Além da superfície.
41 Amizade colorida.
Notas iniciais
Por Rachel
– Rachel. – Escuto.
– Hmm... – Me remexo na cama, sonolenta.
– Rachel, acorde.
Sinto os braços de Quinn me prenderem, fortes. Eu abro os olhos, recuperando a consciência. Eu giro, ficando de frente para ela. A loira se encolhe, tremendo.
– Deus, Quinn! – A abraço. – Você está queimando.
– Não me sinto bem. – Choraminga.
– Calma. – Passo as mãos em suas costas. – Eu vou chamar sua mãe.
– Não. – Sussurra. – Não precisa.
– Precisa, Q, você está com febre de novo. — Me preocupo.
– Você pode pegar o meu remédio, por favor? – Pede. – Minha cabeça dói muito.
– Claro. – Me afasto. – Onde está?
– Está no primeiro armário da cozinha. – Avisa. – E um copo com água.
Assinto, levantando. Desço as escadas, devagar. Frannie e Judy estão dormindo. Abro o armário indicado e procuro pelo remédio que ela tomou mais cedo. Antes de subir de volta, entro no banheiro e abro algumas gavetas, procurando uma toalha de rosto, caso eu precise usar. Pego a primeira que encontro e subo de volta para o quarto da loira. Meu coração acelera ao vê-la encolhida na cama.
– Vem aqui. – Puxo-a. Ela geme, levantando um pouco. Entrego o comprimido e o copo com água. Ela engole com dificuldade. – Dói?
– Sim. – Admite.
– Você precisa de um banho.
– Não, Rach. – Deita novamente, como uma criança.
– Será rápido, Quinn. – Garanto. – Só para você conseguir relaxar um pouco e a febre passar.
– Estou com frio. – Murmura.
– Venha. – Peço. Ela levanta, delicada. Apoio seu corpo no meu, ajudando-a a andar. – Sente.
A loira senta no sanitário, enquanto eu abro o chuveiro, aquecendo-o. Coloco uma mão na água, tendo certeza de que a temperatura está boa. Quinn choraminga, tirando a roupa.
– Cuidado para não molhar o cabelo.
Ela fecha os olhos, indo para baixo da água. Quinn suspira, relaxando. Sorrio, segurando-a. Depois de alguns minutos, eu puxo sua toalha e fecho o chuveiro. A loira pula em meus braços. Enrolo-a, enxugando seu corpo. Ela se veste e nós voltamos para cama.
– Me abrace. – Pede. Eu atendo no mesmo segundo.
– Tem certeza que não quer que eu chame sua mãe?
– Tenho. – Resmunga. – Mamãe vai querer me levar para tomar injeção.
– Talvez seja melhor. – Aperto-a. – O efeito é mais rápido.
– Não quero. – Faz um pequeno bico. – Eu odeio agulhas.
– Como é? – Rio. – Quinn Fabray tem medo de agulhas?
– Eu não disse que tenho medo, disse que odeio. – Se defende, escondendo o rosto em meu peito.
– Oh, ok. – Viro os olhos. – O que elas te fizeram de mal pra ganhar sua antipatia? – Brinco.
– Elas machucam, tiram sangue, quer motivo maior? Só loucos conseguem gostar disso. – Eu levanto as sobrancelhas. Isso soa família. – Desculpe. – Ela também percebe, seu corpo fica tenso. – Eu não quis dizer isso.
– Tudo bem. – Suspiro, mexendo em seu cabelo. – Você tem um bom ponto.
– Yeah. – Se alinha outra vez.
– Ainda está com muito frio?
– Está passando. – Sussurra, sonolenta. – Obrigada.
– Durma, Q...
Fico observando-a até ela adormecer. Suspiro, aliviada. Baixo um pouco o lençol, para que o ar circule melhor. Ela tem uma expressão cansada no rosto. Tiro uma mecha de seu cabelo, sentindo sua respiração pesada em meu pescoço.
A noite foi um pouco perturbada. Quinn teve algumas crises de tosse durante o sono. Passei a toalha molhada em sua testa, quando senti que seu corpo estava esquentando de novo. É horrível vê-la assim. Quinn é cheia de saúde, sempre faz coisas incríveis em seus treinos nas Cheerios. Não é a toa que tem o cargo de capitã da equipe. É, no mínimo, estranho vê-la derrubada em uma cama. Meu coração se aperta.
Resmungo, escutando o despertador tocar. Desligo rápido, sem querer acordar a loira, mas foi tarde demais. Franzo a testa, sentindo seu corpo se afastar. Seguro seu punho.
– Onde você pensa que vai?
– Vou me trocar. – Responde, rouca.
– Você não vai para aula assim, Quinn. – Rio, incrédula. Ela vira os olhos.
– É só uma gripe estúpida, Rach. – Tenta levantar, mas senta, colocando a mão na cabeça. – Merda.
– O que foi? – Seguro seus ombros.
– Nada, apenas levantei de vez. – Sua voz falha. – Eu tenho que ir, nós temos ensaio. Você sabe que o professor Schue está querendo nossa presença em todas as aulas e...
