Always And Forever
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Então se estiverem lendo apareçam...
Esther e Mikael não eram as definições de pais que os filhos ansiavam para rever. Quanto maior a distância imposta entre eles, maior era o conforto que sentiam. Os quatros haviam se acostumado à ausência dos pais. E preferiam viver assim, a ter a reprovação e desdém dos progenitores, dia após dia. Talvez Esther não houvesse sido sempre dura e amarga, provavelmente os anos de convivência com Mikael, sempre anulando as suas vontades em detrimento das dele, fizeram-na descontar o autoritarismo em seus herdeiros.
O sábado que seguiu a sua chegada foi a data escolhida para a festa de apresentação da família a cidade de Mystic Falls. Esther usou todos os recursos disponíveis a fim de promover um evento memorável. Muitos eram os sintomas de luxo que precediam a festa. Convites elegantes chegaram às casas dos principais habitantes da cidade- leiam-se os mais ricos — ou com algum tipo de influência.
...
Baile...
O vestido escolhido por Esther em uma das lojas mais sofisticadas das redondezas de Mystic Falls era feito de tecido negro como a noite, bordado por pedrarias azuis, que lembravam estrelas. Seus cabelos foram arranjados em um coque desgrenhado, seus olhos bem marcados em contraste com a boca que recebera apenas um batom em tom nude, a fazendo ficar ainda mais esplendorosa. Antes de o baile ter inicio, ela desceu as escadas, seus filhos já no saguão a aguardavam desconfortáveis.
- Essa será uma noite memorável meus queridos – esticou as mãos para Klaus e Rebekah ao lado direito e Kol e Elijah ao esquerdo. – Conto com vocês para que tudo ocorra perfeitamente bem. É pedir algo impossível? – sua pergunta foi respondida com um não unanime, jamais toleraria resposta diferente. Levantou os olhos para o imenso relógio na parede central olhando as horas. Faltava muito pouco para o horário combinado.
...
- Pensei que não aceitaria o convite de Klaus – Elena disse mordendo a barra de chocolate e passando para Bonnie que estava jogada no sofá assistindo um filme na TV.
- Eu não vinha – ela disse frustrada – Mas adivinhe?
-Você acha ele lindo demais para poder resistir o convite?
- Elena tem sorte de eu estar de salto e a alguns quilômetros longe de você, caso contrário eu a faria engolir seus dentes.
- Bondade sua. – a morena devolveu gargalhando enquanto Bonnie se ajeitava no sofá curiosa. – Não se preocupe Car, você vai se sair bem, seja quais forem os motivos que a levaram até ai.
- Elena Gilbert, eu vou desligar agora mesmo, antes que eu desfaça nossa amizade. – Caroline bufou irritada.
- Aposto que acabou de estacionar – continuou a cutuca-la. – E esse é o motivo de desligar, se estiver falando comigo não poderá falar com ele.
- Tchau Elena. – finalizou o telefonema, que não fora nada produtivo. Ela ligara para desabafar sobre sua mãe tê-la obrigado a ir.
“Sim Caroline você precisa ir. Estarei de plantão hoje, e você sabe o quanto é necessário que mantenhamos o bom contato com as famílias importantes de Mystic Falls.”
“Ah é claro! Isso substitui o fato de não termos dinheiro suficiente. Papai era de uma família fundadora, ele era o Forbes Original, depois que ele se foi a senhora defende esse título com unhas e dentes. Tudo pra quê? Carol não é a primeira a nos explorar e nem será a ultima, caso não pare de fazer tanta questão de manter o bom contato! “
“Se chegou aonde chegou, foi graças a eu fazer tanta questão de ter bons contatos. Se houvesse deixado você por conta própria onde você estaria? Você sempre foi tola e irresponsável, eu nunca consigo fazê-la entender que isso é importante pra mim! Se não quer ir não vá.” – Liz gritou batendo a porta com toda sua força.
A discussão estava vivida na mente de Caroline. A verdade era que sua permanência entre as famílias fundadoras e consideração estavam atreladas ao seu posto de Xerife, se não fosse isso talvez estivesse fora do alto círculo da cidadezinha. Por mais que odiasse aquela situação, Elizabeth era sua única família agora, e ela não gostava de desapontá-la. Justamente por isso desligou o carro e abriu a porta, deixando que o ar dos jardins dos Mikaelson enchessem seus pulmões.
...
A maior parte dos convidados estava presentes no recinto. Chegavam saudavam os anfitriões, falavam sobre coisas banais, típicas de quem quer causar uma boa impressão.
- Quem é o cara que Rebekah obrigou a ser seu par? – Kol aproximou-se de Klaus segurando sua bebida, enquanto fitavam a pista onde a loira dançava sorridente com seu acompanhante.
