Always by your side
43 Breathe
Notas iniciais
Três meses depois
Sentada confortavelmente no banco de madeira do tribunal Distrital de Illinois, ao lado de Emma, Graham e Brian, Regina ouvia atentamente cada palavra que o Juiz proferia sobre Keith Thompson, Liam Jones e mais dois homens, Jason, o ex policial, e Victor, um médico, que faziam parte da quadrilha de Thompson. Mais afastado, estava Killian Jones, de cabeça baixa, incapaz de encarar qualquer pessoa naquele ambiente.
Ao ouvir o Juiz proferir que Liam Jones e os outros dois são culpados e dá as suas sentenças, 108 anos de cadeia para o irmão do Bombeiro e 85 anos para o ex policial e o médico, Regina abre um largo sorriso e não se contém em bater algumas palmas em comemoração, assim chamando a atenção de algumas pessoas, inclusive de Liam, que se vira para trás e lhe encontra em quatro fileiras depois. Com um olhar enraivecido, ele profere só com os lábios: “Eu deveria ter dado ré”.
Entendendo o que o rapaz dissera, Emma se levanta indignada, mas Regina a puxa para baixo, fazendo-a se sentar e faz um movimento com as mãos, pedindo que não se importe com ele.
Quando a sessão é encerrada minutos depois, policiais se aproximam de Liam Jones, Jason Burkart, Victor Anders e os outros dois homens, seguram-nos pelos braços e se encaminham para a saída. Ao passarem por perto de Regina, a Sargento levanta uma mão em um pedido para que os policiais parem. Todos os presentes olham curiosos para eles.
― Aproveite bem os 108 anos. ― Provoca. Irritado, o homem tenta avançar, mas é impedido pelos policiais, que aumentam a força em seus braços. ― Mantenha-se saudável e quem sabe em 2124 poderá voltar a ver o sol nascer sem ser atrás das grades. ― Acrescenta cínica, piscando um olho. O homem se agita mais uma vez e Regina faz um sinal com a mão, permitindo que os policiais o levem.
Ao olhar para o lado, encontra uma Emma com olhar incrédulo e um Graham e um Brian sorridentes.
― O que foi? ― Pergunta com fingida inocência, segurando-se para não rir e Emma arqueia a sobrancelha e cruza os braços. ― Eu nem sou boa com ironias. Só respondi o seu “eu deveria ter dado ré” à altura. ― Defende-se, dando de ombros. ― Vamos embora? ― Estica-se um pouco e pega a cadeira de rodas. ― Eu estou com fome e não paro de pensar naquele bolo que vocês encomendaram para a volta do Graham. ― Passa a mão pela barriga e lambem os lábios, fazendo os outros rirem.
Com a ajuda de Brian, Emma coloca Regina na cadeira de rodas e então seguem juntos pelo corredor em direção a saída, porém Swan para seus passos assim que Killian aparece em suas vistas.
― Vão na frente. Eu preciso falar com uma pessoa. ― A Sargento avisa, mas antes que pudesse se afastar, entendendo quem era a pessoa, Regina segura em seu braço. ― Eu não vou demorar. ― Beija seus lábios carinhosamente, deixando-a momentaneamente surpresa e se afasta rapidamente, indo falar com o Bombeiro, que já alcançava a porta.
Descontente, Regina observa Emma chegar perto de Killian, puxa-lo para um abraço e ele deitar a cabeça em seu ombro e chorar. Decidindo que já viu demais, respira fundo e desvia o olhar para o outro lado.
― Ei, relaxa! ― Graham murmura, aproximando-se da morena.
― Estou relaxadíssima, meu amor. ― Responde, encostando-se na cadeira e girando os pneus, indo para longe. Humbert balança a cabeça negativamente, sorrindo, e move suas muletas e pernas para lhe acompanhar. Brian, que conversava mais afastado com alguns policiais, despede-se rapidamente dos amigos e apressa os passos até os dois, chegando perto de Regina e lhe ajudando.
Ao chegarem no carro, todos se acomodam em seus lugares e ficam à espera de Swan, que aparece correndo dez minutos depois para tomar o seu lugar no volante e os levar para o Departamento.
Uma hora depois, ao som de Your Love – The Outfiled, Emma estaciona o carro em frente ao Distrito e Ruby, Robin e Mike, que já os esperavam chegar, apressam-se para ajudar Graham e Regina a descerem do veículo.
