Almas Afins
48 Capítulo 48 - Teia de aranha...
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Quinn observou a expressão do rosto de Santana alternar entre raiva e preocupação poucos minutos depois de ter chegado na casa dela. Estavam sozinhas na cozinha. Brittany e Blanca tinham saído há algum tempo.
Os olhos verdes exaustos fitaram a xícara de café em cima do balcão. Sentia o corpo pesado. E mais do que isso, as pálpebras pesadas, mas não conseguiria dormir e sabia disso. Desde que foi abordada de maneira brusca por Natalie sem um contato direto, sua mente não parava de repassar os acontecimentos recentes. Queria ter contatado Santana mais cedo, porém não queria alarmar outra pessoa. Isso foi mais uma razão para não ter conseguido dormir. Seu carro ainda estava com o vidro quebrado quando o sol começou a surgir, e não podia deixar que Rachel, Hiram ou Leroy o vissem daquela maneira, então se encarregou de levá-lo o mais rápido possível para uma oficina. Ela agradeceu o fato de Rachel não ter acordado devido ao calmante que tomara e Audrey ter um sono pesado demais para sequer notar a sua breve ausência.
O vidro foi colocado em algumas horas, tempo suficiente para passar na padaria e usar isso como desculpa por ter saído tão cedo. Depois de deixar Audrey e Rachel na escola Shawnee, ela seguiu para a casa de Santana. Durante o trajeto, Quinn se sentiu extremamente desconfortável. Por ela e por Rachel. Tinha percebido os olhares na sua direção quando saiu do carro para abraçar a filha. Não era de se esperar outra coisa. Todos sabiam que dois corpos foram encontrados na sua casa. Era devastador e assustador. Rachel teria de suportar palavras de complacência e até mesmo comentários espalhando ainda mais a notícia. Não queria que ela tivesse ido trabalhar tão rapidamente, mas talvez realmente fosse melhor, como ela mesma disse ao pedir para que não fosse. Precisava espairecer um pouco, e trabalhar enquanto mantinha a atenção esporadicamente na filha era uma boa forma de fazer isso.
Agora estava ali, observando o líquido quente e inspirando o aroma que costumava ser tão apaziguador. Sentia falta das manhãs no departamento. Tinha plena convicção de que podia esperar qualquer coisa no seu trabalho, mas não se sentia pronta para descobrir em uma tacada só que Sam podia ser o seu meio-irmão e um serial killer.
Quando Santana finalmente terminou de ler a carta, Quinn ergueu a cabeça, vendo-a entornar o café em apenas um gole, como se ele possuísse álcool na composição. Ela tinha certeza de que a amiga queria que tivesse.
— Vamos resumir brevemente tudo o que está havendo. — Santana disse. — Existe um serial killer que mata qualquer pessoa que abandona a própria família. Não sabemos quem ele é, mas sabemos que Russel teve um filho fora do casamento com a falecida Margo Howard. Sabemos que você supostamente ouviu a voz de Sam na noite em que tentamos proteger Kevin. Sabemos que precisamos coletar algum material para realizar o teste de DNA entre Sam e Russel. Sabemos que Kevin morreu, que nunca foi noivo de Candice Cooper e, na verdade, o noivo que a abandonou grávida foi Warren. Warren também não a contatou porque sabia que se alguém descobrisse sobre isso, levantaria suspeitas. Sabemos que Warren aplicou uma técnica insana em Kevin para fazê-lo acreditar em uma falsa noiva e em um falso abandono. Sabemos que Natalie Goodhart provavelmente é a próxima vítima, e precisamos nos aproximar dela sem que alguém perceba, principalmente o serial killer. Sabemos que agora mesmo os federais estão lendo todos os arquivos desse caso e vão começar a cercar tudo. Sabemos que podemos estar na mira desse maníaco. Sabemos que os dois corvos estarão do lado de fora como dois seguranças particulares caso olhemos para fora da janela e que eles tinham um afeto enorme por Kevin, assim como parecem ter por você. — Suspirou. — Sabemos de muita coisa e sabemos que devemos investigar muita coisa, mas por onde começamos?
— Precisamos focar no teste de DNA por enquanto. É o mais simples de conseguir, embora o fato de precisarmos coletar algum material de Sam não pareça tão fácil. — Quinn bebeu um pouco do café que já esfriava.
