Almas Afins
41 Capítulo 41 - Medos e angústias (Parte II)...
Notas iniciais
Era o primeiro dia das férias de verão, e Quinn não podia estar mais eufórica. Contrariando a normalidade das crianças de dez anos, ela acordou cedo, pulou para fora da cama em segundos e, ainda de pijama, saiu do quarto. Russel prometeu passar aquele sábado inteiro ao seu lado, e ela cobraria ao pai. Não queria perder mais tempo.
A mansão Fabray estava completamente silenciosa. Frannie ainda ressonava e provavelmente continuaria assim até Judy acordá-la. A festa que frequentou na noite anterior a fez chegar em casa tarde, o que ocasionará um sermão durante o almoço.
Quinn ignorou o eco que seus pés causavam no assoalho enquanto corria até o quarto dos pais e parou levemente ofegante na frente da porta de madeira clara. Estava pronta para bater, mas recuou ao ouvir vozes alarmadas soarem do cômodo.
Ela não tinha o costume de ouvir conversas alheias, principalmente porque Judy a ensinou que era errado. Contudo, com as circunstâncias atuais e sentindo a curiosidade aumentar consideravelmente, Quinn apoiou a orelha esquerda na porta, tentando ouvir mais claramente o que se passava lá dentro.
— Por que eu não deveria estar alterada, Russel? Você acha que sou idiota? — O tom de Judy era tão duro e raivoso que fez o corpo de Quinn estremecer. — Você acha que estou casada com você há mais de vinte anos para ser feita de idiota? Nós temos duas filhas!
Russel a respondeu de imediato. Quinn percebeu. Ela até ouviu a voz grave do pai, mas não conseguiu distinguir o que ele dizia. A madeira grossa da porta impedia ruídos baixos, e ela nunca odiou tanto esse fato.
Todavia, Judy continuou falando alto.
— Eu quero que você resolva a droga desse problema, porque eu não vou deixar que ele escape para fora desse quarto e atinja essa família! Você tem até o final desse mês, ou então é melhor nos esquecer!
Os olhos verdes com detalhes avelã duplicaram de tamanho ao ouvir a mãe tão decidida e parecendo tão indolente. Quinn sabia como ela estava controlando a si mesma para não explodir ali mesmo. Era o que ela fazia quando uma discussão estava saindo dos limites. Judy respirava fundo e entrava no modo analítico e automático.
Mas Quinn não era assim. Ela sentiu as orbes arderem com as lágrimas, porque sabia que seu pai não brincaria naquele sábado e porque não queria que ele fosse embora.
Ela correu quando ouviu passos pesados dentro do cômodo, passando pelo próprio quarto e adentrando o da irmã. Não houve hesitação para subir na cama de casal, tampouco ao abraçar Frannie com força, que despertou lentamente momentos depois.
Ela ficou confusa ao sentir uma presença ao seu lado apertando-a, mas logo adotou uma expressão preocupada quando viu o corpo menor tremendo pelo choro.
— Quinnie? O que aconteceu?
Quinn não respondeu. Seu choro forte e intenso continuou, e Frannie retribuiu o afeto, aconchegando-a no próprio corpo. Ela não entendia o motivo pelo qual a irmã estava assim, mas Quinn não era uma garota que chorava com frequência. Quando isso acontecia da forma como estava acontecendo agora, significava que ela estava com medo ou estava machucada fisicamente.
Frannie afirmou a primeira hipótese mentalmente.
— Eu... — Quinn fungou, encarando-a com o rosto avermelhado. — Acho que o papai vai embora, Frann.
Quinn se levantou inesperadamente ao ser atingida pela lembrança forte. Ela não esperava se recordar daquele acontecimento há quinze anos, porque foi efêmero. Depois de contar o que ouviu para Frannie, ela se encarregou de conversar com os pais sobre isso, e a mentira contada por ambos foi capaz de enganar a Quinn de dez anos até tudo aquilo perder a devida importância na sua memória. Mas agora, com todo aquele caos, ela se lembrava com nitidez.