Ao passarem pelas portas automáticas do Departamento, entre assovios e palmas entusiasmadas, Graham e Regina são recebidos por policiais uniformizados, detetives, tenentes, comandantes e superintendentes. Era a primeira vez que apareciam por lá depois de todos os acontecimentos. Inclusive, seria o primeiro dia de trabalho de Humbert e dos outros policiais que ficaram feridos no atentado, e o último de Brian. Já Regina e Eric permaneceriam mais alguns dias de molho em casa.
― Sejam bem-vindos de volta, Capitão e Sargento! ― Robin fala em nome de todos, puxando mais uma salva de palmas.
Após todos os cumprimentos e um pequeno discurso de Graham, as pessoas se servem com bolo, refrigerante, doces e salgados e logo voltam aos seus trabalhos. Quando a recepção volta a ficar tranquila, Brian pede que Emma, Regina, Graham, Ruby, Robin e Mike se aproximem dele.
― Eu queria agradecer a vocês pelo acolhimento que tive ao me mudar para cá. ― Knight começa em um tom extremamente sincero e recebe sorrisos dos ouvintes. ― Confesso que quando recebi o convite, fiquei hesitante em aceitar por medo de não ser bem aceito aqui. Sei o quanto Graham Humbert é amado e como a minha chegada poderia trazer problemas. ― Faz uma pausa e abaixa a cabeça. Percebendo o que estava acontecendo, o Capitão se aproxima do amigo, passa a muleta da mão direita para a esquerda e toca seu ombro com um aperto. Ele respira fundo e volta a levantar a cabeça, mostrando então, seus olhos marejados. ― Vocês me receberam e me aceitaram tão bem que eu me senti em casa. ― Sorri. ― Eu estou sentindo falta do meu pessoal, mas eu me apeguei muito à vocês e não queria ir embora. ― Confessa emocionado. ― Foi muito bom ter trabalho com vocês durante esse tempo e eu espero que um dia possamos trabalhar novamente. ― Acrescenta, enxugando uma lágrima. ― Mas espero que a próxima vez seja só por parceira, mesmo. ― Diz bem-humorado, apontando para Graham, arrancando sorrisos. ― Eu vou sentir falta de vocês. ― Finaliza o seu pequeno discurso e é acolhido em um grande abraço em grupo.
― Obrigado por ter cuidado tão bem do meu povo, do meu lugar, das minhas coisas. ― Graham agradece sinceramente, ainda no abraço. ― Aqui vai ter sempre um lugar para você, se quiser. ― Acrescenta em um tom claro de convite, afastando-se.
― Obrigado! ― Knight estende a mão e Humbert a aperta com força.
― Obrigada por ter sido um ótimo Capitão e amigo. ― É a vez de Emma agradecer, também se afastando do homem, que logo lhe sorri em resposta.
― E eu agradeço por não ter trago o tal do Michael com você. ― Regina fala em um tom sério, mas todos gargalham.
Então, para encerrar o momento, eles se abraçam mais uma vez.
•§•
Uma semana depois
Sentada em sua habitual poltrona reclinável, Regina esperava pacientemente Emma chegar do Departamento, assim como fazia todos os dias. Principalmente depois que se acertaram. Faltavam menos de vinte minutos para a Sargento chegar se não tivesse tido nenhum imprevisto ou emergência. Ao seu lado esquerdo, no chão, estava sua cadeira de rodas completamente desmontada por seu pai mais cedo, e ao seu lado direito, encostadas na parede, estava um par de muletas novinhas, compradas por sua mãe.
Emma ainda não sabia sobre as muletas e a cadeira de rodas.
Em segredo com Cora, Henry e Gillian, a fisioterapeuta, Regina mentiu para Emma sobre ter cancelado as duas últimas sessões assim que soube que estava prestes a migrar da cadeira de rodas para as muletas. No começo eles ficaram bem relutantes em aceitar a ideia. Se a Sargento soubesse que estavam lhe escondendo um progresso tão grande, era briga e estresse na certa. Todavia, Regina era muito boa em persuadir e não lhe custou muito para conseguir manter o segredo.
Mills queria fazer uma surpresa para Emma.
