Almas Afins
17 Capítulo 17 - Sérios problemas...
Notas iniciais
Foi impossível o caso de Jason não repercutir facilmente. Diferente do primeiro homicídio, dessa vez a polícia não conseguiu manter tudo longe dos noticiários, principalmente se tratando do local onde havia acontecido o crime. Cincinnati era uma cidade grande e, tudo rapidamente se espalhou. Como se isso não fosse o suficiente, não demorou mais do que um dia e meio para que chegassem até Zach Collins e agora, três dias depois da morte de Jason, as páginas dos jornais estampavam diariamente a pergunta que atingia todos de uma só vez.
Estavam realmente lidando com um assassino em série?
Era muito provável que sim. Quinn havia estudado perfis de assassinos em série conhecidos durante a faculdade e esse com o qual estavam lidando entrava perfeitamente nos requisitos. Havia cometido dois assassinatos, sempre com o mesmo modus operandi e deixando claro a sua repulsa por pessoas que abandonam as suas famílias.
Todos esses detalhes foram omitidos dos noticiários. Ninguém, exceto a polícia, Rachel, e Brittany sabiam disso.
A professora de dança havia ouvido toda a história e seu choque foi igual ao de Rachel. Era impossível não se sentir horrorizado com tamanha crueldade.
E além de toda essa confusão com os repórteres, Quinn ainda tinha de enfrentar o caos que se instalou na delegacia. Era a mesma rotina de quando houve o sequestro da garota no ano anterior. Se não estavam em Lima, estavam em Cincinnati, e era exaustivo ter de dirigir para a cidade pelo menos uma vez no dia. Sem falar, é claro, nas divergências que aconteciam a cada hora entre os departamentos, o que incluía novamente a detetive que Santana havia esmurrado.
Quando ela adentrou a delegacia ao lado dos amigos naquela manhã, a maioria das pessoas direcionaram olhares complacentes para David. Jason havia sido cremado um dia após descobrirem e analisarem o corpo, e felizmente Thomas não participou de nada. O garotinho nunca havia visto fotos do outro pai e nem sequer sabia da sua existência. Era muito novo para se lembrar dele, e David agradecia por isso. Quando possuísse idade suficiente, saberia de tudo, mas por enquanto permaneceria como estava. Ele não merecia o peso daquela notícia nas suas costas.
— Eu sinto muito pela sua perda, Dave — Warren disse após os três entrarem na sua sala e abraçou David gentilmente. — Mas ainda há alguns dias na sua licença.
— Eu prefiro estar aqui. Trabalhando e ocupando a minha cabeça. — O fotógrafo forense sorriu agradecido, recebendo um aceno do capitão.
— Estão atrasados. — A voz dura, ríspida e conhecida preencheu os ouvidos de todos ali presentes.
Elaine Humphrey era a detetive do Departamento de Polícia de Cincinnati e a maior inimiga de Santana. Quinn realmente não conseguia entender como as duas puderam ter uma espécie de affair na faculdade. A mulher era bela. Os cabelos lisos e castanhos combinavam perfeitamente com a pele pálida, mas esse não foi o motivo pelo qual a latina ficou com ela e sim o desejo de causar ciúme em Brittany, que havia embarcado em um namoro com Sam após o término delas. E, de fato, funcionou, porque Brittany terminou o seu relacionamento, fazendo com que Santana também pusesse um fim no sexo sem compromisso que tivera com Elaine. O que ninguém esperava era que ela desenvolvesse sentimentos. Algo que não foi correspondido, acarretando em uma mágoa profunda.
Embora Santana tivesse deixado claro que ambas não iriam namorar, Elaine se sentiu usada do mesmo jeito. Isso não mudou depois de três anos. Agora, o seu passatempo favorito era irritar a latina e consequentemente Quinn, que fazia parte da grade de detetives.
— Nós temos uma família para cuidar. — Santana respondeu.
— Claro. Brincar de casinha deve ser divertido. — Elaine foi sarcástica.
