Always by your side
42 Always by your side
Notas iniciais
― Ei Killian. ― A Sargento é a primeira a falar. Seu tom parecia cansado, o que poderia ser entendido pelo outro como uma chateação pela ligação, mas na verdade, ela estava triste pela expressão que viu no rosto da amiga quando deixou o quarto para atender a ligação e entender que ela achava que os dois tinham algo. Swan tinha certeza que era ciúme. Mais uma vez. Não era a primeira vez que Regina demonstrava esse tipo de sentimento para com ela, principalmente se o Bombeiro estivesse no meio. Jamais esqueceria a pequena discussão que teve quando a morena saiu citando seus possíveis casos, no caso o Michael, a Catherine e o Killian, assim como ela não ficou por baixo e citou Luz e Ruby. Emma já havia percebido os sentimentos que vinham rondando as duas pouco antes do que aconteceu com Mills, mas além de não terem conversado sobre isso desde que a morena lhe disse que estava com saudade das duas, ela não tinha total certeza do que via refletido nos olhares, sorrisos e palavras de Regina. Seus sentimentos eram uma incógnita. Ela não conseguia decifrar se tudo que Regina sentia se restringia ao que tiveram, ou se tinha algo mais, como gostaria que tivesse e assim como tem da parte dela. Não era à toa que a loira tinha receio e se esquivava de demonstrar o que sentia por ela, além de que, tinha medo de estragar a amizade mais uma vez.
― Ei, Emma... ― O moreno respondeu pouco empolgado e Swan estranhou, mas sua voz também parecia sonolenta, então pensou que poderia ser por conta disso. ― Você está livre? ― Seu tom é hesitante. ― Sei que já está um pouco tarde, mas será que poderíamos nos ver?
Emma afasta o celular da orelha por alguns segundos e olha a hora. Faltavam dez minutos para 10:00.
― Killian, eu... ― Interrompe-se e respira fundo, criando coragem para dizer o que tinha em mente. Assim como fez com Catherine mais cedo, precisava fazer com Killian. Se queria tentar algo com Regina futuramente, precisava deixar claro o seu pensamento sobre os dois, precisava deixar claro que não teriam e nem mesmo poderiam ter algo, precisava deixar claro que seu coração e mente pertenciam à outra pessoa e que era com essa pessoa que tinha a intenção de passar o resto de seus anos, mesmo que ainda não tivesse total certeza da reciprocidade dos sentimentos e nem mesmo tenham conversado sobre o assunto. ― Claro! No Washington de novo? ― Pergunta desistindo de já tocar no assunto. Não queria ter aquela conversa por telefone. Ele não merecia. Ninguém merecia.
― Pode ser! ― Ele responde prontamente e os dois encerram a ligação.
A Sargento guarda o celular no bolso e pega a chave do carro na jaqueta, vai até o quarto de Regina para lhe avisar que iria sair por alguns minutos, mas que não pretendia demorar, mas ao entrar no cômodo encontra a morena dormindo. Então, ela se aproxima devagar da cama, cobre-a e beija sua testa carinhosamente.
Cinco minutos depois, ao chegar no local marcado com o moreno, Emma estaciona o carro há alguns metros, compra um cachorro-quente no primeiro carrinho que vê e segue para perto dos bancos, o mesmo lugar que ficaram da outra vez. Apesar do horário, o lugar estava bem movimentado.
Ao se aproximar da área dos bancos, Emma enxerga o Bombeiro de longe e acelera seus passos. Jones estava tão focado em um grupo de amigos que nem havia percebido a sua chegada.
Chegando mais perto dele, a loira percebe seu rosto coberto de lágrimas, o nariz vermelho e um olhar extremamente triste.
― Ei, o que aconteceu? ― Pergunta preocupada, sentando-se ao seu lado. Killian olha para a Sargento por alguns segundos e se desmancha em lágrimas novamente, cobrindo o rosto. Então, sem pensar duas vezes, Swan enfiam o resto do cachorro na boca e o abraça apertado.
Os dois ficam por alguns minutos em silêncio, até que o moreno se acalma um pouco e desfaz o contato.