O barulho do motor do seu carro parando em frente à sua casa, chama a sua atenção. É o aviso de que a Sargento chegou. Mills olha no relógio de pulso e dá um sorriso. 06:30hrs, o horário de sempre.
Quando a morena escuta o barulho da porta sendo fechada e o alarme sendo ativado, pega as muletas e fica em alerta. Assim que Emma abrisse a porta, ela ficaria de pé.
Trinta segundos de silêncio se passam e então a maçaneta gira. Regina respira fundo e se levanta.
― Boa noite! ― Emma deseja assim que abre a porta, ainda de cabeça baixa, sem ver Regina de pé. ― O Graham quase me prendeu hoje, mas consegui escapar. ― Comenta, soltando uma risadinha, fechando a porta e caminhando para a sala muito focada em tirar as botas dos pés cansados, enquanto Regina se mantinha calada, esperando ansiosamente que ela lhe visse. ― Trouxe umas besteiras para a nossa noite de... ― Sua fala é interrompida quando, finalmente, levanta a cabeça e vê Regina em pé, apoiada nas muletas. ― O que... Como... Regina... ― Gagueja, abrindo e fechando a boca várias vezes e franzindo o cenho, totalmente desacreditada no que via.
― Boa noite para você também! ― Ao dar um passo para frente, Emma se apressa e lhe segura pela cintura, superprotetora. ― Está tudo bem, Emma! Eu não vou cair. ― Tranquiliza-a, abrindo um sorriso. Regina adorava o seu jeito todo cuidadoso. Achava fofo. ― Estou segura. ― Eleva um pouco uma das muletas.
― Eu não acredito que você escondeu isso de mim, Regina! ― Repreende, balançando a cabeça negativamente, ainda a segurando firmemente pela cintura, e Regina revira os olhos, enquanto se aproxima para lhe beijar. ― Eu queria estar aqui! ― Murmura, desviando os lábios dos da morena. ― Era um momento importante. ― Acrescenta, realmente mostrando chateação.
― Shhh! ― Mills pede, voltando a se aproximar para lhe beijar, mas ela se afasta novamente. ― Emma! ― Repreende, um pouco irritada. Ela só queria lhe dar um beijo de boa noite, como fazia todos os dias. Não era uma tarefa difícil. ― Eu só quero te dar um beijo. ― Diz em tom cansado.
― Desculpa! ― A loira pede, fazendo um biquinho. Sorrindo, Regina balança a cabeça negativamente e se aproxima de novo, dessa vez, conseguindo o seu objetivo. Capturar os lábios finos com os seus. Emma rapidamente aceita o contato e a puxa mais para si, levando uma mão para os seus cabelos e emaranhando os dedos por ali. Sentindo-se segura nos braços fortes de Swan, Regina solta as muletas e se agarra em seu pescoço, unindo ainda mais os seus corpos e aprofundando o contato.
Encerrando o beijo com vários selinhos, Regina afasta os braços do pescoço de Swan e deita sua cabeça ali, enquanto a Sargento lhe aperta mais em seus braços, temendo derruba-la.
― Eu quero voltar para o Departamento. ― Murmura, quebrando o silêncio.
― O que? ― A loira afasta ao máximo a cabeça para o lado, tentando ver o rosto da outra.
― Na semana que vem. No meu aniversário. ― Mills levanta a cabeça e volta a lhe agarrar pelo pescoço. ― Eu não aguento mais ficar aqui. ― Faz uma careta.
― Você tem...
― Sim, eu tenho. ― Rebate rapidamente, interrompendo-a. ― Não é uma volta para o campo, Emma. ― Esclarece, levando seus dedos ao rosto alvo e iniciando um carinho. ― Ainda não. ― Deixa claro, dando um risinho. ― É só para a minha sala, minha mesa, minha cadeira, para os papéis, para o computador e para o telefone. ― Explica, deixando a loira surpresa.
― Você sempre odiou essa parte...
― É, eu sei... ― Seu tom é desanimado. ― Olha o que o desespero faz. ― As duas sorriem. ― Mas chega de papo. ― Coloca algumas mechas dos cabelos loiros para trás da orelha direta e encerra seus carinhos. ― Vamos comer que eu estou com fome. ― Sussurra com os lábios encostados nos de Emma, que rapidamente assente e a coloca na poltrona.
