Alone Together
1 Um passeio
Notas iniciais
POV Bianca
"Eu serei sua barreira"
– Bianca! – uma voz próxima me chamou. Era Nico, meu irmão mais novo, que repousava na cama ao lado.
– Sim. – disse dando um sorriso.
– Você poderia cantar para mim?
Assenti com a cabeça, calmamente comecei a cantar.
Já era de manhã quando Nico me chamou. Mamãe já havia saído para trabalhar e deixara um bilhete sobre o criado-mudo que dizia:
Querida Bianca,
Hoje tive que sair mais cedo, cuide bem de seu irmão.
Fiquem EM CASA.
Voltarei ao meio dia para preparar o almoço.
De sua mamãe querida Maria Di Angelo.
Nico devia estar com fome. Voltei-me para ele e sorri.
– Está com fome, não é?
– Claro que estou! O que temos para o café da manhã hoje? – respondeu ele animado com a minha pergunta.
– Cereal com leite e maçã. Mas antes eu poderia me trocar?
– Claro. – disse ele ao levantar da cama e sair do quarto.
Abri uma de minhas gavetas e tirei um vestido azul com mangas longas, o meu favorito para dias frios, e vesti. Penteei meu cabelo numa trança e coloque meus sapatos. Quando estava terminado escutei batidas na porta toc-toc. Quando abri, lá estava Nico com o mesmo sorriso que eu havia visto ao acordar.
– Vamos, estou com fome Bianca.
–Tudo bem, vamos.
Caminhamos até a cozinha e tirei do armário uma caixa de cereais de milho, coloque sobre a mesa e peguei dois potes para nos servir, Nico pegou o leite na geladeira. Então nós nos sentamos e começamos a comer. Nico terminou seu cereal rápido
– E aí, o que vamos fazer hoje? – Me perguntou Nico com um bigode de leite, puxei um lenço de papel e limpei seu rosto.
– Ficar em casa e esperar mamãe chegar. O que você tem em mente?
– Eu queria sair um pouco lá fora e brincar com as outras crianças. – disse ele com a cabeça baixa.
– Você sabe que não podemos sair. – disse a Nico lançando lhe um olhar de advertência – Lembra-se da ultima vez que fomos lá fora, nós quase fomos parar em um sanatório, ninguém acreditou quando contamos que havia monstros nos perseguindo e a professora que quase te matou e a mulher cobra que fingiu ser nossa amiga.
Lançar tudo assim sobre Nico fez eu me sentir mal. Ele é apenas uma criança lembrei a mim mesma. Olhei bem para ele e disse:
– Nico, eu sei que quer brincar com outras crianças da sua idade. Eu te entendo, mas você sabe que se fomos ficaremos desprotegidos e mesmo se conseguir fugir dos monstros ainda teremos que dar explicações para mamãe. – Tentei parecer tranquila para não perturbá-lo ainda mais.
– Mas Bianca, por favor, vamos passar despercebidos como da primeira vez, por favor. – O olhar de choro de meu irmão me vez ceder e disser que sim.
– Tudo bem. Vamos lá fora brincar um pouco e voltar para casa antes do meio dia, sem confusões e você tem que me prometer que vai ficar perto de mim. Promete? – Disse a ela estendendo meu dedo mindinho com gesto de promessa.
– Prometo! – Disse ele fazendo o mesmo gesto.
Corremos para a porta da frente, pegando nossos agasalhos. Tirei de baixo do tapete a chave da e abri a porta. Do lado de fora soprava um vento frio e forte que me fez pensar em voltar e me aquecer, mas tinha prometido para Nico que iríamos sair. Puxei meu gorro verde do bolso do meu casaco e o vesti.
– Pronto? – Perguntei a Nico
– Pronto. – E deu o primeiro passo para fora de nossa aconchegante e quente casa.
O vento frio havia cessado. Nico caminhava feliz pela calçada, vê-lo feliz me animou e resolvemos aposta corrida até a loja de antiguidades. Depois da pequena corrida resolvemos para num parquinho, onde havia uma meia dúzia de crianças brincando alegremente acompanhadas de seus pais. Sentamos no banco para descansar.
– Por que não vai brincar um pouco com as outras crianças?
– Eu quero, mas tem alguma coisa perto do daquela menina. — Nico apontou para uma menininha ruiva que brincar no balanço, e pude perceber o que Nico me dissera era verdade tinha uma coisa perto da menina, um monstro.
Olhei para Nico, ele estava assustado, fiz um gesto para ele que levantasse do banco e corresse. Eu sabia, eu sabia dizia a mim mesma enquanto corríamos de volta para casa.
Parada bem na porta estava mamãe de braços cruzados e com a testa franzida de desaprovação.
– O que eu disse sobre ficarem em casa, sabe o que poderia acontecer com você lá fora sozinhos e vulneráveis? – Gritou mamãe assim que entramos
– A senhora disse que voltaria só meio dia. – murmurou Nico ao meu lado.
– Isso não é motivo para vocês saírem de casa. – Mamãe usou um tom mais baixo para responder Nico.
– Desculpe mamãe, só queríamos sair um pouco. – disse a ela
– Tudo bem crianças, vão para o quarto e brinquem. Não façam mais isso. O que seria de se... Ah meus deuses! – falou mamãe jogando as mãos para o alto
– O que disse? Meus deuses? – perguntou Nico
– Não, não foi nada. Ah meu Deus. – murmurou mamãe
Fomos para nosso quarto e sentamos em nossas camas. Tudo parecia sem graça naquele momento. Nico saiu de sua cama e aconchegou-se em colo.
– Gosto quando canta para mim a minha canção de ninar. Pode cantar para mim?
–Não, agora não. Talvez mais tarde, quando você for dormir. – Tentei dar um sorriso
–Está chateada comigo? Por eu ter te convencido me levar para fora e a mamãe ter brigado com nos dois?
– Não, claro que não Nico.
Deitei em minha cama abraçada com Nico e acabei adormecendo.
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