- Tenho quase certeza que é o dono do Grill – o mais velho contou – Um ex jogador de futebol aposentado.
- Bekah, Bekah e seu ótimo faro para namorados! – o mais novo disse colocando a mão no peito de forma teatral como se lamentasse aquilo profundamente.
- Duvido que ele aguente muito tempo. – comentou maldosamente.
- Digamos que no fim das contas ela tem um acompanhante – Kol mencionou casual – Pelo menos ele não rejeitou o convite que lhe foi feito. Acho terrível quando isso acontece. – provocou. Klaus girou o tronco controlando o montante de xingamentos sujos que lhe vieram a mente, mas sua virada acabou sendo providencial, pois avistou ninguém mais do que Caroline Forbes. Magnifica foi a palavra que purificou seus pensamentos, um sorriso tolo se instalou em seus lábios. Kol girou para ver o que havia impedido sua diversão diante dos xingamentos do irmão. Caroline usava um vestido longo creme, com bordados em dourado. Seus ombros estavam descobertos, devido à ausência de alças. O seu colo estava enfeitado por um pingente pendurado em uma corrente praticamente invisível aquela distancia.
A loira parada na entrada da casa olhou em volta como se procurasse alguém. Se lhe perguntassem, ela diria estar observando os convidados, mas a verdade era que seus olhos estavam ávidos a procura dele.
Quando seus olhares se cruzaram, Caroline corou, mas a distância a que se encontrava permitiu que ela dissesse a si mesma que ele não teria notado. Respirou fundo, jogando os cabelos e começando a caminhar pelo salão, logo estava perto o suficiente, mas fingiu não nota-los.
- Caroline – Klaus disse um tanto aturdido. – Toma uma bebida?
- É claro que sim! Se tiver que ficar no mesmo recinto que você e sua família por essa noite, precisarei de muitas doses. – piscou se afastando triunfante.
- Ela não é encantadora? – Klaus perguntou mais a si mesmo.
- Fica ainda mais encantadora quando te dá um fora. – o homem de sorriso debochado e língua afiada balançou o gelo dentro de seu uísque e suspirou bebendo. – Por sorte, você sabe quando desistir. – aquilo era um desafio, Kol sabia exatamente o que dizer para despertar o orgulho que rugia dentro do irmão.
- Por sorte – Klaus tomou o copo dele bebendo tudo de uma vez – Essa hora ainda não chegou! – bateu o copo contra o peito do irmão, que teve de se esforçar para não derrubar e partir o recipiente. Klaus limpou a boca caminhando decididamente no encalce de Caroline.
...
Esther estava conversando com a primeira dama e o prefeito, quando viu seu filho mais velho passar por ela feito um cometa. Mal teve tempo de tocá-lo no ombro, sem perder um pouco do equilíbrio. A mãe olhou Elijah que atendeu seu chamado silencioso indo até ela.
- Com licença – pediu educada – Vou precisar conversar com meu filho por um instante.
- Fique a vontade. – o prefeito disse.
- O que há com Niklaus?
- Eu não faço a mínima ideia do que está dizendo.
- Pois trate de descobrir. Eu não sei sobre o que se trata, mas não quero problemas. – Elijah tocou o teto da boca com a língua, produzindo um estalo característico e concordando.
...
- Acreditei que não viesse. – Klaus disse próximo ao ouvido dela. Caroline pegou a taça da bandeja de um garçom vertendo o líquido rapidamente.
- Eu não viria. – girou o corpo encarando-o – Mas era isso ou uma comédia romântica de péssimo gosto na TV, já que meu namorado está por ai fazendo seu trabalho sujo.
- Claro – sorriu – Suas opiniões sobre mim parecem peculiares.
- Não são. Aposto que posso encontrar mais dezenas de pessoas que o desprezem. – ela disse azeda, e viu o rosto dele se amargurar, mesmo que por um segundo. Logo a mascara de gelo estava recomposta.
- Tenho certeza que Tyler pode se encarregar disso. – ele respondeu a altura, o que fez que a raiva de Caroline entrasse em erupção.
- Sinceramente você é um estúpido.
- Caroline – Elijah interrompeu. – Como é bom vê-la por aqui. Se me permite dizer está ainda mais bela, se isso for possível.
- Obrigada. – sua voz saiu forçada, enquanto ele se inclinava e beijava seus dedos.
- Boa noite – A voz de Esther soou – Vim conhecer essa bela jovem. – Elijah esperou que Klaus falasse, mas esse permaneceu mudo como uma estátua.
- Essa é Caroline Forbes, uma das apresentadoras que trabalha conosco na RMT, e veio abrilhantar o evento como par de Nicklaus.