― Onde estão os seus pais? Eles deveriam estar aqui até eu chegar. ― Abaixa-se para pegar as muletas no chão e seus olhos encontram a cadeira de rodas toda desmontada ao lado da poltrona.
― Eu os dispensei trinta e cinco minutos atrás. ― Mills responde, olhando no relógio de pulso. ― Ah! Sei que não é a mesma coisa, mas foi gravado o momento em que eu deixei a cadeira de rodas e fui para as muletas. ― Diz ao pegar as muletas das mãos da loira e perceber para onde a sua atenção estava.
Uma semana depois
Entre assovios, palmas e gritaria, Regina entra ao lado de Emma no Departamento para o seu primeiro dia de trabalho depois de tanto tempo. Após falar com todos os presentes, não estranhando a ausência de Graham, Ruby, Robin, Mike e Eric, que tinha voltado há alguns dias, por ainda ser muito cedo, ela segue para a sua sala e quase cai para trás quando abre a porta e é recebida por eles cantando parabéns. Sorte sua que Emma estava bem ao lado e lhe segurou.
― Ainda bem que eu não tenho problemas no coração, ou então estaria indo para o hospital agora mesmo. ― Brinca assim que a cantoria acaba.
Na hora do almoço, todos saem juntos e, deixando a decisão na mão da aniversariante, seguem para uma lanchonete próxima do Departamento e passam as horas seguintes entre pizzas, hambúrgueres, refrigerantes e doces delicados como sobremesa. De acordo com Regina, trocar uma refeição saudável por lanches um dia só não faria mal.
De volta ao Departamento, duas horas depois, cada um segue seu rumo voltando aos seus trabalhos e Regina finalmente se senta em sua cadeira confortável e liga o computador para dar início ao seu. Ela mal tinha chegado e já se sentia cansada só de olhar para o tanto de pastas marrons em uma pilha em cima da mesa.
Enquanto seu computador ligava, seus olhos varreram o local. Tudo estava como tinha deixado desde a última vez que estivera ali. Até a posição de cada coisa. O notebook pessoal e o computador do Departamento, o telefone sem fio, a sua foto com sua mãe e seu pai e a dela com Emma, o vaso com flores, colocado pela loira, os quadros decorativos, a persiana e o seu querido sofá, que tinha tantas histórias para contar, principalmente dela e Emma.
Era fim de noite. O Departamento estava calmo. Alguns policiais trocavam de turnos, outros formavam grupos para irem ao bar mais próximo, outros disputavam quem ficaria com a cama mais macia da sala de descanso. Enquanto Emma, quase caindo de sono, lutava para terminar de digitar um documento no computador de Regina porque o seu tinha dado problema, Mills, que já tinha largado e somente a esperava, estava deitada em seu sofá, jogando cartas online e escutando sua playlist completamente bagunçada. Ela obviamente não se importava em organizar as músicas, apenas as jogava todas em um lugar só e já estava bom. Quando Cigarettes after sex termina de cantar sua sensual música Nothing’s gonna hurt you baby e o toque suave de Breathe – Faith Hill começa a tocar, ela interrompe o jogo sem se importar que perderia a partida e desconecta o fone de ouvido, assim compartilhando o que escutava com Swan.
― Regina, eu preciso de concentração aqui. ― Emma pede no segundo seguinte, sem levantar a cabeça ou mesmo parar de digitar. Mas Mills não se importa com o pedido, pelo contrário, aumenta o volume do aparelho celular em mãos. ― Regina...― Murmura, levantando a cabeça para lhe olhar.
― Vem aqui... ― A Sargento chama em um tom sensual, batendo ao seu lado no sofá.
― Você não vai me deixar terminar isso daqui enquanto eu não for até aí, não é? ― Pergunta em um tom cansado e Regina nega. ― Ok! ― A loira volta sua atenção para o computador, salva o que já foi feito no documento e desliga a tela. Esfrega o rosto para espantar o sono e se levanta, vai até o sofá e atende ao pedido da amiga, deitando-se ao seu lado. ― O que você quer? ― Pergunta com desdém, cruzando os braços e as pernas.
― Eu quero que você escute essa música comigo e imagine que sou eu quem estou cantando para você. ― Ela sussurra, descruzando o braço da loira e colocando o celular em sua barriga. Emma arqueia a sobrancelha e semicerra os olhos, chocada com a ousadia da morena, mas nada diz. Regina passa seu braço por sua cintura e deita a cabeça em seu ombro e ela não se contém e lhe acolher em seus braços.
