Flashback on

Biquei a taça de vinho na conversa.

- Concordo. – disse para o argumento. – O New York Times esta realmente baixando o nível, digo, é mais fácil analisar o nível bipolar do jornal em semanas. Uma estoura, ótimas matérias e a próxima se quebra.

- Por isso recusei a oferta. – falou Justin com simplicidade. – Conheço pessoas de lá que se vangloriam mas o jornal só esta realmente conhecido pelo nome.

- A Fox já ultrapassou o Times em visualizações digitais. – dei de ombros. – É uma rede ligeiramente mais nova de noticias que não se prende ao papel, é tudo muito digitalizado e eles poder ir pra frente por isso.

Observei a face feliz do homem a minha frente abrir-se num sorriso satisfeito.

- O quê? – perguntei sem graça apoiando o copo delicado na mesa para dois.

- Você é perfeita. – recostou-se com elegância e conforto na cadeira. – Perfeita pra mim.

- Justin, já discutimos isso. – estendi o guardanapo de pano branco ao lado de meu prato acabado. – Prometeu que não tocaríamos em nenhum desses assuntos.

- Eu sei. – suspirou pesadamente. – Mas, porque de tudo isso? Desculpe a pergunta, mas preciso saber.

- Porque pensei que nosso amor seria eterno e maravilhoso, mas me enganei. Pessoas erram. – respondi simples.

- Eu te amo. – declarou-se esticando o braço.

Roçou os dedos de unhas higienizadas nas costas de minha mão fechada.

A conversa é sempre tão divertida compartilhando opiniões inteligentes até chegar nesse assunto. O mesmo que sempre promete esquecer.

- Também te amo Justin, mas não assim. – puxei meu braço para de baixo da mesa com delicadeza. – Nunca vou pensar em Sam como um erro, claro, mas somos passado.

- Então porque não te vejo seguindo em frente? – perguntou retórico. – Somos ambos jornalistas Sel, fomos treinados para ler fatos e não há um mais concreto. Quando terminamos o quase casamento ficamos parados no tempo. Observou que só falamos sobre trabalho o jantar inteiro?

- Não “sigo em frente” porque quero ficar sozinha por enquanto. – expliquei. – Nunca vou procurar com quem estar Justin, a pessoa vai aparecer.

- Mas procurou estar comigo no colegial. – falou tentando esconder a indignação. – Me queria. Era apaixonada.

- Acho que esse foi o motivo de não ter dado certo entre nós: eu procurava algo. – continuei. – Queria sentir o amor pela primeira vez.

- Esta dizendo que imaginou tudo o que sentiu comigo? – questionou já ereto na cadeira de madeira.

Suspirei acariciando uma têmpora no começo da dor de cabeça psicológica.

- Acho melhor ir embora. – joguei o celular dentro da bolsa no chão.

- O que? – o tom voltou ao normal inocente. – Porque? Fiz algo?

- Não me ofendi com uma palavra se quer até agora Bieber. – levantei-me sentindo os saltos confortáveis. – Mas não acredito que será cego a esse ponto.

- Desculpe, por favor, fique. – insistiu imitando meu gesto ao de aproximar de mim marcando a altura.

- Obrigada pela conversa Justin, até a próxima. – beijei rapidamente a bochecha de cor afastando-me entre as mesas do restaurante luxuoso.

Agradeci um estranho com um sorriso falso por abrir a porta do estabelecimento para a noite tranqüila e movimentada.

Procurei distraída a chave do caro estacionado enquanto seguia andando.

Não queria brigar com Justin, nunca quero. Tento mostrar o quanto não desejo cortar relações mesmo com o rompimento do noivado, mas ele nunca ajuda. Sempre lembrando de histórias passadas, momentos românticos e passagens marcantes em nossas vidas. Só queria ter-lo como o amigo que um dia foi e sempre será a meus olhos, afinal, ele era o pai de meu filho e não quero que Samuel viva sem sua presença.

- Muito na cabeça? – escutei a voz conhecida.

Tirei as chaves com o sutil tilintar do couro vermelho da minha bolsa ao focar a figura apoiando na lateral de meu carro.

- Demi. – cumprimentei tentando parecer surpresa.

