Regina acordou com o barulho da descarga, se sentou na cama e chamou por Emma, logo ela saiu do banheiro passando a toalha pelo rosto.

— Bom dia meu amor – indo até a cama

— Bom dia –a olhando – ta tudo bem?

— Sim, estou bem, porque? – segurando sua mão

— Ouvi a descarga e pensei que estivesse passando mal...

— Acordei com a bexiga muito cheia e tive que correr – sorrindo envergonhada – desculpa te acordar

— Não foi nada meu amor, só me preocupei, ontem você não estava muito bem, pensei que estivesse passando mal novamente.

— Fica tranquila minha linda – lhe fazendo um carinho no rosto – eu já disse que estou bem

O dia foi passando sem muitos acontecimentos, Emma não voltou a se sentir mal, o que era um alivio para as duas. Apenas achou melhor ocultar o mal estar da noite passada, não queria que Regina se preocupasse atoa com ela. Almoçaram juntas em um restaurante ali no bairro de Regina mesmo e depois se sentaram em um parque para observar as pessoas que estavam por ali. Parecia que tinha uma feira de artesanatos no parque e também tinha musica ao vivo, se sentaram num banco e ficaram apreciando a musica.

Emma sentiu uma leve dor de cabeça começar, mas nada muito preocupante, ela geralmente tinha dores de cabeça por causa do excesso de leitura e de estresse com o seu serviço, nada que um comprimido não resolvesse. Tomaria assim que chegasse em casa. Estava tentando abstrair a dor, estava absorvendo a música que tocava suavemente, Regina estava ao seu lado segurando sua mão e sorria ao ver algumas crianças correndo atrás de uma bola.

— Pelo visto você gosta de crianças – Emma falava apertando de leve a mão de Regina

— Adoro – a olhando e sorrindo – Você não gosta?

— Gosto sim, mas não sei se seria uma boa mãe –fazendo uma careta

— Claro que seria, seria uma ótima mãe.

— Você pensa em ter filhos? – a encarando

— Sim, pelo menos dois. – sorrindo e voltando a olhar as crianças – Um menino e depois uma menina

— Huuuum interessante

— O que? – a olhando novamente

— Interessante saber que você pensa em ter filhos, acho que você sim seria uma ótima mãe... – a aconchegando em seus braços – Seria dedicada, paciente, amorosa. Você é perfeita.

— Até parece, tenho muitos defeitos...

— Realmente você tem muitos defeitos

— Eu o que? – se desencostando de Emma e a encarando

— To brincando sua boba, sabia que ia falar isso – rindo e a puxando para si novamente

— Acho bom que seja brincadeira mesmo

Ficaram ali por mais algum tempo falando sobre filhos e conversando amenidades, Emma já não sentia mais dor de cabeça, estar com Regina a fazia esquecer de todos os problemas.

Mais uma semana começava e como sempre tudo muito agitado na vida das duas. Emma tinha 2 semanas para finalizar a revista para o lançamento. Gold já a havia informado que daria uma grande festa de lançamento da nova revista e ela sabia que esses eventos eram normais de acontecer, precisava informar Regina do acontecimento para se preparar. Emma trabalhava em sua sala, concentrada no computador quando começou a sentir a dor de cabeça novamente, mas dessa vez um pouco mais intensa. Se deixou relaxar na cadeira e fechou os olhos pra ver se amenizaria um pouco o incomodo. Ligou para sua secretaria e pediu que lhe levasse um pouco de água e analgésicos. Regina no hospital estava enrolada com uma emergência, precisaria entrar na sala de cirurgia às pressas, era caso de vida ou morte.

Emma mesmo após tomar seu remédio e descansar um pouco não sentia mudanças quanto sua dor de cabeça, achou melhor ir pra casa e descansar, tinha muito o que fazer ali, mas não conseguiria sentindo a cabeça explodir. Precisava de cama. Regina fez o que pode, mas infelizmente a cirurgia não foi o suficiente e o paciente não resistiu, isso a fez ficar muito mal. Não era a primeira vez que acontecia, sabia que era um risco diário a sua profissão, mas mesmo assim ela ficava mal quando não conseguia salvar uma vida. Queria ir embora, deitar e chorar, estava se sentindo a pior pessoa do mundo, mas sabia que a culpa não era dela e que havia feito o possível e o impossível para salvar aquela vida. Sempre o pior momento era dar a notícia a família, ficava completamente arrasada.

O dia não estava sendo fácil para nenhuma das duas. Emma estava afundada em seus travesseiros com o quarto completamente escuro e nada de sua dor passar. Regina estava sentada em seu consultório olhando a parede a frente e pensando na fragilidade da vida.

Ao sair do hospital Regina foi embora para casa o mais rápido possível, queria tentar apagar seu fracasso. Chegou em seu apartamento e foi direto para o banho, ficou ali durante um bom tempo deixando a água cair e escorrer por seu corpo. Queria que Emma estivesse ali, queria sentir seu abraço. Assim que saiu do banho se jogou em sua cama e resolveu ligar para sua amada. Seu celular só dava caixa postal, achou estranho, mas penso que ela deveria estar em alguma reunião, sabia que Emma saia tarde da empresa, principalmente perto do lançamento da revista. Achou melhor comer e depois ligaria novamente.

Emma havia desligado seu celular e o telefone de casa, não queria que nenhum barulho a incomodasse, sentia que sua cabeça iria explodir a qualquer momento. Também não tinha comido praticamente nada durante o dia, estava apenas com o café da manhã no estomago.

Regina ligou mais uma vez e ainda dava caixa postal, ligou no apartamento e também não teve sucesso. Começou a ficar preocupada, mas não queria fazer a paranoica, achou melhor ficar na dela, mas com uma pulguinha atrás da orelha. Se lembrou do mal estar de Emma no final de semana e seu coração se apertou, e se ela tivesse passado mal de novo? Ficou andando no apartamento de um lado pro outro segurando o telefone, todas as tentativas não davam em nada. Já estava tarde e começava a cair uma chuva fina e intensa, estava realmente preocupada e sabia que ia ser difícil algum taxi aquele horário.

Emma que estava na mais completa escuridão se lembrou que não havia avisado Regina e simplesmente tinha desligado seus telefones, sabia que a morena devia estar surtando àquela altura. Ligou seu celular e o deixou com a luz mais fraca possível. Mensagens de ligações perdidas começaram a aparecer na tela e sabia que a bronca seria imensa. A cabeça latejou mais um pouco. Mandou apenas uma simples mensagem.

“Desculpa desligar os telefones, mas minha cabeça parece que vai explodir...”