― Meu irmão... ― Murmura, com o olhar perdido no chão. ― Há tanto tempo eu vivo sozinho e estava tão feliz por ter encontrado alguém sangue do meu sangue, apesar dos pesares... ― Balança a cabeça negativamente, enxugando as lágrimas. ― No começo eu estava muito envergonhado com tudo o que ele fez, principalmente à Regina, e não conseguia nem ficar feliz por ter encontrado alguém da família, mas os dias foram se passando e em pouco tempo eu acabei me apegando a ele e parecia que já nos conhecíamos há anos... ― Sua voz sai falha por causa da emoção. ― Liam vai ser julgado daqui a três meses, mas um colega meu já me disse a sentença... ― É tudo que diz, pois logo cai num choro novamente. Entendendo qual será a resolução do julgamento, os olhos verdes também se enchem de lágrimas, não pelo homem culpado por Regina estar em uma cadeira de rodas, mas pelo homem que está ao seu lado, e o puxa para os seus braços mais uma vez. ― Eu sei que ele merece, mas... ― Inesperadamente, ele se agarra mais a Sargento e solta um grito abafado, assustando algumas pessoas ao redor.
Mais uma vez ficam em silêncio por alguns minutos até que o Bombeiro se recompõe e diminui a intensidade de seu choro.
― Obrigado por vir aqui. ― Ele murmura, levantando a cabeça e olhando fundo nos verdes brilhantes pelas lágrimas derramadas. ― Eu estava precisando colocar para fora e não tinha ninguém para desabafar... ― Acrescenta, causando uma breve pontada de tristeza no peito da Sargento. Seus olhares ficam conectados por alguns segundos até que ele desce sua atenção para os lábios finos da loira, que ao perceber, remexe-se desconfortável e decide que estava na hora de abrir o jogo com ele.
― Killian, eu...
― Desculpa! ― Ele pede envergonhado, afastando-se. ― Eu sei o que vai me dizer e quero avisar que não precisa. ― Diz, olhando para frente e voltando a se perder no grupo de amigos.
― Você sabe? ― A sargento pergunta confusa, questionando-se se realmente ele sabia.
― Eu sei que você gosta da Regina e que eu não tenho chance alguma. ― Revela, deixando a outra surpresa. ― Eu percebi tem algum tempo que há algo entre vocês. ― Acrescenta em um tom mais baixo e ligeiramente decepcionado. ― Há algo muito forte entre vocês... ― Fala, fazendo o coração da loira bater acelerado e ela estremecer. ― Então, desde que eu percebi que não teria chance alguma com você, tenho tentado deixar de lado o que sinto por você desde o nosso encontro no pub e só tenho buscado uma amiga em você. ― Confessa, direcionando seus azuis para os verdes chocados demais. ― Às vezes acontecem uns deslizes, tipo agora, mas... ― Fala bem-humorado, sorrindo e fazendo a loira sorrir, mas não só por achar graça, mas de alívio também. Alívio por não ter precisado dizer nada do que teve que dizer para Cathe, alívio por saber que não precisará se preocupar com ele, e alívio por ele ter aceitado os fatos. ― Não precisa me dizer que só haverá amizade entre nós porque, apesar de eu ser um cara legal e muito bonito... ― Ele dá uma piscadinha e passa a mão pela barba bem feita, fazendo a loira balançar a cabeça negativamente e sorrir da sua falta de humildade. ― Seu coração pertence a outra pessoa. ― Ele pega em sua mão e a aperta. ― Ele pertence a Regina. ― Finaliza, dando um sorrisinho triste.
― E você está realmente bem com isso? ― Pergunta hesitante, temendo estar sendo indelicada ou lhe deixar mais triste do que está.
― O que eu poderia fazer, Swan? ― Indaga retoricamente em um tom conformado, encostando-se no banco e esticando as pernas e cruzando os braços. ― Quando a gente realmente gosta de alguém, desejamos que ela seja feliz mesmo que não seja conosco. Certo? ― Olha para a Sargento e ela assente. ― E eu quero desejar, sinceramente, que você e Regina deem certo e sejam felizes. ― Fala em um tom mais sério que o normal, olhando fundo nos verdes, que brilham emocionados. ― Agora eu só gostaria que você me abraçasse. ― Pede, remexendo-se no lugar e ficando mais perto da Sargento. ― Aquele grupo de amigos está me fazendo lembrar de umas coisas e a imagem do meu irmão está vindo em minha mente novamente, contra a minha vontade, e eu já estou querendo chorar de novo. ― Confessa um pouco envergonhado. ― Eu sou um molenga! ― Balança a cabeça negativamente.
― Não, você não é! ― Emma rebate, segurando em seu ombro e fazendo-o se virar para ela. ― Você é apenas humano. ― Sussurra abrindo um sorriso, puxando-o de lado e o acolhendo em seus braços, como lhe foi pedido, enquanto agradecia mentalmente pela conversa sobre os dois ter sido tão tranquila e fácil como foi.