– Você pensa em cantar assim? – Abro a boca. Ela assente. – Lógico que não.
– Você nunca gripou?
– Claro que sim, Q. – Bufo. – Mas, nunca cantei enquanto isso. – Entrego um copo d’água a ela. – Você não pode fazer esforço.
– Rach...
– Fará mal a sua voz e, ai sim, teremos problemas reais, porque perderemos uma integrante.
– Como você é exagerada. – Ri.
– Não sou exagerada, só estou tentando cuidar de você. – Aviso.
– E faz bem. – Escuto. Judy se aproxima, colocando uma mão na testa de Quinn. – Como passou a noite?
– Bem...
– Mal! – Repreendo-a. – Ela teve febre forte e tossiu a noite inteira. – Entrego. Quinn me congela com o olhar. – Pare de ser teimosa.
– Ela é assim mesmo, Rachel. Você ficará em casa, em repouso, tomando seus remédios. Se não melhorar, teremos que ir ao médico. Entendeu?
– Mãe, não precisa, eu já...
– Sem discussões, Quinnie. – Bronqueia. A loira se joga de volta na cama. – Rachel, você irá para a aula.
– Mas...
– Ficarei de olho nela, pode ficar tranquila. Você já fez muito, querida. – Aperta meu ombro. – Farei seu café da manhã, ok?
Eu assinto, vendo-a sair do quarto. Quinn ri baixo. Encaro-a, com uma sobrancelha levantada.
– Nisso que dá você me dedurar. – Estira a língua.
– Besta. – Bato nela com o travesseiro. – Descanse.
– Sinto muito. – Segura meu braço, me fazendo deitar. – Eu não te deixei dormir. – Murmura, culpada. – Você...
– Shhh... – Coloco um dedo em sua boca. – Eu não te deixei dormir várias noites e você não se importou.
– É diferente. – Rebate. – Eu estou doente, posso passar pra você e...
– Pare de falar. Eu fiquei porque quis. – Ela assente, conformada. Eu sorrio.
– Acho melhor você sair daqui, antes que eu perca o controle. Daí, seremos duas doentes faltando aula.
– Pelo menos eu vou ter desculpas pra ficar. – Ela ri, balançando a cabeça. – Eu passo aqui depois, ok? Você me manda mensagem se sentir mal? Eu posso voltar se...
– Você fica ainda mais linda cuidando de mim. – Eu coro, abaixando a cabeça. – E envergonhada.
– Cale a boca. – Nós rimos. – Eu vou... Vou tomar banho.
– Eu iria com você. – Choraminga.
– Recupere suas forças. – Brinco, levantando. – Te vejo depois. – Beijo sua testa e vou para o banheiro.
Judy fez um café da manhã delicioso. Nós conversamos um pouco e vou para aula. Já disse que o colégio sem Quinn é estranho? Pois sim, é. O tempo praticamente se arrasta. Na aula de química, o professor entrega nossas provas. Vejo algumas pessoas gritando, outras resmungando. Olho a minha nota. Oito. Bom, consegui recuperar alguma coisa. Percebo Santana encostar a cabeça na parede, chateada. Será que ela tirou nota baixa? Impossível. A latina sempre tira as melhores notas, junto a Quinn.
Procuro por Brittany, que está rindo com um grupo. Acho que elas não brigaram também. Assim que a aula termina, Santana dá um beijo rápido na namorada e dispara para fora, sem dar chances de eu perguntar o que houve. O ensaio de Glee foi meio cansativo. Professor Schue está mesmo exigindo muito de nós. Talvez por ser nosso ultimo ano, nossa ultima chance de vencermos. Não tiro a razão dele. Até gosto, porque assim eu posso me dedicar mais aos ensaios.
– Onde está sua namorada? – Eu salto, surpresa, sentindo meu rosto queimar.
– Ela não é minha namorada, Britt. – Sussurro.
– Você está ficando com mais alguém?
– Não. – Arqueio as sobrancelhas.
– Nem ela. – Dá os ombros. – Vocês estão ficando há várias semanas, exclusivas, fazendo sexo...
– BRITTANY!
– O que? – Ri. – Não é verdade?
– É. – Murmuro, constrangida. – Deus, você e Santana são muito diretas.
– Somos práticas. – Corrige. Eu rio, negando. – Ok, onde está sua amiga colorida Quinn?
– Está doente. – Suspiro.
– Oh, tadinha. – Encolhe os ombros, triste. – Você esteve com ela?
– Sim, eu dormi lá. – Lembro. – Ela estava muito mal.
– Você está gostando dela. – Eu levanto o rosto, confusa. – Quando vai assumir isso?
– Eu... O que? Brittany, nós...
– Não são namoradas. – Vira os olhos. – Eu sei. Rachel, eu posso te dizer algo?
– Pode. – Respondo, incerta. — Eu acho.
– Não fique com raiva, tudo bem? – Assinto, com medo. – Quinn te ama.
– Certo...? – Espero a conclusão de seu pensamento.
