Almas Afins
47 Capítulo 47 - "Me ajudem!"
Notas iniciais
Quinn parou o carro no acostamento rente à casa dos Berry e respirou fundo várias vezes antes de deixar o peito apertar, se sentindo sufocada. E não era culpa do cinto de segurança. Ela o soltou no momento em que pisou no freio. O real culpado era o sentimento de desespero e inutilidade que a assolava.
Por isso começou a chorar e a iniciar socos no volante, chocando as mãos fechadas em punhos no objeto.
Quinn mal conseguia discernir os seus movimentos, tampouco sentir os próprios ossos para ter certeza se aquilo doía ou não. Com certeza doía menos do que a sensação de ter tudo saindo dos eixos.
Ela não tinha certeza quando ou como cessou o choro, mas ainda sentia o rosto molhado e a respiração falha. Não podia chorar. Não podia mostrar desespero. Tinha de ser gélida para lidar coerentemente com toda aquela situação. E esperava conseguir, porque desde que tudo virou um playground,onde os brinquedos principais seriam a si mesma e Rachel, sua mente projetava o seu próprio epitáfio. Será que diriam o quanto tentou prender o assassino? Será que diriam o quanto amava a sua família? Quinn não queria e não pretendia desistir, contudo, era impossível não imaginar o pior acontecendo. A contagem regressiva estava expirando, e ela não sabia onde o serial killer estava e nem quando seria o próximo passo dele. Tudo o que ela desejava era soterrar o próprio corpo sob grossas camadas de cobertores com Rachel e Audrey e nunca mais sair de lá.
Quinn respirou fundo, sentindo o rosto secar por causa do ar condicionado que o veículo produzia, e puxou o pequeno bloco de notas do bolso interno da sua jaqueta. Antes de deixar a casa de Santana, ambas tinham listado tudo o que sabiam e o que precisavam saber por enquanto. O organograma ajudava, mas precisavam reunir as peças do quebra-cabeça.
Duas folhas foram usadas para organizar tudo. Uma para o que já sabiam e outra para o que precisavam saber.
Seus olhos passearam pelas palavras, se forçando a raciocinar o máximo que conseguia naquele instante. Por fim, jogou o bloco de notas no banco do carona e afundou o rosto no volante. Se Sam fosse realmente filho de Russel, isso significava que o bebê de Margo não tinha morrido. Então o que tinha acontecido com ele? Foi sequestrado por alguma enfermeira e deixado em um orfanato? Mas por quê? Sam nunca mencionou que era adotado, tampouco algo incomum na família. Será que ele sabia? Será que Mary e Dwight Evans tinham adotado-o quando ainda era um recém-nascido? Ou será que os próprios Evans sequestraram o bebê?
Havia, de fato, quatro possibilidades envolvendo Sam:
Ele é filho de Russel e Margo, mas adotou uma raiva descomunal ao descobrir a verdade e iniciou todo o ciclo de mortes;
Ele não é filho de Russel e Margo, mas há algo no passado dele que o fez querer matar pessoas;
Ele é filho de Russel e Margo, mas não é o assassino;
Ele é apenas Sam Evans, filho biológico de Mary e Dwight Evans e não matou ninguém.
Quinn sabia que se conseguisse fazer um exame de DNA envolvendo o material de Sam e Russel, um pouco do mistério iria ser resolvido, especialmente se eles fossem pai e filho. Poderia observá-lo mais de perto. Porém, desejava o contrário. Apesar de ajudar a achar o fim daquele labirinto, ela só queria que a quarta possibilidade fosse a certa.
No entanto, sentia que aquilo era o mais improvável.
Ela checou as horas no celular depois de sair do carro. Quase nove horas. Precisava entrar, separar algumas roupas e, principalmente, ver Rachel e Audrey.
— Mamãe!
Quinn quase desmoronou quando a filha gritou o seu nome ao passar pela porta. Estava nos braços de Leroy. Os braços esticados. Ambas se abraçaram com intensidade. A garotinha não fazia ideia do que estava acontecendo, mas Quinn precisava daquilo. Ela aspirou o aroma dos cabelos da filha enquanto ainda a apertava. Audrey não merecia viver em um mundo assim, pensou. Em um mundo tão hostil. Isso a fez pensar em Blanca, Thomas e Beth. Não podia livrar o mundo todo do caos, mas podia livrar onde tinha crescido. A cidade de muitas crianças.
