E eu percebi que havia algo mais nessa sua preocupação.

– E você não pirou com isso? Digo, eu sou... gay. – Sussurro.

– Você está mesmo me perguntando isso? – Dá um murro fraco no meu ombro. Eu sorrio, tranquila, deitando por cima dela. – Eu te amo, Quinnie. Estarei por você, sempre. Mamãe também.

– Eu sei, Frannie. – Enterro minha cabeça em seu peito, enquanto minha irmã faz carinho na minha cabeça, como quando erámos menores. – Mas, você sabe que essa situação é complicada. Rachel tem vários problemas e eu preciso ajuda-la. Eu não posso simplesmente chegar e contar para mamãe, como se fosse algo certo.

– Tudo tem seu tempo. – Me tranquiliza. – Oh, Deus, Q. Olhe a hora, você vai se atrasar.

Eu pulo da cama, correndo para o banheiro. Escuto a gargalhada alta da minha irmã no quarto, que me contagia e eu rio junto com ela. Me arrumo, sendo avaliada por Frannie. Ela dá os últimos retoques e me libera para ir buscar Rachel. Olho no relógio, 18:15h. Ok, 15 minutos de atraso é muito? Será que ela está louca ou achando que eu não vinha mais? Desço do carro, nervosa e toco a campainha. A porta se abre, revelando a pequena em um vestido lindo, de alças. Consequentemente, meus olhos vão para seus braços, que estão cobertos com maquiagem. Eu sorrio, adorando vê-la assim outra vez. Ela baixa a cabeça, corando um pouco, o que faz meu sorriso aumentar ainda mais. Está linda. Linda. Eu quero dizer, mas não sei como fazer com suas reações contra elogios.

– É bom te ver assim, Rachel. – Digo, finalmente. Ela levanta o olhar, fixando-o no meu.

– Só alguns truques e... – Se refere aos braços, dando os ombros.

– Você está linda. – Não consigo segurar. Ela morde o lábio. Eu sei que ela está lutando para não me dá uma resposta grossa. – Vamos?

– Sim, vamos. – Sussurra, fechando a porta atrás dela.

Tento puxar conversa com ela pelo caminho, mas é mais difícil do que eu imaginei. Isso só me deixa mais nervosa. Chegamos ao Breadstix e sentamos em uma mesa distante. Ela se encolhe, envergonhada. Mesmo com os braços cobertos de maquiagem, a morena insiste em mantê-los juntos ao corpo. Eu sorrio, batendo os dedos suavemente na mesa. Seu olhar vai em direção a eles e eu paro instantaneamente.

– Então, você já pensou na música para sugerir? – Pergunto, tentando desesperadamente ouvir sua voz.

– Na verdade, não. – Ela suspira. – Você sabe, eu não ligo para isso.

– Bem, mas é para escolhermos juntas. – Lembro.

– Você escolhe e eu concordo.

– Não acho justo. – Respire, Quinn, não desista. – Vamos fazer o seguinte? Eu escolho o artista e você sugere a música?

– Pode ser. – Murmura. Eu sorrio vitoriosa.

– Radiohead? – Pergunto animada. Rachel solta uma risada gostosa. Eu queria rir junto, mas tenho que continuar meu papel. Finjo uma cara de mágoa. – O que?

– Eles são bons, Quinn, mas não acho que seja o estilo de uma competição para o Glee. – Explica. Eu assinto. – Talvez algo mais clássico.

– Tipo, Barbra? – Provoco. Ela vira os olhos, sorrindo. – Journey? – Brinco.

– Oh, não. Chega de Don't Stop Believin'. – Nós rimos.

– Michael Jackson? – Sugiro. Ela para, parecendo pensar na proposta.

– Soa bem. – Admite. Eu bato na mesa, comemorando. – Uma música que faça Britt e Mike se divertirem para montar na coreografia.

– Ótimo. Sua vez, então...

– ABC? – Pergunta, fazendo o sorriso se espalhar pelo meu rosto.

– Perfeito, Rach. – Seguro suas mãos. Ela recua um pouco e sorri insegura. Eu puxo meus braços de volta para mim.

O garçom chega e nós fazemos nossos pedidos. Rachel demorou escolhendo seu prato, talvez procurando o que pudesse comer. Então, acabou optando pela salada. Eu segui sua escolha.

–x-

As duas estavam comendo em silêncio. Depois que Quinn tentou segurar as mãos de Rachel, a morena voltou a se fechar. Já a loira estava ficando cansada de falar sozinha.

– Finn esteve lá em casa ontem. – Diz normalmente. – Você estava certa. Ele quer voltar porque vocês estão perto de mim agora. – Quinn suspira aliviada.

– Que bom que você percebeu. – Sorri de lado. Rachel acena.

