Almas Afins
30 Capítulo 30 - Instinto...
Notas iniciais
A primeira reação de Quinn foi ficar surpresa. A sensação de incredulidade a atingiu como um lampejo em uma noite tempestuosa. Foi forte, efêmera e deu lugar à raiva iminente, fazendo-a respirar fundo enquanto fitava o rosto impassível de Noah.
— Como disse? — Ela tentou manter a calma.
— Eu quero você fora daqui. Já basta ter olhado o seu rosto durante a reunião do McKinley. Eu não quero ver de novo. — Ele foi firme.
— Você vai olhar. Não vamos esquecer que Beth agora vai ter contato comigo, então eu sinto muito, Noah, mas o meu rosto vai ser visto com frequência, e acho melhor escolher bem as palavras ao falar comigo, ou então pode ser preso por desacato.
O homem apertou as mãos em punhos em cima da mesa, e Quinn percebeu isso. Ele estava se controlando ao máximo, não diferente dela. Ela queria abaixar o ego dele com alguns socos, mas não podia, porque uma câmera registrava toda a conversa e porque não podia correr o risco de ser afastada do caso.
Elaine decidiu se pronunciar.
— Vamos começar, então.
— Eu já disse que a quero fora daqui. — Ele continuou insistente.
— Que tal você ir embora? — Santana interveio. — Se sua mãe não teve nada de útil para ajudar no caso, eu tenho certeza de que você não vai ter. Esse é o nosso trabalho, e as questões pessoais precisam ser deixadas fora disso.
Noah apoiou o corpo no respaldo da cadeira e cruzou os braços contra o peito coberto pelo uniforme da Força Aérea. Um sorriso debochado cresceu nos seus lábios.
— Eu encontrei Elijah algumas poucas vezes. Em um desses encontros, ele disse que um homem o estava seguindo e que o via sempre ao sair de casa. Mas se quiserem saber os detalhes, a Quinn vai ter de sair. — Ele propôs.
Santana praguejou baixo, tentando não xingar Noah em voz alta. Aquela era, sem dúvidas, uma informação que precisavam urgentemente, mas não podia simplesmente apoiar o pedido dele. Quinn era a sua melhor amiga e acima de tudo, era a detetive daquele departamento também. Seria, de fato, errado tirá-la dali, e a latina não iria.
— É isso o que você quer, não é? — Quinn apoiou as mãos na mesa, curvando o corpo para olhar nas íris avelãs do seu ex-namorado. — Você quer me humilhar no meu ambiente de trabalho porque eu o humilhei na casa de Shelby.
— Você o humilhou? — A voz de Santana ecoou atrás da amiga. — Mas você disse que conversaram e entraram em acordo mútuo.
— Eu menti. — Quinn se virou, encarando a latina. — Eu tentei ser cordial, mas ele abriu uma condição para que eu pudesse ter contato com Beth. O pedido por uma noite de sexo. Eu não só recusei como quase quebrei o seu braço e acho que foi algo mínimo, porque você merecia muito mais. — Disse a última frase olhando novamente para Noah.
— O quê? — Santana estava atônita com a revelação de Quinn. Quando a encontrou no dia seguinte à ida na casa de Shelby, ela havia dito que tudo tinha sido calmo e que Noah percebeu o erro que cometeu, propondo encontros esporádicos entre ela e Beth. A latina então abandonou a ideia de assustá-lo. Entretanto, agora sabia de algo totalmente diferente. Algo baixo, mesmo vindo do homem sentado na sua frente. Isso fez a sua corrente sanguínea se agitar com força. — Seu desgraçado nojento! — Vociferou, tentando, literalmente, pular sobre a mesa e acertá-lo com o seu punho, mas Elaine foi rápida em segurá-la pela cintura, puxando-a para trás. — Me solta! Eu vou acabar com ele! — Se debatia nos braços da outra mulher.
Noah se ergueu da cadeira rapidamente, fazendo-a cair em um baque surdo no piso frio da delegacia, e deu dois passos para trás, temendo internamente que Elaine não conseguisse suportar a força da latina enfurecida por tanto tempo.
E foi isso o que se sucedeu.
