Almost Easy
1 Samuel.
Notas iniciais
Fiquei na ponta do salto alto pregando mais algumas bexigas na parede com fita adesiva.
- Acabaram os balões. – avisou minha mãe observando a mesa decorada de frente. – Mas esta perfeito.
Virei-me observando os doces pequenos e, principalmente, o bolo que fora obra de minha mãe.
Sai de trás da mesa caminhando para seu lado ao certificar que as letras estavam em seu devido lugar.
“Feliz aniversário Samuel” na parede enfeitada com bexigas azuis e brancas sendo suas cores favoritas.
- Tudo certo na cozinha? – perguntei.
- Não se preocupe, já acabamos. – falou tranqüila. – E Sam, quando chega?
- Hm, não sei. – admiti. – Demi disse que o distrairia por algumas horas.
- Demi? – questionou confusa. – Mas no carro dela não tem a cadeirinha de segurança.
- Ela, hm, comprou uma. – tentei repreender o sorriso bobo mas falhei diante do olhar esperto de minha mãe. – O quê?
- É tão bom te ver apaixonada de novo, Sel. – senti seu braço á minha cintura.
- Tente falar isso para Brian. – suspirei cansada. – Ele precisa perceber minha idade.
- Você sabe que sempre será nossa criança. – começou. – Ele só quer te proteger.
- Mãe, tenho vinte e três anos; ele tem de aceitar com quem me relaciono. – falei com simplicidade.
- Sel, Sel. – Priscilla me chamou cansada. – Eles chegaram.
Larguei minha mãe com o mesmo sorriso que consegui recuperar. Hoje era um dia importante e não deixaria ninguém estragar isso.
Segui as crianças para a porta de entrada sendo intimada para abri-la e logo todos saíram para o gramado do condomínio.
E lá estavam eles.
A garota de cabelos pretos vestia uma de suas simples camisas xadrez vermelha com jeans escuro de coturno mal amarrado, olhos cobertos pelos óculos aviador e de encontro aos seus dedos havia a pequena mão da criança surpresa com todos os primos e amigos presentes.
O cabelo castanho claro desarrumado com os usuais shorts e camiseta pólo, um brinquedo que não conhecia preso na mão desocupada.
- Meu Deus! – a voz infantil ecoou feliz em meus ouvidos, fazendo meu sorriso ampliar. – Mamãe o que esta acontecendo?
- Feliz aniversário Sam. – respondi assistindo o corpinho se desprender de Demi e correr para meu abraço especial, fazendo-me agachar á sua altura. Envolvi-o com força fechando meus olhos para sua retribuição de sentimento. – Eu te amo filho, que você tenha muitas benções na vida.
- Também te amo mamãe. – ouvi quando se afastou, os olhos castanhos escuros brilhando da hiperatividade dos hormônios da idade. – Por isso Demi me tirou de casa?
- Exatamente. – assenti beijando a ponta do nariz macio. – Você cuidou dela pra mim?
- Claro. – riu com gosto e me fez imitá-lo.
- Vá brincar. – levantei-me indicando o fundo da casa grande. – E cumprimente seus tios, okay?
- Okay. – copiou já se afastando. – Só os que trouxeram presente.
- Samuel! – repreendi colocando as mãos no quadril, já sentindo alguém se aproximar.
- Brincadeira mãe. – riu ao sumir junto com o barulho das crianças.
Suspirei feliz. A sensação aumentando quando um conhecido braço pálido puxou-me pela barriga até encostar no tórax feminino.
- E como vão esses sentimentos maternos? – perguntou apoiando o queixo em meu ombro.
- Uma bagunça. – sorri beijando a bochecha. – Você acredita que ele fez cinco anos?
- Sim, só você não. – seu aperto ficou mais forte fazendo-me mais vulnerável. – Daqui alguns anos ele já esta saindo de casa, acostume-se.
- Demi! – repreendi batendo a mão contra a barriga em forma. – Quer me deixar apavorada?
- Desculpe. – riu não me tanto tempo de reagir quando me senti levantada no chão com rapidez. Dei um grito baixo ao me ver sendo carregada no modo noiva. – Beijo de boas vindas.
Biquei os lábios vermelhos e convidativos antes de ser colocada no chão novamente.
- Vem, podem estar procurando por nós. – entrelacei nossos dedos ao começar guiá-la pela casa de meus pais até o fundo, onde a festa estava preparada.
Alguns de meus tios mais próximos pararam o que faziam para gritar cumprimentos em nossa direção com sorrisos malandros que só faziam-me corar.