I can feel the magic floating in the air ― Posso sentir a magia flutuando no ar
Being with you gets me that way ― Estar com você me faz ficar desse jeito
I watch the sunlight dance across your face ― Observo a luz do sol dançar pelo seu rosto
And I've never been this swept away ― E eu nunca estive arrebatada assim
All my thoughts just seem to settle on the breeze ― Todos os meus pensamentos parecem se acalmar na brisa.
Com o coração aos pulos pelo que acabara de ouvir e temendo que a amiga tenha percebido sua rápida reação, Emma tenta desviar sua atenção da música e pensar no que fazia antes para tentar se acalmar.
When I'm lying wrapped up in your arms ― Quando estou deitada, envolvida nos seus braços
The whole world just fades away ― O mundo inteiro simplesmente vai sumindo
The only thing I hear is the beating of your heart ― A única coisa que ouço são as batidas do seu coração
Engolindo seco, Emma se arrasta para o lado e foge do agarre da amiga, podendo assim, ficar nervosa e alterada em paz, sem que ela lhe sinta ou escute.
― Preciso admitir que você está melhorando bastante nessa coisa de tentar me seduzir. ― Comenta em um falso tom de tranquilidade, tentando esconder sua voz alterada pelo nervosismo com uma risada, sentada propositalmente de costas para Regina.
― Eu tenho treinado. ― Mills rebate, totalmente alheia ao que causou na amiga com a sua simples tentativa de sedução.
Em meio a suspiros, um sorriso brotou em seus lábios. Como ela tinha sentido falta de estar ali.
A tela do computador se acendeu, revelando uma foto dela abraçada a Swan, ambas encostadas no carro de Graham e sua mente se inundou de lembranças. Especialmente daquele dia da foto.
Era final de semana. Com muito custo, Emma e Regina tinham conseguido uma folga de dois dias seguidos. Entediada e inquieta, de última hora Mills tinha chamado a loira para jantarem fora, no caso, em um restaurante mesmo em vez do jardim, como Regina adorava fazer só para abrir a boca e dizer que “estavam jantando fora”, mas no meio do caminho tiveram que fechar a reserva e mudar a rota por causa de uma emergência de tiroteio perto do Hospital Mercy de Chicago.
― Eu não acredito que vou ter que ir atender ao chamado de vestido e salto. ― Emma reclama, completamente irritada, olhando para os pés e fazendo careta.
― Vai ficar sexy, como se já não fosse, com essa roupa e um revólver na mão. ― Regina comenta e a loira revira os olhos, mas acaba sorrindo.
No rádio, Rod Stewart com sua habitual voz rouca e jeito romântico, cantando “the way you look tonight” disputava com o barulho dos carros e a sirene gritando desesperada. Incomodada, Regina aumenta o volume para ouvir melhor. Emma olha para a amiga, mas nada diz.
Yes, your're lovely, with your eyes so warm ― Você é adorável, com seu olhar tão caloroso
And your cheeks so soft ― E suas bochechas tão macias
There is nothing for me but to love you ― Não me resta nada além de amar você
And the way you look tonight ― E o modo que você está essa noite
Empolgada, Regina aumenta ainda mais o volume e começa a acompanhar Rod.
― Um dia eu quero aprender a dirigir a mais de 100km/h para uma emergência, cortando sinais vermelhos e carros nas avenidas cheias, escutando e cantando músicas de uma forma tranquila como se não estivesse acontecendo nada demais, como você faz, Regina. ― Emma comenta, admirada com a tranquilidade da outra. Toda vez que iam atender alguma emergência Mills agia daquele jeito e toda vez Swan se admirava e comentava.
― Yes you're lovely, never ever change... (Sim, você é adorável, nunca, jamais mude) ― Regina canta junto com o cantor, olhando para a loira e sorrindo e piscando sensualmente, deixando-a sem graça.
Keep that breathless charm ― Mantenha esse charme que me tira o fôlego
Darling please arrange it? ― Querido, por favor, guarde isso?
