Alone Together
2 Realidade
Notas iniciais
POV Bianca
"Eu gostaria de acreditar em todas as possibilidades"
Alguém tocou meu ombro, trazendo-me de volta ao presente. De volta a uma sala fechada com cadeiras pretas e brancas –na verdade, tudo naquela sala parecia ter seguir esse padrão- encostadas no canto de uma parede e bem no final uma mesa de tribunal.
Recuperei o foco de minha visão, era Daisy. Daisy era uma das únicas pessoas — Se é que no lugar onde estou posso chama-la assim — que conversava comigo enquanto estou à espera de meu julgamento.
–Bianca, você não pode ficar lembrando sempre do seu passado! – advertiu-me
– Por que não?- eu a questionei
–Porque isso pode atrapalhar no seu julgamento, principalmente se sua escolha foi renascer.
Renascer. Tento imaginar isso como uma boa escolha, uma chance de reencontrar Nico. Ah, Nico! Peguei-me suspirando pelas possibilidades, quase impossíveis, de reencontrar meu irmão.
Daisy me obsevava com seus grandes olhos verdes, cheios de preocupação.
– É o seu irmão, não é?
Assenti com a cabeça.
– Não fique assim! Logo, logo isso irá passar e você vai poder viver em paz.
Sem Nico eu quis acrescentar.
– Certo! – falei
Fechei os olhos para voltar às boas lembranças de minha vida.
***
Vi mamãe sentada em com duas crianças — Eu e Nico — cantando felizes comemorando o meu quinto ano de vida. Na época Nico era um bebê, um bebê risonho e rechonchudo. Como sempre nossa mãe estava linda com seus cabelos escuros e sedosos soltos que iam até metade de suas costas, com um vestido verde-escuro que combinava com sua pele azeitonada e com apenas um com simples cordão e um par de brincos de pérolas.
Na mesa um bolo médio e cofeitado com florzinhas rosa com alguns pedaços cortados.
– Bianca, minha querida! – ela me chamou – Vamos abrir seus presentes?
– Claro mamãe. – respondi animada
Ela levantou-se para busca um de meus presentes, voltou com eles em mãos. Eram poucos, não tínhamos parentes próximos nem amigos.
Abri o maior primeiro. Uma boneca, a boneca de porcelana que eu pedira a minha mãe na semana anterior.
– O que achou? – perguntou mamãe
– Eu amei mamãe. Obrigada! — disse a ela dando-lhe um abraço
–Agora abra os outros.
Peguei o segundo presente e abri. Um vestido de festa rosa claro florido e par de sapatos brancos.
–Quem mandou esse, mamãe?
– Foi... Foi uma amiga minha que trouxe de uma das viagens que ela fez. Abra o último, está ficando tarde e quero por Nico para dormir – disse mamãe repentinamente apresada em mudar de assunto.
O último presente estava em uma caixa pequena preta com um laço prata. Uma péssima escolha de embalagem para presente. Abri a caixinha, dentro estava um gorro verde – meu gorro verde- que na época ficava grande demais em mim.
– Esse foi do papai, não foi? – eu perguntei
– Não diga esse tipo de coisa menina, seu pai morreu antes de Nico nascer. Vá para seu quarto está ficando tarde para ficar acordada. – ela disse me dando um rápido beijo na testa.
– Boa Noite, mãe!
– Já irei lá para ver você – ela respondeu
Fui para meu quarto questionando, mentalmente, por que ela nunca falava nada sobre meu pai.
***
De volta à realidade preta e branca, os olhos de Daisy ainda me encaravam cheios de preocupação.
– O que eu disse sobre suas “viagens” ao passado? – ela perguntou severamente.
Apesar de Daisy aparentar ter uns 15 anos, ela falava como adulta.
– Desculpe! – murmurei
– Pare de se desculpar e pare de ficar lembrando sobre o passado.
Assenti com a cabeça e recostei-me na cadeira.
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