A senhora se aproximou, e Caroline se esqueceu de como falava. Além das palavras de Elijah, Esther emanava superioridade, frieza... A mulher pousou uma das mãos em seu ombro, já que com a outra sustentava uma taça fina de cristal. Beijou-a nos dois lados do rosto.
- É um prazer conhece-la. Nicklaus tem um excelente gosto para acompanhantes. – sorriu o que causou um arrepio na coluna e calou fundo no estomago da loira.
- Bondade sua. – falou a coisa certa, mesmo que naquele momento pudesse ter dito qualquer coisa.
- Venham, eu quero vê-los na pista. – Esther apontou. Caroline lançou um olhar para Klaus, e esse permaneceu intacto. – Nicklaus- Esther pareceu o despertar – Não vai deixa-la parada a noite toda, não é mesmo?
Ele estendeu a palma de sua mão, e Caroline pousou a sua. O toque de suas peles pareceu eletrizante. Caminharam mudos até a pista, onde outros casais dançavam. No entanto nenhum deles parecia tão erroneamente certo. Esplendidos era a palavra que os definiam.
- Vai ficar a noite inteira calado? – ela deixou sua irritação transparecer.
- Achei que gostasse do meu silêncio. – Bom, ela adoraria, caso a falta de palavras estivesse atrelada a distância de seu olhar. O que não acontecia, já que os olhos de Klaus pareciam flamejar algo desconhecido sobre ela.
- E gosto, mas não suporto tentar desvendar sua mente. – disse por fim.
- E porque a necessidade de desvendar minha mente?
- Sinceramente você não precisa jogar o tempo todo.
- E quem disse que estou jogando? Que eu saiba estou apenas dançando com você!
- Calado. – ordenou ela o fazendo rir. – Por que está rindo?
- Meio minuto atrás você estava brava pelo fato de eu estar calado e agora me manda calar a boca?
- Eu odeio você. – ela disse estreitando os olhos e tentando soltar-se para sair da pista. Mas ele não permitiu, puxou-a de volta fazendo a distância entre eles ser ainda menor do que até aquele instante.
- Já mencionei o quanto está bonita?
- Não. – ela disse – Não e não deve fazer.
- Tem medo do que?
- Não de você. – desafiou.
- Sim você tem – ele sussurrou no ouvido dela.
- Vá se ferrar Klaus – ela disse puxando a mão e saindo da pista por entre os convidados. Andou o mais depressa possível , alcançando a cozinha, grata por ao menos o andar debaixo conhecer tão bem. Logo estava no fundo da propriedade. O vento gelado tocou-lhe o corpo, fazendo seus pelos eriçarem instantaneamente. Ela esfregou suas palmas contra a pele gélida, na tentativa que o contato a aquecesse.
- Talvez isso seja mais eficiente! – Klaus disse pousando o paletó nos ombros ela, Caroline não teve tempo de recusar, na verdade tudo o que fez foi ter um sobressalto. Virou a cabeça apenas o suficiente para o lado. Klaus permanecia com as mãos em seus ombros.
- Não precisava. – ela disse. – Eu já estava indo. – o rosto dele pareceu ser tomado por um desconforto.
- Ainda é cedo, você não precisa ir. Sinto muito se a ofendi. – Caroline permaneceu parada, sem fazer o mínimo esforço para afastar-se. Ele passou por ela parando em sua frente. – Vamos lá me dê uma chance? Eu não sou tão ruim quanto parece. – ela soltou o ar pelo nariz em negativa – Uma conversa, eu prometo.
- Eu não... – seu tempo de resposta foi anulado, quando ele a puxou pela mão de forma gentil e começou a caminhar. Ela apenas o seguiu fitando suas mãos entrelaçadas. Chegaram a uma parte especial do jardim. Havia uma fonte branca, onde dois anjos esculpidos seguravam a base de uma bacia que despencava águas em diferentes direções.
Haviam dois bancos, um de cada lado da fonte. Os arbustos haviam sido tosados de forma que formava um semicírculo, interrompido apenas pela passagem por onde entraram. Finalmente Caroline fez o que deveria ter feito desde o começo, recuou sua mão. De forma suave não agressiva. Aquilo não passou despercebido aos olhos dele, no entanto ele não fez nenhum tipo de protesto. Manteve-se firme e sorridente. Sentou-se sobre o banco e esticou o braço de forma convidativa sobre o encosto.
- Disse que não tinha medo de mim. – provocou de forma descontraída, e Caroline não pode deixar de sorrir diante da expressão dele. Ele parecia tão engajado em ser agradável. Ela ponderou consigo por alguns segundos, e sentenciou-se a uma conversa. Que mal poderia haver? O máximo que poderia acontecer seria uma nova briga, e a isso ela estava habituada. E quem sabe se depois disso ela o entendesse melhor.
