Notas iniciais
Oi !! Mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem e não me xinguem mentalmente OK? Boa leitura

Regina estava saindo do hospital quando viu o carro de Emma estacionado do outro lado da rua, achou aquilo estranho, afinal a loira nunca ia ali, geralmente se encontravam na academia. Foi até ao carro e entrou já curiosa.

— A que devo a honra dessa surpresa? – lhe dando um selinho

— Deu vontade de te ver – seu semblante era triste e isso era perceptível

— O que você tem Emma? – estava ficando preocupada- O que aconteceu no orfanato?

— Podemos ir até sua casa? – ligando o carro

— Sim, mas o que está acontecendo?

— Lá nós conversamos – saindo com o carro em direção ao apartamento de Regina

Regina já sentia o medo tomar conta de seu corpo e ver Emma seria daquele jeito a deixava cada segundo mais tensa, entraram no apartamento e se sentaram lado a lado no sofá. Emma parecia tomar folego, tomar coragem para iniciar aquela conversa.

— O que está acontecendo amor? – Regina perguntava aflita

— Regina, eu não sei como te falar – não a encarava, ficava olhando um ponto fixo no chão enquanto esfregava suas mãos nas pernas

— Você está me assustando? Como foi no orfanato? Deu tudo certo né?

— Não, não deu nada certo – a olhando com os olhos já se enchendo

— Como não? A documentação não estava certa? – Regina já começava a chorar também

— Não foi nada com a documentação, aliás, estava tudo correto, temos os melhores advogados do nosso lado.

— Então o que foi?

— Regina... – segurando suas mãos – o Henry foi adotado... – falando de uma vez

— Como? – dando um grito de desespero

— Você se lembra que a diretora do orfanato te falou que tinha um casal interessado nele?

— Sim – chorando

— Então, ele foi embora ontem com esse casal – tentava manter a calma enquanto chorava também

— E agora Emma? Como vamos ficar sem o nosso menino? – Regina levava as mãos ao rosto enquanto chorava

— Nós ainda temos uma chance – chamando sua atenção

— Qual? – a olhando surpresa

— A guarda dele ainda não é definitiva, ele ficará 3 meses nesse lar e passara por psicólogo e assistente social. Se ele gostar do casal ele fica com eles, mas se virem que pode ter algo de errado, ele volta pro sistema e nós temos uma chance.

— Só nos resta torcer pra que ele volte e seja nosso... Emma eu não me vejo mais sem ele. Ele já é nosso filho – colocando a mão no peito – eu sinto que ele é meu filho aqui amor – chorando

— Eu também sinto, mas nós temos que ter fé e esperar. – tentando lhe confortar – Acho melhor nós aproveitarmos esse tempo que vamos ter e começar a organizar nossa vida.

— Como?

— Podemos procurar uma casa pra nós duas, uma casa maior onde vamos construir nossa família. O que acha?

— Eu acho maravilhoso – a abraçando – Emma eu não sei o que seria de mim sem você. Obrigada por estar na minha vida e por me amar.

— Não tem o que agradecer minha menina, eu te amo muito e quero que a nossa família seja muito feliz – lhe fazendo carinho nos cabelos durante o abraço – Só te peço fé e paciência, e nós vamos resolver tudo isso juntas.

Os dias pareciam se arrastar, Emma e Regina começaram a visitar várias casas, algumas chamavam a atenção pelo tamanho e o conforto, Regina pensava em algo menor e mais simples, mas Emma queria espaço, queria uma casa grande onde poderiam criar seus futuros filhos. Começaram também a planejar o casamento, queriam que tudo fosse perfeito e clássico. Não tinham pressa, alias a única coisa que tinham pressa no momento era a espera pelo final dos três meses.

Acabaram escolhendo uma casa grande e cheia de quartos, a sala era ampla e tinha uma escadaria que levava ao piso superior. Toda branca e com detalhes em madeira. Quando visitaram a casa pela primeira vez sentiram uma sensação boa, como se algo ali prendesse elas. Se sentiam em um lar, sabiam que ali seriam felizes em família. Tanto que foi a última casa visitada, logo fecharam o negócio e a casa foi comprada.

Antes de se mudarem fizeram uma pequena reforma, trocaram papeis de parede antigos e refizeram algumas pinturas. Nada muito grandioso, apenas algo mais aconchegante. A casa ficava um pouco afastada da loucura de Nova York, era uma bairro mais residencial e com poucos comércios em volta. Tinha uma escola por perto e muitas famílias morando por ali. Parecia ser um lugar bem tranquilo pra se criar uma criança. Ficava um pouco longe do hospital e da editora, mas isso não era problema algum. O que mais importava era a felicidade delas. A cada dia que passava se sentiam mais felizes e com mais esperança, o tempo estava passando e logo saberiam se Henry ficaria com a atual família ou voltaria ao sistema.

As duas chegaram à conclusão que se tudo desse certo e Henry fosse adotado por elas, teriam que fazer algumas mudanças em suas rotinas. Precisariam de mais tempo pra se dedicar ao menino e a família. Suas profissões exigiam muito de ambas, e teriam que aprender a lidar com isso de outra forma, a pôr em primeiro lugar o que era mais importante. Elas nem pensavam na hipótese do menino não ficar com elas, em seus corações ele já era filho delas. Tudo que pensavam, tudo que escolhiam, incluíam o pequeno.

