Always Be Your Girl
32 Cap 31
Notas iniciais
Era madrugada, Henry acordou assustado. Acabava de ter mais um pesadelo, ao ver onde ainda estava viu que seu pesadelo era real. O quarto onde estava dormindo era o mesmo que ficava na maior parte do tempo, num canto viu um pequeno rato roendo algumas sobras de pão velho. Estava frio, mas precisava por em pratica seu plano de fuga. Levantou-se com cuidado pra não fazer nenhum barulho. A janela continuava destrancada e por sorte conseguiria fugir dali naquela noite. Abriu a janela com cuidado e nenhum barulho. Sentia seu coraçãozinho acelerar com a adrenalina da fuga. Olhou em volta e viu que realmente estava sozinho no cômodo.
Subiu com cuidado na janela e pulou pra fora. Ao cair na grama sentiu suas pernas doerem um pouco, estava fraco demais e tinha muitos machucados pelo corpo, se levantou com pressa e começou a correr como nunca antes tinha corrido. Não tinha um rumo certo, apenas corria, corria o mais rápido que podia e conseguia. Aquela vida no inferno ficava pra trás.
Henry correu até sentir suas frágeis pernas doerem pra valer, estava suado e ofegante. Parou em um lugar que parecia ser um parque. Ali teve a sensação de liberdade e de que estava fora de perigo. Se sentou em um dos bancos que tinha por ali e tentou recuperar o folego. Não fazia ideia de que lugar da cidade era aquele. Quando o ar já tinha voltado aos pulmões e respirava normalmente, sentiu o cansaço bater em seu corpo. Era madrugada e o dia já estava pra amanhecer. Deitou no banco e se permitiu dormir, ali naquele parque, ao relento, teve seu primeiro sono tranquilo depois de dias trancado no inferno.
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O dia amanheceu rapidamente e Henry ainda dormia no banco do parque. Foi acordado pelos raios de sol batendo em seu rosto, ao ver onde realmente estava sentiu alivio. Não tinha sido um sonho. Sentiu seu estomago reclamar de fome e achou melhor sair dali, precisava continuar sua fuga. Levantou e ficou tentando se lembrar de que lado tinha vindo, não queria correr o risco de voltar pra perto daquela casa. Seguiu seus instintos e saiu andando sem rumo na direção oposta.
Na casa a “mãe” acordou e foi levar o pão de sempre para as crianças, quando se aproximou de onde Henry ficava teve um susto, ele não estava mais ali. A janela estava aberta.
— AQUELE INFELIZ FUGIU – gritou espumando de raiva
O pai apareceu rapidamente no cômodo e junto a mulher praguejavam maldições contra o pequeno menino. Jurava ameaças de morte, falavam que assim que colocassem as mãos nele novamente ele seria vendido no mercado negro e teria todos seus órgãos espalhados por varias partes do mundo. Eles teriam que procurar sozinhos, não podia pedir ajuda da policia, pois não eram boas pessoas, e se caso a policia encontrasse o menino, ele daria com a língua nos dentes e contaria tudo de seu cativeiro. Precisavam pensar e procurar pela vizinhança, acreditavam que no seu estado ele não iria muito longe.
Para felicidade de Henry e infelicidade dos “pais” ele estava longe, tinha corrido muito e se afastou bastante da vizinhança deles. Ele andava tranquilamente pelas ruas, tentando se localizar, eram lugares que não tinha visto ainda, mas um lugar muito bonito. Cheio de casas grandes e lojas bem arrumadas. A única coisa que não se acalmava era seu estomago que a cada minuto roncava mais um pouco. Também sentia sede.
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Os dias se passavam rapidamente, os pais continuavam procurando e nada de encontrar o menino. Já não sabiam mais onde o procurar, parecia que a terra tinha aberto um buraco e ele tinha sido tragado pelo chão.
Henry tinha achado pouso sob uma ponte em um parque. Ali ele dormia e tinha água fresca pra beber, algumas pessoas que andavam pelo parque as vezes tinham pena do menino e lhe davam alguma coisa pra comer e isso lhe deixava bastante feliz. Mas o que ele realmente queria, era encontrar o caminho para o orfanato e contar tudo que tinha acontecido com ele, queria também rever Emma e Regina, sentia muita falta delas.
Algumas vezes no parque, ele via policiais e se escondia. Tinha medo de ser pego, de acharem que ele era um bandido. Em sua cabecinha de crianças nem imaginava que os policiais poderiam lhe ajudar. Já não fazia mais ideia de tempo e nem de quantos dias estava sozinho nas ruas.