— O Natal está chegando. — Santana retrucou. — O aniversário da Hobbit também. Um jantar de confraternização seria a situação perfeita.
— E como coletar alguma amostra biológica do Sam? Não podemos sair e ir até a casa dele. Ele iria perceber que uma das pessoas mais importantes não está presente.
— Berry e eu não somos mais amigas. Erguemos uma trégua, mas podemos falar para ele que brigamos novamente. Esse seria o motivo para eu não ter ido ao jantar. Enquanto vocês comemoram, eu reviro a casa dele sem fazer bagunça.
— E teríamos de explicar para Rachel e Brittany o porquê de estarmos fazendo isso. Você sabe que elas iriam querer saber. Se isso acontecer, não vão mais permitir a aproximação de Sam, ainda que seja necessário.
Santana foi obrigada a concordar. Já era ruim o bastante não poder contar para a esposa o que estava acontecendo, especialmente quando tinha prometido para ela que jamais esconderia algo. Porém, tudo iria piorar rapidamente se contasse. Brittany não teria a sua capacidade de fingir sem expressar medo ou repulsa caso Sam tentasse falar com ela, com Blanca ou com qualquer pessoa que amasse. O mesmo era válido para Rachel.
— Eu vou precisar estar nesse jantar, exatamente como você e David. E nós três somos as únicas pessoas que sabem de tudo o que está acontecendo.
— Não somos mais só três. — Quinn retorquiu. — Contamos tudo para Elaine recentemente.
Santana assentiu, fisgando a ideia de Quinn na própria cabeça.
— Eu nunca achei que fosse precisar pedir algo para ela.
— Acha que ela vai aceitar?
— Acho que ela faria qualquer coisa para ganhar mais reconhecimento no departamento. Se pegarmos esse assassino, vai ser uma enorme carta de trunfo. Ela vai aceitar.
— Certo. — Quinn respirou profundamente e se recostou na cadeira. — O que vamos fazer agora?
— Temos duas opções. Ir para o departamento e quase bater naqueles federais por estarem usando a nossa sala e olhando tudo o que conseguimos com o nosso esforço, ou ficamos aqui e procuramos outro caminho.
Elas optaram pela segunda opção, se dirigindo ao escritório para que pudessem organizar tudo. Primeiro, relembraram tudo o que tinha acontecido desde que o primeiro corpo foi encontrado graças a ajuda dos corvos. A equação de acontecimentos se tornando cada vez mais extensa sempre que inseriam algum fato acontecido.
O serial killer era extremamente recôndito e versado. Sabia como capturar as vítimas, como deixá-las nos lugares depois das mortes, como ser cauteloso, como desativar câmeras. Sam poderia ter conhecimento sobre tudo isso? Quinn nunca o tinha achado tão astuto quanto aquele assassino demonstrava ser. Ou será que ele sempre foi esperto, mas nunca mostrou essa nuance? E ele tinha um cúmplice? Alguém que o ajudava com alguma tarefa mais árdua? Eram tantas indagações sem respostas que quase a fizeram socar a mesa que continha a pilha de papéis. Era como andar em círculos. Nada do que descobriu era realmente grande para fechar uma das tantas lacunas daquele caso.
— Candice Cooper. — Ela ouviu Santana falar. Em um tom baixo, mas não o suficiente para impedi-la de franzir o cenho.
— O que há com Candice Cooper?
— Candice Cooper tem uma filha. Precisamos saber quem é.
— Não achei que fosse tão importante. Acha que ela teria alguma ligação com tudo isso?
— Por que não tentar? Ela é filha de Warren, não de Kevin. Algum resquício de mágoa que a fez se transformar em uma assassina em série?
Era uma possibilidade relevante. Tinham visto a filmagem do assassino na porta da casa de Quinn, e os trejeitos indicavam ser um homem. Altura, postura, largura dos ombros. Mas por que não? Qualquer suspeita era bem-vinda nas circunstâncias atuais.
Não demorou mais do que dois minutos para que Candice atendesse a ligação.
— Senhora Cooper, aqui é a detetive Lopez. A minha parceira, detetive Fabray, está aqui também, e nós estamos tentando montar o quebra-cabeça que está deixando todo o país aflito. Para isso, precisamos de qualquer informação. Até as mais inusitadas. Na nossa última ligação, não nos fixamos no fato de que a senhora tem uma filha. Pode nos informar o nome dela e algum telefone para contato?