'Cause I love you ― Pois eu te amo
Just the way you look tonight ― Apenas, como você está essa noite
No fim daquela noite, após tudo terminar bem, sem nenhuma morte ou mesmo feridos e o responsável pela bagunça bem preso, Regina e Emma acabaram em uma lanchonete perto do Departamento mesmo, na companhia de Graham, Eric e Mike, comendo muita pizza e batata frita. Horas depois, após encerrarem a conta, o grupo saiu para conversar ao ar livre e Humbert se encarregou de registrar o momento com o seu celular, capturando os amigos Eric e Mike em uma brincadeira e Emma e Regina abraçadas, encostadas em seu carro, assistindo os dois.
Movida pela saudade desperta pela lembrança, de estar nas ruas com Emma, a Sargento desliga a tela do computador, apoia-se em suas muletas e se levanta.
― Emma! ― Ela chama pela loira em um tom animado, ainda de dentro da sala, dando o seu melhor para se mover rápido.
Ao sair da sala e aparecer na recepção, olha para os lados, mas não a encontra por ali.
― Onde está a Emma? ― Pergunta para um oficial que preenchia algo em uma prancheta apoiada no balcão de mármore.
― Acabou de sair com Lucas. ― O rapaz aponta para a saída. Regina agradece com um menear de cabeça e se dirige para a saída.
Ao passar pelas portas automáticas, a morena avista a outra atravessando a rua com Ruby.
― Emma! ― Chama-a em um tom elevado e a loira se vira no mesmo instante, confusa com o seu chamado. Regina levanta a mão pedindo para que esperasse e segue ao encontro delas.
― Aconteceu alguma coisa? ― Swan pergunta preocupada, assim que Mills chega até as duas.
― Sim! Eu quero ir com você. ― Dispara animada. Emma arqueia a sobrancelha e abre a boca, porém não diz nada. Está surpresa demais com o pedido. Quando concordou com a volta dela, não foi para ir para as ruas, mas sim, para ficar quietinha em seu escritório, atrás de uma tela de computador, rodeada de papéis e de seus cafés.
Swan olha para Ruby por alguns segundos e depois volta a atenção para Regina, que lhe encara ansiosamente, esperando uma resposta.
― É... ― Emma murmura, buscando em sua mente uma boa desculpa para recusar o pedido de Regina. ― Então...
― Tudo bem, eu vou com o Robin! ― Lucas se apressa em dizer, interrompendo a Sargento.
― O que? ― Swan solta surpresa e também indignada. Ela não esperava que Ruby fosse aceitar que Regina fosse em seu lugar. Mills não deveria sair do Departamento ainda.
Vendo a expressão indignada da amiga, Regina dá um sorrisinho.
― Obrigada! ― Mills agradece à morena de mechas ruivas e se encaminha para o carro. Ruby atravessa a rua novamente para ir atrás de Lancaster e Emma se apressa até Mills, que já tentava entrar no carro.
― Você me prometeu que iria ficar quieta em sua sala, Regina. ― A loira resmunga, ajudando-a a se sentar no banco de couro do passageiro.
― Relaxa, Emma. É só uma volta. ― Fala com tranquilidade, dando de ombros. ― Como nos velhos tempos para matar a saudade. ― Dá uma piscadinha acompanhada de um sorrisinho e a empurra para trás para fechar a porta. Ao se acomodar em seu lugar, ela coloca seu cinto de segurança e logo liga o rádio.
Balançando a cabeça negativamente, mas sorrindo, Emma dá a volta no veículo rapidamente e entra, coloca o cinto de segurança e da partida.
Entre cantorias, muitas dancinhas, lembranças e risadas, Emma e Regina rodam a tarde toda pelo centro de Chicago e só fazem o caminho de volta para o Departamento quando já está noite.
― O que você acha de trabalhar para o FBI? ― Regina pergunta de repente, assim que param de frente ao Departamento, mas do outro lado da rua.
― Ser Agente do FBI? ― Mills assente. ― Bem... É interessante, mas eu nunca almejei tanto. ― Desliga o carro e retira o cinto de segurança. ― Por que a pergunta? Está pensando em sair daqui? Até parece que o Graham vai deixar você ir para longe dele. ― Fala entre risos, abrindo a porta e descendo do veículo. Ao chegar do lado de Regina e abrir a porta para ajudá-la a descer, encontra-a com uma expressão sem graça. Então ela entende tudo. ― Sim, você está pensando em sair daqui, não é? ― Pergunta em um tom baixo e triste e seus olhos marejam. Ao ajudá-la a descer, encosta-se na lataria e vira-se de costas. ― Depois de tudo que já passamos por aqui você vai embora? Vai nos deixar? ― Sua voz sai falha e as lágrimas descem timidamente pelo seu rosto.