— Realmente é. Se casar e ter filhos com quem amamos é indescritível. Já experimentou isso? Aposto que não.
— Eu prefiro sexo sem compromisso, afinal aprendi com a melhor como se usa alguém para esquecer outra.
Santana revirou os olhos. Era sempre o mesmo diálogo infundado quando ambas se encontravam e já estava começando a perder a paciência.
— Detetives, por favor. — Warren pediu. — Estamos com um caso sério em mãos, então vamos nos concentrar nisso, certo?
— Eu só não admito incompetência no ambiente de trabalho. — Elaine disse.
— A única incompetência que vamos ter aqui é a sua quando tiver de ir para o hospital por ter o nariz quebrado novamente. — A latina deu um passo para frente, mas Quinn a segurou.
— Santana, mantenha a calma. Vamos dar uma olhada no organograma. — A loira puxou a amiga, saindo da sala de Warren e sendo seguida por Elaine e David.
Eles chegaram até a sala das detetives e olharam o organograma. A lousa branca agora recebia a foto de Jason, e David deu a desculpa de ir organizar os seus equipamentos no laboratório, saindo rapidamente da sala. Embora estivesse curioso sobre o caso e, principalmente, sobre Schatten, não estava pronto para ver as imagens do marido feitas pelo fotógrafo substituto.
Quinn o deixou ir, suspirando pela tristeza evidente do amigo, e então passou a estudar o painel. A foto de Zach Collins estava ligada com as imagens da sua ex-namorada, seu corpo e sua família. Algumas informações sobre ele também estavam presentes. O caso de Jason estava organizado da mesma forma, e havia uma ligação entre as vítimas e a matéria principal do jornal daquele dia.
— É a única coisa que temos. — Elaine disse após alguns minutos em silêncio. — A pessoa que ligou para avisar sobre o corpo não quis dizer o nome e disfarçou completamente a voz.
Quinn trocou um rápido olhar com Santana antes de pegar a pasta amarela sobre a mesa e abrir, folheando algumas páginas. Jason morava em Washington, mas havia ido comemorar a despedida de solteiro de um dos seus melhores amigos da época do ensino médio, que deu o depoimento no dia anterior em Cincinnati. Aparentemente, o ex-marido de David estava indo para o hotel sozinho às três da manhã depois de passar horas em uma boate. Isso explicava a quantidade exagerada de álcool no seu organismo.
Ninguém sabia quem poderia ter feito isso com ele. Jason não tinha inimigos. Era um homem alegre e divertido, contudo, isso não o fazia menos idiota por ter abandonado a sua família.
— Bom dia, detetives. — Joshua irrompeu na sala, sorrindo como se a cidade não estivesse em alerta diante de um assassino. — Eu fico feliz em saber que David voltou, porque agora podemos averiguar algumas coisas.
— Algumas coisas? Do que está falando? — Quinn franziu o cenho.
— Entenda de uma vez por todas, Fabray. — Joshua pareceu pensar por alguns segundos, deslizando os dedos na sua barba por fazer. — David foi abandonado pelo marido. Eu tenho certeza de que ele ficou irado e carregado de mágoa. Talvez ele tenha se vingado depois de saber que Jason estava em Ohio novamente.
— Você só pode estar brincando comigo! — Quinn jogou a pasta sobre a mesa. — Está insinuando que David matou Jason? Isso é o trabalho de um assassino em série!
— Não deve ser difícil espelhar um crime quando você vê o primeiro de perto. E jogar a culpa no assassino de Zach Collins foi bem pensado.
— Retire o que disse! — Quinn avançou sobre o homem, empurrando-o com força contra a porta e arrancando dele um gemido de dor pelo movimento brusco no seu joelho. — Retire ou eu vou quebrar você ao meio! — Cuspiu as palavras. Os rostos estavam próximos demais.
Santana não queria impedir a ação da amiga. Na verdade, ela queria ajudá-la a bater em Joshua, mas não poderiam arriscar ficar fora daquele caso, então apenas a segurou pela cintura, puxando-a para trás.