— A minha filha não fez nada, se é o que querem saber. Por que agora decidiram que precisam do contato dela?
— Warren Morton foi o homem que a engravidou e a abandonou. A sua filha talvez pudesse saber disso. Não estamos afirmando que ela é a responsável pelos assassinatos. Não achamos que seja, mas precisamos falar com ela. Qualquer pista que tivermos pode nos ajudar antes que mais alguém seja morto.
Aquilo quase convenceu a mulher, que permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de suspirar.
— Eu sou legalmente obrigada a fazer isso?
— Não, não é. Mas não estaríamos pedindo se não fosse importante para o caso.
Outro breve instante de taciturnidade.
— Minha filha se chama Hayden Cooper.
Quinn não ficou surpresa com o nome, mas sim com o telefone que Candice informou. Santana agradeceu antes de encerrar a chamada, garantindo para a mulher de meia-idade que nada de mal aconteceria com a filha dela.
— O que aconteceu? Por que parece estar atordoada? — Santana ficou tensa ao perceber o olhar de Quinn.
— O telefone. Hayden. — Ela não terminou a frase e puxou o próprio celular do bolso. — Merda.
— Hayden Cooper. É a Hayden que eu estou pensando? — Santana pareceu entender, e o aceno que recebeu de Quinn a deixou confusa e novamente nadando em um mar de elucubrações.
— Eu não entendo. O nome dela é Hayden Fairbanks. Não Hayden Cooper. Por que ela mudaria?
— Ela pode ter usado o sobrenome de outro parente. Mas eu não entendo o motivo disso tudo. Se ela sabe que é filha de Warren e que Warren fez tudo o que ele fez...
— Ela... não... Santana. Não pode ser. Hayden é uma pessoa incrível, que cuida da Audrey há dois anos e nutre um afeto enorme por ela.
— Então precisamos falar com ela o mais rápido possível para entender tudo isso, ou então a Audrey pode estar sendo ensinada por uma assassina. Até mesmo uma possível cúmplice. A altura e a postura não coincidem com o mesmo corpo das filmagens que vimos, mas nada a impede de ajudar o assassino a se vingar de pessoas que causaram mágoas parecidas com as deles.
Quinn assentiu. Era preciso conversar com Hayden para que pudessem esclarecer tudo. Não podiam arriscar estar deixando alguma coisa de fora. Ela sabia que o certo seria entregar aquela informação para os federais e deixar que fizessem o trabalho, mas não podia. Queria capturar o assassino. Schatten a guiou até o primeiro corpo por algum propósito. Ele nunca deixou de avisá-la sobre algum assassinato em Ohio envolvendo o Homem Sem Coração. Não iria ser condescendente.
— E qual a ordem de importância? — Ela questionou. — Precisamos falar com a Hayden, mas também precisamos pensar em uma forma de estabelecer um diálogo com a Natalie. Se conseguirmos falar com ela, seria um passo na frente do assassino. Ela está aterrorizada.
— Você sabe que ele pode estar blefando, certo? O assassino pode ter dito no bilhete deixado com Natalie que ele tem acesso aos horários e aos hábitos diários dela, mas pode ser que seja tudo uma grande mentira. Talvez ele não tenha acesso e esteja apenas aplicando medo nas vítimas. Provavelmente ele fez isso com todos. Por isso nunca pediram ajuda.
— Talvez seja tudo um blefe, mas como saberemos? Estamos em um labirinto repleto de armadilhas, Santana. Podemos ir até a casa da Natalie e garantir a segurança dela, mas e se o assassino se zangar? Se ele capturar alguém que amamos como uma punição? Ele é o nosso maior algoz, e não sabemos o que fazer sem arriscar algo precioso. Ele sabe sobre Elaine? Ele está nos vigiando constantemente? Temos realmente alguma chance contra toda essa barreira que ele criou?
— Só vamos saber se arriscarmos, Quinn. Parece injusto, mas não há outra opção. Ele pode ser o Sam ou pode ser outra pessoa. Ele pode ter Hayden como cúmplice ou talvez nem tenha um cúmplice. Ele pode ser estúpido e fingir ser esperto o suficiente para que acreditemos e tenhamos medo de agir rapidamente.
— Ou ele também pode ser realmente esperto. Ele pode ter controle sobre tudo e estar esperando a hora certa para fazer alguma coisa. E... droga! Não há realmente como saber sem nos arriscarmos. — Quinn apoiou o corpo na mesa do escritório. — Eu gostaria de tirar toda a minha família de Ohio. Até mesmo do país. Nada mais é seguro, Santana. E se fôssemos todos juntos? Ele nos encontraria?