•§•
Três meses depois
A cada quinze dias Emma faltava o trabalho para levar Regina até o hospital para que o seu médico avaliasse a sua evolução da recuperação dos ossos na medula e mudasse seus remédios e as dosagens de acordo com as novas necessidades. Embora Henry e Cora tenham se mudado por tempo indeterminado para Chicago, para ficarem mais perto da única filha, Emma fez questão de ser responsável por cada cuidado com Regina nas horas que estivesse em casa. Dois meses atrás, após escutar os bons resultados, ser parabenizada pela ótima cicatrização dos ossos e ser liberada pelo médico para utilizar aparelhos de reabilitação, Regina não perdeu tempo em procurar uma fisioterapeuta para lhe ajudar na segunda etapa de sua recuperação. Após um mês intenso de exercícios para fortalecer a coluna e as pernas, Regina passou para as barras. Hoje estava sendo o seu primeiro dia.
― Você não pode agarrar a barra, apenas se apoiar nela, tudo bem? ― Gillian, a fisioterapeuta de Regina adverte e a morena assente, ansiosa demais. Ela esperava por aquele momento desde o segundo que recebeu a notícia que ficaria de molho na cama e na cadeira de rodas. Ao lado dela, Emma, Cora e Henry assistiam com expectativa a evolução da Sargento. Era certo que mais tarde teria uma pequena comemoração. Provavelmente na hora do almoço. ― Quando estiver pronta! ― A mulher diz gentil, afastando-se um pouco para que a paciente não se sentisse pressionada.
Respirando fundo, Regina segurou com força nas barras e se levantou de uma vez, assustando um pouco os telespectadores, que cruzaram os dedos e começaram a fazer uma prece. Reforçando a força em seus braços, Mills respirou fundo mais uma vez e se esforçou para movimentar a perna esquerda, a mais afetada pelo impacto do carro e do projétil em suas costas. Ao ver seu pé sair do lugar e mover alguns centímetros para frente, palmas e assovios foram ouvidos, seu sorriso cresceu e as lágrimas de felicidade banharam o seu rosto. Incapaz de se conter, com os verdes nublados, Emma corre ao seu encontro e lhe abraça apertado, feliz pela conquista da amiga.
― Você vai voltar a andar, Regina! ― Sussurra com animação, quase pulando de felicidade. Desde o dia que Regina saíra do hospital, “você vai voltar a andar” tem sido a frase mais repetida por Swan para Mills. Principalmente nos momentos em que batia uma tristeza profunda e Regina se sentia desacreditada e enchia-se de pensamentos pessimistas. Em todas as vezes, de dia e de noite e até de madrugada, a loira estava lá por ela e para ela, não só para cuidar, mas para lhe dar esperanças e repetir com convicção que ela ia voltar a andar. E a Sargento não estava errada, afinal.
― Obrigada por não ter desistido de mim. ― Mills sussurra emocionada.
― Nunca! ― Ela rebate rapidamente.
Então, movida pela alegria, Emma se afasta um pouco da amiga e beija seus lábios, pegando os presentes de surpresa, inclusive a própria, que ao perceber o que fez, com o coração aos pulos, arrastou rapidamente sua boca para a bochecha da morena, querendo concertar o erro. Quando se afastam, as duas se olham desconfiadas, principalmente Emma, que está vermelha de vergonha. Já Regina, com o coração aos pulos e com a mente cheia de possíveis motivos pelo que aconteceu, está segurando a vontade de abrir um sorriso por causa do mínimo contato, que já há bastante tempo não acontecia e ela sentia saudade.
Ao ver a cena, Cora e Henry se olham curiosos e desconfiados, mas não dizem nada, apenas se aproximam das duas para comemorarem também, fazendo Emma agradecer mentalmente por, com isso, terem quebrado o pequeno momento de tensão entre as duas.
Após alguns minutos de comemoração, Gillian sugere uma pausa para descanso e a Sargento concorda prontamente, voltando a se sentar na cadeira e enxugando o rosto teatralmente, como se tivesse suado bastante, causando gargalhadas nos presentes.
― Agora que eu passei para as barras, não vou mais precisar brincar com aquela bola, certo? Eu não a aguento mais. ― Regina desabafa fazendo uma careta engraçada, causando risadas em Emma e Gillian.
― Apesar de ter passado para as barras, os outros acessórios não serão esquecidos ainda. ― Ao escutar a resposta, Regina revira os olhos e balança a cabeça negativamente. Ela realmente não tinha gostado dos exercícios com as bolas. Eles só não eram piores do que passar o dia todo de molho na cama, sem poder se mexer direito. ― Mas eu tenho uma notícia que talvez você goste. ― Anuncia, conseguindo a atenção da morena e até dos outros. ― Com mais algumas sessões com a barra você vai poder treinar na piscina também.