Regina se aproxima da loira e, arriscando-se, encosta uma muleta no carro e se apoia somente na outra, e com a mão livre toca o seu ombro.
― Vem comigo! Eu não quero ir sozinha. ― Diz baixinho, perto do seu ouvido. ― Vem comigo, Emma. ― Repete o convite e a puxa, fazendo-a se virar. As duas se encaram por alguns segundos até que a loira quebra o contato, fechando os olhos e abaixando a cabeça.
― Desde quando você tem pensado nisso? ― Murmura a pergunta, puxando a barra da blusa para enxugar o seu rosto.
A Sargento não responde à pergunta e Emma levanta o olhar, encontrando em seu rosto, uma expressão sem graça.
― Bem, não é uma vontade antiga. ― Swan arqueia a sobrancelha, curiosa com o que viria a seguir. ― Desde hoje de tarde quando passamos por aqueles Agentes. ― Diz, desviando o olhar em seguida, já sabendo que a amiga teria um ataque.
― O que? Isso é sério? ― A Sargento dispara, incrédula, esfregando o rosto e balançando a cabeça negativamente. ― Você nem teve tempo para pensar direito. Tem certeza de que quer isso?
― Apesar de fazer só algumas horas que eu tomei a decisão, sim, eu tenho certeza que quero trabalhar para o FBI. ― Rebate rapidamente, em um tom seguro.
― E o Departamento, como fica? ― Ela aponta para a enorme construção do outro lado da rua. ― Os nossos amigos? Eles são a nossa família, Regina...
― Eles vão continuar sendo nossos amigos, vão continuar sendo nossa família. Isso não vai mudar. ― Rebate em um tom firme, olhando fundo nos verdes brilhantes. ― Por favor. ― Suplica, fazendo um bico. ― Eu também amo este lugar, amo as pessoas que nós trabalhamos todos os dias, você sabe bem disso... ― Emma assente. ― Mas nós já estamos aqui há quase cinco anos. Você não acha que já está na hora de mudarmos? De enfrentarmos novos desafios? De respirar novos ares? ― Indaga, tentando convence-la.
― Eu não sei, Regina! É uma mudança muito radical. Eu preciso pensar. ― Responde sincera. Regina abaixa a cabeça e assente, desanimada com o que ouvira, embora já esperasse uma negativa.
― Se você não quiser ir, tudo bem. Nós não vamos. Eu desisto da ideia. ― Murmura em um tom triste, pegando a muleta de volta e se encostando na lataria do carro também.
Então as mulheres ficam em silêncio por longos minutos, cada uma com seus pensamentos e apenas James Blunt tocando no rádio do carro é ouvido entre elas.
Com os olhos fixados na entrada do Departamento, Swan pensava a respeito da proposta da amiga, se já estava na hora de uma mudança e se deveria aceitar o convite. E Mills, com os olhos fixados no céu, pensava se estava mesmo fazendo o certo, se era hora de mudanças, se estava certa de que queria sair do Departamento para tentar uma carreira no FBI.
― Se você quiser eu posso falar com a Cathe para dá uma mãozinha. ― Swan murmura de repente, quebrando o silêncio.
― O que isso significa? ― A morena pergunta, mesmo tendo uma ideia.
― Significa que... ― Ela respira fundo e se vira para a amiga, que esperava ansiosa pela continuação da frase. ― Significa que eu vou com você. ― Completa a frase e o coração de Regina dá um pulo no peito. ― É claro que eu vou. ― Acrescenta, fazendo a outra sorrir grande.
― Você tem certeza? Não quero te forçar a fazer algo que não quer só porque eu quero e só quero se você for comigo. ― Esclarece, preocupada em estar forçando-a a fazer algo que não quer só para lhe agradar.
― Sim, eu tenho certeza. ― Diz com convicção. ― Você tem razão... Já está na hora de enfrentarmos novos desafios e respiráramos novos ares. ― Repete o que foi dito para lhe convencer. ― E tem mais... Nós não vamos sozinhas. ― Fala sussurrado como se fosse um segredo e dá uma piscadela acompanhada de um sorrisinho.
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