- Dallas me mandou vir buscá-la no trabalho e encontrei seu carro. – sorriu ajeitando a manga na jaqueta de moletom aberta apontando para a livraria. – Acho cheguei um pouco cedo.

Sorri tímida perante a conversa anterior com Justin.

- Isso é bom, pensei que estava me perseguindo. – desbloqueei o alarme discreto.

- Não. – riu pelo nariz desencostando do automóvel captando minha vontade de ir embora. – Foi bom ver você.

- Igualmente. – sorri abrindo a porta após um aceno breve.

Ela se virou lentamente ao dar dois passos para longe, mas logo parou.

Suspirei cansada prevendo o próximo momento.

- Selena, eu... – voltou a minha direção mas a interrompi.

- Demi, lhe imploro, agora não. – falei séria.

- É que também vi o carro de Justin e... vocês estão juntos? – perguntou curiosa ao estreitar os olhos.

Fechei os meus por alguns segundos tentando esquecer o movimento sexy.

- Sim, quer dizer, não. – soei atrapalhada. – Digo, estávamos jantando mas ele é só meu amigo... por que estou falando isso? Não é da sua conta.

- Não é? – questionou retoricamente, a atitude confiante preenchendo os olhos calmos de sempre.

- Claro que não. – aumentei o volume na garganta, me contendo para a próxima frase. – Demi, já expliquei milhões de vezes que não há nada entre nós duas.

- Não tem mesmo, você insiste em se prender! – deu de ombros. — Diga que seu coração não bate mais rápido quando me vê.

- Você tem dezessete anos e eu um filho, mesmo que sentisse algo por você repreenderia até a morte! – supliquei como se falasse com uma criança.

- Não sente nada por mim? – perguntou cruzando os braços.

- Desculpe Demi, tem tanto acontecendo na minha vida que... não tenho tempo para gostar de ninguém.

- Não acha que é um pouco tarde pra me falar isso? – via a força com que seus dedos apertavam o tecido da camisa em raiva.

- Nunca havia me perguntado... – tentei me desculpar pelo tom rude em minha voz, mas era tarde demais.

- Precisava? – riu irônica. – Realmente acha que chegaria tão cedo para buscar minha irmã se não soubesse que seu trabalho é tão perto? Tudo o que faço para tentar tirar algo a mais dessa sua boca treinada, mas parece que não existe nada para falar.

- Demi desculpe, eu devia ter...

- Sou uma idiota. – jogou as mãos nos ar. – Porque sempre pensei ver algo mais nos seus olhos. Eu tenho que pedir desculpas por ter te colocado numa jaula.

- Você nunca me prendeu. – falei baixo. – Você gosta de mim tanto assim?

- Quer saber, deixa pra lá Srta. Gomez. – falou já começando a se afastar. – Esqueça tudo.

Meu coração falhou na falta de resposta.

A de cabelos negros andava pela entrada mal movimentada da loja de livros com visível irritação.

Era obvio que ela gostava de mim. Desde que nos conhecemos me olha de um jeito diferente que faço gestão de corar em inconsciência.

Todo esse tempo com uma perseguição protetora que tive sobre seus olhos iria acabar.

Nunca estive procurando com quem ficar depois de Justin, assim como expressei para o mesmo mas me parecia tão certo entregar-me a alguém que queria minha segurança a seu lado.

Joguei a bolsa no banco do motorista com o andar rápido cruzando a calçada do estacionamento até o começo do shopping onde a livraria era o primeiro lote.

- Nunca mais me chame de Srta Gomez. – chamei sua atenção batendo nossas bocas antes de seu provável argumento sobre formalidades.

Senti a surpresa no toque receoso em minha cintura.

Passei os braços pelo pescoço puxando mais o beijo.

Os lábios gentis capturaram o meu inferior sugando com lentidão. Abocanhei mais desejosa a carne convidativa, as duas mãos fortes em meu quadril me dando mais confiança para um próximo movimento e pela primeira vez me senti no controle de algo.

Sempre me iludia por tomar as rédeas da situação e ser a primeira a levantar a mão quando as coisas não são planejadas. Mas agora assistia as portas de um trem desgovernado se fechando e minha visão esta relatando tudo por dentro.

