Already Gone

8 Capítulo 8 - Demons


Notas iniciais
Hey genten! To aqui com um capítulo novo né e vou ser bem breve nessa nota. Esse capítulo é mais amorzinho eu prometo! A música que escutei escrevendo dessa vez foi Demons de Imagine Dragons (Ana e Manu vão adorar né). É isso, boa leitura!

When the days are cold
And the cards all fold
And the saints we see
Are all made of gold

POV FELICITY

É incrível como as vezes apenas algumas palavras tem mais poder que atos. Aquelas curtas palavras que Ivo pronunciou vou capaz de girar meu mundo de cabeça pra baixo, tirar meu chão. Todo o meu corpo havia parado, eu não conseguia me mover. Nem se quer quando o sangue dos jovens começaram a escorrer por toda a sala.

As lagrimas caiam tão descontroladamente em meu rosto, minhas mãos tremiam e não era preciso me olhar no espelho pra saber que eu estava pálida. Por alguns minutos apenas fiquei ali, naquele silencio, esperando que isso fosse apenas mais um de meus pesadelos em que eu pudesse acordar e esquecer. Mas parece que o tiro tinha chamado a atenção de Oliver.

—Felicity? Você está bem? – Oliver veio ao meu encontro com um pouco de receio. Mas foi obrigado a me segurar quando simplesmente desmoronei. Ele passou seus braços em minha cintura servindo de apoio. – Hey tudo está bem. Você está segura, eu estou aqui. – Disse afastando meus cabelos que tinham grudado em minha cara devido as lagrimas. – Consegue andar até para o acampamento? – Perguntou. Eu não conseguia falar no momento, ainda estava em choque, então apenas balancei a cabeça em positivo. Não foi preciso de mais nada antes que Oliver me levantasse me pondo em seu colo. Afundei meu rosto em seu peito deixando seu cheiro invadir cada parte minha. Oliver nos guiava para fora da base desviando dos corpos inertes dos dois jovens no chão. Eu não iria protestar pelo ato de Oliver, era exatamente dele que eu precisava no momento. Não passou vinte minutos e eu havia pegado no sono. Afinal, eu precisava me desligar por um tempo da realidade.

When your dreams all fail
And the ones we hail
Are the worst of all
And the blood’s run stale

POV OLIVER

Felicity ainda continuou apagada em meus braços mesmo estando bem perto do acampamento. Qualquer coisa que Felicity tenha visto naquela sala foi capaz de perturbá-la fortemente. Eu nunca tinha visto Felicity tão abalada desde que ela voltou de Lian Yu, na verdade nunca tinha a visto abalada. Ela era capaz de esconder todos seus sentimentos apenas para dentro de si apenas para não destruir todos os outros ao seu redor, todos que ela amava. A idéia de algo de muito ruim ter acontecido a ela nesta maldita ilha para fazer ela tão quebrada me fez enrijecer meus músculos. O que aconteceu aqui afinal?

Ao chegarmos no acampamento encaminhei, com Felicity ainda em meus braços, para a tenda a deixando em seu saco de dormir confortavelmente. Nos devíamos sair daquela antes que ela pirasse.

I want to hide the truth
I want to shelter you
But with the beast inside
There’s nowhere we can hide

Logo após sair de sua tenda pedi para que os outros voltassem para o acampamento pelo comunicador e mandei um sinal para a base da Argus pedindo o jato o mais rapidamente possível para nós. Não demorou mais de duas horas para que já estivéssemos saindo novamente da ilha. Eu estava apenas esperando que todos se acomodassem para ir ter uma conversa mais seria com Felicity em sua cabine.

Não sabia a ao certo como tocaria no assunto com Felicity sobre o que diabos aconteceu naquela base, mas me vi ansioso por sua explicação. O que trouxe sua reação?

—Oi. Apenas vim conversar, como amigo, – Expliquei. – mas vou entender se quiser privacidade. –Complementei ainda incerto de minhas palavras. Felicity estava sem reação, parecia totalmente presa ao seus próprios pensamentos e torturas, minha presença tinha a assustado. Com o ato lento ela acenou para eu me sentar em seu lado. Os flashes invadiram minha mente de nossas antigas missões. Um silencio se seguiu após eu me sentar, minha presença ali quase não era notada, Felicity apenas encarava o chão pensativa, em vezes mexia inquieta em seu lugar, como se quisesse afastar seus pensamentos. Me acomodei no lugar deixando meus cotovelos apoiados na perda com minha mãos segurando meu rosto. Decidi quebrar aquele silencio.