Elas se encararam mutuamente. Havia medo, receio e uma preocupação tão intensa que as orbes de Quinn marejaram diante da possibilidade de acabar perdendo alguém que amava. Não sabia se conseguiria proteger Natalie, tampouco sabia se conseguiria proteger Rachel. Sua cabeça pesava. O sono disputando dominância com a vontade de ir rapidamente até a escola Shawnee conversar com Hayden.
Santana se aproximou. O semblante triste e recíproco. Suas mãos seguraram os ombros de Quinn.
— Não somos mais as responsáveis pelo caso, mal temos para onde ir nessa corrida contra o tempo e há uma série de questões que não estão resolvidas. Eu também estou em pânico, Quinn. O assassino pode tentar alguma coisa contra a minha família, mas sabemos que precisamos colocar um fim nisso tudo. E se fôssemos embora? E se nunca fosse provado quem, de fato, é o assassino? Se ele resolvesse dar um tempo até nos procurar para finalizar essa lista? Há tantas possibilidades. A mais improvável é a de que vamos conseguir pegá-lo depressa, mas não é impossível. Nada é impossível. Precisamos tentar, não é? No final, a tentativa é o que determina o sucesso ou o fracasso.
— E o meu maior medo é o fracasso. — Quinn respondeu. Santana tinha razão. Precisavam tentar. Tentar o máximo que pudessem. Não poderia sucumbir. Não ali. Não diante de tantos caminhos a se tomar. — Vamos para a escola Shawnee.
Ambas concordaram e estavam prontas para deixarem o escritório quando Santana parou de repente.
— O que aconteceu? — Quinn perguntou.
— Warren. Warren nasceu em Rhode Island.
— É, eu sei. Ele não parava de comentar o quanto aquele lugar era minúsculo. Muito menor do que Ohio.
— Warren. Letra "W". Letra vinte e três do alfabeto. Ele nasceu em Rhode Island. A letra da primeira palavra. Letra "R". Letra dezoito do alfabeto. — Santana disse. — Vinte e três menos dezoito.
— Vinte e três menos dezoito. — Quinn repetiu automaticamente. — Cinco. Warren também pode ser a vítima número cinco. Natalie e Warren.
— Quem vai ser pego primeiro? Ou será como Kevin e Margo?
Quinn impediu que um palavrão saísse da sua boca.
— Mais uma coisa a se adicionar no nosso bloco de notas.
— E ainda estamos surpresas? — Santana tentou brincar, apesar da situação ser cruel demais para que alguma risada preenchesse o ambiente.
Elas saíram da casa logo em seguida, entrando no carro de Quinn para que pudessem iniciar o itinerário até a escola primária. Esperavam que Hayden cooperasse em contar alguma coisa útil para sanarem uma pequena parcela de todo esse caos.
Entretanto, antes que pudessem sequer passar pelo sinal de trânsito, Schatten crocitou, só assim fazendo as duas detetives perceberem que ele sobrevoava o automóvel com Munin ao lado dele.
— Ótimo. Vamos ser acompanhadas. — Santana foi irônica, segurando firmemente o volante e sentindo calafrios a cada vez que a ave emitia som. Não gostava disso.
Quinn não respondeu, e Santana virou a cabeça por um momento para vê-la apertar as coxas o mais forte que conseguia. Parecia imóvel. A respiração ofegante e a atenção fixa na estrada a deixaram preocupada.
— Quinn? — Santana chamou, tentando dividir a atenção entre dirigir e observar a amiga.
— Ele quer ser seguido. Eles querem. — Quinn disse. — Precisamos segui-los.
— Como você sabe disso? Eles estão voando acima de nós. Mal podemos vê-los.
— Mas podemos senti-los. — Quinn fitou Santana.
— Está me dizendo que consegue sentir o que eles querem através desse som extremamente desagradável? — O silêncio obtido foi a resposta que Santana precisava. — Que merda, Quinn! Isso não acontecia antes.
— É por isso que eu estou tão assustada quanto você.