— Vamos, Q. Solte ele ou então podemos ser afastadas. — Ela tentava inutilmente fazer a loira largar o blazer do mais alto.
— O que está havendo aqui? — Warren entrou na sala alarmado. Ele tinha ouvido um estrondo ecoar no corredor.
— Esse idiota! — Quinn finalmente largou Joshua, mas não se deixou ser levada para longe dele. — Ele está acusando David de ter matado Jason.
— Você ficou louco, Joshua? — O capitão encarou o filho. — David está aqui há anos. Não faria algo assim.
— Você precisa parar de pensar tanto com as emoções, pai. — Joshua ajustou a lapela do blazer. — Eu estou pensando racionalmente e vou fazer de tudo para prender o culpado por esses crimes.
— Você não é o detetive aqui, Joshua! — Santana esbravejou.
— Eu sou muito mais do que vocês vão ser!
— Você é um advogado, Josh. — Warren foi duro. — Pare de agir como um detetive. Você não é um, então se concentre na sua função. Eu sou o capitão desse departamento e decido tudo.
Joshua fitou o pai com os olhos dilatados em ira.
— Eu não acredito que você está falando assim comigo.
O pai suspirou e esfregou as têmporas com as pontas dos dedos.
— Nós conversamos na minha sala. — Warren tentou se aproximar, porém Joshua se afastou e fitou todos na sala antes de sair mancando levemente.
O capitão mirou os seus olhos em Quinn.
— E Quinn, eu não admito violência dentro desse departamento.
— Desculpe, eu só perdi o controle.
— Voltem ao trabalho. — Foi tudo o que Warren disse, se retirando logo em seguida.
— Você é selvagem. Eu não me lembrava disso quando nos vimos pela última vez. — Elaine sorriu de canto. — O que acha de ir para o meu apartamento depois do trabalho?
— Vai para o inferno.
Elaine soltou uma risada debochada, fitando Quinn dos pés à cabeça. Quando se viram pela primeira vez, a loira parecia apática, sempre com um ar exausto, mas agora estava mais viva, mais bonita e totalmente mais gostosa do que antes.
— Como quiser. — Elaine se sentou na ponta da mesa. — Mas se mudar de ideia, é só me falar.
Quinn não respondeu e voltou a analisar a pasta.
— O crime não foi cometido naquele beco. A sala de estar da casa de Zach Collins estava repleta de sangue quando chegamos, diferente do container, onde havia uma pequena quantidade. Ele foi levado até lá. — A loira disse após alguns minutos.
— O assassino precisou encontrar um bom lugar para ser usado. Afinal de contas, ele teve de retirar um coração. Não é um lugar qualquer. — Santana complementou.
— Nós só precisamos tentar encontrar esse lugar, mas estamos procurando uma agulha no palheiro. — Elaine disse.
A atenção das três foi desviada quando um policial bateu na porta.
— Recebemos uma ligação. Alguém viu duas pessoas próximas do beco onde o corpo de Jason foi achado. É um rapaz que se chama Robert Miller. Ele está vindo para deixar um depoimento.
Quinn sentiu o corpo tensionar no mesmo instante, não diferente de Santana. Diferente delas, Elaine sorriu com a nova notícia e começou a caminhar, sendo seguida.
Juntas, as três saíram do cômodo, mas apenas uma delas estava pronta para conversar com o homem que entrara em contato. As outras duas pensavam em um modo de interceptar qualquer informação que pudesse chegar aos ouvidos de Elaine.
— O que vamos fazer? — Quinn sussurrou para a amiga, fazendo questão de andar lentamente para se manter atrás.
— Vamos agir como se isso não nos afetasse. Eu tenho um plano.
— É um bom plano?
— Bom... ele precisa ser.
Quinn sentiu o nervosismo aumentar. Santana não tinha certeza sobre o que fariam, mas tinha um plano e ele precisava dar certo. Robert não poderia vê-las ou então estariam em sérios problemas.
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