Além da superfície.
47 Domínio.
Notas iniciais
Por Quinn
Rachel está a exatamente dez minutos encarando o chão. Não sei o que aconteceu nesse telefonema, mas tenho certeza que ouvi o nome Hiram e depois ela entrou em uma espécie de transe. Pego um copo d’água para ela, que aceita, sem levantar o rosto. Passo a mão em suas costas, suavemente, esperando algum tipo de reação. A morena apenas suspira e encosta o ombro em mim.
– Rach... – Sussurro. – Está tudo bem?
– Está. – Responde no mesmo tom.
– Foi o seu pai?
– Sim... – Encolhe mais.
– Você quer conversar sobre isso? – Ela nega. – Ok. Você quer ir para casa?
– Não. – Se apressa, me segurando. Eu arqueio as sobrancelhas. – Vamos... Vamos continuar... De onde paramos. – Ela começa a beijar meu pescoço.
– Não, Rachel. – Afasto-a, devagar. – Nós podemos ficar aqui quietinhas ou conversamos sobre outra coisa.
– Mas, eu quero fazer amor com você. – Eu sorrio de lado.
– Você não está mais com cabeça pra isso. – Ela assente, derrotada.
– Desculpa, eu...
– Não precisa se desculpar, meu amor. – Beijo sua testa. – Só quero que você fique bem, ok?
– Eu sei. – Sorri, se aconchegando. – Obrigada.
– Como está seu pé?
– Bem. – Ela meche os dedos lentamente. – Inteiro.
– Desastrada, estávamos indo tão bem. – Pego a câmera, ligando-a. – Veja, você tem jeito.
– Melhor não, vou querer apagar todas.
– Vou colocar até senha. – Aviso. – Não perco essas por nada. – Ela solta um riso fraco. – Essa é a minha preferida.
Aponto para foto que ela está sorrindo com um misto de surpresa no olhar. Foi quando eu comecei a cantar junto. É tão lindo poder capturar um dos sorrisos que eu mais gosto nela. Continuo passando as fotos e tentando distraí-la. Mas, Rachel se limita nas respostas. Sinto vontade de pegar seu celular e retornar a ligação para saber o que aquele cara falou com ela. Aliás, eu não deveria nem ter deixado que ela atendesse. Poderíamos estar em um clima totalmente diferente do que estamos agora.
A morena deita em meu colo, com o olhar distante, apertando minha mão quando eu não sei mais o que falar. Conto para ela uma das histórias das Cheerios aqui nessa casa, quando Santana liberou todas as bebidas e depois tivemos que arrumar toda a casa. Nesse dia, nós tínhamos ganhado nosso segundo campeonato.
– Tive uma ideia. – Digo. – Nós poderíamos revelar todas essas fotos amanhã, depois do colégio. O que você acha? – Ela não responde. – Rachel? – Seguro seu ombro.
– Hmm... – Levanta um pouco a cabeça, confusa. – Desculpe, o que você disse?
– Nada, só... Perguntei se você gostaria de ir comigo revelar essas fotos amanhã.
– Amanhã? – Ela morde o lábio. – Eu... Eu não sei, Q.
– Você vai fazer alguma coisa depois da aula?
– Não. Digo, eu só quero ir pra casa. – Dá os ombros.
– Oh, ok. – Sorrio falso.
– Amanhã... No caso. – Tenta se explicar.
– Eu entendi. – Seguro seu rosto. – Está com fome?
– Sim. – Suspira. – Eu preciso tomar um banho primeiro.
– É o tempo que eu preparo tudo aqui. – Ajudo-a a levantar. – Tudo bem? Você consegue andar?
– Consigo. – Dá um passo, meio sem jeito. – Está apenas dolorido.
– Quando você sair do banho, eu coloco o remédio outra vez. – Ela assente, subindo a escada devagar.