- Hm, Demi? – quebrei o contato desviando o olhar focado para a mulher ao nosso lado.

- Dallas. – Demi ofegou.

Reconheci o nome por sua irmã mais velha, tirando logo meus braços de sua volta por educação. Mas isso não a fez me imitar.

- Quem é essa? – a irmã de cabelos loiros sujos apontou em meu sentido com ar de riso.

- Selena. – apresentou-me rapidamente. – Minha namorada.

- O quê? Não. – a exclamação saiu como pergunta; limpei a garganta. – Prazer Dallas, mas n-não sou namorada da sua irmã.

- É sim. – discordou Demi.

- Não. – neguei tirando os dedos pálidos de minha cintura. – Não sou.

Flashback off

Passei mais um foto do álbum de fotografias.

- Olha a Dallas. – exclamei animada apontando para uma das fotos arrumadas em algum tipo de ordem.

Dianna se esticou em minha direção e sorriu alegre em lembranças, logo voltando ao fogão.

- Ela costumava ir junto com Patrick jogar basquete, mas com o tempo ficou só ele e Demi. – explicou o sorriso infantil dos três na foto. – Demetria sempre foi a mais moleca.

- Ainda é. – sorri passando outra pagina. – Ela e Sam são praticamente melhores amigos.

- E você sobra, certo? – riu Dianna por algum motivo.

- Às vezes. – fui sincera.

- Bem vinda à maternidade. – desejou-me feliz. – Minhas meninas sempre foram assim, apegadas com o pai só depois Dallas começou a se interessar por coisas mais femininas mas então já tinha sua idade de adolescente. Essa idade te mata Sel, acredite.

- Acredito. – respondi apoiando o cotovelo na bancada alta onde o livro estava aberto. – Alguma dica?

- Hm, não sei. – deu de ombros pensando. – Nunca tive um garoto, mas é uma época que você tem de manter a velocidade nula entende? Eles vão se sentir pressionados com qualquer pergunta, querem encontrar o amor verdadeiro e todos, todos, são mais confiáveis que seus pais. Então o segredo genérico é conseguir uma amizade forte desde o inicio da vida.

- Obrigada. – agradeci. – Acho que estamos fazendo um bom trabalho.

Continuei observando as fotos das irmãs Lovato.

Sorri em uma percebendo o cuidado que Demi segurava Madison.

- Sabe Sel, eu nunca imaginei Demi assim. – a loira-mãe apagou o fogo dos estouros ainda constantes da pipoca virando-se a mim. – Ela sempre fugia quando pedia para cuidar de Maddie ainda bebê e agora...

- Esta indo buscar meu filho na escola todos os dias. – completei animada. – E pensar que Sam a odiava no inicio.

- Sempre acontece assim. – deu de ombros ao pegar a assadeira de cookies. – Crianças. Os dois.

Ri da piada etária escutando o portão da garagem fechar.

Fechei o caderno pegando um copo do suco na mesa.

- Mãe, cheguei. – ouvi minha namorada na porta. – O pai vai demorar mais algum tempo, disse que tem uns clientes para receber... wow, você.

Sorri quando fui notada pela garota de aspecto adolescente vestindo os tênis plataforma reta e camiseta regada com jeans.

Dianna era como uma segunda mãe para mim e nos apoiou desde o começo, mas como a mesma disse, há uma idade que você começa a distanciar-se dos pais e me sentia segura em conversar com ela.

Os dedos pálidos alcançaram um biscoito enquanto beijava o rosto da mãe.

- Esta quente, cuidado. – avisou Dianna.

- Olá. – sorri recebendo sua boca com saudade pela minha.

- Não sabia que estava aqui. – falou.

- Queria conversar um pouco. – respondi simplesmente. – Hoje estava tranqüilo na revista.

- Okay. – concordou desconfiada. – Interrompi algo?

- Pare de ser paranóica Demetria. – riu Dianna.

- Hm, certo. – abraçou minha cintura. – Vou tomar banho, já volto.

Assenti recebendo uma despedida rápida nos lábios.

- Que horas meu neto chega? – perguntou a mãe Lovato.

Notas finais
Reviews ?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.