— Há quinze anos, quando eu acordei no primeiro dia das férias de verão do quinto ano e ouvi você e a mamãe discutindo sobre um problema que tinha de ser resolvido, não era uma questão do seu trabalho. Era a questão da traição, não era?
— Sim. Era a questão da traição. — Russel respondeu sem ponderar. Não tinha mais fundamento mentir ou esconder isso da filha. — Ela descobriu sobre esse caso que eu tive logo após você nascer e quase pediu o divórcio. Demorou bastante até que o nosso casamento voltasse ao normal, mas eu nunca contei para Judith sobre o filho.
— E o casamento só voltou ao normal quando você deixou de ter contato com a mãe do seu filho, não foi? Você a deixou sozinha. — Quinn respirou fundo na tentativa de aplacar a raiva que sentia do pai. — Você marcou um encontro com ela, foi frio o suficiente para entregar uma quantia grande de dinheiro e depois voltou para casa. Você voltou para a sua vida comum com duas filhas e esqueceu completamente do seu filho.
— Eu não podia, Quinn. Eu juro que queria fazer algo melhor, mas eu não podia. As pessoas de Lima falam demais e...
— Como quando Frannie se descobriu lésbica? Ou quando eu me descobri lésbica? As pessoas falam, mas esquecem, pai! Você só não podia esquecer do seu filho!
— São casos diferentes. — Ele se levantou. — Eu não podia perder a sua mãe. Eu amava e amo a Judy. Por mais que pareça mentira, eu a amo. Ter dormido com outra mulher foi uma estupidez, e eu me arrependi.
— Você só não contava com a gravidez. — Quinn rebateu. — Você esperava desaparecer depois de ter traído a mamãe, mas a outra mulher engravidou e quis ter esse bebê. Você ordenou que ela abortasse? — Ela contorceu o rosto em um misto de nojo e assombro diante do silêncio de Russel. — Oh, meu Deus.
— Eu estava assustado, Quinn. Tão assustado como nunca estive. Eu quase coloquei tudo a perder com um erro estúpido.
— Eu também estava assustada quando engravidei no ensino médio! Eu era uma garota de dezesseis anos com uma vida planejada, mas sei que me sentiria mal se Noah pedisse pelo aborto. Ela deve ter ficado arrasada. — Quinn retrucou. Estava tão atordoada.
— Quinn...
— Eu quero que você me passe todas as informações da mãe do bebê, porque eu quero conhecê-la. Eu preciso saber se o assassino é quem eu estou pensando que é.
— O que... o que você sabe sobre ele?
— Eu só preciso disso, tudo bem? Eu preciso das informações.
— Você não pode ir atrás dela, Quinn. Eu não sei mais nada sobre ela.
— Então me passe o nome dela. Eu cuido do resto.
Russel suspirou pesadamente e fitou as passagens de avião sobre a cama.
— Eu sei que ele provavelmente virá atrás de mim, sendo meu filho ou não, e eu quero isso, porque quero conversar com ele, ainda que isso implique na minha morte.
Quinn se retesou por um momento. Russel foi estúpido e vil ao pedir que a mulher com quem teve um caso tirasse o bebê e por trair Judy, mas ele era o seu pai, afinal de contas. E não queria deixar que ele morresse.
— Você não vai morrer. Eu vou pegar o assassino.
— Mas...
— Eu não sei se ele vai atrás da Frann, da Cassie ou das crianças, mas elas não podem abandonar tudo aqui. Se fomos todos embora, ele vai mudar todo o plano, e nós precisamos saber para qual rumo seguir antes que isso aconteça.
— E o que nós vamos fazer?
— Santana e eu vamos até essa mulher para saber tudo sobre o filho de vocês, e depois... depois eu vou preparar a festa de aniversário da Audrey.