- Ok – disse cruzando as mãos e esticando os braços um pouco a frente do corpo e caindo pesadamente sobre o assento. Ele continuou calado a fitando, com um sorriso encantador dançando em seus lábios. – E então? – ela desviou o olhar impaciente da boca que parecia tão convidativa.
- Talvez tenhamos começado com o pé esquerdo – disse. – Por isso, podemos tentar ter uma conversa descente, sem expor todo o ódio que sente por mim?
- Porque está fazendo isso? – foi a pergunta/resposta dela.
- Tentando ter uma conversa descente? – indagou e ela concordou com um gesto da cabeça.
- Você trabalha na emissora, é bastante influente, acho que deveríamos tentar ter um bom relacionamento – Caroline se deu conta que aquela não era a resposta que queria – E se isso não for o suficiente – pigarreou desviando o olhar por um instante. – Eu gosto de você – voltou a fita-la e Caroline perdeu um pouco da compostura. Ela percebeu que aquilo estava ficando perigoso. Seu coração estava batendo um pouco mais rápido do que o habitual, ela tentou se levantar, mas foi impedida quando ele pegou sua mão.
- Acho que deveríamos voltar pra lá – sua voz saiu um pouco mais baixo do que pretendia. Se levantou ainda segurando a mão dele, que se pôs em pé em seguida. Ela começou a andar, mais logo estava de volta. Ela não sabia como tinha acontecido, mas agora sua cintura estava envolta pelo braço de Klaus, ainda mais perigosamente do que a dança. E a mão que estivera segurando a sua, estava em seu rosto. Ele deslizou o polegar pelo maxilar dela, e Caroline fitou de olhos arregalados a face dele, seus olhos pareciam incendiá-la, enquanto aguardava... Ansiava pelo que viria a seguir. E bom o que se sucedeu foram seus lábios sendo preenchidos pelos dele. O toque suave, macio, doce... Eletrizante. Ele pediu passagem, e ela não hesitou, permitiu que ele seguisse com tudo. Permitiu que seus pensamentos confusos fossem convertidos em borrões inteligíveis. Autorizou que seu coração ficasse totalmente desenfreado, desconcertado, descompassado. Algo ou alguma coisa gritava em um canto de sua mente, para que o afastasse, mas ela não deu atenção. Quanto mais o beijo se prolongava, mas desejava que não precisasse respirar. No entanto aquilo era impossível, eles desgrudaram seus lábios, Caroline permaneceu de olhos fechados por medo de encará-lo. No entanto ele a fitava. Era sua vez de aguardar pelo desfecho. Inconscientemente, ele continuava a acariciar a pele dela.
Por fim, ela abriu os olhos, revelando suas íris esverdeadas, perplexas e confusas diante dele. Ela não o xingou nem fez nada parecido, apenas desceu a mão dele de seu rosto e deu um passo para trás, o que o fez soltá-la ainda que contra sua vontade. Girou seu corpo ficando de costas para ele, impedindo que e ele pudesse ver sua reação. Ela levou uma das mãos até os lábios, sentindo a quentura deles ainda. Ela desceu as mãos rapidamente, pensando que aquilo podia significar... O que podia significar? Nem ela mesma era capaz de pensar naquilo. Girou o pescoço fitando Klaus por um segundo e depois começando a andar rapidamente.
- Caroline? – ele chamou.
- Não. – foi tudo o que saiu ainda que tremulamente da garganta dela. Logo os passos se tornaram mais afoitos, e então ela estava correndo. Seus saltos não eram nada apropriados para aquilo, pelo contrário ela sentia as tiras machucar seus pés, mas tudo o que precisava era se afastar e foi o que fez.
No mesmo lugar onde Caroline o deixara Klaus continuou parado observando-a se distanciar, mas então a seguiu ainda que não corresse. Pensou em detê-la, segurá-la em seus braços uma vez mais. Ela aceitara o seu beijo, mesmo que agora fosse evidente que se arrependera. O cheiro dela estava impregnado em seus sentidos. E só agora ele entendia o quanto ansiara por aquilo. Ainda ouvia seu coração pulsar de maneira única. Torcendo para que ela retornasse, mas não o fez. Lutou com o que pareceram suas chaves e deu partida, dando ré e levando o carro para longe... Longe dele.
Notas finais
Ah sugestões dadas estão sendo cogitadas, se possível eu vou colocar na história. Se houver algo que queiram é só dizer, quem sabe não me ajude a melhorar a história.
Beijos
P.S algum site que dê pra hospedar imagens que não seja Fanpop? A Dul me fez capas maravilhosas para os capítulos, mas nunca consigo postar ;/
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