Almas Afins

40 Capítulo 40 - Medos e angústias (Parte I)...


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Eu espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn se lembrava de ter estudado sobre os tipos de medos e como ele pode se moldar com a angústia, transitando até mesmo com o pavor. Tudo isso foi criado por Freud há incontáveis anos. A divisão de três dualidades. O modo como a angústia é o resultado do perigo e da espera, ou como o medo precisa de um objeto para que seja possível dirigir a atenção sobre ele, ou como o pavor é diferente de tudo isso, sendo guiado pela surpresa.

Ela também se lembrava da primeira vez em que sentiu essas sensações tão intensas. Foi o primeiro caso significativo que recebeu. A mãe desesperada para encontrar a filha, que tinha sido levada pelo pai transtornado com o fim do casamento. Esse problema logo se mesclou ao fato do homem ter uma ficha extensa de pequenos delitos, incluindo agressão.

Os dias e semanas que passou estudando todo o trajeto que ele poderia fazer baseado no histórico do seu passado foram os mais angustiantes da vida de Quinn. Ao buscar Audrey na casa dos pais, ela mal podia conter as lágrimas ao imaginar a si mesma na situação daquela mãe atordoada. Suas sensações transitaram entre o medo e a angústia até achar uma pista sobre o paradeiro da criança. Algumas viaturas acompanharam-nas, e enquanto observava Santana dirigir, Quinn sentiu o medo se transformar em pavor. Estavam indo para a fronteira que dividia os Estados Unidos do México e não sabiam o que esperar quando chegassem lá. Não sabiam se a garota estaria bem e nem se conseguiriam pegá-la. Quinn detestou o seu trabalho pela primeira vez.

Felizmente, tudo ocorreu bem no final. O pai da criança foi levado pelos policiais, e Quinn se sentiu aliviada ao presenciar o encontro da mãe com a filha. Foi como um alento apreciado. Tudo ocorreu da melhor forma possível.

Mas ela nunca esqueceu o medo que sentiu.

Era o mesmo que sentia agora.

A única diferença entre eles era a intensidade. Quando estivera resolvendo aquele caso, ela sabia que encontraria o pai da criança. Ele não era tão astuto ou tão metódico quanto o Homem Sem Coração e também não a tirava de órbita, porque não envolvia a sua família. Mas agora envolvia. E o serial killer era extremamente habilidoso com o que fazia, desde os assassinatos até como se esconder.

Ela soltou um longo suspiro, acariciando levemente a cabeça de Schatten quando ele apoiou o bico na sua bochecha.

— Você também está com medo? — Ela murmurou, quase como uma pergunta automática. Sabia que não receberia uma resposta.

Quinn direcionou a atenção para Santana, que ainda encarava a mesa de centro sem pestanejar. As unhas curtas raspavam no tecido da roupa que tinha roubado do hospital. Ela fazia isso quando estava tentando não ouvir o seu lado impulsivo.

— Você quer ir até o Sam, não quer?

— Eu quero. E quero socá-lo bastante. — A latina respondeu, afundando as unhas na própria perna.

— Nós não sabemos se eu ouvi corretamente, Santana.

— Nós podemos descobrir. Podemos ir até ele e...

— Isso não vai acontecer.

— E por que não, Quinn? Qual é o problema? — Santana fitou a amiga. Os olhos escuros brilhando em uma ira desmedida.

Quinn respirou fundo e se levantou. Ainda estava cansada. Precisava e queria descansar, porque sabia que os efeitos do tranquilizante ainda estavam agindo no seu sistema sanguíneo, ainda que minimamente.

— Vamos pensar por um segundo, tudo bem? Sam não falaria comigo se não tivesse o intuito de me fazer ir até ele. Eu não faço ideia do motivo, mas ele quer. Quer que eu esteja ciente sobre ele e quer brincar comigo. Não podemos atacá-lo de frente, Sant. Não é dessa forma que vamos proteger todos. Ninguém enfrentaria um dragão diretamente. Precisamos contorná-lo.

Santana ficou tácita por longos segundos. Estava pensando, e Quinn também sabia que, no fundo, ela enxergaria o sentido daquilo tudo. Não podiam ir diretamente até Sam. Ele jamais deixaria escapar alguma coisa. Precisavam fazer o contrário. E fazer o contrário não agradava Quinn nem um pouco.

— Eu vou chamá-lo para um passeio.

— O quê? Você... o quê?

