Always by your side
40 On The Wings Of Love
Notas iniciais
Regina tinha acordado. O coração da Sargento Swan estava em festa. Ela olha para o contato de sua mão com a da amiga e abre um sorriso de felicidade e alívio, fazendo com que mais grossas lágrimas caiam de seus olhos. Emma mal podia conter a felicidade por Regina ter acordado e por ser ela a ter presenciado o momento.
Just smile for me and let the day begin ― Apenas sorria para mim, e deixe o dia começar
You are the sunshine that lights my heart within ― Você é o brilho do sol, que ilumina meu coração
You look at me and I begin to melt ― Você me olha e começo a me desfazer
Just like the snow when a ray of sun is felt ― Assim como a neve sob um raio de sol
I'm crazy bout ya baby can't you see ― Você não vê que estou louco por você?
― Ei... ― Sussurra, aproximando-se mais da morena, que continuava segurando sua mão e movimentando seu polegar por seus dedos em um carinho suave.
― Obrigada! ― Regina diz baixinho, com a voz fraca, e abre um pequeno sorriso. Emma levanta sua mão e a beija delicada e demoradamente.
― Eu sempre vou estar ao seu lado, Regina. ― A loira responde firme e sincera, em um tom óbvio. Jamais a abandonaria, em nenhuma situação, independente de como estivesse a relação. ― Não importa o que aconteça, eu estarei bem aqui, com você... ― Acrescenta, olhando fundo nos olhos da amiga, acreditando que seu agradecimento era sobre ter ficado ao seu lado desde que tudo aconteceu. ― Até que a morte nos separe, lembra? ― Diz brincalhona, mostrando a aliança que um dia a morena colocou em seu dedo, fazendo também, ela perceber o seu braço enfaixado na tipoia.
― O que aconteceu? ― Pergunta preocupada, mas Emma dá de ombros, pedindo claramente para não falar sobre o assunto. Regina entende o pedido mudo e acata o seu pedido, desistindo de insistir em perguntar. ― Obrigada por me trazer de volta. ― Volta a agradecer, dessa vez de forma mais completa e Emma franze o cenho, sem entender o que a Sargento quis dizer. ― Eu me encontrei com o Daniel, Emma... ― Conta e a loira se arrepia, começando a entender o que ela estava querendo dizer quando lhe agradeceu. ― Ele estava lindo, estava diferente da última vez que o vi. ― Seu sorriso cresce ao falar do amigo. ― Eu iria com ele, mas então eu ouvi você me chamar em algum lugar. Você me pedia para voltar, para não te deixar... ― O coração de Emma se agita no peito a cada palavra dita de Mills e sem conseguir evitar, ela sente a dor e a agonia ao pensar que quase perdeu a sua amiga, sua parceira, o seu amor. Em reflexo da sua dor, seus olhos marejam novamente e logo transbordam sem freio algum. ― Então eu voltei, Emma. ― Regina leva seus dedos em direção ao rosto dela para enxugar as lágrimas, mas não consegue alcançar, então Emma se curva um pouco e a ajuda. Ao sentir o toque delicado, a Sargento fecha os olhos, recebendo-o como um carinho. ― Eu voltei para você. Eu voltei por você. ― Sua voz sai sussurrada e também emocionada. Swan segura sua mão e a leva aos lábios, beijando-a delicadamente. ― Obrigada por me salvar...
Emma se ajoelha ao lado da cama da amiga e devagar, com medo de machuca-la e se machucar também, deita sua cabeça em cima de sua barriga, fecha os olhos e logo sente os seus dedos tocarem suavemente os seus cabelos. Então ficam em silêncio, apenas aproveitando a companhia uma da outra.
A Sargento queria poder abraça-la, queria poder aperta-la até não poder mais, mas a morena estava muito debilitada ainda, não podia nem se mexer direito, então ela tinha que se contentar o que tinha.
Mills intensifica o carinho nos dourados de Swan, sentindo o cheiro do seu shampoo a cada mexida e se lembrando do tempo em que sentia aquele aroma constantemente, e Emma, aproveitando bem o carinho que há muito não recebia, inevitavelmente, sente a sonolência lhe acometer.
― O que aconteceu com Ketih? ― Regina pergunta de repente, quebrando o silêncio. Swan abre os olhos lentamente, despertando do quase sono e, sem levantar, gira a cabeça para o seu lado. ― Diga-me que ele está ao menos preso. ― Pede em um tom que beira ao desespero. Emma se levanta rapidamente, com medo dela fazer movimentos bruscos, e segura em seu ombro.