– Você sabe que ficar com ela só aumenta a esperança dela, não sabe?
– Não estou te entendendo.
– Vou falar por mim, ok? – Suspira. – Eu sempre gostei de Santana. – Sorri. – Quando nós começamos a ficar, foi incrível. Depois nós começar a fazer a amor e, Deus, cada vez era como se meu coração explodisse de felicidade. Mas, tudo parecia perder o sentindo quando ela não queria ficar comigo na frente dos outros.
– Britt...
– Quinn está respeitando seu tempo, ela te entende. Eu também te entendo, de verdade. – Segura minha mão. – Só quero que você entenda o lado dela também. Isso entre vocês está ficando sério. Está na hora de você começar a pensar nisso e no tanto de sentimento que existe envolvido.
– Eu sei. – Sussurro.
– Não machuque Quinn. – Pede.
– Não vou machuca-la. – Engulo seco. – Não quero fazer mal para ela, eu te juro.
– Eu acredito. – Sorri. – Apenas, pense, ok?
Por Quinn
Graças a Deus a febre passou. Fiquei assistindo filmes sem graças na televisão. Quando eu achei que ia preferir ir para o colégio a ficar em casa, vagabundando? Ao menos lá tem Rachel. Um sorriso se forma em meu rosto ao me lembrar da morena cuidando de mim a noite. Ela é tão delicada preocupada. Alguém bate na porta, entrando. Levanto uma sobrancelha ao ver a latina se arrastar para minha cama. Eu desligo a tv, encarando-a.
– O que houve?
– Professor de química entregou as notas. – Encolhe os ombros.
– E daí? – Ela respira fundo, virando para mim.
– Brittany. Ela tirou outra nota baixa.
– Merda. – Sussurro. – Mas, ela não estava melhorando?
– Estava. – Murmura, agoniada. Eu sento na cama. – Ela... – Limpa a garganta. – Quando... – Suspira. – Artie que ensinava a ela. – Solta.
– Oh... – Mordo o lábio. – Bom, isso não é problema, então. Você é bem mais inteligente que o Artie.
– Claro... – Ri.
– Você é. – Garanto. – Ele passa os dias trancado, estudando. Basta você lê algo e pronto, já tira as melhores notas.
– Eu só tenho uma boa memória. – Esfrega o rosto. – Eu tentei estudar com ela, sabe? Mas, nós... – Ri. – Nós não conseguimos muito.
– Já tentaram estudar longe de um quarto? – Ironizo.
– Como se isso fosse impedimento. – Zomba. – Sério, Quinn, estou preocupada. Ela não se importa. Estamos no ultimo ano e... – Se interrompe. – Se ela perde, nos separaremos. – Sussurra.
– Ei, calma. – Seguro sua mão.
– Eu fico pensando... Será que eu estou atrapalhando ela? Com o Artie, ela ao menos se dedicava. É do futuro delas que nós estamos falando, entende?
– Não vou deixar você falar besteira. Não comece com isso de que o Artie seria melhor pra ela de novo. — Bronqueio. — Ele pode ser só um amigo. Por que não? Ele a ajudaria do mesmo jeito. — Ela nega. — Nós resolveremos isso, San. Calma.
– Converse com ela, por favor. – Suplica.
– Conversarei, fique tranquila. – Ela assente. – Qualquer coisa, eu mesma posso tentar ajuda-la com algumas matérias.
– Obrigada. – Eu sorrio. – E você? Está melhor?
– Estaria se Rachel estivesse aqui. – Faço um pequeno bico. Santana faz uma careta.
– Ahrg. – Balança a cabeça. Eu rio. – Você é nojenta.
– Eu? Você que estava quase chorando por Brittany aqui!
– Shhhhhhh. – Me derruba na cama. – Isso não aconteceu. – Nós rimos. – Joe perguntou por você.
– Nem fale nele.
– Por que não?
– Rachel está com ciúmes. – A latina gargalha. – Sério.
– Eu não acredito. – Limpa as lágrimas do riso. – Também, pudera, né, Fabray? O cara não sai de cima. É pior que Sam e Puck juntos.
– Para. – Rio. – Não é assim. Joe é só um menino legal.
– Que está louco por você.
– Isso não seria um problema se eu pudesse dizer para todos que eu gosto e estou com ela. – Suspiro, frustrada.
– É só por um tempo. – Sussurra.
– Eu sei, San. – Fecho os olhos. – Não estou reclamando. Não ainda. É incrível ficar com ela, estar com ela, beijá-la, fazer amor...
– Oh, Deus. – Me empurra. – Pare com isso, vá direto ao ponto.
– Até quando nós ficaremos assim? – Resmungo. – Eu preciso ter uma ideia do que ela pensa. Queria... – A latina fica tensa. – O que foi?
– Eu... Ahn... – Ela acena. – Acho melhor você perguntar pra ela. – Eu viro, assustada.
– Rachel... – Sussurro. A morena se afasta, revelando mais uma pessoa com ela. – Oh... Hey, Tina. – Sorrio, meio sem jeito.
Droga!
Fale com o autor