Always Be Your Girl
28 Cap 27
Notas iniciais
Aos poucos a nova casa se transformava em um verdadeiro lar, Regina tinha decorado tudo de seu modo e a casa tinha um ar de casa do campo. Muitas plantas e flores no jardim e a decoração interna era simples, mas de muito bom gosto. A casa tinha o aroma de maçã e canela, e um pequeno gatinho curioso explorava todos os cômodos, procurando o melhor lugar para dormir preguiçosamente. Os antigos apartamentos voltaram aos seus respectivos donos, agora tinham sua própria casa, um lugar delas, um lugar onde viveriam pra sempre em família.
Todos os dias quando chegava em casa, as duas iam até o quarto preparado para o menino e ficavam ali imaginando como seria, as vezes riam pensando no pequeno correndo pelo quarto se recusando a fazer o dever ou até mesmo tomar banho. Criavam diálogos e situações imaginarias que alimentavam seus corações angustiados. Ainda faltava algum tempo até a resposta final, se teriam ou não Henry. A cada dia a angustia e a ansiedade aumentavam.
Era um dia como outro qualquer e Emma estava concentrada em seu trabalho, revisando o material para a próxima revista, se sentia um pouco tensa e a cabeça começava a doer. Desde o dia que soube da adoção de Henry, o estresse tinha dobrado, as noites eram de insônia. Mesmo dormindo todas as noites nos braços de sua morena, se sentia nervosa e ansiosa. Sabia que isso se refletiria no seu corpo. Regina sempre lhe pedia pra ter calma e pra tentar não pensar tanto negativamente, pra pensar apenas com carinho e que Henry seria delas. Mas Emma sentia que aquilo era mais complicado do que parecia, sentia que algo não estava indo bem. Só não sabia o que.
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Henry estava dormindo em um canto de um dos cômodos da fétida casa, o chão estava forrado com algumas caixas de papelão e o pequeno menino se encolhia de medo e frio. O chão sujo e frio tinha se tornado sua cama, suas roupas estavam sujas e não fazia ideia de quando comeria algo decente de novo. As vezes preferia dormir, do que passar o dia se lembrando do inferno onde morava. Em seu frágil rosto, as lagrimas já tinham marcado o caminho e ali se faziam constantes, as vezes chorava involuntariamente dormindo. As outras crianças já acostumadas com essa vida, nem choravam mais. Apenas “trabalhavam” tentando apanhar menos.
Desde que fora levado pelo casal, Henry não tinha ido mais a escola e perdeu completamente o contato com o mundo exterior. Só saiu dali no dia da primeira entrevista, estava um pouco alheio ao tempo e tinha muito medo de falar algo e ser castigado. Seu corpo era cheio de hematomas, apanhava em lugares estratégicos, fora da vista de curiosos.
Regina e Emma decidiram ir até o orfanato tentar obter alguma notícia do pequeno, a diretora disse que também não tinha nenhuma notícia, que apenas as assistentes sociais e psicólogas que tinham contato com o garoto e que até o final do terceiro mês, elas não poderiam dizer nada a “estranhos”, para não atrapalhar o processo de adoção. Elas insistiram e a única coisa que conseguiram saber, foi que Henry estava bem. Mas o coração das duas não aceitava aquilo, elas sentiam que ele não estava bem.
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Os dias iam se passando, os preparativos pro casamento estavam a todo vapor, Henry já tinha sido entrevistado pela segunda vez e de novo demonstrou estar ótimo. Tentava sorrir e falava coisas mecanicamente, como se tivesse ensaiado. Os “pais” esperavam do lado de fora, e demonstravam ser carinhosos na frente das mulheres. Tinham os planos de assim que a guarda fosse deles, iriam embora para outra cidade em busca de mais uma criança. Já as entrevistadoras notavam que o comportamento do menino não parecia ser normal pra uma criança de 6 anos, pareciam que as frases que dizia eram ensaiadas, anotavam tudo, desde o que era dito, até mesmo os movimentos que ele fazia. Repararam também que o menino vestia as mesmas roupas da entrevista anterior e parecia estar um pouco mais magro. Com relação a não ir na escola, o menino, em frases ensaiadas falava que os novos pais preferiam ensinar em casa, pra ficarem mais tempo juntos. Viam que o menino não se sentia muito familiarizado com aquele ambiente, que olhava as coisas ao redor tentando se encontrar. Afinal aquela ali não era sua verdadeira casa.
Após a entrevista as mulheres saíram deixando a “família feliz” para trás, sentiam que aquilo não era um lar convencional, mas nada fariam por enquanto.
— Ruby, percebeu o mesmo que eu? – Tinker falava colocando o cinto de segurança
— Sim – ligando o carro – Perca de peso, mesmas roupas, falas ensaiadas, desconforto com a nossa presença...
— E aquela de aprender em casa não me convenceu não – a loira falava olhando suas anotações
— Nem a mim, mas sabe que não podemos fazer nada por enquanto. Temos que anexar tudo que observamos aos arquivos do menino, dependendo de como for a última entrevista o pedido de adoção é negado.
— Pelo que sei, já existe um outro casal interessado na guarda do Henry – olhando alguns papeis – Emma Swan jornalista conceituada e editora chefe de uma grande revista de circulação mundial e .... – olhando mais um pouco – Regina Mills, cardiologista e cirurgiã geral em um dos maiores hospitais da cidade.
— Bom, por enquanto vamos esperar – falava a assistente social – na próxima visita vou pedir que o menino seja examinado, alegando sua perda de peso, e também fazer parte do processo. Se existir algo errado nessa história a gente vai descobrir.
— O bem estar do menino tem que ser prioridade. Não podemos falar pra ele também que esse outro casal quer adota-lo pois pode reverter tudo.
— Poderíamos marcar algum dia com.... – tentando lembrar os nomes — Regina e Emma e conhecer um pouco mais sobre elas e o porquê do interesse no menino, afinal elas também querem a guarda dele e se ele não ficar com essa atual família, vai passar por esse processo todo mais uma vez.
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Quando as duas saíram por um lado da rua, os “maravilhosos” pais praticamente jogaram Henry dentro do carro e seguiram para a verdadeira casa. O menino estava quieto e sabia que qualquer coisa era motivo de apanhar. O casal ria atoa já fazendo planos pro futuro do menino.
— Se esse moleque não der um dinheiro bom com os roubos ele pode dar algum dinheiro com os órgãos dele – falava o pai
— Sim, muitas pessoas pagam uma fortuna por rins novinhos em folha – rindo – Até que ele vai dar um bom dinheiro, de uma forma ou de outra.
Aquelas palavras deixavam Henry horrorizado, sentia um frio percorrer toda sua espinha. Silenciosamente ele orava pedindo ajuda e proteção, precisava dar um jeito de fugir daquele inferno.
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