— Lembra daquele fliperama com jogos dos anos noventa em Akron? Eu o levei quando ainda namorávamos. Acho que pode ser bom para conversamos casualmente. Como amigos. — Quinn deu de ombros.

— Eu vou com vocês.

— Não. Ele vai acabar desconfiando.

— Mas ele vai desconfiar de qualquer forma. Ele sabe que você o ouviu. Isso se ele for mesmo o assassino.

— Se ele for o assassino, eu vou descobrir, Sant. É a minha família que ele quer destruir, e eu não vou permitir que isso aconteça.

No fim das contas, Santana foi condescendente apenas quando Quinn garantiu que teria uma escuta presa na sua roupa para que pudesse ser ouvida caso algo acontecesse, e após determinarem mais alguns detalhes, elas deixaram a residência de Kevin.

Schatten não estava mais no ombro de Quinn quando ela voltou ao hospital com Santana, fazendo questão de ir até a sala de espera para que seus amigos e parentes pudessem vê-la, o que incluía Rachel, que andava aflita de um lado para o outro. O objetivo do bilhete deixado no quarto não foi bem-sucedido. Ela não estava calma. Quando acordou e não sentiu a presença de Quinn, Rachel quase teve uma síncope, mas então ela encontrou o pequeno papel dobrado ao seu lado na cama. No entanto, ela realmente teve uma síncope ao terminar de ler. E desde então estava inquieta na sala de espera sob o olhar dos demais, tentando se convencer de que a esposa não estava em uma situação periclitante.

Ela quase deixou que as lágrimas escapassem para fora dos seus olhos ao avistar Quinn. As roupas que ela usava poderiam enganar qualquer pessoa, e sua pele contrastava com o azul do uniforme médico. Rachel pensou por meros segundos se sentiria a mesma preocupação se a detetive tivesse optado por medicina. Provavelmente não.

Foi Judy quem se pronunciou, se levando abruptamente.

— Onde você estava, Lucy Quinn? Eu vim o mais rápido que pude quando fui informada sobre o que houve e depois descubro que você fugiu do hospital. O que está acontecendo? — Ela perguntou, visivelmente nervosa e preocupada.

Quinn não respondeu, e Rachel soube que ela não responderia. Estava mais pálida do que o normal, e seus olhos pestanejavam lentamente, como se estivesse forçando a si mesma a pensar incessantemente.

E estava.

Estava pensando sobre o que aconteceu e sobre o que poderia acontecer. Tinha medo, tinha o desejo de capturar o assassino e, principalmente, tinha tanto sono. Estava exausta. Precisava descansar. Todavia, precisava de algo mais importante do que isso.

— Eu... quero ver a Audrey. — Ela disse. A voz arrastada e monótona.

— Ela está bem. Está com a Cassie. — Frannie respondeu enquanto se aproximava da irmã.

— Eu quero vê-la, Frann. Eu preciso vê-la. — Quinn desviou do toque de Frannie e deu meia-volta, iniciando o trajeto para fora do hospital.

— Aonde você vai? Volte aqui, Lucy Quinn! — Judy ordenou, mas não obteve sucesso.

Quinn continuou andando, seguindo a sua vontade interior, até sentir uma mão delicada segurar na sua, causando o conforto que nem sabia precisar. Rachel, diferente dos, outros sabia. Sabia que a esposa não pararia até chegar ao encontro da filha. E se não podia convencê-la a ficar, então se juntaria à ela.

No entanto, sair do hospital não seria fácil como na primeira vez.

Quando chegaram ao lobby, o médico responsável por ela e Santana impediu que ambas prosseguissem.

— Você precisa ficar aqui, detetive Fabray. Ainda está fraca.

— Eu estou bem. Eu já passei por coisas piores, doutor. — Quinn rebateu.

— E eu acredito nisso, mas agora você precisa deitar e relaxar.

Ela passou alguns segundos sem responder, mas acabou rindo, sentindo os pares de olhos na sua direção, principalmente os de Santana, que ignorou o fato de Brittany estar zangada para focar a sua atenção nela.

— Relaxar não está nos meus planos por tempo indeterminado. — Quinn tentou continuar andando, mas foi novamente bloqueada.

— Eu não posso deixá-la sair. É contra o regulamento do hospital.

— E todo regulamento também tem a cláusula que permite a saída de um paciente se ele se comprometer em assinar um documento de responsabilidade, certo? — O médico não respondeu, e ela continuou. — Ótimo. Eu quero assiná-lo.