― Olha aí! Essa sim é o tipo de informação que eu gosto de ouvir. ― Rebate bem-humorada, batendo palmas. ― Vou precisar comprar uns biquínis novos. ― Diz pensativa. ― Não lembro nem a última vez que tomei um banho de piscina. ― Acrescenta em tom de lamento, balançando a cabeça negativamente.
― Se tudo der certo, em um mês mais ou menos nós transferimos as sessões para as piscinas da clínica em que trabalho. ― Mills junta as mãos na altura do peito e fecha os olhos rapidamente, realmente agradecendo pela boa notícia que acabara de ouvir. ― Vamos continuar? ― A fisioterapeuta chama, levantando-se da poltrona em que sentara assim que começaram a conversar, e se aproximando da barra novamente.
― Claro! Agora que estou sabendo que vou tomar uns banhos de piscina não quero mais perder um segundo. ― Rebate brincalhona, segurando-se nas barras mais uma vez, e se preparando para dar os próximos passos.
Um pouco mais afastada e fora das atenções, estava Emma, com o olhar desfocado em direção à Regina e os outros, os dedos encostando disfarçadamente na boca e a mente perdida no momento anterior, quando seus lábios rapidamente tocaram os da morena. Sua pele se arrepia e seu coração se acelera com a mera lembrança.
•§•
Regina olhava atentamente para a TV, na espera de descobrir quem matou Max, um personagem de uma novela brasileira que fez muito sucesso, quando Emma, com uma bandeja em mãos, entra no quarto. As duas estavam sozinhas na casa. Cora e Henry tinham acabado de ir embora. Eles estavam, por própria escolha, instalados na casa de Emma. Ao perceber a presença da loira, Mills rapidamente alcança o controle ao seu lado e da pausa temendo perder alguma parte, mesmo que já tenha assistido a novela outras duas vezes e já soubesse de tudo, e se afasta um pouco para que Emma se sente ao seu lado.
― Você realmente gosta dessa novela, não é? ― Pergunta admirada, sentando-se no espaço livre e colocando a bandeja, que continha dois pratos e dois copos com suco, nas pernas estiradas de Regina. ― Um dia, quero gostar tanto de uma série como você gosta dessa novela. ― Comenta brincalhona, fazendo a morena rir. Então pega o seu prato na bandeja e se encosta no espelho da cama, ao lado de Regina.
― Como está o Departamento? ― Mills puxa assunto para evitar o silêncio. Desde o que acontecera de manhã, durante a sua fisioterapia, silêncios constrangedores e desconfortáveis têm sido comuns entre elas durante todo o dia, quando ficavam sozinhas. Emma não tinha comentado nada sobre o assunto e aparentemente não tinha intenção de fazer. E embora Regina quisesse muito falar sobre, ela iria respeitar a sua vontade.
― Está muito entediante sem o Graham, sem o Eric e sem você para me irritar em um momento ou outro. ― Responde tranquilamente, segurando a vontade de rir ao ver a expressão de indignação que a amiga fez por ter dito que ela lhe irritava.
― Irritar, é? ― Indaga, retirando a bandeja com seu prato de suas pernas e empurrando-a em cima da mesa de cabeceira, no processo, derrubando porta-retratos e o relógio. Em seguida, pega o prato de Emma também e coloca junto ao seu. ― Em que eu irrito você? ― Quis saber, semicerrando os olhos e colocando as mãos na cintura.
― Em tudo o que você faz. ― Responde, fazendo a expressão de indignação da outra aumentar ainda mais.
― Em tudo? ― Emma assente sorrindo. Então, num piscar de olhos, ela é pega de surpresa por uma Regina louca, derrubando-a na cama e se jogando por cima, enchendo-lhe de cócegas pela barriga. As gargalhadas gostosas das duas logo se espalham pela casa silenciosa e a cena podia facilmente trazer paz e alegria para quem visse, assim como estava trazendo para as duas. Já fazia bastante tempo que não tinham um momento descontraído como aquele.
― Regina! ― Ela grita entre gargalhadas, totalmente vermelha e respirando com dificuldade. ― Por favor, Regina! ― Implora, tentando segura-la, mas a amiga é muito mais forte e suas tentativas são quase em vão. ― Eu não aguento! ― Pede novamente e dessa vez é escutada. Regina para com as cócegas, mas se mantém em cima dela. Graças aos movimentos, seus rostos estão bem próximos, e pelos esforços feitos, suas respirações estão pesadas e se misturando. ― Eu estou sentindo muito a sua falta. ― Emma diz, um pouco mais calma, olhando fundo nos castanhos brilhantes. ― Trabalhar com Ruby é legal, mas nada se compara a você. Estou contado os dias para que volte. ― Confessa, causando um sorriso genuíno em Mills.