— Como você está, meu amor? — Quinn tentou disfarçar a voz embargada pelo choro que estava segurando, suspirando ao sentir as mãos pequenas tocando o seu rosto.
— Ela está bem. — Leroy respondeu pela neta. Um sorriso reconfortante decorando os lábios dele. — Eu a busquei há algumas horas. Acabou de tomar banho e já comeu.
Quinn agradeceu por isso. Adorava dar banho na filha e fazê-la comer, mas diante das circunstâncias daquele dia, chegar na casa dos sogros e vê-la pronta para dormir a encheu de alívio.
— E você precisa comer, Quinn. — Ele continuou.
— Eu...
— Você vai comer. — Hiram entrou na sala de estar. — Suba, tome um banho, coloque roupas mais confortáveis e desça. Até a Rachel já comeu.
— Ela comeu?
— Comeu. Ela quis ficar forte por Audrey.
Quinn também era grata por aquilo. Era grata por ver Rachel tentar ser forte. Ela alisou delicadamente as costas da filha quando a sentiu repousar a cabeça no seu ombro.
— Eu senti sua falta, Aud.
— Eu também, mamãe. E a gente vai morar aqui?
— Vamos, meu bem. Mas só por um tempo. Não queremos incomodar os seus vovôs.
— Eu espero que não esteja falando sério, Quinn, porque é até mesmo um pecado dizer que há algum incômodo. — Hiram cruzou os braços.
— Somos uma família, e vocês vão ficar aqui. — Leroy complementou. — Agora, nós vamos treinar um pouco no piano. — Se aproximou da nora e da neta. — Rachel está lá em cima.
Quinn abriu um pequeno sorriso, depositando beijos afetuosos em Audrey e reforçando o quanto a amava antes de entregá-la para Leroy, subindo a escada que levava ao corredor de quartos.
Rachel estava sentada na cama com as pernas dobradas. Os cabelos sempre soltos estavam firmemente presos em um rabo de cavalo, e o pijama grande a deixava ainda mais baixa.
O laptop transmitia algo que não a fazia pestanejar, mas ela ergueu a cabeça ao notar a presença de Quinn, literalmente pulando para fora da cama e a abraçando.
Elas quase foram ao chão, mas a loira a segurou, apertando-a e se certificando de que ela estava bem. Uma das suas mãos foi de encontro ao interruptor, inundando o quarto de luz. Suas orbes inquietas tentando rastrear qualquer sentimento de Rachel.
— Você está bem? — Quinn segurou o rosto dela delicadamente.
— Eu estou melhor. — Rachel respondeu, pondo as mãos sobre as da esposa. — Não estou bem. As memórias não saem da minha cabeça. Foi uma cena horrível, Quinn. Eu não sei como você e Santana conseguem lidar.
— Nós precisamos lidar, Rachel. Não é algo que nos agrada, mas no final, quando capturamos o culpado, tudo parece ficar melhor, embora a perda das vítimas nunca seja reparada. — Quinn a puxou pela cintura, colando ambos os corpos.
Rachel fechou os olhos e afundou o rosto no pescoço de Quinn. Estava com tanto medo que aquilo a alcançasse. Sabia que o assassino a tinha como um prêmio, porque foi o assunto mais comentado de Lima durante meses. O seu abandono cruel foi alvo de comentários, olhares e julgamentos. Sabia que aquele psicopata estava solto, planejando o momento em que a pegaria enquanto se aproveitava de outra pessoa que cometeu o mesmo erro.
Entretanto, sua cabeça a fazia relembrar que tinha se arrependido e voltado para consertar os erros que deixara, ao contrário de Zach, Jason e Elijah. Era um ser humano e cometia erros. Erros terríveis, mas enquanto estivesse viva, poderia corrigi-los. É para isso que serve o sentimento de culpa. Causar o desejo de fazer algo melhor e de ser melhor. Não merecia morrer, mas o assassino não parecia se importar com isso.
— Eu amo você. — Rachel disse, tentando intensificar o abraço e tentando sentir mais, embora não pudesse se fundir com Quinn, infelizmente.
— Eu... eu também amo você, Rachel.