Aproximava-se o dia da próxima visita ao menino, e os pais continuavam a procurar. O que falariam pra assistente social e pra psicóloga quando elas aparecessem? Eles se viam bem encrencados. A cada dia que se aproximava a visita, nada do menino. Estavam cogitando a ideia de fuga da cidade, caso não o encontrassem a tempo.
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— Ruby você viu que o pedido de exames do Henry voltou? – Tinker falava com o envelope nas mãos
— Estranho, porque não foi entregue?
— Esta escrita no envelope que houve três tentativas de entrega e não tinha ninguém na casa.
— Muito estranho isso, vamos até la investigar? – sugeria a morena
— Só se for agora.
As duas entraram no carro e foram até a casa onde realizavam as entrevistas. Ao chegarem la ninguém as atendia, aquilo estava ficando muito estranho. Viram uma senhora saindo da casa ao lado e resolveram lhe perguntar onde estariam os vizinhos.
— Bom dia senhora, a senhora sabe onde estão as pessoas dessa casa? – Tinker perguntava
— Bom dia, que eu saiba não mora ninguém ai a muito tempo moça. Só as vezes vem um casal com um menino e depois de algumas horas vão embora
— Interessante, muito obrigada..
As duas estavam começando a se perguntar, onde Henry realmente viveria com aquele casal. Será que só apareciam ali para as visitas? A ultima visita se aproximava e logo descobririam o que realmente estava acontecendo. Acharam melhor avisar aquilo no orfanato e foi o que fizeram, la elas olharam o endereço do casal e batia com a casa onde sempre iam. Resolveram ligar no telefone de contato que eles haviam passado.
O telefone chamava e logo a mulher atendeu de forma rude.
— Alô – parecia gritar
— Olá sou Ruby, a assistente social que cuida do Henry , tudo bem?
— Tudo , o que você quer? – a voz da mulher era estranha e parecia sem paciência
— Acontece que nós encaminhamos pra vocês alguns pedidos de exames de praxe que sempre realizamos com as crianças, pra verificar o bem estar dela antes da visita final, e os pedidos de exames retornarem por não ter ninguém em casa. Fui pessoalmente levar, mas não encontrei ninguém. Gostaria de saber se estão viajando, se vão voltar a tempo da ultima visita.
— Não é do seu interesse se estamos viajando ou não, e quanto a exames eu não sabia que tinha que fazer nada não. – a voz da mulher parecia se alterar mais a cada minuto
— Bom, os exames são uma exigência pra saber se o menino é bem cuidado, mas não importa no dia da visita nós levamos ele pra fazer...
— Olha Ruby, no dia da visita você faz o que tiver que fazer, agora to sem tempo pra bater papo – batendo o telefone na cara dela
Ruby ficou olhando o telefone sem entender o que tinha acontecido, agora mais do que nunca ela tinha certeza que algo acontecia naquela casa ou em qualquer outra que eles estivessem. Ela teria que descobrir o que estava acontecendo. Faltava 1 semana pra ultima visita, teria que estar preparada.
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Henry estava sentado no parque vendo algumas crianças correndo e brincando, ficava de longe assistindo e se lembrando do dia que tinha passado ao lado das duas mulheres que tanto amava. Estava distraído quando sentiu um chute de leve em suas costas.
— Quem é você? – falava um homem mal vestido lhe cutucando
— Sou Henry e você?
— É você que esta dormindo embaixo da ponte?
— Sim... – estava ficando com medo, se levantou encarando o mendigo que lhe interrogava
— Esse parque é meu ponto, acho melhor você dar o fora daqui antes que eu te de uma surra
— Eu não sabia que um parque desse tamanho tinha um dono, se você se incomoda com a minha presença , pode ir pra outro parque, porque eu to aqui faz tempo
— Moleque atrevido – indo pra cima dele
Henry começou a correr enquanto o homem corria atrás dele tentando lhe alcançar, ele tinha medo e corria com todas as forças que conseguia. Em sua cabeça tinha pavor de apanhar mais uma vez, tinha se livrado de um inferno e não queria voltar a apanhar tão cedo. Estava correndo rapidamente e as vezes olhava pra trás tentando ver o homem que lhe seguia. Sua corrida foi interrompida e logo não viu mais nada.
Ao correr não percebeu que já tinha alcançado a rua, e um carro que vinha por ali o atingiu o jogando para o alto. Estava caído no meio da avenida, sem consciência e sangrando.
A multidão começou a se formar em volta dele e o homem que o seguia fugiu assim que viu o acidente. Algumas pessoas que passavam por ali estavam apavoradas ao ver um menino tão pequeno caído quase morto no meio da rua. Logo uma ambulância apareceu e o levou.
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