Elas permanecem se olhando intensamente por alguns segundos até que a atenção de Regina desce descaradamente para os lábios de Emma e, lembrando-se do pequeno ocorrido de mais cedo e incapaz de segurar a vontade, uni com os seus em um beijo suave. Todavia, o contato não dura muito, pois Emma vira o seu rosto e Mills beija sua bochecha.
― Você não acha que já está na hora de conversarmos sobre nós? ― Pergunta, não conseguindo mais segurar a vontade de tocar no assunto, que martelava em sua mente desde cedo, e o coração de Emma se acelera e até sua respiração, que já tinha voltado ao normal, é afetada, voltando a ficar densa.
A loira se arrasta para o lado e se afasta da amiga, sentando-se nos pés da cama, virada de costas para ela. Com os olhos fechados e a mão no coração, ela tenta, em vão, se acalmar.
― Do que você tem medo? ― Regina pergunta, tomando a iniciativa, sentando-se na cama, mas permanecendo com a mesma distância. ― Eu gosto de você, Emma, e sei que também gosta de mim. ― Afirma, deixando a Sargento mais nervosa com a declaração, e se arrasta um pouquinho mais para frente, ficando mais perto dela. ― Acho que minhas atitudes têm deixado claro o que sinto por você, assim como as suas têm deixado claro para mim. ― Acrescenta e Emma ameaça se virar, mas desiste, corrigindo sua postura e se mantendo na mesma posição. ― Eu te perdoei por tudo o que você me disse naquele dia e sei que também me perdoou pelos meus erros. ― Continua, diminuindo o tom de voz e a distância e aumentando o nervosismo da outra. ― Eu dispensei a Luz para ficar com você e sei que você também dispensou a Catherine por mim. ― Conta, surpreendendo a loira e deixando-a curiosa para saber como ela tinha aquela informação sobre ela e Cathe. ― Luz e ela estão tendo alguma coisa e a Luz me contou. ― Acrescenta, como se tivesse lido os seus pensamentos. ― Não sei nada quanto ao cara da bochecha rosada, mas sei que não gosta dele. ― Emma sorri brevemente ao ouvir a forma como Regina ainda chama Killian.
― Eu não precisei dispensá-lo, ele já sabia. ― Murmura, lembrando-se rapidamente de quando estava no Washington com o Bombeiro e ele lhe revelou saber de seus sentimentos pela morena.
― Ótimo! Ele é esperto. ― Rebate satisfeita, mas não só pelo que Emma lhe falou sobre Killian já saber, mas também, pelo seu comentário deixar subtendido a confirmação de tudo que afirmou, que aliás, nem precisava, ela já sabia. Emma sorri mais uma vez e balança a cabeça negativamente. ― Dispensamos potenciais interesses para relacionamento uma pela outra, nos machucamos algumas vezes, mas nos perdoamos, sentimos a mesma coisa uma pela outra, somos livres para fazermos o que quisermos... Do que você tem medo? ― Volta a perguntar, novamente se arrastando para frente mais um pouco. Por mais alguns centímetros e ela poderia toca-la.
Emma respira fundo e se remexe no lugar, buscando coragem para abrir o jogo e contar a verdade, mesmo que ainda não estivesse preparada. Já tinham começado aquela conversa e não tinha mais como voltar atrás, além de que, Regina realmente estava certa, já estava na hora de falarem sobre elas.
― Eu não tenho certeza dos seus reais sentimentos por mim e não quero ser só uma aventura para você. ― Fala de uma vez, com a respiração falha de tão nervosa. ― E também tenho medo do passado se repetir... ― Sussurra, referindo-se à como ficou quando tudo com Cathe aconteceu. Mesmo depois de tanto tempo, Emma ainda estava traumatizada para colocar seu coração na mão de alguém, embora a ferida causada pela ruiva já estivesse cicatrizada. Esse era o maior motivo pelo qual ela era tão relutante em se entregar para alguém. Até mesmo para Regina, que já conhecia tão bem.