Coloco a comida no fogão e sento na mesa, vendo as fotos mais uma vez. Rachel é linda. Eu queria tanto que ela conseguisse enxergar isso. Suspiro, admirando-a. Como eu fui idiota fazendo-a acreditar que ela era o oposto do que ela é de verdade. Essa entra quase no topo das coisas das quais que eu mais me arrependo e que nunca vou me perdoar. Rachel foi apenas uma das pessoas que eu infernizei naquele colégio. Será que existem danos tão sérios quanto os dela? Meu estomago se embrulha com a possibilidade.
Meu celular vibra e eu pego o aparelho, vendo o nome da latina brilhar na tela.
– Hey... – Atendo, apoiando a cabeça na mão.
– Uou, que animação! – Ironiza. – Atrapalhei algo?
– Na verdade... Não.
– Hm, e o que houve? Rachel? Foi sério a queda? – Ela se assusta. Eu solto um pequeno riso, virando os olhos.
– Não. Foi mais drama que queda. Você sabe...
– Rachel Berry. – Ela completa. Eu assinto, mesmo que ela não possa me ver. – Você já está em casa?
– Não, resolvemos ficar um pouco mais. – Brinco com uma colher. – Amanhã cedo nós voltamos. Tem algum problema?
– Se vocês limparem tudo, claro que não.
– Idiota. Nós não... – Suspiro. – Não fizemos muita bagunça.
– Ok, Q, você está me preocupando. O que aconteceu?
– San, você já pensou que podemos ter feito mal a mais pessoas do que imaginamos? – Sussurro.
– Ah, Fabray! Pare com isso. – Bronqueia. – Você não acha que já temos culpa o bastante nas costas pra querer ficar arrumando mais?
– É que... Eu não sei... Desculpe.
– Cale a boca. Não pense. – Fala, frustrada. – Onde está Rachel?
– Está tomando banho. – Encolho os ombros. – Hiram ligou.
– O QUE? – Ela grita. – O que esse idiota queria?
– Santana! – Olho para os lados. – Eu não sei, ela não me falou.
– Espera. Você disse que Rachel estava no banho? Há quanto tempo ela está lá?
– Meia hora, eu acho. – Olho para o relógio. – Merda! – Levanto. – Você acha que...
– Me ligue depois de vê-la.
– Certo.
Eu desligo o celular e corro para cima, em direção ao banheiro. Escuto um soluço abafado atrás da porta e meu coração se aperta. Estúpida! Como eu pude deixar que ela ficasse sozinha depois daquela maldita ligação? Bato na porta, suavemente. Eu posso ouvir minha namorada tentando controlar a respiração.
– Rach... – Chamo. – Abre pra mim, por favor.
– Eu já... – A voz dela quebra. – Eu já estou saindo.
– Meu amor, eu preciso ver você. – Encosto a testa na porta. – Abre.
– Me dê um minuto. – Fecho os olhos com seu tom trêmulo.
– Eu quero ficar com você. – Sussurro. – Você não está sozinha. – Lembro-a. – Estou aqui. – Silêncio. – Rach...
A porta destrava. Eu desencosto rapidamente, entrando no banheiro. Rachel está encolhida no canto, segurando seus joelhos fortemente contra o peito. Sigo o olhar dela para a pia, onde uma gilete está visível. Eu seguro o objeto e jogo no lixo, conseguindo sua atenção. Os olhos castanhos da minha namorada ficam cristalinos.
– Estou aqui. – Repito, sentando ao seu lado. – Eu não sei o que houve, mas eu estou aqui. Você é mais forte do que isso.
– Q, eu preciso fazer. – Soluça. – Por favor, pegue de volta.
– Não. – Seguro seu corpo relutante.
– Só um. – Implora. – Vai ser pequeno, eu prometo.
– Não, Rachel. – Digo mais firme, fazendo-a recuar. – Fique aqui comigo. Vai passar, calma.
– Mas, Quinn... – Choraminga, caindo em meus braços.
– Shhhh... – Passo as mãos em suas costas, sentindo seu corpo tremer. – Está tudo bem.