Santana se esquivou dos braços de Elaine e correu na direção dele, segurando a lapela do blazer azul-escuro e empurrando-o contra a parede.
O impacto fez com que Noah soltasse um grunhido pela dor nas suas costas, mas Santana não se importou, apertando as mãos no tecido de poliéster.
— Eu não sei o que me deixa mais enojada. Você fazer isso com a pessoa que deveria ter sido especial na sua vida ou fazer isso com uma mulher. Os dois, com certeza. Há tantos como você por aí, e muitas mulheres não conseguem se defender como a Quinn conseguiu, porque infelizmente são ameaçadas e têm medo de fazer alguma coisa. — Santana praticamente rosnava. — E você merecia uma lição. — O joelho dela foi de encontro ao apêndice de Noah em um golpe certeiro, e ele quase gritou, escorregando na parede até sentar no chão com a mão na virilha.
Dessa vez foi Quinn quem a afastou dele, perplexa diante da agilidade com a qual Santana fez tudo. Em certo momento, Noah estava sendo pressionado contra a parede e agora estava soltando baixos murmúrios com o rosto vermelho pela dor que julgava ser indescritível.
— Você não devia ter feito isso. — Quinn bronqueou. — Eu já me defendi na casa de Shelby.
— Mas parece que não foi o suficiente, porque ele ainda consegue achar que tem algum direito sobre você. Eu espero que o seu ego fique tão esmagado quanto o seu brinquedo precioso ficou agora. — Santana cuspiu as palavras na direção de Noah.
Ele tomou uma respiração longa e profunda, sentindo a dor ser substituída por um latejar incômodo.
— Vocês sabem que a câmera registrou tudo. Estarão em maus lençóis em breve.
— O vídeo pode ser apagado. — Elaine se antecipou em responder. — E ninguém vai ver isso. Vai ser a palavra de um homem amargurado e machista contra a palavra de três detetives confiáveis. — Cruzou os braços, se sentando na borda da mesa.
— Desgraçadas! — Ele conseguiu esbravejar. — Isso não vai ficar assim.
— Será que não podemos parar com isso? — Quinn disse, deixando o lado racional falar mais alto. — Nós somos pais de Beth e deveríamos ter uma boa convivência por ela. Você foi e está sendo um idiota, mas não podemos nos acalmar? Sem brigas? — Agachou perto de Noah, estendendo a mão.
Ele olhou da mão até o rosto bonito e delicado de Quinn. Alguns fios loiros escapavam do rabo de cavalo e eram tão macios. Noah se lembrava perfeitamente disso quando os soltou enquanto faziam sexo anos atrás. Havia gostado da textura deles. Por um instante, ele se perguntou se ainda cheiravam ao shampoo de maçã verde.
Por fim, ele negou com a cabeça, incapaz de aceitar um acordo de paz, porque nutria uma raiva irreparável de Quinn. Tudo podia ser diferente. Eles podiam ter criado Beth e podiam ser uma família. O sonho quebrado e a realidade que ficou apenas onírica não permitia que Noah aceitasse uma relação apaziguadora com ela.
Quinn suspirou e recolheu a mão, se levantando logo depois.
— Você sabe que Ohio está em alerta com esse assassino e sabe que muitas outras pessoas ainda podem morrer. Não use o seu ego agora, Noah. Apenas nos diga o que você sabe.
— Que Ohio vá para o inferno! Todos já sabem que esse assassino mata apenas quem abandona a própria família. — Ele se ergueu com um pouco de dificuldade. — Todos comentam isso nas ruas, porque já ligaram as peças que as notícias puderam revelar até agora. Eu nunca abandonei ninguém, tampouco Shelby, então não preciso me preocupar com ele. O problema é a Rachel, não é? Está com medo pela sua esposa? Pela pessoa que a fez de idiota? Talvez ela mereça isso por não ter aguentado o peso de uma filha cega e ter partido para longe de vocês.