― Você nunca foi só uma aventura para mim, Emma. ― Rebate rapidamente, com um tom quase de indignação. ― Eu sabia que não deveria ter te contando sobre todos os meus envolvimentos e como eles chegaram ao fim, se queria ter algo com você. Sabia que isso interferiria. ― Fala mais para si que para Emma, em um tom de arrependimento. E ela estava certa. Sabendo do histórico de partir corações que Regina tinha, depois do que lhe aconteceu no passado com Cathe, Swan não tinha confiança para lhe entregar o seu coração e alma também, como fez com o corpo. ― Nem mesmo quando eu ainda não percebia o que sentia, você foi só uma aventura para mim. ― Volta a falar, aproximando-se mais, e dessa vez, tocando seus ombros delicadamente. ― Você nunca foi e nunca será como qualquer mulher que eu me envolvi em toda a minha vida. ― Fala em seu ouvido, causando-lhe arrepios. ― O que eu sinto por você, eu nunca senti por ninguém. ― Então Emma se vira para ela, revelando seus olhos marejados e sua respiração pesada. ― Você lembra de quando fizemos amor pela primeira vez na festa de mamãe? ― Sussurra a pergunta e começa a acariciar seu rosto. A loira fecha os olhos para apreciar melhor o carinho e as lágrimas descem lentamente por sua bochecha. ― Eu quero fazer de novo. ― Swan abre os olhos imediatamente e os verdes se conectam com os castanhos de forma intensa. ― Faz amor comigo, Emma. ― Pede, fazendo a loira estremecer não só com o pedido, mas com o tom de voz rouco. ― Eu quero você como nunca quis alguém antes. ― Fala com sinceridade. ― Faz amor comigo. ― Pede mais uma vez, passando o polegar pelos lábios macios da loira e se aproximando lentamente, até que se tocam levemente. ― Se entrega para mim como eu quero me entregar para você. Vamos viver o que sentimos. ― Sussurra com as bocas coladas, molhadas pelas lágrimas de Emma. ― Eu não tenho a intenção de te decepcionar, de te magoar. Eu só tenho a intenção de te amar e dar o que você merece: Amor. ― Lentamente, Regina arrasta seus lábios nos dela, causando-lhe arrepios.
― Eu não quero machucar você. ― Swan sussurra preocupada, porém mantendo-se no lugar, com os lábios se arrastando devagar um no outro e com os dedos da morena roçando sua face ternamente.
― Você não vai me machucar. ― Garante, puxando seu lábio inferior e mordendo-o, causando um gemido baixo e rouco na outra. ― Além de já estar fazendo fisioterapia, há alguns minutos eu estava em cima de você, fazendo cócegas e nada aconteceu. Você não vai me machucar. ― Repete com convicção.
― Eu não quero estragar nossa amizade mais uma vez. ― Rebate, ainda relutante em se entregar. Era fato que quando fizesse isso, não teria mais volta. Seus olhos refletiam para Regina todo o seu medo.
― Isso não vai acontecer dessa vez. Eu prometo. ― Replica com firmeza, olhando fundo em seus verdes temerosos. ― Não... ― Sua fala é interrompida pelos lábios da amiga reivindicando os seus com ímpeto, em um beijo quente e apaixonado. A certeza na voz da amiga era o que Swan precisava para se entregar e não temer mais que o passado se repetisse.
As bocas se movem com agilidade uma sobre a outra e logo as línguas começam a fazer parte do ato, reivindicando seu espaço. Emma força o corpo de Regina para trás e antes de cair, a morena a puxa pelo braço, trazendo-a consigo. Elas voltam a se beijar com afinco, mas logo Swan se afasta para retirar a sua jaqueta e blusa e fazer o mesmo com Regina, que assim que tem as peças retiradas do corpo, pegando a loira de surpresa, empurra-a para o lado, derrubando-a na cama, e usando os braços, seus únicos apoiadores, fica por cima, assim invertendo suas posições e ficando no controle.
Emma solta um sorrisinho de surpresa pelo rápido movimento e a puxa violentamente para perto, atacando seus lábios com voracidade. Ela passou tantas noites sonhando com o dia que voltaria a beija-la que agora que estava fazendo, não queria perder um minuto sequer.
As bocas se separam num rompante e Regina logo desce para o seu pescoço, primeiro cheirando-o para matar a saudade de sentir o seu cheiro tão de perto, e depois atacando-o com mordidas, lambidas e chupadas, principalmente no ponto de pulso, causando gemidos roucos na loira, que se remexe debaixo dela.
Após alguns minutos de dedicação naquela região, que ficou completamente vermelha, bem do jeito que ela gostava de deixar, a Sargento desce mais um pouco, arrastando sua língua pela pele alva e arrepiada, e chega em seus seios, ainda cobertos por um sutiã preto que o deixava ainda mais atrativo. Com delicadeza, ela abre a peça, mas nem se dá o trabalho de retirá-la, pois logo o ataca com a boca e as mãos.
