Almas Afins
5 Capítulo 5 - O transbordar de sentimentos...
Notas iniciais
Quinn não dormiu, e isso já era o esperado.
Ela tentou veemente, mas a sua cabeça estava agitada demais para conseguir relaxar, e seu corpo pesava pelo cansaço. Ainda que tenha ficado a noite toda deitada, a sensação de exaustão não a largou um momento sequer.
Rachel havia voltado. E se isso houvesse acontecido logo após a sua partida, Quinn ficaria feliz. Nos primeiros meses, ela desejou a sua volta. Desejou de modo imensurável. Desejou tanto a ponto de ajoelhar e rezar, algo que não fazia desde o momento em que tinha largado o Clube de Celibato no ensino médio. Desejou por ela, por Audrey, pelo amor que sentia.
Então um ano se passou, e o desejo continuou, mas agora era outro. Quinn desejava que Rachel nunca mais voltasse. Ela já não chorava e muito menos procurava saber sobre a esposa. O amor se trancafiou em uma cela isolada na parte mais escura do seu coração e não pode ser solto. Quinn jamais permitiria tal coisa. O amor por Rachel a destruiu, e ela não deixaria que a destruísse novamente.
Contudo, ela estava ali. Na sua casa. Alegando que ainda a amava e que não iria embora. Por quê? O que ela queria com tudo isso? Rachel Berry nunca toma uma decisão sem que haja algo para benefício próprio. Quinn sabia disso agora. E iria descobrir o motivo da sua volta tão repentina.
Quando o relógio digital na mesa de cabeceira marcou seis horas, ela levantou e arrumou a cama lentamente, indo até o seu armário em seguida e fisgando a primeira roupa que viu, partindo então para o banheiro no intuito de fazer a sua higiene matinal.
...
Rachel entrou na casa e fechou a porta atrás dela. Ainda bocejava pela noite conturbada. Havia ressonado por uma ou duas horas enquanto pensava no que poderia fazer para reconquistar a confiança de Quinn. Ela estava disposta. Disposta a lutar para ter a sua família de volta. Ela era Rachel Berry. A mulher que ganhou o seu primeiro concurso de dança com três meses de vida, que recebia slushies no rosto todos os dias e ainda conseguia caminhar de cabeça erguida nos corredores do McKinley e que nunca desistiu do Clube Glee, levando todos às Nacionais, vivenciando a felicidade de segurar o troféu da vitória em mãos.
No entanto, todas essas lembranças eram especiais porque Quinn estava ali. Quinn a encorajou, passando horas ao seu lado na frente do espelho, treinando feições dramáticas para a audição do musical da escola. Quinn a consolou quando não passou em NYADA, dando todo o amor que poderia transmitir com palavras e gestos, sendo a pessoa acolhedora e doce que sempre foi.
E Rachel jogou isso fora pela ambição. Se arrependia profundamente e diariamente, mas iria consertar tudo. Além de uma Berry, ela ainda era uma Fabray, e ambas as famílias eram marcadas pelas características de nunca desistirem do que queriam.
O sol estava forte em Lima, e o vestido rodado com os sapatos de salto baixo tinham caído bem no seu corpo. Ela depositou as sacolas sobre a mesa da cozinha e se pôs a guardar todos os alimentos nos armários e na geladeira, tentando em vão dissipar a sua ansiedade. Estava inquieta. Iria ver a sua filha depois de dois anos. Sua linda garotinha. A garotinha que nunca deveria ter deixado.
E mal podia esperar para senti-la nos seus braços.
...
Quinn terminou de calçar o par de tênis e vestiu a mesma jaqueta jeans do dia anterior sobre a camiseta de algodão branca, passando a se analisar no espelho do quarto uma última vez antes de aplicar a base para esconder as olheiras, marcando as orbes verdes com o lápis de olho em seguida. No fim, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo. Precisava cortá-los um pouco.
Ela suspirou. Nunca teve o costume de usar calça e tênis todos os dias. Quando largou as Cheerios durante a gestação de Beth, sempre usou vestidos ou saias. Ambos com cores mais vivas e estampas diferentes. No entanto, não podia usá-los com frequência quando se era detetive. Seria desconfortável para correr ou até mesmo entrar em uma briga corporal se fosse extremamente necessário.
Ao sair do quarto, o cheiro forte de bacon invadiu seu olfato, e seu rosto se contorceu em confusão ao chegar na cozinha e ver Rachel com as madeixas presas em um coque enquanto fritava alguns pedaços do alimento.
A mesa estava posta. Havia suco, leite, frutas, torradas, café e ovos mexidos. Quinn não evitou sentir a própria barriga roncar. Mal havia almoçado no dia anterior e nem jantado devido aos acontecimentos.