– Não está! – Esfrega o rosto, irritada. – Olha pra mim! Eu sou uma bagunça.
– Você não é...
– Eu sou, Q. Eu sou. – Bate em meu ombro. – Eu sou uma bagunça inconstante.
– Você não é inconstante, amor. – Ela abre a boca para protestar, mas eu interrompo-a. – Você teve um motivo para ficar assim. Não aconteceu do nada. – A morena assente, derrotada.
– Deus. – Sussurra. – Eu ia fazer de novo. – Soluça alto. Eu fecho meus olhos com força.
– Mas, você não fez. – Aperto-a.
– Não fiz porque você não deixou.
– Você teve tempo suficiente sozinha, Rachel. – Tento limpar suas lágrimas. – Você não fez porque é forte.
– Uau, grande força eu tenho. – Cospe, segurando minha roupa contra ela.
– Vamos para o quarto. – Levanto-a. – Coloque um pijama. Eu preciso desligar o fogão. – Beijo sua testa. – Eu já venho.
Por Rachel
Puxo Quinn mais para perto, querendo sentir seu cheiro. A loira me envolve, fazendo carinho em meu braço. Depois que jantamos, ela pegou um filme lá embaixo e colocou no quarto para assistirmos. Mas, a verdade é que não consigo prestar muita atenção. Hiram disse que queria me ver amanhã. Por que diabos ele apareceu agora? Eu realmente não gostei do tom que ele usou quando me perguntou se eu estava com Quinn. Quem ele pensa que é?
– Ele quer se encontrar comigo. – Solto.
– E você? – Ela pergunta, suavemente. – Quer ir?
– Não. – Digo, sincera. A loira espera que eu fale mais. – Eu preciso ir?
– Você que tem que saber. – Se afasta, me encarando. – Será que ele tem algo pra te falar? Pode ser bom.
– Não acho. – Rio, sarcástica.
– Por que não? – Franze a testa.
– Só um... Pressentimento. – Dou os ombros.
– Não gosto de seus pressentimentos. – Sussurra. – Se você quiser, eu vou com você.
– Hm, eu... Não... – Limpo a garganta. – Ele disse que queria falar comigo... A sós.
– Certo, agora eu fiquei preocupada. – Senta na cama, pausando o filme. – Nem Leroy?
– Eu também achei estranho. – Levanto uma sobrancelha.
– Calma, ele deve estar querendo pedir desculpas. – Segura minha mão. – Você pode pedir a opinião de seu pai sobre isso, já que ele fala com Hiram.
– Verdade. – Inclino a cabeça. – Eu só não quero... Ter esperanças.
– Não vou deixar que ele te machuque. – Me abraça. – Não mais, ok?
– Ok. – Beijo seu pescoço. – Eu te amo. – Sussurro. Ela ri.
– Eu também te amo. – Levanta meu rosto, beijando meus lábios, devagar.
Ela conduz o beijo, carinhosamente. Eu me ajusto na cama, aprofundando-o. Sua língua é tão lenta, que eu posso sentir meu corpo ferver em loucura. Tento apressar o beijo, mas ela não deixa. Solto um grunhido em sua boca, recebendo um riso baixo. Rodeio sua cintura com minhas pernas, ficando em cima dela. Quebro o contato, encarando os olhos esverdeados que eu me apaixonei. Ela levanta uma sobrancelha, como se quisesse saber o que estou pensando. Eu sorrio.
Beijo sua testa, descendo por sua bochecha e paro atrás da orelha, sugando-a rapidamente. Ela aperta minha perna, tentando virar o rosto. Deixo que nossos lábios se encontrem novamente. Agora eu tenho o controle. Ela me beija calorosamente, dançando em minha boca. Imito o movimento com minhas pernas, arrancando um gemido sonoro da loira. Ela me coloca de lado, encaixando-se em mim. Quinn tira meu cabelo do rosto, sorrindo bonito.