Não existia racionalidade naquele momento para esconder aquilo que já sabia. Aquilo que todos já sabiam apenas em vê-la olhar para Rachel. A amava. Sempre a amou e sempre a amaria. Quinn tinha visto o erro de todas as vítimas e tinha visto que elas não puderam ter a oportunidade de se arrependerem. Talvez Jason voltasse e ajudasse na criação de Thomas, mesmo não retomando o casamento com David. Talvez Elijah finalmente fizesse as pazes com Noah e Jake. Todavia, a oportunidade foi tirada de ambos por alguém que não tinha o mínimo poder para julgar quem merecia morrer. Era injusto e asqueroso.
— O que você disse? — Rachel achou ter ouvido errado e ergueu a cabeça para fitar a esposa.
— Eu disse... — Quinn umedeceu a os lábios. — Eu disse que amo você, Rachel.
A judia sorriu, sentindo o corpo explodir internamente desde o seu dedo do pé até o seu último fio de cabelo. O sorriso se misturando com a expressão chorosa que se formou ao permitir que as lágrimas caíssem dos seus olhos. Quinn havia dito que a amava depois de um erro grotesco. Ela sentiu o revigorar e a esperança criando raízes no seu jardim. No meio daquela tempestade, estava conseguindo enxergar o sol. Ele não era completo, mas conseguia aquecê-la. O sol era Quinn, levando o calor para o seu coração.
Rachel chorou por quase cinco minutos, ouvindo os apelos desesperados de uma Quinn preocupada, pedindo para que parasse, porque vê-la chorar era doloroso.
— Eu não acredito nisso. — Ela falou. A voz baixa e trêmula. — Você me ama. — Riu, ao tempo em que chorava. Era um riso de alegria. Um riso que a fez avançar sobre a detetive, abraçando-a.
Novamente, elas quase foram ao chão.
Novamente, Quinn a segurou.
— Isso era nítido, Rachel.
— Mas você nunca disse.
Era verdade. Nunca tinha dito. Não depois de ter visto Rachel abandoná-la sem sequer olhar para trás, mas agora, ali, com todos aqueles riscos e temendo falhar em protegê-la, assim como falhou com Kevin, Quinn não queria perder a chance de dizer que a amava também. De exteriorizar os próprios sentimentos.
— Eu estou dizendo agora. — Quinn secou secou o rosto de Rachel com a ponta dos dedos.
— Diz de novo. — Rachel pediu, segurando a mão da esposa e plantando beijos suaves.
— Eu te amo, Rachel. Você errou e...
— Eu errei. Eu errei muito, Quinn. Mas eu juro que me arrependi no momento em que pisei na Broadway.
— Eu sei que sim. É difícil apagar uma mágoa e é muito pior esquecê-la, mas eu a amo.
Rachel quase voltou a chorar, mas grudou os lábios nos de Quinn em um beijo amoroso e ansioso ao invés disso.
Elas se beijaram calmamente. Sem a urgência e a necessidade de tornar o ato mais lascivo. Rachel a beijou porque a amava. Quinn a beijou porque a amava também. Ambas se amavam. Ainda havia o erro da judia entre elas. Grande e indelével. E não tinham a promessa de que ficariam juntas depois que todo o caos fosse solucionado, mas a ideia de perder Rachel para sempre era pior do que qualquer coisa que Quinn já tinha pensado em toda a sua vida.
— O que estava assistindo no laptop? — A detetive questionou após a quebra do beijo.
— O noticiário local. Na verdade, de Ohio e dos Estados Unidos. Todos estão falando do assassino.
— Eu sei. Os federais vão intervir amanhã de manhã.
Rachel não perguntou o que aquilo significava, porque ela sabia. Quinn já tinha explicado quando o sequestro da garota anos atrás se tornou complicado demais para um departamento de Lima, embora ela tenha encontrado-a.
— Mas eu vou pedir que você pare de ver isso, porque eu sei que mostrou a nossa casa. Isso só vai deixá-la pior. — Quinn continuou.
Rachel concordou, mas abriu um sorriso gigantesco.
— O que foi? — Quinn arqueou a sobrancelha.
— Você disse que era a nossa casa.
Quinn não tinha realmente percebido o que tinha dito, mas Rachel estava feliz, mesmo que tenha odiado pensar que a aparição do serial killer tenha agilizado a conjuntura que as cercava. Era errado pensar, mas tinha um pouco de verdade naquilo. Ela só esperava que ele fosse capturado, então todo aquele inferno teria um fim.