O som de limpar a garganta atraiu a atenção de Rachel, que desligou o fogão antes de se virar e encarar a esposa a olhando com o cenho franzido. Ela passou alguns segundos analisando a beleza de Quinn. Dois anos sem vê-la minuciosamente. Rachel não conseguia passar muito tempo sem olhá-la por longos segundos, exatamente como fazia naquele momento.
Ela voltou a si segundos depois e levou o bacon até a mesa, depositando-o em um prato.
— Bom dia.
— O que você está fazendo? — A loira indagou.
— O café da manhã. — A judia respondeu em um tom evidente. — Você vai trabalhar, e Audrey vai para a escola. Precisam comer corretamente. O café da manhã é a refeição mais importante do dia. É quando o seu organismo mais precisa de nutrientes para suportar a rotina, e nada melhor do que alimentos saudáveis para isso, principalmente para uma criança de três anos e uma detetive que supostamente não se alimenta bem. — Finalizou o monólogo sem pausa para respirar.
Certo. Nesse quesito a velha Rachel Berry estava presente. Ela sempre prezou o café da manhã e nunca deixou de falar sobre isso quando ainda estavam vivendo juntas. Até mesmo quando apenas namoravam. Quinn recebia inúmeras mensagens de texto com indagações sobre a sua alimentação.
— Audrey e eu tomamos um bom café da manhã. — A voz da detetive estava fria. — Quando não vamos para a casa da Sant e da Britt, eu mesma cozinho para nós. — Cruzou os braços.
— Então cozinhar quer dizer comer cereal? — Rachel abriu os armários. Havia pelo menos dez caixas ali. — Quinn, isso tem açúcar demais para uma criança em crescimento.
Quinn bufou. Era a mesma coisa que Brittany, Frannie e sua mãe diziam. Entretanto, Audrey adorava, e negar os pedidos da filha era algo que estava tentando fazer, embora fosse praticamente impossível.
— Isso é só para casos de emergência. Quando realmente não posso cozinhar.
Rachel sorriu com ternura. Conhecia Quinn o suficiente para saber que ela estava blefando, mas não iria retrucar.
— Tudo bem. Mas o que acha de ir buscar a Audrey? Vocês precisam comer.
— Por que você está fazendo tudo isso? — Quinn arqueou a sobrancelha.
— Eu já disse o porquê, Quinn. — Rachel respondeu pacientemente. — Eu quero conquistar tudo o que eu perdi.
Quinn suspirou e mudou a expressão. Estava triste. Não era uma tristeza causada pelo abandono que sofrera e sim outro tipo de sentimento pesaroso. Isso fez a morena sentir uma forte pontada no peito.
— Rachel, eu acho melhor você sentar um pouco.
— Por que eu me sentaria?
— Há algo que precisa saber. — A loira falava de forma cautelosa.
— Pode dizer. Eu estou bem aqui de pé.
Não. Não estava. Não sabia do que se tratava, mas Quinn sempre direcionava aquele olhar quando tinha uma notícia triste para dar, como fez ao contar que tinha dado Beth para Shelby. Era sempre uma melancolia profunda, e Rachel não gostava de se sentir nervosa.
A detetive tomou uma longa respiração. Odiava voltar naquele assunto. Era doloroso, mas a atriz deveria saber.
— Audrey passou por uma cirurgia quando era mais nova.
— Cirurgia? — A judia inquiriu um pouco atordoada. Talvez sentar pudesse ser uma boa ideia no momento, mas ela não o fez.
— Audrey adquiriu retinoblastoma. É uma doença genética que pode afetar até os dois olhos. No caso dela, suas duas córneas foram consumidas pelos tumores. A remoção deles foi feita. Mas... — As palavras morreram na garganta de Quinn e ela se controlou ao máximo para não permitir que as lágrimas caíssem.
Rachel, ao contrário dela, já deixava que seu rosto fosse molhado pela água salgada. O soluço saiu sem permissão, e ela tentou secar a face com a palma da mão. Não queria ouvir o que viria a seguir, porque já tinha uma noção do que seria. E quando ouvisse, iria desabar.
— Audrey perdeu a visão, Rachel. — A voz de Quinn saiu aos pedaços, da mesma forma que seu coração estava. — Ela é cega, e não há possibilidade de voltar a enxergar.
A judia abriu a boca. Não sabia o que dizer e nem queria. O choro saía com força, mas nem ele aplacava o palpitar doloroso na sua caixa torácica. Suas pernas fraquejaram, e antes que ela pudesse cair, a detetive correu, rodeando a mesa e segurando-a.
O conhecido formigamento assolou-as outra vez, como no dia anterior, mas Quinn não a afastou dessa vez, porque caso o fizesse, Rachel iria ao chão.