—O que aconteceu lá? – Me refiro ao acontecimento na ilha de forma direta, mas o mais suave possível. Eu merecia algumas respostas. Deixei que Felicity tomasse seu tempo quando ela puxava ar para seus pulmões, como se buscasse pelas palavras certas.

No matter what we breed
We still are made of greed
This is my kingdom come
This is my kingdom come

—Ivo. Ivo aconteceu. – Respondeu de forma direta como se tirasse um peso de seus ombros. – Eu os ouvi, Ivo e os jovens, eles não tinham conseguido lutar contra o resto do grupo. – Fechou os olhos absorvendo as próprias palavras. – Eles eram apenas dois jovens que morreram por nossa causa. – Felicity desmoronou nesse momento, eu tive que segura-la em meus braços para que ela não caísse de sua poltrona. Apertei mais ela em meus braços, me doía vê-la daquela forma. Como pode alguém tão doce se tornar alguém tão quebrado?

Aos poucos Felicity ia acalmando em meu abraço, o silencio foi tomando o espaço da cabine. Eu sabia que não era o certo, mas eu tinha que fazer essa pergunta.

—Fe-li-ci-ty... – Eu amava a forma pausada como o nome dela saia de minha boca. – posso te fazer uma pergunta? Ainda sobre o efeito de seus próprios pensamentos assentiu lentamente com a cabeça.

—Qual foi o real motivo de você não ter me ligado quando teve a oportunidade em Lian Yu? – Perguntei o que rondava em minha mente a todo momento.

— Era o meu segundo ano na ilha e eu havia fugido de onde Ivo mantinha os seus prisioneiros. – Tomou ar. – Eu fiquei andando por dias procurando por um lugar seguro. Em uma noite um avião cargueiro foi derrubado perto do lugar onde eu estava dormindo e eu fui conferi o resultado da queda. Havia um homem. O piloto do avião. Ele estava no chão, com metade do corpo preso entre os destroços. – Ela havia tomado uma postura totalmente diferente da de minutos atrás quando falava dos jovens, uma postura fria, como se suas barreiras fossem reerguidas. Um muro entre nós. – Em uma mão ele carregava um daqueles telefones de modelo antigo e uma foto de sua família. Sua esposa e duas filhas. Ele basicamente implorava para que eu ligasse para suas filhas. Era uma escolha simples e tentadora. Era você ou sua família, já que a carga sobreviveria a apenas a uma ligação. – Deu uma pausa.

When you feel my heat
Look into my eyes
It’s where my demons hide
It’s where my demons hide

Eu escutava cada palavra atentamente. – Oliver, eu quero que entenda que o que eu passei naquela ilha não é nada bonito. É algo que eu não sei se algum dia eu terei coragem de compartilhar com alguém, principalmente você. Por agora eu ainda estou me curando, e eu não quero te machucar no processo. Não peço que espere eternamente por mim, mas seria mentira dizer que por mais que eu tenha terminado as coisas entre nós aquele dia, eu não queira você. Não é porque não podemos ficar juntos que eu não ame você.

Don’t get too close
It’s dark inside
It’s where my demons hide
It’s where my demons hide

Após as palavras de Felicity soltei um riso sem humor. – Você sempre coloca as necessidades dos outros na frente da sua. – Disse me referindo a história da ilha. Era uma história que com toda a certeza passaria dias em minha mente. Tudo relacionado a Felicity ficava em minha mente.

— Posso lhe fazer outra pergunta? – Ela ponderou por um minuto, mas assentiu com a cabeça novamente. – Eu posso te beijar? – Perguntei malicioso. Todo o clima de tensão da cabine pareceu se esvair com aquelas palavras. O meu sorriso malicioso refletia em seu rosto. Ela pareceu refletir por um tempo antes de dizer.