Rachel não aprovava aquilo, porém não contestou mais do que três vezes. Ela poderia ser a garota exigente e falar infinitamente sobre o porquê aquela decisão não era correta, mas não obteria resultado, então deixou que Quinn assinasse os papéis necessários e trocou algumas palavras com o médico antes de sair do lugar. Uma boa alimentação e descanso seriam o suficiente para deixá-la melhor.

Elas logo se despediram de todos e foram para o carro. Rachel dirigiu até a casa de Frannie e Cassandra, dialogando brevemente com elas mas logo voltando até o veículo, onde Quinn estava. Ela não tinha mais forças para caminhar sem se sentir extremamente exausta, mas não evitou sorrir amorosamente quando a filha apertou os braços ao redor do seu pescoço e se negou a ir para a cadeirinha.

As mãos pequenas tatearam cada pedaço de pele do rosto da mãe, e Quinn fechou os olhos, apreciando o contato, apreciando o aroma suave de Audrey e apreciando o calor que adornou o seu coração por tê-la tão perto. A amava mais do que podia sequer tentar mensurar.

— Eu senti saudade, mamãe. — Audrey afundou o rosto no ombro da detetive. — A mama Reichel disse que a senhora... viajar. — Murmurou.

— Eu também senti saudade, meu amor. — Quinn apertou o corpo menor enquanto beijava-a na testa repetidamente. — Eu senti meu coração doer com a falta que eu senti de você.

— Ele doendo agora, mamãe? — A garotinha se alarmou.

— Não, meu bem. A dor não é literal, e eu não estou mais sentindo, porque você está aqui comigo.

— O que é li...ral? — Audrey franziu o cenho, brincando com a ponta dos cabelos da mãe.

— Bom... eu disse que meu coração está doendo, mas não está. Não de verdade. Mas a saudade que senti de você me deixou triste, então eu posso dizer que ele doeu. É uma expressão. — Quinn explicou de forma resumida.

— Então a saudade faz doer aqui? — Audrey apoiou a mão no peito.

— A saudade faz doer no coração, mas não como quando nos machucamos realmente. — Quinn afastou um pouco dos cabelos escuros que ocultavam o rosto da filha.

— Eu senti isso... ontem. E sinto quando a tia Britt ou a tia Sant levam a Blanca embora.

— Blanca? — Rachel se pronunciou. Um sorriso estampando os lábios cheios.

— Rachel...

— Eu só estou falando que daqui a uns doze anos...

— Rachel!

A judia riu, voltando a mirar a sua atenção na estrada. Ela achava completamente adorável a ligação das duas garotinhas e não refreava a própria risada quando Quinn mostrava ser uma mãe protetora e ciumenta. Ela definitivamente odiaria se a amizade de Audrey e Blanca florescesse na adolescência.

Adolescência.

Pensar em ver a filha adolescente fez o coração de Rachel ricochetear. Como tudo estaria no futuro? O Homem Sem Coração seria capturado? Claro que seria, ela afirmou mentalmente. Ele seria capturado, tudo voltaria a ficar bem, Audrey cresceria em uma família cercada de amor e seria uma adolescente de inteligência e carisma invejáveis.

Ela só esperava ainda estar casada com Quinn até lá. Era a sua esperança.

E seu maior desejo.

Quando o carro parou na garagem, elas saltaram para fora, e Rachel se preocupou quando a loira grunhiu.

— Eu só estou...

— Cansada? Eu percebi isso. Deveria ter ficado no hospital.

— Eu estou bem aqui. Estou bem em casa. — Quinn entrou na residência segurando a filha.

Rachel não soube identificar se o modo como ela evitou usar o pronome possessivo ao se referir à casa foi proposital ou acidental. Também não sabia se ela estava, gradativamente, deixando implícito que aquele lugar era seu de novo. Rachel torcia para que sim, porque não pretendia sair dali.

Quinn subiu até o próprio quarto com Audrey e se acomodou na cama enquanto era seguida por Rachel, mas bastou apenas algumas frases para que o sono batesse à porta, sequestrando-a fortuitamente.

— Mamãe? — Audrey chamou quando a loira parou de respondê-la.

— A sua mãe dormiu, meu amor. — Rachel se sentou na ponta da cama. — Ela está cansada da viagem. O que acha de prepararmos o jantar?

Audrey concordou de imediato, e a judia vestiu Quinn com um dos pijamas confortáveis, beijando-a superficialmente nos lábios logo depois.

— Eu amo você. — Ela sussurrou e se retirou do quarto.