Quinn nunca achou que pudesse sentir novamente o mesmo ódio que sentiu quando ele mencionou Audrey pela primeira vez na casa de Shelby, mas estava sentindo naquele momento. É difícil descrever como o seu corpo fica quente, ou como um zunido agudo ecoa nos seus ouvidos. Tudo parece agir de forma automática, e Quinn estava daquela forma. Todo aquele ódio latente e quase palpável fez com que ela andasse até Noah e o socasse no rosto. Tão forte que ele cambaleou para trás, batendo bruscamente na parede.
No entanto, Santana entrou na frente da amiga quando ela pegou a arma e apontou na direção de Noah, temendo o que Quinn poderia fazer movida por um sentimento tão negativo como o ódio puro, que servia como um ácido, podendo corroer até mesmo o ser humano mais complacente já existente.
— Quinn... — A latina chamou, vendo-a encarar Noah sem pestanejar. — Q... — Segurou o cano da arma, abaixando-a delicadamente. — Vamos nos acalmar um pouco. Elaine pode cuidar disso, não é? — Migrou a sua atenção para a outra mulher, que assentiu preocupada.
— É claro. Eu vou ouvir tudo e anotar cada detalhe.
Quinn ainda o fitava. O ódio se misturando com a frieza crescente, transformando os seus olhos em duas esferas verdes gélidas, livre de qualquer ponto dourado. Ela passou pela amiga e parou perto de Noah.
Ele tinha um rastro de sangue no canto da boca, e sua bochecha ganhava um hematoma visível.
— Eu disse para não abrir essa boca suja para tocar no nome da minha filha outra vez e não admito que fale assim da minha família. Espero que saiba que eu vou garantir que pague por isso. É uma promessa. — Ela guardou a arma no coldre e saiu da sala com Santana ao seu lado.
As duas voltaram para a sala que dividiam, e a latina pegou um copo de água para Quinn, que tinha acabado de sentar no sofá de dois lugares.
— Obrigada. — A loira disse. O tom baixo, mas audível, e ela bebeu um pouco do líquido.
Santana se acomodou ao lado dela, e ambas permaneceram em silêncio até Quinn quebrá-lo.
— Eu achei que fosse perder o controle. Eu... não vi Noah como Noah. Eu o vi como um inimigo. Eu quase cogitei puxar o gatilho, Santana. — Ela fitou a amiga.
— Não foi sua culpa, tudo bem? Ele mereceu. Você viu as coisas que aquele canalha falou? Se alguém dissesse isso da Blanca ou da Britt, eu também perderia a cabeça. — Santana tentou confortá-la.
— Por que você sempre está pronta para me defender, seja qual for a situação?
— Porque eu conheço você há muito tempo. Quando você engravidou da Beth, eu não estive ao seu lado. Eu só pensava em mim, na minha popularidade e em garotos estúpidos como o Noah. Eu via você andando pelos corredores cabisbaixa e com a mão na barriga e não conseguia ir até você para mostrar que eu estava ali, porque nunca estive. Eu nunca fui uma pessoa bondosa até decidir ficar com a Britt e receber a rejeição da minha abuela. Você esteve comigo como eu nunca estive com você. Depois disso, nós sempre fomos uma pela outra, não é?
Quinn assentiu, piscando algumas vezes para impedir que algumas lágrimas escapassem dos seus olhos lacrimosos.
— Nós fomos madrinhas dos nossos casamentos.
— E somos madrinhas das nossas filhas. E eu sei que você faria o mesmo por mim.
— Sim, eu faria. — Quinn concordou. — E faria tudo isso por David também.
— Nós duas faríamos. — Santana encostou a cabeça no respaldo do sofá, fitando o teto. — Mesmo ele sendo fantasioso e emocional demais, nós estamos juntos nessa.
Quinn soltou uma risada curta e espelhou a ação da amiga.
— Eu estou com medo.
— Do Homem Sem Coração? Ele não vai pegá-la, Q.
Quinn maneou a cabeça em negação.
— Estou com medo pela Rachel. Eu não sei se me perdoaria se algo acontecesse com ela.
— Você ainda ama a Frodo, não ama?
— Não se trata de amor. Todos ficariam devastados se algo acontecesse com ela. Hiram, Leroy, Audrey. — A loira fez uma pausa. — Audrey está se apegando à ela cada vez mais. E...