Quando Russel foi embora, Audrey já estava dormindo. Quinn lamentou não ter dado boa noite para ela, mas passou rapidamente no quarto dela antes de ir para a sala de estar. Estava fazendo tudo automaticamente. Seus pensamentos viajavam desde a sua lembrança até a conversa longa que tivera com Russel. Ela mal podia acreditar que ele poderia ser o pai do serial killer. Que ele poderia ser o pai de Sam. Isso implicaria no fato de serem irmãos, e seu estômago se revirava só em cogitar essa possibilidade. Ela tinha conhecido os pais de Sam quando ainda namoravam. Mary e Dwight Evans eram pessoas incríveis, assim como os irmãos mais novos dele, Stacey e Stevie. Pareciam amorosos, e Sam fazia qualquer coisa por eles. Na verdade, Sam fazia qualquer coisa por qualquer pessoa, o que deixava Quinn mais melancólica por pensar que ele era um assassino. Talvez tenha descoberto recentemente que não era filho biológico de Mary e Dwight e adquiriu um ódio letal por pessoas que abandonam filhos ou uma família completa ao saber da verdade. Era plausível. Muito plausível. Mas também era triste e difícil de pensar. Ele era o seu ex-namorado, amigo e um dos tios favoritos de Audrey, mas de repente, poderia se tornar o seu meio-irmão, com quem quase transou no passado. Pensar nisso fazia o seu peito doer.
Estava tão inativa do mundo real que não sentiu Rachel sentar ao seu lado, mas despertou quando ela segurou a sua mão e iniciou um afago agradável.
— Eu estou com tanto medo, Rachel. Medo de tudo piorar, medo de não pegar esse assassino.
— O que houve? O que Russel disse para você? — Rachel continuou o afeto, puxando a esposa até que ela apoiasse a cabeça no seu colo.
Quinn iniciou a narração sobre o diálogo que tivera com o pai, não omitindo nada, e Rachel ouviu. Ouviu tudo calada e pacientemente enquanto sua mão se perdia nos cabelos claros, deixando evidente que estava concentrada ao tempo em que queria transmitir amor e proteção.
No final, Quinn deixou que uma lágrima escorresse da lateral do seu olho.
Rachel prontamente a enxugou.
— Eu sei que você está com medo. Eu estou com medo. Todos ao nosso redor estão com medo. Ohio inteiro está em estado de alerta. Estamos em um período de medo, e eu também sei que você quer pegá-lo, mas eu não posso perdê-la, Quinn. Parece egoísta, mas eu não consigo imaginar viver sem você aqui, mesmo que eu tenha de conviver com o meu arrependimento e com a sua mágoa para sempre. Eu prefiro que você esteja viva, ainda que longe de mim. — Rachel foi sincera. — Eu tenho tanto medo que o assassino venha até mim, mas o meu medo também se aplica em você e no risco de perdê-la.
— Ele não vai pegá-la, Rachel. Eu já disse e repito que isso não vai acontecer. — Quinn se sentou novamente. — Eu vou até o inferno para encontrá-lo.
— Você nem sabe quem ele é, Quinn.
Quinn se calou. Ela elucubrou por um instante se deveria contar à Rachel sobre Sam, mas permaneceu tácita. Não queria deixá-la mais angustiada.
— Eu não sei quem ele é, mas eu posso descobrir. Meu pai me deu o nome da mulher que pode ser a mãe dele. Quantas Margo Howard devem existir em Ohio?
— Você tem certeza disso, Quinn?
— Eu não tenho certeza de muitas coisas atualmente, Rachel, mas eu tenho certeza de que vou ultrapassar qualquer barreira para capturá-lo.
A judia se limitou em assentir. Quinn estava decidida, então ela deixou as palavras de lado, se aproximando para plantar um beijo amoroso e longo na testa dela, levando os lábios até a bochecha e posteriormente à boca rosada.
Quinn deixou que Rachel a beijasse, porque sentiu falta daquele contato, apesar de nunca confessar isso verbalmente. Talvez precisasse esquecer momentaneamente o furacão que parecia aumentar constantemente.