Ela também esperou quando a esposa foi tomar banho e se secar. E apesar de não ter cabeça para um contato mais íntimo por causa de tudo o que viu, ainda se sentiu quente por imaginar que Quinn estava nua a poucos metros de distância. Havia tocado e provado de cada pedaço da pele dela em horas incessantes de sexo. Talvez quisesse esquecer aquela bagunça por algumas horas enquanto se perdia nas sensações prazerosas, mas sabia que não aconteceria, porque a situação estava frágil demais.
Além do fato de que Audrey dormiria com elas todas as noites em que estivessem ali.
...
Quinn comeu o bolo de carne que Leroy fez especialmente para eles com afinco. Ao contrário de Hiram e Rachel, ambos não eram veganos. E ela só sentiu seu estômago roncar quando a comida atingiu o seu estômago. Estava faminta.
Audrey permaneceu no colo da mãe, contando como passou o dia, e Quinn aproveitava. Precisava disso. Do carinho dela.
Ela ainda ficou algum tempo na sala de estar, ouvindo a garotinha aprender algumas notas no piano com Hiram, mas seus pensamentos estavam longínquos. Pensava em como poderia abordar Sam sem parecer suspeita e mais do que isso, como pegaria uma amostra de cabelo para fazer o DNA. Era a sua principal preocupação no momento.
— Quinn? Quinn? — Quinn sobressaltou levemente quando Rachel a chamou.
— Sim?
— Onde está Alice?
— Alice?
— Sim. Estávamos comentando que Alice adora deitar sobre o piano, mas percebemos que ela não está aqui.
Quinn enfim se deu conta do que estava acontecendo e xingou a si mesma sem verbalizar. Esquecera Alice na sua casa. Provavelmente ela tinha se infiltrado embaixo de algum móvel para se esconder do movimento que o serial killer fez ao entrar na residência.
— Eu vou buscá-la. Ela deve ter se escondido, e eu não me lembrei dela com toda aquela situação.
Rachel assentiu. Queria poder dizer para ir no dia seguinte, mas não podiam deixar Alice sozinha. Não mais do que já estava.
— Eu vou com você.
— Não.
— Então eu vou. — Hiram se prontificou.
— Não. Ninguém aqui vai comigo. O trajeto vai ser rápido, e eu logo estarei de volta.
Eles ainda tentaram insistir, mas ela foi firme na sua decisão, saindo da casa dos Berry após calçar um par de sapatos.
Como previsto, o caminho até a sua casa foi rápido e tranquilo, mas ela pegou a arma que mantinha guardada no porta-luvas do carro por via das dúvidas, colocando-a no cós da sua calça moletom depois de parar o veículo.
A rua estava tão calma quanto poderia estar às dez da noite, e as luzes apagadas da casa de Santana evidenciavam que toda a família Pierce-Lopez estava dormindo. Ela usou a chave para abrir a porta da sua própria residência, procurando o interruptor ao parar na sala de estar.
As faixas amarelas estavam lá também, principalmente no seu sofá. Não havia marcas de sangue, mas era um local de um crime. O local onde dois corpos tinham sido deixados. Ela optou por não pensar muito naquilo e tratou de procurar Alice.
— Alice! — Quinn chamou. — Sou eu, Quinn. Eu não vou machucá-la! — Sabia que a gata não iria entendê-la, mas talvez ela pudesse reconhecer a sua voz e identificar que não era uma ameaça.
Sem sucesso.
Quinn teve de entrar em cada quarto para procurá-la, finalmente encontrando-a embaixo da sua cama. Estava encolhida e com os olhos abertos.
Mais alguns minutos foram gastos até conseguir pegá-la, acariciando os pelos escuros para passar confiança.
— Se você pudesse falar, me diria o que ocorreu aqui. — Quinn pensou em voz alta. O tom recheado de querela.
Ela não estendeu a sua estadia ali, saindo da casa e caminhando até o carro com Alice nos seus braços.
A gata foi deixada no banco de trás, e Quinn estava pronta para assumir o lugar do motorista quando teve de se abaixar no exato instante em que uma pedra quebrou o vidro do carro.