As horas seguintes transcorreram normalmente. Rachel falou com os pais, David, Brittany e Frannie, que ligaram para saber notícias de Quinn, e passou o resto da tarde com Audrey. Ela quase suspirou em felicidade. A esposa estava em casa, a filha estava ao seu lado e a paz momentânea que reinou sobre a sua cabeça quase a fez pensar que tudo estava bem por um breve período de tempo.

Mas não estava.

O serial killer estava em algum lugar de Ohio. Rachel se perguntou o que ele deveria estar fazendo. Talvez traçando uma nova vítima ou talvez apenas assistindo tevê, exatamente como ela fazia agora. Sua cabeça também pensou se ele ia ao supermercado e esperava pacientemente a fila para pagar as compras, se tinha algum animal de estimação. Uma gata como Alice. Todas as respostas poderiam ser positivas. Ele era um ser humano como qualquer outro. O único detalhe que o separava do resto da população era a sua crueldade e frieza. Rachel nunca tinha parado para pensar com clareza como alguém tinha coragem de matar outra pessoa apenas por prazer. Era preciso ter um estômago forte. Ou uma mente desequilibrada. Provavelmente ele possuía os dois. E essa era uma combinação desagradável.

Era começo de noite quando Quinn entrou na cozinha. Vestia um short e uma camiseta de algodão, e seus cabelos úmidos evidenciavam o banho recente.

Rachel estava terminando de colocar os pratos na mesa enquanto intercalava o seu olhar entre forno e a filha, que acariciava Alice sentada no balcão.

— Ei. — Quinn chamou, sorrindo quando Audrey ergueu os braços em um pedido mudo para ser segurada.

— Quinn! — Rachel se virou para fitá-la. — Está se sentindo melhor? Eu ia levar o jantar para você.

— Eu estou sim, obrigada. — Quinn apoiou o corpo na pia depois de pegar Audrey. — O que vocês fizeram a tarde toda?

— Nós nos divertimos bastante. — A judia sorriu. — Assistimos alguns filmes, e a Aud adorou as músicas de Mamma Mia. Ele quase superou o amor pelo O Mágico de Oz, mas não foi o suficiente.

Quinn riu.

— Então você gostou de Mamma Mia? — Ela direcionou a pergunta para a filha.

— Eu gostei. — Audrey assentiu. — E a mama Reichel fez cookies de chocolate.

— Cookies de chocolate? Eu espero que tenham guardado para mim. — Quinn abriu a boca diante do silêncio das duas. — Não guardaram? Eu não acredito nisso! — Fingiu incredulidade.

— Eles tavam bons, mamãe. Desculpa. — Audrey pediu, mesmo que o seu rosto não mostrasse arrependimento.

— É, Quinn. Eles estavam bons. — Rachel sorria.

— Eu não vou conseguir perdoar vocês duas.

— E o que nós precisamos fazer para conseguir o seu perdão?

— Qualquer coisa?

— Qualquer coisa.

Quinn fitou a filha.

— Eu vou querer um beijo longo e bem amoroso.

Audrey sorriu sapeca, segurando o rosto da mãe e distribuindo beijos na bochecha dela.

Quinn a apertou, apreciando o afeto que recebia, mas arqueou a sobrancelha ao ser alvo do olhar penetrante de Rachel.

— O que foi?

— Você também quer o meu beijo longo e amoroso?

Quinn sentiu o rosto ganhar uma coloração escarlate com o questionamento. Tinha pensado em Audrey quando anunciou o que queria, mas agora, fitando a esposa se aproximar, ela não conteve o impulso de encarar os lábios grossos, desviando a atenção em uma velocidade impressionante.

— Eu... acho que algo vai queimar se não desligarmos o forno agora.

Rachel arregalou os olhos, praticamente correndo até o aparelho para desligá-lo e abrindo-o para ter certeza de que nada tinha sido queimado.

— Droga, Quinn! Eles nem terminaram de assar. — Ela fitou a detetive com o semblante irritado.

— Eu sei, mas foi o único jeito de afastá-la.

— E por que queria me afastar? — Rachel cruzou os braços.

Quinn suspirou e caminhou até a sala de estar para não sucumbir à vontade de beijá-la na frente da filha. Não se sentia à vontade com isso, ainda que Audrey não pudesse ver para se certificar do que estava acontecendo.

Ela se sentou no sofá com a garotinha.

— Quer me contar como foi na casa da tia Cassie e da tia Frann?

Audrey aquiesceu e iria iniciar a narração, mas a campainha tocou. Quinn a deixou no sofá e foi até o hall.