Rachel aprofundou o beijo quando recebeu a aprovação que queria, quase gemendo por degustar do sabor da esposa outra vez depois do que aparentava ser um longo tempo. Ela encostou a própria língua na dela, deixando o ato mais íntimo, mas não tão erótico. Independentemente de querer mais contato, sabia que aquele não era um bom momento depois de tudo o que aconteceu, então se contentou em beijá-la. Diversas vezes. Durante incontáveis minutos.
Ambas permaneceram no sofá trocando carícias afetuosas. Rachel suspirava por sentir o corpo de Quinn sobre o seu, e a sua mão acariciava a nuca exposta pelo rabo de cavalo, deixando tudo mais carinhoso. Queria tocá-la o quanto pudesse. E continuaria, se não fosse a garotinha que entrou a sala de estar segurando o bastão em uma mão e o elefante de pelúcia na outra.
— Mamãe? Mama Reichel?
Elas pararam de se beijar, e Quinn se levantou, pegando a filha delicadamente nos braços.
— O que aconteceu? Não conseguiu dormir?
Audrey negou com a cabeça e escondeu o rosto no ombro de Quinn.
— E por que não conseguiu?
— Porque tá frio, mamãe.
Quinn sorriu. As cobertas da filha eram capazes de aquecê-la, mas sabia que isso era uma desculpa para que pudessem dormir juntas.
— Então o que acha de dormirmos no meu quarto hoje?
Audrey sorriu, assentindo rapidamente, e Quinn a beijou na ponta do nariz.
— Então vamos.
Rachel ficou de pé.
— Eu acho... que vou para o meu quarto agora. — Ela caminhou até a garotinha e a beijou na bochecha.
— Não quer dormir conosco?
Foi Quinn quem perguntou. Rachel esperava que Audrey fizesse tal pedido, mas ela se adiantou, deixando-a verdadeiramente feliz naquela angústia que vivia.
— É claro que eu quero.
Elas caminharam juntas até o quarto da detetive e se aconchegaram em pouco tempo. Audrey talvez fosse a mais radiante das três, exibindo um sorriso de satisfação por ser abraçada pelas duas mães.
— Eu te amo. — Quinn sussurrou para a filha.
— Eu... amo, mamãe. — Audrey bocejou, sentindo o sono voltar rapidamente.
Ela dormiu primeiro, e Rachel a espelhou minutos depois. Quinn ficou por último. Sua cabeça pesava em pensamentos inquietos e não queria ressonar, mas ainda sentia o corpo esmorecido.
Isso a fez beijar a testa de Audrey e Rachel.
— Eu amo vocês, Rachel.
Rachel não ouviu pela segunda vez.
Quinn era grata pela segunda vez.
...
No dia seguinte, tudo voltou ao normal. Ou o que normal poderia significar. Quinn deixou Audrey e Rachel na escola Shawnee e retornou até parar no acostamento rente à casa de Brittany e Santana.
— Eu achei que o cansaço nunca deixaria o meu corpo. — A latina disse depois de abrir a porta e permitir a passagem da amiga.
— Eu não dormia tanto assim desde o ensino médio. — Quinn respondeu. — Brittany e Blanca já saíram?
— Já. E a Britt me fez prometer que não sairia hoje, mas eu não posso ficar mais um dia estagnada. — Santana suspirou. — Eu estou aflita com tudo isso, mas eu quero pegar esse assassino, Q. Eu não quero recuar.
Quinn assentiu, feliz por ter o apoio e a afirmação de Santana. Era a sua parceira e melhor amiga. Não poderia resolver todo aquele quebra-cabeça sem ela.
— Precisamos ir em um lugar, mas antes disso, você precisa saber de algumas coisas.
Os minutos seguintes foram gastos na mesma narração que contara à Rachel na noite passada. Quinn monologou desde a visita repentina de Russel até quando ele foi embora.
— Então o Homem Sem Coração, que possivelmente pode ser o Boca de Truta, pode ser o seu meio-irmão? Deus, Quinn. Isso é estranho.
Quinn teve de concordar. Ainda era ruim pensar nisso. Provavelmente sempre seria. Torcia para que Sam não fosse o assassino na mesma intensidade em que torcia para ele não ser o seu meio-irmão.