Seu instinto gritou, fazendo-a sacar a arma e apontar na direção do outro veículo, mas ele estava veloz demais para conseguir atirar com precisão no pneu sem errar e acabar atingindo o motorista.
Alice miou no banco de trás, assumindo uma postura defensiva e mostrando o medo que sentia. Quinn também estava aflita. Seja quem fosse que tivesse feito aquilo, tinha deixado apenas dúvidas e uma pedra mediana que agora estava sobre o assento do carona.
Ela respirou pesadamente e abriu a porta para pegar o objeto. Seus lábios se comprimiram e seus ombros ficaram rígidos em curiosidade quando observou o papel preso no material de concreto.
Era uma carta, ela observou após tirar o barbante e desdobrar o papel. Letras trêmulas e pouco retilíneas enfeitavam-no, e Quinn começou a ler depois de se sentar no banco do motorista.
"Olá, detetives. Fabray ou Lopez. Eu não sei qual das duas vai receber essa carta. Eu me chamo Natalie Goodhart e sou a próxima vítima do assassino. Há pouco mais de seis anos, eu engravidei do meu namorado. Tínhamos dezessete anos e éramos dois adolescentes imaturos. Não tínhamos a menor estrutura emocional para criar o nosso filho, mas ainda tentamos, apesar de não registrá-lo enquanto não tivéssemos a certeza de que realmente conseguiríamos criá-lo. Bruce, meu namorado, me convenceu, prometendo que estaríamos juntos apesar de tudo, mas ele era idiota demais para cumprir promessas. No fim, ele já não passava as noites no apartamento de um cômodo que conseguiu encontrar para nós. Eu não ganhava muito sendo garçonete em Illinois. Quando ele morreu durante uma briga de bar, eu fiquei sozinha. Meus pais não me apoiavam, e tudo era caro demais. O aluguel, as fraldas, os estudos. Tudo. Eu tive de fazer uma escolha. A pior escolha da minha vida. Eu deixei o George em um orfanato. Aquilo me corroeu e ainda corrói dia após dia. E depois de alguns anos, eu finalmente deixei Illinois. Consegui me formar no ensino médio e me mudei para Lima depois de juntar as minhas economias. Eu não soube mais do George, além do fato de que ele foi adotado e passou a se chamar Harry. Ele tinha uma família que o amava e que tinha condições para criá-lo. Eu não era mais a mãe dele. Lima me proporcionou um bom emprego em um shopping. Era fácil conciliar o trabalho com a faculdade de direito. A OSU não era tão longe de onde eu morava.
Eu sou uma advogada agora. E a minha vida era tranquila até eu ser pega enquanto voltava para casa à essa hora dias atrás. Eu acordei em um beco escuro e fétido com um bilhete no bolso da minha calça. Aparentemente, o assassino sabe todos os meus horários. Aparentemente, ele está me vigiando o tempo todo. E aparentemente, ele faz isso em todas as vítimas. É como uma espécie de jogo. Ele se diverte fazendo isso, e eu já não sei mais o que fazer, porque a cada minuto eu acho que ele está me observando de algum lugar. É uma prisão psicológica, por isso não posso colocar tudo a perder. Seria como a minha sentença final. E também é por isso que não posso ir procurá-las diretamente. Se ninguém acreditar em mim e eu tiver de voltar para casa depois de procurar ajuda, eu sei que serei morta.
Tudo está sendo desesperador. Eu só espero que possam me ajudar quando lerem essa carta. O meu endereço e telefone estão logo abaixo. Não tentem uma aproximação brusca. Eu realmente não sei como vamos nos comunicar, mas precisava tentar o meu melhor. Eu não posso morrer. Ele não tem o direito de me matar.
Me ajudem!
Natalie Goodhart."
Quinn salvou imediatamente o telefone e o endereço de Natalie quando terminou de ler. Deus! Sua mente mal conseguia pensar direito. A vítima número cinco tinha entrado em contato. Poderia salvá-la. Salvá-la como não salvou Kevin. Poderia mudar esse jogo e ajudá-la.
Ela teve certeza de três coisas naquela noite:
A primeira é que não conseguiria dormir. A segunda é que teria mais tópicos para inserir no seu bloco de notas. E a terceira é que não estava maluca por se sentir vigiada ao olhar para fora do carro.
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