Ela achava ser Brittany ou David, mas sua expressão não podia ser mais confusa quando observou Russel na sua frente. Ele sempre comunicava quando iria fazer uma visita e normalmente estava sempre acompanhado de Judy. Não agora. Ele estava sozinho.

— Pai?

— Oi, filha. Eu posso entrar?

— Claro, claro que pode. — Ela se afastou da porta.

— Vovô? — Audrey se animou instantaneamente quando Russel foi até a sala de estar.

Russel sorriu para a neta e a pegou nos braços. Quinn ainda estava surpresa, observando-o em busca de alguma nuance que explicasse aquela visita repentina. Amava o pai, mas o conhecia o suficiente para saber o quão pragmático ele era. Ainda que dissesse não ser necessário, Russel sempre ligava para comunicar que estava indo até a sua casa.

Ele cumprimentou Rachel cordialmente quando ela entrou no cômodo. Não parecia guardar algum tipo de rancor, e Quinn agradecia por isso. Não queria um cenário incômodo, principalmente com Audrey presente.

— Você vai jantar conosco hoje?

— Janta, vovô! — Audrey pediu. A cabeça descansando sobre o ombro dele.

— Eu adoraria, mas eu já jantei com Judy. Eu estou aqui para conversar com você, Lucy. — Ele foi gentil, mas a última palavra fez o estômago de Quinn se contrair. Russel nunca a chamava de Lucy em uma circunstância casual e descontraída. Havia algo mais. E esse mais estava deixando-a temerosa.

Rachel percebeu de imediato. Ela conviveu tempo bastante com a família Fabray para conhecer os detalhes que o cercavam. Chamar Quinn de Lucy, Frannie de Francine e Judy de Judith poderia ser sinal de uma discussão ou somente uma conversa séria. No caso atual, se tratava apenas da segunda opção, ela arriscou afirmar.

Quinn assentiu e agradeceu à judia silenciosamente quando ela chamou a atenção de Audrey, levando-a para a cozinha depois de Russel abraçá-la um pouco mais.

— Podemos ir para o seu quarto?

— Claro.

O caminho era curto e rápido, mas Quinn sentiu a tensão no ar acompanhá-la até o cômodo. Ao fechar a porta, Russel foi rápido em puxar do bolso interno do seu blazer um envelope amarelo retangular.

Ele estendeu o objeto na direção da filha.

— Pegue, Quinnie.

Ela assim o fez. E não foi necessário outro pedido para abri-lo. Sua confusão tomando proporções desmedidas ao fitar as oito passagens só de ida para Luisiana.

— O que...

— Eu quero que você vá morar em Louisiana e leve toda a família com você. — Ele foi direto. — Temos uma casa lá.

— Mas... pai, o que está acontecendo?

— Eu preciso de vocês longe de Lima, Quinn. Longe de Ohio. — Ele passou as mãos no rosto. Estava contendo um atordoamento inevitável e estava com medo. Quinn podia ver isso. — Tudo fugiu do controle. Algo horrível pode acontecer em breve.

— Fala comigo, pai! O que está acontecendo? Alguma coisa aconteceu e o levou a comprar oito passagens de avião para nós, mas e você? Não viria conosco?

— Eu não posso.

— Por que não? — Ela tentou manter a calma, embora estivesse igualmente inquieta.

Russel ficou tácito, depois, ele respirou fundo e se sentou na cama, apoiando os cotovelos nas coxas. Quinn nunca viu a postura dele tão melancólica.

Ela prosseguiu.

— Pai... você sabe de algo, não sabe? Algo sobreo assassino? Eu preciso saber o que é.

Demorou cerca de um minuto até Russel levantar a cabeça e despejar o peso do mundo nas costas de Quinn. Pela segunda vez, ela sentiu a sua coluna se quebrar de modo utópico tamanha carga emocional e não esperada.

— Eu vou ser o próximo na fila desse louco, porque talvez... talvez eu seja o pai dele, Quinn.

Quinn sentiu todo o ar deixar os seus pulmões. Ali, naquele instante, ela foi atingida com o medo, a angústia e o pavor, que se mesclaram no seu interior. Tão fortes que fizeram as suas pernas enfraquecerem.

Ela se sentou ao lado do pai. Ainda não dizia nada e não precisava verbalizar. Russel sentia o mesmo.

A bola de neve densa e pesada estava aumentando.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. Boa segunda-feira e início de semana para todos vocês. =D twitter.com/yasagron