Por último, ela puxou um papel pequeno do bolso.
— Eu enviei uma mensagem de texto para Dylan com o nome e sobrenome dela e recebi o endereço hoje de manhã.
— Então o que estamos esperando? Vamos até lá!
Quinn concordou e esperou que a amiga se trocasse para que pudessem sair. A rota traçada até o endereço enviado por Dylan foi feita em quase cinquenta minutos, e a casa pequena situada em um bairro relativamente periclitante de Columbus era o objetivo delas.
Santana bufou quando saiu do carro e viu um aglomerado de homens robustos puxando algo dos bolsos e distribuindo entre eles no fim do quarteirão.
— A minha vontade agora é de levar todos presos.
— Eu também sinto falta do meu distintivo. — Quinn assentiu, pondo a mão sobre o coldre ocultado pela jaqueta. A arma estava bem posicionada caso algo ocorresse. Agradecia por ter sempre uma reserva no seu armário.
Ambas pararam na frente da porta, e Santana bateu na madeira gasta.
— Quem são vocês e o que querem? — A mulher de meia-idade indagou na janela do primeiro andar.
Quinn levantou a cabeça para fitá-la. Não podia analisar cada detalhe do rosto dela, mas parecia cansada e aborrecida.
— Nós precisamos conversar com Margo Howard. É importante.
— Se for sobre as drogas, eu não vendo há algum tempo, mas posso providenciar caso tenham uma boa quantia de dinheiro.
— Não... não, obrigada. Não é sobre drogas. É um assunto delicado. — Santana foi cordial.
A mulher hesitou, mas desapareceu da janela, surgindo na porta momentos depois. Seus olhos analisaram as detetives minuciosamente.
— Vocês não são dessa área da cidade.
— Não somos. Mas precisamos falar com a Margo. É você, não é?
— Sou eu sim. — Ela cruzou os braços.
— Podemos entrar?
— Eu quero saber o motivo de estarem aqui.
— Por favor, nos deixe entrar, então contaremos tudo. — Quinn pediu. Estava sendo sincera, e Margo talvez tenha percebido, porque deixou que entrassem.
O interior da casa aparentava ser ainda menor pela bagunça presente. Caixas de pizza, latas de cerveja e alguns resquícios de heroína estavam espalhados pelo pouco espaço.
Margo se sentou no sofá. Era uma mulher bonita, mas estava consideravelmente abaixo do peso e tinha a aparência desleixada. Os olhos verdes com olheiras profundas não eram como os seus. Eram mais claros. Quase o mesmo verde dos olhos de Sam, Quinn pôde constatar. Ainda que sua boca não fosse como a dele, a matiz das íris foi o suficiente para fazer seu coração saltar dentro da sua caixa torácica. Talvez estivesse perto de saber alguma coisa significativa.
— E então? Quem são vocês e o que querem?
— Meu nome é Sarah, e essa é Lily, minha amiga. Nós somos detetives... — A última frase fez a mulher se assustar, mas Quinn logo tratou de continuar. — Mas não temos a intenção de prender ninguém aqui. Só queremos saber se você conhece Russel Fabray.
— Vocês são detetives, estão vendo drogas espalhadas aqui e querem saber se eu conheço aquele verme? — Margo indagou e recebeu a confirmação de ambas. — É claro que eu conheço. Ele é um desgraçado.
— Vocês tiveram um filho, certo? — Santana perguntou.
— Como vocês sabem disso? — Margo arqueou as sobrancelhas.
— Há algumas evidências que apontam esse filho envolvido em algo fora da lei, e precisamos de toda ajuda possível.
Margo ficou sucinta. Ela finalmente encolheu os ombros com aquela informação. Ter pensado em Russel fez uma série de memórias eclodirem na sua cabeça. Memórias boas e, principalmente, ruins.
Ela balançou a cabeça em negação.
— É impossível esse filho estar envolvido nisso.
— Por quê?
— Porque ele morreu logo depois de nascer.
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