— Amigos não se beijam Oliver. – Brincou

—Considere nossa amizade como uma amizade com vantagens. – Respondi. Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa Felicity puxou minha nuca e colou nossos lábios de forma tão urgente, como se naquele momento nada mais importasse. Seus lábios eram tão macios como eu me lembrava. Aproveitei cada toque carinhosamente. Logo sua língua pediu passagem e então nossas línguas dançavam em um ritmo perfeito. Suas mãos antes enlaçavam meu pescoço desciam para os meus ombros. Enquanto as minhas puxavam sua cintura para mais perto. Os suspiros viam de ambos, tão entregues... Apenas nos separamos quanto faltou ar em nossos pulmões. Não nos afastamos totalmente, nossas testas continuavam colados, respirações ofegantes e olhares repletos de desejos. Nossos hálitos se misturavam. Apenas eu e Felicity. Felicity e eu. Naquela pequena cabine dentro de um avião turbulento, onde o tempo parou para nos assistir.

— Você é um péssimo amigo Oliver Queen. – Sorriu antes de se aconchegar em meu peito. E lá estávamos de novo deitados apenas esquecendo todas as voltas que o mundo tinha nos dado.

Don’t want to let you down
But I am hell bound
Though this is all for you
Don’t want to hide the truth

POV IVO

A Argus tinha retomado as investigações na minha ilha. Não! Por mais que eu não demonstrasse o quanto aquilo atrapalhava meus planos, tinha atrapalhado. A partir de hoje eu deveria calcular cada passo de forma mais minimamente planejada possível, se não meus planos de tomar outras ilhas iriam por água abaixo.

O plano desde de sempre era simples. Eu tomaria uma ilha primeiro, uma escolha peculiar, Lian Yu. Não sabia ao certo o que me trouxe a Lian Yu já que existiam outras ilhas que poderiam ter me tornado muito mais rico e poderoso, mas algo nela me atraia. Depois desta primeira ilha formada era apenas continuar a ir dominando cada pequena ou grande ilha da região, construindo meu império. Mas então a maldita Argus apareceu para estragar meus planos, ou melhor, maldita Felicity Smoak e o maldito Oliver Queen. Eu não tinha duvidas do potencial dos dois, tanto inteligência quanto de influencia. Eles eram antigos moradores de Lian Yu e a minha tomada da ilha tinha despertado o que já havia dentro deles. O heroísmo.

Juntos eles conseguiram infiltrar e derrubar cada uma de minhas bases fazendo com que só sobrasse a maior delas, minha central. Eu já pensava em uma forma de escapar da ilha antes do ataque final, mas então me veio um estalo. A única coisa que seria capaz de derrubar Oliver e Felicity seria o amor que eles nutriam um pelo outro. Aquele tipo de amor que te consome por inteiro e que todos invejam ter um dia. Ahhh o amor. Seria essa a minha arma. Depois da ideia central tudo ficou mais fácil de ser planejado. O objetivo era simples, invadir o acampamento da Argus levando um dos dois comigo, usando o amor um pelo outro para que desistissem da missão. E então tudo teria dado certo, eu a sequestrei, eu a torturei, eu tirei dela o que ela mais amava. Mas ela fugiu, e então estava ali de volta, sobre o olhar de Oliver, sobre seus cuidados e seu amor. Junto com eles a missão que anos atrás me ameaçou, ameaçou a contrução de meu império. DROGA!

Mas eu não cometeria o mesmo erro duas vezes, eu já sabia o que era capaz de destruí-los, o que era capaz de desestabilizar a Argus, desestabilizar seus dois melhores agentes. O amor deles, o amor que um nutre pelo outro. Eu repetiria minha jogada, mas não repetiria meus erros desta vez. Desta vez eu seria capaz de derrrubar Oliver e Felicity de uma vez por todas. Eu quebraria cada pedaçinho de forma que não houvesse nada que seria capaz de colar novamente.

Em um acesso de raiva derrubo cada coisa que estava em minha mesa. O barulho de coisas quebrando invadiu a sala. Desviando dos objetos que estavam do chão, paro na frente do espelho que estava pendurado em uma das paredes. Eu podia ver meus olhos vermelhos de ódio e meu rosto tomar uma expressão psicopata. Eu destruiria qualquer coisa ou qualquer um que entrasse em meu caminho.

They say it's what you make
I say it's up to fate
It's woven in my soul
I need to let you go
Your eyes, they shine so bright
I want to save that light
I can't escape this now
Unless you show me how
(Demons – Imagine Dragons)

Notas finais
Foi isso! Me desculpem pelo capítulo ter sido mais curto e se tiver ido um pouco mal mas é porque passei essa semana pelo famigerado bloqueio criativo. Até semana que vem!