Com a ponta da língua, de forma torturante, Regina circula diversas vezes o bico rosado, até que ele fica rígido e ela o abocanha com vontade, chupando-o e mordendo-o levemente, matando sua saudade e fazendo Emma se contorcer embaixo. Empenhada em dá o melhor dos prazeres para Swan, enquanto sua boca trabalha avidamente em um seio, sua mão se encarrega de acariciar e apertar suavemente o outro.
Depois de alguns minutos em dedicação total à região, Regina beija seus lábios mais uma vez e faz seu caminho com a ponta da língua até sua barriga, parando em seu umbigo e brincando com a língua ao seu redor, causando mais gemidos e murmúrios desconexos.
Jogando-se para o lado e se sentando na cama, Mills se arrasta até perto das pernas da loira, retira sua calça jeans extremamente apertada, e com dificuldade por não poder ficar de pé ou mesmo de joelho, tira o seu short também. Ficando apenas com as peças íntimas e deixando Swan apenas com a peça de baixo, a Sargento se arrasta no colchão novamente até ficar no meio de suas pernas, e por cima do pequeno, fino e delicado pano preto que cobre o seu sexo, ela o toca delicadamente, soltando um longo gemido em seguida, ao constatar o quanto ela está molhada. Regina poderia gozar só em senti-la daquele jeito.
A morena tortura Emma por alguns minutos, ameaçando ultrapassar a calcinha, mas logo voltando a apenas acariciar toda a sua vagina, até que Swan, não aguentando mais a brincadeira, coloca seu pé em sua barriga, empurra-a para trás, fazendo-a cair na cama, e engatinha rapidamente para cima dela, reivindicando sua boca em um beijo sedento e quente, e apertando seus seios por debaixo do sutiã, que logo é retirado e jogado para longe. Deleitando-se com o prazer das mordidas e chupadas em seus lábios e das mãos habilidosas em seus peitos, Regina perde completamente a posição de controle, ficando embaixo, à mercê das vontades de Swan.
Uma vez no comando, Emma não perde tempo em retirar sua calcinha e cair sedenta em seu sexo tão molhado quanto o seu. Regina solta um gemido em surpresa pelo repentino contato, mas logo começa a se esforçar para tentar movimentar seus quadris em sua direção, em busca de mais prazer. Em todas as vezes que transaram, apenas uma vez Emma tinha feito sexo oral e a morena já nem lembrava mais como era maravilhoso tê-la no meio de suas pernas, penetrando-lhe com língua e dedos e lhe chupando tão avidamente como estava fazendo agora. Ela estava no paraíso. Definitivamente!
De repente, Emma direciona seu olhar para Regina, mas uma coisa na pele da morena, bem no seu monte de vênus chama a sua atenção, forçando-a a parar tudo que fazia. Era a tatuagem que Regina fez com Jefferson quando viajaram para Detroit, antes de tudo acontecer.
A tatuagem era uma simples pimentinha e uma palavra, escrita em uma fonte linda e delicada.
― Sua? ― Emma lê, olhando confusa para Mills, que solta um sorrisinho. ― Quando fez isso? ― Pergunta, passando o dedo indicador por cima.
― Quando viajamos para Detroit. Era uma surpresa para você. ― Emma balança a cabeça, assentindo, e volta a acariciar a tatuagem.
― Minha? ― Pergunta em um dublo sentido, arqueando a sobrancelha e lhe lançando um olhar safado. Regina sorri. Era exatamente o tipo de pergunta que ela esperava ser feita quando Emma a visse algum dia.
― Sua! ― Responde prontamente, em um tom sensual, piscando um olho e fazendo a loira abrir um sorriso malicioso.
― Minha! ― Sussurra. Buscando uma posição melhor e mais confortável, Swan se deita na cama, coloca as pernas da outra em cima do seu ombro e volta a se dedicar ao que fazia, dessa vez, com uma mão separando os grandes lábios, o dedo indicador provocando seu ponto sensível e com a língua lhe penetrando o mais fundo que podia. Regina perguntaria onde Emma aprendeu tudo aquilo se não estivesse tão fora de si com o trabalho maravilhoso que ela fazia em sua intimidade.