― Ele está morto. Eu o matei. ― Responde em um tom raivoso, trincando os dentes, lembrando-se do homem que um dia atentou contra a sua vida e da sua morena e ainda a causou dor e sofrimento.
― Isso foi obra dele? ― Toca delicadamente na mão do braço enfaixado e Emma assente, passando a mão pelo lugar e sentindo uma pontada. ― E os homens dele?
― Estão todos presos aos cuidados do FBI.
Batidas na porta chamam a atenção das amigas e quando elas olham na direção, veem Luz entrando no quarto. Emma fecha a cara no momento em que a vê e Regina abre um sorriso, feliz pela presença dela.
― Estou interrompendo algo? ― A mulher pergunta, aproximando-se devagar.
― Sim!
― Não!
Regina e Emma respondem ao mesmo tempo e se olham. A morena franze o cenho, realmente não entendendo a resposta da outra e Emma fecha os olhos brevemente e balança a cabeça negativamente.
― Não! ― A loira corrige-se, virando para a outra novamente. ― Só estávamos conversando. ― Sua voz sai baixa, parecendo estar decepcionada, e Regina percebe. Seus olhos se encontram brevemente e a morena entende o motivo. Sua amiga estava claramente como ciúme, como sempre teve quando o assunto era Luz. Ah, se ela soubesse que em seu coração só havia espaço para uma loira, ainda mais agora que Luz está morena. Quando Emma volta a olhar para Luz, Mills abre um sorrisinho e balança a cabeça negativamente, enquanto a palavra “besta” repete-se em sua mente. ― Eu vou deixar vocês mais à vontade. ― Luz assente e observa a Sargento ir até Regina e beijar sua testa. ― Eu volto depois. ― Sussurra e a morena assente. Swan caminha em direção à porta, mas para antes de alcança-la, bem perto de Luz. ― Como você soube que ela acordou? ― Pergunta baixinho para que Regina não ouça.
― A Sra. Mills me avisou, bem como eu a tinha pedido para fazer. ― Emma a encara, desacreditada no que acabara de ouvir e continua seu percurso até a porta, logo saindo e deixando as duas mulheres sozinhas.
Ao aparecer no corredor, a loira procura a Mills mais velha e quando a encontra, direciona seus passos até ela, que conversava com Brian e Henry.
Parando ao lado da mulher, a Sargento toca em seu ombro, chamando a sua atenção, e a puxa para longe dos homens.
― A senhora avisou aquela mulher sobre a Regina?
― Sim, meu amor! Há algum problema? ― Cora questiona, preocupada se fez alguma besteira.
― Não! Tudo bem! ― Responde rapidamente ao perceber a preocupação em seu olhar. ― Só curiosidade. ― Acrescenta tranquilamente, querendo tranquiliza-la.
― Está tudo bem? ― A Sra. Mills pergunta, desconfiada.
― Sim! ― Abre um sorriso e toca no ombro da senhora, dando algumas tapinhas. Seu celular começa a vibrar no bolso, indicando uma chamada e ela o pega, vendo o nome de Catherine piscar na tela. Lembra-se que antes de saber da notícia de Regina e até de conversar com Killian estava conversando com a ruiva e acredita que, possivelmente, Cathe deve estar lhe ligando agora porque deve ter lhe respondido e não recebeu mais resposta. ― Com licença. ― Mostra o celular tocando e se afasta para atender.
I'm crazy bout ya baby can't you see ― Você não vê que estou louco por você?
•§•
― Finalmente a senhorita acordou! ― Luz se pronuncia, toda animada, assim que a porta é fechada e as duas ficam sozinhas no quarto. ― Já estava sentindo falta de olhar para esses castanhos brilhantes e esse sorriso encantador, Sargento... ― Diz em um tom mais baixo e sensual e Regina abre um largo sorriso em resposta ao elogio, como sempre fazia quando recebia seus galanteios.
― E você está morena! ― Aponta, lembrando-se que a última vez que estivera face a face com a mulher, ela ainda era loira. ― O que aconteceu? ― Questiona, não escondendo a curiosidade.
― Às vezes é bom fazer uma mudança. ― Dá de ombros. ― Mas me diz, você já sabe quem está por trás do ataque no Departamento? ― Muda de assunto, aproximando-se mais e se sentando na pontinha da cama.
Ao escutar a pergunta, o sorriso da Sargento morre e ela fica séria.
― Na verdade, o motivo para eu estar aqui não foi o ataque, mas sim um antigo inimigo... ― Responde em um tom baixo, virando a cabeça para o lado oposto à mulher e deixando claro que não queria falar do assunto.
