Always Be Your Girl
33 Cap 32
Notas iniciais
Henry foi levado pro hospital mais próximo do local do acidente, por coincidência ou destino o mesmo onde Regina trabalhava, mas era dia de folga da morena. Ele havia perdido muito sangue e parecia ter uma das pernas quebradas, a fratura não era exposta, mas era bem complicada e seria necessário uma cirurgia às pressas. As enfermeiras que prestavam o socorro se lembraram de seu rosto, de alguns meses atrás quando havia feito uma cirurgia. Não podiam acreditam que aquele pequeno estava ali novamente e em estado tão deplorável. Usava trapos no lugar das roupas e estava muito sujo. Ao fazer os procedimentos mais um espanto, o menino apresentava várias marcas roxas pelo corpo e alguns cortes feios. Parecia ter apanhado recentemente.
A sala de cirurgia foi preparada e o médico de plantão tinha a difícil tarefa de salvar aquela vida. Os responsáveis legais pelo hospital entraram em contato com o orfanato, pois era a única referência de contato que se lembravam do menino. Tiveram a notícia de que ele tinha sido adotado e passava por um período de teste na nova casa, a diretora ficou assustada ao receber a notícia do estado do garoto e disse que mandaria a assistente social que cuidava do caso até lá.
Ruby estava em seu escritório cuidando de outros casos quando o telefone tocou e sentiu as pernas amolecerem ao receber a notícia do acidente. Correu até o hospital e la foi informada do estado do menino. Ao ouvir todas as afirmações feitas por algumas enfermeiras que o receberam ela sentia seu estomago se revirar. Suas suspeitas haviam se confirmado, ele sofria maus tratos. Não podia ficar de braços cruzados esperando notícias do menino sem fazer nada. Precisava dar um jeito de prender aquele casal.
Ela tinha alguns contatos na polícia e assim fez, ligou para um deles e contou tudo que estava acontecendo durante aquele período, sobre as visitas e tudo que achava de estranho no comportamento do menino. Ao contar que estava no hospital devido ao acidente envolvendo Henry o policial pediu sigilo e discrição. Ele logo chegaria lá e teriam que esperar o menino acordar pra colher o depoimento. Caso as suspeitas fossem confirmadas pelo garoto, Ruby jurou que viraria céus e terras até prender os dois.
As horas passavam e a cirurgia ainda era feita, Ruby e o policial conversavam com as enfermeiras tentando obter o maior número de informações sobre como o menino chegou ali. Elas mostraram os trapos que ele vestia e este foi recolhido como prova da provável vida que ele levava.
Ruby estava nervosa e sentia o sangue ferver nas veias ao pensar no que aquela criança tinha passado durante os últimos meses, agora tudo se encaixava, tudo começava a fazer sentido. Ligou pra sua amiga e parceira Tinker e lhe contou tudo até aquele momento, a loira ficou horrorizada e disse que incluiria essas informações no laudo do menino, e que estaria lá quando o menino acordasse, pois sabia que ele precisaria de acompanhamento psicológico.
—
A cirurgia foi um sucesso e o menino estava fora de perigo. Os médicos que participaram da cirurgia deram a notícia as mulheres que esperavam ansiosas no corredor do hospital, mas Henry precisava descansar, estava sedado. Ele tinha perdido muito sangue e estava muito fraco, na verdade ele estava desnutrido. Os médicos acharam um milagre ele ter quebrado apenas uma perna, estava muito magro e seus ossos estavam bem aparentes. Confirmaram os machucados em seu corpo, e deram todos os detalhes do estado de saúde dele para a polícia. Tudo seria anexado ao inquérito.
Tinker precisava ir embora, pois tinha algumas coisas pra resolver, Ruby se prontificou em passar a noite ali caso precisassem de algo. O policial também foi embora, pedindo pra ser avisado quando o menino já pudesse falar.
Ruby sentia muita pena do pequeno, e sabia que ele ficaria bem, era só questão de tempo. Estava sentada sozinha no corredor do hospital, mexendo em seu celular, quando se lembrou de Emma e Regina, elas ficariam devastadas se vissem Henry naquele estado. Achou melhor não falar nada até que a polícia investigasse tudo. Ruby apenas não contava com o fato de Regina trabalhar ali e ser uma das mais respeitadas médicas daquele hospital, o dia seguinte chegaria e ela com toda certeza ficaria sabendo do menino acidentado.
Na manhã seguinte Regina chegou ao hospital tranquila, andava pelos corredores indo para sua ala quando viu a conhecida sentada praticamente dormindo em um dos bancos. Sentiu seu coração se apertar, mas deveria ser algo pessoal. Se aproximou com calma e a chamou.
— Ruby?
— Regina? – a morena se assustou ao ver Regina parada em sua frente – O que faz aqui?
— Eu trabalho aqui – rindo – E você? Está bem?
— Sim eu estou bem – se levantando – não sabia que trabalhava nesse hospital.
— Trabalho aqui já tem algum tempo, mas o que aconteceu? Algum familiar?
— Sim – tentando mudar de assunto – Sabe onde fica a cantina, preciso comer algo.
— Fica por ali – apontando a direção e achando aquilo muito esquisito
— Obrigada, eu vou la comer alguma coisa e já volto – sorrindo sem graça
— Tudo bem, qualquer coisa me procure.
Ruby saiu às pressas, como esconderia o menino de Regina se ela tinha acesso a tudo ali dentro? Ela sabia que a mulher o encontraria e daria trabalho ao ver ele naquele estado. Ela tinha que contar a Regina, mas sabia que se tratava de um caso grave de maus tratos, precisava pensar. Precisava de sua parceira. Discou o número de Tinker e ela logo atendeu, quando lhe contou o que estava acontecendo a loira entendeu que precisava correr. Tinha que dar total apoio naquele momento.
Regina não entendeu muito bem aquele comportamento da assistente social, mas achou melhor não comentar nada. Tinha sua agenda cheia na parte da manhã e passaria a maior parte do tempo ocupada com suas consultas, as visitas aos pacientes do hospital ficaria pra mais tarde. Foi na direção do seu consultório, sem saber que seu filho estava ali em um dos quartos, e o pior, em um estado que quebraria seu coração.
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