A mão dela segurou firmemente o tecido da jaqueta da mais alta, e a atriz enterrou o rosto no ombro da esposa, abafando o choro audível e forte que a sua garganta emitia. Ela não sabia dizer qual o nível do seu arrependimento, mas ele estava em uma competição acirrada com a dor insuportável. Audrey estava cega, e embora isso não fosse sua culpa, sua cabeça não evitou se martirizar por isso. Enquanto estava em Nova York, sua filha estava passando por uma delicada cirurgia que a faria perder a visão. Rachel não estava lá para confortá-la, para abraçar Quinn e ter a certeza de que tudo ficaria bem. Ela estava longe, como a lembrança da sua filha, que não lembrava da outra mãe e nunca poderia ver o seu rosto. Uma onda forte de ojeriza fez seu estômago embrulhar, e ela sentiu nojo de si mesma pela primeira vez.
Quinn não sabia como agir. Ela apenas se mantinha parada, segurando a judia como se ela pudesse literalmente desmoronar, e não contestou quando ela se afastou bruscamente, mas se assustou quando a viu correr até a escada.
Em poucos segundos, a atriz adentrou o banheiro, e bastou apenas levantar a tampa do vaso sanitário para que vomitasse o pouco de comida que tinha no seu organismo. A respiração estava agitada, e o suor no seu rosto fazia os poucos fios soltos do coque grudarem na sua nuca. Era uma junção horrível. Chorar e vomitar consumiam toda a energia do seu corpo. Ela nunca teve o costume de vomitar, e ainda lembrava da primeira vez em que esteve naquele mesmo banheiro, ajoelhada no chão frio enquanto despejava o conteúdo do café da manhã para fora.
Mas diferente do momento passado há alguns anos, onde a causa para o mal-estar era a sua gestação recente, agora o motivo era outro. Um motivo doloroso. Um motivo frio, que a corroía por dentro.
...
O silêncio era desconfortável. Quinn não sabia ao certo o que falar, tampouco tinha vontade de proferir algo. Rachel estava pagando pelo próprio erro. Por mais que parecesse cruel, era uma triste verdade.
Ela fitou a judia sentada no sofá com o olhar perdido no chão. As mãos brincavam com o colar que carregava no pescoço, e algumas lágrimas ainda desciam silenciosamente.
— É por isso que a maioria dos cômodos estão vazios lá em cima? — A atriz se pronunciou. A voz rouca pelo pranto.
— Sim. — A detetive respondeu de forma calma. Não iria adiantar usar rispidez naquele momento. — Audrey não pode subir escadas. Não enquanto for tão pequena, então eu acabei aceitando o dinheiro dos meus pais para uma pequena reforma. Dois quartos com banheiros aqui embaixo para que eu possa estar sempre perto dela em qualquer situação. Eu ainda não sei qual a finalidade dos dois cômodos no andar superior, mas podem ser usados para algo futuro. — Deu de ombros.
— Ela... ela reage bem a tudo isso? — Rachel ergueu a cabeça, tentando obter coragem para encarar a loira sentada na poltrona à sua frente.
— Ela era muito pequena quando fez a cirurgia. Tinha um ano e dois meses. Não entendia muito do que era falado, mas eu conversei com ela, mesmo sabendo que não seria totalmente compreendida. Adaptá-la ao novo mundo foi difícil. Audrey demorou a andar porque não tinha a confiança necessária para levantar do chão sem enxergar, mas Frannie ajudou muito. Ela soube lidar muito bem, e nós conseguimos instigá-la a dar os primeiros passos.
Era lamentável ter de contar para a própria esposa a vida da filha porque ela não esteve presente para ver, mas Quinn estava tentando, e manteve a voz pacífica o tempo inteiro.
Rachel respirou fundo, tentando diminuir o nó na garganta e o transbordar de sentimentos que sentia no peito para não explodir em um choro alto outra vez. Queria ser forte. O erro já foi cometido, então deveria apenas se concentrar em tentar revertê-lo o máximo possível, mesmo que agora tudo estivesse de ponta-cabeça.
— Ela é feliz? — Foi quase um sussurro, mas Quinn ainda conseguiu ouvir.
— Sim. — A loira respondeu. — Ela corre, brinca, ri e faz birra como qualquer criança. Audrey é muito inteligente e tem um gênio muito forte. — Não evitou sorrir com a lembrança da filha.
O sorriso da detetive fez o coração de Rachel se contrair novamente. Era um sorriso de alguém que havia presenciado momentos que ela não presenciou. Embora tentasse controlar a cabeça para não voltar ao ponto inicial da culpa, ela não conseguia. Era o seu martírio constante.
— Eu quero vê-la.
— Eu não acho que seja uma boa ideia, Rachel. Você não está bem agora.
— Por favor, Quinn. — Rachel insistiu. — Me deixe vê-la. Só por alguns segundos. Eu só... preciso vê-la.
A loira passou pouco tempo ponderando e por fim assentiu resignada enquanto soltava um suspiro.