Um pouco por impulso, montaram o quarto de Henry na nova casa. Pintaram de azul marinho e branco e decoraram com papel de parede de aviões. Compraram os moveis e até algumas roupas e já encheram os armários. Sem avisar Regina, Emma voltou a loja onde tinham ido comprar o primeiro presente e comprou o pequeno avião de madeira que tinha visto. Foi uma das primeiras coisas compradas na decoração do quarto.

Aos poucos a casa ia tomando os ares de um verdadeiro lar, fizeram suas mudanças num final de semana com a ajuda dos pais de Emma que tinham ido somente para aquilo. Quando souberam da possibilidades de se tornarem avos ficaram loucos, e viam que as duas tinham um brilho nos olhos quando falavam do menino.

Emma sempre entrava em contato com o orfanato em busca de notícias do menino e de suas avaliações com os psicólogos e assistentes sociais. Queria saber se ele estava sendo bem cuidado e se teria alguma chance dele voltar para elas.

Henry estava feliz pelo dia que tinha passado junto a Emma e Regina, se via morando com elas e as chamando de mãe. Não via a hora de encontrar as duas de novo. Ele foi pego de surpresa e não sabia que tinha um casal interessado em sua adoção. Quando foi chamado até a sala da diretora naquele dia, pensava que as duas estariam lá para leva-lo, ao ver que não eram elas, se sentiu devastado e se recusou a ir, mas não teve muita escolha. O casal parecia ser bem legal, usavam roupas de marca e eram muito sorridentes. Até sair do orfanato.

Logo quando entraram no carro Henry viu seu pequeno mundo se transformar, era uma criança feliz e mesmo que não quisesse ir com aquele casal, viu neles uma oportunidade de ter uma família. Só que não seria bem assim. Ele sabia que alguns casais adotavam apenas pelo dinheiro que o governo pagava e não pelo desejo de ter um filho. O carro por fora era bonito, mas por dentro parecia uma chiqueiro. Latas espalhadas e restos de comidas. O pequeno se assustou um pouco, mas teve medo de falar algo.

Ao chegar na futura casa sua maior decepção. A casa parecia cair aos pedaços e mal tinha espaço pra uma criança brincar, ao entrar no ambiente se deparou com mais 3 crianças sentadas no chão, pareciam comer restos de algo. Ele sentia o pavor tomando conta de seu pequeno corpo. As crianças tinham um olhar perdido e triste, e pediam com o olhar ajuda. O casal logo lhe tomou sua pequena mala e lhe deu alguns trapos velhos, mostrou onde ele poderia dormir e disse que mais tarde conversariam com ele.

Começou a chorar sozinho num canto, encolhido de pavor. As outras crianças nem ousavam falar nada, muito menos se aproximavam. Ficou ali sozinho chorando até ser chamado pelo “pai” até um outro cômodo. O homem bebia algo de cheiro forte e já não tinha mais aquela aparência de horas atrás. Apesar da sujeira no ambiente, Henry conseguia identificar algumas facas e armas pelos cantos. Não conseguia falar nada, apenas tremer de medo. O homem sem muita paciência gritou pro pequeno se sentar por ali, e mais que depressa ele obedeceu.

— O negócio é o seguinte moleque – colocando os pés em cima da mesa – Quem manda nessa casa aqui sou eu, você só está aqui pra me trazer dinheiro ok?!

— Sim – mal conseguia falar de medo

— Não tenho ainda a sua guarda, mas é só questão de tempo. Então vou te explicar como que funciona o negócio. – acendendo um cigarro – Vou receber um dinheiro todo mês por ter que aguentar você aqui, mas nos 3 primeiros meses umas idiotas la do orfanato vem te ver pra saber se está tudo bem.

— Elas vem aqui?

— Cala a boca que não mandei você falar. Só escuta... Elas não vem aqui, nós sabemos o dia da visita, então no dia da visita você toma banho, se arruma e te levamos até uma casa que pensam ser nossa. Você só tem que falar que gosta muito da gente e que quer ficar com a gente pra sempre – sorrindo debochadamente- no final dos 3 meses se fizer tudo certinho você é nosso igual esses outros ai.

— Mas é errado mentir.

— Já mandei calar a boca – dando um tapa na cara de Henry – Já disse que quem manda aqui sou eu, e você vai fazer o que eu mando, ou vai apanhar mais, estamos entendidos?

— Sim senhor – começando a chorar baixinho

— Quando tiver sua guarda, ai você vai trazer mais dinheiro pra gente, com pequenos roubos e mendigando. Mas por enquanto fica na sua e só fala o que eu mandar.

Henry se sentia apavorado e não conseguia parar de pensar em Emma e Regina e em o que elas poderiam estar fazendo, porque não o tiravam dali logo. Chorava todas as noites, e por isso acabava apanhando sempre. Ele não imaginava que as duas sofriam de saudade e na angustia de terem ele. Mal podia imaginar que tinham comprado uma casa e faziam planos o incluindo. Seu mundinho tinha sido transformado por monstros.

Assim os dias foram se passando, tanto pra elas quanto pra ele. A primeira visita das assistentes sociais e psicólogas, Henry se mostrou um menino bem obediente e feliz pelo novo lar. Usava uma roupa que escondia suas marcas de violência, e apenas respondia às perguntas, não se atrevia a falar nada com medo de novas ameaças.

Emma e Regina em sua nova casa sonhavam com o menino e em como ele poderia estar, mal sabiam o que seu pequeno passava todos os dias.

Notas finais
Eita! E ai ?? Aguardo os comentários. bjbjbjbj