Segui para uma das panelinhas familiares onde minha mãe se encontrava.
- Mandy. – disse Demi depositando um beijo carinhoso em seu rosto.
- Demi! – alcançou o ombro da Lovato. – Alicia, essa é a namorada de Selena.
- Aah. – sorriu minha tia começando uma análise de sua aparência. – A famosa Demi Lovato. Ótima família para se relacionar, Sel. “Construtora Lovato”, não é? Seu pai é o...
- Dono. – completou Dem quando apertei ligeiramente seus dedos entre os meus.
- Nossa, imagino a quantidade de dinheiro que entra nessa empresa. – começou seu assunto favorito. – Você é a mais velha da família?
- Tia... – tentei interromper. – Essas perguntas são desconfortáveis.
- Que isso Sel, aposto que nossa Demi não se importa de respondê-las. – falou descontraída.
- Hm, claro. – sorriu minha namorada, retirando os óculos da face. – Na verdade sou a filha do meio, mas minhas duas irmãs não se interessam pela firma como eu.
- Ah, vejo. Então a herança é sua? – riu com gosto.
- Alicia. – repreendeu minha mãe.
- Vamos ver os outros convidados. – puxei-a nas garras de minha tia antes de qualquer objeção. – Desculpe por aquilo.
- Tudo bem. – sorriu passando a mão na franja. – Você já havia me falado sobre ela.
Não estava tudo bem.
Tia Alicia era a única irmã de minha mãe e a mais verdadeira cobra que já vi.
Lembro das jóias caras que comprava com um dinheiro que o primeiro marido não tinha, mas agora já estava no terceiro.
- Olha se não é a Lovato. – chamou a voz masculina.
- Pai! – seguimos para a rodinha de homens sentados. – Aqui amor, senta.
Empurrei um dos bancos de plástico para o lado do homem baixinho.
- Como vai Ricardo? – sorriu ao apertar mãos. – Brian.
O loiro acenou a cabeça sem tirar os olhos da cerveja descontraída na mão.
- Eu que pergunto. – meu pai bateu em seu ombro com força. – A empresa?
- Ótima, graças a Deus. – ficou feliz pela pergunta simples. – Faz algum tempo que deixei de ser empregada para mudar como sócia. De Lovato para Lovato, como disse meu pai.
- Fala sério? – orgulhou-se o mexicano. – Uma garota de dezenove anos já é proprietária de uma construtora. Ouviu isso Brian?
- Sim, parabéns Lovato. – desejou nas poucas palavras.
- Metade. – corrigiu Demi tímida. – Metade da construtora.
- Já é uma coisa grande, mas não me surpreendo com a decisão de seu pai. – tomou um gole do liquido espumante no copo. – Com essas notas perfeitas na faculdade é o que merece.
- Você realmente trabalha duro, baby. – sorri quando nossos olhares se encontraram.
- Cursa o que Demi? – perguntou John, amigo da família.
- Arquitetura. – respondeu ao moreno. – Sempre foi minha paixão.
- Você precisa ver os desenhos dessa garota. – falou Walter impressionado a meu lado.
- Por favor, não... – pediu Demi fazendo todos rirem.
- Mas, por falar em desenho, como anda a casa? – tornou a perguntar meu pai.
Sorri na menção do assunto, puxando nossos dedos ainda juntos para minha coxa, o cotovelo de Walter cutucando minhas costelas com graça.
- Olha só a cara da Selena. – zombou fazendo-me esconder o rosto nas mãos, corada.
- Ficou pronta a dois dias; já tenho o projeto todo feito e executado. – falou Demi. – Tudo por minha conta, até o orçamento. Já avisei Selena que pode começar a escolher os móveis e mudar.
- Estou esperando você ter uma tarde de folga. – me defendi. – Quero fazer isso contigo.
- Você é tão mais nova assim, Demi? – perguntou o ultimo da roda de amigos, Tonny.
- Hm, sim. – senti a tensão perante o que falar. – Eu e Selena temos quadro anos de diferença.
- E isso não atrapalha? – perguntou ainda interessado.
- É, não atrapalha? – repetiu Brian, agora mais atento á conversa.
- Não. – neguei rapidamente. – Demi é a pessoa mais adulta e responsável que começo. Tivemos essa discussão de idade, mas chegamos a conclusão que não podemos simplesmente esquecer pelo detalhe de quadro anos.
- É, bem, Selena lutou um pouco no começo mas... – sorriu Demi ao continuar minha fala. – A convenci que realmente quero ficar com ela.