– Eu pedi um tempo para pensar. – Dá os ombros, afundando o coração da outra.

– Sério? Mesmo sabendo disso? – Pergunta incrédula.

– Eu gosto dele, Quinn. – Sua voz é fria. Quinn solta os talheres, incapaz de comer mais. – Eu não gosto de falar sobre ele com você.

– Eu não gosto de ouvir. – Admite. A morena levanta as sobrancelhas.

– Você quer ficar com ele ainda?

– Eu já disse que não, Rachel. – Passa as mãos em meus olhos, cansada.

– Isso você diz por que nós ainda não estamos juntos. – Bufa. – Se voltarmos, sua vontade de ficar com ele volta também, então você...

– Essa é a hora que você me ataca mais uma vez? – Sussurra.

– Não estou te atacando, só estou falando a verdade. – Rachel fala um pouco irritada. – É isso que você faz, sempre.

– Eu sinto muito por ter te atrapalhado com ele. – Quinn mantem o tom baixo, com medo de demonstrar a mágoa através dele. – Não acontecerá de novo.

– Eu não posso acreditar, me desculpe. – Murmura. A loira olha bem nos olhos de Rachel, antes de afastar a cadeira e apoiar seus cotovelos na mesa, escondendo seu rosto nas mãos. A pequena engole seco, sem saber o que fazer.

– Estou tentando. – Sussurra. – Estou fazer o meu melhor, Rach. Por que você não pode confiar um pouco em mim? Você deu essa chance a Santana e a Brittany, por que é diferente comigo? – Pergunta, quebrada. Rachel estremece ao ver os olhos cristalinos da loira.

– Porque eu... – Sua voz morre.

– Diga. Você prometeu que ia dizer. – Suplica.

– É complicado, ok? Eu só queria que as pessoas gostassem de mim, mas elas simplesmente me desprezam e a maior culpa nisso é de vocês. – Diz, sincera. Quinn fecha os olhos, respirando fundo. – Mas, eu entendo. Vocês precisavam fazer isso.

– Nós não precis...

– Apenas... Deixe eu falar. – Pede. A loira assente. – Meus pais pararam de ter tempo para mim há alguns anos. Eu queria atenção de alguém. Eu tinha a de Finn, até que você resolveu tirá-lo de mim outra vez. Então... Chegou Shelby. – Sussurra. – Eu precisava dela. Eu queria minha mãe. Ela não me queria de volta. – Rachel engole um soluço. – Mas, eu tinha como objetivo conquista-la, ter o meu lugar. Mas, ai... Você... Você... Estragou tudo. Você sempre estraga tudo. – A morena não consegue mais segurar as lágrimas.

Quinn a observa, com uma expressão de dor e surpresa no rosto. As lágrimas também estão correndo por suas bochechas. Era isso o tempo todo?

– Você me odeia porque sua mãe adotou a minha filha. – A loira fala, entendendo tudo. Rachel assente, limpando o rosto com raiva.

– Claro que ela ia preferir a bebê bonita e loira ao invés de mim.

– Você não sabe o que está falando. – Cospe.

– POR QUE INFERNO VOCÊ TINHA QUE FAZER ISSO?

– PORQUE EU NÃO TINHA OUTRA OPÇÃO. – Quinn devolve. A morena se cala, nervosa. – Eu não tinha mais família, meu pai me expulsou de casa. Eu sofri horrores, Rachel. – Sua voz é furiosa. – Eu fui morar com Finn, até que você contou para ele sobre a paternidade de Puck. Então, eu estava sem casa outra vez. Grávida, sem dinheiro, sem a porra de uma família. – Soluça. Rachel morde o lábio. – Santana me apoiou e, junto com Brittany, me deram um teto. Aliás, bem mais que isso. Meu pai proibiu minha mãe e minha irmã de me procurarem. Eu queria minha filha, mais que tudo na minha vida, Rachel.

A morena levanta e senta ao lado de Quinn, abraçando-a. A loira se agarra na roupa de Rachel e esconde sua cabeça nos braços dela, como se sua vida dependesse desse contato.

– Eu não tinha como cria-la. – Sussurra. – Adoção era a minha única opção.

– Shhhh, não fale mais. – A morena pede, limpando as lágrimas de Quinn. – Não fale mais. Só... me perdoe. Eu não sabia... – Rachel tenta se afastar, mas a loira a impede.

– Você pode... só me segurar um pouco?

Então, a pequena assente, baixando todas as armas e dando o seu melhor para ser o apoio de Quinn dessa vez. Ambas estavam nuas em suas emoções, completamente expostas e entregues.

Notas finais
Ufff... Finalmente o jantar!! Bom, e aqui começa a amizade Faberry... Espero que vocês gostem. Não esqueçam de comentar, ok? ;)) Até o próximo. http://ask.fm/FlorDeLins_