Always Be Your Girl
19 Cap 18
Notas iniciais
Emma queria que tudo saísse perfeitamente como havia planejado em seus pensamentos, já tinha tudo pronto, desde a roupa que usaria no jantar, até o que queria falar para Regina. Os dias pareciam se arrastar e parecia que sábado não chegava nunca. Nem seus muitos compromissos e reuniões a faziam esquecer o nervoso e a ansiedade que sentia. Não via a hora de ouvir seu amor lhe dizendo sim, aceitando seu pedido. Mas também tinha medo dela a achar uma maluca.
Já Regina estava concentrada em seu trabalho, nem fazia ideia do que lhe aguardava no final de semana. Era manhã de quinta-feira ainda e tinha acabado de dar entrada no hospital, tudo parecia tranquila e sem nenhum caso mais grave, parecia. Estava sentada na cantina tomando um café enquanto conversava com alguns colegas quando ouviu pelo alto falante do hospital seu nome sendo chamado, lhe esperavam na emergência. Em seus plantões Regina não atuava apenas em sua área de especialidade, a cardiologia, também era uma grande cirurgia geral e muitos ali a respeitavam. Ela tinha se dedicado muito para exercer as suas funções com maestria.
Ao chegar na emergência se deparou com um garotinho que gritava e se contorcia sob a maca, ele estava com sua mãe na barriga e gritava a todo momento que iria morrer. Com toda sua calma e paciência, Regina se aproximou do pequeno e lhe fez um carinho na testa. O que o acalmou na hora. Seus olhos se fixaram na médica a sua frente e pediu com a voz fraca.
— Não me deixa morrer, por favor.
— Claro que não, mas me deixe te examinar?
Ele assentiu e ela começou a fazer alguns procedimentos para sanar sua dúvida, ao apertar em um ponto de sua barriga o menino gritou, ela já sabia o que era. Precisava preparar a equipe para a cirurgia, era apendicite. Ao fazer um pequeno movimento para sair de perto do garoto, ele a agarrou pela mão.
— Não me deixa sozinho.
— Não vou deixar querido, mas preciso falar com seus pais e com meus companheiros aqui, vou precisar te operar- tentando não o assustar
— OPERAR? –gritando – Ai eu vou morrer – começando a chorar novamente
— Calma, você não vai morrer, eu vou cuidar de você, mas fica calmo ta. – saindo rapidamente de perto do garoto e dando instruções aos enfermeiros para já preparar o menino
Correu até a sala onde geralmente ficavam os familiares para conversar a respeito da cirurgia, encontrou uma senhora encostada no balcão preenchendo alguns papeis, ao interroga-la sobre o parentesco e sobre a cirurgia que o garoto precisaria fazer a senhora lhe disse que não era nada dele.
— Como assim nada? Como traz um garoto pro hospital sem ser nada?
— Posso lhe explicar, eu sou responsável pelo orfanato onde ele vive. – sorrindo levemente – Henry está conosco desde que nasceu e foi deixado pela mãe biológica que nunca o quis, hoje ele tem 6 anos de idade e é um menino muito especial. Todos nós temos um carinho muito grande por ele, e desde ontem ele vem se queixando de muitas dores na barriga, teve febre e até vomito. Quando as dores pioraram corri com ele pra cá, mas realmente não tenho nenhum parentesco com ele, mas me responsabilizo totalmente.
Regina entendeu toda a situação e lhe explicou que ele passaria por uma cirurgia, era simples, mas que se não fosse feita rapidamente poderia ser algo pior. A senhora concordou com tudo e logo assinou toda a documentação necessária.
—
Emma estava sentada tomando um suco enquanto esperava Regina chegar na academia como faziam todos os dias, estranhou que a morena não havia chegado ainda pois sempre era ela quem se atrasava. Ficou ali observando a movimentação da academia e olhando impaciente e preocupada para o relógio que ficava na parede a sua frente, quando Regina entrou praticamente voando.
— Sei que estou atrasada – lhe dando um selinho – mil desculpas
— Aconteceu alguma coisa? Ta tudo bem? – estava visivelmente preocupada
— Tive uma emergência, de manhã um garoto deu entrada no hospital, era caso de cirurgia – tentando controlar a respiração por ter corrido – Era apendicite, mas já está tudo bem, demorei porque fiquei esperando ele acordar, queria saber se ele estava bem, e o danado me pegou de papo – rindo
— Menos mal, era muito novo?
— Um lindo garotinho de 6 anos de idade – sorrindo – e apesar de ter saído de uma cirurgia e ter dormido praticamente a tarde toda, ele é bem curioso, ficou conversando me enchendo de perguntas
— Crianças – rindo também e se lembrando do pequeno que a algum tempo atrás tinha lhe interrogado
— Acredita que ele ficou me perguntando se eu tinha filhos e se eu queria ter filhos? Acho que deve ser porque ele é órfão.
— Garoto? Uns 6 anos e órfão? Que coincidência!
— Conhece muitos garotinhos órfãos de 6 anos? – rindo e a encarando
— Não, mas a alguns meses atrás quando fui no mercado um garotinho assim ficou me encarando e fazendo as mesmas perguntas que fez pra você, que coincidência né?
— Muita, será que não é o mesmo? Este se chama Henry.
— Eu não sei, ele não me disse seu nome, só ficou perguntando se eu tinha filhos e que meus filhos teriam muita sorte porque vou ser uma mãe legal – rindo
— Crianças e suas ideias...
As duas se levantaram e foram fazer seus exercícios como sempre faziam, só que Emma agora tinha mais uma coisa em sua cabeça, além do jantar de sábado, também estava curiosa com relação ao garotinho paciente de Regina, e sentia uma ponta de preocupação. Não sabia explicar muito bem o porquê de se sentir preocupada, mas sentia. Lhe doía só de imaginar um pequeno garoto de apenas 6 anos, sozinho no mundo e já passando por uma cirurgia. Como de costume, após terminarem, Emma levou Regina até em casa, antes da morena descer do carro Emma a impediu segurando em seu braço levemente.
— Espera... – a segurando
— Está tudo bem amor? – a olhando com ternura
— Sim, só queria dizer uma coisa – sorrindo timidamente
— Pode dizer – sorrindo enquanto fazia carinho em seu rosto
— Eu tenho muito orgulho de você e da sua dedicação e eu fico muito feliz por fazer parte da sua vida de uma forma tão linda.
— Ai meu Deus – segurando seu rosto com as duas mãos – Você é perfeita sabia? – lhe enchendo de selinhos
— Eu te amo muito Regina, muito mesmo
— E eu te amo muito mais Emma, pra sempre.
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