— Eu vou buscá-la. Ela precisa se arrumar para a escola. — Ela se levantou.
Os minutos que se passaram quando Quinn saiu da residência pareceram durar muito mais. Rachel sempre foi impaciente, mas quando algo era importante demais, tudo triplicava de intensidade.
E quando a porta foi aberta, seu coração ricocheteou com força.
— Eu não posso ficar em casa hoje? Eu tô com sono, mamãe.
A voz infantil que resmungava em um tom manhoso fez o corpo da judia acender de uma forma que ela não sabia ser possível depois de tanto tempo vivendo no escuro.
Quinn adentrou a sala de estar enquanto segurava a filha nos braços. A cabeça apoiada no ombro da mãe fazia os longos cabelos escuros ocultarem a sua face.
Primeiro veio o sorriso espontâneo, depois a vontade de cair em prantos e no final, a falta de ação. Ela não sabia o que fazer. Desejava correr e pegar a garotinha, mas tinha medo de assustá-la com tantos movimentos bruscos.
A detetive beijou o topo da cabeça de Audrey.
— Isso significa que você foi dormir tarde para estar com tanto sono assim? — Quinn indagou, fingindo um tom sério.
— Eu... — A garotinha pareceu pensar e levantou a cabeça para espalmar as mãos pequenas no rosto da mãe. — Tia Sant contou histórias, mamãe. Foi legal.
Quinn sorriu, entendendo tudo. Santana adorava falar sobre as aventuras na polícia para as crianças, e isso custava horas, o que fazia Brittany sempre bronqueá-la.
Rachel ainda se mantinha tácita, mas seus olhos brilhando deixavam expostos o encantamento pela filha. O modo como ela tateava o rosto da loira era adorável e delicado, e o pijama rosa com estampa de gatinhos fazia a atriz querer apertá-la contra o seu corpo.
— Isso é bacon, mamãe? — A voz animada da pequenina fez o seu coração errar uma batida, e a risada sincera de Quinn ajudou para que sentisse o estômago revirar com borboletas ao seu redor.
— É sim, meu amor. Mas você já tomou café da manhã na casa das suas tias. — Quinn respondeu divertida.
— Mas é bacon, mamãe. — Audrey retorquiu, como se isso explicasse tudo.
Quinn riu outra vez. Sua filha era tão inteligente. Ela ainda se surpreendia com os sentidos apurados da garotinha. Era impressionante.
Ela fitou a morena pela primeira vez desde que entrou em casa, e seu sorriso morreu aos poucos, dando lugar a uma expressão cautelosa. Não se sentia pronta para apresentá-la à Rachel, mesmo sabendo que Audrey não tinha conhecimento da sua maternidade completamente. Sentia como se qualquer contato dela com a judia pudesse aumentar as chances de uma nova mágoa aparecer em breve, e se isso afetasse a sua garotinha, jamais se perdoaria.
No entanto, tudo ficaria mais complicado se adiasse aquilo.
— Você pode comer o bacon, meu bem. — Quinn a beijou na testa. — Mas antes, há uma... amiga da mamãe que está aqui e quer conhecer você.
— Uma amiga? — Audrey franziu as sobrancelhas.
— Sim, uma amiga. — A loira afastou os poucos fios que caíam sobre os olhos da mais nova. — Você não a conhece. O nome dela é...
— Rachel. — A judia falou rapidamente, cortando a fala de Quinn. — Meu nome é Rachel. — Falou. A voz um pouco trêmula pela emoção latente. — É um prazer conhecer você, Audrey. — Sorriu, mesmo sabendo que a garotinha não veria.
Audrey se remexeu nos braços da mãe, e quando foi posta no chão, seguiu na direção da voz, caminhando calmamente até parar a poucos metros de distância de Rachel.
Quinn queria pegá-la outra vez. Seu instinto de proteção gritando para acomodá-la nos braços sob suas asas, mas a filha estranharia tudo aquilo.
A atriz controlou novamente o ímpeto de pegá-la e agachou, ficando da altura da pequenina.
Audrey elevou o rosto, notando a movimentação, fitando a atriz pela primeira vez enquanto exibia um sorriso aberto.
Rachel resfolegou e tampou a boca com as mãos enquanto fechava os olhos com força, sentindo as lágrimas ganharem novamente a intensidade necessária para fazer seu corpo tremer. Ela analisou cada detalhe daquele rosto. Audrey era linda, encantadora, belíssima, graciosa. Todos esses adjetivos e muitos outros se passavam pela sua cabeça enquanto a encarava sem pestanejar, guardando aquela face na sua memória pela primeira vez. A face da sua filha.
E a olhando tão de perto, sentindo seu corpo vibrar diante daquele encontro, Rachel teve mais certeza do que já sabia.
Ela foi uma egoísta de merda, e uma péssima mãe e esposa.
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