Entendendo o recado, Luz decide mudar de assunto.
― Será que você vai demorar a sair daqui? Estou louca de saudade... ― Curva seu corpo até ficar na altura da morena e beija os seus lábios delicadamente, todavia, para o seu desagrado, o contato não dura muito, pois logo que se tocam, Regina vira o seu rosto para o lado, fazendo-a beijar a sua bochecha.
― Luz, eu estava mesmo querendo falar sobre isso com você... ― A Sargento murmura hesitante. Se fosse qualquer outra mulher, Regina não se importaria em dar um fora, porém com Luz era diferente, não só pela beleza, mas por a mulher ser uma companhia muito agradável, ter uma conversa boa e animada, ser bastante alegre e bem-humorada, e deveras gentil. Diferente das outras mulheres que um dia se envolveu, Mills realmente gostava dela.
― Você tem alguma coisa com aquela loira linda, não é? ― A latina presume, entendendo o seu recuo. ― Ela é um espetáculo, mas tão brava... ― Faz uma careta e balança a cabeça negativamente, e Regina dá solta uma gostosa gargalhada, não só por achar graça de como Luz falara, mas por concordar também. Ela sabia bem que quando queria, Emma era uma muito brava mesmo.
― O que ela te fez para você dizer isso?
― Ah, só quase me expulsou do hospital uma vez. ― Responde com tranquilidade, dando de ombros, como se tivesse acabado de dizer alguma besteira de pouca importância.
― Você veio me ver? ― Pergunta surpresa, deixando de lado o seu relato de que Swan quase a expulsou, e a morena de cabelos mais longos assente. ― Bem, respondendo à sua pergunta, eu ainda não tenho, mas pretendo ter se ela também quiser...
― Ah, pode ter certeza que ela quer sim... ― Afirma com certeza e faz o coração da Sargento se agitar no peito. ― Bem, é uma pena para mim, que perderei alguém tão sensacional com você e nem mesmo cheguei a... ― Interrompe-se e leva sua mão à coxa da morena, aperta o local suavemente e vai subindo-a lentamente, fazendo Mills remexer-se no lugar. ― Provar... ― Conclui em um tom sensual. ― Mas desejo, de verdade, que você consiga o que quer, e mais ainda, desejo sorte para lidar com ela. ― Sussurra o final, como se Emma pudesse lhe ouvir e Regina sorri. ― Inclusive, se você ou ela tiver alguma irmã, eu não vou me importar em conhecer... ― Acrescenta, dando uma piscadela acompanhada de um sorriso.
•§•
Batidas suaves na porta fazem Graham levantar os seus olhos do livro que lia, para dá atenção a quem estava entrando.
― Está acordado? ― Emma pergunta, botando a cabeça para dentro do quarto. Humbert balança a cabeça negativamente, fecha os olhos e deita a cabeça no travesseiro, fingindo estar dormindo. ― Ok! Então eu volto depois. ― Volta seu corpo para trás, trazendo a porta consigo, fingindo que vai embora.
― Ei! ― Chama-a em um tom elevado para que ela lhe escute através da porta. ― Não me faça ir até você. ― Ameaça em um tom sério, mas abre um sorrisinho logo em seguida.
― Você não seria nem louco de fazer isso. ― A Sargento rebate, abrindo a porta novamente e entrando definitivamente. Caminha rapidamente até a cama e se senta na beirada. ― Hm... ― Murmura, pegando o livro da mão do amigo e o fechando para ver a capa. ― Uma breve história do tempo. ― Lê o título em voz alta e o vira para ler a sinopse. ― Já é o terceiro livro de Hawking que você lê... Esses dias no hospital estão te fazendo bem culto... ― Comenta bem-humorada, deixando o homem envergonhado.
― Não tenho culpa se o que ele escreve é tão bom. ― Defende-se, pegando-o de volta e marcando a página que estava.
― Concordo! ― Dá um sorriso. ― Tudo bem? ― Aproxima-se mais para beijar sua testa carinhosamente, e Graham fecha os olhos ao receber o carinho.
― Melhor impossível! ― Responde animado, ainda de olhos fechados, recebendo a atenção de bom grado. ― E como está o seu braço? ― Pergunta logo que sente a loira se afastar. Quando abre os olhos a vê se sentando na ponta da cama novamente.
― Está indo... ― Faz uma careta e Graham sorri.
― E como está Regina? ― Seu tom é ansioso. ― Alguma novidade?
― Além de vir aqui te ver e saber como está, eu vim também para dizer que ela acordou.