Enlouquecida de prazer, Mills segura sua cabeça, empurra-a mais em direção ao seu sexo e se esforça mais para mover seus quadris em busca de mais contato com sua boca e língua. Vendo que a Sargento já estava perto de seu ápice, Emma para com a língua em seu sexo, logo frustrando Regina, deita-se por cima dela, beija seus seios e sobe para os lábios, unindo-os em um beijo carinhoso e lento, ao mesmo tempo que leva seus dedos ao seu sexo e a penetra. Na medida que a Sargento vai aprofundando seus dedos e aumentando a velocidade, o beijo é interrompido e os gemidos de Mills vão se tornando mais frequentes e altos em seu ouvido.
Então, prestes a gozar mais uma vez, Regina retoma o comando a derrubando na cama, exatamente como fez antes, com o apoio dos braços se arrasta para baixo, rasga a única peça que ainda restava em seu corpo, a calcinha preta, e a penetra ao mesmo tempo em que chupa seus grandes lábios e clitóris com afinco. Completamente sensível, Emma se contrai de prazer e tenta fechar as pernas, mas Regina passa seus braços por suas coxas e a força a ficar aberta. Enquanto seus dedos são empurrados rapidamente para dentro, sua língua brinca por algum tempo com o seu ponto de prazer, mas logo volta a lambê-la e chupá-la com empenho, fazendo a Sargento se contorcer e se agarrar ao lençol.
Sentindo o sexo da loira se contrair, Regina se afasta do meio de suas coxas com a intenção de se deitar por cima dela e unir suas intimidades para que pudessem chegar ao orgasmo juntas, mesmo que o maior trabalho fosse de Emma, já que ela não poderia movimentar suas pernas e quadris como gostaria, mas Emma é mais rápida em se levantar, sentar-se no meio de suas pernas com uma por cima e outra por baixo, e unir as intimidades. Quando os sexos se tocam, as duas se olham intensamente e se beijam. Então, enquanto os lábios se provam mais uma vez, lentamente, Emma começa a rebolar em Regina, causando um atrito gostoso em seus sexos e gemidos abafados pelo beijo.
Os corpos começam a suar, os batimentos cardíacos começam a subir, a excitação toma o controle dos corpos que logo entram em ebulição, o frenesi entre os sexos aumenta, as unhas deixam suas marcas nas peles, e em meio à gemidos e palavras desconexas, o orgasmo atinge primeiro Regina, que não consegue se manter sentada e se solta de Emma e desaba na cama, e depois Swan, que cai por cima de seu corpo suado, abraça-lhe apertado e continua a movimentar seus quadris contra a perna da morena entre as suas. Em menor velocidade por causa de sua limitação atual, Regina lhe acompanha, também esfregando sua intimidade na coxa de Swan, e minutos depois um novo orgasmo as atinge. Os lábios se unem em um beijo voluptuoso e ardente, mas logo o contato se torna apaixonado e suave, com movimentos lentos e delicados.
Encerrando o contato com vários beijos rápidos, Emma sai de cima de Regina, e com o corpo mole se joga do outro lado da cama, no processo, puxando Mills consigo e abrigando-a em seu peito nu e suado. Seus dedos logo encontram os cabelos negros para se entreterem e Mills fecha os olhos.
A tranquilidade e o silêncio reinam entre as mulheres por alguns minutos até Regina levantar a cabeça e encostar seus lábios de forma demorada e carinhosa nos da loira.
― Obrigada por ter estado sempre ao meu lado, mesmo quando eu não merecia, mesmo quando eu fiz escolhas erradas, mesmo quando te decepcionei, mesmo quando não ouvi seus conselhos... ― Murmura emocionada, olhando fundo em seus verdes e lhe acariciando o rosto. ― Obrigada por ter me aturado em todos os meus momentos, principalmente naqueles em que nem eu mesmo me aguentava. ― Acrescenta bem-humorada e as duas sorriem. ― Obrigada! ― Repete, beijando seus lábios mais uma vez.
Quando as bocas se separam, Emma segura a mão que lhe acariciava o rosto e a beija ternamente.
― Como eu disse à você no hospital quando acordou: Eu sempre estarei ao seu lado, não importa o que aconteça, nem o que você faça. ― Relembra, fazendo as lágrimas que estavam presas nos castanhos caírem timidamente pela face da dona. ― Sempre! ― Repete em um sussurro e beija sua mão mais uma vez. ― Eu não vou te apoiar quando errar, mas ainda assim, vou estar ao seu lado. ― Garante. Regina sorri para ela e as duas se beijam mais uma vez.
Entre beijos, sorrisos e carinhos, as mulheres começam a rolar na cama mais uma vez. A noite só estava começando.
I'll stand by you ― Eu estarei com você
I'll stand by you ― Eu estarei com você
Won't let nobody hurt you ― Não deixarei ninguém te machucar
I'll stand by you ― Eu estarei com você
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