— Você. — Santana completou. — Você ficaria devastada. Da mesma forma que David ficou quando Jason morreu ou até mais, porque ao contrário dele, a anã se arrependeu das merdas que fez.
Quinn suspirou profundamente, pensando no que a latina dissera.
— É, eu ficaria devastada.
— Bom... isso já responde a minha pergunta sobre ainda amá-la.
...
Elaine esperou pacientemente Noah se estabilizar e anotou cada palavra que ele disse, aproveitando o momento para fazer mais indagações, tentando arrancar o máximo de informação que conseguisse.
No final, os dois se levantaram e apertaram as mãos. Contudo, antes de ir, ele a encarou.
— Você sabe que esse assassino pode estar bem embaixo do seu nariz, não sabe?
— Como assim? — Ela ficou confusa.
— Quinn e Santana. Nós sabemos que a Quinn tem uma mágoa que não foi cicatrizada por ter sido abandonada pela Rachel, e Santana é a sua parceira e melhor amiga, ou seja, sempre vai estar lá quando ela precisar. Eu presenciei uma discussão da Santana com a Rachel hoje mais cedo na nossa antiga escola, e a Lopez guarda um ódio profundo dela. Ambas são perfeitas para cometerem esse tipo de crime. Uma vingança projetada para sanar o ódio das duas. E tudo fica mais fácil por serem detetives. Pense nisso.
— Você é realmente idiota. — Elaine estava perplexa com a sentença do homem.
— Será que eu sou? — Ele perguntou, mas não esperou uma resposta e deixou o lugar.
Elaine desligou a câmera e foi até o computador, excluindo todo o momento da agressão contra Noah e deixando apenas o momento em que ficou a sós com ele. Depois disso, ela apoiou a cabeça nas mãos, pensando sobre o que ele dissera. Quinn poderia ser capaz de fazer algo assim com a ajuda de Santana? Ela se lembrava perfeitamente de Joshua acusando-as, mas sabia que o advogado nutria uma inveja absurda por não ter conseguido se tornar policial em razão da fratura no joelho, então podia ser apenas uma calúnia banal, e Noah era ridiculamente amargurado. Era visível que a sua ira por Quinn era algo pessoal, que envolvia a filha de ambos. Ela também não deveria acreditar nele, mas não evitou que a sua mente martelasse sobre isso. Qualquer dúvida era bem-vinda naquele caso delicado.
Após pensar por mais alguns minutos, ela partiu até a sala das duas outras detetives e entrou sem bater, encontrando-as sentadas no sofá dialogando enquanto tinham os olhos fixados no teto de gesso branco.
A pasta que segurava foi jogada no colo de Quinn.
— Noah já foi?
— Sim, e embora tenha dado bons detalhes sobre o indivíduo que seguia Elijah, eu ainda acho que não foi ele. — Elaine sentou na cadeira giratória da loira.
— A descrição que Noah recebeu do pai sobre o sujeito diz que ele mantinha o rosto ocultado sempre por um capuz, que era alto, tendo em média um metro e oitenta e que quando estava mais próximo dele, havia visto uma tatuagem de... um corvo na sua mão caucasiana. — Quinn direcionou o seu olhar para Santana, que entendeu rapidamente o que a amiga estava pensando. Por que, seja quem for esse homem, tinha uma tatuagem de corvo na mão? Uma coincidência? Elas não acreditavam em coincidências.
— O que houve? — Elaine ficou curiosa ao vê-las se encarando de forma repentina.
— Nada. — Quinn limpou a garganta, terminando a leitura do documento. — Ele morreu dias depois do início da perseguição vinda desse sujeito, e nós precisamos encontrá-lo.
— Vamos enviar essa descrição para os policiais que rondam a cidade e também para os que já estão em alerta em Ohio. Ele pode não residir em Lima. Não é tão comum alguém ter uma tatuagem de corvo na mão. — Santana disse, e Elaine concordou, passando a girar na cadeira até pousar os seus olhos nos porta-retratos nas mesas das duas amigas.