– Você é tão linda, Rach. – Sussurra, deslizando sua mão em meus seios. Eu fecho os olhos. – Linda demais. – Distribui beijos em meu pescoço.
Eu levo minhas mãos para suas costas, descendo-as. Quinn suspira, dando espaço para que eu tire seu short e eu deixo que ela faça o mesmo comigo. Uma vez que não temos mais nada no caminho, movo a perna de modo que ela monte e comece a mover seus quadris contra mim, pele contra pele. E eu agradeço por estarmos longe e que ninguém possa nos ouvir. Definitivamente, ouvi-la gemendo e ofegando sons incoerentes é melhor até mesmo que ouvir Barbra cantar em Funny Girl.
Eu arqueio as costas, involuntariamente, quando sinto os dedos suaves de Quinn entrarem em mim, sem a menor cerimônia. Aceito sua provocação e passo o dedo dentro dela, conseguindo um grito agudo. Empurro para dentro e para fora, ficando gradualmente mais rápido. Ela introduz outro, dificultando meus movimentos. Gotas de suor estão começando a aparecer em nós duas.
A loira esconde o rosto em meu pescoço e eu sei que ela está perto.
– Rachel, eu... Deus... – Suas mãos param. Eu aproveito para aumentar minha velocidade. Ela se contorce. – Rach...
Nossos olhos se encontram, antes dela descer outra vez, morder meu ombro e abafar seu grito ao chegar ao orgasmo. Seguro suas costas, esperando seu corpo parar de tremer. A loira volta com seus movimentos, me pegando de surpresa. Não demora muito e eu também chego ao meu limite, explodindo em prazer. Nós ficamos abraçadas, respirando com dificuldade.
– Você não faz isso só com meu corpo. – Sussurro.
– Isso o que? – Pergunta, com a voz rouca.
– Isso. – Digo, como se fosse óbvio. Ela vira pra mim, com uma expressão confusa. – Eu não sei explicar, Quinn.
– Tente. – Pede, beijando minha testa.
– Sentir você em mim, faz com que eu esqueça tudo lá fora. – Ela estremece. – Quando você me toca, eu me sinto a pessoa mais especial do mundo. – Seus olhos me encaram, firmes. – Quando você me beija, me sinto amada. – Sorrio de lado. – Quando você me abraça, me sinto protegida. – Ela suspira. – Quando você diz que tudo vai ficar bem... Eu simplesmente acredito. – Encolho os ombros. – As reações que você me provoca, elas não são apenas físicas, entende? Eu sei que você pode me levar ao orgasmo só em... Te ouvir. – Sussurro, um pouco envergonhada. – Mas, você consegue mexer com tudo aqui dentro. – Aponto. – Tudo, Quinn. Eu nunca pensei que eu poderia me sentir assim algum dia. Tão... Dominada. Em um bom sentindo, sabe? É bom saber que você, e só você, me causa isso. – Limpo uma lágrima de seu olho. – Meu amor...
– Eu... – Engole seco, emocionada. Eu sorrio, esperando-a. – Você não faz ideia do quanto ouvir isso significa pra mim.
– Eu sei. – Beijo seu nariz. – E sinto muito por não dizer sempre. Mas, é a verdade.
– Você não precisa me dizer sempre. – Se aproxima. – Só precisa... Ficar comigo.
– Eu não saberia ficar sem você outra vez, Q. – Suspiro.
– Bom. – Ela sorri. – Porque não consta em meus planos me afastar.
– Ótimo.
– Perfeito.
– Boba. – Fecho os olhos, me aconchegando em seus braços. – Você me levará para falar com ele?
– É isso que você quer?
– Sim. – Sussurro, sonolenta. – Eu preciso saber o que ele tem pra falar.
– Eu te levarei, então. – Mexe em meu cabelo.
– Tenho medo...
– Eu também. – Admite. – Mas, tudo dará certo.
– Se você diz...
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