O tom incrédulo e aflito de Quinn quase fez Santana parar o carro para precisar processar tudo o que estava acontecendo. Há quase três meses, tinha seguido Schatten até Zach Collins, mas o fato do corvo voar na frente da viatura deixava nítido que queria alguma coisa. Ele era como uma bússola. Hoje, contudo, não havia corvo algum que pudessem ver. Sabiam que eles estavam voando alto. O crocitar que lançavam não parecia indicar nada.
Mas indicava para Quinn.
Santana xingou baixo em espanhol, observando os corvos se aproximarem dessa vez. Não foi preciso tantas informações para onde deveriam ir, porque conheciam o lugar. Quando o veículo parou, elas observaram a casa de Warren.
O carro dele estava parado rente ao acostamento. Ele estava em casa, mas deveriam estar no departamento.
Ambas sentiam a tensão emanar de uma para a outra a cada passo dado até chegarem na varanda do imóvel. Se sentiam em uma teia de aranha. Como se estivessem presas, mal conseguindo se mexer, enquanto o assassino assistia e se deleitava por ter as presas na sua armadilha.
As armas foram sacadas antes que batessem na porta.
Ninguém veio recebê-las.
Outra batida.
Novamente.
Mais uma vez.
Nada.
— Você só pode estar brincando comigo.
— Talvez ele esteja dormindo.
— Ou morto. — Santana atalhou.
Quinn se encarregou de checar se a janela direita estava aberta.
— Aqui. — Ela chamou, usando as duas mãos para abri-la e forçar o corpo para entrar.
Santana espelhou o movimento dela.
Tudo estava em perfeita ordem. Não havia sinal de luta ou qualquer bagunça na sala de estar, cozinha e área dos fundos, mas Warren estava ali.
Elas subiram os degraus da escada do hall silenciosamente. Não podiam fazer barulho. Se o assassino estivesse na casa, teriam de ser melhores e mais ágeis do que ele.
No entanto, elas não encontraram o Homem Sem Coração. Ao invés disso, encontraram Warren. Todos os órgãos estavam no corpo dele, mas estava em perigo.
— Merda! — Quinn guardou a arma, correndo para segurar as pernas do capitão e impedir que ele sufocasse ainda mais, ao passo em que Santana subiu em cima da cama e tirou a corda que envolvia o pescoço dele.
Foi quase impossível que o homem de meia-idade não fosse ao chão, levando Quinn junto com ele. Ao contrário dele, ela ficou de joelhos e iniciou a massagem cardíaca.
— Não! Você não vai morrer agora! — Os movimentos eram constantes e precisos. O rosto completamente rubro e a falta de espuma sanguinolenta saindo da boca de Warren denotavam que não estava morto. Não podia estar. Quinn não sabia há quanto tempo ele tinha ficado sem ar, mas pedia mentalmente para receber algum sinal positivo.
Santana, ao lado dela, pedia uma ambulância urgentemente pelo celular. Ainda que ele fosse reanimado, era imprescindível levá-lo para o hospital.
Quinn sentia os braços começarem a doer, mas não ousava parar a massagem cardíaca.
— Vamos lá, Warren! Vamos!
Ela não discerniu quantos minutos se passaram, mas relaxou os braços e se sentou no chão quando Warren começou a tossir desenfreadamente, recuperando gradativamente a cor habitual do rosto. Seu pescoço doía. Estava fraco e parecia um pouco difícil respirar.
Eles não conversaram. Quinn sentia o coração bater forte, ouvindo-o zunir nos seus ouvidos, e a ambulância não tardou a chegar.
Mais procedimentos foram feitos em Warren antes de ser levado para o veículo, e um olhar trocado com as detetives foi o suficiente para saber que teriam muito o que conversar.
— O dia mal começou e eu já quero que termine. — Santana disse. — Para onde vamos agora?
— Para o hospital. Não há como fugir das nossas perguntas estando em um hospital.
Santana concordou, e elas chegaram no Centro Médico Mercy Health St. Rita's perto da hora do almoço, aguardando pacientemente o médico permitir a visita, o que custou quase uma hora.
Warren não estava dormindo quando ambas adentraram o quarto. E nem estava temeroso. Parecia cansado. Fisicamente e emocionalmente.
— Vocês querem saber tudo, não é? Kevin, os corvos, Candice, o abandono, o gaslighting, Russel, Hayden. — A voz dele estava fraca, porém audível.
— Você conhece a Hayden? — Quinn arqueou a sobrancelha.
— Vamos do início. É bom se sentarem. Há bastante coisa para ser dita.
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