- Entendo isso. – afirmou John. – Deve ter sido difícil principalmente pra você Sel. Digo, você já tinha o Sam na época, provavelmente e seria jogar toda uma responsabilidade nas costas de uma cabeça jovem.
- Foi exatamente por isso que disse não no inicio, mas, fazer o que? Já estava apaixonada. – deitei a cabeça no ombro cheiroso.
- Charme Lovato. – gabou-se a garota fazendo todos rirem.
- Pior que é verdade. – comecei a linha de lembranças. – Lembro que saia para trabalhar e os seguranças no condomínio me entregavam cartinhas perfumadas com frases fofas. Um buque diferente a casa dia no escritório. E, agora, uma casa.
- Nossa casa. – piscou romântica, fazendo-me corar novamente.
- Há, agora vi o charme Lovato. – riu Walter.
- Faz quanto tempo que estão juntas? – pediu meu pai.
- Hm, vai fazer dois anos. – respondeu Demi. – Em dezembro.
- Foi pedida em namoro logo no mês de dezembro? – perguntou retoricamente Tonny. – O beijo do dia primeiro veio de bônus então.
Vi a sombra de um pequeno sorriso em Brian que logo desapareceu quando o efeito da frase passou.
Ele nunca tinha aceitado cem por cento meu relacionamento novo. Não por algum preconceito, mas ainda adorava o pai de meu filho.
- E você filha. – chamou Ricardo, meu pai. – Como anda as coisas na revista?
- Perfeitas. – orgulhei-me.
- Continua como editora chefe da revista de moda? – perguntou Walter.
- Sim, só há uma pessoa acima de mim e nunca fui tão elogiada por ela. – sorri. – Não espero nenhuma promoção, mas tenho me esforçado.
- Vi uma pesquisa que as vendas aumentaram. – citou John. – Esta ficando importante.
- Realmente. – concordei. – Tem aparecido muito para comparações e a renda elevou bastante.
- Pronto, os moveis já estão pagos. – brincou meu pai.
- Não, não. – negou Demi – E casa e tudo que vai nela são por minha conta.
- Orgulho Lovato. – bufei em brincadeira.
- Mamãe! – ouvi a voz fina me chamar. – Vamos cantar parabéns.
Inclinei-me mais sobre a boca convidativa ao sentir a língua bater em meu lábio.
Os braços serpentearam por minha cintura até me ver presa entre o balcão da cozinha e a garota.
Puxei o pescoço contra nosso beijo ampliando mais seus movimentos dentro de minha boca; seu gosto permanente.
- Deus, o que estamos fazendo? – sussurrei afastando os rostos. – E se entrar alguém?
- Esse alguém vera duas pessoas se amando. – respondeu.
Tentei objetar mas no momento que meu pulmão se encheu de ar, ele escapou ao sentir o lábios molhados na lateral de meu pescoço. Chamei seu nome sabendo falar baixo demais enquanto os beijos deslizavam passando meu ponto de pulso até a base da clavícula, logo voltando a me encarar.
Uma das mãos arrastou o tecido de minha roupa com delicadeza ao subir para minha face.
- Esta tensa. – acariciou minha bochecha.
- Não faz isso. – fechei os olhos com o toque terno. – Me faz sentir como um livro aberto.
- Você é um livro. – a voz sorriu. – Só que fechado.
- Menos mal.
- Porque esta tensa? – tornou a repetir.
- É Justin. – abri os olhos encarando o rosto bonito de lábios inchados e marcados por meu gloss. – Brian o convidou.
- Isso é bom. Sammy gosta dele. – deu de ombros. – É seu pai.
- Esta agindo como se não soubesse o que ira acontecer. – suspirei cansada.
Seus dedos cessaram a caricia voltando a cair para meu quadril.
- Claro que sei o que acontecerá. – limpou a garganta. – Justin chegara com um presente gigantesco, Brian pregara seu nome na festa inteira e no final, acabam vocês dois conversando sozinhos.
- Brian me chama e simplesmente some. – tentei me defender percebendo a tristeza mascarada.
- Não te culpo. – tentou me convencer. – Mas esse cara é tão perfeito! Tem a mesma idade que você, também é formado em jornalismo, um ótimo emprego, rosto bonito e um filho. Um filho contigo.
- Nós nos amávamos, mas isso é passado. – peguei o rosto pálido entre as mãos. – Eu te amo.
- Eu sei. – suspirou. – Você sabe que também te amo. É que as vezes fico...
- Tudo bem. – completei quando a frase parou ao meio. – Vamos esquecer isso, okay? Vem. Continua a me beijar.
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