Ela teve de admitir para si mesma que Quinn tinha um sorriso bobo encantador no rosto enquanto segurava a filha, que também sorria largamente. A garotinha era simplesmente linda. Não entendia como Noah podia falar da deficiência dela como se fosse um peso. Era um cretino. Ao mover a sua atenção para as fotos expostas ao lado do computador de Santana, ela a viu segurando uma criança de traços latinos ao lado de Brittany. Elaine sabia perfeitamente o nome de Brittany. Já tinha visto ela em uma foto no dormitório de Santana na época em que ainda faziam faculdade juntas, o que causou o seu ciúme várias vezes. E no fim, Santana escolheu a namorada do ensino médio. Aquilo doeu imensamente. Era uma ferida que se abria sempre que pensava no que poderia ter acontecido se a latina tivesse embarcado em um relacionamento ao seu lado. Não conseguiu manter uma amizade com ela justamente por isso. Além do fato de que não queria vê-la com a esposa. Todavia, agora teria de vê-la. Precisava fazer uma visita para Brittany e para Rachel Berry. Precisava, mais do que nunca, tentar liquidar a sua incerteza sobre o que Noah havia dito.
Elaine despertou do seu torpor quando Quinn a chamou.
— O que foi?
— Eu gostaria de agradecer por ter ficado do meu lado hoje mais cedo. Foi muito importante para mim. — Quinn disse sincera.
— Eu já lidei com homens imbecis antes e não os suporto, então isso não foi algo por pura amizade. Não somos amigas. — Elaine foi direta.
— Eu sei. Eu apenas quis agradecer.
— Não há de quê. — Ela se levantou. — Agora eu preciso ir. Nos vemos amanhã. — Saiu da sala.
— Por que ela é sempre assim? — Quinn fitou a amiga.
— Isso se chama falta de amor. — Santana respondeu e voltou a ler o conteúdo da pasta.
Quinn deixou a latina sozinha para ir até a sala de Warren e entrou assim que recebeu a permissão.
— Olá, Quinn. Alguma novidade com o nosso caso? — Ele perguntou enquanto sorria.
— Nada de realmente alarmante até agora. Estamos aguardando a autópsia de Elijah Puckerman e o resultado de todos os exames toxicológicos. — Ela respondeu educada.
— Certo. Precisa de algo, então? — O capitão entrelaçou as mãos sobre a sua mesa.
— Na verdade, sim. Você sabe que esse assassino mata pessoas que abandonam as próprias famílias. — Ela começou, ganhando um aceno positivo de Warren. — E a Rachel fez exatamente isso há dois anos. Ela pode estar sob a mira dele, e eu gostaria de ter um reforço policial na porta da minha casa.
Warren analisou a pergunta de Quinn e suspirou audivelmente.
— Quinn, você sabe que é uma das detetives mais competentes daqui. Você e Santana fazem um ótimo trabalho nesse departamento, mas eu não posso acatar o seu pedido. Os meus policiais precisam estar por toda a cidade e não apenas em um local específico.
— Eu só preciso de dois deles e apenas à noite. Durante o dia, ela não está em casa, e eu sempre estou pronta para levá-la e buscá-la do trabalho porque é na escola da nossa filha. — Quinn insistiu.
— Eu sinto muito, Quinn, mas nós temos poucos recursos aqui.
— É a outra mãe da minha filha, Warren. É a segurança dela. — Ela tentou não se irritar.
— Eu lamento, Quinn. Eu realmente gostaria de ajudar, mas não posso fazer nada quanto a isso. — Warren não mudou a decisão.
Quinn assentiu lentamente. Estava frustrada e irada por isso. Era um pedido simples, e Warren não mostrava o mínimo de interesse em ajudá-la.
Ela deu as costas e saiu da sala sem pedir licença, quase se chocando com Santana ao virar o corredor.
— Ei, o que aconteceu? — A latina questionou ao ver a expressão contorcida em raiva da amiga.
— Warren não quis deixar dois policiais disponíveis para plantão na porta da minha casa, então eu estou indo.
— Indo fazer o quê, exatamente?
— Vou providenciar a segurança da minha família sozinha. Se ele não quer me ajudar, então farei isso por conta própria. — Quinn disse. Não podia ficar sentada esperando o assassino tentar entrar na sua casa durante à noite. Seu instinto gritava para fazer algo.
E Quinn faria.
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