― Eu quero ir vê-la. ― Diz de supetão, desencostando-se do travesseiro nas costas e retirando o lençol de cima das suas pernas.
― O que? Não! ― Emma dá um pulo da cama e empurra seu corpo delicadamente para trás, fazendo-o se encostar de novo. ― Você não pode sair daqui.
― Você já contou para ela que eu estou bem? ― Indaga, ignorando sua recusa e a loira nega. Ela pretendia dizer se Luz não tivesse chegado para atrapalhar o momento. ― Então me deixa ir lá e fazer uma surpresa para ela, por favor. ― Pede em um tom suplicante.
― Graham, eu não sei...
― Por favor, Emma! ― Implora, segurando seu braço bom e olhando fundo em seus olhos.
Emma desvia seus verdes dos de Graham, olha para o chão e respira fundo, questionando se seria o certo atender ao pedido. Após alguns minutos em silêncio, pensando a respeito, ela volta a olhar para ele.
― Ok! Eu vou atrás de uma enfermeira. ― Avisa, levantando-se e se encaminhando para a porta.
― Emma? ― Chama-a, fazendo-a parar seus passos e olhar para trás. ― Obrigado! ― Emma abre um sorriso e se vira, saindo logo em seguida do quarto.
Minutos depois, a Sargento volta para o quarto com uma enfermeira que trazia consigo, uma cadeira de rodas. Juntas, elas colocam Graham na cadeira e a loira a empurra para fora do quarto. Ansioso para chegar logo, o homem segura nas finas rodas da cadeira, querendo ir mais rápido, mas Swan o repreende e ele recolhe as mãos.
Ao chegarem no quarto, para o alívio de Swan, Luz já não estava mais presente, porém a morena não estava sozinha. Regina conversava animadamente com Cora e Henry Mills, Ruby Lucas, Robin Lancaster e Mike O’Neal. Quando a Sargento entrou completamente no quarto com Humbert, a conversa parou e um silêncio se instalou. Graham tentou se levantar da cadeira, mas Emma foi mais rápida e o segurou pelo ombro. Regina também tenta se movimentar, mas Ruby a segura em seu lugar.
― Graham! ― Regina murmura com a voz carregada de emoção.
Emma empurra o Capitão para perto da cama e sob pares de olhos marejados e sorrisos de felicidade, eles se abraçam como pode. Já que não poderia se levantar e o abraçar, Regina estende o seu braço, e Graham, que também não pode se levantar para não fazer muito esforço, agarra-o fortemente, logo recebendo carinhos da morena.
Após alguns minutos eles se afastam e a conversa animada retorna, preenchendo o quarto de risadas e misturas de vozes.
― Srta. Swan? ― O médico responsável por Regina a chama, tocando em seu ombro. ― Pode me acompanhar, por favor?
― Claro! ― Responde prontamente e os dois caminham para fora do quarto sem que alguém se dê conta por estarem empolgados demais. ― Aconteceu alguma coisa? ― Pergunta, já preocupada.
― Os resultados dos exames da paciente saíram e eu gostaria de dizer o resultado primeiramente para você. ― Diz, levantando a pasta que está na mão.
― Vá em frente! ― Pede, cruzando os braços.
― A lesão medular traumática ocorre quando um evento traumático, como o associado a acidentes automobilísticos ou motociclísticos, mergulho, agressão com arma de fogo ou queda resulta em lesão das estruturas medulares interrompendo a passagem de estímulos nervosos através da medula. A lesão pode ser completa ou incompleta. ― Ao escutar a explicação que o médico lhe dá e entender o que estava sendo dito, seu coração começa a bater acelerado e o nervosismo se faz presente, gelando seu sangue nas veias.
― Diga-me que há ao menos uma boa notícia.
― Sim, existe! ― Diz, para o alívio da loira. ― A boa notícia é que a lesão é incompleta. Ou seja, é reversível. A fratura afetou somente o osso sem provocar lesões no interior da medula, e por isso, repouso, aparelhos de reabilitação e de apoio e medicamentos para reduzir os sintomas ajudarão até que o osso se recupere, além de cirurgia para estabilização da coluna vertebral, caso precise.
― Mas enquanto isso... ― A Sargento murmura em um tom triste entre suspiros, olhando para dentro do quarto e sentindo o seu coração bater dolorido ao ver o sorriso da morena. Seus olhos marejam instantaneamente.
― Enquanto isso ela terá que ficar por algum tempo em uma cadeira de rodas. ― O homem completa, fazendo as lágrimas presas transbordarem dos olhos verdes, que ainda observavam a alegria dentro do quarto.
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